Mudanças tecnológicas em cadeias agroindustriais: uma análise dos elos de processamento da pecuária de corte, avicultura de corte e suinocultura.

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1 Mudanças tecnológicas em cadeias agroindustriais: uma análise dos elos de processamento da pecuária de corte, avicultura de corte e suinocultura. 1 Giuliana Aparecida Santini Hildo Meirelles de Souza Filho Resumo: Mudanças tecnológicas estão presentes de forma intensa em cadeias agroindustriais, precisamente nas cadeias de produção da pecuária de corte, da avicultura de corte e suinícola. Transformações advindas do próprio mercado, seja do mercado interno ou externo e, do âmbito interno da firma, fazem com que inovações de produtos e processos estejam presentes nos diferentes elos produtivos. Na área de processamento as empresas passam a inovar não somente por meio do caráter da difusão, adquirindo novos equipamentos e aprimorando processos produtivos, como também pelo esforço inventivo, realizando diferentes atividades para o desenvolvimento de novos ou melhorados produtos, processos ou serviços. Diante esse contexto, esse artigo tem como objetivo principal apresentar as mudanças tecnológicas que estão em curso nas cadeias agroindustriais da pecuária de corte, avícola de corte e suinícola, precisamente, em um de seus elos constituintes - processamento. Para o trabalho foram utilizadas informações secundárias e primárias estas obtidas por meio da aplicação de questionários semi-estrutrados com empresas de processamento nacionais e estrangeiras -, além da utilização de arcabouços teóricos que enfatizam temas como Sistemas Agroindustriais, Cadeias de Produção Agroindustriais e Inovações Tecnológicas. Palavras-chave: Mudanças tecnológicas; cadeias agroindustriais; esforço inventivo. 1. Introdução O Sistema Agroindustrial (SAI) da carne, que pode ser desmembrado nas cadeias agroindustriais da pecuária de corte, da avicultura de corte e suinícola (dentre outras), vem passando por profundas transformações nos últimos anos. Fatores do âmbito Institucional, Tecnológico e Organizacional têm alterado o ambiente concorrencial deste sistema, incorporando uma nova dinâmica de desenvolvimento aos seus segmentos constituintes. Na esfera da produção, as mudanças têm como locus de ação tanto a área de desenvolvimento de insumos químicos e de rações, que propiciam maiores índices de produtividade e eficiência produtiva, como também a área de processos produtivos. Novas técnicas relacionadas ao abate e processamento vêm sendo incorporadas, visando atender às exigências do mercado interno e externo. Na esfera da comercialização e distribuição, ampliase a tendência de maior utilização de tecnologias de informação (TI) para o gerenciamento não só das firmas individualmente, mas do conjunto de atores que formam os complexos agroindustriais. Adquire também maior expressão as mudanças relacionadas aos sistemas de transporte e embalagens. Os fatores de âmbito tecnológico expressam grande relevância nesse Sistema. Para alcançar um bom desempenho no mercado interno e atender inclusive ao mercado externo, as empresas transnacionais aqui instaladas tiveram que internalizar algumas funções, como a criação de matrizes e pesquisa voltada para a adaptação do material genético às condições locais de mercado e produção. Mesmo com a internalização dessas atividades, no caso da cadeia agroindustrial da 1 Este trabalho faz parte do projeto de pesquisa intitulado Diretório da Pesquisa Privada no Brasil, que vem sendo financiado pela FINEP desde 2002, e do projeto de doutorado de um dos autores (em andamento desde 2003).

