A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NAS ÚLTIMAS DÉCADAS: OBSTÁCULOS E METAS DENTRO E FORA DA ESCOLA

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1 329 A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NAS ÚLTIMAS DÉCADAS: OBSTÁCULOS E METAS DENTRO E FORA DA ESCOLA BRAZILIAN EDUCATION IN LAST DECADES: BARRIERS AND GOALS INSIDE AND OUTSIDE SCHOOL 1 t r a v e i a e d. 1 0 i n RESUMO: O texto propõe uma reflexão obre a educação do Brail, ua contante mudança e tentativa de utilizar modelo muita veze decartado por outro paíe. Apreenta índice de aprendizagem atuai e expectativa futura como meta de atingir uma educação de qualidade internacional memo em uma preocupação concreta com a identidade da população, eu deejo e aneio. Expõe algun apecto geradore de inatifação e conflitante no entido da formação inicial do profiionai que interferem diretamente na atual ituação da educação braileira, tanto no âmbito da ala de aula quanto à inatifação ante a política pública propota na intenção de melhoria. Dicute a avaliação que muita veze ocorre em a devida preocupação do todo e a demora com que o órgão centrai decidiram fazê-la de forma ampla como meio de análie e vião global com o intuito da intervenção e foco na reolução de problema. Tem um olhar crítico, ma realita, poi acredita na mudança, quando é bem elaborada e implementada, cioa de cuidado no decorrer do proceo para que não e perca a real intenção e que a concluão eja adequada ao que e propô, ou eja, quebrar paradigma em buca de atendimento amplo em perder a qualidade. Palavra-chave: Educação. Mudança. Meta. Avaliação. Política- pública. ABSTRACT: The text propoe a reflection about education in brazil, it frequent change and tempt to utilize model which are, many time, dicarded by other countrie. It preent nowaday rate of learning and future expectation a an aim to achieve an education of international quality, even without a olid concern with the population identity and their wihe and hope. It expoe ome apect that generate diatifaction and are conflicting to the initial formation of profeional who interfere directly on the current tate of brazilian education, in the claroom practice a well a the dipleaure of public policie propoed with the intention of improvement. Thi text dicue the value of the aement that i uually performed without the proper focu on the whole and it alo dicue the delay that the government entitie have taken to do it, in order to perform in an expanded way of analyi and global viion with the aim of intervention and focu on the problem olution. With a critical but realitic look, thi tudy believe in a well elaborated and implemented change, being careful during thi proce to it actual intention and making the concluion uitable to what it ha been propoed, that i, breaking paradigm in earch of a wide perform without loing quality. Key word: Education. Change. Goal. Aement. Public policie. Introdução 1 Licenciada em Letra e Pedagogia, Metre em Educação pela Unoete Univeridade do Oete Paulita, profeora efetiva da Secretaria de Etado da Educação de São Paulo e Centro Paula Souza.

2 330 Eta reflexão etá voltada para a mecanicidade com a qual é tratada a educação no Brail na última década. A ociedade braileira não pode e não deve continuar ofrendo com a mudança propota para a educação, principalmente aquela que ocorrem, normalmente a cada quatro ano em decorrência da troca de governante ejam no município, etado ou no governo federal. Ea intabilidade gera deconforto ao memo tempo em que não propicia uma continuidade de plano e projeto em longo prazo, acaba por paar por mudança muita veze radicai, impoibilitando, incluive, de fazer com que a educação no paí alcance índice e meta internacionalmente etabelecida. A educação braileira dede muito tempo tem paado por mudança ejam ela, ora com olhar voltado para o itema educacional, ora para o aluno. Talvez, como e tem vito eja mai fácil copiar aquilo que deu certo em outro lugar por comodimo ou por er até mai barato na ua implantação, em e dar conta de que é neceário bucar alternativa voltada à realidade e à identidade cultural da população braileira com ua caracterítica e peculiaridade tão única. É um crime penar que ao e economizar com a educação vai-e invetir em outro programa voltado à melhoria de vida da população nacional. Muito ao contrário, poi, ao invetir na educação de boa qualidade o governo economiza com projeto ociai, gera emprego e, por coneqüência, eleva o nível cultural da peoa, ao memo tempo em que o qualifica perante o mercado internacional. A buca por um modelo Muito já e tem dito a repeito da ituação da educação no Brail e a coneqüência dito para a população braileira, ma o fato é que, hitoricamente noa educação tem como bae aproveitar modelo utilizado em outro paíe, obretudo europeu, fugindo em muito à realidade nacional e utilizando o formato de cima para baixo em que e preocupe com a reai neceidade da população, ua epecificidade e o meio onde ela vive. Saliente-e a má qualidade do enino na Inglaterra em meado do éculo XIX que e propunha a dar o mínimo e nunca o máximo a fim de que o indivíduo pudeem ficar em etado de etagnação, poi, dea maneira, não poderiam reclamar que não tinham direito à educação e, por ua vez e, pela falta de conhecimento não poderiam lutar por melhoria na qualidade do enino público. A identidade de uma nação também deve er vita atravé do nível de conhecimento e a capacidade de envolvimento que eu povo tem com a quetõe que envolvem, obretudo, a educação em

