8 o ano TECENDO LINGUAGENS LÍNGUA PORTUGUESA MANUAL DO PROFESSOR

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1 TECENDO LINGUAGENS LÍNGUA PORTUGUESA TANIA AMARAL OLIVEIRA Formada em Letras, Pedagogia e Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Formadora de educadores nas áreas de Língua Portuguesa e de Comunicação. Professora do Ensino Fundamental das redes pública e privada de ensino de São Paulo. ELIZABETH GAVIOLI DE OLIVEIRA SILVA Bacharel e licenciada em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos. Autora de livros didáticos de Língua Portuguesa e de Letramento e Alfabetização (Ensino Fundamental e EJA). Professora do Ensino Fundamental da rede particular de ensino de São Paulo. CÍCERO DE OLIVEIRA SILVA Bacharel em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Graduando em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Autor de livros didáticos de Língua Portuguesa e de Letramento e Alfabetização (Ensino Fundamental e EJA). Educador em projetos sociais nas áreas de Comunicação e Educação para a Cidadania. LUCY APARECIDA MELO ARAÚJO Bacharel e licenciada em Língua Portuguesa e Linguística pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mestranda em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora do Ensino Fundamental da rede particular de ensino de São Paulo. ENSINO FUNDAMENTAL LÍNGUA PORTUGUESA MANUAL DO PROFESSOR 8 o ano 4 a edição São Paulo 2015 pnld2017_miolo_8tl_p3_u00_18ago15.indd 1 8/19/15 17:56

2 Coleção Tecendo Linguagens Língua Portuguesa 8 o ano IBEP, 2015 Diretor superintendente Diretora editorial Gerente editorial Supervisora editorial de conteúdos e metodologias Coordenadora editorial Editora Assistente editorial Revisora técnica Coordenadora de revisão Revisão Secretaria editorial e Produção gráfica Assistentes de secretaria editorial Assistentes de produção gráfica Coordenadora de arte Assistentes de arte Coordenadora de iconografia Assistentes de iconografia Ilustração Processos editoriais e tecnologia Projeto gráfico e capa Imagens da capa Diagramação Jorge Yunes Célia de Assis Maria Rocha Rodrigues Márcia Cristina Hipólide Simone Silva Fabiana Panhosi Marsaro Karina Danza Márcia Chiréia Helô Beraldo Beatriz Hrycylo, Cássio Dias Pelin, Luiz Gustavo Bazana, Monalisa Neves, Salvine Maciel, Sheila Saad Fredson Sampaio Carla Marques, Karyna Sacristan, Mayara Silva Ary Lopes, Eliane Monteiro, Elaine Nunes Karina Monteiro Aline Benitez, Gustavo Lima, Gustavo Prado Ramos, Marilia Vilela, Thaynara Macário Neuza Faccin Bruna Ishihara, Thais Milson, Thiago Batista, Victoria Lopes, Wilson de Castilho Jótah, Renato Arlem e Ulhôa Cintra Elza Mizue Hata Fujihara, Fernando Cardille Departamento de Arte IBEP Blend Images, Hugo Felix/Shutterstock Bertolucci Estúdio Gráfico Os textos e as imagens reproduzidos nesta coleção têm fins exclusivamente didáticos e não representam qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) ou da editora. 4 a edição São Paulo 2015 Todos os direitos reservados. Av. Alexandre Mackenzie, 619 Jaguaré São Paulo SP Brasil Tel.: (11) TL.indb 2 6/15/15 10:20 AM

3 APRESENTAÇÃO Caro aluno e cara aluna, Não sabemos quem vocês são, mas imaginamos que estejam curiosos para saber o que lhes trazem as páginas deste livro. Por isso adiantamos algumas respostas. Esta obra foi escrita especialmente para vocês que gostam de fazer descobertas por meio de trabalhos individuais ou em grupo e de se relacionar com as pessoas ao seu redor. Para vocês que gostam de falar, de trocar ideias, de expor suas opiniões, impressões pessoais, de ler, de criar e escrever, foram preparadas atividades que, certamente, farão com que gostem mais de estudar Língua Portuguesa. Estão duvidando disso? Aguardem os próximos capítulos e verão que estamos certos. Este livro traz algumas ferramentas para tornar as aulas bem movimentadas, cheias de surpresas. Vocês terão oportunidade de ler e interpretar textos dos mais variados gêneros: causos, mitos e lendas do Brasil e de outras regiões do planeta, textos teatrais, poemas, textos retirados de revistas e jornais, textos instrucionais, histórias em quadrinhos e muito mais. Mas não estamos rodeados apenas de textos escritos. Vivemos em um mundo em que a imagem, o som e a palavra falada ou escrita se juntam para construir atos de comunicação. Por isso, precisamos desvendar o sentido de todas essas linguagens que nos rodeiam para melhor interagir com as pessoas e com o mundo em que vivemos. Assim, descobriremos os múltiplos caminhos para nos comunicar. Acreditem: vocês têm uma capacidade infinita e, por isso, a responsabilidade de desenvolvê-la. Pesquisem, expressem suas ideias, sentimentos, sensações; registrem suas vivências; construam e reconstruam suas histórias; sonhem, emocionem-se, divirtam-se, leiam por prazer; lutem por seus ideais e aprendam a defender as suas opiniões, oralmente e por escrito. Não sejam espectadores na sala de aula, mas agentes, alunos atuantes. Assim, darão mais sentido às atividades escolares, melhorarão seu desempenho nessa área e, com certeza, descobrirão a alegria de aprender. Um abraço! Os autores 8TL.indb 3 6/15/15 10:20 AM

4 CONhEÇA SEu livro Para começo de conversa Momento inicial de cada capítulo, que propõe uma discussão prévia sobre o gênero ou o tema a ser estudado. Prática de leitura Momento de ler textos verbais e não verbais e desenvolver a competência leitora. ANTES DE LER Momento de explorar os conhecimentos prévios dos alunos sobre determinado tema ou gênero, levantar hipóteses e fazer inferências. POR DENTRO DO TEXTO Momento de verificar se o texto e as informações que ele apresenta foram compreendidos e de interpretar também aquilo que não está escrito. TROCANDO IDEIAS Momento de discutir oralmente sobre os aspectos apresentados pelo texto e de dividir com os colegas o que cada um compreendeu, as hipóteses e as opiniões. CONFRONTANDO TEXTOS Momento de comparar os textos já lidos ou esses textos e outros apresentados na seção. TEXTO E CONSTRUÇÃO Momento de organizar a aprendizagem sobre os textos, sua construção, forma, seus conceitos e sua definição. 8TL.indb 4 6/15/15 10:20 AM

