Panorama Econômico Abril de 2014

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1 1 Panorama Econômico Abril de 2014

2 Alerta Esta publicação faz referência a análises/avaliações de profissionais da equipe de economistas do Banco do Brasil, não refletindo necessariamente o posicionamento da Instituição sobre os temas aqui tratados. Os dados são informativos e altamente dependentes das hipóteses adotadas e não devem ser tomados como base, balizamento, guia ou norma para quaisquer documentos, avaliações, julgamentos ou tomadas de decisões, sejam de natureza formal ou informal. Desse modo, todas as consequências ou responsabilidades pelo uso de quaisquer dados ou análises são assumidas exclusivamente pelo usuário, eximindo o Banco do Brasil de todas as ações decorrentes do uso deste material. Além disso, o Banco do Brasil não se responsabiliza por atualizar qualquer estimativa contida nesta publicação. 2

3 Estados Unidos 3

4 Estados Unidos Indústria e comércio em recuperação A economia norte-americana voltou a dar sinais de recuperação dos efeitos adversos de um inverno mais rigoroso. As vendas no varejo cresceram em 1,1% em março, vindo de 0,7% em fevereiro. Com o maior crescimento mensal desde setembro de 2012, o bom desempenho do comércio foi influenciado principalmente pelo mercado de veículos e motos. A mesma tendência foi também verificada na produção manufatureira, que expandiu 0,7% em março em relação a fevereiro. 4

5 Estados Unidos Mercado de trabalho surpreende Os dados do mês de abril do mercado de trabalho surpreenderam positivamente. Após 4 meses de relativa estabilidade, a taxa de desemprego passou de 6,7% para 6,3% da população economicamente ativa entre fevereiro e abril. Chamou atenção também a forte criação de postos de trabalho (288 mil vagas), melhor resultado desde janeiro de De acordo com a pesquisa Bloomberg, o mercado esperava um desemprego de 6,6% e a criação de 218 mil vagas. 5

6 Estados Unidos Mercado imobiliário Com o resultado de março, as vendas de casas já existentes se mostraram praticamente estáveis pelo terceiro mês consecutivo. Já as vendas de casas novas, após recuo de 4,5% em fevereiro, despencaram 14,5% em março, surpreendendo o mercado, que esperava uma expansão de 2,3%, segundo a mediana da pesquisa Bloomberg. Esses dados podem sugerir que a deterioração do mercado imobiliário norteamericano vai além dos efeitos adversos do inverno no começo do ano. 6

7 Estados Unidos Boas perspectivas O indicador ISM Composto, que inclui manufaturas e serviços, passou de 51,80 pontos em fevereiro para 53,20 pontos em março. Como valores acima de 50 indicam expansão da atividade econômica, esse dado corrobora a percepção de continuidade da recuperação dos EUA. 7 Nessa mesma linha, o nível de confiança dos consumidores calculado pela Universidade de Michigan sinalizou um aumento no otimismo do norte-americano, registrando 84,1 pontos em abril e superando as expectativas do mercado (83 pontos, conforme pesquisa Bloomberg).

8 Estados Unidos Produto Interno Bruto Influenciado pelo clima adverso do início do ano, o PIB desacelerou fortemente no primeiro trimestre. Vindo de 2,6% no trimestre anterior (taxa anualizada e sazonalmente ajustada) a economia avançou somente 0,1% de janeiro a março de Esse crescimento quase nulo surpreendeu o mercado, que esperava uma expansão de 1,2%, segundo a mediana da pesquisa Bloomberg. Em relação aos seus componentes, o destaque do PIB ficou por conta do consumo. Essa variável, responsável por aproximadamente 70% do PIB, cresceu 3% nessa leitura (3,3% no trimestre anterior) 8

