Informativo Semanal de Economia Bancária

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1 1 Comentário Semanal A semana começa ainda sob impacto do debate acerca da evolução do quadro fiscal e seus possíveis efeitos sobre o crescimento da economia e, conseqüentemente, sobre os juros em A boa notícia é que têm sido freqüentes as revisões, por parte de bancos e consultorias, sobre o desempenho da economia no ano que vem. Embora a pesquisa Focus desta semana continue a indicar uma variação do PIB de 4,5% em 2010, hoje este número pode ser considerado como piso, pois diversos analistas falam em números acima de 5%. Na origem deste otimismo está uma combinação de rápida recuperação da economia local (puxada pelo consumo) com um quadro de forte expansão dos gastos públicos. Com isto, parece inevitável que a capacidade ociosa seja rapidamente ocupada e que depois sobrevenham pressões inflacionárias. E aqui entra a má notícia: para fazer frente a estas pressões, parece inevitável que o BC seja obrigado a subir os juros em algum momento de O mercado futuro já precifica este aumento, considerando pouco provável que o governo consiga reverter o quadro de crescimento dos gastos a curto prazo. Ao que parece, o debate em torno da questão fiscal e a possibilidade de elevação dos juros trouxeram grande desconforto ao Ministério da Fazenda, que reclamou bastante destas avaliações (ver, por exemplo, a entrevista do Secretário Nélson Barbosa). É provável, contudo, que esta preocupação seja exagerada, já que desta vez a alta seria apenas para ajustar o crescimento e não para revertê-lo. Ao contrário de diversas situações do passado em que o BC era obrigado a subir os juros e jogar a economia numa recessão, desta feita os juros podem subir para que a economia cresça 4,5% (sem inflação) e não 6%, com inflação. Ou seja, os juros vão subir por um bom e não por um mau motivo. A Fazenda não deveria se preocupar com isto. Índice Indicadores Nacionais... pág. 2 Indicadores Internacionais... pág. 2 Destaques da Semana... pág. 3 a 6

2 2 Indicadores Nacionais Dia Indicadores Nacionais Período Consenso de Mercado Anterior 05-09/10 ANFAVEA: Vendas de veículos Set/ /10 ANFAVEA: Exportação de veículos Set/ /10 ANFAVEA: Produção de veículos Set/ /10 (ter) FGV: IGP-DI Set/09 0,32% 0,09% 07/10 (qua) CNI: Utilização da Capacidade Ago/09 80,2% 79,9% 08/10 (qui) IBGE: IPCA (M/M e A/A) Set/09 0,23% e 4,33% 0,15% e 4,36% 09/10 (sex) FGV: IGP-M (1ª prévia) Out/09 0,25% 0,28% Indicadores Internacionais Dia Indicadores Internacionais Período Consenso de Mercado Anterior 07-16/10 EUA: Orçamento mensal Set/09 - $45,7B 07/10 (qua) EUA: Crédito ao consumidor Ago/09 -$ 10,0B -$21,6B 07/10 (qua) Z. do Euro: PIB (T/T e A/A) 2ºT/09-0,1% e -4,7% -0,1% e -4,7% 07/10 (qua) Z. do Euro: Gastos do governo (T/T) 2ºT/09 0,4% 0,4% 07/10 (qua) Japão: Conta Corrente Ago/ ,0B 1265,6B 07/10 (qua) Japão: Balança Comercial Ago/09 285,0B 437,3B 08/10 (qui) EUA: Novos pedidos de segurodesemprego (semanal) Out/09 540K 551K 09/10 (sex) EUA: Balança comercial Ago/09 -$ 33,0B -$32,0B

