UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE

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1 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE PRINCÍPIOS BÁSICOS DA GESTÃO DE ESTOQUES VISANDO GARANTIR O NÍVEL DE SERVIÇO DESEJADO E A REDUÇÃO DO CUSTO TOTAL LOGÍSTICO. Por: Glauceane de Azevedo Cordeiro Orientador: Prof (a). Yasmin R. M. da Costa Rio de Janeiro (RJ), março de 2002

2 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE Princípios básicos da gestão de estoques visando garantir o nível de serviço desejado e a redução do custo total logístico. Por: Glauceane de Azevedo Cordeiro Trabalho monográfico apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Logística Empresarial. Rio de Janeiro (RJ), março de 2002

3 Agradeço a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a elaboração deste trabalho.

4 Esta monografia é dedicada aos meus pais, que sempre usaram das palavras certas nos momentos em que as incertezas pairavam no ar, e ao meu estimado irmão, que sempre se faz presente nos momentos em que eu mais preciso.

5 Quando se busca o cume da montanha, não se dá importância às pedras no caminho. (Provérbio Oriental)

6 SUMÁRIO Resumo 5 Introdução 7 Capítulo 1: Conceito e importância dos estoques 9 Capítulo 2: Objetivos permanentes e metodologia da Gestão de Estoques 13 Capítulo 3: Planejamento na Gestão de Estoques 16 Capítulo 4: Matriz gerencial de estoques 22 Capítulo 5: Estoque de Segurança 32 Capítulo 6: Técnicas para previsão de demandas 38 Capítulo 7: Modelo de Custos 43 Capítulo 8: Nível de Serviço 48 Capítulo 9: Case Projeto traz melhoria na gestão de estoques do Pão de Açúcar 56 Conclusão 63 Bibliografia 65

7 RESUMO Dentre as principais razões para se manter estoques está a melhoria no nível de serviço oferecido. Este têm sido um dos principais objetivos das empresas face a grande concorrência da era globalizada. Os clientes passaram, não só a terem sempre razão, bem como a ditarem as regras do jogo. Existem no mercado vários softwares de gestão de estoques, porém há muito pouca divulgação quanto aos objetivos e a metodologia destes. Os objetivos, embora ditos permanentes, possuem variáveis que, como o próprio nome já diz, variam de acordo com a política estabelecida pelas empresas. O processo inclui três fases: planejamento, programação e execução. O planejamento por sua vez, ocorre em três níveis: estratégico, que consiste na definição de objetivos de longo prazo; o tático, que é o processo de formulação de objetivos e metas, que devem estar paralelamente ligados aos objetivos definidos no nível anterior porém, desta vez, a curto prazo; e o operacional que nada mais é que o detalhamento do plano tático. Todo o planejamento, independente do nível, deve estar formalizado em um plano de ação no qual deve constar os objetivos, a evolução esperada das atividades operacionais, seus programas de trabalho e a forma de alocação dos recursos necessários a sua execução. É óbvio concluir que este processo de planejamento deve ser participativo, de forma a obter o comprometimento da equipe, e ser negociado com as outras áreas da empresa envolvida, para que as ações sejam integradas. Uma das ferramentas básicas é a matriz gerencial de estoques que visa permitir uma ação seletiva na gestão bem como apoiar as decisões gerencias. Essa seletividade é obtida classificando o item quanto ao seu tipo de demanda, valor, nível de criticidade, natureza, mercado (dificuldade de obtenção), dentre outras. Uma outra forma utilizada para garantir o nível de serviço esperado, uma vez que o processo de previsão de demanda, apesar das técnicas aqui apresentadas, está diretamente ligado ao mercado sendo, desta forma, impossível a obtenção de acuracidade no mesmo, seria manter um nível de estoque de segurança capaz de atender a tais flutuações. Não podemos esquecer, no entanto, da questão de custos. Este é o motivo pelo qual devemos estar sempre voltados a elaboração de lotes econômicos, sejam eles de compras ou fabricação. Foi observando a todas essas premissas e, levando também em consideração as particularidades da empresa, que o Pão de Açúcar conseguiu desenvolver um projeto capaz de lhe permitir diversas melhorias no nível de gestão de seus estoques.

