O MERCADO DE SOFTWARE CORPORATIVO NO BRASIL EM 2005

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1 ARTIGOS O MERCADO DE SOFTWARE CORPORATIVO NO BRASIL EM 2005 Silvia T. F. de Frick * 1. Introdução As grandes empresas instaladas no Brasil iniciaram a automatização de seus processos focando as atividades financeiras (contábeis) e de folha de pagamento. A demanda por estes produtos fez surgir uma série de fornecedores locais que, nos anos 80, se debruçaram na tarefa de incorporar a seus sistemas a complexa e dinâmica legislação brasileira (tributária, financeira, contábil e trabalhista). A capacidade dos fornecedores brasileiros de acompanhar as mudanças na legislação abriu espaço dentro das corporações, inclusive das filiais de multinacionais instaladas no Brasil, para o crescimento do software nacional. Nos anos 90, a evolução da automação dos processos e o posicionamento que já haviam conquistado as empresas brasileiras de software no mercado corporativo permitiram que elas disputassem espaço no mercado de sistemas de gestão, dominado, no final daquela década, pelos sistemas de ERP (Enterprise Resource Planning). 1 No início do novo século, a gestão corporativa integrada passou a ser uma necessidade e, à medida que os ERPs passavam a formar parte do dia-a-dia das empresas, novas exigências de automação surgiam em todos seus departamentos, desde a alta gerência até a produção. Nos últimos anos, vêm se expandindo as fronteiras do mercado para sistemas de CRM (Customer Relationship Management), BI (Business Intelligence), Supply Chain (gerenciamento da cadeia logística ou de suprimento), Demand Chain (gerenciamento da cadeia de demanda), RH (recursos humanos), EDI (Electronic Data Interchange), canais de comunicação (call center) e CMMS (Computerized Maintenance Management System) / EAM (Enterprise Asset Management), como um novo ciclo de crescimento dos próprios sistemas de ERP, que se tornaram mais completos para atender não somente a gestão integrada, mas as atividades específicas de cada setor da corporação. Em uma terceira onda de crescimento, os sistemas de ERP estão procurando se posicionar em mercados verticais, modificando o quadro da concorrência no mercado corporativo. Os fornecedores de sistemas de ERP têm-se tornado concorrentes de * Sócia-Diretora da Stratplan Consultoria em Negócios. Doutora em Comunicação pela USP e mestre em Economia pela Unicamp. 1 Estes sistemas tiveram sua origem nos departamentos de compra e de produção, com os MRP (Materials Requirements Planning) e MRP II (Manufacturing Resource Planning), que posteriormente se integraram, numa base de dados única, aos sistemas administrativos. No final da década, o bug do milênio fez surgir a oportunidade de trocar sistemas antigos dando uma nova força ao mercado de ERP.

2 empresas que se especializam em produtos específicos, ganhando destas pela possibilidade de oferecer soluções completas, mas perdendo pelo preço e pela falta de especialização. O crescimento também está ocorrendo devido ao movimento de fusão no mercado corporativo (o que leva à necessidade de padronização entre as diversas unidades ou filiais) e aos planos de governança, que asseguram boas práticas administrativas e transparência. No Quadro 1 estão listadas as principais soluções que atendem o mercado corporativo. 2 QUADRO 1 PRODUTOS DE SOFTWARE PARA O MERCADO CORPORATIVO Produto Descrição Sistema que envolve ferramentas como EIS, 3 DSS, 4 OLAP 5 e data mining 6 que permitem Business Intelligence visualizar de forma simples e analisar informações reunidas em um banco de dados. Canal de contato com o cliente, fundamental para que a estratégia de CRM seja bemsucedida. Call center / help desk Controle patrimonial Sistema para o controle dos bens patrimoniais. Sistemas de gerenciamento das atividades de manutenção de ativos (elétrica, mecânica, hidráulica, etc.), envolvendo atividades de planejamento, programação e controle da CMMS / EAM manutenção (preditiva, corretiva ou preventiva) de equipamentos móveis ou estacionários, de veículos e de instalações prediais. Sistema