3 3 Destaques da Semana Nível de Atividade e Preços Os números da Pesquisa Industrial Mensal (IBGE) indicam que a economia segue em recuperação num ritmo moderado. Ritmo esse condizente com um cenário em que o consumo puxa o crescimento da produção, mas as exportações e o investimento mantêm-se tímidos. O IGP-M confirmou a já observada rápida aceleração dos preços no atacado e os preços ao consumidor se mantiveram controlados. A produção Industrial do mês de agosto cresceu 1,2% em relação a julho, mantendo a seqüência de oito taxas positivas da série dessazonalizada. No Bloomberg, analistas esperavam 1,1%. O setor de bens de consumo duráveis foi o que apresentou expansão mais expressiva sob esse padrão de comparação (3,1%) impulsionado em grande parte pela produção de veículos (3,2%). O setor de bens de capital, por sua vez, teve o menor crescimento (0,4%), Na comparação com mesmo mês do ano passado, houve decrescimento de 7,2% da produção fev/08 Fonte: IBGE Produção Industrial (PIM - IBGE) - dessaz. abr/08 jun/08 128,77 ago/08 out/08 dez/08 fev/09 abr/09 jun/09 117,98 ago/09 O Nível de Utilização da Capacidade Instalada da indústria paulista (FIESP), apresentou piora, indo de 81% em julho para 80,1 em agosto, na série ajustada sazonalmente. Ainda em agosto, as vendas reais do setor supermercadista cresceram 0,8% em relação a julho. Em relação a agosto de 2008, o crescimento foi de 4,12%. 19,85% na comparação com agosto, segundo dados da FENABRAVE. O acumulado do ano até setembro cresceu 5,49% na comparação com o acumulado do mesmo período do ano anterior. O IGP-M variou 0,42% em setembro ante a variação de -0,36% em agosto. No Bloomberg, analistas esperavam variação de 0,46%. O grande aumento da taxa se deu por conta do IPA, que apresentou inflação de 0,53% em setembro e havia apresentado deflação de - 0,61% no mês anterior. Houve aceleração dos preços tanto dos produtos agropecuários como dos industriais. O IPC variou 0,28% em setembro, 0,12 p.p. acima da taxa do mês anterior. O grupo que mais contribuiu para essa aceleração foi Alimentação. Já o INCC registrou taxa de 0,07%, acima do resultado de agosto, de 0,01%. Nessa semana, valerá observar os dados da indústria automotiva (ANFAVEA), que provavelmente confirmarão o bom desempenho do setor no último mês de IPI zero. A Utilização da Capacidade (CNI) de agosto, a ser divulgada no dia 07, nos dará informações sobre a ainda significativa ociosidade da indústria. Ainda, o IPCA, que será divulgado dia 08, deve ratificar o comportamento benigno dos preços ao consumidor em setembro. Balança comercial Setor Externo A balança comercial de setembro registrou baixo superávit de US$ 1,33 bi, com exportações de US$ 13,86 bi e importações de US$ 12,53 bi. Se comparado a setembro de 2008, o saldo médio diário das importações e exportações ficou, respectivamente, 27,4% e 23,9% menor.no acumulado anual, a balança comercial fechou em US$ 21,3 bi, 8,1% acima do registrado em As previsões para exportações eram de US$ 14,1 bi e para as importações de US$ 11,9 bi (balança comercial: US$ 2,2bi). As vendas de automóveis comerciais leves em setembro último mês de IPI zero cresceram

