6 o ano TECENDO LINGUAGENS LÍNGUA PORTUGUESA MANUAL DO PROFESSOR
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- Manoel Juan Pinto Silva
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1 TECENDO LINGUAGENS LÍNGUA PORTUGUESA TANIA AMARAL OLIVEIRA Formada em Letras, Pedagogia e Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Formadora de educadores nas áreas de Língua Portuguesa e de Comunicação. Professora do Ensino Fundamental das redes pública e privada de ensino de São Paulo. ELIZABETH GAVIOLI DE OLIVEIRA SILVA Bacharel e licenciada em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos. Autora de livros didáticos de Língua Portuguesa e de Letramento e Alfabetização (Ensino Fundamental e EJA). Professora do Ensino Fundamental da rede particular de ensino de São Paulo. CÍCERO DE OLIVEIRA SILVA Bacharel em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Graduando em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Autor de livros didáticos de Língua Portuguesa e de Letramento e Alfabetização (Ensino Fundamental e EJA). Educador em projetos sociais nas áreas de Comunicação e Educação para a Cidadania. LUCY APARECIDA MELO ARAÚJO Bacharel e licenciada em Língua Portuguesa e Linguística pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mestranda em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora do Ensino Fundamental da rede particular de ensino de São Paulo. ENSINO FUNDAMENTAL LÍNGUA PORTUGUESA MANUAL DO PROFESSOR 6 o ano 4 a edição São Paulo 2015 pnld2017_miolo_6tl_p3_u00_18ago15.indd 1 8/19/15 17:56
2 Coleção Tecendo Linguagens Língua Portuguesa 6 o ano IBEP, 2015 Diretor superintendente Diretora adjunta editorial Gerente editorial Coordenadora editorial Editora Assistente editorial Revisora técnica Coordenadora de revisão Revisores Secretaria editorial Assistentes de secretaria editorial Coordenadora de arte Assistentes de arte Coordenadora de iconografia Assistentes de iconografia Ilustradores Produção gráfica Assistentes de produção gráfica Processos editoriais e tecnologia Projeto gráfico e capa Imagens da capa Diagramação Jorge Yunes Célia de Assis Maria Rocha Simone Silva Fabiana Panhosi Marsaro Karina Danza Márcia Chiréia Helô Beraldo Beatriz Hrycylo, Cássio Dias Pelin, Luiz Gustavo Bazana, Salvine Maciel, Sheila Saad, Thiago Dias Fredson Sampaio Carla Marques, Karyna Sacristan, Mayara Silva Karina Monteiro Aline Martins, Gustavo Prado Ramos, Marilia Vilela, Thaynara Macário Neuza Faccin Bruna Ishihara, Camila Marques Victoria Lopes, Wilson de Castilho Jótah e Renato Arlem Ary Lopes Elaine Souza, Eliane M. M. Ferreira Elza Mizue Hata Fujihara Departamento de Arte IBEP Fabio Colombini, Lisa F. Young/Shutterstock Bertolucci Estúdio Gráfico Os textos e as imagens reproduzidos nesta coleção têm fins exclusivamente didáticos e não representam qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) ou da editora. 4 a edição São Paulo 2015 Todos os direitos reservados. Av. Alexandre Mackenzie, 619 Jaguaré São Paulo SP Brasil Tel.: (11) [email protected] pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 2 5/7/15 10:43 AM
3 APRESENTAÇÃO Caro aluno e cara aluna, Não sabemos quem vocês são, mas imaginamos que estejam curiosos para saber o que lhes trazem as páginas deste livro. Por isso adiantamos algumas respostas. Esta obra foi escrita especialmente para vocês que gostam de fazer descobertas por meio de trabalhos individuais ou em grupo e de se relacionar com as pessoas ao seu redor. Para vocês que gostam de falar, de trocar ideias, de expor suas opiniões, impressões pessoais, de ler, de criar e escrever, foram preparadas atividades que, certamente, farão com que gostem mais de estudar Língua Portuguesa. Estão duvidando disso? Aguardem os próximos capítulos e verão que estamos certos. Este livro traz algumas ferramentas para tornar as aulas bem movimentadas, cheias de surpresas. Vocês terão oportunidade de ler e interpretar textos dos mais variados gêneros: causos, mitos e lendas do Brasil e de outras regiões do planeta, textos teatrais, poemas, textos retirados de revistas e jornais, textos instrucionais, histórias em quadrinhos e muito mais. Mas não estamos rodeados apenas de textos escritos. Vivemos em um mundo em que a imagem, o som e a palavra falada ou escrita se juntam para construir atos de comunicação. Por isso, precisamos desvendar o sentido de todas essas linguagens que nos rodeiam para melhor interagir com as pessoas e com o mundo em que vivemos. Assim, descobriremos os múltiplos caminhos para nos comunicar. Acreditem: vocês têm uma capacidade infinita e, por isso, a responsabilidade de desenvolvê-la. Pesquisem, expressem suas ideias, sentimentos, sensações; registrem suas vivências; construam e reconstruam suas histórias; sonhem, emocionem-se, divirtam-se, leiam por prazer; lutem por seus ideais e aprendam a defender as suas opiniões, oralmente e por escrito. Não sejam espectadores na sala de aula, mas agentes, alunos atuantes. Assim, darão mais sentido às atividades escolares, melhorarão seu desempenho nessa área e, com certeza, descobrirão a alegria de aprender. Um abraço! Os autores pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 3 5/7/15 10:43 AM
4 CONhEÇA SEu livro Para começo de conversa Momento inicial de cada capítulo, que propõe uma discussão prévia sobre o gênero ou o tema a ser estudado. Prática de leitura Momento de ler textos verbais e não verbais e desenvolver a competência leitora. ANTES DE LER Momento de explorar os conhecimentos prévios dos alunos sobre determinado tema ou gênero, levantar hipóteses e fazer inferências. POR DENTRO DO TEXTO Momento de verificar se o texto e as informações que ele apresenta foram compreendidos e de interpretar também aquilo que não está escrito. TROCANDO IDEIAS Momento de discutir oralmente sobre os aspectos apresentados pelo texto e de dividir com os colegas o que cada um compreendeu, as hipóteses e as opiniões. CONFRONTANDO TEXTOS Momento de comparar os textos já lidos ou esses textos e outros apresentados na seção. TEXTO E CONSTRUÇÃO Momento de organizar a aprendizagem sobre os textos, sua construção, forma, seus conceitos e sua definição. pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 4 5/7/15 10:43 AM
