O migrante de retorno na Região Norte do Brasil: Uma aplicação de Regressão Logística Multinomial

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1 O mgrante de retorno na Regão Norte do Brasl: Uma aplcação de Regressão Logístca Multnomal 1. Introdução Olavo da Gama Santos 1 Marnalva Cardoso Macel 2 Obede Rodrgues Cardoso 3 Por mgrante de retorno, entende-se, como a pessoa que dexa o seu estado natal, resde algum tempo em outro estado e depos regressa ao seu lugar nascmento. Segundo Squera, Magalhães e Slvera-Neto (2006), geralmente, o motvo da saída do ndvíduo é de ordem econômca, buscando melhores oportundades de emprego e ncremento da renda. Por outro lado esse ndvíduo retorna ao seu local de nascmento por frustração das suas expectatvas quanto ao emprego e renda no seu destno, ou para segur um projeto de vda, como um plano de resdênca ao longo da sua vda. Nesta últma hpótese, o mgrante acumula rqueza no tempo da sua estada fora e planeja retornar na sua velhce para vvencá-la junto aos seus famlares (DUSTMANN; KIRCHKAMP, 2002). Consderando que o Censo Demográfco de 2010 evdencou uma mudança nas correntes mgratóras no país com a dmnução da mgração nterna e a tendênca de permanênca ou de retorno de moradores a seus Estados de orgem, é mportante dentfcar o perfl do mgrante de retorno a Regão Norte. Para tanto, será aplcado o modelo de Regressão Logístca Multnomal para fazer assocação entre as característcas ndvduas e a probabldade do ndvíduo ser um mgrante de retorno. 2. Materal e Métodos Neste trabalho foram utlzadas as nformações da regão Norte provenentes do Censo demográfco de A base de dados fcou consttuída por ndvíduos do sexo masculno, ndependente da raça com dade de 18 ou mas que estavam trabalhando ou não, na semana de referênca da pesqusa. No total a amostra para a regão Norte correspondeu a um total de ndvíduos. Para traçar o perfl do remgrado na Regão Norte do Brasl fo utlzado o modelo de regressão logístco multnomal, o qual permte dentfcar característcas ndvduas do mgrante de retorno, dferencando-o do mgrante e do ndvíduo que nunca mgrou. 1 Bacharel em Estatístca UFPA 2 UFPA 3 Graduando em Estatístca UFPA

2 O modelo logístco multnomal pode ser vsto como uma extensão do modelo logístco bnáro a stuações onde a varável resposta tem múltplas categoras não ordenadas (AGRESTI, 2007). No caso de J categoras, tem-se a segunte especfcação do modelo: prob( y = 0 x ) = P 0 prob( y = 1 x ) = P 1 = 1 + J h= 1 1 exp( xβh) exp( xβ1) = J 1 + exp( xβh) h= 1 exp( xβ j ) prob( y = j x ) = Pj = J 1 + exp( xβh) h= 1 Onde : β 1, β 2,..., β j denotam os efetos das covaradas específcas à 2ª, 3ª,..., J a categoras de resposta tendo a prmera como referênca. A varável dependente no modelo logístco multnomal assume os valores: y=0 para o mgrante, y=1 para o remgrado à UF de nascmento e y= 2 para o não-mgrante. O mgrante será tomado como categora de referênca no modelo. Para as varáves ndependentes qualtatvas do modelo serão consderadas como categoras de referênca: os dosos, ndvíduos sem escolardade, trabalhadores com cartera assnada, ndvíduos ocupados na semana da pesqusa, os que não se encontravam na condção de aposentados e o Estado de Rorama, que fo escolhdo por ser referdo na lteratura sobre o tema como o Estado braslero que hstorcamente apresenta a menor partcpação de retornados no seu fluxo mgratóro. Consderando que o saldo mgratóro é postvo na Regão Norte, é grande o número de mgrantes em relação aos não mgrantes e remgrados, desbalanceando o conjunto de dados, desse modo a análse não levará em conta a magntude das probabldades apresentadas, mas somente as contrbuções das varáves captadas pelos snas dos coefcentes estmados. 3 - Resultados e dscussões Para motvar a aplcação a Fgura 1 apresenta a dstrbução da população segundo a condção de mgração. Desta forma observa-se que a maor parte da população é composta de mgrantes, sendo pequeno o percentual de remgrados.

