Perspectivas Econômicas. Pesquisa Macroeconômica Itaú Unibanco

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1 Perspectivas Econômicas Pesquisa Macroeconômica Itaú Unibanco Novembro, 2016

2 Roteiro Internacional Nova realidade global pressiona mercados emergentes Brasil O resultado das eleições presidenciais nos EUA provocará grandes alterações de política econômica. Acreditamos que Donald Trump será capaz de implementar um estímulo fiscal relevante, e incorporamos essa perspectiva em nossas projeções. Há muita incerteza em relação a sua agenda sobre comércio, imigração, regulação e micro-reformas. Por enquanto, tratamos essas questões como riscos para o cenário e vamos incluí-las nas projeções se e quando elas se materializarem. Esperamos um estímulo fiscal de 0,8% do PIB nos próximos dois anos nos EUA e maior incerteza em relação às demais políticas. O efeito líquido é expansionista em uma economia próxima do pleno emprego. Lidando com um mundo mais incerto A Câmara dos Deputados aprovou o teto para o crescimento de gastos, uma mudança estrutural na implementação da política fiscal brasileira, que deve ser apreciada no Senado até o fim do ano. O governo deve enviar ao Congresso uma proposta de reforma da Previdência neste mês ou em dezembro. Os dados de atividade econômica decepcionaram no terceiro trimestre. Embora a produção industrial tenha aumentado em setembro, a alta não compensou a queda do mês anterior. A queda do PIB no 3T16 deve ser mais forte do que temos no cenário (-0,5%). Revisamos a nossa projeção de câmbio para 3,40 reais por dólar ao fim de 2016 (ante 3,25) e 3,60 reais por dólar ao fim de 2017 (ante 3,50). Projetamos variação de 6,8% para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ante 7,0% no relatório anterior. O Banco Central (BC) iniciou um ciclo de corte de juros, com um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) na taxa Selic. Acreditamos que a evolução do cenário doméstico seguirá favorável ao prosseguimento do processo de flexibilização monetária. No entanto, diante do aumento da incerteza sobre o cenário externo, esperamos agora um corte de 0,25 p.p. em novembro, levando a taxa Selic para 13,75%. 2

3 Economia global: nossas projeções Mundo 3,3 3,4 3,2 3,1 3,5 EUA 1,7 2,4 2,6 1,5 2,2 Zona do Euro -0,4 0,9 1,6 1,5 1,3 Japão 1,4 0,0 0,6 0,6 0,7 China 7,8 7,3 6,9 6,6 6,3 3 Fonte: Itaú Unibanco, Haver Analytics

4 EUA: Política monetária mais restritiva é necessária para compensar a expansão fiscal 4T16 1T17 2T17 3T17 4T17 1T18 2T18 3T18 4T18 1T14 2T14 3T14 4T14 1T15 2T15 3T15 4T15 1T16 2T16 3T16 4T16 1T17 2T17 3T17 4T17 Acreditamos que Donald Trump será capaz de implementar um estímulo fiscal relevante, e incorporamos essa perspectiva em nossas projeções. Há muita incerteza em relação a sua agenda sobre comércio, imigração, regulação e micro-reformas. Por enquanto, tratamos essas questões como riscos para o cenário e vamos incluí-las nas projeções se e quando elas se materializarem. O efeito líquido dos planos fiscais de Trump é expansionista em uma economia próxima do pleno emprego. Essa mudança de política exige uma política monetária mais restritiva. Acreditamos que o Fed aumentará as taxas de juros em dezembro, e mais duas vezes em Mantivemos nossa projeção do PIB de 1,5%, em 2016, e aumentamos nossa estimativa de 2,1% para 2,2%, em 2017, e de 1,9% para 2,4%, em Impulso fiscal deve dominar incerteza política à frente Var. trimestral dessazonalizada, anualizada 1.0% 0.8% 0.6% 0.4% 0.2% 0.0% -0.2% VIX (Incerteza política) Expansão fiscal Impacto líquido no Crescimento do PIB %, anualizado 5.5% 4.5% 3.5% 2.5% 1.5% 0.5% -0.5% -1.5% -2.5% 1.6% 1.5% 2.2% -0.4% Trimestral Anual 4 Fonte: Itaú Unibanco, Pesquisas de intenção de voto, Haver Analytics

