ANNA CAROLINA EUCLIDES SANTOS BRUNO HENRIQUE FELIPE GOMES JULIANA LIMA CREDENDIO

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1 FUNDAÇÃO DE ENSINO EURÍPIDES SOARES DA ROCHA CENTRO UNIVERSITÁRIO EURÍPIDES DE MARÍLIA UNIVEM CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS COM HABILITAÇÃO EM COMÉRCIO EXTERIOR ANNA CAROLINA EUCLIDES SANTOS BRUNO HENRIQUE FELIPE GOMES JULIANA LIMA CREDENDIO A IMPORTÂNCIA DAS TRADING COMPANIES PARA O COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO MARÍLIA 2007

2 ANNA CAROLINA EUCLIDES SANTOS BRUNO HENRIQUE FELIPE GOMES JULIANA LIMA CREDENDIO A IMPORTÂNCIA DAS TRADING COMPANIES PARA O COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO Trabalho de Curso apresentado ao Centro Universitário Eurípides de Marília, mantido pela Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha, para obtenção do título de Bacharel em Administração de Empresas com habilitação em Comércio Exterior. Orientadora: Prof a. Giuliana Aparecida Santini Pigatto MARÍLIA 2007

3 SANTOS, Anna Carolina Euclides; GOMES, Bruno Henrique Felipe; CREDENDIO, Juliana Lima. A Importância das Trading Companies para o Comércio Exterior Brasileiro / Anna Carolina Euclides Santos, Bruno Henrique Felipe Gomes, Juliana Lima Credendio; orientadora: Giuliana Aparecida Santini Pigatto. Marília, SP: [s.n.], f. Trabalho de Curso (Bacharelado em Administração de Empresas com habilitação em Comércio Exterior) - Centro Universitário Eurípides de Marília, Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha. 1. Trading Company 2. Exportações 3. Importância CDD: 382.6

4 ANNA CAROLINA EUCLIDES SANTOS RA. Nº BRUNO HENRIQUE FELIPE GOMES RA. Nº JULIANA LIMA CREDENDIO RA. Nº A IMPORTÂNCIA DAS TRADING COMPANIES PARA O COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO BANCA EXAMINADORA DO TRABALHO DE CURSO PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE BACHAREL EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS COM HABILITAÇÃO EM COMÉRCIO EXTERIOR CONCEITO FINAL: ( ) ORIENTADORA: Prof a. Giuliana Aparecida Santini Pigatto 1º EXAMINADOR: 2º EXAMINADOR:

5 AGRADECIMENTOS A Deus por nos conceder o dom da vida e a oportunidade de estarmos aqui hoje. Aos nossos pais pelos dias de trabalho, pelas horas de compreensão e pelos momentos de dedicação neste início da longa caminhada da vida. Aos sábios (professores), por nos proporcionarem os primeiros passos em nossa vida profissional, e muitas vezes pessoal, empenhados em transmitir seus conhecimentos, sabedoria e prática. E um agradecimento especial à nossa prezada orientadora, por ter nos guiado durante todo o desenvolvimento deste trabalho.

6 É preferível arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glória, mesmo expondo-se à derrota, do que formar a fila dos podres de espírito, que nem gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta dos que não conhecem vitória, nem derrota (ROOSEVELT).

