Processos de Produção de Material Didático para Cursos a Distância e Matriz de Design Instrucional

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1 Processos de Produção de Material Didático para Cursos a Distância e Matriz de Design Instrucional Fernanda Barbosa Ferrari 1 ; Ronei Ximenes Martins 2 1 Centro de Educação a Distância/Departamento de Educação/Universidade Federal de Lavras 2 Centro de Educação a Distância/ Departamento de Educação/Universidade Federal de Lavras Resumo: No cenário atual, a Educação a Distância tem funcionado como instrumento propulsor de disseminação e construção coletiva do conhecimento, democratizando o acesso ao ensino no contexto nacional, notadamente a partir da criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB), que é um sistema criado para fomentar a Educação a Distância no país, ofertando cursos de graduação e pós-graduação em municípios do interior. Este artigo tem como objetivo apresentar a utilização da matriz de design instrucional nos processos que fazem parte da produção de material didático para os cursos de graduação e pós-graduação a distância da Universidade Federal de Lavras (UFLA), no âmbito da UAB. Este modelo de matriz de design instrucional foi elaborado por Martins (2008), e posteriormente adaptado, com o propósito de organizar as informações relativas ao desenvolvimento das atividades e do processo de avaliação da aprendizagem das disciplinas dos cursos do Centro de Educação a Distância (CEAD) da UFLA. Palavras-chave: Design Instrucional; Educação a Distância; Produção de Material Didático. Abstract: In the current scenario, Distance Education has functioned as an instrument for promoting dissemination and collective construction of knowledge, democratizing access to education in the national context, especially since the creation of the Open University of Brazil (UAB), which is a system designed to promoting distance education in the country, offering undergraduate and postgraduate studies in interior municipalities. This article aims to present the use of the array of instructional design processes that are part of the production of educational materials for undergraduate and postgraduate distance of the Federal University of Lavras (UFLA), as part of UAB. This matrix model of instructional design was developed by Martins (2008), and later adapted for the purpose of organizing the information pertaining to development activities and the evaluation process of learning the disciplines of the courses of the Centre for Distance Education (CEAD) UFLA. Keywords: Instructional Design; Distance Education; Production of Didactic Material. 1. Contextualização A necessidade de formação ao longo da vida fez da Educação a Distância uma alternativa viável para os profissionais que almejam competitividade e empregabilidade na economia globalizada da sociedade contemporânea. A flexibilidade de tempo (quando) e espaço (onde) dos cursos a distância é a principal característica desta modalidade de ensino que colabora com o cenário atual. 1

2 O surgimento de novas tecnologias de informação e comunicação blogs, chats, e- mails, fóruns, etc. impulsionou a criação e permitiu o desenvolvimento de diversos modelos de cursos para a Educação a Distância, reformulando as estratégias de ensino-aprendizagem e aprimorando as mediações pedagógicas. Segundo Masetto: Por mediação pedagógica entendemos a atitude, o comportamento do professor que se coloca como um facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem, que se apresenta com a disposição de ser uma ponte entre o aprendiz e sua aprendizagem não uma ponte estática, mas uma ponte rolante, que ativamente colabora para que o aprendiz chegue aos seus objetivos (2001, p ). Os meios de comunicação devem ser usados na mediação com o intuito de complementar ou apoiar à ação do professor em sua interação pessoal e direta com os alunos (BELLONI, 2001). Logo, tornou-se imprescindível o emprego de diversas tecnologias nas mediações pedagógicas de cursos a distância. Neste contexto, o material didático produzido para os cursos a distância tem por finalidade mediar os processos de comunicação e interação entre professores e estudantes. Quanto mais tecnologia estiver disponível para esta mediação, mais oportunidades para aperfeiçoar os processos de comunicação e interação serão criadas. Conforme Tori: Apesar de não ser ainda possível uma perfeita substituição