4 Saldo Comercial - Valores Mensais - US$ milhões FOB Janeiro-2006 a Setembro-2009 Por outro lado, alguns dados positivos e/ou neutros também foram divulgados ao longo da semana. O PIB anualizado (t/t) revisado foi para -0,7%, o mercado esperava uma revisão para -1,2%. O consumo pessoal e os principais gastos pessoais para o segundo trimestre se mantiveram de acordo com as expectativas, - 0,9% e 2%, respectivamente jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Fonte: Secex O resultado ruim é devido ao aumento das importações, sobretudo de petróleo e bens de capital o que evidencia a retomada de investimentos. A expectativa para 2009 é que o saldo fique em US$ 25,3 bi. Cenário Internacional Dados dos EUA mostraram fraca recuperação econômica. No setor imobiliário, dados foram um pouco melhores. O S&P/CaseShiller (preço de casas) de julho caiu 13,3%, ante esperado de -14,2%. Gastos com construção em agosto subiram 0,8% e a venda de casas pendentes 1%, marginalmente acima do que era esperado. Os grandes desapontamentos foram a confiança do consumidor de setembro, que caiu para 53,1, sendo que o esperado era de 57. A variação de empregos ainda em setembro teve queda de 254 mil, ante -200 mil como esperado. O índice de atividade do setor manufatureiro de setembro teve queda marginal para 52,6, abaixo do esperado de 54. O índice dos gerentes de compra de Chicago de setembro caiu muito abaixo do previsto, para 46,1 contra uma expectativa de 52. O mercado de trabalho em setembro, uma das grandes preocupações para a recuperação da crise, mostrou-se ainda muito fraco. O payroll variou -263 mil, sendo que o esperado era só de -175 mil. A taxa de desemprego subiu 0,1 p.p chegando a 9,8%, em linha com as expectativas. Política Fiscal O superávit primário do setor público, em agosto, foi de R$ 5 bi. Sendo que o Governo Central teve superávit de R$ 3,9 bi, os governos regionais, R$ 1,1 bi, e as empresas estatais, R$ 41 mi. Como já antecipado, parte expressiva deste resultado está ligada a fatores excepcionais, como antecipação de dividendos pelas estatais e centralização dos depósitos judiciais na Caixa Econômica Federal. No acumulado no ano é de R$ 43,5 bi (2,21% do PIB), 3,21 p.p. abaixo mesmo período de No acumulado em 12 meses, o superávit foi de R$ 47 bi (1,59% do PIB), ante 1,77% do PIB em julho ,5 4,3 4,1 3,6 3,4 2,8 out/08 nov/08 dez/08 jan/09 fev/09 mar/09 abr/09 mai/09 jun/09 jul/09 ago/09 Fonte: BACEN 2,5 Superávit primário (acumulado em 12 meses) 2,3 2,0 DLSP (% PIB) Este fraco desempenho vem sendo influenciado pelas desonerações adotadas durante a crise e pelo aumento dos gastos do governo federal. E, como conseqüência, vem provocando um gradual aumento da Dívida pública, mesmo num cenário de queda das taxas de juros. Os juros nominais de janeiro a agosto atingiram R$ 108,3 bi (5,51% do PIB), uma queda de de 0,84 p.p na comparação com o mesmo período em ,8 1,

