A MAQUETE COMO POSSIBILIDADE INTERDISCIPLINAR NO ENSINO MÉDIO POLITÉCNICO/RS

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1 A MAQUETE COMO POSSIBILIDADE INTERDISCIPLINAR NO ENSINO MÉDIO POLITÉCNICO/RS Lisane Regina Vidal Conceição 1 Resumo: Entre as diversas linguagens de aprendizagem, os materiais cartográficos, como a maquete, tornam-se fundamentais ao ensino da Geografia por desenvolverem a compreensão do espaço geográfico e da realidade vivenciada pelos alunos. Desta maneira, destaca-se que a Proposta Pedagógica da Escola, em questão, desenvolve-se através de um trabalho interdisciplinar por meio de uma organização curricular diferenciada. Assim, o uso de maquete em aulas interdisciplinares, nas disciplinas de Geografia e Seminário Integrado, tem por objetivo proporcionar aos alunos conhecimento sobre os aspectos físicos, históricos, econômicos e urbanos da área estudada, bem como a troca de conhecimentos, saberes e experiências ente alunos e professores. A maquete em aulas interdisciplinares e entre níveis de ensino proporciona o aluno conhecimento e criticidade da realidade espacial estudada, bem como a troca de conhecimento e experiências com alunos de séries/anos anteriores e sequentes. Assim, a interdisciplinaridade acontece não apenas em áreas de conhecimento, mas em níveis de saberes. Palavras-chave: Ensino de Geografia; Interdisciplinaridade; Ensino e Aprendizagem. Introdução Nos últimos anos, o Estado do Rio Grande do Sul vêem implantando o Ensino Médio Politécnico que tem em sua concepção de base o aprofundamento da articulação entre as áreas de conhecimentos e suas tecnologias com os eixos Cultura, Ciência, Tecnologia e Trabalho, na perspectiva de que a apropriação e a construção de conhecimento embasam e promovem a inserção social da cidadania. A Escola Instituto Estadual Luiz Guilherme do Prado Veppo localizada no município de Santa Maria estrutura seu Plano Político Pedagógico através do Ensino Médio Politécnico no regime globalizado (áreas de conhecimento e disciplinas que compõem as áreas). A forma como se estabelece a prática da proposta da escola é diferenciada, uma vez que ao contrário das demais escolas com a mesma proposta 1 Doutoranda do Curso de Doutorado em Geografia da Universidade Federal de Santa Maria. Professora de Geografia do Estado do Rio Grande do Sul. Professora Supervisora do PIBID Geografia da Universidade Federal de Santa Maria. 1

2 de ensino, as aulas são proferidas por área de conhecimento como, por exemplo, na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias todas as disciplinas trabalham junto em sala de aula e ministram aulas interdisciplinares baseadas em Projetos e/ou Tema Gerador. Além disso, a disciplina Seminário Integrado sempre é ministrada com uma disciplina de área de conhecimento, por exemplo, Seminário Integrado e Geografia. Desta forma, a escola tem por objetivo a interdisciplinaridade entre as áreas de conhecimento, obedecendo aos conhecimentos e saberes a serem desenvolvidos nas disciplinas de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e Ensino Médio Politécnico. A escola promove, anualmente, uma viagem de estudo a como forma visualizar os conhecimentos trabalhados no decorrer do ano e, também, como um trabalho de campo para vivenciar a teoria na prática. A escolha da cidade de Rio Grande se justifica por ser uma Proposta Interdisciplinar de estudo da Escola, cuja escolha se deve a ampliação do conhecimento a respeito do desenvolvimento histórico e cultural do Estado do Rio Grande do Sul. A utilização de maquete como recurso didático, elaborado durante as aulas de Geografia e Seminário Integrado, teve como objetivo a construção de conhecimentos sobre os aspectos físicos, históricos, econômicos e urbanos da cidade de Rio Grande, bem como a troca destes conhecimentos entre os alunos do Ensino Médio Politécnico e também a troca de conhecimentos e experiências entre professores e alunos de graduação. Metodologia de trabalho As atividades realizadas neste trabalho resultam das aulas interdisciplinares realizadas entre as disciplinas de Geografia e Seminário Integrado com apoio do PIBID Geografia/UFSM. O trabalho contemplou todos os alunos do Ensino Médio Politécnico (1º, 2º e 3º ano), destacando que as primeiras atividades foram realizadas de forma individual com as respectivas turmas e, posteriormente, através de aulas conjuntas. A realização do trabalho se desenvolveu em etapas: inicialmente foram realizadas aulas expositivas e dialogadas sobre a cidade de Rio Grande (RS), enfocando os aspectos históricos, configuração física do lugar, a importância 2