8 INTRODUÇÃO O estoque pode absorver de 25% a 40% dos custos logísticos, representando uma porção substancial do capital da empresa que poderia estar sendo investido de outra forma. Aumentar a rotatividade do estoque libera ativo e economiza o custo de manutenção do inventário. As empresas atualmente têm por premissa básica garantir um bom nível de serviço sem que para isso tenham de manter estoques elevados. Trata-se de um processo bastante complexo que envolve várias áreas da empresa. Todos devem falar a mesma língua e estar voltados ao mesmo objetivo. É bem verdade que o objetivo de todas as empresa é obter lucro e isso não implica somente em manter um alto volume de vendas. As empresas podem apesar de possuírem um alto volume de vendas não obterem a margem de lucro esperada em função de seus custos estarem bem acima do previsto. Para isso é necessário que as políticas estejam definidas de forma clara e possuam caráter participativo. Independente da forma de gestão adotada pela empresa, que vai variar em função das particularidades da mesma, os princípios básicos para uma boa gestão de estoque não se alteram.

9 O objetivo deste trabalho é, não somente conceituar estoques e apresentar seus princípios, mas também demonstrar a importância e benefícios de uma boa gestão.

10 CAPÍTULO 1: CONCEITO E IMPORTÂNCIA DOS ESTOQUES Entende-se por estoque quaisquer quantidades de bens físicos que sejam conservados, de forma improdutiva, por algum intervalo de tempo; constituem estoques tanto os produtos acabados que aguardam venda ou despacho, como matérias-primas e componentes que aguardam utilização na produção. Os estoques possuem uma série de finalidades, dentro das quais destacamos: - Melhoria no nível do serviço oferecido Estoques auxiliam a função de marketing a vender os produtos da empresa. Estes podem ser localizados mais próximos aos pontos de venda e com quantidades adequadas. Isto é vantajoso para clientes que precisam de disponibilidade imediata ou possuem curto tempo de ressuprimento. Para a firma fornecedora, isto significa vantagem competitiva e menores custos de vendas perdidas, especialmente para produtos particularmente elásticos quanto ao nível de serviço. O marketing também pode beneficiar-se da disponibilidade constante do produto, mesmo quando a oferta é sazonal. - Incentivo econômico na produção O mínimo custo unitário de produção geralmente ocorre para grandes lotes de fabricação. Estoques agem como amortecedores entre oferta e demanda, possibilitando uma produção mais constante, que não oscila com as flutuações de venda. A mão-de-obra pode ser mantida em níveis estáveis e os custos de preparação de lotes podem ser diminuídos. - Economia de escala nas compras e no transporte

11 Muitas vezes, pequenos lotes de compra são gerados para satisfazer necessidades de produção ou para abastecimento direto a clientes a partir da manufatura. Isto implica maiores custos de frete, pois não há volume suficiente para obter os descontos oferecidos aos lotes de grande porte. Entretanto, uma das finalidades do estoque é possibilitar descontos no transporte pelo emprego de lotes equivalentes à capacidade dos veículos, gerando assim fretes com menor custo unitário. De modo similar, menores preços podem ser obtidos na compra de mercadorias em quantidades maiores que as demandas imediatas. - Proteção quanto a aumentos de preços Bens comprados em mercados abertos têm seus preços ditados pela curva de oferta e demanda. Minérios, produtos agrícolas e petróleo são bons exemplos. Compras podem ser antecipadas em função de aumentos previstos nos preços. Isto acaba criando estoques que, de alguma forma, deve ser administrado pelo pessoal de logística. - Proteção à empresa quanto as incertezas na demanda e no tempo de ressuprimento Na maioria das ocasiões não é possível prever, de forma precisa, as demandas de produtos ou tempos de ressuprimento no sistema logístico. Para garantir disponibilidade de produto, deve-se manter um estoque adicional (estoque de segurança). Estoques de segurança são adicionados aos estoques regulares para atender as variações positivas da demanda. - Segurança contra contingências Greves, incêndios e inundações são apenas algumas das contingências que podem atingir uma empresa. Manter estoques de reserva é uma maneira de garantir o fornecimento normal nessas ocasiões. Com base nas premissas anteriores, constatamos que os estoques exercem, basicamente, três funções:

12 - Função operacional : estoque cuja existência decorre da impossibilidade de dispormos dos materiais no exato momento em que as demandas ocorrem, uma vez que as empresas estão condicionas ao mercado fornecedor. - Função precaucional : estoque cuja existência visa garantir segurança no atendimento ao cliente, em função das variações positivas das demandas durante o tempo de ressuprimento e atraso nos fornecimentos. - Função especulativa : Estoque formado como forma de investimento ou proteção contra aumento de preços. Teoricamente, sua formação não é uma atribuição normal e rotineira da gerência de estoques. Supõe a existência de disponibilidade de recursos excedentes e só se justifica quando a taxa de aumento de preços for maior que a taxa obtida em outras aplicações financeiras. Parece claro que manter estoques oferece inúmeros benefícios mas seus custos são elevados e têm subido dramaticamente com as taxas de juros. Para os especialistas em logística, existe o desafio de minimizar o investimento em estoques e, ao mesmo tempo, balancear a eficiência da produção/logística com as necessidades de marketing. O alto custo do capital tornou esse problema um assunto vital para a empresa. Existem várias técnicas de gestão de estoques no mercado porém todas fundamentam-se em princípios críticos objetivando a otimização de seus resultados. São estes: - Integração com os clientes, de forma a conhecer claramente suas necessidades e obter sua fundamental colaboração. Nossa visão deve estar sempre focada no atendimento ao cliente para que a empresa obtenha o nível de serviço desejado. - Seletividade na atuação, concentrando esforços nos itens mais importantes em termos de valor e criticidade, ou seja, priorizando as ações. - Avaliação permanente, tanto dos processos quanto dos resultados, de forma a podermos direcionar corretamente nossos esforços, medirmos nossos resultados e atendermos as diretrizes e políticas estabalecidas. - Valorização dos Recursos Humanos, entendendo o homem como nosso principal patrimônio, possibilitando sua capacitação e desenvolvimento, estimulando sua

13 criatividade, garantindo sua satisfação e, consequentemente, sua maior produtividade.

14 CAPÍTULO 2: OBJETIVOS PERMANENTES E METODOLOGIA DA GESTÃO DE ESTOQUES. Com base nas informações constantes no capítulo anterior, podemos definir alguns objetivos permanentes para a Gestão de Estoques: - Assegurar o suprimento de material com os riscos de falta julgados convenientes. - Manter níveis de estoques compatíveis com a Política de Suprimento estabelecida. - Controlar os níveis de estoque e promover o ressuprimento de forma econômica. - Realizar a análise dos estoques e promover o aproveitamento ou destinação dos itens desnecessários. - Gerenciar os estoques utilizando critérios de seletividade. - Manter um sistema de informação que atenda a própria gestão e todas as suas inferfaces. - Avaliar a contribuição da Gestão de Estoques para os objetivos da empresa. O atendimento desses objetivos, de forma racional e aos menores custos, exige que a Gestão de estoques se organize segundo uma metodologia que facilite suas ações e permita uma avaliação de seu desempenho. Para atender seus objetivos, a Gestão de Estoques segue uma seqüência lógica de ações: 1. Fase de Planejamento Estabelecimento de normas básicas Regras de atuação e padronização de conceitos em relação às principais atividades da Gestão de Estoques.

15 Análise das Políticas e Diretrizes Gerais da Empresa Verificação das Políticas, Diretrizes gerais, Objetivos e Programas constantes do Planejamento Estratégico da empresa que impactam a área de materiais. Planejamento Tático de Suprimento Planejamento da área de Suprimento de forma a atingir os resultados esperados definidos no planejamento Estratégico da Empresa. Planejamento Operacional de Suprimento Detalhamento do Planejamento Tático, para o gerenciamento do dia-a-dia. 2. Fase de Programação Análise das Demandas Análise das necessidades de materiais apresentadas pelos clientes, com as informações necessárias ao gerenciamento de cada item. Matriz Gerencial de Estoques Enquadramento das necessidades informadas pelos clientes nas diversas classificações dos estoques, formando a matriz gerencial de cada item. Determinação do Modelo Logístico de Suprimento Análise conjunta das informações prestadas pelo cliente, matriz gerencial, Política de Estoques e mercado do item, determinando seu modelo logístico de suprimento. 3. Fase de Execução Controle de Estoques Suprimento inicial, registro, controle e análise da movimentação dos estoques formados, seu ressuprimento e saneamento/destinação dos estoques inativos.

