III. Consequências de um novo padrão de inserção das mulheres no mercado de trabalho sobre o bem-estar na região metropolitana de São Paulo

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1 CEPAL - SERIE Polítcas socales N 60 III. Consequêncas de um novo padrão de nserção das mulheres no mercado de trabalho sobre o bem-estar na regão metropoltana de São Paulo A. Introdução Rcardo Paes de Barros (IPEA) Carlos Henrque Corseul (IPEA) Danel Domngues dos Santos (IPEA e PUC/RJ) Os países latno-amercanos estão passando por profundas transformações econômcas ao longo das últmas duas décadas. Em grande parte do contnente, tem-se tentado mplementar um novo padrão de desenvolvmento cuja característca prncpal é a abertura das economas vnculada a esforços que vsam a establdade econômca e aumento de produtvdade dos fatores de produção, em partcular do trabalho. Paralelamente, a regão também testemunha um processo de mudança cultural, em que as socedades têm aprenddo cada vez mas a convver com uma crescente partcpação das mulheres na força de trabalho. 55

2 Emprego femnno no Brasl: mudanças nsttuconas e novas nserções no mercado de trabalho É de se esperar, portanto, que a relação das mulheres com o mercado de trabalho esteja sendo profunda e sstematcamente modfcada nos últmos tempos. Partndo do pressuposto de que as mulheres podem trar proveto destas transformações para ntensfcar sua partcpação na força de trabalho, é provável que em pouco tempo tenham um papel semelhante ao dos homens. A análse de uma regão do Brasl pode ser bastante lustratva vsto que o país encontra-se em uma fase ntermedára de um ntenso programa de reformas. É fato que a partcpação das mulheres na força de trabalho vem apresentando uma tendênca ascendente no período menconado. Barros et all (1999) mostram que a partcpação tem aumentado cerca de 15 pontos percentuas por década no Brasl 69. Além dsso Melo (1999) mostra que as mulheres têm passado a ocupar postos até então predomnantemente masculnos. A partcpação das mulheres e o tratamento dferencado de homens e mulheres no mercado de trabalho tem mplcações tanto sobre a dstrbução de bem-estar como sobre a dstrbução da capacdade de geração de renda da força de trabalho. Embora estejam relaconados, os mpactos da nserção femnna no mercado de trabalho sobre a dstrbução de bem-estar e sobre a dstrbução da capacdade de geração de renda podem ser bastante dstntos. Na medda em que os membros de uma famíla repartam seus recursos de forma equtatva, o bem estar de um membro qualquer da famíla depende apenas da renda per capta famlar. Assm, a mportânca de sua própra renda sobre o bem estar lmta-se à nfluênca desta renda sobre a renda total da famíla. Como em geral homens e mulheres tendem a convver em famílas, o tratamento desgual de homens e mulheres no mercado de trabalho, que tanto mpacto tem sobre a dstrbução da capacdade de geração de renda, pode ter pouco mpacto sobre a dstrbução de bem-estar. Neste trabalho nvestgamos o mpacto da forma de nserção das mulheres no mercado de trabalho tanto sobre a dstrbução da capacdade de geração de renda como sobre a dstrbução de bem-estar. Em ambos os casos nvestgamos tanto o mpacto sobre a dstrbução entre as mulheres em dade atva ou ocupadas, como também sobre a dstrbução entre todas as pessoas ou todos os trabalhadores. A próxma seção descreve a natureza da nserção femnna no mercado de trabalho na regão metropoltana de São Paulo. A metodologa empregada para estmarmos os efetos de transformações na nserção da mulher no mercado de trabalho sobre sua capacdade de gerar renda e sobre o nível de bem estar da socedade está descrta na tercera seção. A quarta seção consste em uma apresentação dos resultados. A últma seção resume as prncpas conclusões do estudo. B. Uma breve descrção da natureza da nserção femnna e dos dferencas por gênero na regão metropoltana de São Paulo Apesar da crescente partcpação femnna no mercado de trabalho, a proporção das mulheres em dade atva engajadas ou buscando engajar-se em atvdades econômcas é anda bem nferor a masculna. De fato, conforme lustra a Tabela 1, a taxa de partcpação femnna em São Paulo permaneca, no trêno , em méda 28 pontos percentuas abaxo da masculna. 69 Este resultado se refere a comparação da partcpação de mulheres de mesma dade em dferentes coortes de nascmento. 56

