Transtornos de Aprendizagem. Carla Cristina Tessmann Neuropsicóloga

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1 Transtornos de Aprendizagem Carla Cristina Tessmann Neuropsicóloga

2 Neuropsicologia Conforme definição de Luria (1981), Neuropsicologia é a ciência que estuda a relação entre o cérebro e o comportamento humano.

3 Avaliação Neuropsicológica A avaliação neuropsicológica busca investigar quais as funções cognitivas que estão preservadas e as que estão comprometidas. Através do uso de instrumentos (testes, baterias, escalas) padronizados para avaliação das funções cognitivas.

4 Importância da avaliação Neuropsicológica Identificar precocemente a presença de algum distúrbio, bem como o grau da sua evolução. Contribuir para o planejamento do tratamento. Auxiliar no diagnóstico diferencial.

5 Quando realizar avaliação neuropsicológica A avaliação neuropsicológica é recomendada em qualquer caso onde exista suspeita de uma dificuldade cognitiva de origem neurológica ou comportamental. As principais indicações são: Doença de Alzheimer e outros tipos de Demências; Epilepsia; Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade; Dificuldades escolares; Distúrbios do desenvolvimento; Lesões cerebrais decorrentes de traumatismos; Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Derrame ; Distúrbios psiquiátricos ou neuropsiquiátricos; Esclerose múltipla e outras doenças neurodegenerativas; Déficits causados por abuso de drogas e álcool e outras substâncias.

6 O que é cognição? Processo da aquisição do conhecimento que se dá através da percepção, atenção, memória, raciocínio, pensamento e linguagem. É a forma como o cérebro percebe, aprende, recorda e pensa sobre toda a informação captada através dos cinco sentidos.

7 Principais funções cognitivas Inteligência; Atenção; Memória; Percepção; Linguagem; Raciocínio; Aprendizagem; Velocidade de Processamento; Habilidades visuo-construtiva; Habilidades visuo-espacial; Funções motoras e executivas

8 O lobo frontal é a área do cérebro ligada à concentração, ao planejamento, à iniciativa e aos cálculos mentais rápidos, conceitualização abstrata, habilidades de solução de problemas, execução oral e escrita. O lobo parietal esquerdo é responsável por habilidades de sequenciação. Tem como função processar informações relacionadas às noções de espaço e volume. O lobo occipital é o centro da visão, onde acontece a discriminação visual de símbolos matemáticos escritos. Uma de suas funções é fazer com que a pessoa possa diferenciar objetos de cores e texturas semelhantes. O lobo temporal é responsável pela percepção auditiva, memória verbal em longo prazo, memória de série, realizações matemáticas básicas, subvocalização durante a solução de problemas.

9 Córtex Pré- Frontal Esta região cerebral está relacionada ao planejamento de comportamentos e pensamentos complexos, expressão da personalidade, tomadas de decisões e modulação de comportamento social. A atividade básica dessa região é resultado de pensamentos e ações em acordo com metas internas; A função psicológica mais importante relacionada com o córtex pré-frontal é a função executiva. Esta função se relaciona a habilidades para diferenciar pensamentos conflitantes, determinar o bom ou ruim, melhor e pior, igual e diferente, consequências futuras de atividades correntes, trabalho em relação a uma meta definida, previsão de fatos, expectativas baseadas em ações, e controle social.

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11 Nova Proposta do DSM-V Perspectiva diferente das edições anteriores do DSM; Ampliou a categoria para aumentar a acuidade diagnóstica. Esperase que, com isto, mais crianças serão diagnosticadas precocemente com transtorno de aprendizagem; O chamado Transtorno de Aprendizagem Específico é um diagnóstico único, que incorpora dificuldades persistentes que afetam o desempenho acadêmico do indivíduo. O diagnóstico deve ser dado se o mesmo não é capaz de desempenhar suas tarefas acadêmicas de acordo com sua idade e inteligência; Após diagnosticar o transtorno de aprendizagem, o clínico deverá especificar quais as áreas mais afetadas: leitura, escrita e/ou matemática.

12 Transtorno de Aprendizagem Específico Aspectos a serem considerados para o diagnóstico: História clínica e médica; Desenvolvimento educacional; Escores de testes; História familiar; Observações dos professores e, Respostas do indivíduo as intervenções acadêmicas.

13 Transtorno de Aprendizagem Específico Os escores das habilidades acadêmicas do indivíduo devem estar bem abaixo do esperado para a idade, ano escolar e inteligência; As dificuldades do indivíduo não são melhor explicadas por questões neurológicas, de desenvolvimento, sensoriais (audição ou visual) e/ou problemas motores; As dificuldades devem interferir significativamente no funcionamento educacional e ocupacional do sujeito.

14 Distúrbios Específicos de Aprendizagem Leitura Escrita Matemática

15 Dislexia em crianças A primeira descrição na literatura médica sobre problemas de leitura foi feita em O diretor de uma escola observou que, um certo aluno, não conseguia aprender a ler, apesar de seus contínuos esforços. Este mesmo aluno parecia ser o mais inteligente da escola quando a instrução era feita oralmente. Começaram aí a estudar a surpreendente inconsistência entre a inteligência de uma pessoa e sua inabilidade de ler e escrever. Infelizmente, as pesquisas atuais focam principalmente nos problemas óbvios que precisam ser corrigidos e não no potencial que o indivíduo disléxico possa ter, mas que precisa ser identificado e desenvolvido. Thomas G West (1999) The Abilities of Those with Reading Disabilities

16 Transtorno da Leitura Dislexia Também chamado de Dislexia, é o nome dado para as dificuldades de aprendizagem específicas na leitura; Muitas vezes caracterizado por dificuldades com o reconhecimento preciso da palavra, a decodificação da palavra e ao soletrar a palavra; Pode causar problemas para a compreensão da leitura e desacelerar o crescimento; Geralmente evidente aos 6/7 anos de idade. Difícil diagnosticar mais cedo; Não é o resultado de má instrução escolar. Ao receber o apoio adequado, quase todas as pessoas com dislexia podem se tornar bons leitores e escritores.