2 avicultura, o país enfrenta ainda uma grande dependência com relação a tecnologias desenvolvidas externamente, sendo expressa através da importação das avós (animais que geram as matrizes, das quais constituem uma geração anterior ao frango de corte consumido internamente). Para o caso da cadeia agroindustrial de pecuária de corte, o país enfrenta uma forte dependência na compra de equipamentos destinados ao processamento, além de pesquisas voltadas à biologia molecular, marcadores moleculares, dentre outras áreas. Também na cadeia agroindustrial suinícola, o transporte e o abate de suínos têm demandado muitos cuidados, que devem ser observados para que não prejudiquem enormemente a qualidade da carne in natura. Nesse processo, deve-se destacar a importância da compra de equipamentos importados, necessários ao rápido resfriamento e/ou congelamento do produto. Diante esse contexto, esse artigo tem como objetivo principal apresentar as mudanças tecnológicas que estão em curso nas cadeias agroindustriais da pecuária de corte, avícola de corte e suinícola, precisamente, dos seus elos de processamento. Para o presente trabalho foram utilizadas informações secundárias, obtidas junto a órgãos do governo e órgãos de pesquisa, além de dados primários, alcançados por meio da aplicação de questionários semiestruturados junto a empresas do setor, precisamente, empresas da área de processamento. Para a avaliação do encadeamento das diferentes atividades produtivas constituintes de um sistema foram utilizadas abordagens de Sistemas e Cadeias Agroindustriais. Para analisar as mudanças tecnológicas presentes nessas cadeias agroindustriais a pesquisa utilizou-se da abordagem Evolucionista, que enfoca, entre outras, as mudanças das estruturas industriais provocadas pela inovação tecnológica. O artigo apresenta-se estruturado em cinco partes. Na segunda seção é realizada uma discussão teórica acerca da importância de cadeias agroindustriais como espaço de análise das inovações tecnológicas e, as principais características das cadeias produtivas da pecuária de corte, avicultura de corte e suinocultura. Na terceira seção é atribuída principal atenção a alguns conceitos de inovação tecnológica, com principal ênfase às inovações de produto e processo. Na quarta seção são analisadas as mudanças tecnológicas de produto e processo dos elos de processamento das cadeias agroindustriais propostas. Na quinta seção são feitas algumas considerações a partir da análise empreendida. 2. Cadeias de produção e sua relevância como espaço de análise das inovações tecnológicas. Uma cadeia de produção agroindustrial pode ser segmentada, de acordo com Batalha e Silva (2001), de jusante a montante, em três macrossegmentos: comercialização, industrialização e produção de matérias-primas. A comercialização representa as empresas que estão em contato com o cliente final da cadeia de produção e que viabilizam o consumo e o comércio dos produtos finais, destacando-se os supermercados, as mercearias, restaurantes etc. A industrialização representa as firmas responsáveis pela transformação das matériasprimas em produtos finais destinados ao consumidor. Por último, a produção de matériasprimas agrega as firmas que fornecem as matérias-primas iniciais para que outras empresas avancem no processo de produção do produto final, como a agricultura, a pecuária, a pesca, a piscicultura, dentre outras. 2 A lógica de encadeamento das operações, de jusante a montante, como forma de definir a estrutura de uma cadeia de produção agroindustrial, assume que as condicionantes impostas pelo consumidor final são os principais indutores de mudanças de todo o sistema. Nesse sentido, transformações no comportamento do consumidor influenciam de modo 2 De acordo com os autores, dentro de uma cadeia de produção agroindustrial podem ainda ser visualizados diferentes mercados, com distintas características: mercado entre os produtores de insumos e os produtores rurais, mercado entre produtores rurais e agroindústria, mercado entre agroindústria e distribuidores e, finalmente, mercado entre distribuidores e consumidores finais.

3 relevante as inovações em curso nas cadeias agroindustriais e, principalmente, no modo como os diferentes elos produtivos estarão articulados para conseguirem responder de maneira eficiente às exigências do consumidor final. Assim, a noção de cadeia agroindustrial tem sido utilizada por vários autores para estudar o processo de inovação tecnológica. No sistema agroindustrial da carne, ao demandar um frango para consumo - isento de antibióticos ou então com menores taxas de gordura -, o consumidor estará demandando alterações em todas os elos constituintes da cadeia do frango. Isso porquê, mudanças na produção de matérias-primas, como fabricação de nutrição animal e genética serão requeridas para a oferta de um melhor produto à agroindústria, e conseqüentemente, ao consumidor final. 3 No caso das firmas agroindustriais, muitas inovações podem ser consideradas do tipo marketing pull, onde novos produtos são sobretudo o resultado de novas formulações ou novas embalagens. Esta classificação advém das definições de inovação, de caráter predominantemente tecnológico (technology push), ou de caráter predominantemente mercadológico (marketing pull) (Batalha e Silva, 2001). Uma firma que adota uma estratégia do tipo technology push prioriza ações no sentido de desenvolver novos processos de fabricação, novas matérias-primas, produtos de concepção inovadora etc. Empresas voltadas para estratégias tecnológicas do marketing pull são orientadas diretamente pela demanda, ou seja, as inovações são resultados diretos da observação dos mercados. Neste caso, elas estão relacionadas a atividades tais como novas formas de distribuição, novas formas de embalagem, reposicionamento de um produto, novo modo de pagamento ou financiamento do consumidor etc. Na terceira seção será avaliada para cada tipo de cadeia agroindustrial em questão, a melhor definição de inovação que se adequa ao atual contexto das empresas de processamento Cadeia agroindustrial da pecuária de corte De uma maneira geral, a cadeia agroindustrial de carne bovina é formada pela indústria de insumos, pecuaristas, indústrias de abate e preparação da carne, distribuidores (atacadistas e varejistas) e consumidores finais (internos e externos), além das atividades de pesquisa, atividades de apoio e sistema financeiro. A indústria de insumos é representada por três segmentos: alimentação animal, indústria de medicamentos e de genética animal. A atividade de pecuária também pode ser dividida em três segmentos: cria (produção de bezerros), recria (cria de bezerros e novilhos) e engorda (terminação dos animais para abate). Geralmente essas atividades localizam-se na mesma propriedade, mas como o uso dos fatores de produção é distinto em cada uma delas, há ganhos na localização de cada atividade em regiões em que esses fatores sejam mais abundantes (Silva e Batalha, 2000). Já o segmento de abate e processamento enfrenta o efeito da excessiva influência e capacidade de pressão das grandes redes de supermercados, que gradativamente vêm aumentando seu poder de barganha no mercado de carnes. Esse fator, acrescido do aumento do consumo de outras carnes, principalmente de carne branca, tem afetado o poder de mercado e a rentabilidade do segmento de abate e processamento, que, tradicionalmente, regulava o mercado de carne bovina no país, sendo responsável pela sua organização (Pigatto, 2001) O segmento representado por atacadistas e varejistas é formado por entrepostos revendedores atacadistas, que comercializam a carne ao varejo (supermercados, açougues e 3 Pensando-se em uma cadeia de produção simplificada.