9 Estados Unidos Política monetária Apesar da deterioração do mercado imobiliário e fraco resultado do PIB, os últimos indicadores de atividade, principalmente os de emprego, corroboram a percepção do Fed de que a economia dos EUA está em um processo de recuperação mais sólido. Além disso, os indicadores coincidentes/antecedentes também mostram que a melhora da avaliação da economia não se restringiu ao banco central norteamericano, mas também parece ser compartilhada por parcela importante do mercado. De fato, na última reunião do Fed viu-se que a autoridade monetária se manteve confiante na continuidade do processo de recuperação econômica, decidindo assim prosseguir com a redução nos incentivos monetários à atividade econômica (o chamado tapering). 9

10 Área do Euro 10

11 Europa Comércio e indústria: bons resultados Vindo de um aumento de 1% em janeiro, as vendas no varejo da área do euro surpreenderam o mercado ao subirem novamente em fevereiro (0,4%), contra uma expectativa de queda de 0,5%, conforme pesquisa Bloomberg. Na mesma direção, a produção industrial da região avançou 0,2% em fevereiro após ter ficado estável em janeiro. Em termos interanuais, o crescimento da indústria foi 1,7%, perfazendo o sexto mês consecutivo de evolução nessa base de comparação. 11

12 Europa Melhora nas expectativas A prévia do sentimento do consumidor europeu sinaliza ligeira melhora do indicador para o mês de abril. Assim, mesmo com a tensão entre Ucrânia e Rússia, esse indicador mostrou otimismo do consumidor no mês de abril, que pode refletir em aumento nas vendas do comércio nos próximos meses. Da mesma forma, a prévia do PMI Composto também indica otimismo entre os gerentes de compra e sugere nova elevação em relação ao observado em março (53,1 pontos). O PMI Composto europeu vem se mantendo acima de 50 pontos desde junho de 2013, o que reforça a percepção de recuperação da atividade econômica. * 12 * Prévia do indicador

13 Europa Inflação e Política Monetária A inflação ao consumidor da área do euro manteve a tendência de desaceleração. A variação acumulada em 12 meses em março foi de 0,5%, uma leitura ainda mais baixa do que a verificada em fevereiro (0,7%). O patamar de março foi o menor desde novembro de Nesse contexto, aumentaram as especulações sobre a adoção de um programa de expansão monetária similar ao realizado nos Estados Unidos por parte do Banco Central Europeu nas próximas reuniões do BCE. 13

14 China 14

15 China Comércio e indústria: crescimento modesto Após ter atingido em fevereiro (11,8%) a menor taxa anual de crescimento desde janeiro de 2005, as vendas no varejo voltaram a se acelerar em março, quando apresentaram expansão anual de 12%. Mas ainda é cedo para sugerir uma nova tendência para a variável. Na mesma direção, ainda que de forma mais suave, o crescimento anual da produção industrial avançou na passagem de fevereiro (8,6%) para março (8,7%). 15 Apesar disso, em uma comparação de mais longo prazo, mantém-se a trajetória de desaceleração do indicador.

16 China PIB corrobora cenário de baixo crescimento De fato, os sinais de desaceleração da atividade econômica se materializaram com a divulgação do PIB do primeiro trimestre, que fechou em 1,4% (tri./tri. anterior, série dessazonalizada), valor levemente abaixo do esperado pelo mercado (1,5%), conforme pesquisa realizada pela Bloomberg. Em relação a igual período de 2013, o crescimento também apresentou redução, passando de 7,7% para 7,4%. 16

17 Brasil 17

18 Brasil Setor Externo: conta corrente e IED As contas externas não sofreram alterações substanciais na passagem de fevereiro para março. Dessa forma, o saldo em conta corrente em doze meses acumulou déficit de US$ 81,6 bilhões (-3,6% do PIB). Apesar do deficit em transações correntes em patamares elevados, o balanço de pagamentos apresentou superávit pelo terceiro mês consecutivo. Esse resultado decorre do forte aumento de ingressos líquidos via conta capital-financeira, principalmente via investimentos em carteira. 18

19 Brasil Taxa de câmbio As incertezas em relação aos próximos passos da política monetária nos EUA e Europa têm propiciado um ambiente menos adverso para as economias emergentes. Isso vem se refletindo num aumento do fluxo de recursos para aplicações financeiras (renda variável e fixa) em mercados emergentes. No caso do Brasil esse processo é intensificado pelo diferencial de juros dos mercados doméstico e internacional. 19 Esse movimento explica a tendência de apreciação da taxa de câmbio doméstica, que passou de uma taxa média de R$ 2,33 /US$ em março para R$ 2,23/ US$ em abril.