5 China: Protecionismo agressivo nos EUA é um novo risco, mas não o nosso cenário base 1T13 2T13 3T13 4T13 1T14 2T14 3T14 4T14 1T15 2T15 3T15 4T15 1T16 2T16 3T16 4T16 1T17 2T17 3T17 4T17 Os dados econômicos recentes reforçam o cenário de estabilidade do crescimento. Esperamos que essa estabilidade se estenda até O principal risco de curto prazo é um superaquecimento no setor de imóveis residenciais, mas o problema parece ser localizado. Uma "guerra tarifária" entre os EUA e a China é outro risco, mas não o nosso cenário base. Mantemos nossas projeções do PIB em 6,6%, para 2016, e em 6,3%, para Crescimento do PIB %, anualizado 9.0% 8.5% 8.0% 7.5% 7.0% 6.5% 6.0% 5.5% 5.0% 4.5% 4.0% 7.3% 6,9% 6,6% 6.3% Trimestral Anual 5 Fonte: Itaú Unibanco, NBS, CEIC

6 1T12 2T12 3T12 4T12 1T13 2T13 3T13 4T13 1T14 2T14 3T14 4T14 1T15 2T15 3T15 4T15 1T16 2T16 3T16 4T16 1T17 2T17 3T17 4T17 Europa: atividade resiliente em meio a riscos políticos Os dados econômicos vêm se mostrando resilientes na Europa. Com a atividade econômica resiliente, a necessidade de flexibilização monetária adicional diminui, mas a vitória de Trump abala as possibilidades de tapering. Os riscos políticos continuam se elevando na Europa. Mantemos nossa projeção do PIB da área do euro em 1,5% e 1,3%, para 2016 e 2017, respectivamente. Crescimento do PIB (Zona do euro) % 2.5% 2.0% 1.5% 1.0% 0.5% 0.0% -0.5% 1.5% 1.3% -1.0% Trimestral Anual 6 Fonte: Itaú Unibanco, Bloomberg, Haver Analytics, Eurostat

7 LatAm: Ajustando-se ao novo cenário global A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas pressiona as moedas dos mercados emergentes. Relativamente ao nosso cenário anterior, vemos as moedas da região mais fracas em relação ao dólar norte-americano. Revisamos nossas projeções de crescimento para baixo para Argentina, Colômbia e México, e reconhecemos um viés de baixa para as nossas projeções para o Brasil. Taxa de câmbio Variação anual, moeda local por dólar 60% 50% 40% 30% p 2017p 20% 10% 00% -10% -20% BRL CLP COP MXN PEN 7 Fonte: Itaú Unibanco, Bloomberg, Haver Analytics

8 LatAm: nossas projeções Peru Mexico PIB - % 2,4 3,3 3,8 4,0 PIB - % 2,1 2,5 2,1 1,8 PEN / USD (Dez) 2,98 3,41 3,40 3,45 MXN / USD (Dez) 14,7 17,4 20,5 19,5 Taxa de juros - (Dez) - % 3,50 3,75 4,25 4,25 Taxa de juros - (Dez) - % 3,00 3,25 6,00 6,50 IPC 3,2 4,4 3,0 2,7 IPC 4,1 2,1 3,2 3,7 Colombia Chile PIB - % 4,4 3,1 2,0 2,5 PIB - % 1,9 2,1 1,5 2,0 COP / USD (Dez) CLP / USD (Dez) Taxa de juros - (Dez) - % 4,50 5,75 7,75 6,00 Taxa de juros - (Dez) - % 3,00 3,50 3,50 2,50 IPC 3,7 6,8 5,6 4.0 IPC 4,6 4,4 3,0 2,8 Argentina PIB - % -2,5 2,5-2,4 2,7 ARS / USD (Dez) 8,6 13,0 16,0 18,7 Lebac 35 d (Dez) - % - 33,0 25,5 22,0 IPC - % (Buenos Aires) 38,0 26,9 41,0 20,0 8 Fonte: Itaú Unibanco

9 Brasil: o que esperamos no curto prazo? Atividade econômica PIB (%) 3,0 0,1-3,8-3,2 2,0 Desemprego (%) Dezembro (PNAD cont.) 6,8 7,0 10,0 12,5 12,2 Inflação IPCA (%) 5,9 6,4 10,7 6,8 4,8 Política monetária Taxa SELIC (%) 10,00 11,75 14,25 13,75 10,00 Fiscal Superávit primário (% PIB) 1,8-0,6-1,9-2,5-2,2 Balança de pagamentos Câmbio (fim de período) 2,36 2,66 3,96 3,40 3,60 Conta corrente (% PIB) -3,0-4,3-3,3-1,2-1,5 9 Fonte: Itaú Unibanco, Bloomberg, BCB, IBGE

