Inovação na cadeia produtiva

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1 CRI Minas BH, 21 Mar 2013 Inovação na cadeia produtiva Renato Garcia Poli/USP

2 Novo paradigma tecnológico Reestruturação das grandes empresas Especialização nas competências centrais Formação de redes de empresas Estreitamento das relações na cadeia produtiva 2

3 Características das redes de empresas e das cadeias produtivas 1. Acordos de longo prazo 2. Comprometimento mútuos dos parceiros Especialmente nos investimentos em ativos específicos 3. Integração logística 4. Gestão unificada da qualidade 3

4 Tipos de redes 1. Horizontais Relações de competição e cooperação Clusters de empresas 2. Verticais Cadeias produtivas Muitas vezes, são coordenadas por grandes empresas 4

5 Exemplo de rede horizontal Pólo tecnológico de Santa Rita do Sapucaí 5

6 Exemplo de rede horizontal Pólo tecnológico de Santa Rita do Sapucaí Santa Rita do Sapucaí 6

7 Pólo tecnológico de Santa Rita do Sapucaí 1. Formação do sistema local 2. Qualificação da mão de obra local 3. Atividades de empreendedorismo local 4. Redes de conhecimento Locais e não-locais 5. Complementaridades da estrutura produtiva local 6. Forte interações das empresas com as instituições locais Santa Rita do Sapucaí 7

8 Pólo tecnológico de Santa Rita do Sapucaí 1. Formação do sistema local 2. Qualificação da mão de obra local 3. Atividades de empreendedorismo local 4. Redes de conhecimento Locais e não-locais 5. Complementaridades da estrutura produtiva local 6. Forte interações das empresas com as instituições locais Santa Rita do Sapucaí Fonte: Garcia et al.,

9 Aumento da importância das cadeias produtivas Processo de desverticalização das grandes empresas Grande empresa verticalizada Controle direto das etapas do processo produtivo Coordenação central da produção Redução dos custos de transação 9

10 Aumento da importância das cadeias produtivas II Novo modelo de concorrência INOVAÇÃO é central Grandes empresas Precisam de mais agilidade no processo produtivo Solução: especialização produtiva 10

11 Aumento da importância das cadeias produtivas II Novo modelo de concorrência INOVAÇÃO é central Grandes empresas Precisam de mais agilidade no processo produtivo Solução: especialização produtiva Mas há exceções importantes 11

12 Aumento da importância das cadeias produtivas III Modelo da verticalização Crescentemente substituído por novas formas de articulação produtiva 12

13 Aumento da importância das cadeias produtivas III Modelo da verticalização Crescentemente substituído por novas formas de articulação produtiva O que revela a importância da gestão da cadeia produtiva 13

14 Vantagens das cadeias produtivas 1. Favorece as economias externas Especialização Intercâmbio de conhecimentos 2. Aumento das economias de escala 3. Elevação das economias de escopo 4. Ampliação dos mercados 5. Aceleração do processo de inovação 6. Acesso a competências tecnológicas críticas 14

15 Grande empresa x cadeia produtiva Aspectos Custos de transação Competências Mudanças em processos e produtos Grande empresa isolada Minimizado por meio de integração vertical Competências difusas ao longo do processo de produção Lentas; i) Elevado capital investido ii) Aprisionamento em certas tecnologias Cadeia produtiva Minimizado por meio de contratos de longo prazo e TIC Especialização em competências centrais Rápidas; Acesso a componentes e tecnologias dos parceiros Fonte: Paulo Tigre 15

16 Fatores de estímulo 1. Fusão tecnológica: Possibilidade de incorporação de tecnologias de diversas etapas do processo produtivo Empresa individual tem dificuldade de desenvolver as tecnologias necessárias 16

17 Fatores de estímulo 2. Globalização dos mercados: Abertura comercial possibilita o establecimento de alianças com parceiros externos Complementação de competências 17

18 Fatores de estímulo 3. Tecnologia de informação e comunicação (TIC): Criação de ferramentas adequadas para intercâmbio de informações e conhecimentos Permite a coordenação dos fluxos produtivos e a cooperação tecnológica 18

19 Fatores de estímulo 4. Especialização flexível: Mudanças rápidas nos mercados e nas tecnologias Exigência de flexibilidade nos processos produtivos 19

20 Tipos de confirguração de cadeias produtivas 1. Cadeias comandadas pelo produtor 2. Cadeias comandadas pelos grandes compradores 3. Cadeias comandadas pelo fornecedor de insumos críticos 20

21 Cadeia comandada pelo produtor Empresa-líder atrai fornecedores especializados Etapas de menor valor aregado ou fora das competências da líder Seleção de número limitado de parceiros Contratos de longo prazo Investimentos em ativos dedicados 21