4 'boutiques'), sendo posteriormente comercializadas ao consumidor final. Este, por sua vez, é tido como o agente direcionador de tendências e mantenedor financeiro de toda a cadeia, pois dele partirá, à montante do sistema produtivo, o fluxo de recursos que o fará funcionar. É no atendimento de todos os seus desejos e necessidades que as ações dos agentes do sistema deverão estar fundamentadas. Paralelamente a esses segmentos, algumas outras atividades de apoio são fundamentais, como o sistema financeiro, políticas governamentais, indústria de embalagens, aditivos, sistemas de inspeção sanitária, transportes, sistema de pesquisa e desenvolvimento (P&D), associações de classe, políticas de comércio exterior e políticas de renda. Como principais produtos dessa atividade destacam-se a carne in natura, em cortes, o porcionado (produto destinado principalmente ao mercado externo) e os enlatados. O ambiente organizacional dessa cadeia agroindustrial é formado pelas associações, órgãos de pesquisa e desenvolvimento, sindicatos, entre outros. Apesar de não haver uma nítida representação da cadeia por alguma associação ou agente, alguns destes possuem maior destaque, seja no âmbito estadual ou nacional, como é o caso do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), representando os produtores de gado de corte no país, ou dos Fundos de Desenvolvimento da Pecuária, de vários estados, os quais são formados com a parceria entre o setor público e privado para o desenvolvimento da pecuária do Estado de São Paulo. Segundo Silva e Batalha (2000), o grande número de entidades de classe e associações na cadeia agroindustrial de carne bovina com diferentes interesses, e sem uma liderança clara, é um dos fatores responsáveis pela baixa coordenação entre os agentes formadores desta cadeia, tendo como conseqüências mais diretas a perda de competitividade de todo o sistema Cadeia agroindustrial da avicultura de corte A cadeia avícola nacional pode ser desmembrada em três importantes áreas: produção de insumos, industrialização e comercialização/distribuição. Em relação à produção de insumos, imperam três principais atividades responsáveis pelo fornecimento de matérias à indústria: produção de nutrição, medicamentos e genética animal. A produção de insumos vegetais vem aumentando nos últimos anos, pois para a exportação de carnes, principalmente frango e derivados, a alimentação dos animais deve ser predominantemente de alimentos de origem vegetal. Na área da genética animal, o Brasil possui dependência de empresas estrangeiras em relação à importação de avós, como a Hybro norte-americana, Agroceres-Ross e Cobb- Vantress Brasil subsidiária da Cobb-Vantress Inc., por não possuir o desenvolvimento interno de linhagens, realizando no Brasil apenas atividades de cruzamentos e melhoramentos. No sistema de industrialização predominam empresas que realizam parte substancial do processo produtivo, ou seja, empresas que compram as matrizes, fazem a recria, produzem os ovos, mantêm o controle sobre os incubatórios, produzindo os pintinhos de um dia, integram o sistema de produção de frangos e realizam o abate e todo o processo de industrialização. O sistema de distribuição de frango e derivados consiste de unidades atacadistas e de unidades de comércio varejista. Devido à perecibilidade do produto, as unidades atacadistas são controladas pela firma proprietária do frigorífico/abatedouro, via integração ou concessão de franquias. Sua estrutura consiste de filiais nos principais centros consumidores, com câmaras frias, frota de veículos para distribuição local e equipe de vendedores. As unidades de comércio varejista são independentes. Geralmente, o fluxo de produtos ocorre diretamente dos abatedouros para grandes estabelecimentos de varejo, ou, no caso de exportação, diretamente para os navios com containeres fechados e inspecionados no próprio abatedouro.