utilizado para avaliar a eficácia das atividades comerciais e de marketing. A estratégia na que se baseia o sistema comporta os seguintes passos: identificar os clientes, diferenciar os CRM que trazem maior valor para a empresa e definir ações para abordar esses clientes. Cada mercado demandará ações específicas a serem realizadas, havendo necessidade de desenvolver sistemas especializados para cada vertical de mercado. Cadeia formada pelos parceiros de negócio (distribuidores, revendas, etc.), que auxiliam Demand Chain na comercialização de produtos e serviços. A troca eletrônica de documentos, principalmente na Web, permite tornar mais eficientes EDI os processos de compra, venda e pagamentos. Solução global composta por vários módulos integrados que atendem as diversas áreas ERP de uma empresa, desde a administrativa até a de produção. Fiscal / Tributário Sistema para o controle de tributos e contribuições. Gestão de projetos Sistema que permite o acompanhamento e coordenação de projetos. Sistema para agilizar a gestão dos recursos humanos das empresas, atendendo à legislação RH trabalhista e impositiva, segurando talentos e estimulando o aumento da produtividade. Tem como objetivo unir todas as fases da cadeia de suprimento, otimizando os métodos e etapas de produção, compras e suprimentos, inventário, administração, previsões, armazenagem, transporte e entrega de produtos (Conhecimento Empresarial, 2005), com Supply Chain base na relação entre as empresas pertencentes aos diferentes elos da cadeia de produção, como fornecedores, indústria, armazéns, varejistas, distribuidores, empresas de logística, etc. Fonte: Elaboração própria. A competência do software brasileiro para gestão empresarial e inteligência dos negócios é uma característica que faz o Brasil ter um lugar de destaque no mercado mundial. Os fornecedores locais lutam por ampliar seu market share enfrentando as multinacionais 2 Alguns dos conceitos utilizados nas explicações sobre cada uma das soluções foram extraídos do site Conhecimento Empresarial (2005). 3 O EIS (Executive Information System), também denominado Sistema de Informação Gerencial, permite obter informações gerenciais, de forma simples e amigável, a partir de uma base de dados. 4 O DSS (Decision Support System) auxilia no processo de tomada de decisão a partir de modelos para solucionar problemas não estruturados. 5 O OLAP (On Line Analytical Processing) é um conjunto de aplicações utilizadas por gerentes, executivos e analistas para extrair dados para a geração de relatórios gerenciais. 6 Permite a mineração dos dados, ou seja, combiná-los e explorá-los de forma a levar à descoberta de novas oportunidades de negócio.

3 que chegaram ao país na segunda parte da década de 1990 buscando conquistar um mercado de tamanho expressivo e em constante expansão (com crescimento de mais de 20% ao ano). No presente artigo é analisado, primeiro, o comportamento atual da demanda e da oferta de software para o setor corporativo. Em segundo lugar, são discutidas as tendências para o curto e médio prazo. Finalmente, analisa-se o conjunto das empresas brasileiras que desenvolvem produtos de software para o setor corporativo, considerando aspectos como localização e tamanho das empresas e características dos produtos que oferecem (tipo, ano de lançamento, tecnologia e canais de comercialização). 2. O Mercado de Software Corporativo O mercado de software corporativo é formado por sistemas de gestão e de inteligência dos negócios, assim como por outros sistemas específicos, que automatizam cada um dos departamentos da corporação e facilitam ou tornam mais eficiente sua integração em rede. Em 2004, as grandes empresas continuaram a investir em sistemas de gestão, estimuladas pelo atendimento aos planos de governança e pela necessidade de melhorar os resultados financeiros e o relacionamento com seus clientes. 