3 CEPAL - SERIE Polítcas socales N 60 Tabela 1 ESTATÍSTICAS BÁSICAS DE MERCADO DE TRABALHO Estatístcas Homem Mulher Taxa de partcpação Taxa de desemprego Duração méda do desemprego em meses Jornada semanal méda do trabalho Proporção da população ocupada por jornada semanal Menor que 30 horas semanas Menor que 32 horas semanas Menor que 36 horas semanas Menor que 40 horas semanas Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de Emprego (PME) de 1996, 1997 e Razão entre a população economcamente atva e a população em dade atva (maores de 10 anos). Alguns autores denomnam esta mesma razão taxa de partcpação refnada. Entre as pessoas economcamente atvas não parece exstr grandes dferenças quanto ao acesso a postos de trabalho. As dferenças na taxa de desemprego por gênero são lmtadas (6,7% entre as mulheres e 8,0% entre os homens), embora a duração méda do desemprego seja bem superor entre as mulheres (10,5 meses) que entre os homens (6,9 meses). No entanto, como a duração do desemprego de um grupo é função não apenas da oferta de postos de trabalho mas também do nível de exgênca deste grupo para acetar as ofertas dsponíves, é dfícl nterpretar uma maor duração do período de desemprego como evdênca de uma maor defcênca na oferta de postos de trabalho. Uma dmensão em que as dferenças por gênero são acentuadas no mercado de trabalho é a duração da jornada de trabalho. Enquanto cerca de 30% das mulheres trabalham efetvamente menos de 40 horas por semana, entre os homens apenas 15% trabalham menos de 40 horas, fazendo com que a jornada semanal méda de trabalho das mulheres ocupadas seja cerca de 5 horas nferor a dos homens. Esta dferença tem um mportante mpacto sobre o potencal de geração de renda das mulheres, mas é dfícl saber se é resultado de uma escolha das mulheres por uma menor jornada de trabalho ou um mpedmento mposto pelo mercado de trabalho ou outros fatores além do seu controle. As dferenças por gênero são também mportantes no que se refere a estrutura ocupaconal por setor de atvdade. Na grande maora dos setores de atvdade, a partcpação das mulheres é muto acma ou muto abaxo da sua representatvdade na população ocupada. Dentre os 20 setores utlzados neste estudo, em apenas 5 a representação das mulheres dfere da sua representação na população ocupada em menos de 10 pontos percentuas, como mostra a Tabela 2. As estmatvas apresentadas nesta tabela revelam um elevado grau de segregação ocupaconal por gênero. Este elevado grau de segregação pode ser também evdencado verfcando-se que as 10 ocupações mas femnnas (onde a percentagem de mulheres no total de pessoal ocupado é maor) representam mas de 80% do emprego femnno mas apenas pouco mas de 40% do emprego masculno. De forma smlar, tem-se que as 10 ocupações mas masculnas representam menos de 20% do emprego femnno e quase 60% do emprego masculno (veja Gráfco 1). 57

4 Emprego femnno no Brasl: mudanças nsttuconas e novas nserções no mercado de trabalho Tabela 2 PROPORÇÃO DE HOMENS E MULHERES POR GRUPO OCUPACIONAL Dferença Grupo Homem Mulher em relação à méda (módulo) Comercante ambulante Comérco varejo e atacadsta Construção cvl Servços fnanceros, corretagem e seguros Servços de barbeara e beleza Servços doméstcos Servços de hotel, bares e restaurantes Servços públcos Esporte e cultura Confecção de vestuáro e calçados Extratvsmo Indústra de almentação e fumo Ind. de cerâmca, artgos de borracha, cmento e madera Ind. elétrco e eletrônco Ind. gráfca e papel Indústra metalúrgca Indústra textl Ocupações genércas de produção Trabalhadores braças Outros Total Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de Emprego (PME) de 1996, 1997 e PROPORÇÃO DA POPULAÇÃO OCUPADA POR JORNADA DE TRABALHO Jornada Homem Mulher Menor que 30 horas semanas Menor que 32 horas semanas Menor que 36 horas semanas Menor que 40 horas semanas Méda da jornada de trabalho semanal Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de Emprego (PME) de 1996, 1997 e

5 CEPAL - SERIE Polítcas socales N 60 Gráfco 1 DISTRIBUIÇÃO ACUMULADA DOS OCUPADOS POR GRUPOS OCUPACIONAIS, ORDENADOS SEGUNDO GRAU DE MASCULINIZAÇÃO Serv. Beleza Serv. Hotel Ambulante Esp. e cultura Outros Extrat. Ind. Metalur. Const. Cvl Homens Mulheres maor masculnzação -> Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de Emprego (PME) de 1996, 1997 e Nota: 1- Proporção de homens dentre o total de ocupados no setor. É precso dzer, entretanto, que a partr apenas da nformação apresentada na Tabela 2 é dfícl nferr em que medda estas dferenças em nserção ocupaconal são o resultado de dferenças em preferêncas ou resultam de mpedmentos mpostos pelo mercado de trabalho. Uma forma de aprofundar esta dscussão é verfcar em que medda as ocupações femnnas são pores ou apenas dferentes. Com vstas a nvestgar esta questão, ordenamos as ocupações segundo a renda méda dos homens com nível educaconal medano (5 a 8 anos de estudo) em cada ocupação 70. Com base nesta ordenação, estmamos a proporção de homens e mulheres em ocupações de baxa renda (veja Gráfco 2). Os resultados obtdos ndcam que exceto pela alta ncdênca de mulheres no trabalho doméstco, exste pouca evdênca de que as ocupações predomnantemente femnnas sejam salaralmente nferores àquelas predomnantemente masculnas. De fato, conforme revela o Gráfco 3, a proporção das mulheres e homens em ocupações com saláro abaxo da medana masculna é muto próxma, com a dferença sendo nferor a 10 pontos percentuas. Além dsso, tem-se que 22% das mulheres e dos homens encontram-se em ocupações com renda méda acma de R$ como servços públcos, esporte, cultura e servços fnanceros. Em suma, os números apresentados ndcam que, embora exsta forte evdênca de que a estrutura ocupaconal das mulheres é muto dferente da dos homens, não há grandes ndícos de que a as ocupações predomnantemente femnnas sejam salaralmente nferores. Assm, a hpótese de que a dstrbução das mulheres entre ocupações deve refletr fundamentalmente restrções de acesso a oportundades de trabalho em setores que remuneram melhor não encontra um claro respaldo empírco Os setores predomnantemente masculnos foram: extratvsmo; trabalho braçal; ndústra metalúrgca; ndústra gráfca e de papel; ndústra de almentação e fumo; ndústra de cerâmca, artgos de borracha, madera e cmento; comérco varejo e atacadsta; servços fnanceros, corretagem e seguros; e construção cvl. Já os setores mas femnnos foram: ndústra elétrco-eletrônca; ndústra têxtl; confecção de vestuáro e calçados; ocupações genércas de produção; comérco ambulante; servços de barbeara e beleza; servços doméstcos; servços de hotés, bares e restaurantes; servços públcos; e esporte e cultura. Valores de julho de

