Perspectivas Econômicas. Pesquisa Macroeconômica Itaú Unibanco

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1 Perspectivas Econômicas Pesquisa Macroeconômica Itaú Unibanco Maio, 2016

2 Roteiro Internacional Ambiente segue favorável para mercados emergentes A retomada da alta de juros nos EUA depende de uma aceleração da atividade doméstica e maior confiança de recuo nos riscos globais. Continuamos projetando dois aumentos de juros em 2016, mas postergamos a primeira alta de junho para julho. O crescimento nas economias maduras permanece modesto. Para a China, Elevamos a previsão para o PIB de 6,3% para 6,5% em A apreciação recente das moedas de mercados emergentes parece respaldada por fundamentos. Resta saber se esse ambiente mais favorável se traduzirá em melhora do crescimento econômico. Brasil Novo esforço de ajustes e reformas Novos esforços de ajustes tendem a se refletir na confiança, mas não evitam uma queda acentuada do PIB nesse ano (projetamos -4,0%). Para 2017, esse novo ambiente deve proporcionar um crescimento moderado de 1,0% (antes, 0,3%). Revisamos a projeção de câmbio para 3,75 R$/USD ao fim de 2016 (ante 4,00), e para 3,95 ao fim de 2017 (ante 4,25), refletindo o cenário externo mais benigno e o doméstico com perspectivas maiores de ajustes. Mantemos a projeção de IPCA de 2016 em 6,9% e para 2017 em 5,0%. Esperamos um novo esforço de reformas/ajustes à frente. Mantemos nossa projeção de resultado primário de 2016 em -1,7% do PIB, mas alteramos nossa projeção para 2017 de -2,1% para -1,0% do PIB. O balanço de riscos para a inflação deve seguir melhorando à frente. Acreditamos que o Copom iniciará um ciclo de corte de juros no segundo semestre. 2

3 Economia global: nossas projeções Mundo 3,4 3,4 3,1 3,2 3,5 EUA 1,5 2,4 2,4 1,9 2,1 Zona do Euro -0,4 0,9 1,5 1,5 1,6 Japão 1,4 0,0 0,5 0,4 0,7 China 7,8 7,3 6,9 6,5 6,0 3 Fonte: Itaú Unibanco, Haver Analytics

4 1T14 2T14 3T14 4T14 1T15 2T15 3T15 4T15 1T16 2T16 3T16 4T16 EUA: sem pressa para voltar a subir os juros O Fed permanece cauteloso em relação à melhora dos riscos globais, indicando não ter pressa para voltar a subir os juros. Entendemos que as condições para o Fed voltar a subir juros são: (1) reaceleração da atividade, após a moderação recente (PIB anualizado cresceu 1,4% no quarto trimestre de 2015, e apenas 0,5% no primeiro trimestre de 2016); e (2) ter confiança de que o recuo nos riscos globais se sustentará. Crescimento do PIB %, taxa anualizada 5.5% 4.5% 3.5% 2.5% 1.5% 0.5% -0.5% -1.5% 2.4% 1.9% -2.5% Trimestral Anual 4 Fonte: Itaú Unibanco,Bloomberg, Haver Analytics

5 1T13 2T13 3T13 4T13 1T14 2T14 3T14 4T14 1T15 2T15 3T15 4T15 1T16 2T16 3T16 4T16 China: crescimento acima do esperado A atividade econômica se acelerou em março, impulsionada por investimentos imobiliários e em infraestrutura. Elevamos nossa projeção de crescimento do PIB chinês de 6,3% para 6,5% em 2016, mas mantemos a previsão de desaceleração para 6,0% em Crescimento do PIB %, taxa anualizada 9.5% 9.0% 8.5% 8.0% 7.5% 7.0% 6.5% 7.3% 6.9% 6.5% 6.0% 5.5% 5.0% Trimestral Anual 5 Fonte: Itaú Unibanco, Bloomberg, INEGI

