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1 DACEC Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação - UNIJUÍ Comentários referentes ao período entre 20/07/2012 a 02/08/2012 Prof. Dr. Argemiro Luís Brum 1 Emerson Juliano Lucca 2 1 Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA. 2 Economista, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ.

2 Cotações na Bolsa Cereais de Chicago CBOT Data GRÃO DE SOJA (US$/bushel) FARELO DE SOJA (US$/ton. curta) ÓLEO DE SOJA (cents/libra peso) TRIGO (US$/bushel) MILHO (US$/bushel) 20/07/ ,57 543,00 54,36 9,43 8,24 23/07/ ,98 523,00 53,75 9,12 8,14 24/07/ ,49 509,80 51,58 8,78 7,90 25/07/ ,94 529,80 52,24 9,03 7,94 26/07/ ,55 518,80 51,68 8,84 7,81 Média 16,91 524,88 52,72 9,04 8,01 Bushel de soja e de trigo = 27,21 quilos bushel de milho= 25,40 quilos Libra peso = 0,45359 quilo tonelada curta = 907,18 quilos Fonte: CEEMA com base em informações da CBOT. Médias semanais* (compra e venda) no mercado de lotes brasileiro - em praças selecionadas (em R$/Saco) Var. % relação SOJA média anterior RS - Passo Fundo 81,00 5,61 RS - Santa Rosa 80,10 5,12 RS - Ijuí 80,00 4,99 PR - Cascavel 81,80 5,01 MT - Rondonópolis 76,25 2,27 MS - Ponta Porã 77,00 2,67 GO - Rio Verde (CIF) 77,80 3,32 BA - Barreiras (CIF) 71,70 0,56 Argentina (FOB)** 304,00 4,54 Paraguai (FOB)** 208,50 7,81 Paraguai (CIF)** 247,00 7,81 RS - Erechim 31,40 8,46 SC - Chapecó 30,90 6,00 PR - Cascavel 29,25 8,74 PR - Maringá 30,70 5,32 MT - Rondonópolis 24,20 3,64 MS - Dourados 26,70 4,50 SP - Mogiana 31,50 6,42 SP - Campinas (CIF) 34,60 14,57 GO - Goiânia 25,48 2,54 MG - Uberlândia 28,90 12,67 RS - Carazinho 519,00 4,85 RS Santa Rosa 515,00 6,19 PR - Maringá 540,00 1,89 PR - Cascavel 533,00 1,52 *Período entre 20/07 e 26/07/12 Fonte: CEEMA com base em dados da Safras & Mercado. Preços em reais/saco. ** Preço médio em US$/tonelada. *** Em reais por tonelada Média semanal dos preços recebidos pelos produtores do Rio Grande do Sul 26/07/2012 milho soja trigo R$ 25,43 68,41 25,51 Fonte: CEEMA, com base em informações da EMATER-RS. Preços de outros produtos no RS Média semanal dos preços recebidos pelos produtores do Rio Grande do Sul Arroz em casca (saco 50 Kg) 28,36 Feijão 100,17 Sorgo 20,73 Suíno tipo carne (Kg vivo) 1,92 Leite (litro) cotaconsumo (valor bruto) 0,72 Boi gordo (Kg vivo)* 3,32 (*) compreende preços para pagamento em 10 e 20 dias Fonte: CEEMA, com base em informações da EMATER-RS.