3 estratégica do território, os primeiros colonizadores, a importância da ocupação Portuguesa e Espanhola, os pontos turísticos e sua localização espacial, os aspectos ambientais, a configuração urbana da cidade e a importância econômica regional da cidade. Em um segundo momento, os alunos confeccionaram imagens/desenhos de lugares, paisagem e pontos turísticos da cidade de Rio Grande, levando em consideração que esta releitura da cidade deveria conotar aspectos considerados importantes por eles e retratar um lugar que seria visitado pelos mesmos, durante a viagem de estudo programada pela escola. No terceiro momento os alunos realizaram a confecção da maquete da cidade de Rio Grande (RS). Este trabalhou realizou-se de forma conjunta. Os alunos localizaram o endereço na maquete das imagens/desenhos realizados sobre a cidade. Para a confecção da maquete foram utilizados os seguintes procedimentos técnicos: a imagem da cidade utilizada foi capturada do Google Earth e georreferenciada no ArcGIS A escala utilizada foi de 1:7000, as curvas de nível de metro em metro foram extraídas do Modelo Digital de Elevação do ASTER com resolução de 30 metros e a impressão do material foi feito em duas folhas A3. Além disso, foram utilizadas folhas de isopor de 5 milímetros para cada metro de curva de nível estabelecendo, assim, o exagero vertical, folhas de isopor de 5 cm de espessura para a base da maquete, cola de isopor e tesoura. Resultados e discussões Entre os principais resultados alcançados pode-se destacar: a importância do recurso didático na prática da interdisciplinaridade; a interdisciplinaridade possibilita troca de conhecimento entre áreas de conhecimento e entre níveis cognitivos; e a importância da leitura do espaço físico na explicação da realidade tanto para os alunos quanto para os professores. A interdisciplinaridade como prática de ensino colabora para o desenvolvimento de um aluno conhecedor das mais diversas interpretações da realidade que o cerca, ou seja, passa de uma concepção fragmentada de conhecimento para uma visão unitária de conhecimento, bem como desenvolve no aluno a ideia de que o processo ensino aprendizagem é continuo. Além disso, no processo de ensino aprendizagem 3

4 sob a ótica da interdisciplinaridade, o uso de recursos didáticos possibilita comunicar informações que serão transformadas em diversas formas de conhecimento pelo professor. Neste contexto, salienta-se a contribuição de Almeida (2001) ao enfatizar que o ensino de mapas e de outras formas de representação espacial é uma importante tarefa da escola, que é função da escola preparar o aluno para compreender a organização da sociedade e que para isso se efetivar necessita-se conhecimento de técnicas e instrumentos necessários a representação gráfica dessa organização. Assim, o processo de elaboração da maquete pelos alunos do Ensino Médio (Figura 1) proporcionou a construção da prática interdisciplinar e dos mecanismos que dela advêm como, por exemplo, a troca de saberes e a construção unitária de saberes, bem como contribui para a escola desenvolver na sua prática educativa uma formação global do aluno. Figura 1 Elaboração da maquete de Rio Grande/RS pelos alunos da Escola Instituto Luiz Guilherme do Prado Veppo, no Município de Santa Maria/RS, em Fonte: Acervo PIBID Geografia/UFSM, A troca de saberes e de conhecimento entre níveis cognitivos fica evidente na Figura (2), pois se podem verificar as diferentes aprendizagens cognitivas dos alunos, como também, a leitura do espaço em estudo, através de sua reprodução reduzida, possibilitando ao aluno a visualizar a realidade em questão e, ao professor, possibilita a explicação desta realidade e, principalmente, instigar o aluno a desvendar a complexidade dos mecanismos de construção do espaço geográfico. 4

5 Figura 2 Maquete da cidade de Rio Grande/RS elaborada pelos alunos da Escola Instituto Luiz Guilherme do Prado Veppo, no Município de Santa Maria/RS. Fonte: Acervo PIBID Geografia/UFSM, Considerações finais A utilização de recursos didáticos em aulas interdisciplinares possibilita a concretização da realidade vivenciada e/ou estudada. No caso do uso de maquete, possibilita ao aluno maior participação no processo de ensino/aprendizagem e a construção de conhecimento. Este conhecimento decorre tanto dos elementos contidos na maquete como também nas informações e saberes que possam ser construídas e trabalhadas a partir da confecção da maquete. Neste sentido, cabe ressaltar que a maquete não deve ser encarada como um fim didático, mas como a efetivação da construção de uma realidade espacial e que nela se estabelecem relações complexas, as quais são analisadas e interpretadas pelos diversos campos de conhecimento. Desta forma, a maquete como recurso didático interdisciplinar permite ao professor transcorrer pelos vários campos de conhecimento, proporcionando ao aluno criar, a partir disto, sua própria leitura da realidade, seja ela, repleta de conceitos e conhecimentos comuns e integradores a cada área de conhecimento, ou seja, ela, uma visão particular que cada área constrói sobre uma realidade. Portanto, a prática da interdisciplinaridade permite ao aluno construir sua visão de mundo, bem como a noção de sujeito transformador deste espaço. Referencias ALMEIDA, R. D. de. (Org). Do Desenho ao Mapa: iniciação cartográfica na escola. São Paulo: Contexto, p. 5

6 BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Ensino Médio. Brasília: MEC/SEF, ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Educação. Proposta Pedagógica para o Ensino Médio Politécnico e Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio Porto Alegre p. SIMIELLI, M. E. O mapa como meio de comunicação e a alfabetização cartográfica. In: ALMEIDA, R. D. (Org.). Cartografia escolar. 2. ed. São Paulo: Contexto, p

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