O conhecimento e a incerteza do ponto de vista do ceticismo

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1 O conhecimento e a incerteza do ponto de vista do ceticismo IF UFRJ Mariano G. David Mônica F. Corrêa 1

2 O conhecimento e a incerteza do ponto de vista do ceticismo Aula 1: O conhecimento é possível? O ceticismo na Antiguidade. Aula 2: Como é possível conhecer? A emergência da ciência na Modernidade. Aula 3: Como se dá o conhecimento científico? A Filosofia da ciência na Contemporaneidade. Aula 4: Como confiar no conhecimento científico? A medição e a incerteza. 2

3 Aula 2: Como é possível conhecer? A emergência da ciência na modernidade 2.1 René Descartes 2.2 Empirismo 2.3 Francis Bacon 2.4 David Hume 2.5 O nascimento das ciências 3

4 2.1 René Descartes ( ) Discurso do método (1637) Reação ao excesso de regras da lógica aristotélica 1ª regra: É verdadeiro apenas o que apresenta a evidência de o ser; 2ª regra: Dividir os problemas até que seja possível resolvê-los (análise); 3ª regra: Conduzir os pensamentos por ordem, dos mais simples aos mais complexos; 4ª regra: Fazer enumerações completas e revisões tão gerais que possa ter certeza de nada ter omitido. 4

5 2.1 René Descartes ( ) Meditações (1641) 1ª Meditação: Sobre as coisas que se podem colocar em dúvida / Dúvida hiperbólica A) O princípio da dúvida: todo conhecimento, crenças e opiniões; B) Argumentos que estendem e radicalizam a dúvida. argumento da ilusão dos sentidos (capacidades cognitivas); argumento do sonho; argumento do valor objetivo das essências matemáticas: - Deus enganador ou gênio maligno. 5

6 2.1 René Descartes ( ) Meditações (1641) Dúvida hiperbólica/ceticismo radical (preparação para o cogito) na 2ª meditação: Penso, logo existo ; 3ª meditação/existência de Deus: a ideia de substância infinita em mim, que sou finito, tem origem em Deus; Veracidade divina: depois que o critério da clareza e distinção foi garantido pela honestidade de Deus, as dúvidas iniciais desapareceriam. 6

7 2.1 René Descartes ( ) Descartes supera o ceticismo? 1. Não: a dúvida é radical demais; abandono do conceito tradicional de conhecimento científico como certeza definitiva influenciará a concepção moderna de limite do conhecimento e da razão humana em Kant e sua filosofia crítica. (Popkin) 2. Não: o critério de clareza e distinção, e a noção de evidência são subjetivos (Gassendi/Quintas Objeções e Mersenne/Segundas Objeções) 7

8 2.2 Empirismo Empeiria: grego derivado da experiência Constituiu-se junto com o racionalismo (XVI-XVIII) e opôsse a ele; O conhecimento é obtido pela experiência (conteúdos sensoriais, verdades que possam ser verificadas pelos sentidos); Inspiração aristotélica: Nada está no intelecto que não tenha antes passado pelos sentidos. 8

9 2.2 Empirismo Desenvolveu-se principalmente na Inglaterra; momento econômico-político: comércio, classe burguesa, poder crescente do Parlamento; Valorização: experiência, realidade, atividade do indivíduo; Rejeição: metafísica especulativa, grandes sistemas teóricos, conhecimento anterior à experiência (a priori), ideias inatas. 9

10 2.2 Empirismo Filósofos empiristas/período clássico: Francis Bacon ( ) Thomas Hobbes ( ) John Locke ( ) George Berkeley ( ) David Hume ( ) 10

11 2.3 Empirismo/Francis Bacon Ciência a partir dos sentidos; Novum organum (1620) X Órganom aristotélico/ciência dedutiva; Método indutivo: observação dos fenômenos, relação entre eles, generalizações leis científicas; O homem deve ser uma criança diante da natureza ; Ciência antiespeculativa, aplicada e integrada com a técnica controle da natureza; Saber é poder ; Razão instrumental e a ênfase na técnica serão criticadas na contemporaneidade. 11