20 Brasil Vendas no varejo As vendas do comércio varejista cresceram 0,2% em fevereiro, vindo de alta de 0,4% em janeiro. No acumulado em 12 meses, as vendas cresceram 5,0%, interrompendo, mesmo que momentaneamente, a tendência de desaceleração das vendas observada desde o início de O comércio varejista ampliado, que inclui veículos e material de construção, apresentou retração mensal de 1,6%, em grande parte puxada pela queda de 7,4% na comercialização de veículos. 20 Apesar da retração, o indicador em doze meses inverteu a trajetória decrescente percebida desde 2013.

21 Brasil Produção industrial A produção industrial registrou em fevereiro expansão de 0,4%. Com o desempenho de janeiro (3,8%), a produção acumulada no primeiro bimestre de 2014 (4,2%) compensou as perdas registradas no último bimestre de 2013 (4,2%). Nos últimos doze meses, a produção fabril tem mantido trajetória de crescimento em torno de 1,0%. Dos 27 ramos da indústria pesquisados, 19 apresentaram evolução positiva na margem, com destaque para o setor de veículos, que apresentou a segunda alta mensal consecutiva e acumula crescimento de 16,8% no primeiro bimestre de

22 Brasil Índice de Atividade Econômica: IBC-Br O desempenho moderado da indústria e do comércio refletiu sobre o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC- Br), proxy mensal do PIB. Em fevereiro, o IBC-Br avançou 0,2%, após registrar importante incremento em janeiro (2,4%). A despeito da desaceleração mensal, o indicador da média móvel de três meses do IBC-Br retornou ao terreno positivo (+0,1%), porém ainda se mostrou insuficiente para contrapor a desaceleração observada nos últimos dois meses. 22

23 Brasil Mercado de trabalho: emprego e renda Em que pese o crescimento mais modesto da atividade econômica, os dados de mercado de trabalho de março revelam que a taxa de desemprego continua baixa para padrões históricos. A taxa de desemprego medida pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) alcançou 5,0% em março, o que equivale ao menor percentual para o mês de toda a série histórica iniciada em março de O rendimento médio real, estimado em R$ 2.026,60 em março, ficou praticamente no mesmo patamar de fevereiro (R$ 2.033,60). 23

24 Brasil Mercado de trabalho: PNAD Contínua A taxa de desemprego calculada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) atingiu 6,2% no 4º trimestre de 2013, queda de 0,7 ponto percentual se comparada ao último trimestre de Com isso, o desemprego médio atingiu 7,1% ao longo de 2013 e ficou abaixo da média observada em 2012 (7,3%). A PNAD Contínua é uma pesquisa que possui abrangência nacional, periodicidade trimestral e traça um retrato mais amplo do mercado de trabalho no País, permitindo uma melhor compreensão da distribuição da população ocupada e desocupada para cada região do país. 24

25 Brasil Crédito: volume total O volume de empréstimos do sistema financeiro alcançou R$ 2.759,5 bilhões em março, incremento de 1,0% em relação a fevereiro. Entretanto, o resultado mensal positivo não foi capaz de conter a trajetória de desaceleração da variação apurada em doze meses, que passou de 14,6% para 13,7%. Em termos de percentagem do PIB, o crédito avançou marginalmente de 55,8% para 55,9%. 25