7 SANTOS, Anna Carolina Euclides; GOMES, Bruno Henrique Felipe; CREDENDIO, Juliana Lima. A Importância das Trading Companies para o Comércio Exterior Brasileiro f. Trabalho de Curso (Bacharelado em Administração de Empresas com habilitação em Comércio Exterior) - Centro Universitário Eurípides de Marília, Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha. Marília, RESUMO Realizado por meio de estudo exploratório, este trabalho tem como objetivo evidenciar a importância das Trading Companies para o Comércio Exterior Brasileiro, uma vez que, estas auxiliam as organizações a se inserirem no mercado externo, e esta inserção pode gerar o incremento das exportações, fator que pode influenciar de forma positiva o desenvolvimento de uma nação. O trabalho também busca analisar a sistemática operacional das Trading Companies, sua constituição e formas de atuação, bem como os incentivos e vantagens proporcionados a quem as utilizam. Devido à representatividade cada vez mais crescente das organizações no processo de comercialização entre as nações, chega-se a conclusão de que a divulgação e o conhecimento sobre mais essa alternativa de internacionalização dos produtos é um fator primordial para as organizações que busquem o desafio de entrar no competitivo mercado internacional. Palavras-chave: Trading Company, Exportações, Importância.

8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO...07 CAPÍTULO 1 APRESENTAÇÃO DO TEMA Apresentação do tema e objetivos propostos Metodologia Justificativa da pesquisa...11 CAPÍTULO 2 TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL Introdução às Teorias Econômicas Mercantilismo Teoria das Vantagens Absolutas Teoria das Vantagens Comparativas A Vantagem Competitiva das Nações A Internacionalização e o Marketing Global Por que Exportar?...24 CAPÍTULO 3 CARACTERÍSTICAS DAS TRADING COMPANIES Histórico Evolução das Trading Companies no Brasil Definição e formas de atuação Arcabouço Legal Breve comparação entre Trading Company e Comercial Exportadora Beneficiários dos incentivos à exportação Benefícios fiscais proporcionados ao fabricante Benefícios fiscais proporcionados à Trading Company Exigências de cumprimento por parte do fabricante Exigências de cumprimento por parte da Trading Company Outras vantagens na utilização das Trading Companies na exportação...40 CONCLUSÃO...42 REFERÊNCIAS...44 ANEXOS...47

9 7 INTRODUÇÃO O objetivo de pesquisar o tema A Importância das Trading Companies para o Comércio Exterior Brasileiro deve-se à necessidade de aprofundar o conhecimento em uma ferramenta que pode ser utilizada para as exportações brasileiras, sendo também um assunto com potencial de exploração nas grades universitárias, e, além disso, por se tratar de um tema ainda com baixo número de publicações relacionadas ao assunto. As exportações brasileiras são realizadas de duas formas: exportação direta, na qual, o próprio fabricante se responsabiliza por todo o trâmite da exportação, tendo conhecimento e prática na inserção do produto no mercado externo, ou, exportação indireta, que consiste na venda do produto à uma empresa comercial no mercado interno, que posteriormente o destinará a exportação; normalmente, essa segunda forma de exportação é utilizada por empresas inexperientes no processo de exportação, caracterizadas como novos entrantes. Por isso, relacionando ao nosso campo de atuação, é determinante o conhecimento da sistemática operacional utilizada pelas Trading Companies, suas formas de atuação, vantagens e benefícios, incentivos fiscais e financeiros, visto que, trata-se de mais uma forma de se trabalhar com bens e serviços no mercado internacional.

10 8 1. APRESENTAÇÃO DO TEMA 1.1. Apresentação do tema e objetivos propostos O comércio entre as nações tem se intensificado a cada ano. De acordo com Seitenfus (2004), a economia globalizada vem possibilitando que empresas de qualquer nação estabeleçam laços comerciais; independentemente se forem estatais ou privadas, de pequeno ou de grande porte. As trocas internacionais estão acontecendo de forma acelerada e, conseqüentemente, estimulam o crescimento econômico, resultando em maior prosperidade global. O Brasil está inserido nessa atual conjuntura mundial. No período de 1995 a 1998, o País mantinha crescimento em suas operações comerciais internacionais, mas apresentava déficit comercial, pois o total das importações era superior ao das exportações. Este quadro passou a mostrar sinais de reversão no início de 1999, quando houve a desvalorização do real frente ao dólar americano, incentivando as exportações brasileiras (CANUTO, s.d.). Por meio da análise dos dados consolidados da Balança Comercial Brasileira, podese observar que o Brasil esteve em déficit comercial até o ano de No ano de 2001, apresentou superávit de US$ 2,68 milhões, e desde então, vem apresentando resultados crescentes. No ano de 2006, o país alcançou a cifra recorde de US$ 228,9 bilhões nas transações comerciais internacionais, sendo que, as exportações somaram US$ 137,5 bilhões, apresentando crescimento de 17,1% em relação ao ano de 2005; e as importações totalizaram US$ 91,4 bilhões, com crescimento de 25,2% sobre o mesmo período. Essas transações permitiram que o país alcançasse o superávit de US$ 46,1 bilhões, montante inédito na história do comércio exterior brasileiro. As perspectivas para o ano de 2007 também são positivas. A meta estabelecida pelo governo brasileiro é de US$ 152 bilhões para as