do encontro face a face ou da experiência de manipulação direta de um objeto de estudo, as tecnologias interativas conseguem minimizar substancialmente os efeitos da distância na aprendizagem. Por esse motivo a aprendizagem a distância passou a se utilizar intensamente da tecnologia eletrônica como forma de aproximação, o que fomentou o surgimento e a evolução de ferramentas de comunicação, de autoria e de gerenciamento de cursos, bem como de técnicas e métodos, tanto para a criação, o desenvolvimento e o planejamento, como para o oferecimento de atividades virtuais de aprendizagem (2010, p ). Os ambientes virtuais de aprendizagem que são sistemas de gerenciamento de conteúdo e atividades contém ferramentas colaborativas que estimulam a construção coletiva do conhecimento, tais como: fórum de discussão, webconferência, wiki, etc. Sendo assim, a partir do uso adequado destas ferramentas os níveis de interação professor/aluno e aluno/aluno podem ser aumentados. Porém, a existência de tecnologia apenas não basta, ela deve estar acessível a todos e também precisa ser selecionada de modo que suas características atendam às necessidades relativas à comunicação e interação entre professores e alunos, ou seja, a tecnologia precisa ser adequada aos objetivos aos quais se propõem, tornando efetivo o processo educativo. Em vista disso, a produção de materiais didáticos para cursos a distância inclui a identificação das necessidades e possibilidades tecnológicas em cada contexto, considerando as mediações tecnológicas já incorporadas anteriormente, buscando apropriar-se da tecnologia e visando atender às especificidades pedagógicas, de acordo com as habilidades dos atores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem (CORRÊA, 2007). No caso da Educação a Distância, a utilização das tecnologias nos processos de mediação pedagógica tem facilitado a pesquisa, a interação e a personalização: a pesquisa permite o acesso ao que acontece perto e longe de nós; a interação possibilita o aprendizado pela experiência dos outros; e a personalização favorece o aprendizado no ritmo, nas condições e de acordo com as motivações de cada um (MORAN, 2009). Diante do exposto, este artigo tem como objetivo mostrar como a utilização da matriz de design instrucional, que aponta as ferramentas a serem aplicadas nas atividades, tem auxiliado os processos de produção de material didático dos cursos de graduação e pósgraduação a distância da Universidade Federal de Lavras. 2

3 2. Elaboração de Material Didático Os cursos de graduação e pós-graduação a distância da Universidade Federal de Lavras (UFLA), ofertados no âmbito da Universidade Aberta do Brasil (UAB), tem a colaboração do Centro Educação a Distância (CEAD) da UFLA. Estes cursos estão fundamentados no modelo de Educação a Distância composto, fundamentalmente, de material impresso e material on-line que fica disponível para os estudantes no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) dos cursos. No modelo adotado pelo CEAD/UFLA, o material impresso empregado desde a primeira geração da Educação a Distância, no estudo por correspondência é representado por um guia de estudos, que aborda todo o conteúdo a ser estudado em cada disciplina do curso. Este guia está dividido em unidades de aprendizagem, de acordo com a ementa da disciplina e o conteúdo a ser estudado, e também indica leituras complementares. Quanto ao material impresso produzido para cursos a distância, e, sobretudo quanto aos guias de estudo, Moore e Kearsley entendem que: Os guias de estudo podem apresentar a organização e a estrutura do curso, mesmo quando forem transmitidos principalmente por outra tecnologia. Cursos que usam em grande escala vídeo ou outras tecnologias eletrônicas geralmente são criados tendo por base um guia do aluno e um guia do instrutor, ambos impressos. Os profissionais que criam os cursos dedicam muita atenção aos guias de estudo impressos, pois estes constituem a âncora para as demais tecnologias. Embora o guia de estudo apresente possivelmente o texto da matéria, deve proporcionar mais do que isso. Deve também conter instruções e orientação para alunos em seu estudo da disciplina e oferecer uma estrutura para interação dos alunos com os instrutores, seja por correspondência ou por alguma outra tecnologia. Não existe, por exemplo, nenhuma tecnologia melhor que o guia de estudo para comunicar as metas e os objetivos