26 Brasil Crédito: condições de financiamento As condições de financiamento, de modo geral, permaneceram relativamente estáveis em março: o prazo médio das concessões de empréstimo avançou para mais de 103 meses em março; a taxa média geral de juros subiu marginalmente, de 21,0% para 21,1% a.a. entre fevereiro e março; a inadimplência manteve-se no mesmo patamar verificado em fevereiro. 26

27 Brasil Inflação: IPCA O índice oficial do regime de metas de inflação, IPCA, acelerou em março, ao registrar variação de 0,92%, vindo de 0,69% em fevereiro. Com a maior pressão em março, nos últimos doze meses o índice manteve a tendência de elevação, ao registrar taxa de 6,15%. 27 Os preços agropecuários no atacado apresentaram importante avanço durante o primeiro trimestre em resposta aos aumentos na cotação das commodities no cenário internacional e aos efeitos da estiagem no começo do ano, o que deve continuar impactando os preços no varejo por algum tempo. A inflação no mês foi pressionada principalmente pelo aumento dos gastos com alimentação e bebidas......enquanto os itens comunicação, educação, habitação e artigos de residência arrefeceram.

28 Brasil Copom: Taxa de juros Em um cenário em que o balanço de riscos inflacionários permanece desfavorável, o Comitê de Política Monetária (Copom) deu continuidade ao ciclo de elevação da taxa básica de juros e decidiu, por unanimidade, aumentar a taxa básica de juros em 25 pontos base na reunião de abril. Com isso a Selic alcançou 11,00% ao ano. 28

29 Brasil Política fiscal: DLSP/PIB e superávit primário Em relação à política fiscal, o superavit primário do setor público não financeiro em março atingiu R$ 3,6 bilhões, contra R$ 3,5 bilhões no mesmo mês de Com isso, nos últimos doze meses, o resultado fiscal manteve-se estável em 1,7% do PIB. A dívida líquida do setor público cresceu 0,5 p.p. em relação a fevereiro e atingiu 34,2% do PIB. O aumento da DLSP entre fevereiro e março foi reflexo, principalmente, da apreciação cambial de 3,0% no período. 29

30 Brasil Expectativas do mercado As últimas projeções do mercado mostraram ajustes marginais em comparação a março. O destaque ficou por conta da Balança Comercial, que passou de uma expectativa para 2014 de US$ 4,6 bilhões em março, para US$ 3,0 bilhões em abril, trazendo reflexos negativos sobre o saldo em transações correntes Fiscal Resultado primário (% PIB) 2,38 1,90 1,50 2,00 Dívida Líquida setor público (% PIB) 35,13 33,80 34,85 35,00 Juros e Inflação acum. no ano SELIC ( final de período % ) 7,25 10,00 11,25 12,00 SELIC (média no ano %) 8,46 8,44 11,06 12, PIB PIB taxa de cresc real (em%) 0,9 2,3 1,7 2,0 Taxa de câmbio e balanço externo Taxa de câmbio final de período (R$/US$) 2,04 2,34 2,45 2,50 Balança comercial - US$ bilhões 19,3 2,6 3,0 10,0 Exportação - US$ bilhões 242,6 242,2 246,5 265,0 Importação - US$ bilhões -223,1 239,6-243,5-250,0 Conta Corrente - US$ bilhões -54,2-81,4-77,1-75,6 Fontes: IBGE e Banco Central - Expectativas de Mercado 25/04/2014 A inflação medida pelo IPCA e IGP- M, tanto para 2014 quanto para 2015, também sofreu deterioração, mostrando que o mercado enxerga ameaças inflacionárias no cenário prospectivo. IPCA - % 5,84 5,91 6,50 6,00 IGP-DI - % 8,11 5,53 7,34 5,50 30 Juros Reais (SELIC/IPCA ac. em 12 meses) 2,48 2,39 4,28 5,66 Fontes: IBGE e Banco Central - Expectativas de Mercado 25/04/2014

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