11 9 exportações e US$ 114 bilhões para as importações. Estes dados mostram a seqüência do crescimento das transações comerciais internacionais, e ressaltam os avanços significativos do Brasil (MDIC, 2007). Segundo MDIC (2001), o Itamaraty tem buscado representar os interesses do país na esfera de suas relações externas. Isso pode ser notado pela criação, em 1997, da Agência de Promoção das Exportações (APEX), responsável pela política de promoção comercial brasileira. A agência foi criada em parceria com associações de classe, entidades empresariais e regionais; e trabalha para aumentar as exportações de bens e serviços, e promover a imagem do país. A meta da APEX é aumentar as exportações do país seja em volume exportado pelas empresas que já exportam, seja ampliando o número de empresas exportadoras (83% das empresas que hoje não exportam sua produção teriam interesse em atuar no mercado externo). Para tanto, é importante diversificar os mercados de destino e os produtos exportados, buscando nichos de mercado e a inserção de produtos nacionais, aí computados os chamados mercados étnicos (MDIC, 2001, p. 5). Apesar de haver o incentivo por parte do governo brasileiro para exportar, as empresas encontram dificuldades para implementar o processo de exportação. Um dos maiores obstáculos está relacionado à própria empresa, quando não há gestão, integração e conhecimento do negócio; e na falta do desenvolvimento de um Plano de Exportação, que defina objetivos claros a serem traçados. Estes fatores aumentam as dificuldades e a culpa, normalmente, é colocada na burocracia, legislação, custo Brasil, entre outros; assim como nos agentes externos, por exemplo, as barreiras tarifárias e não tarifárias (SPROGIS, s.d.). 1 Assim, observa-se que, apesar da elevada demanda nas negociações internacionais, as empresas encontram restrições e dificuldades de inserção no mercado externo. As Trading Companies evidenciam-se neste cenário, como facilitadoras e intervenientes nesse tipo de 1 Estes fatores também impedem em muito as exportações brasileiras, entretanto, quando o empresário coloca-se como empreendedor, disposto a atuar junto à indústria e governos na redução desses obstáculos, as exportações tendem sempre a evoluir muito.

12 10 transações. Pela definição de Minervini (1997, p. 204), Trading Company é uma estrutura comercial, administrativa, financeira, com grande capacidade de detectar negócios, e concentrá-los nas diferentes partes do mundo. Estas organizações detêm conhecimento especializado, estrutura adequada e o aporte financeiro necessário para facilitar a colocação dos produtos no exterior, sendo ágeis, seguras e eficientes (MDIC, s.d.). Segundo dados do Portal do Exportador (2007), até fevereiro de 2007, continham no país 169 Trading Companies habilitadas a atuar, de acordo com o Decreto-Lei que as constituem. Essas Tradings atuam em diversos segmentos, em um total de 17 estados brasileiros, sendo os principais, em primeiro lugar, São Paulo com 43 empresas, sucedido por Rio Grande do Sul com 28, e, posteriormente, Espírito Santo com 18. Devido à representatividade cada vez mais crescente dessas organizações no processo de comercialização, o objetivo deste trabalho será o de evidenciar as vantagens competitivas e a importância da utilização das Trading Companies no comércio internacional. O presente estudo está dividido em quatro capítulos. Este primeiro capítulo faz a apresentação geral do tema escolhido. O segundo capítulo traz a discussão teórica para o embasamento do trabalho. O terceiro capítulo trata da análise das Trading Companies, apresentando desde seu histórico e evolução, até as suas vantagens de utilização. E, finalmente, no quarto capítulo é feita a conclusão acerca da pesquisa Metodologia A metodologia do Trabalho de Curso é a investigação de uma proposta, com fins acadêmicos, científicos e sociais. Acadêmico, pois se refere à atividade de graduação; científico, porque é baseado no estudo de teorias e autores consagrados na área a ser