7 O que as empresas procuram agora é otimizar o investimento que fizeram, em alguns casos adquirindo novos módulos, padronizando sistemas ou fazendo atualizações de sistemas já em uso. Rachel Rubin ( Por que ainda ERP?, Informationweek, 26-28/4/2005, acesso em 26/5/2005) apresenta diversos exemplos de aquisições e atualizações.um exemplo é o da Conexel, que possui o software da Datasul desde 1991, e adquiriu diversos módulos e atualizações ao longo dos anos, sendo a última aquisição realizada em A construtora Odebrecht desenvolveu o sistema internamente em 1994, mas vem realizando atualizações, tendo sido pioneira na migração para ambiente Web. As fusões de empresas também têm impulsionado os investimentos em ERP, como no caso do Grupo Vicunha que unificou os sistemas em uso com a Datasul (em parceria com a IDS Scheer). A Rhodia também padronizou os diferentes modelos de SAP que coexistiam nas várias filiais mundiais da empresa. O Grupo Votorantim que iniciou a implementação do SAP em 2004, até 2007 estará incluindo no sistema todas as empresas do grupo, contando com a ajuda da Deloitte para fazer a mudança cultural. Alguns fornecedores, como a Mega Sistemas, procuram aproveitar as novas oportunidades que surgem com a necessidade das empresas de otimizar os investimentos realizados em ERP, oferecendo produtos específicos. A empresa desenvolveu o Mega Manufatura, para atender a segmentos industriais como o metalúrgico, têxtil, de bens de 7 Na definição de Cláudio Terrazan ( As bandeiras da governança, Agência Estado Setorial, Telecom e TI, 16/7/2004, acesso em 27/5/2005), governança é o conjunto de práticas de operação, gestão e relacionamento, cuja finalidade é otimizar o desempenho das empresas protegendo os investidores, acionistas, conselho de administração, diretoria, conselho fiscal, funcionários e credores, facilitando o acesso ao capital.

4 capital e químico. Para Rodolfo Nascimento, da Mega Sistemas ( ERP para indústria garante a gestão de recursos e custos com eficiência, informação fornecida ao Instituto de Estudos Econômicos em Software IEES em 9/5/2005), o item que mais preocupa os empresários da indústria é a otimização do volume de estoque de materiais, o que faz aumentar a demanda por sistemas que possuam essa funcionalidade. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) adotou o Corpore RM, da empresa mineira RM Sistemas, com o objetivo de integrar informações numa base de dados única. De acordo com Claudia Marques ( FIEMG adota Corpore RM e ganha agilidade, Gazeta Mercantil, 17/8/2004), a instituição investiu cerca de R$ 1 milhão num projeto de gestão empresarial amplo. Os módulos adquiridos, que serão utilizados por 250 usuários são: controladoria, financeiro, suprimentos, patrimônio, fiscal, orçamento e custos. Os sistemas de gestão têm chegado também ao segmento de educação e entretenimento. A TVE Brasil, que desenvolve programas educacionais para rádio e televisão implementou, em 2004, o sistema de gestão da Datasul que integra as diversas unidades da rede (a matriz; uma emissora no Maranhão; um escritório em Brasília; e as rádios MEC AM e FM do Rio de Janeiro). De acordo com a Computerworld ( TVE Brasil adota sistema de gestão da Datasul, 18/8/2004), o objetivo é agilizar processos, obter maior integração entre áreas, alcançar maior eficiência operacional, diminuir o retrabalho e adequar melhor os controles internos do fluxo de informações. Para controlar os processos internos, a empresa adquiriu os módulos: controladoria, compras, financeiro, RH e diretoria. Em serviços públicos, a Companhia de Águas da Paraíba (Cagepa), na busca por agilizar o controle financeiro com o fechamento de balancetes no prazo de dez dias após a virada do mês, adquiriu dois produtos da software house pernambucana Procenge: o Pirâmide e o Sistema Comercial. De acordo com Ângelo Castelo Branco ( Cagepa investe em novo sistema de gestão, Gazeta Mercantil, 22/11/2004), o Sistema Comercial atua no controle do faturamento, arrecadação, atendimento aos clientes, manutenção da rede de água e saneamento, enquanto o Pirâmide focaliza a área administrativa (contabilidade, controladoria, finanças, compras, materiais e controle do patrimônio). Apesar de a maioria das corporações já possuir algum ERP, na opinião de Gutierrez