16 Avaliação de Desempenho Avaliação do processo de suprimento e dos resultados alcançados, em comparação com as metas de desempenho estabelecidas.

17 CAPÍTULO 3: PLANEJAMENTO NA GESTÃO DE ESTOQUES CONCEITO DE PLANEJAMENTO Antes de analisarmos o Planejamento na Gestão de Estoque, cabe internalizarmos o conceito de Planejamento: Planejamento é uma atividade contínua e permanente, que se desenvolve de modo ordenado e racional, sistematizando um processo de tomada de decisões e definindo ações no sentido de um futuro desejado para a instituição, levando em conta as mudanças do ambiente futuro. O planejamento, nas empresas, normalmente ocorre em três níveis: - Planejamento Estratégico - Planejamento Tático - Planejamento Operacional PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Processo de definição de objetivos, diretrizes e estratégicas de longo prazo, considerando a organização como um todo e sua relação com o ambiente, buscando antecipar-se e adaptar-se às mudanças. O Planejamento Estratégico, como definido, orienta e direciona os demais níveis de planejamento, em todas as áreas (finanças, produção, recursos humanos, etc.) cabendo à área de materiais identificar qual sua contribuição para os resultados da empresa. Os objetivos, diretrizes e estratégias definidos devem ser dissecados, buscando os subsídios para a formulação do Plano Tático de

18 Suprimentos, o qual deve, evidentemente, ser coerente com as orientações corporativas. Evidencia-se a importância do Planejamento Estratégico: sua existência faz com que os planejamentos setoriais se tornem um detalhamento das grandes orientações, facilitando a definição de metas, diretrizes e planos de ação, e determinando um rumo comum para todas as áreas, prevalecendo a visão de resultados da empresa e não a de cada área isoladamente, evitando a dispersão de esforços. PLANEJAMENTO TÁTICO DE SUPRIMENTO Focando especificamente a área de suprimentos, podemos definir o Planejamento Tático de Suprimentos como: Processo de formulação de objetivos e metas de curto prazo para a área de suprimentos da empresa, visando otimizar a utilização de seus recursos para a consecução dos objetivos e estratégias aprovadas no nível estratégico. É importante destacar que o planejamento Tático de Suprimento abrange as suas funções (compras, gestão, qualidade, movimentação, transporte, estocagem, etc.) devendo haver uma avaliação conjunta de forma a gerar, para cada função, objetivos e metas que sejam hamonicos e efetivamente direcionem o sistema para um rumo comum. É necessário, portanto, enfocar a área de suprimentos considerando todo o ciclo logístico de materiais. 3.1 Normas Básicas O processo de planejamento da área de suprimentos inclui um passo preliminar, que é a definição de Normas Básicas que padronizem conceitos e estabeleçam regras de atuação em relação as principais atividades da Gestão de

19 Estoques ( e das demais funções), sendo fundamentais para orientar a formulação de diretrizes de forma mais seletiva e objetiva. Devem ser destacadas, entre outras: - Matriz Gerencial dos Estoques Classificações que permitam a adoção de critérios de seletividade na tomada de decisões. - Condições para formação de Estoques Informações básicas necessárias ao gerenciamento de cada item, quando o cliente deseja manter um item em estoque. A inexistência deste filtro é responsável pela formação desnecessária de estoques ou por níveis de estoques não compatíveis com as políticas. Estas informações são, resumidamente: a) quanto ao material código, unidade de fornecimento, aplicação, materiais equivalentes e permutáveis, restrições, mercado, etc. b) quanto às demandas - criticidade, quantidade e data requerida (demanda programa), consumo médio previsto (demanda probabilistica), estoque base (demanda incerta), quantidade de equipamentos e quantidade de unidades instaladas, lotes de consumo, etc. - Critérios para Avaliação de Desempenho É de suma importância que todas as ações desenvolvidas pela Gestão de Estoques sejam medidas e avaliadas. Devem ser estabelecidos índices e parâmetros de avaliação que permitam mensurar as metas e objetivos estabelecidos, de forma a permitir o acompanhamento, correção de rumos, análise de disfunções, replanejamento e, em resumo, garantir o atingimento dos resultados esperados. 3.2 Conceitos Básicos de Planejamento Cabe definir alguns conceitos básicos da atividade de planejamento, para facilitar a compreensão dos tópicos seguintes: Objetivo Permanente Objetivo relacionado com a razão de ser da área de materiais; é geral e não se prende a características conjunturais, sendo válido por largos períodos de tempo. Objetivo Atual