13 11 pesquisada; e social, por tratar de assunto pertinente e de grande importância para a sociedade empresarial. Apresenta características monográficas por se tratar de trabalho científico, abranger um tema, devidamente especificado e delimitado; e aprofundar no estudo do mesmo (SEVERINO, 2002). A exploração do assunto se faz embasado no Estudo Exploratório, que segundo Cervo e Bervian (2002) é a busca por mais informações sobre determinado assunto de estudo, tendo como objetivo a familiarização do tema em questão. Esta busca se faz por meio de Pesquisa Bibliográfica, que com base em referências teóricas procura explicar o tema estudado. Apresentam, em sua definição, duas características já mencionadas: se tratar de trabalho científico e constituir procedimento básico para os estudos monográficos. As referências teóricas utilizadas neste trabalho buscam, de uma forma geral, explanar a importância do Comércio Exterior. O estudo é iniciado com a Doutrina Mercantilista, sucedido pelas Teorias Econômicas da Vantagem Absoluta, Comparativa e Competitiva; os conceitos de Internacionalização e Marketing Global, e os esclarecimentos de alguns autores à respeito de por quê as organizações optam por exportar seus produtos Justificativa da pesquisa Quando uma empresa decide inserir seu produto no mercado internacional, logo se depara com inúmeras adversidades, como exemplo, estruturar internamente um departamento para tal operação, não é uma tarefa tão fácil. A empresa deve buscar profissionais qualificados, investir em pesquisas para descobrir mercados promissores e contar com o fator risco de que o futuro negócio pode vir a não dar certo. Todos estes fatores geram inúmeros gastos, tanto monetários quanto físicos. O estresse e o cansaço também são vilões nesta

14 12 questão. Mas, em se tratando de micro, pequenas e médias empresas, o fator financeiro é relevante, visto que estas possuem escassos recursos para investimento; ocasionando a elas, muitas vezes, a desistência de tal operação, que poderia ser tão promissora às mesmas, como também para o país. O tema desta pesquisa: A Importância das Trading Companies para o Comércio Exterior Brasileiro foi escolhido para evidenciar a empresários e outros, que tiveram, têm, ou terão interesse em conquistar novos mercados, que existem organizações qualificadas que podem auxiliá-los em suas dificuldades, sem a necessidade de criação de um departamento interno especializado. As exportações das empresas de micro e pequeno porte representaram, no ano de 2005, 45,8% do total das exportações por porte de empresa, valor significativo se considerarmos a estrutura operacional das mesmas (MDIC, 2007). Por isso, quando há a oportunidade de empresas deste porte se inserirem no mercado externo, deve haver o respaldo de uma organização já atuante no mercado, de maneira a auxiliá-las na parte operacional e burocrática dos processos, a fim de se obter êxito no novo empreendimento. As Trading Companies evidenciam-se neste cenário, garantindo o suporte adequado, e oferecendo vantagens competitivas.