3 Cotações na Bolsa Cereais de Chicago CBOT Data GRÃO DE SOJA (US$/bushel) FARELO DE SOJA (US$/ton. curta) ÓLEO DE SOJA (cents/libra peso) TRIGO (US$/bushel) MILHO (US$/bushel) 2707/ ,84 527,70 52,04 8,98 7,98 30/07/ ,25 546,30 52,57 9,14 8,20 31/07/ ,21 544,70 52,55 8,88 8,06 01/08/ ,82 537,20 51,73 8,79 8,00 02/08/ ,53 523,70 51,54 8,65 7,94 Média 16,93 535,92 52,09 8,89 8,04 Bushel de soja e de trigo = 27,21 quilos bushel de milho= 25,40 quilos Libra peso = 0,45359 quilo tonelada curta = 907,18 quilos Fonte: CEEMA com base em informações da CBOT. Médias semanais* (compra e venda) no mercado de lotes brasileiro - em praças selecionadas (em R$/Saco) Var. % relação SOJA média anterior RS - Passo Fundo 81,65 0,80 RS - Santa Rosa 81,05 1,19 RS - Ijuí 81,05 1,31 PR - Cascavel 83,20 1,71 MT - Rondonópolis 76,95 0,92 MS - Ponta Porã 77,90 1,17 GO - Rio Verde (CIF) 79,20 1,80 BA - Barreiras (CIF) 72,60 1,26 Argentina (FOB)** 305,60 0,53 Paraguai (FOB)** 210,00 0,72 Paraguai (CIF)** 251,50 1,82 RS - Erechim 32,50 3,50 SC - Chapecó 32,25 4,37 PR - Cascavel 29,50 0,85 PR - Maringá 31,20 1,63 MT - Rondonópolis 24,30 0,41 MS - Dourados 25,90-3,00 SP - Mogiana 31,35-0,48 SP - Campinas (CIF) 34,95 1,01 GO - Goiânia 26,05 2,24 MG - Uberlândia 28,75-0,52 RS - Carazinho 526,00 1,35 RS Santa Rosa 526,00 2,14 PR - Maringá 559,00 3,52 PR - Cascavel 549,00 3,00 *Período entre 27/07 e 02/08/12 Fonte: CEEMA com base em dados da Safras & Mercado. Preços em reais/saco. ** Preço médio em US$/tonelada. *** Em reais por tonelada Média semanal dos preços recebidos pelos produtores do Rio Grande do Sul 02/08/2012 milho soja trigo R$ 25,48 69,85 25,75 Fonte: CEEMA, com base em informações da EMATER-RS. Preços de outros produtos no RS Média semanal dos preços recebidos pelos produtores do Rio Grande do Sul Arroz em casca (saco 50 Kg) 29,43 Feijão 100,75 Sorgo 20,73 Suíno tipo carne (Kg vivo) 1,97 Leite (litro) cotaconsumo (valor bruto) 0,72 Boi gordo (Kg vivo)* 3,27 (*) compreende preços para pagamento em 10 e 20 dias Fonte: CEEMA, com base em informações da EMATER-RS.

