AGÊNCIA ESPECIAL DE FINANCIAMENTO INDUSTRIAL FINAME RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO 31 DE DEZEMBRO DE 2008

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1 AGÊNCIA ESPECIAL DE FINANCIAMENTO INDUSTRIAL FINAME RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO 31 DE DEZEMBRO DE 2008 Senhor acionista e demais interessados: Apresentamos o Relatório da Administração e as informações financeiras anuais da Agência Especial de Financiamento Industrial (FINAME) relativos ao exercício findo em 31 de dezembro de 2008, os quais seguem as disposições da Lei das Sociedades por Ações e as normas do Banco Central do Brasil (BACEN). I. Cenário Macroeconômico O ano de 2008 foi marcado pelo agravamento da crise financeira internacional, sobretudo, a partir de setembro. Os primeiros sinais de recessão nas principais economias do mundo já surgem no horizonte e, com isso, ampliou-se grau de incerteza para o desempenho econômico no futuro próximo. No Brasil, entretanto, 2008 foi um ano de bom desempenho econômico, confirmado, até o acirramento da crise, pelo ciclo favorável em relação ao crescimento, investimento e nível de emprego, além de bons resultados no que diz respeito aos indicadores de inflação e contas públicas. O PIB a preços de mercado registrou até o terceiro trimestre de 2008, na taxa acumulada em 12 meses, um crescimento de 6,3% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Esse resultado significativo deveu-se, basicamente, ao ciclo sustentado de investimento (elevação de 17,0% da Formação Bruta de Capital Fixo), que cresce acima do PIB há 12 trimestres ininterruptos e à expansão do consumo das famílias, cuja taxa de crescimento foi de 6,7%. O bom resultado do nível de atividade teve como consequência a continuação na queda do nível de desemprego. A taxa de desocupação, em dezembro de 2008, foi de 6,8%, o menor valor na série histórica iniciada em março de Mesmo com a economia aquecida e com a forte depreciação cambial ocorrida a partir de setembro, a inflação, medida pelo IPCA, foi de 5,9%, cumprindo assim a meta de inflação anual, que era de 4,5%, com variação de dois pontos percentuais. Nas contas públicas, o superávit acumulado em 12 meses até novembro de 2008 alcançou R$ 123,0 bilhões (4,3 % do PIB), enquanto a dívida líquida do setor público caiu para 34,9% do PIB, o menor patamar desde maio de Com relação ao setor externo, as transações correntes registraram um déficit de US$ 28,3 bilhões (1,78% do PIB), o pior resultado nominal desde Por um lado, isso se deve ao comércio exterior. As exportações somaram US$ 197,9 bilhões em 2008, enquanto as importações alcançaram US$ 173,2 bilhões, resultando em um saldo comercial de US$ 24,7 bilhões, 38% abaixo do registrado em De outro, temos o aumento do déficit em

2 serviços, que passou de US$ 42,5 bilhões em 2007 para US$ 57,2 bilhões em 2008, sobretudo por conta da elevação das remessas com lucros e dividendos, que registraram US$ 35,4 bilhões, em No entanto, a conta financeira apresentou, no mesmo período, ingressos líquidos de US$ 33,0 bilhões, com destaque para os investimentos externos diretos que alcançaram US$ 45,1 bilhões, com crescimento de 30,3% na comparação com o ano anterior, constituindo o maior valor observado na série histórica iniciada em Como resultado final, o balanço de pagamentos registrou um acúmulo de divisas de US$ 3,0 bilhões. Apesar dos resultados positivos, a produção industrial já apresenta os primeiros sinais de desaceleração, com resultados negativos no quarto trimestre. Além disso, espera-se uma sensível desaceleração do crescimento do PIB no último trimestre de Basta notar que a produção industrial já segue uma tendência de desaceleração: em outubro, a queda foi de 1,7% e em novembro de 5,2%. Tais resultados já começam a se fazer sentir no emprego industrial, que, em novembro, recuou 0,6% frente a outubro, o maior recuo mensal, desde outubro de Em suma, não obstante os bons resultados macroeconômicos observados em 2008, é de se esperar que a crise econômica internacional não permita que o país mantenha o mesmo ritmo de crescimento no próximo ano. Ainda assim, a expectativa é de que o Brasil consiga enfrentar esses momentos difíceis com mais tranquilidade do que em outras épocas, quando a economia brasileira era muito mais vulnerável a choques externos. II. Empresa A FINAME, subsidiária integral do BNDES, foi instituída pelo Decreto n.º , de 2 de setembro de 1966, e pelo Decreto-Lei n.º 45, de 18 de novembro de 1966, para gerir o fundo criado pelo Decreto n.º , de 22 de dezembro de Posteriormente, com o advento da Lei n.º 5.662, de 21 de junho de 1971, passou a figurar não mais como autarquia federal e sim como empresa pública. Sua missão é a promoção do desenvolvimento, a consolidação e a modernização do parque brasileiro produtor de bens de capital, mediante financiamento à comercialização, no Brasil e no exterior, de máquinas e equipamentos fabricados no país. As operações da FINAME caracterizam-se pela capilaridade, simplicidade e agilidade operacional, atendendo a clientes de praticamente todos os segmentos produtivos através, principalmente, do repasse de recursos a uma extensa rede de instituições financeiras credenciadas. No exercício encerrado em dezembro de 2008, Bradesco, Banco do Brasil e Unibanco aparecem como as principais instituições financeiras credenciadas em termos de volume de recursos repassados.