6 Emprego femnno no Brasl: mudanças nsttuconas e novas nserções no mercado de trabalho Grafco 2 PROPORÇÃO DE HOMENS E MULHERES POR GRUPOS OCUPACIONAIS, ordenados segundo a remuneração méda dos homens com 5 a 8 anos de estudo Serv. Hotel Const. Cvl Extrat. Representatvdade femnna na população ocupada = 39,35% Ambulante Ind. Metalur. Serv. Beleza Esp. e cultura Outros Homens Mulheres Fonte: Construída com base nas nformaçõescontdas na Pesusa Mensal de Emprego (PME) de 1996, 1997 e Uma forma de resumr o grau de nferordade da estrutura salaral femnna consste em contrastar qual sera o saláro médo femnno e masculno caso o saláro médo em cada ocupação fosse o saláro masculno para trabalhadores medanamente escolarzados. Quando estmada esta dferença, o resultado ndca uma superordade masculna de apenas 0,5% quando o emprego doméstco é excluído e de 5%, quando o emprego doméstco é ncluído. Fnalmente, resta documentar as dferenças salaras por gênero. Com este objetvo a Tabela 3 apresenta o saláro médo dos homens e mulheres por ocupação e nível educaconal 72. Esta tabela revela que na grande maora dos casos os saláros masculnos são bem superores aos femnnos. De fato, em apenas 5% dos casos consderados o saláro médo femnno apresentou-se mas de 10% superor ao masculno ao passo que em 81% dos casos o oposto ocorreu. Com vstas a obter uma estatístca sumára da magntude destas dferenças salaras, calculamos a méda destas dferenças utlzando a composção ocupaconal-educaconal masculna e femnna. Em ambos os casos os resultados ndcam que a dferença salaral méda entre homens e mulheres na mesma ocupação e com a mesma escolardade é próxma a 50%. 72 Apresentar nesta tabela, também o erro padrão da estmatva para a méda, talvez valha a pena nclur também, ou ao nvés de, o ntervalo de confança de 90%. 60

7 CEPAL - SERIE Polítcas socales N 60 Tabela 3 SALÁRIO HORÁRIO DA POPULAÇÃO OCUPADA POR GRUPO OCUPACIONAL E NÍVEL DE EDUCAÇÃO Grupo 0 a 4 anos de estudo 5 a 8 anos de estudo 9 a 11 anos de estudo mas de 11 anos de estudo Homem Mulher Homem Mulher Homem Mulher Homem Mulher Comercante ambulante Comérco varejo e atacadsta Construção cvl Servços fnanceros, corretagem e seguros Servços de barbeara e beleza Servços doméstcos Servços de hotel, bares e restaurantes Servços públcos Esporte e cultura Confecção de vestuáro e calçados Extratvsmo Indústra de almentação e fumo Ind. de cerâmca, artgos de borracha, cmento e madera Ind. elétrco e eletrônco Ind. gráfca e papel Indústra metalúrgca Indústra textl Ocupações genércas de produção Trabalhadores braças Outros Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de Emprego (PME) de 1996, 1997 e Valores em R$ de dez/ 1998 Além de sgnfcatvas estas dferenças salaras por gênero seguem alguns padrões bem defndos. O Gráfco 3, por exemplo, revela que os dferencas crescem com o nível educaconal. Já o Gráfco 4 mostra que, embora exsta uma tendênca para uma relação postva entre o grau de masculnzação das ocupações de um setor de atvdade e o hato salaral entre homens e mulheres, sto é, embora exsta uma tendênca para a nferordade salaral das mulheres ser menor nas ocupações mas femnnas, esta relação é relatvamente fraca. C. Metodologa A metodologa empregada para captar o efeto da mudança da nserção da mulher no mercado de trabalho consste em exercícos de contra-factual. Nestes exercícos, comparamos as dstrbuções do bem-estar e da capacdade de geração da renda da socedade, estmados quando smulamos uma alteração na nserção da mulher no mercado de trabalho, com os níves orgnas. Este procedmento demanda três tpos de nformação para ser mplementado. Em prmero lugar defnr bem-estar e capacdade de geração de renda é essencal para nossa análse. Segundo, é necessáro saber quão dferente se espera que seja a nserção da mulher no futuro próxmo. Por fm é necessáro dspor de varáves que permtam mensurar a evolução da nserção femnna no mercado de trabalho. 61