6 1T12 2T12 3T12 4T12 1T13 2T13 3T13 4T13 1T14 2T14 3T14 4T14 1T15 2T15 3T15 4T15 1T16 2T16 3T16 4T16 Europa: fatores transitórios impulsionaram PIB no primeiro trimestre O PIB da zona do euro cresceu 0,6% no 1T16, impulsionado por fatores transitórios. Preços baixos do petróleo estimularam o consumo e o inverno ameno favoreceu a construção civil. Com o fim desses efeitos, projetamos que a expansão da economia volte à tendência de 0,4% por trimestre, ao longo de Mantemos inalteradas nossas projeções de crescimento do PIB da zona do euro de 1,5% em 2016, e 1,6% em % Crescimento real do PIB % 1.5% 1.5% 1.5% 1.0% 0,9% 0.5% 0.0% -0.5% -1.0% Trimestral Anual 6 Fonte: Itaú Unibanco, Bloomberg, Haver Analytics, Eurostat

7 América Latina: apreciação cambial recente reflete os fundamentos O elevado pessimismo em relação à China no início do ano e a forte queda do petróleo parecem ter ficado para trás. Além disso, o Fed parece estar prestando mais atenção à economia global, trazendo menor risco de normalização da política monetária. A melhora recente do ambiente global impulsionou as moedas de mercados emergentes. Esse movimento nos parece respaldado pelos fundamentos. Resta saber se esse ambiente mais favorável se traduzirá em melhora do crescimento econômico. PIB mensal PIB mensal dessaz. - mm3m var. anual 8% 6% 4% 2% 0% -2% Brasil -4% Chile Colômbia -6% México Peru -8% jan-13 jul-13 jan-14 jul-14 jan-15 jul-15 jan-16 Apreciação das moedas Dólar por moeda local - Set/13 = CLP COP MXN PEN BRL 50 set-13 fev-14 jul-14 dez-14 mai-15 out-15 mar-16 7 Fonte: Itaú Unibanco, Bloomberg, Haver

8 América Latina: Nossas projeções Peru México PIB - % 2,4 3,0 4,0 4,0 PIB - % 2,1 2,5 2,5 2,7 PEN / USD (dez) 3,0 3,41 3,35 3,40 MXN / USD (dez) 14,7 17,2 17,5 17,5 Taxa de juros - (dez) - % 3,50 3,75 4,25 4,25 Taxa de juros - (dez) - % 3,00 3,25 3,75 4,25 IPC 3,2 4,4 3,1 2,5 IPC 4,1 2,1 3,0 3,0 Colômbia Chile PIB - % 4,6 3,0 2,5 2,7 PIB - % 1,9 2,0 1,8 2,3 COP / USD (dez) CLP / USD (dez) Taxa de juros - (dez) - % 4,50 5,75 7,50 6,50 Taxa de juros - (dez) - % 3,00 3,50 3,50 3,50 IPC 3,7 6,8 6,0 3,5 IPC 4,6 4,4 3,5 3,0 Argentina PIB - % -2,6 1,9-1,0 3,0 ARS / USD (dez) 8,6 13,0 16,7 20,0 BADLAR - (YE) - % 20,4 27,3 27,0 23,0 Lebac 35 dias (dez) - % - 33,0 30,0 25,0 IPC - % (Estimativas Privadas) 38,5 28,0 34,0 25,0 8 Fonte: Itaú Unibanco

9 Brasil: o que esperamos no curto prazo? Atividade econômica PIB (%) 3,0 0,1-3,8-4,0 1,0 Desemprego (%) Dezembro (PNAD cont.) 6,8 7,0 10,0 12,5 13,0 Inflação IPCA (%) 5,9 6,4 10,7 6,9 5,0 Política monetária Taxa SELIC (%) 10,00 11,75 14,25 12,25 10,00 Fiscal Superávit primário (% PIB) 1,8-0,6-1,9-1,7-1,0 Balança de pagamentos Câmbio (fim de período) 2,36 2,66 3,96 3,75 3,95 Conta corrente (% PIB) -3,0-4,3-3,3-0,9-0,4 9 Fonte: Itaú Unibanco, Bloomberg, BCB, IBGE