5 O principal produto da cadeia ainda é o frango inteiro, congelado ou resfriado, mas, acompanhando a tendência internacional, a participação dos cortes de frango e frango industrializado vem crescendo. Apesar de ser um produto homogêneo, sendo basicamente uma commodity, o frango inteiro ou em partes pode apresentar diferenciações conforme o mercado a que se destina. Para exemplificar pode-se citar: o mercado do Oriente Médio que adquire frangos inteiros de pequeno tamanho (em torno de 1 kg); o mercado argentino prefere frangos grandes (2,5 kg) com a carne amarelada; o mercado asiático adquire partes de frangos cortadas de modo característico etc. No Brasil, especificamente, o preço é variável fundamental de decisão de compra por parte do consumidor. Os principais produtos industrializados, que, por possuírem maior valor agregado, são utilizados pelas empresas mais modernas para atender à parcela da população com maior poder aquisitivo, são: hambúrguer, pastas, pedaços empanados, salsichas etc. Os subprodutos são as farinhas de carne, de pena e de sangue, que se destinam a integrar a própria ração das aves (nos casos em que ainda não é exigido somente alimentos de origem vegetal) ou para a alimentação de outros animais (cães, principalmente). O sistema de criação intensiva provocou uma revolução na organização da produção, permitindo pela primeira vez a consolidação de estruturas produtivas em moldes industriais, o que levou a avanços contínuos nas economias de escala. Conseqüentemente, houve uma queda nos preços relativos do frango, tanto em relação a outros tipos de carne como em relação aos índices gerais de preços. Sobre a organização das atividades de criação de matrizes e de frangos, esta é condicionada por determinantes naturais de ordem sanitária e de crescimento das aves, como o risco de ataque de doenças, que eleva a mortalidade, e a ação de microorganismos não específicos, que reduz a taxa de conversão alimentar e de crescimento. Por esse motivo, o sistema de criação de matrizes deve cercar-se de cuidados sanitários, devendo estar isolado de criações de outros tipos de animais (aves principalmente) e de centros urbanos. As granjas de frango devem estar dispersas geograficamente, em raios de distâncias que considerem tanto o requisito sanitário como o custo de transporte, visando formar um cinturão em torno do abatedouro e da fábrica de ração. Além da dispersão espacial, para evitar a transmissão de doenças e microorganismos de um lote para outro, após o término de cada lote de aves as granjas devem ser submetidas a um vazio biológico de cerca de 15 dias antes de receber novo lote. Em relação à produção de matrizes, tem-se procurado ajustar o instrumental da biologia molecular para a obtenção de aves com melhores características genéticas. O uso da seleção assistida por marcadores (MAS), para citar uma das técnicas que já vem sendo utilizada em plantas e também em suínos para a localização de genes (de resistência a doenças, por exemplo), depende, no caso das aves, da identificação de marcadores em número suficiente para fazer com que o método seja viável. Já se conhece cerca de setecentos marcadores e os mais importantes são aqueles relacionados a genes que controlam a gordura dos frangos de corte e traços de desempenho de poedeiras. Entretanto, mesmo com os grandes avanços da biologia molecular, a seleção convencional continua ainda possuindo grande importância para o melhoramento genético em aves. As granjas de matrizes, pela facilidade de transporte de pintos de um dia em veículos climatizados, podem situar-se em maior distância das granjas de frango, para atender à condição sanitária e à eventual necessidade de especialização dessa atividade. Uma vez atingida a idade e peso adequados, em função da taxa de conversão alimentar e de requisições do mercado, o frango deve ser imediatamente abatido, sob pena de queda de desempenho na conversão. Os custos de transporte de frango vivo e os problemas de quebra de peso em transporte a longa distância, também são importantes na determinação do arranjo organizacional da produção.

6 A localização do sistema de criação deve levar em conta os custos de transporte, disponibilidade de mão de obra, e a dispersão das granjas, de forma a prevenir problemas sanitários e a não encarecer o transporte interno. A favor da localização pelo mercado consumidor está a vantagem de oferecer o produto resfriado, que é perecível, tendo curto prazo de validade (cerca de 10 dias), e o maior contato com o segmento de distribuição e com o mercado consumidor (Batalha e Souza Filho, 2001) Cadeia agroindustrial suinícola A cadeia suinícola é formada pela indústria de insumos, criação de animais, abate e processamento, distribuidores (atacadistas e varejistas) e consumidor final. Quanto à produção de suínos, a suinicultura brasileira é uma atividade predominantemente de pequenas propriedades rurais, com 80% de suínos sendo criados em unidades de até 100 hectares. No Brasil, existem diferentes sistemas de produção de suínos. Para a região Sul como um todo, o rebanho industrial é desenvolvido