8 Emprego femnno no Brasl: mudanças nsttuconas e novas nserções no mercado de trabalho Gráfco 3 DISTRIBUIÇÃO ACUMULADA DE OCUPADOS POR GRUPOS OCUPACIONAIS, ordenados segundo a remuneração méda dos homens com 5 a 8 anos de estudo Serv. Hotel Const. Cvl Extrat. Ambulante Ind. Metalur. Serv. Beleza Esp. e cultura Outros Homens Mulheres Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de Emprego (PME) de 1996, 1997 e Gráfco 4 HIATO SALARIAL ENTRE HOMENS E MULHERES POR GRUPOS OCUPACIONAIS, ordenados segundo o grau de masculnzação Serv. Beleza Serv. Hotel Ambulante Esp. e cultura Outros Extrat. Ind. Metalur. Const. Cvl Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de Emprego (PME) de 1996, 197 e Nota: 1- Proporção de homens dentre o total de ocupados no setor. Para efetos deste trabalho o bem-estar de um ndvíduo estará sempre assocado à renda famlar per capta provenente de todos os trabalhos de todos os membros da famíla 73 a que este ndvíduo pertence. Já a capacdade de geração de renda deste mesmo ndvíduo será representada pela renda do seu trabalho prncpal. Índces de nsufcênca e desgualdade obtdos a partr da 73 Por lmtação da base de dados utlzada neste trabalho não podemos consderar renda provenente de outras fontes que não seja o trabalho. Também não é consderada a renda do trabalho de ndvíduos com dade nferor a dez anos. 62

9 CEPAL - SERIE Polítcas socales N 60 dstrbução destes atrbutos serão usados como ndcadores de capacdade de renda e do bem estar de uma socedade. De forma complementar assumremos que as condções que prevalecem atualmente para os homens consttu uma aproxmação adequada em termos de padrões de nserção das mulheres no mercado de trabalho que deve prevalecer em um futuro próxmo. A nserção da mulher no mercado de trabalho será representada neste artgo pelo número de horas trabalhadas em uma semana. Já a qualdade da nserção da mulher no mercado de trabalho será representada em suas duas dmensões neste trabalho. Trabalharemos tanto com a estrutura ocupaconal como com o nível de saláro para smular o acesso a melhores postos de trabalho. Portanto estmaremos resultados para nsufcênca e desgualdade de renda relaconados a stuações smuladas onde as mulheres expermentam jornadas de trabalho, estrutura ocupaconal e níves de saláro próxmos ao dos homens. Para solar o efeto sobre o nível de rendmento de alterações no padrão de nserção da mulher no mercado de trabalho trabalharemos com o nível de renda controlado pelo nível de escolardade do ndvíduo. Outras característcas são freqüentemente analsadas em estudos sobre determnação de saláro, porém esta tem sdo apontada como sendo a mas relevante 74. Neste caso estaremos estmando qual o mpacto em termos de bem-estar para a socedade paulstana de um novo padrão de nserção da mulher no mercado de trabalho mantdo constantes seus dferencas em relação ao homem em termos educaconas. 1. Smulações Foram fetas 4 smulações de como se comportaram ndcadores de desgualdade e pobreza 75 no caso em que: a) a renda padronzada das mulheres se aproxmasse à dos homens; b) a renda padronzada e a jornada de trabalho das mulheres se aproxmasse à dos homens; c) a renda méda das mulheres se aproxmasse à dos homens; d) a renda méda e a estrutura ocupaconal das mulheres se aproxmasse da dos homens. Note que estas smulações são fetas de forma acumulatva em dos blocos, ou seja, a dstrbução de renda resultante da smulação (a) serve como ponto de partda para a (b), e a resultante da smulação (c) como ponto de partda da smulação (d). Na smulação (a) estma-se qual sera o saláro horáro de uma mulher que trabalha em um certo setor de atvdade e com um determnado nível de escolardade, caso as mulheres de tal grupo tvessem, em méda, o mesmo saláro horáro dos homens desse grupo. O saláro padronzado de cada mulher é representado pela expressão: W * W = W W H / j, M / j, Ver Ramos e Vera (1996), Fernandes (1996), Barros e Ferrera (1999), Cavaler e Fernandes (1998), Barros e Res (1989), entre outros. O termo pobreza é usado aqu por smplcdade, apesar de ser pouco rgoroso. Mas adante dscutremos este ponto em detalhe (ver rodapé nº 9). 63