10 Brasil: reformas começam, teto de gastos avança no Congresso Em outubro, a Câmara dos Deputados aprovou a emenda constitucional do teto de gastos (PEC nº 241/55). A proposta está no Senado, onde deve ser apreciada até o fim do ano. A reforma, se aprovada, representará uma mudança estrutural na gestão fiscal brasileira. Com o teto será possível reverter a tendência de aumento real ininterrupto do gasto primário federal observado nos últimos 20 anos. Despesa primária do Governo Central % do PIB 20% 19% 18% 17% 16% 15% 14% 13% Resultado primario consolidado % do PIB 5% 4% 3% 2% 1% 0% -1% -2% -3% -4% set-04 set-06 set-08 set-10 set-12 set-14 set Fonte: Itaú Unibanco, IBGE

11 Atividade: Curto prazo pior, mas fundamentos estáveis A produção industrial aumentou 0,5% em setembro. A alta não compensou a queda no mês anterior. A surpresa negativa na produção industrial no terceiro trimestre sugere que o PIB deve recuar de forma mais intensa do que temos atualmente no cenário (-0,5%). Fundamentos na indústria seguem sugerindo alta na produção. Na indústria, a queda dos estoques tem puxado o aumento na confiança nos últimos meses. Esse aumento não necessariamente se reflete em uma alta imediata da produção, como temos visto nos últimos meses. Produção industrial Índice com ajuste sazonal, 2012=100 Estoques seguem ajustando Excessivo insuficiente (p.p.) set-02 set-04 set-06 set-08 set-10 set-12 set-14 set set-06 set-08 set-10 set-12 set-14 set-16 11

12 Difusão sugere melhora à frente mar-03 mar-05 mar-07 mar-09 mar-11 mar-13 mar-15 mar-17 O índice que mostra o número de indicadores de atividade em alta, baseado em um conjunto amplo de dados segue apresentando volatilidade maior nos últimos meses, característica dos pontos de inflexão da economia. Em agosto, a difusão atingiu 31%, após ter alcançado 58% na média móvel dos três meses anteriores. Colocamos um viés de baixa para nossa projeção de PIB neste ano (-3,2%). Contudo, devido à incerteza adicional da divulgação do PIB do terceiro trimestre, quando além de dados novos são usualmente apresentadas revisões na série histórica, estamos, no momento, mantendo a estimativa atual. Índice de difusão 80% 72% 64% 56% 48% 40% 32% 24% 16% Índice de difusão (12m, t-2) ìndice de difusão (3m, t-2) Crescimento PIB (12m) (dir.) 9% 7% 5% 3% 1% -1% -3% -5% -7% 12

13 Permanece tendência de aumento no desemprego Em setembro, a taxa de desemprego nacional atingiu 11,8%. Na margem, a taxa teve sua 22ª alta consecutiva, ao passar de 11,7% para 11,9%, usando nosso ajuste sazonal. As defasagens com que o mercado de trabalho reage à atividade econômica devem fazer com que o desemprego siga em alta até o primeiro semestre do próximo ano. Mantivemos nossa projeção de 12,5%, para o fim deste ano, e de 12,2%, para dezembro de Taxa de desemprego %, com ajuste sazonal Criação de emprego formal (CAGED) Milhares, com ajuste sazonal , dez-12 dez-13 dez-14 dez-15 dez-16 dez Fonte: IBGE, Itaú Unibanco, FGV

14 Real: mais volatilidade adiante O real atingiu a máxima do ano (3,11) com a entrada de capitais devido à Lei da Repatriação de Recursos. No fim do mês de outubro e início de novembro, no entanto, a moeda perdeu força junto com outros ativos de risco, causado por incertezas geradas pelo resultado das eleições americanas. Revisamos a nossa projeção de taxa de câmbio para o fim de 2016 para 3,40 reais por dólar (ante 3,25) e para 3,60 reais por dólar ao fim de 2017 (ante 3,50). Por um lado, o aumento das incertezas em relação às políticas adotadas pelos EUA e o aumento de juros (ainda que gradual) no país justificam um câmbio mais depreciado. Por outro, a aprovação das reformas fiscais no Brasil e a perspectiva de preços mais elevados de commodities metálicas dão alguma sustentação à moeda. Taxa de Câmbio BRL/USD, final de período Déficit em conta corrente % PIB, anual % % 1% 0% ,19-1% -2% -3% -1.2% -1,3% -1.5% % 1.50 dez-12 dez-13 dez-14 dez-15 dez-16 dez-17-5% 14 Fonte: Itaú Unibanco, BCB