4 MERCADO DA SOJA Nestas duas semanas em que ficamos ausentes, as cotações da soja tiveram fortes variações. Saindo de um recorde histórico de US$ 17,57/bushel no dia 20/07, as mesmas recuaram dois dias após para US$ 16,49. Posteriormente voltaram a subir, atingindo a US$ 17,25/bushel no dia 30/07, fechando esta quinta-feira (02/08) em US$ 16,53. O fato é que todo o mês de julho, em função da seca nos EUA, Chicago trabalhou em forte alta, terminando com a média mensal de US$ 16,58/bushel, contra US$ 14,21 na média de junho. Isso representa, na comparação entre as médias, uma elevação superior a dois dólares por bushel. Os recuos eventuais ocorridos nestes últimos 14 dias se devem particularmente a tomada de lucro por parte dos operadores na Bolsa, em especial os especuladores, diante de anúncios de retorno de chuvas ainda esparsas nas regiões produtoras dos EUA. Nesse sentido, o mês de agosto passa a ser decisivo para definir um rumo nos preços mundiais. E, no contexto, o novo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o dia 10/08, contará muito, pois deverá dar um quadro bem mais exato das reais perdas na produção estadunidense. Por enquanto, os números anunciados para a soja não são muito expressivos, apesar das elevações das cotações. Fala-se numa colheita abaixo de 80 milhões de toneladas, contra uma estimativa de 83 milhões anunciadas em julho pelo USDA. Mas o mercado vem apostando em quebra maior nesse momento. Nesse sentido, estimativas privadas vêm cortando a produtividade, particularmente do milho, mas também parcialmente da soja. Nesse último caso, até esse início de agosto estimava-se uma safra de soja de 78,7 milhões de toneladas, contra 82 milhões na estimativa anterior desses mesmos analistas. O fato é que as lavouras de soja nos EUA entraram agora em seu ciclo decisivo. Como a seca não cede, as condições das lavouras locais vêm caindo a cada semana. Assim, até o dia 29/07 as mesmas indicavam 37% entre ruins a muito ruins, 34% regulares e somente 29% entre boas a excelentes. Nessa situação, é bem provável que o número final a ser colhido seja ainda menor do que o indicado acima. Para o milho o quadro indica 48% entre ruins a muito ruins, 28% regulares e tão somente 24% entre boas a excelentes. Na soja, 88% das lavouras estão em floração e 55% em frutificação. Quanto a umidade dos solos, dos 11 principais estados produtores da oleaginosa, 10 continuavam, nesse início de agosto, em condições muito secas. Já os embarques semanais de soja pelos EUA, na semana encerrada em 26/07, atingiram a toneladas, acumulando desde setembro passado um total de 34,9 milhões de toneladas, contra 39,4 milhões em igual período do ano anterior. Por sua vez, os registros de exportação, na semana encerrada em 19/07 apontaram um volume de toneladas, ficando acima das expectativas do mercado. Pelo lado da demanda, a China anunciou importações de 5,62 milhões de toneladas de soja em junho passado, volume esse 31% acima do registrado em mesmo mês do ano passado. Em relação a maio, o aumento foi de 6%. No acumulado do ano os chineses teriam importando 29,05 milhões de toneladas, com aumento de 22,5% sobre o mesmo período do ano anterior. Paralelamente, diante dos altos preços mundiais, a China

5 anuncia que irá retomar a venda de seus estoques de soja no mercado interno para evitar o aumento da inflação interna. O país asiático está vendendo estoques da safra 2009/10. Esse comportamento tende a frear as altas em Chicago, pelo menos no curto prazo, caso igualmente o clima nos EUA se acomode. (cf. Safras & Mercado) Na Argentina, o governo local anunciou que a colheita da soja se encerrou oficialmente em 26/07, com 17,4 milhões de hectares e uma produção final de 39,9 milhões de toneladas, após as suas regiões produtoras igualmente serem atingidas pela forte seca do verão 2011/12. Enfim, os prêmios nos portos brasileiros cederam um pouco, girando entre US$ 1,70 e US$ 2,20/bushel no momento. Para abril do próximo ano Paranaguá trabalha agora com prêmios entre zero e cinco centavos positivos. Já no Golfo do México (EUA), diante da iminência de quebra na safra estadunidense, os prêmios oscilam entre 75 e 85 centavos de dólar enquanto em Rosário, na Argentina, os mesmos ficam entre US$ 1,20 e US$ 1,40/bushel. (cf. Safras & Mercado) No Brasil, onde a oferta de soja é cada vez mais escassa, as fortes elevações de preços, puxadas pela quebra da safra e pelas altas em Chicago, estão colocando as empresas compradoras em geral em dificuldade para conseguirem liquidez imediata a fim de pagarem a soja vendida pelos produtores. Além disso, com o pouco volume de soja ainda disponível da última safra o mercado começa a travar. A média gaúcha, no balcão, chegou a R$ 70,00/saco nesta semana, enquanto os lotes oscilam entre R$ 81,50 e R$ 82,25/saco. Nas demais praças nacionais, os lotes oscilam entre R$ 71,25/saco em Sapezal (MT) e R$ 84,00/saco no oeste e norte do Paraná. Preços sem dúvida muito altos e que comprometem a estabilidade da cadeia produtiva da oleaginosa, sem falar nos custos de produção junto as cadeias das carnes e derivados animais. Na BM&F/Bovespa o contrato para setembro/12 ficou em US$ 39,90/saco, enquanto o maio/13 fechou a semana em US$ 30,70/saco. Quanto ao mercado futuro, os preços continuam excelentes e acima de qualquer normalidade, caso tenhamos safra cheia no próximo verão. No Paraná os mesmos estão em US$ 31,40/saco posto em Paranaguá, para março/13. Ao câmbio de hoje isso indica preços no interior bem menores do que os atuais evidentemente, porém, mesmo assim elevados.no Rio Grande do Sul, para maio/13, o saco esteve cotado a R$ 62,00 no interior, para compra. No Mato Grosso do Sul, o valor para março/13 ficou em R$ 57,00/saco. Em Goiás, para fevereiro/13, o saco esteve a R$ 60,00. Em Minas Gerais, o produto ficou cotado a R$ 56,00/saco para abril/13, enquanto na Bahia atingiu a R$ 55,60/saco para maio/13. No Maranhão o valor do saco para maio/13 é de R$ 55,00, enquanto no Piauí fica em R$ 55,50. As diferenças entre os preços atuais e os preços futuros já alcançam R$ 20,00/saco para menos em muitas praças. E a tendência, em safra cheia, é de o preço baixar ainda mais, embora muita coisa dependa de Chicago. Todavia, igualmente nessa Bolsa, as cotações para maio/13 são menores, ficando nesse início de agosto ao redor de US$ 14,50/bushel. (cf. Safras & Mercado) Ou seja, Chicago, embora possa ainda subir, dependendo da seca nos EUA, está no limite de alta, onde na ponta compradora já não haveria mais espaço para absorver tamanhas altas. Assim, salvo um desastre, a tendência é que esse mercado se reestruture e volte a patamares racionais, entre US$ 10,00 e US$ 14,00/bushel em