dos instrutores e sua abordagem geral e filosofia a respeito da disciplina. [...] O guia de estudo pode transmitir as opiniões dos instrutores e conselhos a respeito de como estudar a matéria; por exemplo, sugerindo quanto tempo dedicar a um tópico ou exercício específico. Como todo professor sabe, a ordem ou a estrutura lógica do conteúdo não é necessariamente a ordem psicológica apropriada para seu estudo (2008, p ). No caso do CEAD/UFLA, esses guias fornecem um roteiro de estudos e servem de elemento de ligação entre os outros materiais didáticos do curso. A apresentação, a explicação e a discussão sobre o conteúdo da disciplina são os assuntos principais tratados nos guias de estudos. Também fazem parte dos guias todas as informações necessárias para que o estudante consiga organizar seus estudos. Além do material impresso, no modelo do CEAD/UFLA, está presente o material online usado a partir da quinta geração da Educação a Distância, após o advento da Internet que é formado pelas atividades (avaliativas ou não) a serem desenvolvidas ao longo da disciplina, os textos complementares, as videoaulas, os links para textos e vídeos, etc. Este material é disposto no AVA do curso, considerando o cronograma da disciplina. Quanto às estratégias de ensino-aprendizagem a serem selecionadas pela equipe de desenvolvimento dos cursos, ao planejar as atividades e a avaliação que serão desenvolvidas pelos alunos no decorrer da disciplina, os professores responsáveis e os designers instrucionais precisam levar em conta a capacidade de retenção da informação relacionada a cada recurso disponível para ser utilizado. Esta capacidade e as estratégias de ensinoaprendizagem a ela associadas estão apresentadas no Quadro 1. 3

4 Quadro 1 Capacidade de retenção de informações e recursos associados. Capacidade de retenção Estratégias associadas Os alunos lembram 10% do que lêem Ler textos Os alunos lembram 20% do que ouvem Ouvir mensagens Os alunos lembram 30% do que vêem Ver imagens Os alunos lembram 50% do que ouvem e vêem Assistir a vídeos, a uma apresentação ou a uma demonstração Os alunos lembram 70% do que dizem e Participar de atividades práticas escrevem Os alunos lembram 90% do que fazem Realizar atividades colaborativas, simular ou modelar uma experiência real Fonte: Adaptado de Litto e Formiga (2009). O material didático dos cursos a distância do CEAD/UFLA é elaborado e produzido por um grupo de trabalho multidisciplinar formado basicamente por: professor conteudista, professor formador, designer instrucional, designer gráfico e revisor textual. Estes atores envolvidos nos processos de elaboração e produção do material didático possuem papéis distintos. De fato, Moore e Kearsley (2008) apontam que o planejamento de um curso a distância requer não apenas o especialista em conteúdo, mas também profissionais da área de instrução, que possam organizar o conteúdo de acordo com aquilo que é conhecido a respeito da teoria e da prática do gerenciamento da informação e da teoria do aprendizado (p.15). Nesta perspectiva, o professor conteudista é responsável pela produção do conteúdo dos guias de estudos das disciplinas dos cursos a distância. Já o professor formador é responsável pela elaboração das atividades de aprendizagem e da avaliação, sejam elas presenciais ou a distância. Tanto o professor conteudista quanto o professor formador são especialistas na área de estudos da disciplina. O trabalho do designer instrucional está relacionado a várias atividades que definem o projeto do curso, a saber: estruturação dos guias de estudos em unidades didáticas; adequação do texto para linguagem dialógica 1 ; experimentação das atividades de aprendizagem; colaboração para determinação do processo de avaliação da aprendizagem dos alunos. De acordo com Filatro: Definimos design instrucional como a ação intencional e sistemática de ensino que envolve o planejamento, o desenvolvimento e a aplicação de métodos, técnicas, atividades, materiais, eventos e produtos educacionais em situações didáticas específicas, a fim de promover, a partir dos princípios de aprendizagem e instrução conhecidos, a aprendizagem humana. Em outras palavras, definimos design instrucional como o processo (conjunto de atividades) de identificar um problema (uma necessidade) de aprendizagem e desenhar, implementar e avaliar uma solução para esse problema (2008, p. 3). O designer instrucional, ao propor