INFORME ECONÔMICO 20 de março de 2015

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1 RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS FED reduz projeções de crescimento e inflação nesse ano, e mostra cautela em relação ao início do aperto monetário nos EUA. No Brasil, inflação se mantém pressionada. O Comitê de política monetária (FOMC) do Banco Central dos EUA (FED) retirou o termo paciente do comunicado e condicionou seus próximos passos aos dados do mercado de trabalho e à evolução da inflação. De modo mais enfático, o FOMC salientou em seu comunicado que a elevação dos juros se dará a partir do momento em que houver melhoras adicionais do mercado de trabalho e confiança quanto à convergência da inflação no médio prazo para a meta de 2,0% ao ano. Outro ponto importante do comunicado foi a retirada do termo paciente para designar a condução do aperto monetário, o que segundo Yellen (presidente do FED) não quer dizer que haja impaciência para a elevação dos juros, e dessa forma, indicando que não haverá elevação de juros na próxima reunião em abril. A decisão também contou com a divulgação das projeções econômicas do comitê que mostraram uma redução na expectativa de crescimento e inflação para 2015, 2016 e Finalmente, a distribuição da expectativa de taxa de juros para o término desse ano teve sua mediana reduzida de 1,13% para 0,63% ao ano, o que diminuiu a chance do início do aperto de juros a partir da reunião de junho. Os dados divulgados de EUA na semana seguem indicando moderação da atividade econômica nesse primeiro trimestre. A produção industrial de fevereiro registrou leve expansão de 0,1% na margem, com destaque negativo para a queda de 0,2% da indústria de transformação. Sofrendo interferências do clima, o indicador de novas construções residenciais teve queda de 17,0% frente ao mês de janeiro, o pior desempenho para um mês desde fevereiro de Os indicadores já divulgados do primeiro trimestre indicam que o crescimento do PIB deverá desacelerar para o patamar entre 2,0 a 2,5% no trimestre em termos anualizados, mas mantemos a avaliação que parte dessa desaceleração será revertida com a continuidade da melhora do mercado de trabalho e a normalização das temperaturas com o fim do inverno. 1.4% 1.2% 1.0% 0.8% 0.6% 0.4% 0.2% 0.0% -0.2% -0.4% Estados Unidos - Produção Industrial (% M/M) 1.2% 0.9% 0.8% 0.7% 0.5% 0.4%0.3% 0.1% 0.0% -0.1% -0.2% -0.2% -0.3% 0.1% 10.0% 8.0% 6.0% 4.0% 2.0% 0.0% -2.0% -4.0% -6.0% -8.0% 5.0% Novas construções residenciais (média móvel 3 meses, M/M) 8.0% 5.1% 1.9% -3.5% Jan-14 Feb-14 Mar-14 Apr-14 May-14 Jun-14 Jul-14 Aug-14 Sep-14 Oct-14 Nov-14 Dec-14 Jan-15 Feb-15 mai-13 nov-13 mai-14 nov-14 1