20 Objetivo relacionado com uma determinada conjuntura ou administração; são válidos por menores períodos de tempo e acompanham as mudanças no meio-ambiente. Meta Etapa para a consecução de um objetivo, quantificada e com prazo definido, visando permitir um melhor controle dos resultados de uma determinada estratégia. Estratégia Forma de aplicação dos meios disponíveis para se atingir um objetivo. Diretriz Direção ou rumo a ser seguido, visando atingir os objetivos, definindo os limites para o estabelecimento de estratégias. Política Conjunto harmônico de diretrizes. 3.3 Formulação do Plano Tático de suprimento Na formulação do Plano Tático de Suprimentos, na função de Gestão de Estoques, dois aspectos são fundamentais, e devem ser claramente definidos: a) Objetivos e Metas A Gestão de Estoques é parte de um sistema caracterizado como atividade-meio, e nem sempre encontramos nas orientações estratégicas, de forma direta, as expectativas relacionadas com a área de material. De modo geral, nosso clientes são internos, ligados à atividade-fim, e nossos objetivos e metas devem ser correlacionados com os destas atividades (observado nosso cliente Finanças), contribuindo, dessa forma, para o alcance dos objetivos da empresa. O primeiro passo do processo é a definição dos Objetivos Permanentes da Gestão de Estoques, os quais orientarão a definição dos objetivos atuais.

21 Na definição dos objetivos atuais e suas metas, duas visões, às vezes conflitantes, devem ser trabalhadas: - Imobilização de Capital em Estoque, gerando ações como: aumento do giro de estoques, redução de itens inativos, reaproveitamento de materiais, formas alternativas de suprimento, etc. - Nível de atendimento as clientes, com ações como melhoria no nível de atendimento, redução dos prazos, etc. Não devem ser esquecidas as oportunidades relacionadas com o processo de suprimento (eficiência do suprimento), capacitação dos recursos humanos, integração com os clientes e qualidade total. traçados. A formulação das Estratégias é decorrente dos objetivos e metas b) Política de Estoque A Política de Estoque deve conter diretrizes compatibilizadas com os objetivos e metas, contemplando os aspectos de: - Formação de Estoques - Manutenção de Estoques - Desmobilização de Estoques PLANEJAMENTO OPERACIONAL DE SUPRIMENTO Também já sob o enfoque da área, podemos definir Planejamento Operacional de Suprimentos como: Processo de detalhamento do Planejamento Tático, programando as atividades operacionais e o gerenciamento dos meios necessários para sua execução. O Planejamento Operacional deve contemplar aspectos como: - Procedimentos e rotinas - Detalhamento dos Métodos de Controle - Fluxo das atividades

22 - Responsáveis pelas atividades - Controles e Relatórios - Avaliações de desempenho - Inventários - Programas de Trabalho - Recursos para Informação FORMALIZAÇÃO DO PLANEJAMENTO As atividades de planejamento devem ser formalizadas em um Plano de Ação, documento que explica os objetivos, a evolução esperada de suas atividades operacionais, seus programas de trabalho e a forma de alocação dos recursos necessários para sua execução. Por sua vez, cada Programa de Trabalho deve ser explicitado em documento indicando as ações que deverão ser tomadas para a consecução de um determinado objetivo, seus responsáveis, resultados esperados, recursos humanos, financeiros e materiais requeridos, bem como o envolvimento de outras áreas. É obvio concluir que o processo de planejamento deve ser participativo, de forma a obter o comprometimento da equipe, e negociado com as outras áreas da empresa evolvidas, para que as ações sejam integradas.

