Operações Crédito do SFN

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1 Oper. Crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) em mar/2015 O crédito total do SFN incluindo as operações com recursos livres e direcionados somou R$ 3,06 trilhões em mar/15, após alta de 1,2% no mês e expansão de 11,2% em 12 meses, comparativamente a variações respectivas de 0,5% e 11,0%, registradas em fev/15. A alta mensal refletiu as elevações de 0,8% e 1,6% nos saldos destinados às famílias e empresas, que somaram R$ bilhões e R$ bilhões, respectivamente. Com isso a relação crédito/pib revisado de 2014, elevou-se de 54,4% em fevereiro para 54,8% agora em março (+2,6pp em 12 meses). O mercado de crédito continua mostrando desaceleração do crescimento tanto nas carteiras com recursos livres, com alta de 5,2% em 12 meses, quanto direcionados, com crescimento de 18,4% na mesma base de comparação, num cenário de alta dos juros e fraca atividade econômica. Victor Luiz de Figueiredo Martins, CNPI* Disclosure e certificação do analista estão localizados na última página deste relatório. R$ bilhões (%) Total Oper Crédito (Livres + Direcionados) ,0 PF ,0 PJ ,0 Recursos Livres ,6 PF ,7 PJ ,9 Recursos Direcionados ,4 PF ,3 PJ ,1 1,2 11,2 0,8 12,6 1,6 10,0 0,8 5,2 0,4 5,2 1,3 1,6 5,1 18,4 1,3 23,0 1,8 15,0 Crédito/PIB (%) 52,2 54,4 54,8 0,4 pp 2,6 pp Nos últimos 12 meses, as contratações pelas famílias (com crescimento de 12,6%) apresentaram melhor dinamismo que no segmento corporativo (+10,0%), destacando-se os empréstimos consignados e imobiliários, modalidades de menor risco e prazos mais elevados. As taxas de juros e os spreads subiram, repercutindo a alta da Selic e os efeitos da política monetária, ao mesmo tempo, em que os índices de inadimplência registram comportamento benigno, com manutenção de igual patamar, ao menos por enquanto, cenário que pode se alterar com o desaquecimento do mercado de trabalho nos próximos meses. O Banco Central (BC) projeta um crescimento de 11% do estoque das operações de crédito para 2015, reflexo da percepção da autoridade monetária quanto à atividade econômica e à demanda por crédito, cuja expansão tende à moderação. Lembrando que em 2014 o crescimento do crédito ficou em 11,3%, abaixo da alta esperada de 12%. A expectativa de expansão do crédito livre é de 6% e 16% para a evolução do crédito direcionado (frente 19,6% em 2014). O estoque das carteiras de crédito dos bancos públicos deve fechar 2015 com expansão de 14%, contra crescimento de 16,7% no ano passado. Para os bancos privados nacionais, a projeção de alta é de 7%, mesmo patamar para os bancos privados estrangeiros. Estes dados estão em linha com as expectativas de baixo crescimento econômico em resposta ao ciclo de aperto monetário, aliado ao maior endividamento das famílias pressionado por ganhos mais contidos na renda. Página 1