17 Comportamentos associados à Dislexia Problemas com a caligrafia. Os disléxicos, em geral, encontram muita dificuldade para escrever, frequentemente esquecem convenções da escrita, como a pontuação, letras maiúsculas e espaço entre as letras/palavras; Sinais de sobrecarga da memória do trabalho. A dislexia, em geral, sobrecarrega a memória do indivíduo, pois como este tem dificuldade na decodificação, acaba por memorizar muitas palavras; Dificuldades com a matemática, resultados da dificuldade com sequências, além da leitura de problemas matemáticos.

18 Problemas emocionais associados à Dislexia Baixa autoestima; Ansiedade; Depressão; Queixas somáticas (dor de cabeça, dor de barriga).

19 Disléxico sente que colegas tem sucesso e ele não Repetidos fracassos na escola confirma que ele é diferente Ciclo de desesperança

20 Transtorno da Escrita Disgrafia Disgrafia é uma deficiência na capacidade de escrever a caligrafia escrita e manter a coerência. O diagnóstico é dado quando as habilidades de escrita estão abaixo do esperado para a idade, inteligência e educação do sujeito. Muitas vezes, confunde-se com outras dificuldades de aprendizagem, tais como: comprometimento da fala, déficit de atenção e/ou transtorno do desenvolvimento da coordenação motora.

21 Transtorno Matemático Discalculia A capacidade de realizar operações aritméticas, cálculos e o raciocínio matemático encontra-se, substancialmente, inferior à média esperada para a idade cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo; As dificuldades da capacidade matemática apresentadas pelo indivíduo trazem prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade; Em caso de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas excedem aquelas geralmente a estes associadas.

22 Transtorno Matemático Discalculia Para resolver um cálculo, vários mecanismos cognitivos estão envolvidos: processamento verbal, percepção, reconhecimento de números, representação número/símbolo, memória de curto e longo prazo, e atenção.

23 Habilidades que podem estar prejudicadas nesse transtorno: Linguística: compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos matemáticos, transposição de problemas escritos em símbolos matemáticos; Perceptuais: reconhecimento de símbolos numéricos ou aritméticos, ou agrupamento de objetos em conjuntos; Atenção: copiar números ou cifras, observar sinais de operação; Matemáticas: dar sequência a etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação.

24 Inteligência É multifatorial. A pessoa nasce com a estrutura orgânica para desenvolver a maturação da inteligência. Base hereditária ou genética; Aparato orgânico íntegro (SNC); Realidade facilitadora, estimulação afetiva e ambiental.

25 Inteligência Inteligência Cristalizada Desenvolvida a partir de experiências culturais e educacionais, presente na maioria das atividades Escolares. Inteligência Fluída Associada a componentes não-verbais, pouco dependentes de conhecimentos adquiridos e da influência de aspectos culturais. Operações mentais utilizadas frente a uma tarefa relativamente nova, as quais não podem ser executadas automaticamente.

26 Memória É o processo pelo qual o conhecimento é codificado, retido e, posteriormente, evocado ou recuperado. Memória de trabalho ou imediata ou sentido do presente (pode durar frações de segundos ou até vário segundos). Memória de curta duração (dura no máximo 6 horas). Memória de longa duração (dias ou anos).

27 Diagnóstico Testes psicológicos (avaliar aspectos emocionais como a ansiedade, que possam estar interferindo no desempenho matemático); Testes cognitivos (WISC-IV); Desenvolvimento Educacional; Escores nas provas; Teste de habilidades matemáticas.

28 Avaliação dos Transtornos de Aprendizagem Quatro aspectos a serem determinados na avaliação: Por que os problemas estão ocorrendo; Presença de problemas de atenção, memória e/ou linguagem que podem estar afetando a capacidade intelectual do sujeito; Plano de tratamento apropriado; Quais são os pontos fortes apresentados pelo sujeito, especialmente nas áreas auditivas e/ou de memória visual, que podem ser utilizados no tratamento, para que assim, problemas possam ser eliminados.

29 Diagnóstico precoce auxilia no tratamento De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais, referência para profissionais da área, a taxa de evasão escolar de crianças ou adolescentes com transtornos de aprendizagem é, em nível global, de cerca de 40%. Os transtornos de aprendizagem devem ser diagnosticados e tratados principalmente porque podem estar associados a desmoralização, baixa autoestima e déficit em habilidades sociais. Quando o transtorno da leitura é associado a um quociente de inteligência (QI) elevado, a criança pode render de acordo com seus companheiros durante os primeiros anos escolares, e o problema pode se manifestar totalmente apenas no quarto ou quinto ano. O tratamento dos transtornos de aprendizagem requer a necessária colaboração entre pais, educadores e psiquiatras ou psicólogos infantis. Medicação e psicoterapia só são aconselhadas em casos mais graves.

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