15 13 2. TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL O ser humano, por sua natureza, busca compreender o por quê do acontecimento dos fatos; e devido a essa curiosidade há a evolução da humanidade. A indagação de porquê as nações comerciam entre si não poderia deixar de ser argumentada frente a tantos economistas, filósofos, cientistas, entre outros, interessados no assunto. De acordo com Carvalho e Silva (2004), diversos pensamentos e discussões econômicas afirmam que as nações comerciam pelo simples fato de obterem vantagens. O Comércio Internacional surgiu e se desenvolveu a partir da necessidade das nações de suprirem suas carências. A desigualdade da produção e as diferenças entre as disponibilidades de recursos levam as nações a buscarem em outros países produtos e serviços que não podem ser produzidos em seu território, seja para atender suas necessidades vitais, seja para satisfazer o desejo de consumo de sua população (BANCO DO BRASIL, 2005, p. 9). Portanto, com inúmeras perguntas e possíveis respostas, continuamente há o surgimento de novas dúvidas, uma vez que o desconhecido gera insegurança. Não ocorre de forma diferente com as organizações que têm a pretensão de se aventurarem em um ambiente desconhecido. Para elas, há a necessidade de se analisar a viabilidade do novo empreendimento, estudar quais seriam as possíveis oportunidades e ou riscos encontrados; pois, o objetivo é alcançar o sucesso na nova iniciativa. Esse capítulo descreverá as principais teorias e pensamentos de diversos autores, objetivando o embasamento da pesquisa sobre a importância das Trading Companies.

16 Introdução às Teorias Econômicas Mercantilismo Para Carvalho e Silva (2004), a doutrina Mercantilista é uma corrente de pensamento protecionista que vigorou entre o século XV e meados do século XVIII, e pregava os benefícios do comércio de maneira muito limitada. Embora não possa ser considerada uma teoria sólida e acabada, demonstrava, na época, o que era considerado a riqueza e o poder de uma nação. Acreditava-se que a riqueza de uma nação estava relacionada ao tamanho de sua população e a seu estoque de metais preciosos. Além disso, o Estado deveria favorecer as exportações, pois essa era a principal maneira de aumentar o volume de metais preciosos no país, visto que, os pagamentos internacionais eram realizados em prata ou ouro. Era explícito que uma nação se tornaria mais rica se obtivesse um superávit comercial nas transações internacionais; ou seja, suas exportações deveriam ser maiores que as importações. A partir deste conceito, o governo deveria estimular as exportações e dificultar, ou até mesmo proibir as importações. Entretanto, sabe-se que se todas as nações agissem desta forma, as economias se fechariam; pois, para que um país pudesse aumentar suas exportações, outros deveriam incrementar as importações. Conclui-se que, se não houvesse interação, não haveria comércio. As proposições mercantilistas não eram consistentes, e foram duramente criticadas por Adam Smith, a partir do desenvolvimento da Teoria das Vantagens Absolutas.

17 Teoria das Vantagens Absolutas Conforme Carvalho e Silva (2004), a obra de Adam Smith - A Riqueza das Nações: Investigação sobre Sua Natureza e Suas Causas -, publicada em 1776, é tida como o primeiro trabalho com a finalidade de demonstrar as vantagens do comércio entre as nações. Nessa obra, Smith critica o Mercantilismo, pois, acredita que esta corrente de pensamento não leva em consideração que uma troca deve beneficiar ambas as partes envolvidas na transação, sem que haja déficit para uma das partes. De acordo com a Teoria das Vantagens Absolutas, para que uma nação obtenha algum tipo de vantagem, a mesma deve concentrar seus esforços produtivos no bem que conseguir produzir em melhores condições. Desta forma, cada país se especializa na produção do bem em que possuir vantagem absoluta. Entende-se por especialização, a alocação de todas as unidades disponíveis do fator trabalho, sendo este relevante na produção do bem que esse fator é mais produtivo. Devido à especialização, a produção total dos bens aumenta, e o consumo pode ser maior em ambas as nações, ou em pelo menos uma delas. Este aumento nas quantidades consumidas dos bens é denominado benefícios do comércio. A grande crítica de Adam Smith contra os mercantilistas foi a de que a riqueza de uma nação não é baseada na quantidade de metais preciosos em seu poder; e sim, é mais adequadamente medida em termos de produção e consumo de sua população. O economista também considera que o livre comércio é capaz de promover o aumento da produção por meio da especialização e, através das trocas internacionais, aumenta-se o consumo e, portanto, o bem-estar das populações das nações envolvidas. A Teoria das Vantagens Absolutas, apesar de ser forte argumento a favor do livre comércio, não consegue explicar e justificar todas as possibilidades de troca; pois, por exemplo, não considera a possibilidade de um país não produzir nenhuma mercadoria a custos