5 TEXTO E CONTEXTO Momento de ampliar a leitura e estabelecer relações entre texto e contexto. Momento de ouvir Momento em que o professor fará a leitura de textos para a turma. De olho na ortografia Momento de conhecer os aspectos ortográficos da língua e aprender a escrita correta das palavras. Reflexão sobre o uso da língua Momento de estudar e refletir sobre os aspectos gramaticais da língua escrita e oral. DE OLHO NO VOCABULÁRIO Momento de conhecer os aspectos semânticos da língua e de usar o dicionário. APLICANDO CONHECIMENTOS Momento de colocar em prática aquilo que foi estudado. APRENDER BRINCANDO Momento de fixar os novos conhecimentos por meio de atividades lúdicas variadas. 8TL.indb 5 6/15/15 10:20 AM

6 Hora da pesquisa Momento de aprender de maneira mais autônoma por meio de pesquisas orientadas. Atividade de criação Momento de produzir colagens, ilustrações e pequenos textos. Na trilha da oralidade Momento de analisar questões próprias da língua oral. Produção de texto Momento de produzir textos orais e escritos. \ 8TL.indb 6 6/15/15 10:20 AM

7 Projetos em ação Momento de realizar um conjunto de atividades que resultam na elaboração de um produto final comum à turma ou a um grupo de alunos. importante SABER Momento de organizar, ampliar e sistematizar os conhecimentos. PARA você QuE É CuRiOSO Momento de ler curiosidades e informações interessantes sobre os gêneros ou os temas abordados no capítulo. leia mais Momento de conferir sugestões para ampliar as leituras feitas no capítulo. Preparando-se para o próximo capítulo Momento de realizar atividades que exploram o tema do capítulo seguinte. 8TL.indb 7 6/15/15 10:20 AM

8 SuMáRiO unidade 1 vem TROCAR COMigO! 13 Capítulo 1 BAÚ DE PAlAvRAS XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Verbete (Palavra, Adriana Falcão) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO CONFRONTANDO TEXTOS XXReflexão sobre o uso da língua Estrutura das palavras APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 2 Crônica (Trágico acidente de leitura, Mário Quintana) POR DENTRO DO TEXTO APRENDER BRINCANDO...20 XXMomento de ouvir XXAtividade de criação Mural de palavras XXPrática de leitura Texto 3 Conto (Chuva: a abensonhada, Mia Couto) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO...25 TROCANDO IDEIAS...26 DE OLHO NO VOCABULÁRIO...26 XXMomento de ouvir XXPrática de leitura Texto 4 Prefácio de livro (Prefácio de Codinome Duda, Marcelo Carneiro da Cunha) POR DENTRO DO TEXTO...29 TEXTO E CONSTRUçãO...29 XXProdução de texto Prefácio XXNa trilha da oralidade Gírias XXHora da pesquisa Gírias XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo Capítulo 2 ADOlESCER XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Reportagem (Projeto Sonho Brasileiro analisa perfil do jovem, Marcos Bonfim) POR DENTRO DO TEXTO...37 TROCANDO IDEIAS...37 TEXTO E CONTEXTO...37 XXPrática de leitura Texto 2 Poema (Mascarados, Cora Coralina) POR DENTRO DO TEXTO...38 XXReflexão sobre o uso da língua Modos verbais APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 3 Poema (O adolescente, Mário Quintana) POR DENTRO DO TEXTO...43 TROCANDO IDEIAS...44 XXPrática de leitura Texto 4 Poema (Palavras de amor, Sérgio Capparelli) POR DENTRO DO TEXTO...45 XXPrática de leitura Texto 5 Poema (Atenção!, Sérgio Capparelli) POR DENTRO DO TEXTO...45 XXPrática de leitura Texto 6 Poema visual (Chá, Sérgio Capparelli) 8TL.indb 8 6/15/15 10:20 AM

9 POR DENTRO DO TEXTO...46 CONFRONTANDO TEXTOS XXNa trilha da oralidade Declamação de poemas XXReflexão sobre o uso da língua Frase e oração XXPrática de leitura Texto 7 Romance infantojuvenil (fragmento) (Um bom sujeito, Antônio Carlos Olivieri) POR DENTRO DO TEXTO XXPrática de leitura Texto 8 Poema (O medo, Carlos Drummond de Andrade) POR DENTRO DO TEXTO...52 TEXTO E CONTEXTO...53 XXReflexão sobre o uso da língua Oração sem sujeito APLICANDO CONHECIMENTOS...55 XXPrática de leitura Texto 9 Poema (No caminho com Maiakóvsky, Eduardo Alves da Costa) POR DENTRO DO TEXTO...56 XXReflexão sobre o uso da língua Tipos de sujeito (revisão) XXProdução de texto Poema XXProjetos em ação Traduções do amor Evento Adolescer XXPreparando-se para o próximo capítulo unidade 2 COM A PAlAvRA, NARRADORES E POETAS 59 Capítulo 1 lendas, CANTADORES E ABÓBORAS MágiCAS XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Poema de cordel (O poeta da roça, Patativa do Assaré) POR DENTRO DO TEXTO...62 XXAtividade de criação Interpretação de estrofes TEXTO E CONSTRUçãO...63 XXNa trilha da oralidade Tipos de registro XXPrática de leitura Texto 2 Poema de cordel (O burro é o ser humano, José Acaci) POR DENTRO DO TEXTO...68 TEXTO E CONTEXTO...69 TEXTO E CONSTRUçãO...69 XXAtividade de criação Apresentação de poemas de cordel XXMomento de ouvir XXPrática de leitura Texto 3 Lenda (Irapuru o canto que encanta, Waldemar de Andrade e Silva) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO...73 TROCANDO IDEIAS XXPrática de leitura Texto 4 Mito (O príncipe infeliz e as abóboras desprezadas, Reginaldo Prandi) POR DENTRO DO TEXTO...77 XXReflexão sobre o uso da língua Tipos de predicado APRENDER BRINCANDO XXProdução de texto Verbete XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo Capítulo 2 DE REPENTE... O inesperado XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Romance de aventura (fragmento I) TL.indb 9 6/15/15 10:20 AM