6 2013, fato que, em se mantendo o câmbio atual no Brasil e ocorrendo as reduções esperadas nos prêmios portuárias, traria os preços da soja, em nossa futura safra, se ela realmente alcançar 83 milhões de toneladas (projeções iniciais) a preços entre R$ 48,00 e R$ 52,00/saco. Apesar do recuo em relação aos atuais preços, ainda assim excelentes preços médios em se considerando safra cheia. Abaixo seguem os gráficos da variação de preços da soja e seus derivados no período de 06/07 a 02/08/2012. Gráfico da Variação das Cotações da Soja entre 06/07 e 02/08/12 (CBOT) 17,15 16,80 US$/bushel 16,45 16,10 15,75 Período Semanal Gráfico da Variação das Cotações do Farelo de Soja entre 06/07 e 02/08/12 (CBOT) US$/Tonelada Curta 546,00 540,00 534,00 528,00 522,00 516,00 510,00 504,00 498,00 492,00 486,00 480,00 474,00 468,00 462,00 456,00 450,00 Período Semanal

7 Gráfico da Variação das Cotações do Óleo de Soja entre 06/07 e 02/08/12 (CBOT) 55,50 Cents/Libra Peso 54,00 52,50 51,00 Período Semanal MERCADO DO MILHO As cotações do milho em Chicago igualmente oscilaram muito nesse período entre os dias 20/07 e 02/08. O bushel do cereal, que chegou a atingir a US$ 8,24 no dia 20/07, acabou recuando para US$ 7,81 no dia 26/07 e fechando a quinta-feira (02/08) em US$ 7,94. A média de julho ficou em US$ 7,77/bushel, enquanto a média de junho registrou US$ 6,03. Os motivos desses movimentos são os mesmos encontrados na soja. A forte seca nos EUA vem provocando cortes importantes nas projeções da futura safra estadunidense. Com o agravante de que o milho, por estar mais adiantado do que a soja, vem sofrendo mais com a falta de água. Assim, a quebra deverá ser muito grande, sendo que o mercado já adianta um número final de 292 milhões de toneladas, contra 374 milhões inicialmente projetados. Durante esta última semana, analistas privados avançaram suas projeções, sendo que LanWorth indicou uma produtividade média de apenas quilos/hectare, enquanto a Informa Economics aponta produtividade de quilos/hectare. Nos dois casos, a produção total ficaria abaixo das 300 milhões de toneladas. Esse quadro obrigará os EUA a fortes ajustes para baixo nas exportações e no consumo interno. Informa, inclusive, adianta que 1,2 milhão de hectares de milho nem seriam colhidos. Por sua vez, a FC Stone estimou uma produtividade média de quilos/hectare, com a safra final ficando em tão somente 280 milhões de toneladas naquele país.