15 Inflação em queda Projetamos variação de 6,8% para o IPCA neste ano, abaixo dos 7,0% previstos no relatório anterior. Os preços dos alimentos seguem mostrando um comportamento mais benigno. Os dados correntes indicam que a deflação da alimentação observada nos meses de setembro e outubro deve ser estendida para o mês de novembro. Por trás desse movimento, destaque para as quedas nos preços do feijão e do leite em intensidade acima do esperado, devolvendo uma parte das fortes altas verificadas até meados do ano. Para 2017, mantivemos a projeção de recuo da inflação medida pelo IPCA para 4,8% a redução da inércia herdada de 2016 deve compensar a depreciação cambial esperada para o fim do corrente ano. Decomposição IPCA Variação em 12 meses 20% 18% variação em 12 meses 18.1% 16% 14% IPCA Livres (76%) Administrados (24%) 12% 10% 8% 6% 4% 10.7% 8.5% 6.8% 4.8% 2% projeção 0% dez-11 dez-12 dez-13 dez-14 dez-15 dez-16 dez Fonte: Itaú Unibanco, IBGE

16 BC deve cortar juros em 0,25 p.p. em novembro, diante de incertezas externas A economia fraca, a estabilização recente da taxa de câmbio e o fim do realinhamento dos preços administrados têm levado a uma tendência de queda na inflação e das expectativas de inflação nos últimos meses. Acreditamos que a evolução do cenário doméstico seguirá favorável em novembro. No entanto, as incertezas relacionadas ao resultado das eleições americanas devem levar o BC a adotar uma maior cautela em ritmo de corte de juros no curto prazo. Esperamos agora que o Copom reduza a taxa Selic em 0,25 p.p. em novembro, para 13,75%. À medida que as incertezas se dissipem, o ritmo de corte de juros deve se intensificar ao longo de 2017, até a Selic atingir 10,00%. Selic % p.a. 15% 14% 13% 12% 11% 13.75% 14.01% 12.32% 10% 9% 10.00% 8% 7% Projeção equipe econômica Itaú Apreçamento da SELIC implícito na curva de DI futuro 16 Fonte: Itaú Unibanco, Bloomberg

17 Conclusão Internacional Nova realidade global pressiona mercados emergentes Brasil O resultado das eleições presidenciais nos EUA provocará grandes alterações de política econômica. Acreditamos que Donald Trump será capaz de implementar um estímulo fiscal relevante, e incorporamos essa perspectiva em nossas projeções. Há muita incerteza em relação a sua agenda sobre comércio, imigração, regulação e micro-reformas. Por enquanto, tratamos essas questões como riscos para o cenário e vamos incluí-las nas projeções se e quando elas se materializarem. Esperamos um estímulo fiscal de 0,8% do PIB nos próximos dois anos nos EUA e maior incerteza em relação às demais políticas. O efeito líquido é expansionista em uma economia próxima do pleno emprego.. Lidando com um mundo mais incerto A Câmara dos Deputados aprovou o teto para o crescimento de gastos, uma mudança estrutural na implementação da política fiscal brasileira, que deve ser apreciada no Senado até o fim do ano. O governo deve enviar ao Congresso uma proposta de reforma da Previdência neste mês ou em dezembro. Os dados de atividade econômica decepcionaram no terceiro trimestre. Embora a produção industrial tenha aumentado em setembro, a alta não compensou a queda do mês anterior. A queda do PIB no 3T16 deve ser mais forte do que temos no cenário (-0,5%). Revisamos a nossa projeção de câmbio para 3,40 reais por dólar ao fim de 2016 (ante 3,25) e 3,60 reais por dólar ao fim de 2017 (ante 3,50). Projetamos variação de 6,8% para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ante 7,0% no relatório anterior. O Banco Central (BC) iniciou um ciclo de corte de juros, com um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) na taxa Selic. Acreditamos que a evolução do cenário doméstico seguirá favorável ao prosseguimento do processo de flexibilização monetária. No entanto, diante do aumento da incerteza sobre o cenário externo, esperamos agora um corte de 0,25 p.p. em novembro, levando a taxa Selic para 13,75%. 17

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