soluções para os problemas educacionais, deve considerar que teorias pedagógicas diferentes atendem a necessidades de aprendizagem diversas. Para selecionar os métodos pedagógicos mais adequados a essas necessidades é preciso analisar os objetivos de aprendizagem (FILATRO, 2008). A autora ainda diz que: Assim, quando os alunos estão iniciando a aprendizagem de algum tema e têm pouco conhecimento ou habilidades anteriores, estratégias mais formalmente estruturadas são mais adequadas, já que permitem aos estudantes formar conceitos que lhes servirão de 1 Linguagem Dialógica: linguagem que pressupõe um forte diálogo com o leitor do texto, refere-se à comunicação bidirecional (FRANCO, 2007). 4

5 referências em futuras explorações. Já para aprendizagens mais complexas, que pressupõem o desenvolvimento de competências especializadas, contextos de aprendizagem mais autênticos convidam os alunos a tomar decisões inteligentes, combinando ação e reflexão (p. 13). A função do designer gráfico envolve dois aspectos fundamentais estética e funcionalidade a serem considerados no projeto gráfico dos materiais didáticos de cursos on-line. A informação visual precisa estar organizada de modo confortável e compreensível para o público. É necessário que ela se projete por si só, que tenha uma identidade única e que, certamente, também seja esteticamente agradável (REGGIANI, 2007, p.67). O projeto gráfico de um curso a distância envolve desde a criação da identidade visual do curso (logomarca) até a definição do esquema gráfico (layout) das páginas do material impresso e da página web do material on-line. A revisão textual de materiais didáticos deve considerar os seguintes aspectos: cognitivos, que se referem ao processamento da informação e à aquisição do conhecimento; linguísticos, que antecedem à compreensão semântica do texto; extralinguísticos, que tratam dos conhecimentos prévios dos alunos (FRANCO, 2007). O autor ainda explica que: Isso significa, em relação aos aspectos linguísticos, que é preciso estar atento à estrutura textual que deve colaborar para a automatização da leitura. Quanto aos aspectos extralinguísticos, o foco será dado no processo interacional. Uma vez que não se tem a interação face a face como no ensino presencial, o texto deve ser elaborado de forma a suprir possíveis lacunas dessa interação. Portanto, trata-se de uma produção textual repleta de pistas textuais e contextuais, que privilegia o aspecto dialógico e também reflete a preocupação com os aspectos cognitivos que possibilitam uma melhor inferência do leitor (p. 35). O revisor textual realiza a correção ortográfica e gramatical, bem como observa a lógica e a precisão dos textos impresso e on-line, com o devido cuidado para não alterar o estilo de expressão do autor. Portanto, a revisão textual não se restringe a corrigir os erros de escrita presentes no texto, mas também faz uma análise da estrutura do texto avaliando sua inteligibilidade. 3. Processos para Produção de Material Didático A criação de cursos a distância envolve processos em larga escala, que foram mapeados originalmente pela Instructional System Design (ISD) 2. Estes grandes processos são: análise, desenho, desenvolvimento, implementação e avaliação. O Quadro 2 apresenta os processos para produção de cursos a distância, trazendo uma breve descrição das atividades envolvidas nestes processos. No presente artigo será tratado mais especificamente o processo de produção de material didático, que faz parte da fase de desenvolvimento de cursos a distância. Esta fase trata da produção dos guias de estudos e dos materiais on-line, que incluem as atividades do Ambiente Virtual de Aprendizagem. 2 A ISD surgiu após a Segunda Guerra Mundial com a finalidade de treinamento rápido e eficiente. Possui diversas perspectivas teóricas sobre o processo de ensino-aprendizagem, incluindo a teoria dos sistemas, a psicologia behaviorista e a teoria da comunicação e informação (MOORE e KEARSLEY, 2008). 5

