INFORME ECONÔMICO 28 de outubro de 2016

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1 RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS No Brasil, Banco Central sinalizou a manutenção do ritmo de corte para a próxima reunião. Nos Estados Unidos, o crescimento do PIB acelerou no terceiro trimestre. No Brasil, a ata da reunião do Copom sugeriu que o processo de flexibilização da política monetária será moderado e gradual. Após cortar a taxa de juros em 25 pontos percentuais para 14,0% ao ano, a ata da reunião do Copom mostrou que o atual ritmo de corte na Selic deverá ser mantido na reunião de dezembro. As incertezas quanto à aprovação dos ajustes necessários na economia e as dúvidas quanto à velocidade de desinflação do grupo de serviços são os motivos da precaução do Banco Central. Assim, o Comitê considera que a flexibilização moderada e gradual das condições monetárias é condizente com a convergência da inflação para o centro da meta (4,5%) para 2017 e Diante do tom mais duro do Banco Central, revisamos a nossa projeção para a reunião de novembro, esperamos agora um corte de 25 p.p. na próxima reunião, encerrando o ano em 13,75% a.a. Para 2017, acreditamos que a intensificação do processo de desinflação e os avanços nas medidas de ajuste permitirão ao Banco Central acelerar o ritmo de corte na taxa Selic no início do ano. Projetamos taxa de juros de 10,0% a.a. no final do próximo ano. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego teve nova alta em setembro. A taxa de desemprego avançou para 11,8% no trimestre móvel encerrado em setembro ante 11,3% no trimestre encerrando em junho. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a taxa de desemprego estava em 8,9%. Com ajuste sazonal, a taxa de desemprego atingiu 11,9% de 11,7% ao final do segundo trimestre. A pesquisa ainda mostrou que a população desocupada alcançou 12 milhões de pessoas no terceiro trimestre, alta de 33,9% frente o período do ano anterior. Por sua vez, a população ocupada totalizou 89,8 milhões pessoas, queda de 2,4% na comparação com o terceiro trimestre de O rendimento médio real foi de R$ no período frente R$ no mesmo trimestre do ano anterior. A queda da população ocupada e do rendimento médio provocaram um novo recuo na massa de rendimento real. A massa de rendimento real totalizou R$ 176,8 bilhões, recuo de 3,8% frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Acreditamos que o ajuste no mercado de trabalho prosseguirá nos próximos trimestres, o que elevará novamente a taxa de desemprego. 1

2 Com relação dados de crédito, o estoque apresentou novo recuou e a inadimplência registrou alta. O estoque de crédito totalizou R$ 3,1 trilhões em setembro (50,8% do PIB), queda de 1,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior, após recuar 0,6% no mês anterior. A intensificação da queda no estoque foi puxada pelo segmento pessoa jurídica (PJ), que registrou queda na passagem de agosto para setembro, recuando 6,5% em setembro contra 4,8% no mês anterior. Por sua vez, o estoque de crédito no segmento pessoa física apresentou moderação no crescimento, avançando 3,6% em setembro frente crescimento de 4,0% no mês anterior. Na classificação por controle do capital, os estoques dos bancos públicos e privados recuaram 0,3% e 3,5%, respectivamente, na comparação anual. Com relação aos dados de inadimplência, no segmento livre, houve avanço para 5,9% de 5,7% em agosto. A alta da inadimplência em setembro foi puxada pela elevação da inadimplência para pessoa jurídica, a qual passou para 5,5% de 5,2% em agosto. Por sua vez, a inadimplência para pessoa física ficou estável pelo terceiro mês consecutivo em 6,2%. Acreditamos que o estoque de crédito encerrará o ano com queda, o que não acontecia desde Na questão fiscal, o governo central registrou déficit em setembro. O governo central apurou déficit de R$ 25,3 bilhões, após déficit de R$ 6,8 bilhões no mesmo mês do ano anterior. O resultado ficou acima da nossa projeção (R$ 22,7 bilhões) e do mercado (R$ 23,7 bilhões). No acumulado do ano, o governo central totaliza déficit de R$ 96,6 bilhões. No mesmo período do ano passado o governo central acumulava déficit de R$ 20,8 bilhões. A previdência segue puxando a deterioração das contas públicas, totalizando um déficit de R$ 112,6 bilhões no ano, enquanto o governo federal e banco central registram superávit de R$ 16,0 bilhões. As dinâmicas bastante distintas entre receitas e despesas explicam a elevação do déficit primário em No ano, em termos reais, as receitas líquidas registram queda de 6,6%, enquanto as despesas apuram alta de 2,0%. A queda das receitas é explicada pela contração da economia. Pelo lado das despesas, a mudança no calendário de pagamento dos subsídios, abono e o 13º da previdência explicam o crescimento das despesas na comparação anual. Para os próximos meses, acreditamos que o governo central deve voltar a registrar superávit primário em outubro, influenciado pelos recursos oriundos da regularização de ativos no exterior. No entanto, o governo central deve voltar a registrar déficits nos meses de novembro e dezembro. 2

