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1 Cooperação empresarial, uma estratégia para o sucesso Nota: texto da autoria do IAPMEI - UR PME, publicado na revista Ideias & Mercados, da NERSANT edição Setembro/Outubro É reconhecida a fraca predisposição das PME portuguesas para a cooperação, em particular quando se trata de cooperação não hierarquizada. Contudo, o quadro económico e civilizacional subjacente à globalização contribuirá, cada vez mais, para uma progressiva alteração de comportamentos organizacionais, posturas e mentalidades dos agentes económicos - públicos e privados - e para potenciar e dinamizar a importância da cooperação. No passado, os grandes determinantes da competitividade das empresas assentavam numa competição com base nos preços, traduzida na necessidade constante de redução de custos (a competitividade-custo, factor tangível), através do controlo das condições de utilização dos factores produtivos: trabalho, capital e recursos materiais. Contudo, abordagens mais recentes sobre a competitividade, referem a necessidade de investimento contínuo, especialmente na força de trabalho, que permita o fomento de uma produtividade evolutiva e sustentada e de partilha dos riscos associados, entre instituições públicas e privadas, desenvolver novas tecnologias, encontrar novos mercados, formar trabalhadores e realizar aumentos de capital. Porquê cooperar? Valorizar a cooperação empresarial, porquê?... grandes alterações no contexto do exercício da actividade... o intensificar da pressão da concorrência, as profundas e contínuas alterações tecnológicas e financeiras, a progressiva e sistemática sofisticação de clientes e de fornecedores No quadro da globalização da economia, em que o âmbito e a natureza da concorrência estão em profunda mutação, com as empresas a enfrentarem novos desafios na sua relação com o mercado e a sua envolvente de negócios, a cooperação empresarial, enquanto instrumento estratégico potencialmente indutor de atitudes inovadoras por parte dos agentes empresariais, pode constituir-se como uma via privilegiada para a exploração de oportunidades de negócio não acessíveis a empresas de menor dimensão, se agindo de forma isolada. A nível estrutural, reconhece-se que as estratégias das PME nas suas abordagens a processos de cooperação são particularmente condicionadas pelas suas características e especificidades, as quais afectam o seu grau de sucesso potencial. Neste sentido, merecem particular referência os aspectos associados à capacidade de inovação, aos elevados custos de desenvolvimento e à necessidade de

2 especialização decorrente dos novos padrões de qualidade e de resposta rápida exigidos pelos mercados. A estas dificuldades, acrescem outras, de ordem cultural e dimensional, associadas a uma menor apetência para suportar custos relativos à pesquisa de novos mercados e à reduzida capacidade em mobilizar adequados recursos humanos, materiais e financeiros. Intuitivamente, poder-se-á referir que as vantagens subjacentes à adopção de estratégias de cooperação estão normalmente associadas à necessidade de responder às exigências competitivas impostas pelo encurtamento do ciclo de vida dos produtos, pela necessidade de oferecer soluções completas quer por via da aposta na complementaridade de produtos e serviços, quer através da combinação de competências de vários domínios científicos e tecnológicos e, ainda, à obtenção de ganhos de eficiência associados à terciarização de serviços e de eficácia com a centralização em actividades relacionadas com competências nucleares das empresas cooperantes. A utilização da cooperação nas estratégias empresariais, para além do contributo para a melhoria de um conjunto significativo de debilidades e fraquezas de que padecem empresas portuguesas, pode e em paralelo, contribuir para que seja atingido o nível necessário de capacidade de resposta, visando a obtenção de um melhor posicionamento competitivo. Quais as vantagens em cooperar? as vantagens da cooperação empresarial para PME... permite encontrar a dimensão mais eficiente para a realização das actividades produtivas, tecnológicas e comerciais (redução de custos totais e marginais); permite soluções que criam mais valor para o cliente, através da exploração de competências específicas (partilha de recursos mais acesso à diversificação); permite a aposta conjunta em projectos com um maior grau de risco e de incerteza (partilha de risco mais segurança); permite o acesso a redes mais alargadas de informação e do conhecimento... Uma actuação em regime de cooperação pode responder de forma positiva às dificuldades relacionadas com a pequena dimensão empresarial, com a escassez e menor qualificação dos recursos humanos, com a insuficiência de recursos materiais e financeiros, com o deficiente acesso ao conhecimento e domínio de tecnologias, potenciando, ainda, benefícios acrescidos, através: do acesso e partilha de recursos, competências e conhecimentos complementares, muitas vezes inacessíveis de outra forma, como sejam a transferência de tecnologia e/ou ajustamento mais rápido à evolução tecnológica;