3 III. Principais Indicadores Econômico-Financeiros O quadro abaixo apresenta e compara os principais indicadores da FINAME nos trimestres e exercícios findos em 31/12/08 e 31/12/07. R$ milhões, exceto percentuais Resultado Evolução % 4 TRIM/08 4 TRIM/07 Evolução % Resultado com Operações Financeiras (66,0) (219) 147 (249,0) Provisão para Risco de Crédito (55) 69 (179,5) (56) 35 (260,0) Despesas Administrativas (DA) 2/ (97) (41) 135,2 (30) (16) 81,2 Outras Receitas/Despesas Oper e Não Oper 87 (212) (140,9) 230 (172) (233,8) Tributação sobre o Lucro 97 (140) (169,4) ,0 Lucro (prejuízo) Líquido (LL) (25,9) ,0 Balanço Patrimonial DEZ / 08 DEZ / 07 Evolução % DEZ / 08 SET / 08 Evolução % Ativo Total (AT) , ,4 Títulos e Valores Mobiliários , ,6 Operações de Créditos , ,9 Outros Ativos , ,8 Empréstimos e Repasses , ,9 Outras Obrigações , ,3 Patrimônio Líquido (PL) , ,0 Índices Financeiros (%) DEZ / 08 DEZ / 07 Evolução % DEZ / 08 SET / 08 Evolução % Inadimplência / Carteira Total 1/ 0,00% 0,00% - 0,00% 0,00% - 1/ PDD / Carteira Total 0,68% 0,73% (0,05) 0,68% 0,64% 0,04 PDD / Créditos Inadimplentes 1/ 0,00 803,13 (803,13) 0,00 0, Evolução % 4 TRIM/08 4 TRIM/07 Evolução % Patrimônio Líquido/Ativo Total (PL / AT) 5,57% 6,68% (1,11) Retorno s/ Ativos (LL / AT médio ) 3/ 0,43% 0,69% (0,26) 0,15% 0,00% 0,15 Retorno s/ PL (LL / PL médio ) 4/ 7,04% 10,16% (3,12) 2,59% 0,05% 2,54 3/ Desp. Adm. / Ativo Total médio 0,16% 0,08% 0,08 0,05% 0,03% 0,01 1/ Inclui Operações de Crédito e Repasses Interfinanceiros. 2/ Inclui Despesas Administrativas e Despesas com Pessoal. 3/ ATmédio = (AT inicial + AT final) / 2. 4/ PLmédio = (PL inicial + PL final) / 2

4 IV. Resultado do Exercício findo em 31 de dezembro de 2008 Evolução do Resultado Exercício 2008/2007 Em R$ milhões (200) (400) 263 Lucro Provisão para Risco de Crédito -35 Outras Receitas e Despesas Participação dos empregados no lucro A FINAME apresentou lucro de R$ 263 milhões no exercício de 2008, contra R$ 355 milhões em Conforme se pode verificar no quadro acima, destacam-se: a) a redução do produto de intermediação financeira; b) o resultado com provisão para risco de crédito; c) a variação nas despesas gerais e administrativas; e d) a receita com tributação sobre o lucro (IR e CSLL). O produto de intermediação financeira em 2008 apresentou redução de 66% em relação a 2007, explicada basicamente por: a. ajuste em contrato de equalização de taxas (IGPM+10% para TJLP+2%), entre a FINAME e o BNDES. Esse ajuste, realizado em julho/08 e com efeito retroativo a abril/08, tem origem na diferença entre os fluxos da dívida da FINAME com o TN (IGPM+10%), que pagava juros semestrais, e o da equalização a receber do BNDES (TJLP+2%), que considerava o pagamento integral no final do contrato. Os efeitos líquidos da operação de equalização foram uma despesa de R$ 138 milhões em 2008 e uma receita de R$ 38 milhões em 2007; e b. registro de despesa com equalização a pagar ao TN, referente a programas agrícolas com taxa fixa superior à TJLP, no montante de R$ 385 milhões, dos quais R$ 137 milhões relativos ao exercício de Até o 3º trimestre de 2008, estes valores eram contabilizados como despesa com provisão para contingências em virtude de uma pendência legal que foi solucionada no final de 2008.