e Alexandre (2005, p. 129) ainda há espaço para a conquista de segmentos, como o bancário, com baixa penetração deste tipo de produto devido à cultura de desenvolvimento interno e à falta de especialização dos produtos atualmente disponíveis. Mas também há mercado para sistemas que agregam valor aos ERPs, como CRM, BI, supply chain, entre outros. No que diz respeito a soluções de CRM, a demanda do mercado corporativo nasceu da necessidade de entender melhor e estreitar o vínculo com o cliente. Atualmente, o mercado está se estendendo para as empresas de tamanho médio que buscam direcionar suas atividades de marketing e vendas. Mas o retorno do investimento em sistemas de CRM é demorado, o que está freando o crescimento do mercado e diminuindo as

5 expectativas de boom geradas no início do ciclo de vendas. 8 A adoção de sistemas de CRM estimula o mercado de produtos para call center, que aumentam a velocidade de atendimento, tornando a atividade menos custosa e mais eficiente. Como resultado, o faturamento das empresas de call center atingiu, em 2004, R$ 3 bilhões, de acordo com números divulgados por Nina Soares ( TMKT cria software para gerenciar operações, Gazeta Mercantil, 28/3/2005). O setor emprega mais de 500 mil pessoas no país e a estimativa é de que, em 2005, sejam criados 60 mil novos postos. Na área de inteligência dos negócios (BI), o instituto de pesquisa IDC prevê que este mercado mantenha o crescimento pelo menos até fins de Em 2004, apenas 45% das 80 maiores empresas brasileiras utilizavam ferramentas independentes de BI. O fato de empresas terem implementado sistemas de gestão levanta a necessidade de usar de forma produtiva o grande volume de dados gerado. Assim, as corporações procuram nos sistemas de BI subsídios para analisar os negócios e tomar decisões. A adoção de sistemas de BI não é uniforme. Alguns segmentos, como bancos e montadoras, foram os primeiros a implementar sistemas deste tipo. Outros, como o de transportes, foram mais conservadores e estão começando agora a engrossar a demanda. Na área financeira, o elevado número de documentos e a criticidade dos dados processados levaram a empresa Proservvi, especializada em outsourcing e produtos para back office a adotar uma ferramenta de BI ( BI: Inteligência caseira, ITWeb, 1/2/2005). Os sistemas da empresa processam todos os pagamentos em cheque e compensação de bancos como o Unibanco, BankBoston, ABN Amro Real e Bradesco, somando um volume total de aproximadamente dois milhões de documentos. O sistema foi desenvolvido com a ajuda da Brasoftware (distribuidora de software), que fez a personalização das ferramentas caseiras utilizadas pela Proservvi (planilhas Excel e base de dados em SQL Server). Na área de transportes de passageiros, o Grupo Áurea encontra-se na segunda fase do projeto de integração das 17 empresas que compõem a holding. Rosana Hessel ( Grupo Áurea investe em BI, Gazeta Mercantil, 26/1/2005) conta que o sistema de vendas de passagens do grupo, que atualmente transporta mais de um milhão de pessoas por dia, foi desenvolvido internamente. Em 2000, a empresa implantou um sistema de ERP, o Globus (da BMG-Rodotec), específico para a área de transportes. Para 2005, a empresa está ampliando o relacionamento com o fornecedor e implementando o sistema de BI da empresa norte-americana ProClarity (distribuído de forma exclusiva pela BMG). Com isso, pretende diminuir o tempo de elaboração de relatórios estratégicos das atuais duas semanas para alguns minutos. Em determinados segmentos, além da demanda por sistemas que atendam a inteligência dos negócios e a integração dos diferentes departamentos internos, a necessidade de 8 Após a compra da ferramenta e a frustração pelos magros resultados, as empresas compreenderam que o CRM não é apenas tecnologia, mas uma solução que envolve tanto a ferramenta quanto os processos e a cultura da empresa. 9 As informações foram extraídas de Eduardo Dutra, TI para conduzir as empresas e Eduardo Dutra, Solução da VerUP Gerencia mundo da moda, ambos artigos publicados na Gazeta Mercantil em 4/10/2004.