10 Emprego femnno no Brasl: mudanças nsttuconas e novas nserções no mercado de trabalho onde W é o saláro horáro da mulher, W H é o saláro médo entre os homens, W M é o saláro médo entre as mulheres, e os subscrtos j e ndcam, respectvamente, o setor de atvdade e o nível educaconal da mulher em questão. Uma hpótese mplícta nesta smulação é que a mudança no saláro horáro de um determnado grupo sóco-econômco (defndo como um grupo homogêneo no que dz respeto a gênero, nível educaconal e setor de atvdade) não afeta o saláro dos demas grupos. Pode-se, então, obter qual sera a renda do trabalho de cada mulher com esse novo saláro horáro: R = H W a * / j, Na smulação (b) estma-se qual sera a jornada de uma mulher com um certo nível educaconal, que trabalha em um dado setor de atvdade, caso as mulheres de tal grupo tvessem, em méda, a mesma jornada de trabalho dos homens desse grupo. De modo semelhante ao cálculo do saláro horáro padronzado, a jornada padronzada pode ser descrta por: H * = H onde H é a jornada de trabalho da mulher, H H é a jornada de trabalho méda dos homens, H M é a jornada méda das mulheres, e os subscrtos j e caracterzam o setor de atvdade e o nível educaconal da referda mulher. Pode-se, então, obter qual sera a renda do trabalho de cada mulher com essa nova jornada de trabalho: H H H j, M j, R b = H * W * Na smulação (c) estma-se dretamente qual sera a renda do trabalho (produto do saláro horáro com a jornada) de uma mulher com um certo nível educaconal e que trabalha em um determnado setor de atvdade, caso as mulheres de tal grupo tvessem, em méda, a mesma renda do trabalho dos homens desse grupo. Procedemos portanto da segunte manera. R c H / j, R = W H RM / j, onde R é a renda do trabalho da mulher, R H e R M são as rendas médas de homens e mulheres, respectvamente; e j e têm a mesma nterpretação das smulações anterores. Vale ressaltar que este procedmento, embora seja muto smlar ao descrto na smulação (b), não necessaramente deve produzr resultados guas. Isto porque o produto das médas de duas varáves não necessaramente é gual à méda do produto destas varáves 76. Por fm, na smulação (d) estma-se qual sera a renda do trabalho obtda por cada mulher se a estrutura ocupaconal (dstrbução das mulheres por setor de atvdade) fosse gual a dos homens, mas supondo que a dstrbução de renda do trabalho no nteror de cada setor se mantvesse 76 É fácl mostrar que R c = R b R R H / j, M / j, W W M / j, H / j, H H M / j, H / j, ; e portanto R c R b. 64

11 CEPAL - SERIE Polítcas socales N 60 nalterada. Para descrever esse procedmento de forma mas clara faz-se necessáro uma notação um pouco mas sofstcada do que a empregada na descrção das smulações anterores. Podemos escrever a dstrbução conjunta da população de mulheres ocupadas por renda do trabalho e setor de atvdade pela expressão F M (s,r c ) = F M (R c s)f M (s); onde F M (R c s) representa a dstrbução das mulheres por renda do trabalho condconal ao setor de atvdade, e F M (s) representa a dstrbução margnal das mulheres por setor de atvdade. A smulação consste em redstrbur as mulheres dentre os setores de atvdade de modo a que tenham a mesma dstrbução dos homens, sem contudo alterar a dstrbução de renda do trabalho das mulheres dentro de cada setor. Em outras palavras, teremos: F M (s,r c )* = F M (R c s)f H (s); onde F H (s) representa a dstrbução margnal dos homens por setor de atvdade. Idealmente, sera nteressante saber como a redstrbução de mulheres entre setores afetara também a dstrbução de mulheres segundo a renda do trabalho condconal ao setor de atvdade e nclur este efeto na smulação. Entretanto, em geral sabe-se apenas o mpacto sobre a renda méda em cada setor. Assm, é necessáro supor que a dstrbução de renda dentro de cada setor permanece nalterada a despeto do tamanho do setor e da renda méda no setor terem sdo alteradas. Uma forma de garantr a valdade desta hpótese é fazer com que os trabalhadores que saem do setor sejam seleconados de forma ndependente do seu nível de renda e que aqueles que entram no setor passem a ter um nível de renda escolhdo aleatoramente de acordo com a dstrbução de renda no setor de destno. Operaconalmente o que fzemos neste estudo fo segur duas etapas:. Selecona-se de forma aleatóra as trabalhadoras a serem removdas de cada setor.. Cada trabalhador realocado a uma novo setor recebe a renda necessára para preservar a posção relatva que tnha na dstrbução de renda do seu setor de orgem. Como os trabalhadores realocados são escolhdos aleatoramente na orgem, este procedmento garante que o saláro escolhdo no destno é também aleatóro e portanto não altera a dstrbução de renda nem na orgem nem no destno. Para efeto de análse dos resultados destas smulações supomos que as alterações mpostas no padrão de nserção da mulher não tera efeto sobre o padrão de nserção dos homens. Todas as smulações afetam a dstrbução de renda provenente do trabalho entre os ndvíduos ocupados. Além de reportar resultados referentes a esta dstrbução de renda também será reportado os resultados referentes a dstrbução de renda famlar. Para esta segunda dstrbução é assumdo que o status de empregado, desempregado ou natvo dos membros da famíla não é afetado pela mudança no processo de nserção expermentado pelas mulheres. D. Resultados Toda a análse desta seção será baseada em resultados gerados a partr da Pesqusa Mensal de Emprego do IBGE (PME/ IBGE). Nosso unverso de análse corresponde aos trabalhadores da regão metropoltana de São Paulo que estveram empregados em algum mês compreenddo entre Janero de 1996 e Dezembro de Note que ao restrngrmos nosso unverso à regão 65