2 Na Europa, os dados de mercado de trabalho no Reino Unido e as decisões dos bancos centrais da Suécia e da Noruega foram os principais destaques. A taxa de desemprego no Reino Unido ficou estável em 5,7% e os salários recuaram de 2,1% para 1,8% em termos anuais em janeiro. A ausência de pressão salarial tem contribuído para que a inflação em 12 meses esteja próxima à zero (0,3% em janeiro) e subsidiado o debate acerca da necessidade de elevação de juros nesse ano pelo Banco Central da Inglaterra (BoE). O baixo nível da inflação no continente europeu e o afrouxamento monetário pelo BCE têm levado outros bancos centrais da região a também adotarem estímulos. Nessa semana, o Banco Central da Suécia reduziu novamente a taxa de juros de -0,1% a.a para -0,25% a.a, enquanto a autoridade monetária da Noruega apesar de ter mantido os juros em 1,25% a.a, indicou que a redução dos juros é altamente provável nos próximos meses. De modo geral, o quadro traçado nesse primeiro trimestre é de continuidade da condição de alta liquidez nos mercados globais Reino Unido - Taxa de desemprego (%) 5.2 jan-04 out-04 jul-05 abr-06 jan-07 out-07 jul-08 abr-09 jan-10 out-10 jul-11 abr-12 out Inflação (% A/A) jan-12 mar-12 mai-12 jul-12 set-12 nov-12 mai-13 nov-13 mai-14 nov-14 Reino Unido Noruega Suécia No Japão, o Banco Central manteve a política monetária acomodatícia e o mercado imobiliário chinês teve novas rodadas de queda de preços das casas. O Banco Central japonês (BoJ) manteve a política monetária acomodatícia como era amplamente esperado, seguindo com a avaliação que a economia se recupera em ritmo moderado. No que diz respeito à inflação, o BoJ reduziu levemente a expectativa de inflação de 0,5% para um intervalo entre 0% e 0,5%. Na China, os preços residenciais registraram recuo de 0,4% em relação ao mês de janeiro, e queda de 5,6% em termos anuais. O recuo acentuado dos preços no mercado imobiliário chinês desde o ano passado deve levar o governo do país a adotar ainda em 2015 medidas no sentido de facilitar a aquisição de propriedades, o que foi destacado pelo relatório anual de trabalho do governo, que indica as diretrizes econômicas para o ano. Na América Latina, Chile e Colômbia cresceram 1,9% e 4,6% em 2014, respectivamente. No quarto trimestre a economia chilena cresceu 1,8% em termos anuais, acelerando em relação ao trimestre anterior (1,0%). Na margem o crescimento foi de 0,9%. Em virtude dos estímulos fiscais e monetários, somados a alguma recomposição do impulso externo advinda da queda nos preços do petróleo, projetamos crescimento de 2,5% para o Chile nesse ano. Essa queda na cotação do petróleo, por sua vez, é o principal responsável pela expectativa de desaceleração da economia colombiana (o petróleo corresponde a mais de 50% das exportações do país). O crescimento de 3,5% no quarto trimestre veio abaixo do registrado no terceiro trimestre (4,2%), e para 2015 nossa expectativa de crescimento para a Colômbia é de 3,2%. 2

3 Chile e Colômbia - PIB (% A/A) mar-10 jun-10 set-10 dez-10 mar-11 jun-11 set-11 dez-11 mar-12 jun-12 set-12 dez-12 jun-13 dez-13 jun-14 dez Colômbia Chile No Brasil, mesmo com as surpresas positivas da indústria e do comércio em janeiro, o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) apresentou contração. Na margem o indicador recuou 0,1%, abaixo da expectativa de estabilidade. Em termos anuais, o IBC-Br teve retração de 1,8%. Tendo em vista que a indústria e o comércio tiveram expansão de 2,0% e 0,8% na margem, respectivamente, a surpresa negativa do IBC-Br deve estar relacionada ao desempenho fraco da agricultura e dos serviços (excluindo o setor de comércio). Esse desempenho da atividade econômica no mês de janeiro está de acordo com a nossa perspectiva de contração de 0,8% do PIB brasileiro em Em linha com essa desaceleração da economia, o mercado de trabalho mantém sua trajetória de desaquecimento. Em fevereiro, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) apresentou fechamento líquido de 2,4 mil vagas, o pior resultado para o mês desde Ao realizarmos o ajuste sazonal, o fechamento de 70 mil postos mostra nova piora frente ao mês de janeiro, quando pouco mais de 64 mil postos foram fechados. Por segmento, a destruição de vagas em termos dessazonalizados na construção civil (39,7 mil) e na indústria (27,4 mil) se acentuou em fevereiro. Por fim, o salário real de admissão teve recuo de 2,1% em termos anuais, a maior variação negativa desde outubro de 2003, e que confirma o processo de desaquecimento da economia brasileira. (Milhares) Fonte: MTE CAGED - Criação de Vagas (Dessazonalizados, mil) jan-06 jul-06 jan-07 jul-07 jan-08 jul-08 jan-09 jul-09 jan-10 jul-10 jan-11 jul-11 jan-12 jul jan-11 abr-11 jul-11 CAGED - Salário real (% A/A) out-11 jan-12 abr-12 jul-12 out-12 abr-13 out-13 abr-14 out Total - mensal Média móvel 3 meses Fonte: MTE Admissão Demissão Estruturalmente, essa desinflação de salários é de fundamental importância para observarmos uma moderação dos preços na economia brasileira. No curto e médio prazo, no entanto, o ambiente é de inflação pressionada. Nesse sentido, a prévia do IPCA registrou alta de 1,24% em março e acumulou variação de 7,9% em 12 meses. Para o encerramento do mês, esperamos variação de 1,53%, levando o IPCA em 12 meses para 8,35%. A inflação de serviços, diretamente 3

