CONJUNTURA ECONÔMICA

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1 CONJUNTURA ECONÔMICA O mês de março de 2015 foi marcado pelo anúncio dos principais resultados da economia de 2014 e deste início de Dentre eles destacaramse o PIB, taxa de desemprego nas principais regiões metropolitanas no país e novamente discussões sobre a inflação. Em 2014, o consumo das famílias cresceu apenas 0,89% e da administração pública 1,35%. Enquanto que a formação bruta de capital fixo (FBCF) e as exportações reduziram respectivamente 4,40% e 1,07%. Diante desse cenário mais estagnado, a taxa de desemprego voltou a acelerar em fevereiro de 2015 e registrou 5,9%, maior taxa desde junho de Com a desaceleração do consumo, os resultados do PIB, de acordo com dados do IBGE, demonstraram uma estagnação da economia brasileira em 2014, ao registrar um leve crescimento de 0,1%, em relação ao ano passado (descontando os efeitos da inflação e sazonalidade) pior variação anual desde A soma de bens e serviços finais produzidos pela economia atingiu R$ 5,52 trilhões. O setor que mais puxou o resultado do PIB para baixo foi o industrial que apresentou queda de 1,15%. Queda essa que está se estendendo durante o ano de 2015, uma vez que a produção industrial de fevereiro de 2015 já caiu 0,9% em relação a janeiro. Na comparação ao mesmo período do ano passado essa queda foi ainda mais significativa (-9,1%). No acumulado de 12 meses caiu 4,5%. Nesse contexto, a agropecuária pode ter contribuído para que o resultado do PIB não fosse ainda a menores proporções, ao registrar uma leve variação positiva de 0,4%, apesar de sua participação no PIB total de apenas 5,59%. Outro setor amenizador desses resultados foi o de serviços que cresceu 0,7% (e que representa 59,61% do PIB). Além do consumo freado, a inflação de custo também tem prejudicado o desempenho da indústria e da agropecuária. Somente o óleo diesel acumulou em 12 meses (fevereiro de 2014 a fevereiro de 2015) uma inflação de 11,15%. Combustível esse utilizado nas máquinas e equipamentos e também no escoamento da produção por meio do transporte externo. Apesar da queda no preço do barril de petróleo, houve um desprendimento das tendências a partir de novembro de 2014 do preço do petróleo e do óleo diesel, período em que ficou mais evidente a oposição nos comportamentos. Isso não significa que a cotação no mercado internacional do petróleo não interfira no preço do óleo diesel, mas que existem outras variáveis, cujas influências superaram a da variação do barril de petróleo. Tais como o aumento do PIS e COFINS, que fazem parte do projeto de medidas fiscais restritivas, voltadas a redução do consumo (HORA 1, 12/02/2015; Folha de São Paulo, 19/01/2015). Aliado a isso, destacaram-se os escândalos de corrupção da Petrobrás. 1