6 Quadro 2 Processos para produção de cursos a distância. Processos Objetivos Atividades Análise Identificação Identificação das características dos cursistas Levantamento das necessidades educacionais Desenho Especificação Mapeamento dos conteúdos a serem trabalhados Definição das estratégias de ensino-aprendizagem Seleção de mídias e ferramentas a serem utilizadas Desenvolvimento Produção Produção dos materiais didáticos do curso on-line Preparação do Ambiente Virtual de Aprendizagem Implementação Ação Aplicação da proposta de design instrucional Disponibilização do conteúdo das disciplinas Execução das atividades de aprendizagem Avaliação Reflexão Verificação da eficácia dos materiais produzidos Revisão das estratégias implementadas no curso Fontes: Adaptado de Filatro (2008); Moore e Kearsley (2008). Muitos autores discutem diretrizes sobre a produção de material didático de cursos a distância, entre eles: Corrêa (2007); Filatro (2008); Moore e Kearsley (2008); Schuelter (2010). No caso dos cursos a distância do CEAD/UFLA, os principais processos envolvidos na produção de material didático estão apresentados na Figura 1. Concepção do Material Design Instrucional Revisão Textual Design Gráfico Reprodução do Material Figura 1 Processos para produção de material didático. No processo de concepção do material, realiza-se a elaboração do conteúdo para os guias de estudos a partir da ementa da disciplina, delimitando o conteúdo de acordo com a carga-horária da disciplina e organizando o mesmo em unidades didáticas, nas quais devem estar claros os objetivos de aprendizagem. Em relação ao material on-line, tem-se a elaboração das atividades, selecionando as estratégias de ensino-aprendizagem e definindo o processo de avaliação. Em seguida, na etapa de design instrucional, a partir da identificação das necessidades pedagógicas dos estudantes, é concebida a matriz de design instrucional, definindo as ferramentas do AVA a serem utilizadas no desenvolvimento das atividades. Nesta etapa, também é feita a adaptação do conteúdo da disciplina para linguagem dialógica. Fazem parte do processo de revisão textual os trabalhos de correção ortográfica dos materiais impressos e dos materiais disponíveis no AVA, bem como de verificação da adequação dos materiais aos objetivos específicos de aprendizagem da disciplina e ao objetivo geral do curso. Na etapa de design gráfico são desenvolvidas as seguintes atividades: criação da identidade visual do curso, criação do projeto gráfico dos materiais impressos e on-line, definição do template da página WEB, diagramação dos textos impressos e editoração eletrônica dos textos on-line. 6

7 Finalmente, o processo de reprodução do material é composto pela reprodução do material impresso, pela reprodução das mídias digitais e pela replicação das salas de aula virtuais no AVA. O CEAD/UFLA tem se preocupado com a devida implantação desses processos em seu fluxo de trabalho. Neste sentido, surgiu a proposta apresentada a seguir (Figuras 2, 3 e 4), que trata das atividades desenvolvidas no decorrer dos processos supracitados, relativas à produção de material didático para cursos a distância. Atividades Elaboração da Matriz de Design Instrucional da Disciplina > Elaboração do Guia de Estudos da Disciplina Figura 2 Atividades desenvolvidas no mês 1. Semanas Atividades Análise e Aprovação do Guia de Estudos Revisão Textual do Guia de Estudos Diagramação do Guia de Estudos Aprovação Final e Envio para Reprodução Figura 3 Atividades desenvolvidas no mês 2. Semanas Atividades Elaboração das Atividades Previstas na Matriz de DI Análise e Aprovação das Atividades Elaboradas Implantação das Atividades no Ambiente Virtual Figura 4 Atividades desenvolvidas no mês 3. Semanas Este método de trabalho, que considera as atividades realizadas nas fases do processo de produção de material didático (impresso e on-line) e seu cronograma, tem sido empregado na organização das rotinas de trabalho do CEAD/UFLA. 4. Matriz de Design Instrucional No que diz respeito à produção de material didático para cursos a distância, fica claro que a equipe de trabalho precisa ser formada por profissionais de áreas diversas, devido à especificidade de cada etapa dos processos de desenvolvimento. Sendo assim, Moore e Kearsley expõem que: Em virtude de os cursos e o ensino serem veiculados por tecnologia, os materiais do curso precisam ser elaborados por especialistas que saibam como fazer o melhor uso de cada tecnologia disponível. Embora existam alguns especialistas em conteúdo que também possuem aptidão para elaboração de instruções e outros que têm conhecimento de tecnologia, muito poucos são igualmente especialistas nessas três áreas. É melhor que essas responsabilidades sejam assumidas por especialistas diferentes. Os profissionais que criam as instruções devem trabalhar com os especialistas em conteúdo para ajudá-los a decidir sobre assuntos como: os objetivos do curso, os exercícios e as atividades que os alunos deverão realizar, o layout do texto e as ilustrações (seja em exemplares impressos ou em materiais pela Internet), o conteúdo de segmentos gravados em áudio ou vídeo e as 7