predominantemente por sistemas de produção organizados em torno da integração entre produtores e a indústria processadora, embora os sistemas cooperativo e independente devam ser também considerados. Em geral, o sistema mais comumente encontrado é o ciclo completo, onde cobertura, gestação, maternidade, creche, recria e terminação são etapas realizadas na mesma propriedade. Quanto à produção intensiva de animais, em propriedades especializadas, esta vem ganhando espaço na suinocultura brasileira. Esse fato tem levado ao aumento de produtividade por matriz, proporcionando ganhos de escala importantes para os produtores mais tecnificados. Quando a propriedade trabalha com ciclo completo, em regime de produção integrada, a integradora fornece o plantel produtivo e a alimentação. O processo é um pouco mais complexo quando os criadores dividem-se em produtores de leitões e terminadores. Em ambos os casos, a agroindústria integradora fornece assistência técnica e sinaliza, de acordo com o planejamento do frigorífico, a quantidade a ser produzida. Assim como acontece para o bovino de corte, também no caso da suinocultura, existe uma expressiva tendência para a padronização de carcaças. O objetivo desta classificação é justamente incentivar o aperfeiçoamento técnico da criação, estimulando melhorias genéticas, nutricionais e de manejo. Esta providência permite uma melhor eficiência no pagamento diferenciado de produtos com maior qualidade. No que diz respeito às estruturas de consumo e distribuição de carne suína, o consumo de carne de porco no Brasil não evoluiu de maneira importante nos últimos dez anos. A má imagem da carne de porco para a saúde e os altos preços praticados pelo varejo, auxiliam a explicação desse comportamento. Quanto à distribuição da carne suína in natura, do frigorífico ao varejo, esta pode ocorrer na forma de carcaça, que será resfriada e desossada no ponto de venda, ou sob a forma de cortes já embalados e prontos para a venda. A rede varejista distribuidora de carne suína constitui-se fundamentalmente de supermercados e açougues. Assim como acontece para as outras carnes, os açougues vêm perdendo espaço na distribuição do produto. Por outro lado, os super e hipermercados têm atuado fortemente no sentido de estabelecer alianças estratégicas com frigoríficos e, dessa forma, diminuir custos ao longo da cadeia. Essa é uma tendência que deve se fortalecer nos próximos anos. A carne suína favorece a elaboração de produtos que podem ser classificados em frescais, defumados, curados e salgados. Os frescais são representados pelos fiambres, lingüiças, mortadela, patê, presunto cozido e salsicha. Os defumados são o lombo, bacon, toucinho, paleta e pernil. Os produtos curados são representados pela copa, lombo tipo canadense, salame e presunto cru, enquanto os salgados são a costela, pés, orelha, rabo, toucinho, couro, língua, pele, tripa, ponta de peito e carne para charque (Batalha e Souza

7 Filho, 2001). Na próxima seção serão trabalhados alguns conceitos de inovação tecnológica para que se avance no entendimento das mudanças tecnológicas nos elos de processamento das cadeias agroindustriais em análise. 3. Alguns conceitos de inovação A definição de inovação mais amplamente utilizada por aqueles que trabalham com a questão das mudanças tecnológicas deriva de Schumpeter (1912; 1943). Segundo esse autor, o processo inovativo consiste de três fases seqüenciais: invenção, inovação e difusão. A invenção distingue-se da inovação em decorrência de ser a segunda um fenômeno essencialmente econômico, em que ocorre a comercialização de um novo produto ou implementação de um novo processo. Em contraposição, as invenções constituem conhecimento novo, cuja aplicação pode ou não ser economicamente viável. A definição shumpeteriana de inovação cria duas rotas principais. Primeiro, uma firma pode inovar investindo em equipamentos para novos processos, que são comprados de um fornecedor, ou vendendo um novo produto, que também é obtido de outra firma. Nesse caso, essa inovação não requer esforço intelectual relevante, inventivo ou criativo. Segundo, uma firma pode também inovar comercializando novos produtos e implementando novos equipamentos de processo que ela desenvolveu por meio de suas próprias atividades inventivas. Sob essas duas rotas, duas definições podem ser estabelecidas: Adoção ou inovação como difusão: a aquisição de novos produtos ou processos de fontes externas à firma. Esforço inventivo: atividades criativas da firma para desenvolver novos ou melhorados produtos, processos, ou serviços. Essas duas principais rotas para inovação, contudo, não são capazes de englobar todas as possibilidades. As firmas podem também inovar por meio da combinação de adoção com esforço inventivo. Isso ocorre, por exemplo, quando a firma realiza algum esforço inventivo para adaptar novas tecnologias de processos a fim de atender as necessidades de seu próprio processo de produção. Deve-se destacar que a difusão de idéias, conhecimento e informação também possuem um papel vital na geração de inovação. Dessa forma, as duas