2 1996.IV 1997.I 1997.II 1997.III 1997.IV 1998.I 1998.II 1998.III 1998.IV 1999.I 1999.II 1999.III 1999.IV 2000.I 2000.II 2000.III 2000.IV 2001.I 2001.II 2001.III 2001.IV 2002.I 2002.II 2002.III 2002.IV 2003.I 2003.II 2003.III 2003.IV 2004.I 2004.II 2004.III 2004.IV 2005.I 2005.II 2005.III 2005.IV 2006.I 2006.II 2006.III 2006.IV 2007.I 2007.II 2007.III 2007.IV 2008.I 2008.II 2008.III 2008.IV 2009.I 2009.II 2009.III 2009.IV 2010.I 2010.II 2010.III 2010.IV 2011.I 2011.II 2011.III 2011.IV 2012.I 2012.II 2012.III 2012.IV 2013.I 2013.II 2013.III 2013.IV 2014.I 2014.II 2014.III 2014.IV Para entender esse impacto do PIS e COFINS, é necessário frisar como ocorre a composição de preços. Somente no caso da gasolina, 18% do preço trata-se de margem de distribuição e revenda, 12% custo com etanol anidro, 27% ICMS, 11% CIDE, PIS/PASEP e COFINS, por fim 32% realização da Petrobrás (PETROBRÁS, abril/2015). No caso do aumento do PIS e COFINS, poderá alterar o percentual de 11% que impacta sobre o preço. Apesar desse aumento, o preço da gasolina do Brasil não está entre os mais altos do mundo, atualmente está em 93º lugar no ranking mundial (Global PetrolPrices, 06/04/2015). Na América do Sul e Central, o Brasil posiciona-se como segundo maior produtor de petróleo, perdendo apenas para a Venezuela (2013). Apesar disso, o país não tem o petróleo como uma das principais bases econômicas, como na Rússia, mas como um dos fatores que exerce impactos sobre o custo de produção (BP, 2014). Desde que os escândalos da Petrobrás não inibam a produção de petróleo, não haveria motivos para aumento no preço de seus derivados. Quando esse escândalo prejudica o fechamento das contas da empresa, a sobretaxação funcionará como um mecanismo para amenizar os impactos. Conta essa paga diretamente pelos produtores e indústrias, indiretamente pelos consumidores finais. Além do óleo diesel, o câmbio valorizado poderá influenciar a compra de insumos importados para a produção agropecuária das safras subsequentes. No acumulado de 12 meses o câmbio valorizou 43,70%. Podendo aumentar o custo de produção. Estimativa elaborada pelo Departamento de Análise Econômica (DECON) do Sistema Famasul dão conta que o impacto da valorização de 43,7% do câmbio deva elevar em 7,04% o custo total da cultura da soja transgênica RR1, por hectare, em Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Embrapa Agropecuária Oeste, os fertilizantes que são importados respondem por 17,6% do custo total ou R$ 379,75 por hectare, considerando um cenário em que o repasse da variação do câmbio seja total sobre o custo com fertilizantes por hectare, este chegaria a R$ 531,19. Já o custo final passaria de R$ 2.151,64 por hectare para R$ 2.303,08 por hectare. Gráfico 1: Variações do PIB agropecuário e PIB total brasileiro no acumulado ao longo do ano PIB Agropecuário PIB Total Fonte: IBGE Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL 2

3 28/03/ /04/ /04/ /04/ /05/ /05/ /05/ /06/ /06/ /06/ /07/ /07/ /07/ /08/ /08/ /08/ /09/ /09/ /09/ /10/ /10/ /10/ /11/ /11/ /11/ /12/ /12/ /12/ /01/ /01/ /01/ /02/ /02/ /02/ /03/ /03/ /03/2015 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14 jun/14 jul/14 ago/14 set/14 out/14 nov/14 dez/14 jan/15 fev/15 Gráfico 2 : Evolução da taxa de desemprego nas principais regiões metropolitanas mar/02 fev/03 jan/04 dez/04 nov/05 out/06 set/07 ago/08 jul/09 jun/10 mai/11 abr/12 mar/13 fev/14 jan/15 Fonte: IBGE Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL Gráfico 3: Comportamento do preço do óleo diesel em Mato Grosso do Sul e cotação no mercado internacional do petróleo Petróleo Óleo diesel ,100 2,900 2,700 2,500 2,300 2,100 1,900 Fonte: BP, 2015; ANP, 2015 Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL Gráfico 4: Acumulado de 12 meses da taxa de câmbio US$/R$ 3,50 3,30 3,10 2,90 2,70 2,50 2,30 2,10 1,90 1,70 1,50 Fonte: BACEN Elaboração: DECON/ SISTEMA FAMASUL 3

4 SOJA MERCADO INTERNO DA SOJA O mês de abril começou com desvalorização no preço médio da soja em grãos em MS. A saca de 60 kg de soja recuou em média 3,19%, encerrando a primeira semana em R$ 57,16. Dentre as praças pesquisadas, Campo Grande registrou a maior desvalorização dentro da semana, 5,17%, encerrando o período em R$ 55,00/sc. O preço máximo foi verificado em Chapadão do Sul, R$ 59,00, já o menor preço foi observado em Sidrolândia, São Gabriel do Oeste e Campo Grande, R$ 55,00. Em relação às regiões, o Nordeste apresenta as melhores cotações, R$ 59,00, já a região central do Estado apresenta os menores preços, R$ 55,00. Tabela 1 - Preço médio da Soja em MS - Período: 01 a 07/Abr - Em R$ por saca de 60 Kg Praça Var. % Caarapó 58,00 58,00 57,00 57,00-1,72 Campo Grande 58,00 58,00 55,00 55,00-5,17 Chapadão do Sul 59,00 59,00 57,50 57,70-2,20 Dourados 59,00 59,00 58,00 57,00-3,39 Maracaju 58,00 58,00 56,00 56,00-3,45 Ponta Porã 58,00 58,00 57,00 57,00-1,72 São Gabriel do Oeste 57,00 57,00 55,00 55,00-3,51 Sidrolândia 57,50 57,50 55,00 55,00-4,35 Preço Médio 58,06 58,06 56,31 56,21-3,19 Fonte: Granos Corretora Elaboração: DECON/ FAMASUL Gráfico 5 - Comportamento dos Preços Internos de Mato Grosso do Sul (R$/SC) 60,00 59,00 58,00 57,00 56,00 55,00 54,00 53,00 52,00 57,70 55,00 Caarapó Campo Grande Chapadão do Sul Dourados Maracaju Ponta Porã São Gabriel do Oeste Sidrolândia Fonte: Granos Corretora Elaboração: DECON/ FAMASUL 4