12 Emprego femnno no Brasl: mudanças nsttuconas e novas nserções no mercado de trabalho metropoltana de São Paulo estamos naturalmente sentando nossos resultados de efetos advndos de dferencas relaconados à localzação. Os resultados serão expressos através de três meddas de desgualdade de renda e três de pobreza ou nsufcênca na capacdade de geração de renda 77. As meddas de desgualdade analsadas são o Coefcente de Varação e os índces de Thel e Gn. As meddas de pobreza ou nsufcênca são os índces P0, P1 e P2; propostos por Foster, Greer e Thorbece 78. P0 é smplesmente a proporção de pobres (ou de pessoas que não conseguem gerar um patamar mínmo de renda) em uma dada população. P1 é o hato médo de renda, e P2 é o hato quadrátco médo de renda. Os ndcadores da classe P(n) propostos por Foster, Greer e Thorbece podem ser nterpretados como meddas de ntensdade de pobreza numa população, que dferem entre s por atrbur dferentes pesos à carênca de cada pessoa pobre em seu cálculo. P0 dá o mesmo peso a cada pessoa pobre, ndependentemente da dstânca entre os ganhos desta pessoa e a lnha de pobreza. Os demas ndcadores desta classe estabelecem uma relação dreta entre o peso que cada pessoa terá e a dstânca entre a renda desta pessoa e a lnha de pobreza. Quanto maor n, maor a convexdade da relação peso versus dstânca renda-lnha de pobreza, e mas sensível o ndcador é à ntensdade da pobreza 79. Os ndcadores P1 e P2 são, portanto, mas sensíves à ntensdade da pobreza/ nsufcênca do que P0, e por sto são utlzados como meddas alternatvas. Para o cálculo dos índces de pobreza/ ncapacdade de geração de renda, foram utlzadas três lnhas de nsufcênca alternatvas. No caso da dstrbução de bem estar as lnhas de pobreza usadas foram de 0,5; 1 e 2 saláros mínmos de Julho de 1997, ou seja, R$60,00; R$120,00 e R$240,00 de Julho de 1997 respectvamente 80. No caso da dstrbução da capacdade de geração de renda os níves de nsufcênca consderados foram de 2, 3 e 5 saláros mínmos de Julho de 1997, ou seja, R$240,00; R$360,00 e R$600,00 de Julho de 1997 respectvamente. Estes valores devem ser mas altos justamente por não consderar a dstrbução de recursos entre os membros da famíla Orgnalmente, P0, P1 e P2 foram concebdos para ser ndcadores de pobreza. De fato, quando estvermos analsando mpactos sobre o rendmento famlar per capta, nos referremos a estes índces como ndcadores de pobreza. No entanto, a nterpretação torna-se um pouco dferente quando analsamos mpactos sobre rendmento pessoal, pos as pessoas que recebem menos do que a lnha de pobreza não são necessaramente pobres. Para estes casos, chamaremos os mesmos índces de ndcadores de nsufcênca. À exceção dos comentáros sobre os resultados, contudo, nos referremos a estes ndcadores smplesmente como ndcadores de pobreza, para facltar a letura. Foster, Greer e Thorbece (1984) Para uma dscussão sobre o uso destes índces, ver Hoffmann (1998). Estes valores foram deflaconados pelo INPC-R para os demas meses do período analsado. 66

