ANEXO B CONTEXTUALIZAÇÃO DA PROMOÇÃO DA SAÚDE EM MODELO DE GESTÃO ORGANIZACIONAL DE ALTO DESEMPENHO

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1 ANEXO B CONTEXTUALIZAÇÃO DA PROMOÇÃO DA SAÚDE EM MODELO DE GESTÃO ORGANIZACIONAL DE ALTO DESEMPENHO Autoria: Elaine Emar Ribeiro César Fonte: Critérios Compromisso com a Excelência e Rumo à Excelência / Fundação Nacional da Qualidade São Paulo: Fundação Nacional da Qualidade, (Site: A consecução plena de todos os objetivos traçados para o Seminário é dependente de adequada e suficiente preparação do ambiente organizacional para implementação, melhoria, inovação e monitoramento de práticas de promoção da saúde. Esse investimento inclui atendimento aos requisitos abaixo comentados. a) Compreensão do conceito de saúde O conceito de saúde não precisa estar vinculado ao conceito de doença. Não significa, estritamente, ausência de doença. A saúde é uma aptidão natural que pode ser desenvolvida e continuamente melhorada. É um bem essencial, precioso, individual, indivisível e primordial à liberdade, resultante do atendimento a adequadas condições de alimentação, habitação, saneamento, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse de terra e acesso a serviços de saúde. A saúde das pessoas e da coletividade não pode ser o resultado da atuação isolada de uma única profissão, mas, sim, de atividades sinérgicas multiprofissionais e transdisciplinares. b) Compreensão do conceito de promoção da saúde na perspectiva individual Um programa de promoção da saúde individual abrange investimentos em quatro áreas básicas: autocuidados (alimentação, atividade física, postura, educação para a

2 2 saúde, controle ambiental e proteção da saúde); qualidade dos relacionamentos interpessoais (incentivo ao diálogo, ao convívio cooperativo, à valorização das diferenças e desenvolvimento de grupos e equipes); equilíbrio no cotidiano (administração do tempo, priorização e distribuição de tarefas e equilíbrio entre lazer e trabalho) e autodesenvolvimento/ampliação no conjunto de experiências e conhecimento (incentivo à cultura, às artes, ao esporte e lazer e desenvolvimento das potencialidades humanas). c) Compreensão do conceito de promoção da saúde na perspectiva das organizações e da sociedade Nas organizações, um programa integrado de promoção da saúde: requer atuação de gestores visionários que direcionem um olhar para o ambiente organizacional interno e o outro para o micro e macro ambiente externo e se mantenham atentos às mobilizações que estão ocorrendo no mercado global, altamente competitivo; inclui implementação de processos relativos a políticas públicas e organizacionais de saúde, ambiente saudável e seguro, estilo de vida saudável e fatores de risco que gerem, como resultado, aumento do grau de saúde, segurança, bem-estar, satisfação e motivação das pessoas que compõem a força de trabalho e melhoria das condições ergonômicas e do clima organizacional; demanda responsabilidade das organizações em contribuir para o desenvolvimento econômico, social e ambiental, de forma sustentável, da sociedade; minimiza os impactos negativos potenciais dos produtos, processos e instalações das organizações na sociedade; assegura interação ética e transparente das organizações com as comunidades onde estão inseridas, através da realização, coordenação, patrocínio e/ou apoio a projetos sociais e ambientais que tenham como foco a promoção da saúde;