8 Para completar e confirmar a tendência, no dia 28/07 as condições das lavouras estadunidenses de milho eram de apenas 24% entre boas a excelentes, 28% regulares e 48% entre ruins e muito ruins. Além disso, o maior produtor, que é Iowa apresentava condições de 46% entre ruins a muito ruins e o segundo maior produtor, Illinois, atingia 71% entre ruins a muito ruins. (cf. Safras & Mercado) Nesse contexto, mesmo com boas chuvas voltando a acontecer em agosto, parte da safra dos EUA já tem perdas irrecuperáveis e os preços em Chicago deverão continuar pressionados para cima. Assim, ganha muita importância o próximo relatório de oferta e demanda, do USDA, previsto para o dia 10/08. Na Argentina e no Paraguai, na esteira dos preços internacionais elevados, a tonelada FOB de milho se manteve em alta. No primeiro caso, atingindo a US$ 300,00 e no segundo caso a US$ 210,00. No Brasil, mesmo com o aumento na colheita da safrinha e das dificuldades do Centro- Oeste encontrar espaço para armazenagem do milho, os preços se mantiveram em elevação igualmente, puxados pelas novas e boas perspectivas de exportação devido a forte alta dos preços mundiais. Assim, a média gaúcha, no balcão, ficou em R$ 25,48/saco, enquanto os lotes oscilaram ao redor de R$ 33,50/saco no norte e planalto gaúcho. Nas demais praças nacionais, os lotes giraram entre R$ 20,50/saco no nortão mato-grossense (Sinop, Sorriso, Sapezal...) e R$ 33,25/saco em Videira e Concórdia (SC). Pelo lado da exportação, um volume preliminar de 1,7 milhão de toneladas em julho foi anunciado. A programação de embarques chegava a 2,8 milhões. Para agosto tal programação já está em 3 milhões de toneladas. (cf. Safras & Mercado) As dificuldades futuras dos EUA em exportar, devido a quebra de safra, fazem o mercado se voltar para o Brasil, fato que deu nova sustentação aos preços internos do cereal em plena colheita recorde da safrinha. Esse novo contexto de mercado, devido a fatores externos, muda a tendência de preços anteriormente esperada. Isso significa dizer que, nesse momento, os preços do milho podem não baixar mais, embora a pressão de oferta interna continue com enorme potencial para o final do ano e início de 2013, particularmente se a futura safra de verão for beneficiada pelo clima. Nesse caso, irá contar muito o tamanho da redução da futura área de milho a ser semeada no Brasil. Enfim, a semana terminou com a importação, no CIF indústrias brasileiras, já valendo R$ 51,95/saco para o produto dos EUA e R$ 44,11/saco para o produto da Argentina, ambos para agosto. Já para setembro o produto argentino igualmente esteve cotado a R$ 44,11/saco. Na exportação, o transferido via Paranaguá acusou valores de R$ 36,18/saco para agosto; R$ 36,37 para setembro; R$ 35,94 para outubro; R$ 35,83 para novembro; R$ 35,69 para dezembro; R$ 35,61 para janeiro e R$ 36,47/saco para fevereiro/13. Abaixo segue o gráfico da variação de preços do milho no período de 06/07 a 02/08/2012.