rotas para inovação devem ser entendidas como tipos ideais não mutuamente excludentes, sendo a inovação normalmente caracterizada pela combinação das duas rotas ideais. Nas cadeias agroindustriais da pecuária de corte, avicultura e suinícola, especificamente nos segmentos de processamento, as inovações são caracterizadas tanto pelo caráter da difusão como do esforço inventivo. Pois, as empresas inovam ao adquirir equipamentos para implementar novos processos e também na produção e comercialização de novos produtos, seja de produtos já existentes (mas melhorados) ou de produtos que antes não compunham seu portfólio. Nesse sentido, de acordo com a OECD (1996), a inovação tecnológica encontra-se dividida em duas categorias: inovação tecnológica de produto e inovação tecnológica de processo. As inovações de produto podem ser subdivididas em novos produtos e produtos melhorados. As definições para esses três tipos de inovações são as seguintes: Um produto tecnologicamente novo é um produto cujas características tecnológicas ou usos pretendidos diferem significativamente dos produtos previamente produzidos. Tais inovações podem envolver tecnologias radicalmente novas, podem ser baseadas na combinação de tecnologias existentes, ou derivadas do uso de novos conhecimentos. Um produto tecnologicamente melhorado é um produto existente, cuja performance foi significativamente aperfeiçoada ou atualizada. Um simples produto pode ser melhorado (em termos de melhor performance ou menor custo) por meio do uso de

8 componentes ou materiais de alta-performance. Um produto complexo, que consiste de um número de subsistemas técnicos integrados, pode ser melhorado por mudanças parciais em um dos subsistemas. Inovação tecnológica de processo é a adoção de métodos de produção tecnologicamente novos ou significativamente melhorados, incluindo métodos de apresentação de produto. Esses métodos podem envolver mudanças em equipamentos, ou organização da produção, ou a combinação dessas mudanças, e podem ser derivados do uso de novo conhecimento. Os métodos podem ter como objetivo produzir e apresentar produtos tecnologicamente novos ou melhorados, os quais não podem ser produzidos ou ofertados usando métodos de produção convencionais. Os métodos podem também ter como objetivo aumentar a eficiência de produção ou de apresentação de produtos existentes. Na seção seguinte serão avaliadas as características da inovação tecnológica nos segmentos de processamento, com base nos conceitos apresentados acima. 4. Mudanças tecnológicas de produtos e processos 4.1. Mudanças tecnológicas de produtos As mudanças tecnológicas de produto, no segmento de processamento da pecuária de corte são representadas por alterações completas nas características fundamentais do produto e transformações que não alteram as características fundamentais dos produtos. Para o primeiro caso, destacam-se os produtos porcionados, produtos temperados e orgânico. O produto porcionado foi criado a partir da desossa e corte da carne, transformando-se em um novo produto. Para o segundo tipo de mudança, representada por mudanças que não alteram as características dos produtos, destaca-se a venda de produtos em menores embalagens, para gerar maior conveniência aos clientes. Os resultados de tais transformações são vários. No caso dos porcionados houve aumento do faturamento, conseguindo-se atender diretamente ao consumidor final; evitou-se perdas da carne; houve agregação de valor ao produto; adequação às exigências sanitárias (não vender o produto com osso). No caso da carne orgânica também ocorreu aumento de faturamento devido ao incremento de vendas para o mercado externo; observou-se melhora da imagem da empresa (preocupação ambiental, sócio-econômica). A mudança em embalagens (porcionados em embalagens menores) resultou em aumento de vendas nos mercados interno e externo. Nos segmentos de processamento da avicultura de corte e de suínos as mudanças tecnológicas de produto estão relacionadas, de uma forma geral, às melhorias nas características fundamentais do produto e, mudanças sem alteração nas características fundamentais dos produtos. Tais melhorias fazem parte da renovação de linhas de produtos e da compra de equipamentos automatizados capazes de influenciar na moagem do produto, no tempo de cozimento etc, deixando-os com uma melhor qualidade (estas mudanças refletem em melhorias nas características fundamentais dos produtos). Associado a estas transformações pode ser destacado também o processo de embalagem em pacotes menores e o fatiamento de alguns produtos, como salames, mortadelas, presunto, peito de frango etc. Nesse caso, as mudanças não alteram as características fundamentais dos produtos. Estas mudanças são avaliadas como inovações recentes no Brasil, tendo sido observadas pioneiramente no plano internacional. Para aquelas empresas pioneiras na adoção dessas tecnologias, como Sadia e Perdigão, as mudanças realmente representam inovações a nível nacional, mas para as empresas imitativas, essas mudanças constituem-se em inovações apenas no âmbito da própria firma.