13 CEPAL - SERIE Polítcas socales N Dstrbução da capacdade de geração de renda As tabelas 4a e 4b mostram os resultados das smulações descrtas na seção 3 sobre as meddas de nsufcênca e desgualdade relatvas à dstrbução da capacdade de geração da renda. A tabela 4a reporta os efetos sobre todos os ocupados enquanto a tabela 4b se restrnge às mulheres ocupadas. Tabela 4a MEDIDA DE DESIGUALDADE E POBREZA OBSERVADAS E CONTRAFACTUAIS Dstrbução da renda do trabalho prncpal entre os ndvíduos ocupados Orgnal (a) Saláro horáro (b) Saláro horáro + Jornada de trabalho (c) Renda méda (d) Renda méda + Estrutura ocupaconal Desgualdade Índce de Thel Coefcente de Gn Coefcente de varação Pobreza 2 Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de emprego (PME) 1996/97/98. O efeto assocado ao saláro horáro é pratcamente nulo em termos de desgualdade, uma vez que os ndcadores alteram em apenas um ponto percentual (exceto o coefcente de varação que dmnu dos pontos percentuas). No caso das meddas de nsufcênca na capacdade de geração de renda os valores apresentam alguma tendênca à redução, sendo que este padrão é mas acentuado para as lnhas de nsufcênca maores. Além dsso, o ndcador que sofre maores quedas é P0, que não consdera varações na ntensdade da ncapacdade de geração de renda. Quando utlzamos outros ndcadores (P1 e P2) que ponderam os ndvíduos pela dstânca entre sua renda e a lnha de nsufcênca, sendo portanto mas sensíves à ntensdade da nsufcênca da geração de renda, observamos que a redução não é tão sgnfcatva. Este fato pode estar ndcando que o grau de dscrmnação por gênero nas ocupações extremamente mal remuneradas é baxo ou que a proporção de mulheres neste tpo de ocupação é pequeno, de modo que por maores que sejam as mudanças na forma de nserção femnna no mercado de trabalho os ndcadores de nsufcênca para a população como um todo serão pouco afetados. Quando analsarmos as varações nestes ndcadores levando em conta somente a população femnna, poderemos ser mas precsos em nossa nterpretação. O efeto assocado a jornada de trabalho, por sua vez, é pratcamente nexstente. Dos doze ndcadores analsados para a dstrbução em questão ses deles não tem seus valores alterados enquanto os demas dmnuem um ou dos pontos percentuas. 67

14 Emprego femnno no Brasl: mudanças nsttuconas e novas nserções no mercado de trabalho Tabela 4b MEDIDA DE DESIGUALDADE E POBREZA OBSERVADAS E CONTRAFACTUAIS Dstrbução da renda do trabalho prncpal entre as mulheres ocupadas Orgnal (a) Saláro horáro (b) Saláro horáro + Jornada de trabalho (c) Renda méda (d) Renda méda + Estrutura ocupaconal Desgualdade Índce de Thel Coefcente de Gn Coefcente de varação Pobreza 2 Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de emprego (PME) 1996/97/98. A tabela 4b mostra que os efetos são mas acentuados se consderarmos apenas o subunverso das mulheres, como era de se esperar dado que é o grupo dretamente afetado pelas alterações smuladas. Vale destacar o aumento na desgualdade entre as mulheres ocupadas quando se altera o saláro horáro deste grupo, ou seja, quando estas passam a ganhar o equvalente a que os homens do mesmo nível educaconal e na mesma ocupação ganham passa a haver uma dspersão maor nos rendmentos consderados. Vemos também que a ncapacdade de geração de renda se reduz sensvelmente, prncpalmente quando a lnha de nsufcênca consderada é a de 3 saláros mínmos, apontando para a exstênca de forte dscrmnação por gênero dentre as ocupações com baxa remuneração. No entanto o mesmo fenômeno deve ser observado com maor ntensdade nas posções prvlegadas do mercado de trabalho a ponto de fazer com que a desgualdade suba. Os efetos de alterações na estrutura ocupaconal sobre a dstrbução de renda consderada estão lustrados nas duas últmas colunas das Tabelas 4a e 4b. Os resultados mostram que a alteração da estrutura ocupaconal pratcamente não afeta os ndcadores de desgualdade da população como um todo, mas melhoram sgnfcatvamente a dstrbução de renda pessoal entre as mulheres. Por outro lado, esta mudança tem efeto lmtadíssmo em termos de nsufcênca na capacdade de geração de renda. Este resultado é observado tanto para a totaldade dos ocupados como para somente as mulheres ocupadas. 2. Dstrbução de bem-estar As tabelas 5a a 5b mostram as meddas de pobreza e desgualdade quando empregadas para a dstrbução de bem-estar assocadas as alterações do saláro horáro, jornada de trabalho e estrutura 68

15 CEPAL - SERIE Polítcas socales N 60 ocupaconal, bem como para as dstrbuções orgnas para efetos de comparação. A tabela 5a reporta os efetos sobre a população total e a tabela 5b para o unverso da população femnna. Tabela 5a MEDIDA DE DESIGUALDADE E POBREZA OBSERVADAS E CONTRAFACTUAIS (Dstrbução da renda famlar per capta entre toda a população) Orgnal (a) Saláro horáro (b) Saláro horáro + Jornada de trabalho (c) Renda méda (d) Renda méda + Estrutura ocupaconal Desgualdade Índce de Thel Coefcente de Gn Coefcente de varação Pobreza 2 Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de emprego (PME) 1996/97/98 O efeto assocado ao saláro horáro sobre a dstrbução de bem-estar é de aumento da desgualdade e queda moderada da pobreza. As meddas de desgualdade na população total apresentam aumentos de um (Gn) a três (Thel) pontos percentuas. As meddas de pobreza tendem a apresentar varações da mesma magntude. Vale ressaltar que no nível de nsufcênca mas baxo a varação é desprezível, o que quer dzer que o bem-estar das famílas extremamente carentes não é afetado pela smulação consderada. O efeto assocado à jornada de trabalho, por sua vez, é totalmente nsgnfcante. Os ndcadores de desgualdade mantém-se constantes bem como a maora dos índces de nsufcênca. Somente os ndcadores relaconados à lnha de pobreza mas alta dmnuem um ponto percentual. Os resultados da Tabela 5b referente ao unverso das mulheres são bascamente os menconados acma para a população total. Em relação ao efeto da alteração do saláro horáro a desgualdade aumenta em magntude lgeramente superor e a nsufcênca apresenta quedas um pouco maores nos ndcadores, mas os movmentos são bastante semelhantes aos verfcados na população total. Em relação ao efeto da jornada a Tabela 5b confrma que mesmo entre as mulheres os ndcadores não se alteram sgnfcatvamente. 69

