Petrobras. Petrobras 2T13: Os lucros devem cair. Análise de Investimentos Relatório de Análise. 7 de agosto de 2013

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1 2T13: Os lucros devem cair Estamos divulgando nossas projeções para os resultados da no 2T13 e também fazendo ajustes em nosso Preço Justo para as ações. Acreditamos que a terá um trimestre com crescimento no volume vendido, mas queda na rentabilidade operacional, o que, adicionado ao aumento dos custos financeiros, levará a uma forte redução no lucro líquido. Mesmo a empresa tendo adotado um novo principio contábil, que reduz os custos financeiros com a desvalorização do real, isso não vai impedir que haja um aumento nas despesas financeiras, que impactará o resultado. Além disso, a queda na cotação do real também aumenta preços de materiais e serviços usados na operação e também custos da importação de petróleo e derivados na moeda nacional. Estamos também ajustando nosso Preço Justo de PETR4 para R$23/ação, para refletir novas expectativas de longo prazo para o preço do petróleo e custos da empresa. Um resultado operacional pior no 2T13: Estimamos que no 2T13 a apresente crescimento de receita, queda na rentabilidade operacional e forte redução no lucro líquido, impactado por despesas financeiras elevadas pela desvalorização do real, mesmo com as mudanças contábeis feitas pela empresa. Figura 2: - Expectativa de resultados trimestrais R$ milhões 2T13E 1T13 Var. 2T12 Var. Receita Líquida % % EBITDA % % margem EBITDA 18,5% 22,4% -3,9 pp 15,6% 269,0% Lucro Líquido % Fonte: e Planner Os dados da Agência Nacional do Petróleo ANP para as vendas das distribuidoras de petróleo indicam que o volume vendido de combustíveis no 2T13 pode ser bastante positivo. A ANP só divulgou os dados até maio, mas se considerarmos que as vendas de junho estiveram na média dos cinco meses anteriores, temos o seguinte desempenho para os combustíveis no 2T13, comparado ao 1T13: alta nas vendas de diesel (+8,2%), gasolina (+5,1%) e GLP (+8,5%), mas queda de 9,2% em óleo combustível. Mesmo sem correção de preços no trimestre, acreditamos que estes aumentos de volume vão impactar positivamente a receita. Projetamos aumentos de custos operacionais da no trimestre, com consequente queda no EBITDA, em função do aumento das importações de petróleo e derivados, somados à elevação da taxa de câmbio. A desvalorização do real aumenta não só os custos das importações, mas também os preços da maioria dos materiais e serviços usados pela empresa na produção e refino. O impacto destes custos será menor que o montante total da desvalorização, que foi de 10%, por que a maior parte da queda da cotação do real ocorreu já no final do trimestre. No mês passado, a empresa informou que estava mudando a forma de contabilizar o impacto do câmbio em seu balanço, tendo adotado o CPC 38, uma norma emitida pelo Comitê de Código Luiz Francisco Caetano, CNPI* Disclosure e certificação do analista estão localizados na última página deste relatório. PETR4 Recomendação COMPRAR Cotação atual (R$) R$ /ação 16,65 Preço justo R$ /ação 23,00 Potencial % 38,2 Var. 52 sem. (Min/Max) Dados da Ação R$ /ação Total de ações milhões ,5 Ações Ordinárias % 57,1 Free Float % 51,1 Vol. Méd, diário (1 mês) R$ milhões 382,91 Valor de Mercado R$ milhões Desempenho da Ação Dia Ano 52 Sem. PETR4-1,0% -11,3% -13,2% Ibovespa -0,1% -20,5% -15,4% Cotação de 6/8/2013 Principais Múltiplos E 2014E P/L (x) 12,0 8,6 6,8 VE/EBITDA (x) 7,6 6,6 6,1 ROE (%) 6,1 6,9 7,9 Div. Liq./EBITDA (12m) (x) 3,1 3,5 3,4 Receita Líquida (R$ mm) Lucro Líquido (R$ mm) Margem Bruta (%) 24,7 26,2 28,6 Margem EBITDA (%) 20,3 21,7 24,9 Margem Líquida (%) 7,2 8,0 9,8 Payout (%) 0,3 30,0 30,0 Retorno Dividendo (%) 2,6 3,5 4,4 Cotação/VPA (x) 0,7 0,6 0,5 Fonte: Economática. Projeções: Planner Corretora. Figura 1: Desempenho da ação em 12M Fonte: Economatica. PETR4 IBOV 14,94-22,93 Página 1