9 US$/bushel 8,60 8,30 8,00 7,70 7,40 7,10 6,80 6,50 6,20 5,90 5,60 Gráfico da Variação das Cotações do Milho entre 06/07 e 02/08/12 (CBOT) Período Semanal MERCADO DO TRIGO As cotações do trigo acompanharam o movimento da soja e do milho em Chicago, saindo de US$ 9,43/bushel no dia 20/07 para US$ 8,78 no dia 24/07, voltando para US$ 9,14 no dia 30/07 para finalmente fechar a quinta-feira (02/08) em US$ 8,65/bushel. A média de julho ficou em US$ 8,61/bushel, contra US$ 6,56 em junho. Embora o clima seco de verão não tenha sido tão prejudicial ao trigo nos EUA, houve perdas localizadas e, particularmente, na safra de inverno do cereal. Por sua vez, as inspeções de exportação dos EUA, em trigo, alcançaram o volume de toneladas na semana encerrada em 26/07, contra toneladas na semana anterior, em número revisado. No acumulado do ano comercial iniciado em 1º de junho, o volume alcança 3,99 milhões de toneladas, contra 5,03 milhões em igual período do ano anterior. Por outro lado, na Rússia, a safra 2012/13 foi revisada para baixo, perdendo agora 8% e ficando em 45 milhões de toneladas. Com isso, o recuo total da produção será de 20%, mas ainda assim um volume superior as 41,5 milhões de toneladas da safra 2010/11. Pelo sim ou pelo não, o fato é que a nova produção indica um recuo de 59% sobre o produzido em 2011/12. Diante disso, a Rússia poderá impor novamente restrições às suas exportações de trigo, alavancando ainda mais os preços mundiais do cereal.

10 Enquanto isso, na Argentina o plantio da safra 2012/13 chegou a 88% da área no dia 26/07. A área total esperada seria de 3,82 milhões de hectares, contra 4,63 milhões no ano anterior. Ou seja, a Argentina terá uma área semeada em recuo de 17,5% sobre o ano passado. Isso contribui igualmente para se esperar preços mais altos no Brasil no próximo ano e explica igualmente porque o mercado brasileiro, nas últimas semanas, vem reagindo. Quanto aos preços no Mercosul, os mesmos continuam subindo na esteira do mercado mundial. Na Argentina, o Up River, para agosto/setembro, bateu em US$ 340,00/tonelada, com variação positiva de 25,5% em um mês. Em Bahia Blanca a tonelada chegou a US$ 305,00 na compra, com alta de 15,1% em 30 dias. Na região de Necochea o preço chegou a US$ 315,00/tonelada, com elevação de 25% sobre o mesmo período do mês anterior. No Uruguai, a compra ficou em US$ 330,00/tonelada, ganhando 33,6% em um mês. Enfim, no Paraguai, a compra ficou em US$ 315,00/tonelada. (cf. Safras & Mercado) Nesse contexto, a média do produto mercosulino fica ao redor de US$ 315,00/tonelada. Diante de um dólar valendo um pouco mais de R$ 2,00, o produto importado está muito caro, favorecendo o consumo do trigo nacional. O problema é que praticamente não há mais produto de qualidade superior no mercado brasileiro. Dessa forma, os lotes no Paraná fecharam a semana entre R$ 549,00 e R$ 559,00/tonelada, e no Rio Grande do Sul em R$ 526,00/tonelada. Por sua vez, o trigo de qualidade inferior, no balcão gaúcho, fechou a semana em R$ 25,75/saco, já valendo mais do que o milho. Diante deste quadro de altas praticamente constantes, a CONAB continua realizando leilões de venda de trigo. Nesse dias 02/08 três leilões teriam sido realizados, com oferta total de toneladas entre os Estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Enfim, a safra atual de trigo no Rio Grande do Sul encontra um clima, até o momento, propício para o desenvolvimento da planta, sendo que o plantio finalmente está concluído. Já no Paraná, a área recuou em 28%, passando para 1,06 milhão de hectares. Espera-se uma produtividade média de quilos/hectare (se o clima deixar), o que seria 22% acima da realizada no ano anterior, quando houve quebra na produção paranaense. Diante disso, a produção final poderá alcançar 2,21 milhões de toneladas, com um recuo de 10% sobre o ano anterior. (cf. Emater e Deral) Abaixo segue o gráfico da variação de preços do trigo no período entre 06/07 e 02/08/2012.

11 Gráfico da Variação das Cotações do Trigo entre 06/07 e 02/08/12 (CBOT) 10,15 9,65 9,15 8,65 US$/bushel 8,15 7,65 7,15 6,65 6,15 5,65 Período Semanal

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