12 2.4 Empirismo/David Hume Obras principais: Tratado da natureza humana (1739), Investigação sobre o entendimento humano (1748); Tese: as ideias são cópias das impressões; originam-se de nossa experiência sensível; Critério de validade: percepção; quanto mais próxima da percepção, mais forte é a ideia. Mecânica mental : percepções átomos, associações forças; Uma ideia é sempre particular; a associação ao termo geral produz o efeito de generalidade; o universal resulta do hábito. 12

13 2.4 Empirismo/David Hume Ceticismo - questionamento de 2 princípios filosóficos: 1. Causalidade: tem realidade objetiva? A causalidade não é conexão necessária de causa e efeito; Resulta de regularidade ou repetição de fenômenos observados; por hábito, a projetamos na realidade; É uma forma de perceber o real; uma relação derivada da reflexão sobre nossas impressões. [Iniciação à História da Filosofia, Marcondes, D. (1997)] 13

14 2.4 Empirismo/David Hume Ceticismo - questionamento de 2 princípios filosóficos: 2. Identidade pessoal: tem realidade objetiva? Questiona o modelo cartesiano de mente (res cogitans); não podemos ter representação da mente sem experiência; O eu (self) é um feixe de percepções que temos em um dado momento; O eu varia na medida em que variam as percepções. [Iniciação à História da Filosofia, Marcondes, D. (1997)] 14

15 Ceticismo: 2.4 Empirismo/David Hume Se todo o conhecimento provém de impressões sensíveis e da reflexão de nossas ideias; Se as impressões e as ideias são sempre variáveis; Se a causalidade e a identidade do eu resultam apenas de regularidade, repetição, costume e hábito; Então: jamais temos conhecimento certo e definitivo. [Iniciação à História da Filosofia, Marcondes, D. (1997)] 15

16 Ceticismo: 2.4 Empirismo/David Hume Nosso conhecimento, nossas pretensões à ciência não podem ser justificadas por nenhum argumento racional. A maneira pela qual conhecemos e pela qual agimos no real depende apenas de nossa natureza, de nossos costumes e de nossos hábitos. [Iniciação à História da Filosofia, Marcondes, D. (1997)] 16

17 2.4 Empirismo/David Hume O problema da indução (Chalmers, 2014): Indutivista: O conhecimento científico é obtido a partir de proposições de observação por indução. O indutivista pode tentar justificar a afirmação apelando à lógica ou à experiência. Lógica: mas, a indução não pode ser justificada em bases lógicas; na indução, diferente da dedução, a conclusão não é necessariamente verdadeira se as premissas são verdadeiras. Experiência: O fenômeno é observado em grande número de ocasiões; mas qual o número exato, para ter a força de uma lei universal? 17

18 2.4 Empirismo/David Hume O ceticismo total não é aceitável, nem verdadeiramente possível; se for sustentado, basta a vida cotidiana para dissipá-lo; a Probabilidade (Tratado, I, IV, I, 183) O ceticismo mitigado, como limitador das possibilidades do conhecimento humano, é fundamental; Um ceticismo completo sobre nossa capacidade de desvendar os mecanismos do entendimento humano não é razoável, nem deixa de ser dogmático. 18

19 2.5 Surgimento das ciências A influência do ceticismo no anti-aristotelismo Copérnico, Descartes, Mersenne, Galileu etc. Galileu: o livro da natureza está escrito em caracteres matemáticos Processo de matematização da natureza: determinismo Triunfo das leis de Newton leva a grande otimismo com as ciências; Desenvolvimento de ferramentas matemáticas que possibilitaram aprimorar a formalização da física. 19

20 2.5 Surgimento das ciências Desenvolvimento da ciência experimental: William Gilbert ( )/magnetismo William Harvey ( )/sistema circulatório França: Pierre Gassendi ( )/atomismo Robert Boyle ( )/mecânica dos gases Robert Hooke ( )/bomba de vácuo Isaac Newton ( )... 20

21 Essas são as referidas gatas humeanas: Nikita (branca) e Ninja (P&B) 21

22 Obrigado 22

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