23 CAPÍTULO 4 : MATRIZ GERENCIAL DE ESTOQUES O objetivo da Matriz Gerencial de Estoques é permitir a ação seletiva na Gestão de Estoques, bem como apoiar as decisões gerenciais, através do conhecimento da importância, sob diversos aspectos, de cada item em relação as demais. Apresentamos, a seguir, as classificações consideradas essenciais, nada impedindo que cada organização utilize qualquer outra que contribua para um melhor conhecimento do item. 1. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO TIPO DE DEMANDA 2.1 Conceito de Demanda Demanda é a quantidade de material/produtos necessária ao atendimento dos clientes, relacionada a uma determinada unidade de tempo. As demandas podem ser classificadas por sua lei de formação, em duas modalidades: - Demanda Independente É a demanda que não pode ser estabelecida por uma lei de formação exata, isto é, a necessidade não se vincula diretamente com a demanda de qualquer outro item. - Demanda Dependente É a demanda que pode ser estabelecida por uma lei de formação exata, isto é, a necessidade está diretamente relacionada com a demanda de outro item. Para facilitar a operacionalização, utilizaremos o detalhamento das modalidades acima como tipos de demanda. 2.2 Tipos de Demanda

24 - Demanda Programada (Dependente) São as demandas planejadas quanto à quantidades e prazos de utilização, vinculadas a programas de operação ou investimentos específicos. - Demanda Probabilística (Independente) São as demandas não vinculadas a programas específicos, com distribuição de probabilidades conhecida, previsíveis através de modelos estatísticos. - Demanda Incerta (Independente) São as demandas decorrentes de fatores de difícil previsão. - Demanda Eventual São as demandas decorrentes de necessidades específicas, para aplicação imediata e cuja repetição não prevista. 2.3 Importância e Aplicação tipo, são diferentes: O conhecimento do tipo de demanda é fundamental, pois para cada - os critérios de formação dos estoques; - a responsabilidade pelas informações para manutenção de estoques; - os métodos de controle de estoques; - os índices e parâmetros de avaliação; - a necessidade de interferência gerencial na decisão de manutenção de estoque.

25 3. Classificação quanto ao valor 3.1 Conceito A classificação quanto ao valor consiste no agrupamento de todos os itens em 3 categorias, de acordo com o valor atualizado ou corrigido de cada item. Esta classificação é formalmente chamada de Método, Técnica ou Curva ABC Alternativas A Curva ABC pode ser elaborada a partir do: - Valor do Estoque Real de cada item em uma determinada data, comum a todos os itens, ou - Valor do Consumo Anual de cada item, calculado em data comum a todos os itens Etapas para elaboração da Curva ABC a) Calcular o Valor do Estoque Real ou o Valor do Consumo Anual de cada item, conforme alternativa escolhida; b) Listar todos os itens em ordem decrescente de valor; c) Calcular o percentual de valor de cada item em relação ao valor do Estoque Real acumulado ou valor do Consumo Anual acumulado, conforme alternativa escolhida; d) Acumular os percentuais do valor de cada item; e) Calcular o percentual de um item em relação ao total de itens; f) Acumular o percentual encontrado, item a item; g) Separar os itens nas categorias A, B e C Definição das Classes A definição da categoria (A, B, C) é feita estabelecendo-se, na Política de Estoques, limites em relação ao percentual acumulado do valor, sendo mais comum considerar: - Classe A até 75% do valor acumulado;

26 - Classe B entre 75% e 95% do valor acumulado; - Classe C entre 95% e 100% do valor acumulado. 3.5 Distribuição padrão quantidade de itens é: Quando aplicada a estoques a distribuição mais usual em relação à CLASSE % DO VALOR % ITENS A B C Importância e Aplicação A classificação ABC, em relação ao Valor do consumo Anual, identifica a importância de cada item, de acordo com sua classe, em relação aos desembolsos com compras a serem efetuadas anualmente. Permite, portanto, tratamento seletivo aos mais representativos. O Planejamento Tático de Suprimento utiliza a classificação por valor para determinar a diretriz de compra de cada item em função da classe a que pertence, formando estoques operacionais de giros diferenciados para cada classe. Quanto à classificação ABC relacionada ao Valor do Estoque Real, identifica a importância de cada item em relação às imobilizações em estoque, permitindo verificar a compatibilidade dos níveis de estoque praticados com o consumo anual, através do cruzamento das duas classificações (Valor do Estoque Real x Valor do Consumo Anual), e, consequentemente, ações de correção também de forma seletiva. 4. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À CRITICIDADE 4.1 Conceito A classificação quanto à criticidade consiste no agrupamento de todos os itens em 3 níveis, de acordo com a importância operacional de cada item, sob a ótica, portanto, das implicações dos riscos decorrentes de sua falta.

