Ano I Boletim II Outubro/2015. Primeira quinzena. são específicos aos segmentos industriais de Sertãozinho e região.

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1 O presente boletim analisa algumas variáveis chaves na atual conjuntura da economia sertanezina, apontando algumas tendências possíveis. Como destacado no boletim anterior, a indústria é o carro chefe do município, sendo de extrema importância em sua dinâmica econômica. Algumas tendências são gerais para a indústria brasileira como um todo, na atual conjuntura econômica, enquanto outros elementos são específicos aos segmentos industriais de Sertãozinho e região. Considerando as tendências nacionais, na Tabela 1, os índices de confiança do setor industrial mostram uma grande deterioração na confiança dos empresários, sobretudo no que diz respeito às condições atuais da economia brasileira. Adicionalmente, ocorreram pioras significativas nas expectativas em relação à economia brasileira. Tabela 1 - Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI Brasil) ago/14 jul/15 ago/15 ICEI 46,5 37,2 37,1 Condições atuais 1 38,4 27,6 28,1 Economia Brasileira 31,1 19,4 19,1 Empresa 42,1 31,7 32,7 Expectativas 2 50, ,5 Economia Brasileira 41,9 32,9 31,3 Empresa 54,9 46,7 46,6 1 - Em comparação com os últimos seis meses. 2 - Para os próximos seis meses. Fonte: Elaboração própria a partir de dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) Nas próximas figuras estão os dados de emprego para o Brasil, São Paulo, Região Administrativa de Ribeirão Preto (RARP) e Sertãozinho para o período mais recente: acumulado dos últimos doze meses de nov/11 ago/2015. Na Figura 1, nota-se a grande deterioração do mercado de trabalho formal a partir de 2014 no Brasil. Esse agravamento foi liderado pelos setores da indústria e construção civil, mas também é nítida a redução na criação líquida de empregos dos demais setores da economia. Considerando o acumulado de 12 meses (set/14 a ago/15), todos os setores tiveram um saldo negativo de criação de vagas, com destaque para a indústria ( ) e construção civil ( ). O país que estava criando mais de 1,5 milhões de empregos formais, no acumulado de 2011, passou a destruir mil vagas formais de trabalho nos últimos doze meses (set/14 a ago/15), o que mostra que a crise vem afetando duramente o mercado de trabalho desde o último trimestre de 2014.

2 Figura 1 - CAGED - Saldo acumulado em 12 meses (Brasil) Indústria Comércio Serviços Construção civil Agropecuária Total Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Caged/MTE Na Figura 2, nota-se a grande queda de seu mercado de trabalho formal na Figura 1, ajuda a confiança da Indústria de março de 2014 até agosto entender a retração nos índices. de 2015, de acordo com o índice elaborado pela O que também preocupa é que o Índice de Fundação Getúlio Vargas. A piora ocorre de forma expectativas sofreu uma retração ainda maior, no similar nos três indicadores apresentados: Índice de período. Isso indica que os empresários do setor não Confiança, Índice da Situação Atual e Índice de conseguem visualizar uma melhora nos próximos Expectativas. meses em uma situação que já é bastante crítica. A difícil situação que a indústria brasileira vem passando, como pode ser visto pela piora em Figura 2 Índice de Confiança da Indústria da Fundação Getúlio Vargas Índice de Confiança Índice da Situação Atual Índice de Expectativas Fonte: Elaboração própria a partir do Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getúlio Vargas

3 No Estado de São Paulo, com os dados apresentados na Figura 3, percebe-se uma deterioração no mercado de trabalho tão rápida quanto na economia brasileira. A diferença é que o resultado negativo é decorrente, sobretudo, do desempenho do setor industrial. Da mesma forma que no Brasil, o estado também apresentou, em todos os setores, um saldo negativo na criação de empregos no acumulado de 12 meses terminados em agosto de A indústria paulista apresentou a impressionante marca de 200 mil empregos formais destruídos, o que corresponde a mais da metade da retração de empregos nos últimos 12 meses, no estado (-350 mil). Figura 3 - CAGED - Saldo acumulado em 12 meses (São Paulo) Indústria Comércio Serviços Construção civil Agropecuária total Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Caged/MTE Na RARP, também se percebe uma trajetória de queda na criação de emprego total, com retração em todos os setores, de acordo com o apresentado na Figura 4. A diferença em relação às duas regiões apresentadas anteriormente é a maior oscilação na trajetória da criação de empregos sendo que elas ocorrem, sobretudo, pelo comportamento do emprego formal na indústria e agropecuária. Apesar do cenário negativo, com significativa destruição de empregos, contrasta com os dados do país e do estado no sentido de certa estabilidade desde março de 2015, considerando o acumulado de 12. Nota-se, ainda, que a estabilidade é decorrente do comportamento do mercado formal de trabalho nos setores da indústria e agropecuária (Figura 4).

4 Figura 4 - CAGED - Saldo acumulado em 12 meses (RARP) Indústria Comércio Serviços Construção civil Agropecuária Total Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Caged/MTE Finalmente, na Figura 5, estão os dados do município de Sertãozinho. Nela é evidente a retração do emprego industrial entre mar/12 e fev/13, o que deixou no negativo a criação de emprego formal total (acumulado de 12 meses), com uma posterior recuperação até nov/13. A partir de novembro de 2013, considerando o acumulado de 12 meses, a criação de empregos na indústria entrou em nova trajetória de queda, puxando para baixo a criação de empregos em toda a economia sertanezina. Essas diferentes dinâmicas são decorrentes das especificidades da indústria do município que depende, sobretudo, do setor sucroalcooleiro. Com os efeitos da crise internacional sobre o preço do açúcar, a indústria do município acabou sendo muito afetada entre mar/12 e fev/13, o que indica que o cenário era crítico desde, pelo menos, junho de Em períodos mais recentes, nota-se uma melhora na agropecuária e na indústria em relação a novembro de 2014 (acumulado 12 meses), apesar da indústria ainda estar destruindo empregos, quando se considera o acumulado dos últimos 12 meses. No entanto, preocupa a forte retração de empregos em ago/15, com destruição de 599 vagas de trabalho, sendo que somente a indústria teve um saldo negativo de 560 vagas, sendo fortemente afetado pelas demissões da Dedini (demissão de 270 trabalhadores). Os mercados de trabalho dos setores de serviços, construção civil e comércio ainda apresentam uma trajetória de deterioração.