5 TEXTO E CONTEXTO Momento de ampliar a leitura e estabelecer relações entre texto e contexto. Momento de ouvir Momento em que o professor fará a leitura de textos para a turma. De olho na ortografia Momento de conhecer os aspectos ortográficos da língua e aprender a escrita correta das palavras. Reflexão sobre o uso da língua Momento de estudar e refletir sobre os aspectos gramaticais da língua escrita e oral. DE OLHO NO VOCABULÁRIO Momento de conhecer os aspectos semânticos da língua e de usar o dicionário. APLICANDO CONHECIMENTOS Momento de colocar em prática aquilo que foi estudado. APRENDER BRINCANDO Momento de fixar os novos conhecimentos por meio de atividades lúdicas variadas. pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 5 5/7/15 10:44 AM
6 Hora da pesquisa Momento de aprender de maneira mais autônoma por meio de pesquisas orientadas. Atividade de criação Momento de produzir colagens, ilustrações e pequenos textos. Na trilha da oralidade Momento de analisar questões próprias da língua oral. Produção de texto Momento de produzir textos orais e escritos. \ pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 6 5/7/15 10:44 AM
7 Projetos em ação Momento de realizar um conjunto de atividades que resultam na elaboração de um produto final comum à turma ou a um grupo de alunos. importante SABER Momento de organizar, ampliar e sistematizar os conhecimentos. PARA você QuE É CuRiOSO Momento de ler curiosidades e informações interessantes sobre os gêneros ou os temas abordados no capítulo. leia mais Momento de conferir sugestões para ampliar as leituras feitas no capítulo. Preparando-se para o próximo capítulo Momento de realizar atividades que exploram o tema do capítulo seguinte. pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 7 5/7/15 10:44 AM
8 SuMáRiO unidade 1 SER E descobrir-se 13 Capítulo 1 QuEM É você? XXPara começo de conversa TROCANDO IDEIAS XXPrática de leitura Texto 1 Tela (Velázquez, 2000, Rodrigo Cunha) POR DENTRO DO TExTO XXPrática de leitura Texto 2 Romance (fragmento) (O menino no espelho, Fernando Sabino) POR DENTRO DO TExTO MOMENTO DE OuVIR XXReflexão sobre o uso da língua Substantivo Substantivos próprio e comum APLICANDO CONHECIMENTOS APRENDER BRINCANDO XXAtividade de criação Meu nome XXPrática de leitura Texto 3 Crônica (De quem são os meninos de rua?, Marina Colasanti) TROCANDO IDEIAS POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONSTRuçãO CONFRONTANDO TExTOS XXReflexão sobre o uso da língua Substantivos simples e composto, primitivo e derivado, concreto e abstrato DE OLHO NO VOCABuLáRIO APRENDER BRINCANDO XXPrática de leitura Texto 4 Retrato falado (Projeto UpDown) POR DENTRO DO TExTO XXNa trilha da oralidade Entrevista XXReflexão sobre o uso da língua Flexão do substantivo (gênero, número e grau) XXProdução de texto Retrato falado XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo Capítulo 2 POETA APRENdiz XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Conto (A incapacidade de ser verdadeiro, Carlos Drummond de Andrade) POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONSTRuçãO DE OLHO NO VOCABuLáRIO XXPrática de leitura Texto 2 Poema (Ouriço, ulisses Tavares) POR DENTRO DO TExTO XXPrática de leitura Texto 3 Poema (Identidade, Pedro Bandeira) TROCANDO IDEIAS POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONTExTO TExTO E CONSTRuçãO APLICANDO CONHECIMENTOS XXProdução de texto Poema XXReflexão sobre o uso da língua Adjetivo APLICANDO CONHECIMENTOS APRENDER BRINCANDO XXAtividade de criação Poema ilustrado XXPrática de leitura Texto 4 Poema (O poeta aprendiz, Vinicius de Moraes) POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONSTRuçãO XXReflexão sobre o uso da língua Locução adjetiva APLICANDO CONHECIMENTOS XXNa trilha da oralidade Entonação XXPrática de leitura Texto 5 Trovas populares ( Fui ao mato..., Vera Aguiar) TExTO E CONSTRuçãO XXProdução de texto Livros de poemas da turma pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 8 5/7/15 10:44 AM
9 Trova XXPrática de leitura Texto 6 Poema visual (Xadrez, Sérgio Capparelli e Ana Gruszynski) POR DENTRO DO TExTO CONFRONTANDO TExTOS XXProjetos em ação Dia da poesia XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo unidade 2 SER E CONvivER 65 Capítulo 1 da ESCOlA QuE TEMOS à ESCOlA QuE QuEREMOS XXPara começo de conversa POR DENTRO DO TExTO XXPrática de leitura Texto 1 Crônica (Na escola, Carlos Drummond de Andrade) POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONSTRuçãO TExTO E CONTExTO CONFRONTANDO TExTOS TROCANDO IDEIAS DE OLHO NO VOCABuLáRIO XXReflexão sobre o uso da língua Variedade linguística Níveis de linguagem: formal e informal XXDe olho na ortografia Por que, porque, por quê, porquê APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 2 Romance (fragmento I) (Infância, Graciliano Ramos) POR DENTRO DO TExTO TROCANDO IDEIAS XXPrática de leitura Texto 3 Romance (fragmento II) (Infância, Graciliano Ramos) POR DENTRO DO TExTO APLICANDO CONHECIMENTOS XXReflexão sobre o uso da língua Artigo APLICANDO CONHECIMENTOS XXMomento de ouvir XXPrática de leitura Texto 4 Romance (fragmento) (Gabriel Ternura, Edson Gabriel Garcia) POR DENTRO DO TExTO CONFRONTANDO TExTOS TExTO E CONSTRuçãO XXAtividade de criação Descrição XXPrática de leitura Texto 5 Relato de memórias (Sua presença em minha vida foi fundamental, Ziraldo) POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONTExTO CONFRONTANDO TExTOS XXProdução de texto Relato de memórias XXPrática de leitura Texto 6 Romance (fragmento) (A bolsa amarela, Lygia Bojunga) POR DENTRO DO TExTO XXReflexão sobre o uso da língua Numeral APLICANDO CONHECIMENTOS APRENDER BRINCANDO XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo Capítulo 2 NOSSOS RElACiONAMENTOS XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Charge (Rede social, Ivan Cabral) POR DENTRO DO TExTO CONFRONTANDO TExTOS XXPrática de leitura Texto 2 Letra de canção (Loadeando, Marcelo D2) POR DENTRO DO TExTO TROCANDO IDEIAS XXNa trilha da oralidade Marcas de conversação DE OLHO NO VOCABuLáRIO XXPrática de leitura Texto 3 Classificado poético (Agenda poética, Telma Guimarães) POR DENTRO DO TExTO XXPrática de leitura Texto 4 Classificado de imóvel (Apartamento amplo e reformado) CONFRONTANDO TExTOS XXAtividade de criação Classificado poético XXPrática de leitura Texto 5 Página de agenda (A agenda de Carol, Inês Stanisiere) pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 9 5/7/15 10:44 AM