6 comunicar a empresa com outros agentes da cadeia produtiva é fundamental, elevando a demanda por sistemas de Supply Chain. Um desses segmentos é o de agronegócio, onde os instrumentos de gestão estão mudando o conceito da logística tradicional para incluir toda a cadeia de suprimento, com o auxílio de uma série de ferramentas, como código de barras, MRP (Material Requerimento Planning) e WMS (Warehouse Management System), além de sistemas de rastreamento de cargas por GPS (IDG Seminários, 30/09/2004). Nas soluções para logística como conceito de toda a cadeia produtiva, há sistemas que atendem às atividades de abastecimento, produção, manutenção e distribuição. Os de manutenção adquirem relevância significativa, não tanto pelo permitir fazer, mas pelo evitar acontecer. Uma falha na manutenção pode levar à paralisação do processo produtivo ou do andamento do negócio. Depois de as empresas aumentarem a produtividade e reduzirem os custos, o foco foi buscar a maior eficiência nos equipamentos disponíveis. Assim, a análise do impacto causado por eventuais paradas na produção, aliada ao planejamento da manutenção tornou-se uma atividade necessária e indispensável. As ações deixaram de ser corretivas para ser preditivas. A manutenção também está adquirindo importância na administração geral e predial. No segmento de entretenimento, a TV Globo Rio Projac utiliza o software SIM Sistema Informatizado de Manutenção, da empresa paulista Astrein Engenharia de Manutenção. O produto permite o controle da infra-estrutura, fazendo manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos e instalações. 10 No segmento hoteleiro, o Sheraton Rio & Towers adquiriu o Maximo Facilities, da MRO Software. 11 Em pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Econômicos em Software (IEES) 12 obteve-se um perfil da demanda por sistemas de facilities (manutenção predial). De acordo com a pesquisa, a quase totalidade das empresas contatadas (97,5%) possui um setor de manutenção informatizado. A grande maioria delas (87,1%) possui planos de manutenção sistemática (limpeza e conservação, inspeção preventiva, preditiva, etc.). Uma porcentagem menor (66,7%) mantém indicadores de desempenho e qualidade. Com respeito ao uso de sistemas especializados para manutenção predial, 74,4% afirmaram que utilizam este tipo de sistema. Delas, 41,0% o adquiriram de fornecedor externo; 30,8% o desenvolveram internamente; e 2,7% utilizam sistemas mistos (em parte adquirido de terceiros, em parte desenvolvido internamente). Para a manutenção ser eficiente é necessário um setor de compras também eficiente. E nada melhor que a Internet para tornar possível esse objetivo. A modalidade de leilão reverso (e-procurement) não pára de crescer desde fins da década passada, quando a empresa Mercado Eletrônico S/A desenvolveu o primeiro marketplace brasileiro e conquistou os primeiros clientes corporativos. Por esta modalidade, ganha o fornecedor que oferece um lote de peças ou de material de escritório pelo menor preço. Um exemplo é o portal de compras Usemol.com, onde está cadastrada grande quantidade de 10 Informações extraídas do site da Astrein (http://www.astrein.com.br, acesso em 25/5/2005). 11 Informações extraídas do site da empresa MRO (http://www.mrosoftware.com.br/mro/news, acesso em 19/5/2005). 12 Pesquisa realizada entre os meses de março e maio de 2005 junto a 39 empresas brasileiras de grande e médio porte que atuam em diferentes segmentos.