8 questões para sessões interativas nas salas de bate-papo on-line ou por áudio ou videoconferência. Designers gráficos, programadores de internet e outros especialistas em mídia devem ser agrupados para transformar as ideias dos especialistas em conteúdo e dos profissionais que elaboram as instruções em materiais e programas do curso, de boa qualidade. É preciso decidir sobre que parte das instruções pode ser veiculada mais eficazmente, considerando cada mídia em particular. Por fim, os especialistas em avaliação e pesquisa devem planejar o modo de avaliar o aprendizado individual do aluno, bem como a eficácia de todos os aspectos do curso de educação a distância, a fim de assegurar que ele dê certo; em outras palavras, atender às necessidades dos alunos e da organização de ensino, e proporcionar um aprendizado com redução de custo (2008, p. 15). Devido a toda essa complexidade que envolve a produção de material didático para Educação a Distância, é necessária a implantação de uma gestão de processos e de pessoas para que as tarefas e seus responsáveis sejam bem definidos. Também é preciso gerar um arquivo que armazene todas as informações referentes à construção dos materiais didáticos, tais como: unidades de aprendizagem, objetivos de aprendizagem, atividades de aprendizagem, atividades avaliativas, critérios avaliativos, etc. Com o propósito de organizar e armazenar as informações relativas ao desenvolvimento das atividades e do processo de avaliação da aprendizagem de cada disciplina dos cursos a distância do CEAD/UFLA, foi elaborada uma matriz de design instrucional. Este instrumento serve para orientar o trabalho da equipe multidisciplinar envolvida na realização dos cursos. Quanto à matriz, Filatro afirma que: De fato, por meio da matriz, podemos definir quais atividades serão necessárias para atingir os objetivos, bem como elencar quais conteúdos e ferramentas serão precisos para a realização das atividades. Podemos também estabelecer como se dará a avaliação do alcance dos objetivos. A matriz permite ainda verificar quais serão os níveis de interação entre o aluno e os conteúdos, as ferramentas, o educador e os outros alunos e que tipo de ambiente virtual será necessário para o desempenho das atividades (2008, p. 44). A Figura 5 apresenta o modelo de matriz de design instrucional criado por Martins (2008) e utilizado nos cursos a distância do CEAD/UFLA. Os elementos formadores da matriz indicam o conteúdo e as atividades a serem trabalhados em cada semana que são dimensionados de acordo com a carga-horária disponível determinando qual a produção esperada do aluno e quais os critérios de avaliação adotados. Semana CH Conteúdo Atividades P/D I/G Ferramentas Produção do Aluno Critérios de Avaliação 1 20 h Unidade 1 Leitura de conteúdo; D I Questionário Fazer a leitura da Unidade 1 do material de impresso; Resolução questionário h Unidade 2 Leitura de conteúdo; Participação fórum temático. em D G Fórum de Discussão Figura 5 Modelo de matriz de design instrucional. Responder ao Questionário 1 proposto no AVA. Fazer a leitura da Unidade 2 do material impresso; Participar do Fórum 2 proposto no AVA. 0 não respondeu 5 resposta com recorte/cópia de textos, sem elaboração pessoal 10 resposta coerente com a proposta da atividade, bem elaborada e articulada com o que foi estudado 0 não participou 5 participação burocrática 7,5 participação colaborativa 10 participação inovadora Os elementos da matriz de design instrucional (conteúdo e atividades) são definidos pelos professores conteudistas e professores formadores das disciplinas, em conjunto com o profissional responsável pelo design instrucional do curso, que apontam quais ferramentas são 8