10 Por dentro do texto trocando ideias texto e construção XXreflexão sobre o uso da língua Pronomes pessoal e possessivo aplicando conhecimentos XXPrática de leitura Texto 6 Poema (Bilhete ao pai adotivo, haydée s. hostin lima) Por dentro do texto trocando ideias confrontando textos XXatividade de criação diário íntimo XXPrática de leitura Texto 7 romance (fragmento) (O pequeno príncipe, antoine de saint-exupéry) Por dentro do texto texto e contexto trocando ideias texto e construção XXatividade de criação diálogo XXreflexão sobre o uso da língua Pronomes pessoal do caso reto e de tratamento (revisão) aplicando conhecimentos XXreflexão sobre o uso da língua formação de palavras sufixo XXde olho na ortografia Palavras terminadas em -oso/-osa XXPrática de leitura Texto 8 conto (Uma lição inesperada, João anzanello carrascoza) Por dentro do texto trocando ideias XXreflexão sobre o uso da língua Verbo (i) aplicando conhecimentos XXPrática de leitura Texto 9 Verbete (Taj Mahal, um palácio oriental) Por dentro do texto texto e construção texto e contexto XXPrática de leitura Texto 10 capa de revista (revista Toda Teen) Por dentro do texto texto e contexto trocando ideias XXPrática de leitura Texto 11 depoimento (Garotos contam: quando o virtual se torna real?, capricho) Por dentro do texto texto e construção XXreflexão sobre o uso da língua Pontuação XXatividade de criação depoimento pessoal XXPrática de leitura Texto 12 texto didático-científico (O primeiro amor é vivido em fantasia, flávio Gikovate) Por dentro do texto texto e contexto XXatividade de criação Poema XXProjetos em ação exposição sobre a história do bairro XXleia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo unidade 3 aprendendo Com a sabedoria popular 157 Capítulo 1 histórias que o povo Conta XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 causo (Num rancho às margens do Rio Pardo, equipe xico da Kafua) Por dentro do texto de olho no Vocabulário XXna trilha da oralidade linguagem oral e escrita XXreflexão sobre o uso da língua Verbo (ii) aplicando conhecimentos XXmomento de ouvir XXPrática de leitura Texto 2 causo (O defunto vivo, revista Dr Eco e Companhia) confrontando textos XXreflexão sobre o uso da língua Verbo (iii) aplicando conhecimentos XXPrática de leitura Texto 3 causo (Aquele animal estranho, mário Quintana) Por dentro do texto texto e contexto de olho no Vocabulário pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 10 5/12/15 3:14 PM
11 XXNa trilha da oralidade Contação de causo XXProdução de texto Causo XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo Capítulo 2 histórias QuE ENSiNAM XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Fábula (A cigarra e as formigas, Esopo) POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONTExTO TROCANDO IDEIAS XXPrática de leitura Texto 2 Cordel (A cigarra e a formiga, Severino José) CONFRONTANDO TExTOS XXReflexão sobre o uso da língua Verbo (IV) APLICANDO CONHECIMENTOS XXAtividade de criação Versão para o final de uma fábula XXPrática de leitura Texto 3 Fábula (Quem tem razão? A lebre ou o leão?, Estadinho) POR DENTRO DO TExTO XXNa trilha da oralidade Debate regrado XXReflexão sobre o uso da língua Verbo (V) APLICANDO CONHECIMENTOS XXDe olho na ortografia Acentuação das oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas APLICANDO CONHECIMENTOS APRENDER BRINCANDO XXMomento de ouvir XXProdução de texto Fábula XXProjetos em ação XXColetânea de histórias que o povo conta Sarau literário XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo unidade 4 NATuREzA E CulTuRA EM CANTOS E imagens 195 Capítulo 1 CONSTRuiNdO um MuNdO legal XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Tira em quadrinhos (Tem alguma coisa babando embaixo da cama, Bill Watterson) POR DENTRO DO TExTO XXReflexão sobre o uso da língua Interjeição APRENDER BRINCANDO XXPrática de leitura Texto 2 História em quadrinhos (Yukon Ho!, Bill Watterson) POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONSTRuçãO TROCANDO IDEIAS XXReflexão sobre o uso da língua Verbo (VI) APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 3 História em quadrinhos (Ecologia em quadrinhos, Luca Novelli) POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONSTRuçãO TROCANDO IDEIAS XXNa trilha da oralidade Exposição oral XXPrática de leitura Texto 4 Tiras em quadrinhos (Papa-Capim e Chico Bento, Mauricio de Sousa) POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONSTRuçãO XXPrática de leitura Texto 5 Tira em quadrinhos (Toda Mafalda, Quino) POR DENTRO DO TExTO XXPrática de leitura Texto 6 Charge (Ipad? Ai fome!, Erasmo) POR DENTRO DO TExTO CONFRONTANDO TExTOS pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 11 5/7/15 10:44 AM
12 XXProdução de texto História em quadrinhos (HQ) XXLeia mais XXPreparando-se para o próximo capítulo Capítulo 2 O POvO CANTA A ARTE E A CulTuRA XXPara começo de conversa XXPrática de leitura Texto 1 Letra de canção (Avião avuadô, Carlos Farias e Coral das Lavadeiras) POR DENTRO DO TExTO XXNa trilha da oralidade Marcas de oralidade XXPrática de leitura Texto 2 Letra de canção (Sabiá de Melão, Vavá Machado e Marcolino) POR DENTRO DO TExTO XXNa trilha da oralidade Variação linguística XXPrática de leitura Texto 3 Partitura (Princípio da Marcha Turca (opus n. 11), Mozart) TExTO E CONSTRuçãO XXDe olho na ortografia Acentuação das oxítonas APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 4 Letra de canção (Reisado, Teddy Vieira) POR DENTRO DO TExTO XXHora da pesquisa Músicas preferidas da turma XXPrática de leitura Texto 5 Letra de canção (Manguetown, Chico Science, Lúcio e Dengue) POR DENTRO DO TExTO DE OLHO NO VOCABuLáRIO XXReflexão sobre o uso da língua Pronome demonstrativo APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 6 Letra de canção (Rapaz caipira, Renato Teixeira) POR DENTRO DO TExTO TExTO E CONSTRuçãO XXReflexão sobre o uso da língua Frase APLICANDO CONHECIMENTOS XXPrática de leitura Texto 7 Letra de canção (Três cirandas de Pernambuco, Domínio público) POR DENTRO DO TExTO CONFRONTANDO TExTOS XXProdução de texto Verbete XXProjetos em ação HQ sobre o meio ambiente Campanha informativa A natureza é da gente Quem conhece um artista popular? XXApêndice XXGlossário XXIndicações de leituras complementares pnld2017_miolo_tl_p3_u00.indd 12 5/7/15 10:44 AM