3 Nas contas externas, a recessão tem acelerado o ajuste externo. A conta corrente registrou déficit de US$ 465 milhões em setembro ante déficit de US$ 3 bilhões no mesmo mês do ano passado. Com isso, no acumulado do ano, a conta corrente totaliza déficit de US$ 13,6 bilhões frente déficit de US$ 49,2 bilhões no mesmo período do ano anterior. A melhora na conta corrente decorreu notadamente da ampliação do superávit comercial no período, que passou de US$ 8,9 bilhões no ano passado para US$ 34,2 bilhões nesse ano. Além da balança comercial, as balanças de rendas e serviços também registraram melhoras, apurando déficit de US$ 47,8 bilhões nesse ano contra déficit de US$ 58,1 bilhões no ano passado. Em percentual do PIB, o déficit em conta corrente está 1,3% frente 3,3% ao final de O déficit em conta corrente segue sendo amplamente financiado pelos investimento direto no país, que totalizam 3,9% do PIB nos últimos 12 meses. Em setembro a conta corrente registrou entrada de US$ 5,2 bilhões em investimentos estrangeiros, frente US$ 6 bilhões em setembro do ano anterior. No ano, os investimentos estrangeiros somam US$ 46,3 bilhões ante US$ 48,2 bilhões no mesmo período do ano anterior. Nos Estados Unidos, o crescimento da economia acelerou no terceiro trimestre. A economia norte-americana avançou a uma taxa anualizada de 2,9% entre julho e setembro, resultado superior a expansão no trimestre anterior (1,4%) e a expectativa de mercado (2,5%). Apesar da moderação no crescimento do consumo das famílias (2,1% ante 4,3% no trimestre anterior), o avanço das exportações (+10,0%) e a retomada dos estoques que podem indicar expectativa de maior demanda futura, refletem o quadro de atividade econômica mais sólida, em oposição aos dados mais fracos do primeiro semestre que mostravam um crescimento de apenas 1,1%, e compatível com o crescimento do 1,6% do PIB dos EUA em

4 Na Europa, os indicadores de confiança apresentaram aceleração em outubro. O indicador de confiança (PMI composto) registrou alta para 53,7 pontos de 52,6 em setembro, quando havia registrado o menor patamar desde janeiro de A recuperação se deu em ambos os segmentos, industrial e de serviços, registrando 53,3 e 53,5 pontos, respectivamente, ante 52,6 e 52,2 pontos no mês de setembro. Entre os países, a Alemanha foi responsável por tal reversão enquanto a França mostrou moderação no indicador de confiança. Na Alemanha, o PMI composto teve alta para 55,1 pontos de 52,8 pontos no mês anterior, enquanto na França o PMI composto recuou para 52,2 pontos de 52,7 em agosto. O atual patamar do PMI composto na Zona do Euro é compatível com o avanço de 0,4% do PIB no quarto trimestre (crescimento anual de 1,6%), ligeiramente acima da nossa projeção (+0,3%). No Reino Unido, a primeira leitura do PIB do terceiro trimestre mostrou uma alta de 0,5% em termos trimestrais (após crescer 0,7% no trimestre anterior), o resultado surpreendeu positivamente o mercado que esperava alta de 0,3%, isso devido aos incertezas causadas pelo referendo que decidiu pela saída do país da União Europeia. Na Ásia, a confiança da indústria mostrou aceleração enquanto a inflação segue em patamar baixo no Japão. No Japão, a confiança (PMI industrial) mostrou aceleração registrando 51,7 em outubro, ante 50,4 pontos no mês de setembro. Quanto aos dados de inflação, o CPI segue em terreno contracionista no patamar de -0,5% em termos interanuais (em linha com a expectativa de mercado). O núcleo que exclui alimentos e energia desacelerou de 0,2% no mês de agosto para 0,0% no mês de setembro (o mercado esperava uma desaceleração menor, para 0,1%). Tal situação mostra a difícil a 4

5 tarefa do Banco Central do Japão (BoJ) de garantir a convergência da inflação para sua meta de 2,0% em Caso o BoJ mantenha o compromisso, a expectativa é que mais estímulos sejam adotados no sentido de impulsionar a economia e a aceleração da inflação. Na próxima semana, as reuniões de bancos centrais serão os principais eventos da semana. Na reunião do FED, esperamos estabilidade da taxa de juros, no entanto, acreditamos que o Banco Central americano sinalizará no comunicado da decisão uma alta de juros na reunião de dezembro. Por sua vez, nas reuniões dos Bancos Centrais no Japão e no Reino Unido, acreditamos que há a chance deles adotarem novas medidas de estímulos. Ainda nos Estados Unidos, a atenção do mercado também estará voltada para a divulgação dos dados do mercado de trabalho. Na Europa, o destaque será a publicação do PIB do terceiro trimestre. No Brasil, os principais destaques da semana serão as divulgações da produção industrial e os dados fiscais do setor público ambos de setembro. Para a produção industrial, projetamos alta de 0,7% após queda de 3,2% em agosto. Para as contas do setor público, esperamos déficit de R$ 26,0 bilhões em setembro. 5

6 INDICADORES DE MERCADO 6

7 CALENDÁRIO E PROJEÇÕES 7

8 MARCELO CIRNE DE TOLEDO Economista Chefe ANA PAULA ALMEIDA ANDRE NASCIMENTO NOGGERINI DANIEL XAVIER FRANCISCO HUGO RIBAS DA COSTA JOSE LUCIANO DA SILVA COSTA MARIANNE KOMORI GEHRINGER THIAGO NEVES PEREIRA Tel.: Material produzido em 28/10/2016 às 13h00 Outras edições estão disponíveis no Site: item Informações aos Investidores / Nossa visão / Informativos de Macroeconomia. As opiniões, estimativas e previsões apresentadas neste relatório constituem o nosso julgamento e estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio, assim como as perspectivas para os mercados financeiros, que são baseadas nas condições atuais de mercado. Acreditamos que as informações apresentadas aqui são confiáveis, mas não garantimos a sua exatidão e informamos que podem estar apresentadas de maneira resumida. Este material não tem intenção de ser uma oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. BRAM - Bradesco Asset Management é a empresa responsável pela atividade de administração de recursos de terceiros do Banco Bradesco S.A. BRAM - Bradesco Asset Management - Todos os direitos reservados. 8

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