7 fornecedores de materiais e serviços para manutenção, reparo e operações, que realiza todo o processo de suprimentos desde a requisição de compras até a recepção dos dados da nota fiscal do fornecedor, integrando-se com os sistemas corporativos. Portais como o Mercado Eletrônico e o Usemol tornam o departamento de compras das corporações muito mais ágil e menos dependente de pessoas. 2.1 Players As software houses brasileiras têm conquistado lugar de destaque no mercado de sistemas de gestão, especialmente junto a empresas de porte médio. As principais vantagens competitivas das firmas brasileiras em relação às estrangeiras, mencionadas por Gutierrez e Alexandre (2005, p. 132), são: oferta de produtos mais aderentes ao negócio do cliente; custos menores; extensa rede de distribuição (sistema de franquias); penetração em mercados verticais. De acordo com Ana Carolina Saito ( Software nacional supera múltis no mercado interno, Gazeta Mercantil, 5/10/2004), em 2003 o mercado brasileiro de software de gestão movimentou US$ 175 milhões. A empresa alemã SAP ficou em primeiro lugar no ranking, com 36,3% do total. A catarinense Datasul ficou em segundo, com 11,1%. 13 Em terceiro lugar ficou a RM Sistemas, com 9,8% do market share. Na luta pelo market share, os fornecedores nacionais buscam fazer inovações nos produtos. A Solver Soluções Empresariais, de Pernambuco, trabalhou durante dois anos (investindo R$ 1,5 milhão) para desenvolver um software capaz de transformar o gabinete de um executivo num autêntico cockpit de comando de avião com indicações precisas em tempo real do desempenho de todas as áreas de uma corporação (Castelo Branco, Ângelo, Gestão empresarial comandada do cockpit, Gazeta Mercantil, 8/10/2004). Considerando resultados de pesquisas que mostram que somente 10% das empresas obtêm os resultados previstos no planejamento, o software pode tornar mais efetiva a ação de conselhos administrativos e de executivos. O objetivo é atender a três necessidades primordiais dos dirigentes: saber onde se quer chegar, saber onde a empresa está e saber que ações devem ser implantadas para cumprir as metas. Os players brasileiros do setor corporativo também inovam nas ações comerciais. Nesse sentido, a Software Design, empresa de Campinas, com o objetivo de ampliar sua atuação nos setores de finanças e varejo, fusionou-se com a Tools Software, que atua no mercado de crédito e financiamento, dando origem à Matera Systems. A Datasul, por sua vez, está fundando uma nova empresa para prestar serviços de ASP (Application Service Provider) como forma de comercialização de seu ERP, estimulada pelo crescimento, em 2004, de 66% dessa modalidade. Assim, os clientes podem acessar remotamente (via Internet) o sistema que fica hospedado na Datasul. Os resultados da 13 É importante destacar que a participação da SAP caiu em relação ao ano anterior enquanto a da Datasul subiu.

8 estratégia comercial da empresa (que também envolve franquias e venda direta) são traduzidos em números por Rosana Hessel ( Datasul cria uma empresa independente para Serviços, Gazeta Mercantil, 16/2/2005): R$ 145 milhões de faturamento em 2004; EBIT (lucro antes dos impostos e juros) de R$ 30 milhões; clientes em todo o país; 27 franqueados no Brasil; R$ 287 milhões de faturamento global (franqueador e franqueados); crescimento das vendas de 20% em 2004; 42 clientes de ASP (500 usuários simultâneos), totalizando receita de R$ 2,5 milhões. Para o bom desempenho da empresa catarinense, além da sua linha principal atuação (ERP), contribuiu também a linha de inteligência dos negócios (BI), tendo dobrado a base de clientes nessa área (hoje são 120 empresas). Outra linha de negócios que influiu positivamente nos resultados da empresa foi a de RH, cujo faturamento aumentou 19% em Do Sul para o Nordeste, a Datasul também investiu na abertura de uma unidade no Ceará, buscando conquistar oportunidades abertas pelo crescimento industrial e agrícola da região, atendendo também aos estados do Maranhão e Piauí ( Datasul no Ceará, Microsiga em Goiás, Computerworld, 26/11/04). Na conquista do Nordeste, a empresa estrangeira de ERP IFS Industrial & Financial Systems fez parceria com a Lebre Informática, integradora nacional localizada em Salvador (BA) que atua em empresas públicas. O foco é oferecer soluções na área de manutenção, conforme informa Álvaro Figueiredo ( IFS reforça atuação no Nordeste em parceria com a baiana Lebre, Gazeta Mercantil, 10/1/2005). As empresas de TI nordestinas estão