5 MERCADO FUTURO DA SOJA CBOT/CHICAGO O inicio de abril foi de desvalorização nas cotações internacionais da soja em Chicago/EUA. O contrato com vencimento em maio de 2015 encerrou o período com queda de 1,5%, saindo de US$ 9,86, em 01/Abr, para US$ 9,71 em 07/Abr. Os contratos de julho e agosto apresentaram o mesmo comportamento, recuo de 1,9% e 1,5%, com o bushel 1 encerrando o período cotado a US$ 9,76 e US$ 9,75, respectivamente. O contrato setembro/15 encerrou o período com o menor recuo, 1,3% e o bushel cotado a US$ 9,68. Dentre os fatores que explicam estes recuos destacam-se, a expectativa de expansão de área nos Estados Unidos, segundo o USDA, a área deve chegar a 34,2 milhões de hectares, outro fator baixista, é a expectativa de safra recorde na América do Sul e finalmente, o forte recuo nos embarques semanais de soja dos EUA, apenas 27 mil/ton da safra atual, na semana anterior haviam sido 500 mil toneladas. Mas o clima direcionará a formação de preços no mercado internacional assim que começar a semeadura do grão nos Estados Unidos. Internamente, o destaque tem sido os prêmios de porto (gráfico 10) reflexo da demanda aquecida pela soja brasileira que possui melhor qualidade que a estadunidense. O contrato abril/15 avançou 10% e chegou a 0,44 centavos de dólar sobre o bushel negociado em Chicago, o vencimento maio/15 acelerou 13,2% com um ágio de 0,43 centavos de dólar por bushel. Outro fator de sustentação das cotações no mercado interno tem sido o câmbio valorizado, mesmo com a recente volatilidade. Gráfico 6 - Mercado Futuro da Soja - Em dólares por Bushel - CBOT Fechamento 10,00 9,95 9,90 9,85 9,80 9,75 9,70 9,65 9,60 9,55 9,50 9,76 9,71 9,68 mai/15 jul/15 ago/15 set/15 Fonte: SIM CONSULT Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL 1 Unidade de medida de volume, que em quilos corresponde aproximadamente á 27,21 Kg. 5

6 Gráfico 7 - Farelo de Soja - Bolsa de Chicago - (US$/Ton) 335,00 330,00 325,00 320,00 315,00 318,00 310,00 mai/15 ago/15 jul/15 set/15 Fonte: CME Group/Notícias Agrícolas Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL Gráfico 8 - Farelo de Soja EUA - (US$/Ton) 368,00 366,00 364,00 362,00 360,00 358,00 356,00 354,00 352,00 350,00 348,00 365,85 Fonte: Biomercado Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL Gráfico 9 - Mercado Futuro da Soja - Em US$ por saca de 60Kg - BMF&BOVESPA Fechamento 21,80 21,70 21,60 21,50 21,40 21,45 21,30 21,20 21,10 mai/15 Fonte: BM&F Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL 6

7 Gráfico 10 - Prêmio Soja - Porto de Paranaguá/PR (US$/Bushel) 0,52 0,47 0,42 0,37 0,32 0,27 0,22 abr/15 mai/15 jun/15 jul/15 Fonte: SIM Consult Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL Gráfico 11 - Soja Paranaguá/PR - (R$/sc de 60Kg) 72,00 70,00 68,00 66,00 64,00 64,34 62,00 60,00 Fonte: Cepea/Esalq Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL Gráfico 12 - Preço médio da Soja por Unidade Federativa - (R$/sc de 60Kg) 63,00 62,00 61,00 60,00 59,00 58,00 57,00 56,00 55,00 62,13 62,00 60,50 60,00 59,25 57,70 GO MS MT PR RS SC Fonte: Biomercado Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL 7