3 331 tempo atuai, e como diz Stuart Hall (2006, p.14) A ociedade moderna ão, portanto, por definição ociedade de mudança contante, rápida e permanente. Muita veze o modelo propoto para noa educação ão aquele implantado há certo tempo em eu locai de origem e que já não urtem o reultado adequado até para ele memo, endo que a mudança rápida, contante e permanente da ociedade, egundo Hall, no afeta de mema maneira que ao outro paíe e no propõe buca de nova alternativa de adequação à realidade braileira. Epecificamente no etado de São Paulo vivemo uma grande mudança com a implantação da Progreão Continuada. Ea foi uma da exigência do BID 2 para promover financiamento ao governo etadual paulita que etabelecia diminuição da taxa de repetência e evaão ecolar. Até hoje a Progreão Continuada não é bem aceita por muito profeore que a entendem como promoção automática deixando, incluive, de eninar e etabelecer meta de aprendizagem atravé do deempenho do aluno por entender que ete paarão de ano em memo terem que etudar e aprender o conteúdo propoto na ecola. De modo geral tem-e vito a educação como upoto favor ao povo e não como direito do cidadão que paga eu impoto e deve ter o melhor. Meta a erem alcançada No âmbito ecolar é neceário obervar a ditância que exite entre comunidade e ecola e entre ecola e órgão de comando. A comunidade, até por quetão cultural, não tem o hábito da participação efetiva na ecola, que entre outra açõe pode bucar alternativa de parceria com emprea do etor privado como forma de proporcionar melhoria não ó no aprendizado do aluno, ma recuro que poam trazer melhoria fíica para a ecola. Outra forma etá no atendimento do pai ao convite para participarem do conelho de clae participativo, poi nee momento de reflexão coletiva etarão preente pai, aluno, profeore, coordenação e direção analiando o rendimento ecolar do aluno e bucando alternativa, em conjunto, para olucioná-la. Quanto ao órgão de comando é neceário dizer que ete ainda etão em buca 2 BID: Banco Interamericano de Deenvolvimento provedor de financiamento para governo.

4 332 de um modelo para equacionar o problema da educação nacional; vide índice do IDEB 3 no quadro abaixo: IDEB 2005 e Projeçõe para o BRASIL Ano Iniciai do Enino Fundamental Ano Finai do Enino Fundamental Enino Médio IDEB Obervado Meta IDEB Obervado Meta IDEB Obervado Meta TOTAL 3,8 4,2 3,9 6,0 3,5 3,8 3,5 5,5 3,4 3,5 3,4 5,2 Dependência Adminitrativa Pública 3,6 4,0 3,6 5,8 3,2 3,5 3,3 5,2 3,1 3,2 3,1 4,9 Federal 6,4 6,2 6,4 7,8 6,3 6,1 6,3 7,6 5,6 5,7 5,6 7,0 Etadual 3,9 4,3 4,0 6,1 3,3 3,6 3,3 5,3 3,0 3,2 3,1 4,9 Municipal 3,4 4,0 3,5 5,7 3,1 3,4 3,1 5,1 2,9 3,2 3,0 4,8 Privada 5,9 6,0 6,0 7,5 5,8 5,8 5,8 7,3 5,6 5,6 5,6 7,0 Fonte: Saeb e Ceno Ecolar. aceo em 01/jul/08 Ee número têm relação com o PISA 4, poi é um índice mundialmente coniderado quando e trata de aprendizagem ecolar, obretudo no que e refere à leitura, ecrita e relaçõe matemática. No Brail o aluno ão avaliado nacionalmente atravé do SAEB 5, dea forma e obtém o índice apreentado acima. De poe do reultado da avaliação nacional o governo federal faz uma comparação com o dado obtido internacionalmente e etipula meta a erem alcançada pela educação nacional, em equecer que o governo etaduai têm relação direta com a melhoria da qualidade do enino uma vez que grande parte da ecola é etadual. 3 Índice de Deenvolvimento da Educação Báica que etabelece que o nível médio de aprendizagem da população ecolar deve er em torno da média 7,0. independente da érie que etejam curando. 4 Programme for International Student Aeement que é aplicado mundialmente em aluno de 15 (quinze) ano do Enino Médio 5 Sitema Nacional da Educação Báica com prova aplicada a aluno de 4ª e 8ª érie do Enino Fundamental e 3ª érie