reagindo, com a realização de parcerias, ao avanço das concorrentes que chegam do sul e do exterior. Como noticiado no site do Grupo Secrel (http://www.gruposecrel.com.br), a pernambucana 100porcento Conult & Audit, empresa de auditoria e consultoria, juntou-se ao grupo cearense Secrel, principal produtor de software de seu estado, com o objetivo de dobrar o número de clientes no Nordeste, e chegar à casa dos R$ 3 milhões de faturamento. Com a parceria, vão se fortalecer as vendas de serviços contábeis e de gestão de suprimentos e recursos humanos. Na conquista de novos mercados, a Microsiga, empresa de ERP paulista, abriu uma nova filial em Goiânia (GO) que será responsável pelo atendimento dos clientes na região Centro-Oeste, além dos estados de Rondônia e Triângulo Mineiro. Com a nova filial, já são quatro os canais de atendimento na região, onde a empresa possui uma carteira de 450 clientes ativos. O investimento para a instalação do novo canal foi da ordem de R$ 14 Com a aquisição do principal concorrente nesse mercado, a Peoplesoft, pela Oracle, a Datasul espera que o caminho fique livre para um crescimento maior nos próximos anos.

9 600 mil. A estratégia da Microsiga para crescer também envolveu a aquisição de outro player nacional do mercado de ERP, a catarinense Logocenter. Em uma controversa operação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), 15 que financiou a operação, a nova organização passou a contar com funcionários e clientes corporativos no Brasil, além de 300 na América Latina, somando um faturamento de R$ 380 milhões ( Com foco em desenvolvimento, Microsiga e Logocenter anunciam fusão, Folha On-line, 10/2/2005). A fusão das duas empresas é apenas na parte administrativa e societária, sendo que a parte operacional continuará separada. Os produtos de cada empresa permanecerão com novas versões. Como mostra da independência operacional, a Logocenter foi uma das primeiras empresas a conseguir a homologação na linha de financiamento Prosoft Comercialização, do Bndes, que financia a aquisição de sistemas de gestão, facilitando a colocação desses produtos no mercado. Os clientes da empresa estão distribuídos nos segmentos de saúde, varejo, agroindústria e construção. Outra empresa de ERP que atua em mercados verticais é a Mega Sistemas, que além de seu ERP genérico desenvolveu um outro produto, com 12 módulos, específico para a área de construção, o Mega Construção Civil, e já conquistou clientes como a Carvalho Hosken, uma das construtoras mais antigas do Rio de Janeiro. Na linha de mercados verticais, a RM Sistemas especializou-se em sistemas de gestão para as áreas de RH, educação, produção (indústria) e saúde. A RM é uma das empresas fornecedoras de ERP que mais vem crescendo no Brasil. Em 2004 a empresa chegou aos R$ 110 milhões de faturamento e pretende chegar a R$ 137 milhões em Parte deste bom resultado deve-se a sua rede de canais de distribuição que se espalha por todo o Brasil e aos investimentos que a empresa realiza em P&D. Conforme dados apresentados por Guilherme Arruda ( RM Sistemas cresce 18% com soluções de gestão, Gazeta Mercantil, 24/3/2005), a empresa investiu, em 2004, R$ 6 milhões em tecnologia e no desenvolvimento de soluções e pretende investir R$ 9 milhões até o final de A carteira de clientes chegou a 19 mil empresas no final do ano passado, e a empresa já registra liderança em alguns mercados verticais, como educação, e está buscando se fortalecer em outros, como construção, com o desenvolvimento de soluções específicas. A RM também procura expandir seus negócios com a inauguração de filiais. No ano passado abriu três filiais, nas cidades de Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. O mercado do Estado de São Paulo representava 40% do faturamento da empresa, de acordo com a ITWeb ( RM Sistemas inaugura filial em São Paulo, 27/9/2004). Outro projeto da RM é a ampliação de suas atividades no mercado externo, especificamente em Portugal, onde já atua desde Segundo publicado pela ITWeb 15 De acordo com a publicação Valor Econômico ( Empréstimo oficial para a Microsiga gera polêmica, 15/3/2005), o empréstimo de R$ 40 milhões que seria destinado a viabilizar o negócio de aquisição da Logocenter foi, na verdade, utilizado quase integralmente para pagar o fundo Advent International, que fazia parte, desde 1999, da composição acionária da empresa. De acordo com a mesma fonte, essa informação foi negada, tanto pelo banco quanto pela Microsiga, mas admitida, em parte, pela Logocenter.