18 16 menores do que os dos seus parceiros comerciais. Esta teoria também não analisa a proporção em que as trocas devem ser realizadas entre as nações; ou seja, quais seriam os termos de troca entre as mercadorias. Assim, essa teoria foi superada, por meio da Teoria das Vantagens Comparativas (CARVALHO e SILVA, 2004) Teoria das Vantagens Comparativas Segundo Krugman (2005), no ano de 1996, em um dia dos namorados, o possível candidato à presidência dos Estados Unidos, Patrick Buchman, entrou em uma floricultura para comprar rosas à sua esposa. Aproveitando a ocasião, fez um discurso criticando a crescente importação de flores, que segundo ele, estaria levando os floricultores norteamericanos à falência. Pois, durante o inverno, o mercado de rosas é composto por importações advindas da América do Sul. No mês de fevereiro, inverno nos Estados Unidos, o país encontra dificuldades em oferecer as rosas para o dia dos namorados; visto que, é necessário alto investimento e gastos para se estufar essas rosas, e esses recursos poderiam ser aplicados em outras áreas, como por exemplo, computadores. Muitos economistas utilizavam o termo custo de oportunidade para explicar a razão de se produzir determinado produto. Suponha-se que os Estados Unidos cultivem dez milhões de rosas para serem vendidas no dia dos namorados, e que, esses recursos poderiam ser utilizados na produção de cem mil computadores. Pode-se dizer que o custo de oportunidade de dez milhões de rosas seria o de cem mil computadores, inversamente, o de cem mil computadores seria o de dez milhões de rosas. Essas dez milhões de rosas para o dia dos namorados poderiam ser compradas na América do Sul, onde o custo de oportunidade é menor que o de computadores nos Estados

19 17 Unidos; uma vez que, é muito mais fácil cultivá-las em clima tropical, e os trabalhadores sulamericanos são menos eficientes na produção de bens industrializados. A diferença entre os custos de oportunidade permite um benefício em comum para a produção mundial. Os Estados Unidos deveriam parar de cultivar rosas no inverno e passar a utilizar os recursos desta produção, na fabricação de computadores, enquanto que, os paises sul-americanos deveriam se dedicar ao cultivo de rosas, utilizando nesse, os recursos de computadores. Conclui-se que, as nações estariam produzindo o mesmo número de rosas, entretanto, incrementando-se a fabricação de computadores. Com a concentração da produção de computadores nos Estados Unidos, e de rosas na América do Sul, há uma ampliação em negociações internacionais. Com o crescimento da produção mundial, pode-se dizer que haverá uma evolução no padrão de vida da população. O aumento destas produções no mercado internacional ocorre porque os países se especializam no segmento que obtiverem maior vantagem competitiva. Um determinado país só possui maior vantagem comparativa, se o seu custo de oportunidade em relação aos outros países for menor. Nesse caso, a América do Sul possui vantagem competitiva no cultivo de rosas no inverno, e os Estados Unidos na produção de computadores. O padrão de vida da população pode ser melhorado se a América do Sul produzir rosas para o mercado americano, e os Estados Unidos produzirem computadores para os sul-americanos. A condição essencial sobre a vantagem comparativa e o comércio internacional é: o comércio entre dois países pode beneficiar ambos, se cada país exportar os bens em que possuir uma vantagem comparativa (KRUGMAN, 2005).