9 Além das mudanças que não refletem alterações nas características fundamentais dos produtos, algumas empresas vêm introduzindo inovações que implicam o lançamento de um novo produto. Seriam as novas linhas de produtos de pratos prontos e massas, como as massas, pizzas, folhados e tortas. Para o caso específico de suínos, essas inovações ainda não são muito expressivas, pois há necessidade de campanhas mais agressivas de marketing para o consumo no país, para que, além de commodities de suínos, os consumidores passem a adquirir também produtos mais elaborados e de maior valor agregado. A inovação que se reflete no lançamento de um novo produto é considerada novidade nacional apenas para as empresas adotantes, uma vez que já foram lançados por outras empresas no âmbito internacional. Assim, as linhas de produtos novos que são introduzidas no mercado nacional são resultado de algum esforço inventivo em termos de adaptação da tecnologia e desenvolvimentos em conjunto com fornecedores. Os resultados decorrentes dessas mudanças têm sido: a) aumento do faturamento, em termos de ampliação do market-share e vendas no mercado interno; b) diminuição de custos por meio das mudanças nos processos e reutilização de insumos; c) desenvolvimento de novos mercados; d) aumento da qualidade; e) diversificação dos produtos no caso dos fatiados; f) enquadramento nas normas/ regulações do Brasil - no caso de produtos de maior valor agregado; g) enquadramento nas normas/ regulações do exterior - em cortes de suínos. Observa-se que a entrada de grupos estrangeiros nestes segmentos altera de forma diferenciada as estratégias das empresas no que diz respeito às inovações de produtos. Uma empresa do mercado, por exemplo, que sempre manteve seu foco na produção e venda de produtos commodities, não tenderá a alterar sua estratégia em função do expressivo mercado que domina em linhas de produtos de menor valor agregado. Entretanto, algumas empresas que vêm sendo adquiridas por transnacionais, assim como outras empresas nacionais do setor, tendem a diversificar suas linhas de produto, acompanhando a tendência internacional e nacional, uma vez que alguns de seus concorrentes no Brasil demonstraram comportamento pioneiro. Como se pode observar, as inovações tecnológicas de produto nesses segmentos adquirem tanto o caráter predominantemente tecnológico (technology push) como o caráter predominantemente de mercado (marketing pull). Ou seja, as mudanças que se traduzem em melhor apresentação do produto no mercado, como venda em menores embalagens, fatiamento, produção de pratos semi-prontos, dentre outras, tendem a responder às necessidades de consumidores, que cada vez mais possuem seus hábitos de alimentação alterados em função do modo de vida. Mas tais mudanças não seriam eficientemente absorvidas pelo próprio mercado e no âmbito da própria empresa, caso não ocorresse, também, o caráter tecnológico da inovação. As empresas, por meio de seu esforço inventivo vêm introduzindo mudanças até então inexistentes no mercado nacional, como é o caso da carne orgânica na pecuária de corte, os pratos prontos das linhas de suínos e aves, que apesar de terem sido introduzidos pioneiramente por outros mercados, fazem parte do processo de inovação e geração de capacidades internas à própria firma Mudanças tecnológicas de processos As mudanças tecnológicas de processos na área de processamento da pecuária de corte estão relacionadas à adoção de: a) desossa mecanizada; b) fluxo de produção contínuo (sistema de paletização e movimentação); c) utilização de túneis de congelamento contínuo; d) máquinas à laser para corte dos porcionados; e) túneis de congelamento para porcionados (à base de nitrogênio, congelando a carne rapidamente); f) sistema de embalagem à vácuo. Todas as inovações podem ser avaliadas como em mudança constante (com melhorias freqüentes) e adotadas por quase todas as empresas do mercado, com exceção da tecnologia de túnel de congelamento, que se apresenta em uma fase inicial do ciclo de adoção, ou seja,

10 uma tecnologia ainda restrita a poucas empresas. Todas estas mudanças repercutiram em: a) aumento de produtividade, com a utilização de sistemas mais automatizados; b) diminuição no número de acidentes; c) redução de custos (maior produção, utilizando-se a mesma quantidade de mão-de-obra); d) eliminação de perdas. Ou seja, tais mudanças proporcionaram, de forma geral, a diminuição do ciclo de produção, com melhora da qualidade final do produto. Estas tecnologias foram adquiridas predominantemente no exterior. As máquinas de corte a laser, por exemplo, foram importadas dos EUA, Itália e Noruega. Os túneis de congelamento contínuo foram importados da Dinamarca; os túneis de congelamento para porcionados (à base de nitrogênio), podem ser encontrados no Brasil ou no exterior. Outros tipos de equipamentos, como sistemas de paletização e movimentação, e embalagem a vácuo, foram também importados. É importante destacar que, para a adoção dessas novas tecnologias, algumas dificuldades foram encontradas, como: treinamento de pessoal para o abate de carne orgânica (conscientizar os funcionários de que o ambiente deve ser totalmente limpo, sem contaminação de outros tipos de carne) e o posicionamento dos equipamentos (rearranjo do lay-out). De modo geral, as mudanças tecnológicas observadas nas empresas de processamento da avicultura de corte podem ser resumidas na utilização de sistemas automáticos de: a) depenagem e escaldagem; b) evisceração; c) processos de resfriamento; d) classificação e pesagem; e) congelamento. Tais mudanças são