13 Unidade 1 Ser e descobrir-se Às vezes, você se sente corajoso(a), às vezes, um(a) grande medroso(a)? Pois saiba que é assim com todo mundo. Nas próximas páginas, você vai pensar e discutir sobre isso com seus colegas. Poderá se apresentar, falar sobre seus desejos, seus sentimentos. Você ainda terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre seus colegas e, assim, quem sabe, fazer novas amizades. Você gosta de desvendar charadas? E de participar de jogos? Então prepare-se para fazer tudo isso. Depois da leitura dos textos desta unidade, você vai refletir sobre vários aspectos do funcionamento da língua. E que tal conhecer melhor as características de um texto poético? Lendo muitos poemas, observando o ritmo, o trabalho especial com as palavras, os sons, você ficará com uma ideia mais clara do que sejam os poemas, aprenderá a apreciá-los e poderá até mesmo escrever alguns. Existe ainda um estudo sobre trovas populares, poesias cantadas pelo povo Brasil afora. Prepare-se para se emocionar e, quem sabe, descobrir que você também é um poeta. Que a alegria de aprender seja a sua companheira! Bom trabalho! 13 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 13 5/7/15 8:40 AM
14 capítulo 1QUeM É VocÊ? Para começo de conversa Você já ouviu falar no Menino Maluquinho? O que sabe sobre ele? Resposta pessoal. Professor, se necessário, informe aos alunos que o Menino Maluquinho é uma personagem criada pelo escritor e cartunista Ziraldo Alves Pinto, em 1980, e protagoniza um livro com seu nome. A obra apresenta histórias de um menino alegre e sapeca que caiu no gosto dos brasileiros, e serviu de inspiração para uma peça teatral, filmes, histórias em quadrinhos e uma série de TV. Uma das principais c aracterísticas dessa personagem é usar uma panela como chapéu. Veja mais informações sobre Ziraldo no Manual do Professor (de agora em diante, referido apenas como Manual). Leia a seguinte história em quadrinhos e divirta-se com as invenções da personagem. Ziraldo ZirALDO. As melhores tiradas do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, Professor, sugerimos que as atividades a seguir sejam respondidas pelos alunos organizados em duplas ou em pequenos grupos. 1. A personagem principal dessa história vive um conflito. Qual é ele? Tem dificuldade para escolher um visual para sair. 2. O Menino Maluquinho, ao escolher o boné, acaba optando por um visual mais antigo ou mais moderno? Por que você acha que ele fez essa opção? Resposta possível: Ele opta por um visual mais moderno. Provavelmente, porque bonés são muito usados pelos garotos de sua geração. 3. Ao usar o boné por cima da panela, o que a personagem mostra? Resposta possível: Mostra que, mesmo usando um visual novo, ele não deixa de ser quem é, ou seja, afirma sua identidade. 4. No texto, a mãe do Menino Maluquinho emite uma opinião sobre as escolhas do filho. a) Transcreva do texto o(s) trecho(s) em que a mãe dá sua opinião. Graças a Deus ele vai deixar de andar por aí feito um maluco! b) De acordo com o que você entendeu do texto, o Menino Maluquinho se deixou influenciar pela opinião da mãe? Como você concluiu isso? Não, porque, mesmo a mãe demonstrando um incômodo com a maneira diferente de ser do menino, Maluquinho mantém o seu comportamento e gosto pessoal. 14 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 14 5/7/15 8:40 AM
15 5. Em sua opinião, Maluquinho gosta de ser quem é? Por quê? Resposta possível: Sim, pois, apesar de querer inovar um pouco o visual, não deixou de lado aquilo que já é sua marca, que já faz parte de sua identidade, aquilo que também o torna o Menino Maluquinho. 6. Observe com atenção os gestos e as expressões faciais de Maluquinho nos seis primeiros quadrinhos. O movimento dos braços se altera? O que a posição dos braços e das mãos sugere sobre a personagem? Explique. Sim, a cada quadrinho os braços e as mãos se encontram em uma posição diferente. As diferentes posições sugerem que a personagem está em dúvida sobre alguma coisa. 7. As expressões faciais do garoto combinam com o que ele está dizendo? Explique sua resposta com base no que acontece em um dos quadrinhos. Sim. Uma das mãos na boca (2 o e 3 o quadrinhos) significa que a personagem está refletindo sobre o seu visual, Maluquinho observa atentamente o que vê no espelho. 8. Para construir esse texto, o autor usou imagens e palavras. Em sua opinião, se as imagens fossem retiradas, o texto transmitiria as mesmas ideias? Por quê? Não. Apenas as falas das personagens não alcançariam o sentido que a história completa transmite. Por exemplo, quando Maluquinho se refere ao visual, dizendo que não está bom, não seria possível saber a que visual ou mesmo a que personagem a história se refere. 9. Um leitor que ainda não conhece o Menino Maluquinho consegue identificar, pelo texto, o nome da personagem? Por quê? Sim, pois o nome da personagem aparece como uma espécie de título, do lado esquerdo dos quadrinhos. TROCANDO IDEIAS 1. Às vezes você também se sente como o Menino Maluquinho? Por quê? 2. Como os adultos costumam tratá-lo? 3. Como você reage ao receber esse tratamento dos adultos? 