20 A Vantagem Competitiva das Nações Porter (1993), descreve que desde os dias passados até os atuais, o questionamento econômico mais freqüente entre os indivíduos é por que algumas nações obtêm sucesso, e outras não, na competição internacional. Porém, ele alega que esta indagação é incorreta, pois devem ser feitas outras perguntas, muito mais limitadas: por quê as empresas sediadas em uma determinada nação são capazes de criar e manter uma vantagem competitiva em comparação com os melhores competidores do mundo, num determinado campo? E por quê uma única nação é, com freqüência, sede de tantas empresas líderes mundiais de uma indústria? As empresas devem saber o que é mais importante na determinação de suas capacidades ou incapacidades, e também saber criar e manter as vantagens competitivas em âmbito internacional. Atualmente, o padrão de vida de um país, depende, a longo prazo, da competência de suas indústrias em que suas empresas competem, em alcançarem um alto grau de produtividade. A extensa história de teorias que explicam os padrões de importações e exportações de uma nação encontra-se inadequada, visto que, nenhuma teoria discute o fato de uma empresa com sede em um país poder competir com sucesso, tanto por exportação, como por um investimento no exterior. A questão principal a ser discutida é: por quê algumas nações são competitivas e outras não? As explicações são conflitantes, e não há uma teoria geralmente aceita. Algumas pessoas defendem que a competitividade está relacionada aos fatores macroeconômicos, como a taxa de câmbio, a taxa de juros e os déficits governamentais; porém há alguns países que apresentam problemas com esses fatores, e mesmo assim são competitivos. Outros argumentam que a competitividade está relacionada à mão de obra barata e abundante; no

21 19 entanto, há países que prosperam, apesar de salários altos e longos períodos de escassez de mão-de-obra. Alguns alegam que a competitividade depende de recursos naturais; entretanto as nações industrializadas mais bem-sucedidas possuem recursos naturais limitados, e prosperam importando matéria-prima. Recentemente, argumentou-se que a competitividade é influenciada pelas políticas governamentais; por meio de fixação de metas, proteção, promoção de exportações e subsídios, fatores chaves para o sucesso internacional. Em algumas nações, a ação do governo foi positiva à competição internacional, mas, raramente tiveram o papel principal. A última e popular explicação sobre a competitividade é sobre as diferenças de práticas administrativas. A prática de um setor e de um país nem sempre será favorável a outro setor e país; pois diferentes indústrias exigem diferentes abordagens administrativas. É claro que nenhuma destas explicações da competitividade nacional, como várias outras apresentadas, é totalmente satisfatória. Nenhuma delas basta, por si mesma, para racionalizar a posição competitiva das indústrias de uma nação. Cada uma delas encerra um pouco de verdade, mas não resistirá a um exame detalhado. Um conjunto de forças mais amplo e complexo parece atuar (PORTER, 1993, p. 5). Para uma nação ser competitiva, é necessário que ela alcance a produtividade empregando os recursos nacionais, trabalho e capital. A competição internacional é um estímulo ao país, e objetiva o aumento da sua produtividade para manter ou aumentar a sua fatia de mercado. Nenhum país é auto-suficiente, portanto, deve especializar-se no que é mais produtivo, e importar o que tiver menor produtividade; visto que, nenhuma nação pode ser competitiva em tudo, ou seja, exportar todos os bens ou serviços. O processo de aumento das exportações das indústrias mais produtivas, transferindo as atividades menos produtivas para o exterior através do investimento externo, e a importação de bens e serviços nas indústrias em que o país é menos produtivo, é saudável para a prosperidade econômica nacional (PORTER, 1993, p. 8).