5 333 Ao analiar a tabela acima e oberva que no trê nívei de enino exite um baixo índice de aproveitamento, principalmente, no que diz repeito à ecola municipai e etaduai cujo aproveitamento é muito parecido. Não é neceário litar a caua para tai índice, ma é importante lembrar que a falta de preparo do profiionai envolvido no enino, a má getão ecolar e o baixo alário ão fatore extremamente relevante para o que aí e apreenta. Segundo Lück et al (2005, p.21). Trê tendência globai ão encontrada a ete repeito: a) a getão participativa como um elemento ignificativo entre a variávei identificada em ecola eficaze ; b) a mudança do papel do getor na getão da ecola; c) o vário elemento da tendência para autonomia ecolar ou getão decentralizada. Vê-e, também, que exite uma meta a er atingida, em toda a efera, em 2010, e que, em muito cao e apreenta batante abaixo da média internacional. É importante obervar que a meta internacionai devem er tida como parâmetro e não objeto de conquita, dada a diferença de ordem cultural, ocial e política que a naçõe apreentam e que em momento algum devem er deixada de lado. O mai importante não é quetionar índice atuai ou anteriore, ma o que erá colocado como forma de etabelecer mudança efetiva e eficaze para alcançar o valore pretendido pelo governo federal, bem como dipoição em melhorar a qualidade de enino na ecola braileira. [...] foram neceária mai ou meno cinco década para que a avaliação (externa, em larga ecala, centralizada e com foco no rendimento do aluno e no deempenho do itema de enino) viee a er introduzido como prática itemática no governo da educação báica braileira. [...] omente no final do ano de 1980 culminou no delineamento de um itema educacional nacional de avaliação, que propunha articular medida, avaliação e informação educacionai e eta ao planejamento da área. (FREITAS, 2007, p.51) Infelizmente não bata avaliar a qualidade da educação braileira. É precio perpaar o proceo de avaliação, que é de extrema importância, ma aber como utilizar ee reultado para reolver a ituação preente na ala de aula como forma de enriquecimento do currículo, propota de enino adequada à realidade nacional, invetimento na melhoria do prédio ecolare, condiçõe para capacitação em erviço ou fora dele para o profiionai da educação e, diante dio tudo, melhore alário para melhore profiionai. De qualquer forma a avaliação deve er dicutida até para poder er entendida pela parte integrante do proceo, tão imple como propõe Hengemühle (2004, p.116). Junto com a coerência, deve haver, entre prepoto e o realizado, a clareza da regra na avaliação. Aqui etamo batante atraado, novamente, em relação a