10 (Primeira parte A origem da personagem Robinson Crusoé e sua primeira aventura, Daniel Defoe) TROCANDO IDEIAS...86 POR DENTRO DO TEXTO...88 TROCANDO IDEIAS...89 DE OLHO NO VOCABULÁRIO...90 XXReflexão sobre o uso da língua Transitividade verbal APLICANDO CONHECIMENTOS...92 XXMomento de ouvir XXPrática de leitura Texto 2 Romance de aventura (fragmento II) (As aventuras de Robinson Crusoé, Daniel Defoe) POR DENTRO DO TEXTO...94 TEXTO E CONSTRUçãO...95 XXPrática de leitura Texto 3 Conto (A terra dos meninos pelados, Graciliano Ramos) POR DENTRO DO TEXTO...99 TEXTO E CONSTRUçãO...99 CONFRONTANDO TEXTOS DE OLHO NO VOCABULÁRIO XXProdução de texto Diário Conto para apresentação oral XXProjetos em ação Coletânea de histórias Conto Exposição XXPreparando-se para o próximo capítulo unidade 3 ENTRE DuAS ESTAÇÕES 105 Capítulo 1 COM OS OlhOS NO CÉu XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Romance (fragmento) (Os semeadores da Via-Láctea, Paulo Rangel) TROCANDO IDEIAS XXPrática de leitura Texto 2 Romance (fragmento) (Os alienígenas humanoides, Paulo Rangel) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO TROCANDO IDEIAS TEXTO E CONTEXTO XXProdução de texto Conto de ficção científica XXReflexão sobre o uso da língua Adjunto adnominal APLICANDO CONHECIMENTOS XXMomento de ouvir XXPrática de leitura Texto 3 Notícia (Mares em luas geladas de Júpiter e Saturno podem abrigar vida, Salvador Nogueira) DE OLHO NO VOCABULÁRIO POR DENTRO DO TEXTO TROCANDO IDEIAS XXPrática de leitura Texto 4 Charge (Koizas da vida, Fabiano dos Santos) POR DENTRO DO TEXTO XXPrática de leitura Texto 5 Texto de divulgação científica (Moléculas que podem ser precursoras de vida são encontradas no espaço, Revista Pesquisa Fapesp) POR DENTRO DO TEXTO CONFRONTANDO TEXTOS XXReflexão sobre o uso da língua Adjunto adverbial APLICANDO CONHECIMENTOS XXDe olho na ortografia Mas e mais APLICANDO CONHECIMENTOS XXProdução de texto Conto de ficção científica XXPreparando-se para o próximo capítulo Capítulo 2 ESTAÇÃO DO RiSO XXPara começo de conversa TL.indb 10 6/15/15 10:20 AM

11 XXPrática de leitura Texto 1 Crônica (Amigos, Luis Fernando Verissimo) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO TROCANDO IDEIAS XXDe olho na ortografia Uso do x XXAtividade de criação Uso do x APRENDER BRINCANDO XXPrática de leitura Texto 2 Anedotas (Pulga sonhadora, Brasil Almanaque de Cultura Popular; Bem explicado, Cornélio Pires) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO TROCANDO IDEIAS CONFRONTANDO TEXTOS XXReflexão sobre o uso da língua Revisão XXPrática de leitura Texto 3 Causo (Filhote não voa, Rolando Boldrin) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO TEXTO E CONTEXTO XXMomento de ouvir XXNa trilha da oralidade Contação de causos e de anedotas XXProdução de texto Texto de humor XXProjetos em ação Sarau XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo unidade 4 COMuNiCAÇÃO E CONSuMO 145 Capítulo 1 OlhOS CRÍTiCOS XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Reconto de fadas (Dois beijos: o príncipe desencantado, Flávio de Souza) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO TROCANDO IDEIAS XXReflexão sobre o uso da língua Vocativo APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 2 Reportagem (Propagandas mostram força jovem no consumo, Fernanda Mena) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO TROCANDO IDEIAS XXReflexão sobre o uso da língua Complemento nominal APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 3 Notícia (Infratoras buscam sonho de consumo cor-de-rosa, Eliane Trindade) POR DENTRO DO TEXTO TROCANDO IDEIAS XXHora da pesquisa Hábitos de consumo APRENDER BRINCANDO XXPrática de leitura Texto 4 Carta do leitor (Cartas, Época) POR DENTRO DO TEXTO CONFRONTANDO TEXTOS TL.indb 11 6/15/15 10:20 AM

12 XXProdução de texto Carta do leitor XXNa trilha da oralidade Jornal falado XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo Capítulo 2 ENTRE O SER E O TER XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Conto (fragmento) (Kholstomér, Liev Tolstói) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONTEXTO TROCANDO IDEIAS XXPrática de leitura Texto 2 Propaganda (Havaianas, AlmapBBDO) POR DENTRO DO TEXTO TEXTO E CONSTRUçãO TROCANDO IDEIAS DE OLHO NO VOCABULÁRIO XXReflexão sobre o uso da língua Aposto APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 3 Propaganda (Vida urgente, Fundação Thiago de Moraes Gonzaga) POR DENTRO DO TEXTO XXPrática de leitura Texto 4 Propaganda (HAM, Leiaute) POR DENTRO DO TEXTO XXPrática de leitura Texto 5 Propaganda (Dia das Crianças, Movimento Infância Livre de Consumismo) POR DENTRO DO TEXTO XXReflexão sobre o uso da língua Advérbio e locução adverbial (revisão) XXPrática de leitura Texto 6 Propaganda (Água pede água, Akatu) POR DENTRO DO TEXTO XXReflexão sobre o uso da língua Verbo modo imperativo (revisão) XXPrática de leitura Texto 7 Propaganda (Campanha de doação de órgãos e tecidos, Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre) POR DENTRO DO TEXTO XXNa trilha da oralidade Análise de propagandas na TV XXProdução de texto Propaganda de conscientização XXProjetos em ação Criação e divulgação de um produto XXLeia mais XXApêndice XXGlossário XXIndicações de leituras complementares TL.indb 12 6/15/15 10:20 AM

13 Unidade 1 vem TROCAR COMigO! Um poeta dizia que a palavra horror era horrorosa. Você concorda com ele? Você já parou para pensar nas sensações que uma palavra pode transmitir? Nesta unidade, você e seus colegas vão estudar as palavras. No Capítulo 1, brincarão com aquelas que acham estranhas e curiosas, farão entrevistas, desenharão e se divertirão com as produções da turma. Ah! As gírias não ficaram de fora. Você conhecerá algumas que eram muito comuns em décadas passadas e, depois, será convidado a pesquisar outras mais recentes. Também conhecerá o que é neologismo e aprenderá um pouco mais sobre a formação das palavras. Tudo isso, certamente, o aproximará do mundo das palavras e vai motivá-lo a produzir textos. O Capítulo 2 vai tratar de um assunto que é a sua cara: a adolescência. Lá você vai ler a história de um garoto que resolveu estudar Língua Portuguesa para conquistar o amor de uma colega de turma. Nesse capítulo, também vai encontrar mais informações sobre os tipos de sujeito. Fique ligado! 13 8TL.indb 13 6/15/15 10:20 AM