2 Regiões Sul e Sudeste registram participação de 72,6% do total das operações acima de R$ 1 mil e sensibilizam o crescimento do mercado como um todo. Segundo relatório do BC, quanto à segmentação regional do crédito, que considera as operações com valor superior a R$ 1 mil, o saldo relativo ao Sudeste cresceu 1,2% no mês e 11,7% em doze meses, atingindo R$ bilhões em março. Na Região Sul, o crédito registrou elevações de 0,7% e 10,5% nos mesmos períodos, totalizando R$ 542 bilhões. No Nordeste, o saldo foi de R$ 390 bilhões, com expansões de 0,7% no mês e de 13,3% em doze meses, enquanto no Centro-Oeste, saldo de R$ 312 bilhões, após crescimentos de 1% e 16,5%, respectivamente. Na Região Norte, saldo de R$ 114 bilhões, correspondeu às expansões de 0,6% no mês e de 9,2% em doze meses. Oper. Crédito do SFN - março/2015 Valor Partic. crescimento R$ bilhões % % mês % 12m REGIÃO SUDESTE ,5 1,2 11,7 REGIÃO SUL ,1 0,7 10,5 REGIÃO NORDESTE ,1 0,7 13,3 REGIÃO CENTRO-OESTE ,4 1,0 16,5 REGIÃO NORTE 114 3,8 0,6 9,2 Fonte: Operações maiores que R$ 1 mil; Banco Central do Brasil/Planner Corretora. Operações com recursos livres cresceram 0,8% no mês, sensibilizadas pelas operações de crédito consignado para as famílias e os financiamentos à exportação e repasses externos para as empresas. Ao final de março estas operações corresponderam a 51,6% do total de crédito do sistema, somando R$ bilhões, após alta de 0,8% no mês e elevação de 5,2% em 12 meses. O saldo destinado às pessoas físicas subiu 0,4% em base mensal e 5,2% em 12 meses, para R$ 787 bilhões, explicado principalmente pela expansão do crédito consignado. O saldo das empresas totalizou R$ 792 bilhões, após alta mensal de 1,3% (+5,1% em 12 meses), com destaque para os repasses externos, os financiamentos a exportações (ambas influenciadas pela depreciação cambial), e outros créditos, notadamente, aquisição de recebíveis. Operações com recursos direcionados mantiveram um crescimento acima dos livres. O volume de recursos do crédito direcionado representando 48,4% do total somou R$ bilhões, com crescimento de 1,6% no mês e 18,4% em 12 meses. O montante destinado a pessoas físicas, de R$ 652 bilhões, expandiu-se 1,3% no mês e 23,0% em 12 meses, com destaque mais uma vez para os financiamentos imobiliários. Os créditos às empresas somaram R$ 830 bilhões (+1,8% no mês e +15,0% em 12 meses), com ênfase nos financiamentos para investimentos com recursos do BNDES, influenciada pelo aumento dos desembolsos e pela depreciação cambial verificada no período. Para 2015 o BC vê tendência de moderação do ritmo de crescimento do crédito imobiliário, após evolução de 27,1% em 2014, sensibilizado pelo acréscimo do custo dos empréstimos e do preço dos imóveis, fatores que influenciam diretamente o comportamento deste segmento do mercado. R$ bilhões (%) mês Rec. Direcionados por segmento ,4 1,6 Financ. Imobiliário ,0 1,5 Rural ,1 0,0 BNDES ,5 2,1 Outros ,8 1,6 12m 18,4 25,6 10,9 16,1 15,6 Página 2

3 Dinâmica de crescimento por controle de capital continua favorecendo os bancos públicos em relação aos privados nacionais e estrangeiros, que se mantêm mais conservadores. A participação dos bancos públicos sobre o crédito total elevou-se novamente, passando de 54,3% em fev/15 para 54,5% em março. A participação dos bancos privados nacionais reduziu-se de 31,2% em fevereiro para 30,9% em março, enquanto a participação dos bancos privados estrangeiros manteve-se estável em 14,5%, na mesma base de comparação, pelo segundo mês consecutivo. Operações de crédito por controle de capital (% do total) 15,3% 14,5% 14,5% 32,6% 31,2% 30,9% 52,0% 54,3% 54,5% mar/14 fev/15 mar/15 Públicos Privados nacionais Privados estrangeiros Ainda na comparação por controle de capital, em base 12 meses, o crescimento de 11,2% do SFN em mar/15 se compõe de 16,5% dos bancos públicos, 5,4% dos bancos privados nacionais e 5,6% dos bancos privados estrangeiros, conforme figura abaixo. Ou seja, os bancos privados nacionais e estrangeiros demonstram mais uma vez, moderado apetite para o crédito, permanecendo mais seletivos. R$ bilhões (%) Total Oper Crédito (Livres + Direcionados) ,0 Públicos ,5 Privados nacionais ,9 Privados estrangeiros ,5 1,2 11,2 1,5 16,5 0,4 5,4 1,6 5,6 Taxas de juros seguem em alta em linha com movimento de elevação da Selic. A taxa média de juros das operações de crédito do SFN (com recursos livres e direcionados) subiu de 25,6% em fev/15 para 25,8% em mar/15 (+1,7pp em 12 meses). No crédito com recursos livres a taxa média elevou-se de 40,6% em fevereiro para 40,9% em março, com alta de 4,4pp em 12 meses, enquanto no crédito direcionado, o custo médio subiu de 8,2% para 8,4% em base mensal, crescendo 0,5pp em 12 meses. Página 3