10 1T12 2T12 3T12 4T12 1T13 2T13 3T13 4T13 1T14 2T14 3T14 4T14 1T15 2T15 3T15 4T15 1T16 2T16 3T16 4T16 1T17 2T17 3T17 4T Brasil: atividade ainda em queda, mas com perspectivas melhores As divulgações recentes apontam para queda do PIB no primeiro e segundo trimestres deste ano. No entanto, com os indicadores antecedentes apresentando melhora na margem, esperamos uma relativa estabilidade a partir do terceiro trimestre. Crescimento real do PIB - % trimestral Crescimento real do PIB - % anual 1.5% 1.0% 0.5% 0.0% -0.5% -1.0% -1.5% 0.6% 0.1% -0.1% -0.8% -1.3% -0.3% -0.8% -0.7% -1.4% 0.6% 0.6% 0.5% 0.4% -0.1% % -2.0% -2.1% -2.5% Fonte: Itaú Unibanco, IBGE

11 set-98 set-00 set-02 set-04 set-06 set-08 set-10 set-12 set-14 set-16 Indicadores antecedentes sugerem relativa estabilidade no segundo semestre Avaliamos que os estoques devem continuar a diminuir nos próximos meses. Consequentemente, a confiança da indústria pode começar a subir de forma moderada. Como antecedente da atividade, o índice de difusão (que mostra o número de indicadores em alta, baseado em um conjunto amplo de dados) está consistente com cenário de relativa estabilidade a partir do segundo semestre deste ano. Estoques Excessivo insuficiente, p.p. Índice de difusão 25 80% 9% 20 72% 64% 7% 5% 15 56% 3% 10 48% 40% 1% -1% 5 32% -3% 0 24% Índice de difusão (12m, t-2) Crescimento PIB (12m) (dir.) -5% -5 abr-06 abr-08 abr-10 abr-12 abr-14 abr-16 16% -7% 11 Fonte: FGV, Itaú Unibanco,

12 Emprego formal segue em declínio Apesar da forte contração dos empregos formais, a taxa de desemprego nacional surpreendeu novamente para baixo. Avaliamos que o avanço mais lento ocorre pelo maior número de trabalhadores por conta própria. Alteramos nossa projeção de desemprego para 12,5% no fim deste ano (antes, 13,0%). A tendência de aumento acentuado no desemprego deve se estender para 2017, com a taxa de desemprego atingindo 13,0% (antes, 13,4%). Taxa de desemprego %, dessazonalizado 14% 13% 12% PNAD 12.5% 13.0% Criação de empregos formais Em milhares, dessazonalizado % 10% 9.9% % 8% 7% % Fonte: Itaú Unibanco, IBGE, Caged, FGV 12

13 Fiscal: novo esforço de ajustes à frente O setor público consolidado registrou déficit primário de R$10,6 bilhões em março, levando o resultado acumulado em 12 meses de -2,1%, em fevereiro, para -2,3% do PIB, em março. No entanto, acreditamos em um novo esforço de reformas. Elevamos nossa projeção de resultado primário para 2017 de -2,1% para -1,0% do PIB. Resultado primário consolidado %PIB 5% 4% 3% 2% 1% 0% -1% -2% Dívida bruta % do PIB, 12 meses 85% 80% 75% 70% 65% 60% 55% 50% 45% 78.9% 75.8% 71.7% 66.2% -3% mar-04 mar-06 mar-08 mar-10 mar-12 mar-14 mar-16 40% Fonte: Itaú Unibanco, Banco Central