vistas como cruciais para a competitividade empresarial, pois agilizam o processo de produção, propiciando aumento de produtividade. Na realidade, trata-se de tecnologias que ainda estão em fase de implantação por parte de algumas empresas nacionais, sendo avaliadas como novas tecnologias e em mudança constante, em relação à fronteira internacional. Esses novos processos são conhecidos mundialmente, principalmente porque os equipamentos são importados, tendo sido desenvolvidos na Europa, com adaptação às empresas nacionais. Assim, as mudanças podem ser analisadas como novidades para o setor no país, e em muitos casos, apenas novidade para as empresas, uma vez que há empresas pioneiras na utilização dessas tecnologias no Brasil. Os impactos dessas mudanças para as empresas do mercado têm sido: a) o aumento na capacidade de processamento; b) diminuição de custos; c) ganhos de market-share nos mercados interno e externo; d) redução no consumo de matérias-primas e nos custos do trabalho; e) melhora da produtividade; f) aumento na flexibilidade da produção. É importante destacar que, enquanto em produto as mudanças tecnológicas vêm objetivando o aumento da receita e faturamento, em processos as mudanças visam a redução de custos e aumento da produtividade. Vale observar também que há algumas restrições na adoção dessas tecnologias, devido a dificuldades financeiras e à limitação na capacitação e busca da tecnologia por parte das empresas. Isto implica a necessidade de habilitar os profissionais para conduzir as novas atividades, o que significa a realização de treinamento relacionado com mudanças de lay-out e equipamentos. Acrescenta-se o fato de que flutuações na taxa de câmbio alteram a viabilidade econômica da compra de equipamentos importados. As empresas nacionais, assim como as empresas com capital estrangeiro vêm adotando a mesma estratégia tecnológica em processos, que se traduz na compra de equipamentos para cortes mais específicos, automatização de processos, máquinas para fatiar o produto, embalagem à vácuo, túneis de congelamentos etc. Na suinocultura as mudanças tecnológicas de processos estão relacionadas com: a) automatização de equipamentos, principalmente na dotação de máquinas que realizam o fatiamento do produto e executam cortes com maior precisão; b) implantação de desossa automática; c) implantação de sistema de tambleamento (para fornecer maior maciez à carne);

11 d) utilização de sistema de maturação. Ou seja, mudanças que reduzem custos e aumentam a produtividade. No segmento suinícola, assim como nos outros já analisados, as mudanças tecnológicas são conduzidas por outros setores, como o setor de máquinas e insumos. De modo geral, as mudanças tecnológicas observadas nas empresas podem ser resumidas na utilização de cortes automáticos (não são todas as fábricas que possuem); adoção de desossa automática; adoção de sistema de injeção de carnes; sistema de tambleamento e maturação. Tais mudanças são vistas como cruciais para a competitividade empresarial, pois agilizam o processo de produção e propiciam aumento de produtividade. 5. Considerações finais As cadeias agroindustriais apresentam-se como importante lócus de realização de inovações tecnológicas de produtos e processos. Pôde-se observar nas cadeias de produção da pecuária de corte, da avicultura de corte e da suinocultura que as inovações são impulsionadas tanto pelo mercado como pela própria firma. Tanto as mudanças que não alteram fundamentalmente as características dos produtos, como tipos e tamanhos de embalagens, formas de apresentação dos produtos e, as mudanças em processos para a produção de novos ou melhorados produtos são vistos como essenciais para a competitividade das empresas. Na cadeia agroindustrial da pecuária de corte, as mudanças de produto na área de processamento visaram principalmente a introdução de produtos diferenciados e de maior valor agregado, visando-se principalmente o mercado externo. Nas cadeias agroindustriais da avicultura de corte e suinocultura as mudanças objetivaram o desenvolvimento de novos produtos, como os empanados, tortas, carnes temperadas, pizzas, dentre outros, além da melhor apresentação dos produtos, seja em embalagens menores, fatiados ou com características de sabor mais agradáveis. Estas mudanças visaram principalmente o mercado interno. As mudanças de processos, de uma forma geral, se traduziram na compra de equipamentos mais atualizados, capazes de aumentar a produtividade e reduzir custos por meio da diminuição de perdas e maior eficiência produtiva. É importante salientar que nem todas as empresas analisadas demonstraram possuir o mesmo nível tecnológico, mas foi notável a necessidade dos agentes produtivos em inovar, seja por meio da difusão ou por meio do esforço inventivo de criação de um novo ou melhorado produto, mesmo que este já seja conhecido em outros mercados. Isso faz com que as empresas desse setor estejam cada vez mais na fronteira tecnológica, despontando internacionalmente em mercados altamente competitivos, como em países da Europa, Estados Unidos e Ásia. 6. Referências bibliográficas BATALHA, M. O.; SILVA, A. L. Gerenciamento de sistemas agroindustriais: definições e correntes metodológicas. In: BATALHA, Mário O. (coord.). Gestão agroindustrial. 2 a ed. São Paulo: Atlas, 2001, vol 1, p BATALHA, M. O.; SOUZA FILHO, H. M. A indústria de carne no Brasil e no mundo: panorama setorial e principais empresas. São Carlos: FINEP, GEEIN-UNESP Disponível em: <http://www.finep.gov.br/estudos>. Acesso em fev

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