14 capítulo 1BAÚ DE PAlAvRAS Para começo de conversa Professor, uma das atividades deste capítulo propõe uma consulta dos alunos a alguns prefácios de livros. É interessante solicitar a eles que tragam alguns livros que contenham prefácio no dia da atividade. Você já parou para pensar que importância tem a palavra na vida e no nosso dia a dia? Você já parou para imaginar a força que ela tem? Como é usada para ensinar, construir, destruir, enganar, mascarar, separar, reunir? As palavras têm dono? São livres? São domáveis? São fáceis ou difíceis? As palavras condenam ou absolvem? Leia o texto a seguir para conhecer um enigma: Museu Arqueológico, Delfos, Grécia/Getty Images Esfinge de Naxos, Delfos, Grécia, c. 560 a.c. O enigma da esfinge e o oráculo de Delfos A esfinge era um monstro mitológico, com cabeça de mulher, corpo de leão e asas de águia. Essa tradição mitológica originou-se no Egito e passou para a Grécia. Sua principal estátua ficava no templo de Apolo, no chamado oráculo de Delfos. Esfinge é uma palavra do egípcio arcaico que significa apertar a garganta até sufocar ou mesmo asfixiar. Já oráculo é uma palavra em parte grega e em parte latina que significa profeta, adivinho. Delfos era um local sagrado onde Apolo, o deus da luz e das profecias, era consultado por meio da sua grande sacerdotisa, chamada de Pítia ou Pitonisa, nome que quer dizer aquela que vence a escuridão. A esfinge era famosa por seus enigmas, mas todos tinham uma mesma finalidade: Decifra-me ou te devoro, ou seja, aquele que não os decifrasse era por ela devorado. Um desses enigmas, muito conhecido, era mais ou menos assim: O que é, o que é? De manhã anda de quatro, ao meio-dia, sobre duas pernas, e, pela tarde, com três pernas. SaliS, Viktor D. Mitologia viva: aprendendo com os deuses a arte de viver e amar. São Paulo: Nova alexandria, Qual é a palavra que decifra o enigma apresentado no último parágrafo do texto? A palavra é homem : quando é bebê engatinha, quando adulto anda sobre duas pernas e ao envelhecer necessita da terceira perna, que é a bengala. 2. Que consequência sofriam aqueles que não conseguiam decifrar os enigmas da esfinge? Eram devorados. 3. Nesse contexto, qual era a importância das palavras que solucionavam os enigmas? Essas palavras eram decisivas, tinham muito poder, pois aqueles que as descobriam decifravam os enigmas e salvavam a própria vida. 8TL.indb 14 6/15/15 10:20 AM

15 Texto 1 verbete ANTES DE LER Prática de leitura 1. Leia o primeiro trecho em destaque no texto a seguir e responda: Que gênero de texto você acha que vai ler? Como o primeiro trecho é mais explicativo, é possível que os alunos reconheçam um gênero cuja intenção principal seja também a de explicar, expor. 2. Leia agora o segundo trecho em destaque. Esse trecho se parece com o primeiro? Você continua com a mesma opinião sobre o gênero de texto? Leia o texto integralmente e verifique suas hipóteses. Professor, o primeiro trecho é mais explicativo; sua linguagem se parece com a que é usada em textos didáticos. Já o segundo apresenta linguagem poética, lúdica e bem-humorada. Espera-se que os alunos façam algumas inferências sobre as características dos trechos lidos; a intenção nesse momento não é classificar o gênero textual, mas apenas fazer com que os alunos percebam a mistura de diferentes tipos de linguagem em um mesmo texto. Palavra As gramáticas classificam as palavras em substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção, pronome, numeral, artigo e preposição. Os poetas classificam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas e para brincar com elas é preciso ter intimidade primeiro. É a alma da palavra que define, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o significante e o significado para dizer o que quer, dar sentimento às coisas, fazer sentido. [...] A palavra nuvem chove. A palavra triste chora. A palavra sono dorme. A palavra tempo passa. A palavra fogo queima. A palavra faca corta. A palavra carro corre. A palavra palavra diz. O que quer. E nunca desdiz depois. As palavras têm corpo e alma mas são diferentes das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito e pronto. As palavras são sinceras, as segundas intenções são sempre das pessoas. [...] As palavras também têm raízes mas não se parecem com plantas, a não ser algumas delas, verde, caule, folha, gota. As células das palavras são as letras. Algumas são mais importantes do que as outras. As consoantes são um tanto insolentes. Roubam as vogais para construírem sílabas e obrigam a língua a dançar dentro da boca. A boca abre ou fecha quando a vogal manda. As palavras fechadas nem sempre são mais tímidas. A palavra sem-vergonha está aí de prova. Prova é uma palavra difícil. Porta é uma palavra que fecha. Janela é uma palavra que abre. Entreaberto é uma palavra que vaza. Vigésimo é uma palavra bem alta. Carinho é uma palavra que falta. Miséria é uma palavra que sobra. A palavra óculos é séria. Cambalhota é uma palavra engraçada. A palavra lágrima é triste. A palavra catástrofe é trágica. A palavra súbito é rápida. Demoradamente é uma palavra lenta. Espelho é uma palavra prata. Ótimo é uma palavra ótima. Queijo é uma palavra rato. Rato é uma palavra rua. Existem palavras frias como mármore. Existem palavras quentes como sangue. Existem palavras mangue, caranguejo. Existem palavras lusas, Alentejo. Existem palavras itálicas, ciao. Existem palavras grandes, anticonstitucional. Existem palavras pequenas, microscópio, minúsculo, molécula, partícula, quinhão, grão, covardia. Existem palavras dia, feijoada, praia, boné, guarda-sol. Existem palavras bonitas, madrugada. Jótah 15 8TL.indb 15 6/15/15 10:20 AM