14 Cenário externo benigno e perspectivas de ajustes no Brasil favorecem o real O cenário internacional segue favorecendo e o dólar teve mais um mês de queda em abril. As chances de um novo esforço de ajustes/reformas também aumentaram ao longo do último mês. As perspectivas mais favoráveis levaram à queda do risco Brasil e à entrada maior de capitais. Revisamos o câmbio para 3,75 R$/USD ao fim de 2016 (ante 4,00), e para 3,95 ao fim de 2017 (ante 4,25). Mudamos também as nossas projeções de contas externas, mas mantivemos a visão de continuidade da melhora. Taxa de câmbio Reais/ dólar, fim de período 4.50 Saldo em conta corrente % do PIB, acumulado em 12 meses 3% % 1% % -1% -0.9% -0.4% % -3% -2.5% % 1.50 dez/12 dez/13 dez/14 dez/15 dez/16 dez/17-5% 14 Fonte: Itaú Unibanco, BCB

15 Inflação deve recuar para 6,9% este ano Mantivemos a projeção para o IPCA deste ano em 6,9%. Apesar da revisão do nosso cenário para a taxa de câmbio, surgiram pressões adicionais vindas de alimentação no domicílio e serviços, que atuaram em sentido contrário. Para 2017, mantivemos a projeção de 5% para o IPCA. Inflação de livres e administrados Variação em 12 meses 20% 18% 16% 14% 12% 10% 8% 6% 4% 2% IPCA Livres (76%) Administrados (24%) 18.1% 10.7% 8.5% 7.1% 6.9% 6.5% 0% dez-10 dez-11 dez-12 dez-13 dez-14 dez-15 dez-16 Contribuição dos preços Variação anual (p) IPCA Livres Administrados 15 Fonte: Itaú Unibanco, IBGE

16 Política Monetária: juros estáveis por mais algum tempo O BC avalia que não há espaço para cortes de juros no curto prazo. O balanço de riscos para a inflação deve seguir melhorando à frente. Dessa forma, acreditamos que a evolução do cenário levará o Copom a iniciar um ciclo de corte de juros no segundo semestre, a partir de julho. Selic % a.a 15% 14% 13% 13.02% 12% 12.25% 12.27% 11% 10% 9% 8% 10.00% 7% Projeção equipe econômica Itaú Apreçamento da SELIC implícito na curva de DI futuro 16 Fonte: Itaú Unibanco, Bloomberg

17 Conclusões Internacional Ambiente segue favorável para mercados emergentes A retomada da alta de juros nos EUA depende de uma aceleração da atividade doméstica e maior confiança de recuo nos riscos globais. Continuamos projetando dois aumentos de juros em 2016, mas postergamos a primeira alta de junho para julho. O crescimento nas economias maduras permanece modesto. Para a China, Elevamos a previsão para o PIB de 6,3% para 6,5% em A apreciação recente das moedas de mercados emergentes parece respaldada por fundamentos. Resta saber se esse ambiente mais favorável se traduzirá em melhora do crescimento econômico. Brasil Novo esforço de ajustes e reformas Novos esforços de ajustes tendem a se refletir na confiança, mas não evitam uma queda acentuada do PIB nesse ano (projetamos -4,0%). Para 2017, esse novo ambiente deve proporcionar um crescimento moderado de 1,0% (antes, 0,3%). Revisamos a projeção de câmbio para 3,75 R$/USD ao fim de 2016 (ante 4,00), e para 3,95 ao fim de 2017 (ante 4,25), refletindo o cenário externo mais benigno e o doméstico com perspectivas maiores de ajustes. Mantemos a projeção de IPCA de 2016 em 6,9% e para 2017 em 5,0%. Esperamos um novo esforço de reformas/ajustes à frente. Mantemos nossa projeção de resultado primário de 2016 em -1,7% do PIB, mas alteramos nossa projeção para 2017 de -2,1% para -1,0% do PIB. O balanço de riscos para a inflação deve seguir melhorando à frente. Acreditamos que o Copom iniciará um ciclo de corte de juros no segundo semestre. 17

18 18 Análises econômicas no site do Itaú

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