4 relacionada ao mercado de trabalho, registrou variação de 8,1%. No que concerne aos indicadores de qualidade da inflação, o quadro ainda é de desconforto. O índice de difusão que determina o nível de disseminação da inflação entre os grupos que a compõem ficou em 69,3%, enquanto a média dos núcleos da inflação (expurgam os componentes voláteis do indicador) variou 6,8% em termos anuais. Diante desse cenário, para o ano fechado de 2015 projetamos inflação de 8,0%, e em 2016 esperamos desaceleração do IPCA para 5,5%. 9.5% 9.0% 8.5% 8.0% 7.5% 7.0% 6.5% 6.0% % 5.0% 7.2% 9.0% 6.7% 6.6% Jan-12 Mar-12 May-12 Jul-12 Sep-12 Nov-12 Jan-13 Mar-13 May-13 Jul-13 Sep-13 Nov-13 Jan-14 Mar-14 May-14 Jul-14 Sep-14 Nov-14 Jan-15 Mar-15 Fonte: IBGE, BRAM IPCA - 15 (%) IPCA-15 (Total) IPCA-15 (Serviços) 8.1% 7.9% 7.0% 6.5% 6.0% % mai-13 IPCA-15: Média dos Núcleos - A/A 6.8% 6.6% 6.7% 6.1% Fonte: IBGE, BRAM nov-13 mai-14 nov-14 mar-15 Na próxima semana os principais destaques na agenda global ficam por conta da divulgação do CPI dos Estados Unidos e Japão e os indicadores de confiança (PMI) da Europa, China e Japão. Internamente, os destaques são para a divulgação da arrecadação federal de fevereiro, da revisão metodológica do PIB de 2012 a 2014 (incluindo o resultado do quarto trimestre do ano passado) e o Relatório Trimestral de Inflação. 4

5 INDICADORES DE MERCADO Estrutura a Termo de Juros no Brasil (Vértices DI) - % DI Jan16 DI Jan17 DI Jan21 20-mar mar Yield da NTN-B (%) NTN-B 2017 NTN-B mar mar-15 Moedas¹ Cotação Variação Semanal Mês Ano 12 Meses Franco Suíço % -6.00% 1.57% -9.71% Euro % -4.63% % % Libra % -1.19% -4.47% -9.83% Dolar Canadense % 1.05% -7.77% % Dolar Australiano % -0.17% -5.21% % Rublo Russo % 16.42% 1.79% % Iene (Japão) % -2.53% -0.63% % Yuan (China) % 0.74% 0.01% 0.39% India % -0.96% 0.92% -1.82% Real % % % % Peso Chileno % 0.09% -4.38% % Peso Mexicano % -0.66% -2.15% % Peso Colombiano % -5.68% -8.14% % Sol Peruano % -1.04% -3.60% -8.91% Lira Turca % -5.43% -9.56% % Bangladesh Taka % -0.42% 0.15% -0.23% Commodities, Juros e Risco Cotação Variação Semanal Mês Ano 12 Meses CRB % -2.07% -5.49% % CRB (em Reais) % 20.16% 17.06% 19.73% Petróleo BRENT % -1.08% -9.13% % Libor USD 3m Libor EUR 3m Título 10 anos Itália Título 10 anos Alemanha Título 10 anos EUA CDS Brasil 5 anos VIX Bolsas² Cotação Variação Semanal Mês Ano 12 Meses S&P 500 Index 2, % 5.64% 2.36% 12.58% Dow Jones 18, % 5.75% 1.84% 11.15% CAC (França) 5, % 10.73% 19.32% 17.80% DAX (Alemanha) 12, % 12.87% 23.10% 29.84% FTSE 100 (Inglaterra) 7, % 3.95% 6.85% 7.24% Nikkei 225 (Japão) 19, % 10.67% 12.09% 37.51% Shangai (China) 3, % 12.70% 11.85% 81.66% Ibovespa 51, % 10.24% 3.41% 9.38% Dados atualizados às 12:30 (1) Variações positivas das moedas significam valorização em relação ao dólar (2) Índices acionários medidos em moeda local 5