4. Observando a si mesmo e aos colegas, que conflitos você considera comuns na sua faixa etária? Respostas pessoais. Professor, estimule a turma a compartilhar suas vivências. Aproveite esse momento para conversar com os alunos sobre questões relacionadas à transição da infância para a adolescência e sobre a passagem do 5 o para o 6 o ano, que costuma ser uma fase bastante delicada para alguns deles. Prática de leitura Texto 1 Tela ANTES DE LER Professor, os alunos terão mais elementos para fazer a dedução se antes forem levantadas, com eles, outras palavras que comecem com o prefixo auto. Sugerimos que esse levantamento seja feito oralmente em sala de aula antes que respondam à questão Para você, o que é uma obra artística? Dê exemplos de uma obra de arte que você conhece. Resposta pessoal. 2. Você sabe o que é um autorretrato? Sabe o que significa essa palavra? Resposta pessoal. Coleção Particular 1. Resposta possível: A imagem de um rapaz refletida no espelho e a parte inferior do seu corpo, com uma das mãos segurando uma caixa com tintas; há outros elementos que compõem a cena, como latas de tinta embaixo do espelho, um copo de água e um livro do pintor Velázquez sobre um móvel, o chão de madeira. Professor, incentive os alunos POR DENTRO DO TEXTO a observar os detalhes da tela, pois são importantes para compreender o sentido da imagem. 1. O que você vê na imagem da tela? 2. É possível saber como é a pessoa que está com o suporte de tintas na mão? O que você acha que ela está fazendo? Sim, pois a sua imagem está refletida no espelho. Ela está pintando a si própria. 3. Para você, o que representa a imagem na tela? Expresse sua opinião e procure saber o que pensam seus colegas de turma. Resposta possível: Esse quadro poderia ser uma tela em um cavalete no qual o artista pinta seu autorretrato ou um espelho. Velázquez, 2000 (1976), de rodrigo Cunha. Acrílica sobre tela, 202 cm 143 cm. 15 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 15 5/7/15 8:40 AM
16 IMPORTANTE SABER Autorretrato é o retrato que uma pessoa faz de si mesma em forma de desenho, pintura, gravura ou descrição escrita ou oral. Como o autorretrato é a representação que o artista faz de si mesmo, ele registra a seu modo como se vê ou como gostaria de ser visto. 4. É possível afirmar que essa tela é um autorretrato? Por quê? Sim. Porque revela a imagem de um artista pintando a si próprio. 5. Pela imagem, podemos deduzir se o artista está sério ou bem à vontade, se é jovem, triste, calmo etc.? Que expressões ele transmite? 6. Na imagem, há elementos estáticos, parados, e elementos que revelam movimento, atividade. Quais são? Resposta possível: Há elementos estáticos (os que estão ao redor do espelho), que contrastam com a atividade, o movimento do artista pintando a tela. 7. Que impressões ou sensações sugerem a você as cores escolhidas pelo artista? 8. O artista se preocupou em apenas retratar a sua imagem na tela? Ou ele quis mostrar o ambiente em que se encontra? Ele quis mostrar também o ambiente de trabalho dele, a sua própria atividade e como ele a realiza. 9. Na tela aparece parcialmente o nome de outro pintor: Velázquez. identifique o objeto presente no ambiente da tela que faz referência a esse pintor. O livro, que está sobre um móvel e tem o título Velázquez. 10. Você sabe quem foi Velázquez? Leia o próximo texto. Resposta possível: Sim, a imagem revela um artista jovem, que demonstra estar calmo e à vontade, pintando seu autorretrato. A tela não revela sentimentos de tristeza ou alegria. Resposta pessoal. Diego Rodríguez de Silva Velázquez ( ) Pintor barroco, nascido em Sevilha, Espanha, manifestou desde muito cedo seu talento para a pintura. Velázquez é considerado um pintor de grande maestria técnica. Ele ganhou prestígio como um mestre pintor de retratos e influenciou outros pintores que vieram depois dele. As meninas é considerada sua obra mais importante. Autorretrato (1640), de Diego Velázquez. Óleo sobre tela, 45 cm 38 cm. real Academia de Bellas Artes de San Carlos de Valencia 11. Para responder às questões seguintes, releia as informações apresentadas na legenda e no crédito da tela do texto 1. a) O segundo nome que aparece refere-se ao pintor da tela. Copie-o no caderno. Rodrigo Cunha. b) A expressão acrílica sobre tela traz uma informação sobre a pintura. Qual? A expressão refere-se à técnica usada na pintura: a tinta acrílica sobre tela. c) Você sabe em que lugares costumam ser expostas as telas dos pintores? Em museus ou galerias de arte. d) Pelas informações, a tela está exposta em algum desses lugares? A quem pertence essa obra? Pelas informações do texto, a tela não está exposta nesses lugares, é de coleção particular, mas não se revela o nome do proprietário. 12. E você, já observou a sua imagem no espelho durante algum tempo? Por que você acha que muitos jovens se preocupam em fazer isso? Resposta pessoal. 16 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 16 5/7/15 8:40 AM
17 13. Você se vê da mesma forma que as pessoas o enxergam? Por quê? Resposta pessoal. IMPORTANTE SABER Você observou que o texto O Menino Maluquinho e o texto 1 foram nomeados, respectivamente, de história em quadrinhos e tela? O Menino Maluquinho apresenta imagens e palavras. Já o texto 1 não apresenta palavras, só imagem. Embora eles sejam diferentes, foi possível interpretar o que cada um deles quis transmitir. Por esse motivo, podemos dizer que fizemos uma leitura da história em quadrinhos e também da tela. Quando um texto possui imagens e não possui palavras, dizemos que ele é um texto não verbal ou visual. Quando possui apenas palavras, é chamado texto verbal. O texto composto de imagens e palavras ao mesmo tempo é chamado verbal e não verbal ou icônico-verbal. 14. responda: a) Que texto lido anteriormente é apenas visual? A tela. b) Qual é o texto verbal e não verbal lido até agora? A história em quadrinhos. Prática de leitura Texto 2 romance (fragmento) ANTES DE LER 1. Observe as características do próximo texto. Ele é um texto verbal, visual ou ambos? Explique. Ele apresenta apenas palavras; então, é um texto verbal. 2. Leia apenas o título do próximo texto e faça sua hipótese: De que assunto a história vai tratar? Que personagens você supõe que ela irá apresentar? Resposta pessoal. Professor, neste momento o objetivo é apenas fazer o levantamento de hipóteses dos alunos. Elas serão retomadas durante a leitura. O menino no espelho Levantava a perna, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os braços e ele fazia o mesmo. Coçava a orelha, e ele também. Mas o que mais me intrigava era a única diferença entre nós dois. Sim, porque um dia descobri, com pasmo, que, enquanto eu levantava a perna esquerda, ele levantava a direita; enquanto eu coçava a orelha direita, ele coçava a esquerda. Reparando bem, descobria outras diferenças. O escudo da escola, por exemplo, que eu trazia colado no bolsinho esquerdo do uniforme, na blusa dele era no direito. Para testar, coloco a mão direita espalmada sobre o espelho. Como era de se esperar, ele ao mesmo tempo vem com a sua mão esquerda, encostando-a na minha. Sorrio para ele e ele para mim. Mais do que nunca me vem a sensação de que é alguém idêntico a mim que está ali dentro do 17 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 17 5/7/15 8:40 AM