2 fev/08 abr/08 jun/08 ago/08 out/08 dez/08 fev/09 abr/09 jun/09 ago/09 out/09 dez/09 fev/10 abr/10 jun/10 ago/10 out/10 dez/10 fev/11 abr/11 jun/11 ago/11 out/11 dez/11 fev/12 abr/12 jun/12 ago/12 out/12 dez/12 fev/13 abr/13 jun/13 Mil barris/dia 7 de agosto de 2013 Pronunciamentos Contábeis, que rege a contabilidade de hedge. Esta norma estipula que a variação cambial sobre a dívida seja contabilizada numa conta no patrimônio líquido e só passe pela demonstração de resultados quando a receita de exportações, que serve como contrapartida, é faturada. No caso da foi estabelecido que 70% da dívida líquida será protegida por 20% das exportações durante sete anos. Com todos estes efeitos, previmos um aumento de 5% na receita do 2T13, mas reduções de 13% no EBITDA e 60% no lucro líquido, comparado ao 1T13. Produção de petróleo no Brasil cresceu 1,1% no 2T13: Durante o segundo trimestre, a elevou a produção de petróleo no Brasil em 1,1%, comparado ao 1T13, em função do menor número de plataformas em manutenção e a volta à operação de vários equipamentos. Além disso, o início da operação das FPSOs Cidade de Itajaí (capacidade de produção 80 mil barris/dia) e Cidade de Paraty (120 mbpd) também contribuíram para elevação da produção. No entanto, a redução de 2,5% na produção média do exterior não permitiu que o volume total produzido tivesse crescimento. Figura 3: - Produção de Petróleo No Brasil Fonte: A redução da produção, devido a um esgotamento natural dos reservatórios, fez com que o volume produzido de petróleo no Brasil durante os últimos anos tivesse queda. Para reverter isso, a deve instalar neste ano um total de sete novos equipamentos de produção, que totalizam uma capacidade de processamento 820 mil barris/dia de petróleo e 25 milhões m³ de gás. Destes equipamentos, três já foram instalados. O início da operação deles pode reverter o declínio da produção iniciando uma curva de elevação do volume, que deve sair da faixa dos 2 milhões barris/dia no Brasil para 2,5 milhões bpd em O aumento na produção é fundamental para que a possa reduzir as importações e aumentar as exportações de petróleo, o que terá impacto importante na geração de caixa da empresa. Página 2

3 fev/09 mai/09 ago/09 nov/09 fev/10 mai/10 ago/10 nov/10 fev/11 mai/11 ago/11 nov/11 fev/12 mai/12 ago/12 nov/12 fev/13 mai/13 US$ Bilhões 7 de agosto de 2013 Defasagem dos preços aumenta custos e reduz margem: Há mais de dois anos a está vendendo no mercado interno com preços substancialmente menores que no mercado externo. Como a é hoje grande importadora de diesel e gasolina, a empresa está tendo prejuízos elevados, vendendo mais barato no mercado nacional os combustíveis que ela compra no exterior. Figura 4: Saldo das Importações de Petróleo e Derivados 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0-0,5-1,0-1,5-2,0-2,5-3,0 Fonte: ANP e Planner O diferencial entre os preços praticados no Brasil e as cotações dos derivados no mercado americano na região do México chegou a ficar acima dos 25% no 3T12. Porém, uma taxa de câmbio mais contida e os reajustes de preços realizados em janeiro e março deste ano reduziram bem o diferencial. No entanto, a alta das cotações do dólar, a partir de junho, exacerbou novamente a diferença entre os preços. Considerando os dados fornecidos pela Energy Administration Agency EIA e a Agência Nacional do Petróleo- ANP, entidades dos governos americano e brasileiro, a diferença entre os preços novamente chegou a patamares elevados, atingindo 16,9% para o diesel e 18,4% para a gasolina. Página 3