16 Existem palavras complicadas, enigma, trigonometria, adolescente, casal. Existem palavras mágicas, shazam, abracadabra, pirlimpimpim, sim e não. Existem palavras que dispensam imagens, nunca, vazio, nada, escuridão. Existem palavras sozinhas, eu, um, apenas, sertão. Existem palavras plurais, mais, muito, coletivo, milhão. Existem palavras que são um palavrão. Existem palavras pesadas, chumbo, elefante, tonelada. Existem palavras doces, goiabada, marshmallow, quindim, bombom. Existem palavras que andam, automóvel. Existem palavras imóveis, montanha. Existem palavras cariocas, Corcovado. Existem palavras completas, elas todas. Toda palavra tem a cara do seu significado. A palavra pela palavra tirando o seu significado fica estranha. Palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra não diz nada, é só letra e som. Falcão, adriana. Pequeno dicionário de palavras ao vento. São Paulo: Planeta, POR DENTRO DO TEXTO 1. Você achou o texto interessante? Por quê? Resposta pessoal. 2. De acordo com o texto, gramáticos definem a palavra de um modo e poetas, de outro. Qual é essa diferença? Os gramáticos entendem que a palavra pode ser classificada de acordo com sua forma e função. Já os poetas classificam as palavras pela alma, pois, para brincar com elas, precisam conhecer sua intimidade. 3. Releia a classificação apresentada no início do texto e responda: O que você já sabe sobre esse assunto? A classificação se refere às classes gramaticais, já estudadas nesta coleção. 4. As definições apresentadas no texto correspondem às utilizadas em um dicionário? Que tipo de significado é atribuído às palavras no texto? Não. O texto explica o significado das palavras de maneira lúdica, alterando o sentido original (encontrado em um dicionário) e estabelecendo alguma relação entre a palavra e outros significados: a linguagem figurada, a sonoridade, o conteúdo etc. 5. Responda em seu caderno: a) Por que o texto considera pequenas as palavras microscópio, minúsculo, molécula, partícula, quinhão, grão e covardia? A maioria delas se refere ao tamanho do que representam, exceto pela palavra covardia, que está empregada em sentido figurado, pois se refere a algo pequeno do ponto de vista comportamental. b) Por que o texto afirma que shazam, abracadabra, pirlimpimpim, sim e não são palavras mágicas? Sugestão: As três primeiras palavras são encontradas no universo das narrativas de ficção dos contos maravilhosos e são responsáveis por mágicas, encantamentos e transformações. As outras duas, sim e não, dizem respeito às decisões de ação ou omissão do ser humano, que podem transformar ou não determinada realidade. c) Por que o texto associa enigma, trigonometria, adolescente e casal a palavras complicadas? As palavras enigma e trigonometria estão relacionadas ao ato de desvendar situações-problema difíceis; enquanto as palavras adolescente e casal se referem às complicações de uma faixa etária e dos relacionamentos humanos, respectivamente. d) Por que as palavras eu, um, apenas e sertão são relacionadas a palavras sozinhas? Porque essas palavras podem ser relacionadas a situações de solidão, distanciamento. 6. No texto, a palavra madrugada é considerada bonita. Em seu caderno, escreva sua percepção sobre as palavras a seguir: Respostas pessoais. a) abraço b) casa c) tristeza d) desculpa e) amanhã f) mágica 7. Explique a seguinte afirmação encontrada no texto: A grafia e o som esvaziados de sentido deixam de cumprir a função de comunicar. Assim, a palavra ganha significado apenas no uso, no contexto. A palavra pela palavra tirando o seu significado fica estranha. Palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra não diz nada, é só letra e som. 16 8TL.indb 16 6/15/15 10:20 AM

17 TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. No texto, há uma série de repetições de palavras e expressões. Releia o trecho a seguir: Existem palavras doces, goiabada, marshmallow, quindim, bombom. Existem palavras que andam, automóvel. Existem palavras imóveis, montanha. Existem palavras cariocas, Corcovado. Existem palavras completas, elas todas. Toda palavra tem a cara do seu signi ficado. a) Que efeito foi produzido pela repetição da expressão Existem palavras? Com que intenção essa repetição pode ter sido utilizada? b) Identifique a rima empregada nesse trecho do verbete. Corcovado/significado. c) É possível considerar o texto Palavra um verbete poético? Justifique sua resposta. CONFRONTANDO TEXTOS 1. Leia esta tira em quadrinhos: A repetição da expressão reforça e intensifica a ideia da existência de uma grande variedade de palavras. Essa repetição foi utilizada como um recurso poético e contribuiu na construção da beleza do texto. Professor, espera-se que o aluno responda que sim, pois o texto emprega a linguagem figurada, criando novos significados para as palavras por meio de combinações originais. A rima e as repetições do trecho são exemplos de recursos bastante empregados em textos poéticos. Conrad Editora Agora, releia o trecho a seguir, retirado do texto Palavra : As palavras dizem o que querem, está dito e pronto. As palavras são sinceras, as segundas intenções são sempre das pessoas. Que relação é possível estabelecer entre a tirinha e o trecho lidos? No segundo quadrinho, a fala de Calvin indica que ele não quer que o tio vá embora. Porém, o real motivo dessa fala, que não está declarado logo no início da tirinha, está relacionado ao fato de que, com a visita em casa, sua mãe fica mais paciente com ele. O fato de dizer uma coisa, mas querer expressar outra, é corroborado pelo trecho do texto Palavra, em que se lê que As palavras são sinceras, as segundas intenções são sempre das pessoas. Reflexão sobre o uso da língua Estrutura das palavras Leia as palavras do quadro a seguir: reavaliar realizar receita recordar rede reeducação reimprimir retardar revisão 17 8TL.indb 17 6/15/15 10:20 AM