3 3 estimula o exercício da cidadania, solidariedade, valorização das pessoas, responsabilidade socioambiental e do trabalho voluntário. d) Avaliação do grau de comprometimento da alta direção com a promoção da saúde. A responsabilidade e constância de propósito da liderança de uma organização com a promoção da saúde de seus proprietários e acionistas, sua força de trabalho, seus fornecedores e clientes e da sociedade devem englobar: interação e demonstração de comprometimento; atendimento à suas necessidades; criação de valor; atuação na criação e no desenvolvimento de um ambiente propício para a busca de práticas de gestão baseadas em fatos e orientadas por resultados; desenvolvimento de competências de liderança definidas através da realização de avaliação de desempenho 360 º. e) Inserção de compromisso com promoção da saúde na cultura organizacional. Os valores, crenças e diretrizes devem atender às necessidades e promover a cultura da promoção da saúde nas organizações. Precisam ser estabelecidos, disseminados e atualizados pelos membros da alta direção e entendidos em todos os níveis das organizações. A relação entre clima e cultura organizacional deve ser bem compreendida. f) Planejamento da inclusão da integração e interação de indicadores de promoção da saúde na análise crítica do desempenho global das organizações. A análise crítica do desempenho global das organizações deve ser realizada com periodicidade definida, utilizando-se indicadores de desempenho e desenvolvida com a participação da alta direção. Deve considerar as informações qualitativas, as informações comparativas pertinentes e as variáveis do ambiente externo.

4 4 As decisões resultantes da análise devem ser comunicadas a todos os níveis da organização pela alta direção. g) Inserção de promoção da saúde nas estratégias organizacionais formuladas pela alta direção. Decisões devem ser tomadas quanto aos caminhos que conduzem ao sucesso e à plena consecução dos objetivos definidos para as ações de promoção da saúde. Essas decisões devem ser orientadas, também, pelas variáveis, controláveis e não controláveis e as favoráveis e não favoráveis, do macro ambiente externo demográficas, epidemiológicas, sociais, culturais, ecológicas, políticas, tecnológicas e econômicas. No micro ambiente, os clientes, os fornecedores, organizações públicas e privadas parceiras, a equipe de voluntários e a comunidade devem ser impactados de forma positiva pela eficácia dos resultados dos processos de promoção da saúde desenvolvidos internamente nas organizações e direcionados à força de trabalho. As estratégias que planejam o desempenho dos processos de promoção da saúde devem ser: formuladas a partir de informações íntegras e atualizadas dos aspectos que são fundamentais para o êxito de cada uma delas; coerentes com as necessidades das partes interessadas; comunicados às partes interessadas pertinentes; desdobradas em planos de ação. h) Elaboração de planos de ação relativos à promoção da saúde. Os planos de ação elaborados devem ser conhecidos e compreendidos pelas pessoas que compõem a força de trabalho das organizações, que devem ser estimuladas a contribuírem para suas implementações.

5 5 Os processos de implementação devem ser executados por meio de adequado acompanhamento e dispor de recursos suficientes, devidamente alocados. i) Abordagem por processo dentro de uma visão sistêmica. A visão sistêmica pressupõe que as pessoas da organização entendam o seu papel no todo, as inter-relações entre os elementos que compõem a organização bem como a interação desta com o mundo externo. Também direciona o uso do sistema de indicadores para correlacionar as estratégias com os principais processos para melhoria do desempenho, visando ao atendimento às necessidades de todas as partes interessadas. As organizações são constituídas por uma complexa combinação de recursos (capital humano, capital intelectual, instalações, equipamentos e softwares etc.) independentes e inter-relacionados, que devem perseguir os mesmos objetivos e cujos desempenhos podem afetar positiva ou negativamente a organização em seu conjunto. Um sistema integrado de promoção da saúde pode ser dividido em subsistemas e componentes com menor grau de complexidade, permitindo maior facilidade no gerenciamento das atividades e processos. Porém, a tomada de decisão, o gerenciamento dos processos e a análise do desempenho do sistema devem considerar o conjunto de subsistemas e suas inter-relações. O alto desempenho e o sucesso de um sistema integrado de promoção da saúde em uma organização requerem que todas as atividades inter-relacionadas sejam compreendidas e gerenciadas segundo uma visão de processos. Conhecer os fornecedores e os clientes dos processos, seus requisitos e o que cada atividade adiciona de valor na busca do atendimento a esses requisitos é de fundamental importância.