16 Emprego femnno no Brasl: mudanças nsttuconas e novas nserções no mercado de trabalho Tabela 5b MEDIDA DE DESIGUALDADE E POBREZA OBSERVADAS E CONTRAFACTUAIS Dstrbução da renda famlar per capta na população femnna Orgnal (a) Saláro horáro (b) Saláro horáro + Jornada de trabalho (c) Renda méda (d) Renda méda + Estrutura ocupaconal Desgualdade Índce de Thel Coefcente de Gn Coefcente de varação Pobreza 2 Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Saláros Mínmos (julho de 1997) P P P Fonte: Construída com base nas nformações contdas na Pesqusa Mensal de emprego (PME) 1996/97/98. Quanto às smulações envolvendo alteração da estrutura ocupaconal das mulheres, surgem dos fatos nteressantes. Em prmero lugar o efeto da alteração na renda méda é de fato bastante próxmo ao efeto agregado da alteração no saláro horáro e na jornada de trabalho (ou seja, a méda das covarâncas entre saláro horáro e duração da jornada de trabalho no nteror de grupos sóco-econômcos homogêneos é próxma de zero). Comparando ambos os resultados podemos verfcar que nenhum ndcador dfere em mas de um ponto percentual. O segundo fato a ser apontado se refere ao efeto da alteração na estrutura ocupaconal. Esta alteração produz uma queda na desgualdade mas do que sufcente para compensar o aumento devdo a alteração da renda méda. Os índces de nsufcênca também apontam uma queda porém menos expressva do que os de desgualdade. A Tabela 5b mostra anda que os resultados para a população femnna são bascamente os mesmos, apesar de estarmos ldando somente com o unverso de pessoas dretamente atngdas pelas mudanças. A explcação para sso é que, ao ldarmos com a renda famlar per capta, estamos dlundo as alterações no rendmento das mulheres por todos os membros da famíla. E. Conclusão Neste estudo procurou-se estmar o mpacto sobre meddas de bem estar e de capacdade de geração de renda de uma provável mudança no padrão de nserção das mulheres no mercado de trabalho. A alteração proposta fo atrbur às mulheres um papel equvalente ao dos homens, compatblzando saláros, jornada de trabalho e estrutura ocupaconal. A pertnênca deste tpo de smulação deve-se à ntensfcação da partcpação femnna na força de trabalho verfcada nos últmos anos, acompanhada de um acesso cada vez maor das mulheres aos postos de trabalho melhor remunerados. 70

17 CEPAL - SERIE Polítcas socales N 60 No que dz respeto ao mpacto sobre a capacdade de geração de renda, os resultados mostraram que mudanças no padrão de nserção das mulheres no mercado de trabalho não apresentam efetos muto sgnfcantes sobre a desgualdade e nsufcênca na capacdade de geração de renda da população como um todo. Uma explcação para sso é que a proporção de mulheres dentre o total de pessoas ocupadas anda é relatvamente pequeno. Quando observamos somente o unverso de mulheres, verfca-se que as mudanças expermentadas no saláro horáro reduzem os ndcadores de nsufcênca e elevam o grau de desgualdade. Já alterações na duração da jornada de trabalho não afetam a desgualdade e causam dmnução nos ndcadores de nsufcênca, e mudanças na estrutura ocupaconal são pratcamente neutras no que dz respeto à nsufcênca mas melhoram sensvelmente os índces de desgualdade. Por outro lado, os efetos sobre a dstrbução de bem-estar são menores anda do que os efetos sobre a dstrbução da capacdade de geração de renda. Este resultado era de certa forma esperado dado que os benefícos em termos de capacdade de geração de renda deve ser repartdo no âmbto da famíla tornando-se um benefíco menos sgnfcante em termos de bem-estar. Os ndcadores de pobreza pratcamente não se alteraram, nem quando fo consderado somente o unverso das mulheres. Quanto aos ndcadores de desgualdade, verfcou-se que a compatblzação do saláro horáro de homens e mulheres eleva a dspersão de bem estar, ao passo que a compatblzação das respectvas estruturas ocupaconas reduz esta dspersão. 71

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