18 1. O que todas essas palavras têm em comum? Todas são iniciadas pela sílaba re. 2. Procure os significados dessas palavras no dicionário e anote em seu caderno. 2. Reavaliar: tornar a avaliar, fazer nova avaliação. Realizar: fazer, efetuar, colocar em prática. Receita: valor recebido; prescrição médica; modo de preparo de uma iguaria. Recordar: lembrar, fazer lembrar. Rede: tecido de malhas com espaçamentos regulares; mesmo que internet. Reeducação: ato ou efeito de reeducar, nova educação. Reimprimir: tornar a imprimir, fazer nova impressão de. Retardar: adiar, procrastinar. Revisão: nova leitura, mais minuciosa, de um texto; inspeção para corrigir ou prevenir falhas em equipamentos, máquinas. 3. Algumas palavras da língua portuguesa são formadas pelo prefixo re-, que significa de novo. Em quais palavras do quadro a sílaba re tem essa função? Nas palavras reavaliar, reeducação, reimprimir e revisão. Professor, é importante recordar com os alunos que prefixo é um elemento que faz parte da palavra e que vem antes da raiz. O quadro Importante saber, a seguir, traz alguns exemplos. importante SABER As palavras são formadas por lexemas e morfemas. O lexema dá o significado à palavra e com ele formam-se novos vocábulos. Veja o exemplo: Lembr- lembrar, lembrança, relembrar lexema morfema O que se acrescenta aos lexemas para formar palavras é chamado de morfema. Os morfemas se classificam da seguinte maneira: morfemas de gênero: indicam masculino ou feminino; morfemas de número: indicam singular ou plural; prefixos: aparecem antes do lexema; sufixos: aparecem depois do lexema; terminações verbais: indicam pessoa, número, tempo e modo. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Identifique os morfemas das palavras a seguir: a) certeza b) descobri c) completamente d) recomeça -eza des-/-i -amente re-/-a 2. Forme novas palavras com os morfemas do quadro a seguir: Exemplos possíveis: mocidade, jornalista, infeliz, profetizar, desigual, malhação, sapataria. idade ista in izar des ação aria 3. Conheça outras definições feitas por Adriana Falcão, autora do texto poético que você leu anteriormente: recomendação: frase típica de mãe que geralmente é repetida mil vezes. recordação: quando um pedacinho do passado volta ainda mais enfeitado. resumir: ato de desenfeitar o que é essencial. retrospectiva: tudo de novo, meu Deus, tomara que tenha sido bom. Falcão, adriana. Pequeno dicionário de palavras ao vento. São Paulo: Planeta, a) No trecho, de que maneira as palavras originais se aproximam dos novos significados atribuídos a elas? Elas se aproximam pela exemplificação de uma situação em que tal palavra ocorre ou pela sensação que ela provoca no interlocutor. Por exemplo: o novo significado da palavra recomendação aproveita-se de uma situação em que ela é bastante empregada; já a palavra retrospectiva provoca no ouvinte uma sensação ao mesmo tempo de temor (se ele torce para que tenha sido bom é porque teme que pode não ter sido) e de enfado. A aproximação é dependente de um saber compartilhado: leitor e produtor devem ter repertório social comum. b) É possível afirmar que re- é prefixo nas palavras recomendação, recordação, resumir e retrospectiva? Explique sua resposta. Não. Não há um prefixo atrelado a uma palavra original, alterando o seu significado. Se retirarmos o re-, elas se tornarão apenas pedaços de palavras. No caso de resumir, teríamos sumir, que não possui relação com a palavra em seu sentido original. 8TL.indb 18 6/15/15 10:20 AM

19 Texto 2 Crônica ANTES DE LER Prática de leitura Resposta pessoal. Professor, faça um levantamento dos significados apresentados pelos alunos para essa palavra. Eles poderão verificar suas hipóteses a partir da leitura do texto e da realização das atividades propostas. O que a palavra abscôndito sugere? O que ela parece significar? Trágico acidente de leitura Tão comodamente que eu estava lendo, como quem viaja num raio de lua, num tapete mágico, num trenó, num sonho. Nem lia: deslizava. Quando de súbito a terrível palavra apareceu, apareceu e ficou, plantada ali diante de mim, focando-me: ABSCÔNDITO. Que momento passei!... O momento de imobilidade e apreensão de quando o fotógrafo se posta atrás da máquina, envolvidos os dois no mesmo pano preto, como um duplo monstro misterioso e corcunda... O terrível silêncio do condenado ante o pelotão de fuzilamento, quando os soldados dormem na pontaria e o capitão vai gritar: Fogo! QuiNtaNa, Mário. Nova antologia poética. 5. ed. São Paulo: Globo, Renato Arlem POR DENTRO DO TEXTO 1. O que o narrador considerou um acidente de leitura? O fato de alguém ter encontrado uma palavra desconhecida no meio do livro que ele estava lendo. 2. Releia o trecho a seguir: Tão comodamente que eu estava lendo, como quem viaja num raio de lua, num tapete mágico, num trenó, num sonho. Nem lia: deslizava. a) Que ideia é apresentada pelo narrador nesse trecho? Resposta possível: Que estava envolvido na leitura, distante da realidade. b) As palavras foram empregadas no sentido literal ou figurado? Justifique sua resposta. Em sentido figurado: um exemplo é o emprego da expressão Nem lia: deslizava, que dá a ideia da suavidade e desenvoltura com que vivia aquele momento. c) Podemos afirmar que o ato de ler dá prazer ao narrador? Explique sua resposta. Sim, ele declara que lê comodamente como quem viaja, quem vive um sonho. 3. No texto, o que está sendo comparado ao ato de ser fotografado? O fato de um leitor (no caso, o próprio narrador) se ver diante de uma palavra desconhecida e parar estático diante dela, como se fosse ser fotografado por alguém. 4. Quem fala no texto relata o aparecimento da palavra abscôndito no meio de sua leitura. Para você, ela é desconhecida? Em caso afirmativo, procure o significado da palavra no dicionário. Resposta pessoal. Abscôndito: invisível, escondido, secreto. 5. Por que a palavra abscôndito aparece em letra maiúscula no texto? Porque, escrita dessa maneira, ela se destaca, salta aos olhos do leitor, assim como saltou aos olhos do narrador da crônica. 6. Localize o emprego de reticências no texto e explique que efeito de sentido elas criam. Resposta possível: Elas servem para marcar a pausa e indicar a perplexidade do leitor diante da palavra nova. Elas também são usadas para indicar a suspensão da narração, permitindo ao leitor imaginar os sentimentos do narrador. 7. É possível imaginar uma cena relacionada com o que está sendo relatado no texto? Sim. Ao descrever o momento de perplexidade diante da palavra, o autor usa recursos que nos permitem criar imagens com base no que está sendo relatado. 19 8TL.indb 19 6/15/15 10:20 AM