3 ,2% Percentual ,7% 28,1% 0.00 Mgrante Retornado Não-Mgrante Fgura 1 Mgrantes, mgrantes retornados e não mgrantes. Regão Norte A Tabela 1 apresenta os resultados do modelo de regressão logístco multnomal, com seus coefcentes estmados e sgnfcânca estatístca para o perfl do remgrado em relação ao mgrante. No perfl do mgrante de retorno, foco prncpal desse trabalho, observa-se que ser jovem ou adulto aumenta a chance do ndvíduo retornar ao seu local de nascmento, quando comparado aos dosos. Este resultado ndca que o retorno à Regão Norte está sendo realzado por ndvíduos que não foram bem suceddos no processo de mgração e não por ser um evento planejado. Resultado semelhante fo encontrado em Squera, Magalhães e Slvera-Neto (2006), com dados do Censo 2000 para todo o Brasl. Por outro lado, o fato de o ndvíduo ser casado não tem nfluênca sobre a decsão de retornar, pos o coefcente não é estatstcamente sgnfcante. A chance de ser remgrado aumenta para qualquer grau de escolardade, relatvamente a um ndvíduo sem nstrução. Ou seja, estão retornando para a Regão Norte ndvíduos escolarzados, o que sgnfca um ganho relatvo de captal humano, o que está de acordo com os resultados de Squera, Magalhães e Slvera-Neto (2006). Para as varáves relatvas ao mercado de trabalho, não ter cartera assnada e encontrar-se desocupado aumenta a chance de o ndvíduo ser um remgrado. Isso reforça a suposção de que os ndvíduos estaram retornando à Regão Norte em vrtude de não ter obtdo êxto em sua decsão de mgrar. Esse fato também pode ser corroborado pelo mpacto negatvo da varável aposentado, snalzando que o retorno à Regão Norte não está sendo um evento planejado, em que o ndvíduo mgrou jovem e só retorna à sua terra natal para aprovetar sua aposentadora. Este resultado está em desacordo com os resultados encontrados por Squera, Magalhães e Slvera-Neto (2006) ndcando que

4 em outras regões do Brasl pode estar acontecendo o retorno planejado ou a stuação mudou no período de 2000 a Tabela 1: Modelo de Regressão Logístca Multnomal. Estmatvas Coef. P-valor Wald Mgrante de Retorno Intercepto -5, ,424 Jovem 1, ,561 Adulto 0, ,962 Casado -0,012 0,455 0,558 Prmáro 0, ,645 Intermedáro 0, ,310 Superor 0,116 0,001 12,012 Trab. Sem cartera 0,062 0,001 10,446 Desocupado 0,115 0,001 10,086 Aposentado -0,085 0,017 5,749 Trab. Por conta Própra -0,213 0, ,563 Rondôna 0, ,498 Acre 3, ,209 Amazonas 2, ,013 Pará 2, ,262 Amapá 0, ,979 Tocantns 2, ,432 Anda relatvo ao mercado de trabalho, há evdêncas que ndvíduos que trabalham por conta própra têm menor probabldade de serem mgrantes de retorno, ou seja, consderando que a categora de referênca são os mgrantes, há uma maor chance de os ndvíduos que têm seu própro negóco na Regão Norte terem vndo de outros Estados ou de fora do país. Este resultado está em dssonânca com aqueles encontrados em Squera, Magalhães e Slvera-Neto (2006), entretanto pode ser argumentado que em outras regões do país pode estar acontecendo de os ndvíduos adqurrem recursos fora de sua cdade natal e depos retornarem para montar seu própro negóco, entretanto essa não é a realdade da Regão Norte. As dummes relatvas aos Estados da Regão Norte, são todas postvas snalzando que o Estado de Rorama, que é a categora de referênca, contnua sendo como em 2000, o Estado que menos recebe de volta seus cdadãos que mgraram.

5 4 Conclusões Este trabalho teve como objetvo aplcar a técnca regressão logístca multnomal para traçar o perfl dos mgrantes de retorno na Regão Norte do Brasl de acordo com o Censo de Adconalmente, a técnca permtu verfcar característcas mportantes também para os mgrantes, os quas representam uma mportante camada consttunte da população nortsta. Em relação aos resultados da modelagem logístca multnomal, observou-se que o mgrante que retorna à Regão Norte é jovem ou adulto com até 59 anos de dade, o que, segundo a teora de mgração, está relaconado a retorno por nsucesso no local para onde mgrou ncalmente. Em relação ao mercado de trabalho os remgrados encontram-se em stuação de desemprego ou trabalhando no mercado nformal, não sendo dono do seu negóco própro. O que retrata um cenáro pouco propíco ao ndvíduo remgrado. 5 - Referêncas Bblográfcas [1] AMARAL, A. E. P.; NOGUEIRA A. M. A volta da Asa Branca e as prmeras mpressões de retorno. In: encontro naconal de estudos populaconas, VII, 1992, Brasíla. Anas. Brasíla, v.3, p , [2] AGRESTI, A. An Introducton to Categorcal Data Analyss. Nova Jersey, 2 ed Edtora John Wley and Sons. [3] DUSTMANN, C.; KIRCHKAMP, O. The optmal mgraton duraton and actvty choce after re-mgraton. Journal of Development Economcs, v. 67, p , [4] SIQUEIRA, L. B. O.; MAGALHÃES, A. M.; SILVEIRA NETO, R. M. Uma Análse da Mgração de Retorno no Brasl: perfl do mgrante de retorno, a partr do Censo de In: XI Encontro Regonal de Economa, 2006, Fortaleza. Anas

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