18 renato Arlem espelho, se divertindo em me imitar. Chego a ter a impressão de sentir o calor da palma da mão dele contra a minha. Fico sério, a imaginar o que aconteceria se isso fosse verdade. Quando volto a olhá-lo no rosto, vejo assombrado que ele continua a sorrir. Como, se agora estou absolutamente sério? Um calafrio me corre pela espinha, arrepiando a pele: há alguém vivo dentro do espelho! Um outro eu, o meu duplo, realmente existe! Não é imaginação, pois ele ainda está sorrindo, e sinto o contato de sua mão na minha, seus dedos aos poucos entrelaçarem os meus. Puxo a mão com cuidado, descolando-a do espelho. Em vez da outra mão se afastar, ela vem para fora, presa à minha. Afasto-me um passo, sempre a puxar a figura do espelho, até que ela se destaque de todo, já dentro do meu quarto, e fique à minha frente, palpável, de carne e osso, como outro menino exatamente igual a mim. Você também se chama Fernando? pergunto, mal conseguindo acreditar nos meus olhos. Odnanref responde ele, e era como se eu próprio tivesse falado: sua voz era igual à minha. Odnanref? Sim, Odnanref. Fernando de trás para diante. [ ] SABINO, Fernando. O menino no espelho. 44. ed. Rio de Janeiro: Record, Professor, dados biográficos sobre Fernando Sabino podem ser encontrados no Manual. POR DENTRO DO TEXTO 1. O que o menino vê no espelho? Vê a sua imagem, o seu reflexo. 2. É normal que um espelho reflita imagens invertidas? Sim. 3. Um dos parágrafos do texto revela que o espelho reflete a imagem de maneira invertida. Localize esse parágrafo e transcreva no caderno um trecho que comprove essa afirmação. [...] um dia descobri, com pasmo, que, enquanto eu levantava a perna esquerda, ele levantava a direita; enquanto eu coçava a orelha direita, ele coçava a esquerda. Reparando bem, descobria outras diferenças. O escudo da escola, por exemplo, que eu trazia colado no bolsinho esquerdo do uniforme, na blusa dele era no direito.. 4. releia o trecho a seguir: [...] Quando volto a olhá-lo no rosto, vejo assombrado que ele continua a sorrir. Como, se agora estou absolutamente sério? 18 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 18 5/7/15 8:40 AM
19 a) O que foi narrado no trecho anterior acontece normalmente? Ou seja, quando alguém está sério diante do espelho o reflexo o mostra sorrindo? Não. b) Esse fato surpreende o menino? Por quê? Sim, porque não se trata de algo que acontece normalmente, as imagens do menino que ele vê refletido não acompanham os movimentos que ele faz diante do espelho. c) Transcreva do texto um trecho que mostre o estranhamento do menino diante do outro que está dentro do espelho. Como, se agora estou absolutamente sério?. 5. No texto, o fato de a imagem do espelho ser a sua própria, mas agir de outra maneira, possibilita uma relação entre o menino e o outro que está dentro do espelho? Sim, conforme o que é narrado no final do texto, ele e a imagem do espelho conversam. 6. Mesmo agindo de maneira diferente, o outro que está dentro do espelho é o próprio menino. Na vida real, não é possível conversarmos conosco da maneira como o texto propõe. Nessa história, porém, o menino pode fazer isso. a) O texto narra um fato que pode acontecer na realidade ou é uma ficção, criada pela imaginação do autor? É uma ficção, pois, na realidade, é impossível que uma imagem do espelho converse com alguém. b) Em sua opinião, o fato de o menino poder conversar consigo próprio no espelho, como se estivesse conversando com outra pessoa, fez com que ele pudesse se ver de uma maneira diferente? Por quê? Resposta pessoal. c) O que você achou da ideia de uma personagem conversar com a sua imagem refletida no espelho? Você já conhecia uma história assim? Resposta pessoal. 7. Copie em seu caderno a afirmativa que responde à seguinte questão: Qual foi a intenção do texto ao dar à personagem uma possibilidade que não existe na vida real? Alternativa b. a) Mostrar que todos podem conversar consigo mesmo no espelho. b) Mostrar que é possível alguém se ver de uma maneira diferente. c) revelar que as coisas são vistas sempre do mesmo jeito. 8. releia este diálogo do texto: Você também se chama Fernando? pergunto, mal conseguindo acreditar nos meus olhos. Odnanref responde ele, e era como se eu próprio tivesse falado: sua voz era igual à minha. Odnanref? Sim, Odnanref. Fernando de trás para diante. Ao ver sua imagem no espelho, o menino percebe que ela conversa com ele. Embora os diálogos aconteçam entre pessoas diferentes, o menino se reconhece no outro que está no espelho. Que trecho do diálogo confirma isso? Momento de ouvir [...] e era como se eu próprio tivesse falado: sua voz era igual à minha. Professor, você encontra no final do Manual uma coletânea de textos, separados por unidades e capítulos. Leia ou conte essas histórias para os alunos, ou escolha outros textos para desenvolver essa prática. Crie ou recrie esse costume de ouvir histórias, tão apreciado pelos alunos. Depois de ler a continuação de O menino no espelho que está no Manual, faça perguntas aos alunos, estimulando manifestações espontâneas. Por fim, é interessante incentivar os alunos a ler o livro completo de Fernando Sabino. Você quer conhecer um pouco mais sobre Fernando, o menino que se vê no espelho? Seu professor vai ler a continuação da história. Preste bastante atenção à leitura. Aproveite a oportunidade para desenvolver a sua habilidade de ouvir. 19 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 19 5/7/15 8:40 AM