10 ( RM amplia atuação em Portugal e planeja conquistar Espanha, 5/4/2005), até o final de 2004 a empresa tinha conquistado 17 clientes em Portugal, onde o mercado apresenta grande potencial especialmente nos segmentos de recursos humanos e projetos. Nesses dois segmentos, concentram-se 14% do PIB do país. A estratégia da RM é formar parcerias com as grandes consultorias que atuam no local. A próxima investida será na Espanha, e a meta é chegar no ano 2010 com 5% do faturamento total provindo do mercado externo. O mercado espanhol também é estratégico para a integradora brasileira Medidata, que decidiu fazer parte de uma subsidiária do Grupo Amper, a Amper Medidata, com foco nos segmentos de governo e finanças (Tatiana Americano, Medidata passa a operar como integradora na Espanha, ITWeb, 2/12/2004). A empresa vai oferecer, para o mundo corporativo, tecnologia IP, mobilidade, armazenamento de dados e segurança de rede. Na área de redes, a gaúcha Ivirtua também procura crescer no mercado externo. A empresa em apenas três anos partiu para o exterior, chegando ao México, via Grupo Scanda, e a Portugal (Grupo Sonae), conforme conta Marco Ribeiro ( Ivirtua cresce e conquista clientes no México e Portugal, Gazeta Mercantil, 23/9/2004). A pequena empresa é uma das que mais cresce em gerenciamento de redes no Brasil, chegando a disputar o mercado com grandes multinacionais, como a IBM (Tívoli), Computer Associates, Unicenter e Microsoft (SMS). A Datasul também está ampliando sua participação no exterior com a abertura de uma franquia no Chile. As vendas externas alcançavam, em 2003, 2,5% do faturamento, de acordo com estimativas do IEES. Segundo Rosana Hessel ( Datasul dobra suas vendas no exterior e Datasul amplia presença no mercado internacional, notícias publicadas pela Gazeta Mercantil, em 26/1/2005) essa participação teria crescido para 5% em As fornecedoras de ERP também estão realizando inovações financeiras, como forma de obter recursos para a conquista do mercado por meio da aquisição de outras empresas. É o caso da RM Sistemas. De acordo com notícias veiculadas na mídia, 16 a RM pretende recorrer à Bovespa para realizar a operação de abertura de capital IPO (Initial Public Offering) no prazo de três anos. Dessa forma, a empresa quer captar recursos para adquirir outras empresas da mesma área de atuação ou de áreas complementares, como varejo, hotelaria e transportes. Na contramão, a Datasul recomprou a parte acionária que estava em mãos do fundo de capital de risco South América Private Equity, desde 1998 ( Datasul recompra participação de investidores, Computerworld, 9/8/2004). Os recursos aportados pelo fundo foram utilizados para viabilizar o modelo comercial de franquias, o que lhe permitiu mais do que triplicar o faturamento num período de seis anos. 16 Ana Carolina Saito. RM planeja abrir capital para projeto de expansão, Gazeta Mercantil, 16/12/2004; Rosana Hessel. RM Sistemas pretende comprar até 5 empresas, Gazeta Mercantil, 14/2/2005; e RM faz apresentação a investidores, IDG Now!, 23/11/2004.

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