5 Figura 5 - CAGED - Saldo acumulado em 12 meses (Sertãozinho) Indústria Comércio Serviços Construção civil Agropecuária Total Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Caged/MTE Para tentar entender essa dinâmica distinta do mercado de Sertãozinho em relação às demais regiões, sobretudo ao Estado de São Paulo e ao Brasil, apresenta-se, na Figura 6, a evolução do preço do etanol na usina. Nela, percebe-se uma pequena recomposição dos preços no ano de 2015 em relação a 2012 e Apesar da queda brusca no preço do petróleo no mercado internacional, nos últimos meses, a gasolina continua em um preço elevado no país, o que torna o etanol mais competitivo, aliviando as margens de lucros apertadas das usinas. O fim da política de redução do preço da gasolina para controlar a inflação ajuda na recuperação do setor sucroalcooleiro. Adicionalmente, o processo de depreciação do real ajuda a sustentar o preço da gasolina no mercado nacional em um cenário de queda do preço internacional do petróleo.

6 Milhões litros Ano I Boletim II Outubro/2015. Figura 6 Preço do Etanol na Usina 1,60 1,50 1,40 1,30 1,20 1,10 1,00 jan/12 jul/12 jan/13 jul/13 jan/14 jul/14 jan/15 jul/15 Etanol Anidro Etanol Hidratado Fonte: Elaboração própria a partir de dados da ANP. Preços descontados pela variação do IPCA. Na Figura 7, com a quantidade de venda de combustíveis em milhões de litros mensais, percebe-se que a elevação do diferencial de preços entre o etanol e a gasolina vem causando um efeito de substituição deste por aquele. Comparando com o mesmo período do ano passado, ocorreu uma elevação significativa na venda de etanol em torno de 50%. Dessa forma, a melhora para o setor sucroalcooleiro decorre, principalmente, nos efeitos sobre a quantidade vendida. Figura 7 Venda de Combustíveis pelas Distribuidoras 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 jan/12 jul/12 jan/13 jul/13 jan/14 jul/14 jan/15 Gasolina Etanol Diesel Fonte: Elaboração própria a partir de dados da ANP Na Figura 8, estão os dados da venda de etanol hidratado de Jan/08 a Jul/15. Nela, a queda da produção e venda de etanol em 2011 e 2012 é evidente, com posterior recuperação em 2013 e

7 2014, mas com vendas ainda inferiores aos anos de 2008, 2009 e Já em 2015, as vendas de etanol têm ficado acima em relação aos anos anteriores, mostrando a grande recuperação que vem ocorrendo no setor, ainda mais quando se considera que os preços também apresentaram leve melhora. As usinas têm melhorado a situação, sobretudo via aumento da quantidade vendida e, caso os preços da gasolina se mantenham nos patamares atuais, a tendência será de recuperação do setor, mesmo que de forma lenta. Figura 8 Venda de Etanol Hidratado (m3) por mês Fonte: Elaboração própria a partir de dados da ANP A Figura 9 mostra que o processo de redução dos preços das commodities também ocorreu no caso do açúcar, em dólares. No entanto, a depreciação do real tem sido importante para manter a estabilidade dos preços em reais. Pela dependência do retorno na produção de açúcar e etanol, pode-se dizer que o setor sucroalcooleiro se encontra em melhor situação quando se compara com dois anos anteriores. Desse modo, esse cenário deve dar um alívio aos produtores de máquinas e equipamentos de Sertãozinho, o que também ajuda a entender a diferença na evolução do emprego industrial do município em relação ao do estado e ao país.

8 Ano I Boletim II Outubro/2015. Figura 9 - Indicador Açúcar Cristal - São Paulo: 01/03/2006 a 02/09/ /03/ /03/ /03/ /03/ /03/ /03/ /03/ /03/ /03/ /03/2015 À vista R$ À vista US$ Fonte: Elaboração própria a partir de dados do CEPEA/ESALQ O risco é que a deterioração do cenário econômico nacional acabe contaminando essa possível retomada da economia sertanezina. Cabe ressaltar que a sua recuperação também depende do real mais depreciado em relação às outras moedas, o que ajuda no retorno da produção do açúcar e também na manutenção do preço da gasolina em patamares mais elevados. Na Figura 10, os dados da taxa de câmbio efetiva real, calculada pelo IPEA, mostra significativo processo de depreciação da nossa moeda, que apesar de trazer problemas relacionados à inflação e aos juros, fornece as condições para uma lenta retomada do setor sucroalcooleiro. Figura 10 - Taxa de Câmbio Efetiva Real (média 2005 = 100) Efetiva real - INPC - exportações manufaturados Efetiva real - INPC - exportações Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA): Jan/95 a Mar/15.

9 Equipe Técnica: Professores Rudinei Toneto Junior, Luciano Nakabashi e Lara Liboni. Mestrandos: André Ribeiro Cardoso, Gabriel Couto e Marcos Hitoshi Endo. Apoio: Sebastião Macedo Pereira CEISE Br.

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