FRANCIS BACON E A TRADIÇÃO EMPIRISTA. Universidade Estadual de Ponta Grossa Programa de Pós-Graduação em Educação Professora Gisele Masson

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1 FRANCIS BACON E A TRADIÇÃO EMPIRISTA Universidade Estadual de Ponta Grossa Programa de Pós-Graduação em Educação Professora Gisele Masson

2 O pensamento moderno e a crise generalizada de autoridade - A autoridade moral e teológica da Igreja foi contestada pela Reforma. - Decadência do sistema feudal e surgimento do mercantilismo. - Movimento renascentista da arte, ao retomar valores da Antiguidade clássica. - A autoridade do saber tradicional foi questionada, pois continha teorias falsas. - Desconfiança na tradição, nos ensinamentos e no saber adquirido. (MARCONDES, 1998)

3 Renascimento SÉC. XV XVI: radicalização de progressos feitos nos séculos precedentes. O mais adequado é usar a expressão aparecimento, afloramento da modernidade. (CHÂTELET, 1994). Desenvolvimento da imprensa, da Física (Copérnico), da astronomia(kepler). Morte de Giordano Bruno (1600, em Roma): acusado por afirmar que o mundo é infinito. Para a Igreja, somente Deus é infinito e tudo o que é criadopor eleéfinito. Galileu: o mundo é uno (o sublunar e o supralunar seguem os mesmos princípios). O universo está escrito em linguagem matemática.

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5 Bacon não elaborou uma teoria própria, pois se propôs a elaborar uma forma para se chegar as novas teorias, um método para a construção de um conhecimento correto dos fenômenos. Os conhecimentos não têm, para ele, um valor em si, mas sim pelos resultados práticos que possa gerar.

6 Bacon e o método experimental O empirismo de Bacon rejeita a noção de ideias inatas ou de um conhecimento anterior à experiência. O empirismo significa uma posição filosófica que toma a experiência como guia e critério de validade do conhecimento. O termo é derivado do grego empeiria e significa saber derivado da experiência. Além de Francis Bacon, há outros filósofos empiristas como Thomas Hobbes ( ), John Locke ( ) George Berkeley( ) e David Hume (( ). O empirismo influenciou, dentre outros autores, o positivismo de Auguste Comte e o pragmatismo americano de Charles S. Peirce e William James.

7 Bacon e o método experimental Bacon defendia a aplicação daciência à indústria, a serviço do progresso. Para Bacon, a verdadeira finalidade da ciência é contribuir para a melhoria das condições de vida do homem, embora nem todos os conhecimentos importantes tenham que ter uma utilidade imediata. Diferencia os experimentos que trazem frutos dos experimentos que trazem luz sobre os problemas teóricos (experimentos frutíferos e experimentos lucíferos Novum Organum). Considera, contudo, que ambos são importantes.

8 Bacon e o método experimental Na visão de Bacon, a razão da estagnação das ciências está na utilização de métodos que barram o seu progresso, pois não partem dos sentidos ou da experiência, mas da tradição, de ideias pré-concebidas. A indução, para ele, é um processo de eliminação que nos permite separar o que buscamos conhecer de tudo o que não faz parte dele. Tal processo envolve a observação, a contemplação, a execução de experiências em larga escala e a avaliação dos resultados.

9 Bacon e o método experimental O lema do empirismo é de inspiração aristotélica: Nada está no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos. No entanto, critica Aristóteles por não consultar devidamente a experiência para o estabelecimento de axiomas. Segundo Bacon, Aristóteles submetia a experiência às suas opiniões. O método dos escolásticos, com base em Aristóteles, saltava das sensações para os axiomas gerais para depois descobrir os axiomas intermediários.

10 Bacon e o método experimental O que Bacon propõe é recolher os axiomas dos dados dos sentidos e particulares, ascendendo gradualmente para se chegar aos princípios de máxima generalidade. O projeto da Grande Instauração compreendia 6 partes e pretendia ser um verdadeiro progresso do saber. No entanto, Bacon realizou somente a segunda parte, a metodologia, exposta em sua obra Novum Organum (1620), em que critica a concepção dedutiva de ciência derivada do Organon aristotélico.

11 O processo indutivo O processo indutivo, proposto por Bacon, deve multiplicar as experiências, alterando as condições, repeti-las, ampliá-las e aplicar os resultados. Isso quer dizer que é necessário verificar as circunstâncias em que o fenômeno está presente, circunstâncias em que está ausente e as possíveis variações do fenômeno: índice de presença índice de ausência índice de graduação (Tábua de essência e de presença, Tábua de desvio ou de ausência e Tábua degrausoudecomparação NovumOrganum,LivroII). O seu método indutivo difere de Aristóteles que se limita ao registro das condições em que se verifica o fenômeno (índice de presença), desconsiderando as duas situações mencionadas por Bacon. A utilização de experiências negativas é sua grande contribuição. Para se chegar a um resultado definitivo, propõe, como auxílio à razão, os fatos privilegiados ou instâncias prerrogativas (fenômenos mais prováveis).

12 Principais contribuições filosóficas Novumorganum 1- Sua concepção de pensamento crítico está contida na teoria dos ídolos: ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do foro, ídolos do teatro. Metáfora para explicar os quatro tipos de erros que podem ser cometidos pelo homem na produção do conhecimento. 2- Defesa do método indutivo no conhecimento científico e de um modelo de ciência antiespeculativo e integrado com a técnica. Hipóteses Observação Verificação e teste de hipóteses com base em experimentos

13 REFERÊNCIAS ANDERY, M. A. et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica. 3. ed. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo; São Paulo: EDUC, 1988 BACON, F. Novum Organum. São Paulo: Nova Cultural, MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

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