9 mais adequadas para seu desenvolvimento. A seguir expõe-se uma breve descrição a respeito dos elementos formadores da matriz de design instrucional no Quadro 3. Elementos da Matriz Quadro 3 Elementos da matriz de design instrucional. Descrição dos Elementos Semana Carga Horária Conteúdo Aponta o período disponível para realização das atividades de acordo com o calendário da disciplina Determina a carga horária necessária para realização das atividades, incluindo a leitura do conteúdo Menciona as unidades didáticas abrangidas pelo conteúdo referente às atividades de aprendizagem Atividades Enuncia quais atividades de ensino-aprendizagem serão desenvolvidas ao longo do período P e/ou D I e/ou G Ferramentas Produção do Aluno Indica se as atividades devem ser realizadas no presencial (P) ou a distância (D) Indica se as atividades devem ser realizadas individualmente (I) ou em grupo (G) Define quais ferramentas de comunicação e interação serão usadas no desenvolvimento das atividades Explicita qual a produção final esperada do aluno na conclusão da atividade Critérios de Avaliação Fonte: Adaptado de Martins, Explicita quais critérios serão usados na avaliação, considerando o que se espera na resolução da atividade A partir da definição de todos estes elementos, ficam explícitas as orientações de aprendizagem, que se referem à forma como se espera que o aluno se organize para estudar o conteúdo. Estas orientações devem ser compostas pelos seguintes tópicos: Materiais: indicar que materiais se deve utilizar para o estudo; qual a ordem de estudo dos materiais; onde encontrar os materiais. Cronograma: apresentar o cronograma da disciplina ao aluno, sugerindo o tempo que ele deve reservar para estudar cada conteúdo e indicando os prazos de entrega das atividades. Atividades: enumerar as atividades que serão desenvolvidas e a pontuação de cada uma. Sugere-se colocar um título para a atividade e especificar o tipo de atividade. Avaliação: esclarecer os critérios de avaliação da disciplina para o aluno, não apenas a pontuação, mas também os itens que serão observados na avaliação. 9

10 Considerando o trabalho da equipe multidisciplinar do CEAD/UFLA, responsável pela confecção dos materiais didáticos dos cursos de graduação e pós-graduação, pode-se dizer que a utilização da matriz de design instrucional para apoiar a produção destes materiais tem contribuído com os seguintes aspectos: Planejamento do estudo dos alunos, deixando bem claro o que deve ser feito em cada semana no decorrer da disciplina; Orientação do trabalho dos professores conteudistas e dos professores formadores; Direcionamento das atividades desenvolvidas pela equipe de tutoria do curso; Organização das atividades desenvolvidas pela equipe de tecnologia de informação; Gerenciamento dos processos executados pela equipe multidisciplinar do curso. 5. Referências Bibliográficas 1. BELLONI, M. L. Educação a distância. 2ª edição. Campinas/SP: Autores Associados, CORRÊA, J. (org.). Educação a distância: orientações metodológicas. Porto Alegre: Artmed, FRANCO, M. A. M. Elaboração de material impresso: conceitos e propostas. In: CORRÊA, J. (org.). Educação a distância: orientações metodológicas. Porto Alegre: Artmed, FILATRO, A. Design instrucional na prática. São Paulo: Pearson Education do Brasil, GAGNE, R. M.; WAGER, W. W.; GOLAS, K. C.; KELLER, J. M. Principles of instructional design. 5ª edição. Cengage Learning, LITTO, F. M.; FORMIGA, M. (orgs.). Educação a distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education, LITWIN, E. (org.). Educação a distância: temas para o debate de uma nova agenda educativa. Porto Alegre: Artmed, MARTINS, R. X. Design instrucional do curso estratégias e gestão aplicadas à educação a distância. Monografia. Curso de Especialização em Design Instrucional. Itajubá/MG: UNIFEI, MARTINS, R. X.; FERRARI, F. B. Orientações para elaboração de material didático de cursos na modalidade EaD. Lavras/MG: UFLA, MASETTO, M. T. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In: MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 3ª edição. Campinas/SP: Papirus, MOORE, M.; KEARSLEY, G. Educação a distância: uma visão integrada. São Paulo: Cengage Learning, MORAN, J. M. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 4ª edição. Campinas/SP: Papirus, REGGIANI, M. Projeto gráfico: construindo a identidade visual. In: CORRÊA, J. (org.). Educação a distância: orientações metodológicas. Porto Alegre: Artmed, SCHUELTER, G. Modelo de educação a distância empregando ferramentas e técnicas de gestão do conhecimento. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento. Florianópolis: UFSC, TORI, R. Educação sem distância: as tecnologias interativas na redução de distâncias em ensino e aprendizagem. São Paulo: Editora SENAC,

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