22 Cadeia comandada pelo produtor Exemplo típico: empresas montadoras japonesas Ganhos de agilidade e eficiência Prática de subcontratação Métodos mais flexíveis de trabalho Just-in-time Controle da qualidade total 22

23 Exemplo de cadeia comandada pelo produtor Consórcio modular da Volkswagen Caminhões Resende- RJ 23

24 Consórcio modular da Volkswagen Caminhões Liderança da cadeia produtiva: VW Pouco mais de uma dezena de fornecedores de primeira linha Operação sobre o mesmo teto Fornecedores especializados Suprimento de componentes (sistemas) Participação direta nos processos de montagem Também é responsável pela qualidade do produto final Fonte: Thaise Graziadio 24

25 Consórcio modular da Volkswagen Caminhões Resultado Rentabilidade da rede depende da eficiência coletiva VW Concentra-se nas suas competências centrais (projeto de produto e marketing) Coordenação Rotinas dinâmicas criadas coletivamente pelos participantes da cadeia Fonte: Thaise Graziadio 25

26 Cadeias coordenadas pelo comprador Grandes empresas varejistas Negociantes de marcas Trading companies 26

27 Cadeias coordenadas pelo comprador Grandes empresas varejistas Negociantes de marcas Trading companies Verificado especialmente no mercado de bens de consumo 27

28 Exemplo de cadeia coordenada pelo comprador I Rede global da Barbie 28

29 Rede Global da Barbie Exemplo de agregação de valor na cadeia produtiva Apenas 10% do valor do produto corresponde à fabricação Restante: Desenvolvimento de produto Pesquisa de mercado Propaganda Comercialização e distribuição O núcleo virtuoso da rede não é a produção Mas, A marca O design diferenciado da linha de produtos Fonte: Paulo Tigre (2006) 29

30 Exemplo de cadeia coordenada pelo comprador II Indústria brasileira de calçados 30

31 Indústria brasileira de calçados Brasil Terceiro maior produtor mundial de calçados Elevada participação das exportações Forma principal de exportação Grandes compradores globais Definem o design do produto, os materiais que serão utilizados e o preço Margem da comercialização é superior da dos produtores Mostra a importância da: Marca Canais de comercialização Fonte: Garcia (2010) 31

32 Cadeias coordenadas por fonecedores Insumos críticos, componentes ou padrões tecnológicos Por serem diferenciados Exigem intensiva interação com a cadeia produtiva 32

33 Exemplos de cadeias coordenadas por fornecedores 1. Empresas desenvolvedoras de software para plataformas proprietárias Necessitam obter licença de uso de determinado padrão 33

34 Exemplos de cadeias coordenadas por fornecedores 2. Fabricantes de produtos que utilizam princípios ativos Ativos protegidos por patentes ou segredo industrial Interação com as empresas proprietárias Licença de uso Compra de insumos Uso da marca 34

35 Exemplos de cadeias coordenadas por fornecedores 3. Empresas de produtos eletrônicos Dependem de chips ou padrões tecnológicos proprietários Necessidade de intercâmbio sistemático de componentes e de informações técnicas 35

36 Ativos críticos nas cadeias produtivas Item fundamental para o estabelecimento de estratégias competitivas Modificam-se ao longo do tempo Dependem da área de conhecimento e do setor da atividade econômica 36

37 Ativos críticos nas cadeias produtivas Cadeia produtiva Tipos de redes Ativo crítico Núcleo virtuoso Exemplos empresas Software Dominada por fornecedores Penetração do padrão no mercado; Propriedade intelectual Software básico Microsoft; Qualcom; Sony Componentes eletrônicos Dominada por fornecedores P&D; capac. Produtiva Microprocessadores Intel Material esportivos Dominada por compradores Marca e design Marketing Nike; Adidas Varejo Dominada por compradores Rede de lojas; logística; TIC Acesso ao consumidor Wal-Mart; Carrefour Automobilística Dominada por produtores Capacidade produtiva; marca; design Montagem final Toyota; Volkswagen Farmacêutica Integração vertical P&D; patentes Moléculas; princípios ativos Merck; Pfizer; Sanofi 37

38 Leituras complementares Tigre, P. (2006). Gestão da Inovação. RJ: Campus. Britto, J. (2002). Cooperação Interindustrial e redes de empresas. In: Kupfer e Hasenclever. Economia Industrial. RJ: Campus. Tidd, Pavitt, Bessant (1997). Managing Innovation. Freeman, C. (2007). Economia da Inovação Tecnológica. Campinas, Unicamp. 38

39 CRI Minas BH, 21 Mar 2013 Inovação na cadeia produtiva Renato Garcia Poli/USP

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