20 Substantivo Reflexão sobre o uso da língua 1. Leia o trecho a seguir, extraído do texto: Levantava a perna, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os braços e ele fazia o mesmo. Coçava a orelha, e ele também. Mas o que mais me intrigava era a única diferença entre nós dois. Sim, porque um dia descobri, com pasmo, que, enquanto eu levantava a perna esquerda, ele levantava a direita; enquanto eu coçava a orelha direita, ele coçava a esquerda. a) Localize e copie do trecho acima o que o menino faz diante do espelho. Levantava e perna, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os braços e ele fazia o mesmo. Coçava a orelha, e ele também.. b) Que partes do corpo dele são citadas nesses parágrafos? Pernas, braços e orelhas. c) As palavras que você citou no item b são nomes ou ações? São nomes. 2. releia o mesmo parágrafo sem algumas palavras: Levantava a, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os e ele fazia o mesmo. Coçava a, e ele também. Mas o que mais me intrigava era a única diferença entre nós dois. Sim, porque um dia descobri, com pasmo, que, enquanto eu levantava a esquerda, ele levantava a direita; enquanto eu coçava a direita, ele coçava a esquerda. a) E agora, é possível saber por completo o que o menino faz? Por quê? Não, porque não é possível saber o que ele levantava, abria e coçava. b) As palavras que faltam são importantes para construir o sentido do texto? Por quê? Sim, porque trazem informações essenciais ao leitor. A falta dessas informações prejudica a compreensão e trunca o sentido do texto. 3. Localize no texto e anote em seu caderno: a) As palavras e expressões que dão nome aos elementos do corpo do menino. Perna, braços, orelha, mão, palma da mão, espinha, pele, dedos, carne, osso, olhos. b) A palavra que dá nome ao menino que está diante do espelho. Fernando (ou Odnanref, nome escrito de trás para frente). c) As palavras que dão nome ao que faz parte da blusa do menino. Escudo, bolsinho. d) A palavra que dá nome ao local da casa em que o menino está. Quarto. e) Seria possível compreender o texto sem as palavras que você anotou em seu caderno? Por quê? Não, porque elas identificam tudo aquilo que é citado no texto, inclusive o nome da personagem principal, que tem uma relação fundamental com o que a história conta. f) Você sabe como são chamadas as palavras que dão nome a esses elementos? Resposta pessoal. IMPORTANTE SABER A palavra que dá nome a algo ou a alguém é chamada substantivo. O substantivo nomeia pessoas, animais, ações, sensações, sentimentos, ideias, desejos etc. 20 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 20 5/7/15 8:40 AM
21 Substantivos próprio e comum Há substantivos que dão nome a seres ou coisas que são identificados por traços de semelhança. Por exemplo, quando dizemos gato, estamos nos referindo a um animal mamífero, que tem pelos, bigode, rabo, quatro patas, além de outros traços que o diferenciam de outro animal. Todos os gatos poderão ser identificados por essa palavra. Mas, se alguém quiser diferenciar o seu gato de outro gato, dará a ele um nome próprio. Veja como a mãe de Franjinha se refere a ele e ao seu cachorro, Bidu. Nesse caso, a mãe do menino se referiu a ele pelo nome próprio: Franjinha. Mas, ao se referir a Bidu, usou o nome comum: cachorro. Veja, na tira a seguir, os nomes Bidu e Floquinho. Mauricio de Sousa Produções Mauricio de Sousa Produções Professor, se for necessário, explique o que é tira: história em quadrinhos (ou fragmento dela), com dois ou mais quadros, apresentada em jornais ou revistas em uma só faixa horizontal. Nessa tira, foram usados os nomes próprios Bidu e Floquinho para identificar os dois cachorros e diferenciá-los de outros cachorros. Da mesma forma, na tira anterior, foi usado o nome Franjinha para identificar um menino entre outros meninos. IMPORTANTE SABER As palavras Bidu, Floquinho e Franjinha são substantivos próprios. As palavras c achorro e menino são substantivos comuns. Para escrever nomes próprios, como Bidu, Floquinho e Franjinha, usamos letra maiúscula no início das palavras. Veja mais exemplos sobre esse assunto consultando o Apêndice. 4. Volte ao texto O menino no espelho e responda: a) Que nomes retirados do texto e copiados em seu caderno foram escritos com letra inicial maiúscula? Fernando e Odnanref. b) Explique por que essas palavras foram escritas com letra inicial maiúscula. Porque são nomes próprios, nomes de pessoas. 21 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 21 5/7/15 8:40 AM
22 APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Observe o trecho a seguir: Você também se chama Fernando? pergunto, mal conseguindo acreditar nos meus olhos. A palavra em destaque é um nome de pessoa. Como você já sabe, ela faz parte de um grupo de palavras que recebe o nome de substantivo. Observe mais um trecho: Um calafrio me corre pela espinha, arrepiando a pele: há alguém vivo dentro do espelho! Um outro eu, o meu duplo, realmente existe! Não é imaginação, pois ele ainda está sorrindo, e sinto o contato de sua mão na minha, seus dedos aos poucos entrelaçarem os meus. a) As palavras em destaque no trecho anterior também são substantivos? Por quê? Sim, elas são substantivos porque dão nome a uma sensação (calafrio) e ao ato de imaginar (imaginação). b) Qual é a diferença entre as palavras destacadas no primeiro e no segundo trecho? A palavra Fernando, do primeiro trecho, é um substantivo próprio. Já as palavras calafrio e imaginação, do segundo trecho, são substantivos comuns. 