5 5 No ano o resultado nominal apresentou déficit de R$ 64,8 bi (3,3 % do PIB), 2,4 p.p. a mais que o ano passado e que foi financiado basicamente pelo aumento da Dívida Mobiliária. A piora no quadro fiscal vem provocando uma já expressiva elevação na estrutura a termo da curva de juros. Mercado acha que é praticamente inevitável que o BC tenha que subir os juros em 2010 para conter as pressões inflacionárias que devem vir por conta do forte ritmo de retomada da economia. Crédito e Bancos O Banco do Brasil anunciou a conclusão da compra de 49,99% do capital votante e 50% do capital total do Banco Votorantim com o pagamento de R$3,75 bilhões. O restante do valor da compra, de R$450 milhões, será pago em seis meses. Com o negócio, a participação de veículos na carteira de crédito de pessoa física do BB vai de 11,8% para 22%. O Santander antecipou a data de estréia das negociações no mercado brasileiro das units de sua oferta primária. Antes previsto para oito de outubro, o início das negociações na BM&FBOVESPA será 07/10, o mesmo do início das negociações nos EUA. O BC modificou as normas que regulamentam o compulsório sobre depósitos a prazo. A mudança reflete a normalização do mercado de crédito e a melhor condição dos bancos pequenos e médios. Agora, as instituições financeiras só poderão abater do compulsório recolhido em espécie os ativos comprados de bancos com patrimônio de até R$2,5 bi (antes esse limite era de R$7 bi). Além disso, a alíquota do compulsório sobre depósitos a prazo diminuiu de 15% para 13,5% - o que deve aumentar a liquidez no sistema e aumentou a parcela do compulsório que é recolhida em títulos (remunerada) de 40% para 45% - o que deve ajudar, ainda que marginalmente, na rentabilidade. Mercados Financeiros O Ibovespa fechou a semana em pontos, uma alta semanal de 1,4%. No acumulado anual a alta é de 62,9%. No setor financeiro, a semana também foi de alta. O Itaú-Unibanco subiu 8,01%, o Banco do Brasil 2,71% e o Bradesco 7,36%. Variação IBOV PETR4 VALE5 ITUB4 BBDC4 BBAS3 Semanal 1,35% 0,15% 0,85% 8,01% 7,36% 2,71% Mensal 8,29% 8,86% 11,19% 12,57% 15,22% 15,90% Anual 62,91% 49,56% 53,12% 51,73% 56,84% 106,54% O dólar fechou a semana em R$/US$ 1,78, com queda de 0,45%. No ano a queda acumulada é de 23,01%. O DI de janeiro de 2011 fechou a semana em 10,24%, ante 10,23% uma semana atrás, e o de janeiro de 2012 fechou em 11,37% a.a., ante 11,47% uma semana atrás. 12,0 11,5 11,0 10,5 10,0 9,5 9,0 8,5 set/09 jan/10 mai/10 Fonte: Bloomberg Estrutura do juro privado Swaps-Pré - em % a.a set/10 jan/11 mai/11 set/11 jan/12 Taxa em 02/10/09 até a data de referência mai/12 Taxa de uma semana atrás até a data de referência Taxa de um mês atrás até a data de referência Nota de Crédito O Banco Central divulgou nesta terça-feira, 29 de setembro, a Nota de Crédito de Agosto de O saldo total das operações de crédito foi de R$ 1.326,7 bi (45,2% do PIB) com crescimento mensal de 1,5% e elevação em 12 meses de 19,5%. As operações com recursos livres, que correspondem a 69% do crédito total, alcançaram R$ 909 bi e cresceram 1,1% no mês e 13,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Dentro das operações com recursos livres, as transações com pessoas físicas (R$ 444 bi) cresceram 1,4% no mês e 18,4% em 12 meses;já as transações com pessoas jurídicas (R$ 465 bi) aumentaram o estoque em 0,7% no mês e 9,8% em comparação a Agosto de Os financiamentos com recursos direcionados registraram saldo de R$ 418 bi e elevação S R R B C

6 6 mensal de 2,5%, enquanto o crescimento em 12 meses foi de 33,9%. A média diária das concessões foi destaque neste mês, com crescimento tanto em pessoa jurídica (+7,7% na comparação mensal) quanto em pessoa física (+7,3%). As taxas de juros seguiram com tendência de queda, tanto para pessoa física (44,1%) que caiu 0,8 p.p. neste mês, quanto para pessoa jurídica (26,4%) que teve redução de 0,3 p.p. no mês. A taxa média de juros em Agosto de 2009 foi de 35,4%, com queda mensal de 0,6 p.p. e 4,7 p.p. em 12 meses. Os spreads também seguem trajetória de redução como observado desde Janeiro de O spread registrado no mês de foi 26,3%, com queda mensal de 0,5 p.p. e de 0,1 p.p. na comparação com o mesmo período do ano passado. O spread para pessoa física caiu 0,9 p.p. neste mês e 3,3 p.p. em 12 meses, alcançando 34,3%. Em pessoa jurídica a queda mensal foi de 0,1 p.p. e 2,9 p.p. em 12 meses, atingindo 17,8% em Agosto deste ano. A inadimplência média ficou estável (5,9%). Este resultado deve-se a uma queda mensal 0,1 p.p. em pessoa física, para 8,4%, e uma alta mensal em pessoa jurídica de 0,1 p.p., para 3,9% neste mês. O prazo médio total das operações teve queda de três dias, passando de 370 para 367 dias. Superintendência de Economia Rubens Sardenberg Economista-chefe Rachel Peixoto Bernardo Bordallo Cláudia Bruschi

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