8 MILHO MERCADO INTERNO DO MILHO A saca de 60 Kg de milho teve discreta valorização na primeira semana de abril. A cotação média do cereal avançou 1,44%, e ficou em R$ 21,91. Dentre as praças pesquisadas, Caarapó, Chapadão do Sul, Dourados, Maracaju e São Gabriel do Oeste não registraram qualquer variação ao logo Os destaques positivos foram Campo Grande, alta de 4,55%, Ponta Porão, avanço de 4,76% e Sidrolândia, valorização de 2,38%. O preço máximo foi observado em Dourados, R$ 23,00, já o preço mínimo foi observado no município de São Gabriel do Oeste, R$ 21,00. da semana. Tabela 2 - Preço médio do Milho em MS - Período: 01 a 07/Abr de Em R$ por saca de 60 Kg Praça Var. % Caarapó 22,00 22,00 22,00 22,00 0,00 Campo Grande 22,00 22,00 23,00 23,00 4,55 Chapadão do Sul 23,00 23,00 23,00 23,00 0,00 Dourados 23,00 23,00 23,00 23,00 0,00 Maracaju 21,00 21,00 21,00 21,00 0,00 Ponta Porã 21,00 21,00 22,00 22,00 4,76 São Gabriel do Oeste 21,00 21,00 21,00 21,00 0,00 Sidrolândia 21,00 21,00 21,50 21,50 2,38 Preço Médio 21,75 21,75 22,06 22,06 1,44 Fonte: Granos Corretora Elaboração:DECON/ FAMASUL 23,50 Gráfico 13 - Comportamento dos Preços Internos de Mato Grosso do Sul (R$/SC) 23,00 22,50 23,00 22,00 21,50 21,00 20,50 20,00 21,50 21,00 Caarapó Campo Grande Chapadão do Sul Dourados Maracaju Ponta Porã São Gabriel do Oeste Sidrolândia Fonte: Granos Corretora Elaboração: DECON/FAMASUL 8

9 MERCADO FUTURO DO MILHO CBOT/CHICAGO Os contratos futuros do milho negociados em Chicago/EUA divergindo do movimento observado para a soja obtiveram leve apreciação no inicio de abril. O contrato com vencimento mai/15, o único a recuar no período, caiu 1,0%, com o bushel ficando em US$ 3,83. Já o contrato jul/15 avançou 0,3% com o bushel encerrando o período a US$ 3,91. Os contratos avançaram 0,3% cada um, mas apenas o dezembro/15, rompeu a barreira dos US$ 4,00 por bushel, fechando em US$ 4,08. Apesar da aparente estabilidade, a pressão sobre as cotações do milho são negativas, dado os números de aumento de área e estoque nos Estados Unidos além do recente recuo do dólar frente a outras moedas. com vencimento em setembro/15 e dezembro/15 Gráfico 14 - Mercado Futuro do Milho - Em dólares por Bushel - CBOT Fechamento 4,15 4,10 4,05 4,00 3,95 3,90 3,85 3,80 3,75 3,70 3,65 4,08 3,99 3,91 3,83 mai/15 jul/15 set/15 dez/15 Fonte: SIM CONSULT Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL Gráfico 15 Milho EUA - (US$/Ton) 157,00 156,00 155,00 154,00 153,00 152,00 151,00 150,00 149,00 148,00 147,00 150,29 Fonte: Biomercado Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL 9

10 Gráfico 16 Indicador Cepea-Esalq-BM&FBOVESPA - Milho - (R$/sc de 60Kg) 29,40 29,30 29,20 29,10 29,00 28,90 28,95 28,80 28,70 Fonte: Cepea/Esalq Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL Gráfico 17 - Mercado Futuro do Milho - Em R$ por saca de 60Kg - BMF&BOVESPA Fechamento 30,00 29,50 29,00 29,45 28,91 28,50 28,00 27,50 27,00 27,76 mai/15 set/15 jul/15 Fonte: BM&F Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL Gráfico 18 - Preço médio do Milho por Unidade Federativa - (R$/sc de 60Kg) 25,50 24,50 23,50 22,50 21,50 20,50 19,50 18,50 17,50 16,50 25,00 24,50 23,10 22,83 20,20 19,00 GO MS MT PR RS SC Fonte: Biomercado Elaboração: DECON/SISTEMA FAMASUL 10

11 REALIZAÇÃO PARCEIROS 11

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