3 da limitação dos esforços de cada interveniente individual na actividade de cooperação, com consequente partilha de riscos, nomeadamente, na aproximação a novos negócios e a novos mercados; da obtenção de massa crítica e de economias de escala que permitam um melhor conhecimento e domínio dos mercados e a racionalização de actividades, maximizando o acesso a recursos materiais e financeiros, canais de distribuição, fornecedores e clientes; da partilha de inovação e incorporação de "melhores práticas" aos vários níveis. Ganhar dimensão, partilhar custos e riscos, obter ganhos organizacionais e promover a aprendizagem são, pois, algumas das vantagens que as empresas podem retirar ao adoptarem estratégias de cooperação. No entanto, cooperar tem problemas associados que importa conhecer e prevenir. Reconhecem-se desde logo os relativos à conjugação de interesses, à adequação de comportamentos e culturas empresariais, à criação de relações de confiança mútua entre os parceiros. Para ultrapassar esses problemas, devem ser criteriosamente escolhidos os parceiros adequados, definidas as regras e estabelecidas as fronteiras de interesses. Que políticas têm sido adoptadas para promover a cooperação empresarial? Dinamizar a cooperação empresarial, como? Iniciativas de promoção da cooperação empresarial: o contributo do IAPMEI PEDIP II > POE/PRIME Evolução para uma abordagem sistémica: articulação de actores, processos e instrumentos Definição das bases para um sistema nacional de cooperação Definição e aplicação de uma metodologia de suporte à dinamização e apoio às redes de cooperação Valorização de conceitos de parceria e de relações de confiança...

4 Consciente da importância crescente do instrumento cooperação e da fraca apetência que as empresas portuguesas têm para adoptar estratégias de cooperação, em Portugal e já desde 1991 (PEDIP I), que se têm vindo a desenvolver um conjunto de medidas públicas de apoio à cooperação empresarial. É nesta linha que o IAPMEI tem vindo a considerar a cooperação empresarial como um dos vectores de política pública a reforçar, criando, promovendo e participando em programas mobilizadores 1, concertados com os actores relevantes da envolvente empresarial (associações, entidades do sistema científico e tecnológico), visando nomeadamente: - permitir acelerar tendências de modernização e inovação nas PME; - estimular um clima de confiança empresarial que favoreça e apoie iniciativas de cooperação; - promover o reforço de uma cultura de competências, aberta a novos desafios e oportunidades. Na prossecução desta sua dinâmica, o IAPMEI 2 promoveu um estudo de avaliação a 28 oportunidades de cooperação apoiadas pelo Programa de Dinamização da Cooperação Inter-Empresarial (PEDIP II - QCA II). Os processos de cooperação analisados, globalmente, estavam englobados em quatro domínios: - procura de novos mercados; - criação de centrais de compras; - abordagem a novos negócios; - colmatação de necessidades decorrentes da certificação de produtos, sendo que os domínios ligados à procura de novos mercados e à definição de estratégias conjuntas com vista a uma actuação mais facilitada nos mercados internacionais constituem os objectivos dominantes dos projectos em análise. Pese embora os resultados desta avaliação, ao nível de implementação dos respectivos projectos ser bastante reduzido, considera-se, no entanto e nomeadamente quanto às Razões identificadas para o sucesso e quanto às Razões identificadas para o in sucesso, que o estudo desenvolvido e a divulgar constitui um importante contributo para a sensibilização e adopção de adequadas estratégias de cooperação pelas PME portuguesas : Programa de Dinamização da Cooperação Inter-Empresarial (PEDIP II - QCA II); : Programa de Reforço e Dinamização da Cooperação Empresarial (SISCOOP) 2 Através da Augusto Mateus & Associados e no âmbito do Programa de Reforço e Dinamização da Cooperação Empresarial (SISCOOP)

5 A cooperação empresarial, como via para a competitividade das empresas, é um modelo de organização que apresenta problemas complexos e que apela a um esforço acrescido de valorização dos conceitos de parceria, de relações de confiança e de modelos mais ou menos sofisticados de partilha entre os agentes envolvidos nos processos. Embora se trate de um instrumento que obriga a processos exigentes e complexos, reconhece-se que se for utilizado por empresários com forte determinação e predisposição para cooperar, com disponibilidade de apoio técnico qualificado e com acesso a instrumentos de financiamentos adequados, será possível minimizar os riscos de insucesso e obter os resultados que inspiram os processos de cooperação. Dinamizar a cooperação empresarial, porquê?... Em síntese... Corrigir falhas de mercado Divulgar as vantagens (dimensão, complementaridade de recursos, extensão da cadeia de valor, partilha de risco,...) Estimular a propensão para cooperar (induzir e reforçar relações de confiança, acordos de pareceria; criar um ambiente institucional favorável ao exercício de actividades em cooperação... Unidade de Requalificação PME IAPMEI Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento

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