6 6 São requeridas, também, a identificação e a análise de todos os processos. Essa análise proporciona melhor entendimento do sistema e permite a definição adequada de responsabilidades, a utilização eficiente dos recursos, a prevenção e solução de problemas, a eliminação de atividades redundantes e a identificação clara de clientes e fornecedores. Na abordagem por processo dentro de uma visão sistêmica, o foco é a integração / interação / inter-relação / correlação dos processos. Portanto, todo processo de promoção da saúde deve ser planejado, desenvolvido, executado, monitorado e avaliado considerando-se como seus integrantes: entradas (insumos ou recursos): dados; informações; conhecimento; habilidade técnica e de motivar pessoas; competências (organizacional, técnica, comportamental e emocional), educação continuada, treinamento e recursos (material, financeiro, capital humano e capital intelectual); saídas (produtos): aumento do nível de saúde, segurança, bem-estar, satisfação e motivação e melhoria das condições ergonômicas, do clima organizacional e da interação da organização com a comunidade e sociedade; fornecedores internos: medicina do trabalho, enfermagem, terapia ocupacional, fisioterapia, educação física, nutrição, fonoaudiologia, odontologia, psiquiatria, psicologia, assistência social e setor de recursos humanos; clientes internos: proprietários, alta direção e força de trabalho; fornecedores externos: planos e seguros de saúde, organizações públicas e privadas, profissionais, consultores, SUS, ONGs e voluntários; clientes externos: acionistas, familiares dos colaboradores, clientes da organização, comunidade e sociedade. j) Compreensão da função e importância dos indicadores. Indicadores são dados ou informações necessárias que quantificam entradas de processos (insumos e recursos); saídas de processos (produtos) e desempenho de processos, produtos e da organização.

7 7 São utilizados para acompanhar e melhorar resultados ao longo do tempo. O comportamento do conjunto de resultados ao longo do tempo é denominado Tendência. As tendências positivas e negativas são demonstradas pela análise da série histórica dos resultados. Os resultados dos indicadores devem demonstrar relevância, atributos nível de desempenho e tendência e ser examinados em relação às informações comparativas pertinentes. A integração de indicadores é a combinação de diferentes indicadores visando facilitar sua análise. É a capacidade de um indicador ou o grupo de indicadores de interagir com outros indicadores ou grupos, visando a permitir a medição do desempenho global de uma organização, de sistemas, de subsistemas ou de aspectos relevantes. Os indicadores de desempenho são definidos no planejamento de medição de processos, produtos e da organização. São classificados integrados e correlacionados para apoiar a análise crítica do desempenho global. Os principais que são relevantes para uma organização como um todo devem possuir metas de curtos e longos prazos. As metas são níveis de desempenho pretendidos para um determinado período de tempo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde através de um conceito multidimensional - biopsicossocial - que, simultaneamente, inclui componentes tangíveis e intangíveis, objetivos e subjetivos e mensuráveis e não mensuráveis de bem-estar e que enfatiza o melhor em detrimento do mais. Considera a saúde difícil de ser palpada objetivamente, pois além do bem-estar físico e da ausência de doenças nas pessoas, elas têm que estar desfrutando, também, de pleno bem-estar psíquico e social.

8 8 Mas, porque não se pode quantificar e medir com exatidão e de forma satisfatória o bem-estar psíquico e social dos indivíduos, ninguém pode afirmar que eles inexistam. A impossibilidade de transformar alguns bens imateriais em números nos leva a perceber a concretude e o tamanho deles, pelo impacto que eles causam. Portanto, quando são considerados todos os aspectos comentados até aqui, torna-se evidente que, para monitorar e melhorar os programas de promoção da saúde ao longo do tempo podem ser utilizados indicadores de entrada, de desempenho, de saída e de impacto relativos aos processos desenvolvidos para aumentar o nível de saúde, bem-estar, satisfação e motivação e melhorar a segurança, as condições ergonômicas e o clima organizacional no ambiente de trabalho.

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