6 CALENDÁRIO E PROJEÇÕES Data Evento País Período BRAM Consenso Anterior 23/3 até 27/3 - Coleta de impostos Brasil Fev M M - Anúncio da TJLP Brasil Abr % - Indicadores antecedentes China Fev Segunda 23-mar 09:30 Índice de Atividade - Fed Chicago EUA Fev % 11:00 Vendas de Casas Usadas EUA Fev M 4.82M 12:00 Confiança do Consumidor Z. Euro Mar Terça 24-mar 06:00 PMI Indústria Z. Euro Mar :00 PMI Serviços Z. Euro Mar :00 PMI Composto Z. Euro Mar :30 Preços ao Consumidor - CPI (M/M) EUA Fev % -0.70% 09:30 Preços ao Consumidor - CPI (A/A) EUA Fev % -0.10% 09:30 Preços ao Consumidor - CPI Núcleo (M/M) EUA Fev :30 Nota à Imprensa: Transações Correntes Brasil Fev -- -$8344M -$10654M 11:00 Vendas de Casas Novas EUA Fev K 481K Quarta 25-mar 09:30 Pedidos de Bens Duráveis EUA Fev % 2.80% 09:30 Pedidos Bens de Capital ex Defesa e Aviação EUA Fev % 0.60% 10:30 Nota à Imprensa: Política Monetária e Crédito Brasil Fev Quinta 26-mar 08:30 Relatório Trimestral de Inflação Brasil 1T :00 Taxa de Desemprego Brasil Fev 5.70% % 09:30 Novos Pedidos Seguro-Desemprego EUA K 291K 20:30 Inflação Nacional (A/A) Japão Fev % 2.40% Sexta 27-mar 09:00 PIB (T/T) Brasil % 0.00% 0.10% 09:00 PIB (A/A) Brasil % -0.70% -0.20% 09:30 PIB (T/T anualizado) EUA 4T % 2.20% Projeções Macroeconômicas - BRAM PIB (% ao ano) 7.5% 2.7% 0.9% 2.5% 0.0% -0.8% 1.5% Taxa de Inflação - IPCA (% a.a.) 5.9% 6.5% 5.8% 5.9% 6.4% 8.0% % Taxa de Inflação - IGP-M (% a.a.) 11.3% 5.1% 7.8% % 3.7% 6.2% 6.0% Taxa Selic (final do ano) 10.75% 11.00% 7.25% 10.00% 11.75% 13.50% 11.50% Taxa Selic (média do ano) 10.00% 11.75% 8.46% 8.44% 10.88% 12.63% 12.50% R$/US$ média do ano R$/US$ final do ano (Média - Mês de Dezembr Exportações (US$ bilhões) Importações (US$ bilhões) Balança Comercial (US$ bilhões) Balanço em Conta-Corrente (US$ bilhões) Balanço em Conta-Corrente (% do PIB) Superávit Primário (% PIB) Dívida Líquida (% PIB) Dívida Bruta (% PIB)

7 FERNANDO HONORATO BARBOSA Economista-chefe DANIEL XAVIER FRANCISCO JOSE LUCIANO DA SILVA COSTA HUGO RIBAS DA COSTA MIRELA SCARABEL THIAGO NEVES PEREIRA Tel.: Material produzido em 20/03/2015 às 17h00 Outras edições estão disponíveis no Site: item Informações aos Investidores / Nossa visão / Informativos de Macroeconomia. As opiniões, estimativas e previsões apresentadas neste relatório constituem o nosso julgamento e estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio, assim como as perspectivas para os mercados financeiros, que são baseadas nas condições atuais de mercado. Acreditamos que as informações apresentadas aqui são confiáveis, mas não garantimos a sua exatidão e informamos que podem estar apresentadas de maneira resumida. Este material não tem intenção de ser uma oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. BRAM - Bradesco Asset Management é a empresa responsável pela atividade de administração de recursos de terceiros do Banco Bradesco S.A. BRAM - Bradesco Asset Management - Todos os direitos reservados. 7

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