20 8. Releia este trecho: Pode estar comparando a angústia do condenado, seu medo pelo que vai lhe acontecer, com a situação do leitor, provocada pelo surgimento da palavra desconhecida. Pode também estar comparando o silêncio do condenado à espera de ser executado ao silêncio provocado pelo aparecimento da palavra abscôndito no meio da leitura. O terrível silêncio do condenado ante o pelotão de fuzilamento, quando os soldados dormem na pontaria e o capitão vai gritar: Fogo! Que relação existe entre esse trecho do texto e o surgimento da palavra abscôndito? 9. Avalie as atividades que você realizou anteriormente nas seções Aplicando conhecimentos e Por dentro do texto. a) O que você aprendeu com elas? Respostas pessoais. b) Qual atividade você teve mais dificuldade em realizar? c) Houve dificuldade na hora de procurar as palavras no dicionário? Por quê? d) Ao encontrar a palavra abscôndito no dicionário, você percebeu que ela apresenta mais de um significado. Como podemos, então, saber qual é o significado mais adequado dessa palavra em determinado texto? APRENDER BRINCANDO Podemos perceber seu significado observando o contexto em que ela foi empregada. Professor, se necessário, retome com a turma os procedimentos para uso do dicionário. Professor, se necessário, adapte a atividade, conforme seu planejamento e a realidade de sua turma. Seria interessante expor os textos produzidos no mural da sala ou da escola. A turma pode elaborar, coletivamente, um pequeno texto e afixá-lo no mural, explicando o processo de elaboração das redações. 1. Procure no dicionário cinco palavras que, para você, sejam curiosas, engraçadas, estranhas. Anote o significado delas em seu caderno. 2. Depois de realizar a tarefa anterior, escreva essas mesmas palavras em uma folha de papel avulsa e troque-a com um dos colegas. Então, dê um significado a cada uma das palavras encontradas pelo seu colega, de acordo com as ideias que vêm à sua mente ao lê-las. Escreva as respostas em seu caderno. 3. Para terminar, escreva um pequeno texto, empregando essas palavras no sentido imaginado por você. Dê um tom de humor à redação, criando situações engraçadas. 4. A apresentação oral das redações deverá ser precedida da leitura por parte do aluno que pesquisou as palavras no dicionário e que foram incorporadas ao texto criado. Em seguida, conforme orientação do professor, cada aluno deverá apresentar seu trabalho para a turma. Momento de ouvir Ouça o poema que o professor vai ler e inspire-se nele para realizar a próxima tarefa. O poema Vocabulário, de Carlos Queiroz Telles, encontra-se no Manual do Professor (daqui por diante, referido simplesmente como Manual). Mural de palavras Vamos criar um mural de palavras malucas? Siga as orientações. Etapa 1 Atividade de criação Sente-se com um dos colegas e entreviste-o. Você fará uma série de perguntas que exigirão do entrevistado apenas uma palavra como resposta. Veja, a seguir, algumas sugestões. 20 8TL.indb 20 6/15/15 10:20 AM

21 Por qual nome você gosta de ser chamado? Que palavra diz muito sobre você? Que palavra você usa bastante? De qual palavra você quer distância? Qual palavra é proibida em seu dicionário? Cite uma palavra chata. Cite uma palavra doce. Cite uma palavra triste. De qual palavra você mais gosta? Durante a entrevista, tenha papel e caneta em mãos para anotar as respostas de seu colega. Após entrevistá-lo, será a sua vez de ser entrevistado. Depois, cada um apresentará o seu companheiro para a turma por meio das respostas obtidas. Etapa 2 Escolha algumas das palavras de sua apresentação e brinque com o formato delas, sugerindo seu significado pela forma de desenhá-las no papel. Veja como o escritor e humorista Millôr Fernandes brincou com algumas palavras: Novocabulário Ed. Abril Paulillo, Maria célia R. a. (org.). Millôr Fernandes: literatura comentada. São Paulo: Ed. abril, TL.indb 21 6/15/15 10:20 AM

22 Agora, deixe fluir sua criatividade. Para isso, siga estas etapas: Deixe chover palavras. Solte sua imaginação, escrevendo em uma folha avulsa as que imaginou e, uma a uma, relacione-as a outras palavras que estejam ligadas aos significados que você deu a elas. Selecione as melhores palavras e imagine como elas podem ser representadas na forma de um desenho feito de letras. Brinque com os formatos, atrelando-os ao significado, como fez Millôr Fernandes em seu Novocabulário. Teste o resultado do seu trabalho, mostrando-o a um colega e solicitando dele uma interpretação de sua produção. A interpretação de seu colega não precisa ser semelhante à sua. Só precisa fazer sentido. Você poderá se surpreender com a riqueza de significados que seu trabalho pode sugerir. Encerrada a fase de criação, é hora de expor os trabalhos no mural da turma ou em um lugar visível e permitido no espaço escolar, para que todos possam fazer as próprias leituras. Texto 3 Conto ANTES DE LER Prática de leitura 1. Resposta pessoal. Professor, a língua portuguesa é falada oficialmente em oito países: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné- -Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Além disso, está presente em pequenos povoados em Zanzibar, na Tanzânia, costa oriental da África, em Macau, ex-possessão portuguesa na China, em Goa, Diu e Damão, na Índia, e em Málaca, na Malásia. 1. Você sabe em quantos países a língua portuguesa é a oficial? 2. Você já leu textos em língua portuguesa escritos por autores de outros países? Resposta pessoal. 3. Você imagina que encontraria dificuldades ao ler um texto em português escrito por um autor que não é brasileiro? Resposta pessoal. Professor, talvez os alunos citem dificuldades com a forma de escrita das palavras, com o vocabulário e com as referências contextuais. O texto que você lerá agora é de autoria de Mia Couto, premiado escritor de Moçambique, país do continente africano onde a língua portuguesa é idioma oficial. O momento descrito no conto refere-se à época logo após a longa guerra civil em Moçambique ( ). Nesse período, o povo moçambicano superava as consequências do violento conflito, ao mesmo tempo em que convivia com uma forte estiagem. A guerra na qual o país ficou mergulhado, assim como qualquer outra, deixou sequelas com as quais a população ainda tem de conviver: inúmeras minas terrestres que mutilam pessoas até os dias de hoje. Chuva: a abensonhada Estou sentado junto da janela olhando a chuva que cai há três dias. Que saudade me fazia o molhado tintintinar do chuvisco. A terra perfumegante semelha a mulher em véspera de carícia. Há quantos anos não chovia assim? De tanto durar, a seca foi emudecendo a nossa miséria. O céu olhava o sucessivo falecimento da terra, e em espelho, se via morrer. A gente se indaguava: será que ainda podemos recomeçar, será que a alegria ainda tem cabimento? Agora, a chuva cai, cantarosa, abençoada. O chão, esse indigente indígena, vai ganhando variedades de belezas. Estou espreitando a rua como se estivesse à janela do meu inteiro país. Enquanto, lá fora, se repletam os charcos a velha Tristereza vai arrumando o quarto. Para Tia Tristereza a chuva não é assunto de clima, mas recado dos espíritos. E a velha se atribui amplos sorrisos: desta vez é que 22 8TL.indb 22 6/15/15 10:20 AM