4 Figura 5: Defasagem de Preços - Paridade Diesel S10 Gasolina Preços ANP - R$/litro 1, ,60657 PIS + Confins - R$/litro 0, ,26200 Preços de Realização - (*) - R$/litro 1, ,34457 Preços nos EUA - US$cents/Galão - 30/Jul/2013 (**) 297,20 287,60 Galões/Litros 3,785 3,785 Preço por litro - US$cents/litro 78,52 75,98 Taxa de Câmbio - 30/Jul/2013 2,2825 2,2825 Preço por litro - R$/litro 1, ,59167 Necessidade de aumentos 16,9% 18,4% Fonte: ANP, EIA e Bloomberg (*) Preço efetivo recebido pela (**) U.S. Gulf Coast Ultra-Low Sulfur Diesel e US Gulf Coast Conventional Gasoline Para piorar a situação da, soma-se ao diferencial dos preços o crescente volume de importações de petróleo e derivados. Em 2012, as exportações líquidas de petróleo já tinham caído 13%, porém nos primeiros cinco meses de 2013 o Brasil passou a ser importador líquido de petróleo, o que custou US$1,9 bilhão. Para os derivados, o país já era importador líquido e esta situação tem se agravado. Em 2012, as importações líquidas custaram R$7,3 bilhões, e entre janeiro e maio/2013 já atingiram US$5,7 bilhões, valor 60% maior que no mesmo período de O pior é que isso ocorre em um momento delicado para a empresa, que está com endividamento elevado e em meio a um pesado programa de investimentos. Página 4

5 Parâmetros do Rating da Ação Nossos parâmetros de rating levam em consideração o potencial de valorização da ação, do mercado, aqui refletido pelo Índice Bovespa, e um prêmio, adotado neste caso como a taxa de juro real no Brasil, e se necessário ponderação do analista. Dessa forma teremos: Compra: Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for superior ao potencial de valorização do Índice Bovespa, mais o prêmio. Neutro: Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for em linha com o potencial de valorização do Índice Bovespa, mais o prêmio. Venda: Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for inferior ao potencial de valorização do Índice Bovespa, mais o prêmio. EQUIPE Silvia Chandrowski Zanotto, CNPI-T Andre Seiti Tanaka Mario Roberto Mariante, CNPI* Luiz Francisco Caetano, CNPI Gustavo Pereira Serra, CNPI Victor Luiz de Figueiredo Martins, CNPI Cristiano de Barros Caris Ricardo Tadeu Martins, CNPI DISCLAIMER Este relatório foi preparado pela Planner Corretora e está sendo fornecido exclusivamente com o objetivo de informar. As informações, opiniões, estimativas e projeções referem-se à data presente e estão sujeitas às mudanças como resultado de alterações nas condições de mercado, sem aviso prévio. As informações utilizadas neste relatório foram obtidas das companhias analisadas e de fontes públicas, que acreditamos confiáveis e de boa fé. Contudo, não foram independentemente conferidas e nenhuma garantia, expressa ou implícita, é dada sobre sua exatidão. Nenhuma parte deste relatório pode ser copiada ou redistribuída sem prévio consentimento da Planner Corretora de Valores. (*) Conforme o artigo 16, parágrafo único, da ICVM 483, declaro ser inteiramente responsável pelas informações e afirmações contidas neste relatório de análise. Declaração do(s) analista(s) de valores mobiliários (de investimento), nos termos do art. 17 da ICVM 483 O(s) analista(s) de valores mobiliários (de investimento) envolvido(s) na elaboração deste relatório declara(m) que as recomendações contidas neste refletem exclusivamente sua(s) opinião (ões) pessoal(is) sobre a companhia e seus valores mobiliários e foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Planner Corretora e demais empresas do Grupo. Declaração do empregador do analista, nos termos do art. 18 da ICVM 483 A Planner Corretora e demais empresas do Grupo declaram que podem ser remuneradas por serviços prestados à(s) companhia(s) analisada(s) neste relatório. Página 5

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