5 A despesa com provisão para risco de crédito de R$ 55 milhões registrada em 2008 devese ao efeito da variação cambial, principalmente na carteira do setor aéreo, e ao aumento no volume de liberações. O resultado positivo de despesas gerais e administrativas em 2008 deve-se à reclassificação dos valores devidos ao TN, referentes à equalização negativa de alguns programas agrícolas, de despesa com provisão para contingências cíveis para despesas de captação, conforme mencionado na letra b). Essa reclassificação gerou uma reversão da despesa com provisão, reconhecida no ano anterior, de R$ 137 milhões. O efeito acima foi parcialmente compensado pela implementação, no 2º semestre de 2007, de sistema de rateio de despesas administrativas entre as empresas do Sistema BNDES, cujo impacto em 2008 foi de R$ 59 milhões e em 2007, de R$ 8 milhões. O resultado negativo com tributação sobre o lucro decorre de base negativa e prejuízo fiscal apurados no exercício de 2008, explicados basicamente pelo aproveitamento fiscal de prejuízos em exercícios anteriores e pelos valores a pagar ao TN a título de equalização, já mencionada, que foram considerados dedutíveis enquanto tratados como provisão para contingências. V. Estrutura Patrimonial O ativo total da FINAME atingiu R$ milhões em 31 de dezembro de 2008, apresentando variação de 27% em relação a 31 de dezembro de A variação no ativo reflete basicamente o aumento de 24% na carteira líquida de operações de crédito e repasses interfinanceiros, resultante do elevado volume de desembolsos no exercício de A carteira líquida de operações de crédito e repasses interfinanceiros corresponde a 98% do total dos ativos. Operações de Crédito e Repasses Interfinanceiros A Política de Crédito da FINAME segue as regras da Política Operacional do BNDES. As empresas que apresentam projetos para análise passam por uma avaliação de risco, recebendo uma classificação em escala, que varia de AAA até C-. Os projetos que se adequam às Políticas Operacionais precisam, ainda, apresentar nível de risco igual ou superior a B para se enquadrarem e terem acesso ao processo de análise. Caso a análise seja favorável, o projeto é, então, encaminhado à Diretoria do BNDES, para a decisão final. Conforme Resolução BACEN nº 2.682/99, de 21 de dezembro de 1999, a carteira de crédito da FINAME está segregada em níveis crescentes de risco, que vão de AA a H. Em 31 de dezembro de 2008, 99,9% da carteira de operações de crédito e repasses interfinanceiros, líquida de provisões, estava concentrada nos níveis de risco AA a C, considerados de

6 baixo risco. Essa posição é superior à média apresentada pelo SFN de 92,3% em 30/11/08 (última data disponível). A carteira bruta de operações de crédito e repasses interfinanceiros apresentou aumento de 24% em relação a 31 de dezembro de 2007, alcançando R$ milhões em 31 de dezembro de Destaca-se que em 31/12/08 não havia créditos inadimplentes na carteira da FINAME. A provisão para risco de crédito atingiu R$ 458 milhões, 0,7% da carteira total, situação bastante confortável para a FINAME considerando não haver créditos inadimplentes em sua carteira. Fontes de Recursos Em relação à estrutura de capital, o BNDES e a Secretaria do Tesouro Nacional se apresentam como as únicas fontes onerosas de financiamento da FINAME. Essas fontes representam, em 31 de dezembro de 2008, respectivamente, 90,3% e 3,2% do passivo total e apresentaram variação de 28,1% em relação a 31 de dezembro de 2007, refletindo a necessidade de recursos para suprir o aumento de desembolsos. O patrimônio líquido apresentou aumento de 6%, resultante do efeito do lucro líquido de R$ 263 milhões apurado no exercício e do registro de dividendos mínimos de R$ 60 milhões.

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