27 4.2 Níveis de Criticidade - Nível 1 Materiais/produto cuja falta ocasiona custos não recuperáveis, ameaça a segurança de pessoas, equipamentos, instalações ou agressões ao meio ambiente. - Nível 2 Materiais/produtos cuja falta pode ocasionar custos adicionais, compensáveis por menores níveis de estoques e seus custos decorrentes. Distinguem-se dos itens do nível 1 por fatores como facilidade de compra ou a possibilidade de utilização de itens equivalentes. - Nível 3 Materiais/produtos cuja falta não implica em custos adicionais significativos. 4.3 Determinação da criticidade A criticidade de cada item deve ser determinada pelo cliente principal, apoiado nas informações prestadas pela área de suprimento, como tempo de ressuprimento do item e política de suprimento vigente. 4.4 Importância e Classificação A classificação pela criticidade indica a importância de cada item para a continuidade operacional da empresa, independente de seu valor. O planejamento Tático de Suprimento utiliza esta classificação para formular diretrizes diferenciadas de Nível de Serviço (grau de atendimento arbitrado para a demanda de um item) vinculadas a cada nível de criticidade, formando estoques precaucionais, para cada item, de tamanho compatível com a sua importância. Como dito, a determinação da criticidade é feita pelo cliente (utilizador do material) e que, muitas vezes, tende a optar desnecessariamente pelo nível 1 sistematicamente. É importante que a área de suprimento esclareça aos clientes as conseqüências da classificação inadequada: elevação dos valores imobilizados em estoque e a impossibilidade do suprimento poder agir de forma seletiva,

28 concentrando seus esforços nos itens realmente prioritários, em todo o ciclo logístico do material, e em última análise, atendendo melhor o próprio cliente. 5. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À NATUREZA 5.1 Conceito A classificação quanto à natureza visa agrupar os materiais em subconjuntos em função das perspectivas de sua utilização futura. 5.2 Natureza dos Estoques Estoque Ativo Estoque resultante de um planejamento prévio e destinado a uma utilização conhecida. Para facilitar o controle operacional, pode ser subdividido em função das necessidades de cada empresa. Uma das possíveis alternativas de subdivisão pode ser: - Estoque para Produção: constituído por matérias-primas e componentes que integrem o produto final. - Estoque para Manutenção, Reparo e Operação: formado por materiais empregados durante o processo produtivo, sem integrar o produto final. - Estoque de Produtos em Processo : constituído por materiais em diferentes estágios de produção. - Estoque de Produtos Acabados: compreende os materiais ou produtos em condições de serem vendidos. - Estoques de Materiais Administrativos: formado por materiais de aplicação geral na empresa, sem vinculação direta com o processo produtivo Estoque Inativo Estoque sem perspectiva de utilização, total ou parcial, decorrente de mudanças nas políticas de estoques, conclusão e/ou alterações de programas e/ou

29 cronogramas, devoluções ao estoque ou eventuais falhas de planejamento. Pode ser subdividido, como sugerido abaixo: - Estoque disponível: materiais sem prespectivas de utilização, total ou parcial, em perfeito estado de conservação, constituindo-se em disponibilidade de uso para outras filiais, fábricas ou empresas do mesmo grupo empresarial. - Estoque Alienável : constituídos de materiais inservíveis, obsoletos e sucatas destinados à alienação. 5.3 Importância e Aplicação A classificação quanto a natureza dos estoques permite identificar o tipo de ação gerencial a ser adotada: ressuprir, programar, disponibilizar, reaproveitar ou alienar materiais. Identifica, ainda, a responsabilidade pelos valos estocados: a inclusão ou manutenção de qualquer item no estoque ativo representa a aprovação da área de suprimentos quanto a existência do estoque e sua adequação a política de estoques. As causas da passagem de um item para o Estoque Inativo devem ser registradas, permitindo o rastreamento, pois determinam também a responsabilidade pelo estoque desnecessário. 6. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO MERCADO (DIFICULDADE DE OBTENÇÃO) 6.1 Conceito A classificação quanto ao mercado propriamente não divide o estoque em categorias, mas informa os fatores que influenciam o Tempo de Ressuprimento do item, cujo tamanho e regularidade constituem-se em elementos fundamentais na determinação das ações de gerenciamento dos estoques. 6.2 Fatores externos - Origem do material (nacional, importado, etc.); - Natureza do item (prateleira, fabricação específica, etc.);

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