22 20 Competitividade também não é ter superávit comercial, ou no Balanço de Pagamentos. Se isto ocorrer com baixos salários e uma moeda fraca, poderá haver equilíbrio, mas com baixo padrão de vida nacional. Para obter sucesso, as empresas precisam ter menores custos, ou produtos diferenciados e oferecer produtos e serviços de melhor qualidade ou serem produzidos com maior eficiência; uma vez que, a vantagem internacional está normalmente concentrada em indústrias muito limitadas, e até mesmo em segmentos de indústrias específicos. As teorias explicativas, que trabalham com fatores de produção, não são suficientes para explicar os padrões de comércio. O comércio ocorre entre as nações que apresentam fatores semelhantes, e os produtos deste comércio também envolvem fatores semelhantes. Essas teorias não explicam bem estes casos, pois apresentam dificuldade em discorrer de exportação e importação entre diferentes subsidiárias nacionais, de empresas multinacionais. A Teoria da Vantagem Comparativa é inadequada, uma vez que não se apresenta de forma real, como exemplo, acredita que a tecnologia é idêntica em todas as partes. Uma teoria que não atribui um papel à estratégia das empresas, com a melhoria da tecnologia ou a diferenciação de produtos, deixa-as quase que sem outro recurso que não seja a tentativa de influenciar a política governamental (PORTER, 1993, p. 13). Por que então empresas baseadas em determinadas nações alcançam sucesso internacional em segmentos e indústrias distintos? A globalização das indústrias e a internacionalização de empresas nos deixam um paradoxo. É tentador concluirmos que a nação perdeu sua importância no sucesso internacional de suas empresas. À primeira vista, as companhias parecem ter transcendido os países. Mas o que aprendi neste estudo contradiz tal conclusão. Como exemplos anteriores sugeriram, os líderes em determinadas indústrias e segmentos de indústrias tendem a concentrar-se numas poucas nações e manter vantagem competitiva por muitas décadas. Quando firmas de diferentes países formam alianças, essas empresas, baseadas em nações que mantêm uma vantagem realmente competitiva, acabam surgindo como líderes inequívocas (PORTER, 1993, p. 19).

23 21 Uma nova teoria deve explicar por que as empresas de determinadas nações optam por estratégias melhores do que outras, para competirem em determinadas indústrias. Também deve ter como finalidade explicar a razão de uma nação sede de competidores globais bem-sucedidos praticar tanto o comércio, como o investimento externo. A nova teoria deve ir além da Vantagem Comparativa, não podendo focar apenas na vantagem dos fatores, e deve incluir qualidade, características e inovações de produtos, produtos diferenciados, mercados segmentados, diferenças tecnológicas e economias de escala. Deve partir da premissa de que a competição é dinâmica e evolui, surgem novos produtos, processos de produção, maneiras de comercializar e novos segmentos de mercado; focando o papel da nação no processo de inovação. Deve constar por que há países que proporcionam um ambiente mais favorável que outros, e por fim, como as empresas desempenham um papel central no processo de criação de vantagem competitiva. Após a demonstração das teorias que explicam o comércio, anteriormente, fica mais fácil entender a necessidade de comercialização entre os povos. Na próxima seção, parte-se para uma discussão de caráter mais restrito, ou seja, o estudo da inserção de um produto no mercado externo. Este estudo é chamado de Internacionalização e Marketing Global A Internacionalização e o Marketing Global Segundo Cyrino e Penido (2007), o principal fator de motivação para a internacionalização das empresas é o de ordem econômica, sendo que, para outras empresas este não é o fator primordial, pois existem outros motivos que são derivados das necessidades e da dinâmica do crescimento empresarial. Devido às incertezas a respeito do retorno, muitas empresas utilizam esforços para crescer no mercado doméstico até que se esgotem as possibilidades de crescimento, antes de pensarem em investir no mercado externo.

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