6 334 muita emprea, que têm foco claro: temo que produzir tanto; atingida a meta, cada um ganha tanto. Na avaliação da ecola, ainda, muita veze, o proceo é de brincar de econde-econde, em clareza da regra do jogo. Coerência aociada ao diálogo com propota de intervenção na ituaçõe de maior problema, no etabelecimento de meta compatívei à realidade em equecer a valorização pela melhora de deempenho. Fatore que aociado geram envolvimento e participação de todo e onde o trabalho coletivo deve er valorizado, poi vária cabeça penam melhor que apena uma e é atravé do diálogo que e chega ao coneno. Ora, dede 1932, no Manifeto do Pioneiro da Educação Nova exitia a predipoição de uma educação para todo e de qualidade: Ma, a educação que, no final de conta, e reume logicamente numa reforma ocial, não pode, ao meno em grande proporção, realizar-e enão pela ação extena e inteniva da ecola obre o indivíduo e dete obre i memo nem produzir-e, do ponto de vita da influência exteriore, enão por uma evolução contínua, favorecida e etimulada por toda a força organizada de cultura e de educação. [...] É precio, porém, atacar ea obra, por um plano integral, para que ela não e arrique um dia a ficar no etado fragmentário, emelhante a ea muralha pelágica, inacabada, cujo bloco enorme, eparo ao longe obre o olo, tetemunham gigante que o levantaram, e que a morte urpreendeu ante do cortamento de eu eforço... (AZEVEDO ET AL, ). Não é poível, então, penar numa educação por impoição ou apena baeada em número, é neceário planejamento adequado com implementação idem, eguindo parâmetro e regra que atendam ao diferente nívei de enino, que buquem adequação ao mercado e ao mundo globalizado em deixar de lado a preocupação com reultado capaze de colocar a educação braileira no patamar do paíe mai deenvolvido. Segundo Joé Antonio Pupim de Oliveira (2006, p.274): No Brail, epecialmente em nível federal, o planejamento ainda é vito como uma coia quae que etritamente tecnicita dominada por economita e burocrata. Ele aumem que uma vez tendo o plano certo, a implementação airá automaticamente. Porém, a realidade tem ido diferente: muito projeto, programa e política falham na implementação como planejado ou têm impacto negativo ineperado. e io e pode ver todo o dia, poi e fala de grande projeto que não têm erro e que acabam e perdendo por não haver planejamento e implementação adequado, ma o que é pior, aceada em 12/jun/08. 6 Manifeto do Pioneiro da Educação Nova diponível no ite

7 335 é que quae empre ão projeto em que e invete grande oma em dinheiro e ete acaba endo utilizado para outro fin e não com o propoto inicialmente. Concluão Io poto deve-e penar que, capacidade de melhorar, o paí tem de obra, peoal capacitado para fazê-lo também não é o problema aboluto memo diante da dificuldade obervada na formação do noo docente, que acabam chegando à ecola em condiçõe plena de etabelecerem relação entre o que foi eninado na univeridade e o que é neceário eninar na ala de aula, ma a verdade é que falta e muito, vontade política, articulação e envolvimento da diferente camada da ociedade, preocupação com o coletivo em detrimento do particular, aplicação adequada de verba no projeto que realmente merecem implantação, controle e acompanhamento da etapa em que e perca o foco, ma abendo adequá-lo quando houver neceidade de ajute, tendo, obretudo a preocupação com o aluno. É preocupante o etado da educação braileira, vito que ea agonia gerada por tanto ano de tentativa e erro tem feito com que o paí permaneça etacionado numa ituação batante preocupante com relação ao nívei mundiai de aprendizado ecolar. Não e muda um quadro como ee de uma hora para outra, tão pouco e encontra fórmula mágica para reolvê-lo em tempo recorde. É neceário empenho por parte do governo federal, etadual e municipal atravé de invetimento na área, ao memo tempo em que e etabeleça uma melhor formação do profeore, capacitaçõe contante do profiionai envolvido e etímulo atravé de alário compatívei com a função a que ocupam. Educação é o alicerce para o crecimento do paí, dea feita, nada que é contruído obre um alicerce mal preparado pode e utentar por muito tempo. Provavelmente a contrução ofrerá rachadura e poderá, incluive, deabar ferindo ou matando inocente em que ete aibam o motivo de tal fato. Educação não e faz copiando, ma adequando propota à realidade e neceidade de cada povo. Ainda mai: Educação deve er entendida como política ocial e não política governamental expota ao mando e demando político que e etabelecem a cada novo período eleitoral. Referência Bibliográfica:

8 336 AZEVEDO, F. et al. Manifeto do Pioneiro da Educação Nova. aceo em 12/jun/08. FREITAS, Dirce Nei Teixeira de. A avaliação da educação báica no Brail: dimenão normativa, pedagógica e educativa. Campina, SP: Autore Aociado, (Coleção educação contemporânea) HALL, Stuart. A identidade cultural na pó-modernidade; tradução Tomaz Tadeu da Silva, Guacira Lope Louro 11 ed. Rio de Janeiro: DP&A, HENGEMÜHLE, Adelar. Getão de enino e prática pedagógica. Petrópoli, RJ: Voze, LÜCK, Heloía et al. A ecola participativa: o trabalho do getor ecolar. Petrópoli, RJ: Voze, OLIVEIRA, J. A. P. Deafio do planejamento em política pública: diferente viõe e prática. Revita da Adminitração Pública. ISSN verão imprea Rev. Adm. Pública v.40 n.2 Rio de Janeiro mar./abr aceado em 05/jul/ aceado em 01/jul/08

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