4 Oper. Crédito do SFN - março/2015 mar/14 fev/15 mar/15 var var Taxa ao ano (%) (%) (%) (%) Inadimplência >90d (Rec. Livres) 4,4 4,4 4,4 0,0 pp 0,0 pp PF 5,6 5,3 5,2-0,1 pp -0,4 pp PJ 3,2 3,5 3,6 0,1 pp 0,4 pp Taxas de aplicação (Rec. Livres) 36,5 40,6 40,9 0,3 pp 4,4 pp PF 48,3 54,3 54,4 0,1 pp 6,1 pp PJ 24,0 26,1 26,5 0,4 pp 2,5 pp Spreads (Rec. Livres) 24,8 28,3 28,2-0,1 pp 3,4 pp PF 36,1 41,7 41,4-0,3 pp 5,3 pp PJ 12,8 14,0 14,1 0,1 pp 1,3 pp Spreads (Rec. Direcionados) 2,8 3,0 2,7-0,3 pp -0,1 pp PF 2,8 2,3 2,5 0,2 pp -0,3 pp PJ 2,8 3,5 3,1-0,4 pp 0,3 pp Taxa de juros (PF) continuam subindo em linha com o comportamento da taxa básica. Nas operações para o segmento de pessoas físicas, a taxa média de juros subiu 0,4pp no mês para 33,2% (+1,8pp em 12 meses). No segmento com recursos livres, o custo médio alcançou 54,4%, após crescimento mensal de 0,1pp e de 6,1pp em 12 meses. Nas operações com recursos direcionados, a taxa média de juros subiu 0,9pp, de 7,6% em fevereiro para 8,5% em março. Taxa de juros (PJ) se manteve em igual patamar do mês anterior. Nos empréstimos às empresas, o custo médio em base mensal manteve-se estável em 18,1%, e com alta de 1,5pp em 12 meses. Nas operações com recursos livres, o custo médio subiu 0,4pp para 26,5% ao ano, ao passo que no âmbito dos recursos direcionados houve redução de 0,3pp, de 8,7% para 8,4% a.a. Spread bancário reverteu tendência de alta e caiu 0,3pp em base mensal. O spread do SFN referente às operações com recursos livres e direcionados caiu 0,3pp para 16,3% em base mensal, com leve alta de 0,1pp em 12 meses. Os spreads nos segmentos de pessoas físicas e jurídicas situaram-se em 23,4% e 9,0%, respectivamente, ambos com redução mensal de 0,2pp. No crédito livre, o spread alcançou 28,2% (-0,1pp no mês). Nas operações com recursos direcionados, o spread caiu 0,3pp para 2,7% ao ano. Inadimplência se manteve estável. A inadimplência do SFN das operações com atrasos superiores a noventa dias, manteve-se estável em base mensal e com queda de 0,1pp em 12 meses para 2,8%. No crédito às famílias a inadimplência recuou 0,1pp em base mensal para 3,7% e subiu de 2,0% em fevereiro para 2,1% em março, em relação as empresas. No segmento livre a inadimplência manteve-se estável em 4,4% enquanto no direcionado, recuou 0,2pp no mês para 1,1%. Página 4

5 Parâmetros do Rating da Ação Nossos parâmetros de rating levam em consideração o potencial de valorização da ação, do mercado, aqui refletido pelo Índice Bovespa, e um prêmio, adotado neste caso como a taxa de juro real no Brasil, e se necessário ponderação do analista. Dessa forma teremos: Compra: Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for superior ao potencial de valorização do Índice Bovespa, mais o prêmio. Neutro: Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for em linha com o potencial de valorização do Índice Bovespa, mais o prêmio. Venda: Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for inferior ao potencial de valorização do Índice Bovespa, mais o prêmio. EQUIPE Mario Roberto Mariante, CNPI* Cristiano de Barros Caris Luiz Francisco Caetano, CNPI Victor Luiz de Figueiredo Martins, CNPI Ricardo Tadeu Martins, CNPI DISCLAIMER Este relatório foi preparado pela Planner Corretora e está sendo fornecido exclusivamente com o objetivo de informar. As informações, opiniões, estimativas e projeções referem-se à data presente e estão sujeitas à mudanças como resultado de alterações nas condições de mercado, sem aviso prévio. As informações utilizadas neste relatório foram obtidas das companhias analisadas e de fontes públicas, que acreditamos confiáveis e de boa fé. Contudo, não foram independentemente conferidas e nenhuma garantia, expressa ou implícita, é dada sobre sua exatidão. Nenhuma parte deste relatório pode ser copiada ou redistribuída sem prévio consentimento da Planner Corretora de Valores. (*) Conforme o artigo 16, parágrafo único, da ICVM 483, declaro ser inteiramente responsável pelas informações e afirmações contidas neste relatório de análise. Declaração do(s) analista(s) de valores mobiliários (de investimento), nos termos do art. 17 da ICVM 483 O(s) analista(s) de valores mobiliários (de investimento) envolvido(s) na elaboração deste relatório declara(m) que as recomendações contidas neste refletem exclusivamente sua(s) opinião(ões) pessoal(is) sobre a companhia e seus valores mobiliários e foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Planner Corretora e demais empresas do Grupo. Declaração do empregador do analista, nos termos do art. 18 da ICVM 483 A Planner Corretora e demais empresas do Grupo declaram que podem ser remuneradas por serviços prestados à(s) companhia(s) analisada(s) neste relatório. Página 5

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