23 eu envergarei o fato que ela tanto me insiste. Indumentária tão exibível e eu envergando mangas e gangas. Tristereza sacode em sua cabeça a minha teimosia: haverá razoável argumento para eu me apresentar assim tão descortinado, sem me sujeitar às devidas aparências? Ela não entende. Enquanto alisa os lençóis, vai puxando outros assuntos. A idosa senhora não tem dúvida: a chuva está a acontecer devido das rezas, cerimónias oferecidas aos antepassados. Em todo o Moçambique a guerra está parar. Sim, agora já as chuvas podem recomeçar. Todos estes anos, os deuses nos castigaram com a Homem pedala ao longo de estrada vazia. Ao fundo, tempestade se aproxima. Mocuba, Moçambique, seca. Os mortos, mesmo os mais veteranos, já se ressequiam lá nas profundezas. Tristereza vai escovando o casaco que eu nunca hei-de usar e profere suas certezas: Nossa terra estava cheia do sangue. Hoje, está ser limpa, faz conta é essa roupa que lavei. Mas nem agora, desculpe o favor, nem agora o senhor dá vez a este seu fato? Mas, Tia Tristereza: não será está chover de mais? De mais? Não, a chuva não esqueceu os modos de tombar, diz a velha. E me explica: a água sabe quantos grãos tem a areia. Para cada grão ela faz uma gota. Tal igual a mãe que tricota o agasalho de um ausente filho. Para Tristereza a natureza tem seus serviços, decorridos em simples modos como os dela. As chuvadas foram no justo tempo encomendadas: os deslocados que regressam a seus lugares já encontrarão o chão molhado, conforme o gosto das sementes. A Paz tem outros governos que não passam pela vontade dos políticos. Mas dentro de mim persiste uma desconfiança: esta chuva, minha tia, não será prolongadamente demasiada? Não será que à calamidade do estio se seguirá a punição das cheias? Tristereza olha a encharcada paisagem e me mostra outros entendimentos meteorológicos que minha sabedoria não pode tocar. Um pano sempre se reconhece pelo avesso, ela costuma me dizer. Deus fez os brancos e os pretos para, nas costas de uns e outros, poder decifrar o Homem. E apontando as nuvens gordas me confessa: Lá em cima, senhor, há peixes e caranguejos. Sim, bichos que sempre acompanham a água. E adianta: tais bichezas sempre caem durante as tempestades. Não acredita, senhor? Mesmo em minha casa já caíram. Sim, finjo acreditar. E quais tipos de peixes? Negativo: tais peixes não podem receber nenhum nome. Seriam precisas sagradas palavras e essas não cabem em nossas humanas vozes. De novo, ela lonjeia seus olhos pela janela. Lá fora continua chovendo. O céu devolve o mar que nele se havia alojado em len tas migrações de azul. Mas parece que, desta feita, o céu entende invadir a inteira terra, juntar os rios, ombro a ombro. E volto a interrogar: não serão demasiadas águas, tombando em maligna bondade? A voz de Tristereza se repete em monotonia de chuva. E ela vai murmurrindo: o senhor, desculpe a minha boca, mas parece um bicho à procura da floresta. E acrescenta: A chuva está limpar a areia. Os falecidos vão ficar satisfeitos. Agora, era bom respeito o senhor usar este fato. Para condizer com a festa de Moçambique... Tristereza ainda me olha, em dúvida. Depois, resignada, pendura o casaco. A roupa parece suspirar. Minha teimosia ficou suspensa num cabide. Espreito a rua, riscos molhados de tristeza vão descendo pelos vidros. Por que motivo eu tanto procuro a evasão? E por que razão a velha tia se Svetlana Arapova/Shutterstock 23 8TL.indb 23 6/15/15 10:20 AM

24 aceita interior, toda ela vestida de casa? Talvez por pertencer mais ao mundo, Tristereza não sinta, como eu, a atração de sair. Ela acredita que acabou o tempo de sofrer, nossa terra se está lavando do passado. Eu tenho dúvidas, preciso olhar a rua. A janela: não é onde a casa sonha ser mundo? A velha acabou o serviço, se despede enquanto vai fechando as portas, com lentos vagares. Entrou uma tristeza na sua alma e eu sou o culpado. Reparo como as plantas despontam lá fora. O verde fala a língua de todas as cores. A Tia já dobrou as despedidas e está a sair quando eu a chamo: Tristereza, tira o meu casaco. Ela se ilumina de espanto. Enquanto despe o cabide, a chuva vai parando. Apenas uns restantes pingos vão tombando sobre o meu casaco. Tristereza me pede: não sacuda, essa aguinha dá sorte. E de braço dado, saímos os dois pisando charcos, em descuido de meninos que sabem do mundo a alegria de um infinito brinquedo. couto, Mia. Estórias abensonhadas. São Paulo: companhia das letras, Professor, há nota biográfica sobre Mia Couto no Manual. POR DENTRO DO TEXTO 1. Quem são as personagens do conto? Descreva-as. O narrador-personagem, provavelmente jovem, bastante pensativo e reflexivo, e tia Tristereza, que é idosa e mostra-se sábia e conhecedora das crenças do seu país. 2. Em que lugar ocorre o diálogo entre essas personagens? Elas estão dentro de uma casa. 3. Descreva o assunto sobre o qual as personagens conversam. Elas concordam sobre o assunto que está sendo tratado? 4. Transcreva em seu caderno apenas a alternativa que melhor exprime a opinião da personagem Tristereza sobre a chuva. a) A chuva era um castigo dos deuses, assim como o período de estio que o povo havia enfrentado. b) A chuva serviria para limpar o povo de qualquer pecado e excesso que houvesse cometido durante o período de guerra. c) A chuva estava lavando a terra do triste passado de guerra. Alternativa c. 5. Releia este trecho: As personagens conversam sobre uma festa que ocorrerá em breve e sobre a chuva. Os dois não têm a mesma opinião: ela acredita que a chuva é um recado dos espíritos e ele não. Ela quer que ele se vista bem para ir à festa de Moçambique, mas ele não quer usar a roupa que ela lavou e preparou. A gente se indaguava: será que ainda podemos recomeçar, será que a alegria ainda tem cabimento? a) A alegria que as personagens experimentam refere-se somente à chuva que cai após o período de seca? Não. Na verdade, elas estão alegres porque a guerra está no fim. b) Comprove sua resposta ao item anterior com um trecho do terceiro parágrafo. Transcreva-o em seu caderno. Em todo o Moçambique a guerra está parar. 6. Releia este outro trecho: A Paz tem outros governos que não passam pela vontade dos políticos. 24 Em seu caderno, explique seu significado. De acordo com o trecho, a paz não depende da vontade dos políticos, mas é influenciada por outras razões. No conto, a paz é atribuída à chegada da chuva, ou seja, à ocorrência de um fenômeno da natureza. 8TL.indb 24 6/15/15 10:20 AM

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