2. Leia a seguinte tira de Angeli: Angeli ANGELi. Chiclete com banana. Folha de S.Paulo, São Paulo, 22 jul a) Copie da tira todos os substantivos próprios. Alancastro, Belnário, Dedé Zambini, Corriola. b) Copie todos os substantivos comuns. Artes, advogado, curso, paisagismo, flanelinha. c) Por que os substantivos próprios são importantes nesse texto? Porque identificam, dão nome às pessoas. d) E os comuns, por que são importantes? Porque são nomes que identificam a área profissional em que as três primeiras personagens estão se formando. No caso da quarta personagem, o substantivo flanelinha indica a atividade profissional em que ela atua. e) Com letras maiúsculas: Alancastro, Belnário, Dedé Zambini, Corriola. Com letras minúsculas: artes, advogado, curso, paisagismo, flanelinha. Professor, é possível que os alunos tenham copiado um dos substantivos comuns com maiúscula por se tratar da primeira palavra que aparece no início da resposta: nesse caso, vale a pena esclarecer aos alunos que eles foram escritos dessa maneira por causa da sua posição na frase. e) Que substantivos da tira você copiou com letra maiúscula no início? E com letra minúscula? Justifique por que você usou letra maiúscula ou minúscula para escrever esses substantivos. 3. Em seu caderno, escreva o nome e a profissão de cinco pessoas que você conhece. Depois, grife os substantivos próprios e circule os substantivos comuns. Em seguida, confira se usou letra maiús cula ou minúscula de maneira adequada. Resposta pessoal. 22 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 22 5/7/15 8:40 AM
23 APRENDER BRINCANDO Forme um grupo com mais dois colegas para fazer uma leitura dramatizada. Enquanto um aluno lê o texto O menino no espelho, os outros interpretam a leitura por meio de gestos e expressões faciais. Em seguida, façam uma avaliação da atividade. A leitura dramatizada tornou mais claro o sentido do texto? Por quê? Que sensações e ideias o texto despertou em vocês? Respostas pessoais. Meu nome Atividade de criação Professor, sugerimos que as atividades 1 e 2 sejam respondidas oralmente. 1. Você gosta do seu nome? Sabe o que ele significa? 2. Você sabe quem lhe deu esse nome? 3. Apresente-se à turma, ilustrando e colorindo seu nome em uma folha em branco. Procure criar ilustrações com as letras que o compõem. Utilize cores e formas que possam expressar um pouco do seu mundo, sem que, para isso, você necessite utilizar palavras. Se preferir, brinque com o seu nome, escrevendo-o de trás para a frente, como o menino do espelho. Depois de apresentar seu trabalho à turma, divulgue-o no mural da sala ou da escola, de acordo com a orientação do professor. Prática de leitura Texto 3 crônica Professor, o gênero crônica será explorado em profundidade em outro momento. A escolha do texto teve como finalidade principal a exploração do tema. ANTES DE LER Não são apenas os gostos pessoais que revelam a identidade de uma pessoa, mas também a condição social, a maneira como vive, aquilo que aprende, as opiniões e decisões. Na sequência de atividades a seguir, você lerá dois textos que têm em comum a infância como temática. Leia os títulos destes textos: De quem são os Meninos de Rua? Esta é a minha vida Agora que você leu os títulos, escreva em seu caderno o que você espera encontrar em cada um dos textos. Resposta pessoal. Professor, se preferir, realize a atividade oralmente. De quem são os Meninos de Rua? Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora. Talvez não fosse um Menino de Família, mas também não era um Menino de Rua. É assim que a gente divide. Menino de Família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino de Rua. Menino de Rua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão. 23 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 23 5/7/15 8:40 AM
24 AFNr/Shutterstock Ouvindo essas expressões tem-se a impressão de que as coisas se passam muito naturalmente, uns nascendo De Família, outros nascendo De Rua. Como se a rua, e não uma família, não um pai e uma mãe, ou mesmo apenas uma mãe, os tivesse gerado, sendo eles filhos diretos dos paralelepípedos e das calçadas, diferentes, portanto, das outras crianças, e excluídos das preocupações que temos com elas. É por isso, talvez, que, se vemos uma criança bem-vestida chorando sozinha num shopping center ou num supermercado, logo nos acercamos protetores, perguntando se está perdida ou precisando de alguma coisa. Mas se vemos uma criança maltrapilha chorando num sinal com uma caixa de chicletes na mão, engrenamos a primeira no carro e nos afastamos pensando vagamente no seu abandono. Na verdade, não existem Meninos de Rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um menino está NA rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na rua. E por quê. No Brasil temos 36 milhões de crianças carentes. Na China existem 35 milhões de crianças superprotegidas. São filhos únicos resultantes da campanha Cada Casal um Filho, criada pelo governo em 1979 para evitar o crescimento populacional. O filho único, por receber afeto em demasia, torna- -se egoísta, preguiçoso, dependente, e seu rendimento é inferior ao de uma criança com irmãos. Para contornar o problema, já existem na China 30 mil escolas especiais. Mas os educadores admitem que ainda não foram desenvolvidos métodos eficazes para eliminar as deficiências dos filhos únicos. O Brasil está mais adiantado. Nossos educadores sabem perfeitamente o que seria necessário para eliminar as deficiências das crianças carentes. Mas aqui também os métodos ainda não foram desenvolvidos. Quando eu era criança, ouvi contar muitas vezes a história de João e Maria, dois irmãos, filhos de pobres lenhadores, em cuja casa a fome chegou a um ponto em que, não havendo mais comida nenhuma, foram levados pelo pai ao bosque, e ali abandonados. Não creio que os 7 milhões de crianças brasileiras abandonadas conheçam a história de João e Maria. Se conhecessem, talvez nem vissem a semelhança. Pois João e Maria tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas e sapatos. João e Maria tinham começado a vida como Meninos de Família, e pelas mãos do pai foram levados ao abandono. Quem leva nossas crianças ao abandono? Quando dizemos crianças abandonadas subentendemos que foram abandonadas pela família, pelos pais. E, embora penalizados, circunscrevemos o problema ao âmbito familiar, de uma família gigantesca e generalizada, à qual não pertencemos e com a qual não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa consciência enquanto tratamos, isso sim, de cuidar amorosamente de nossos próprios filhos, aqueles que nos pertencem. Mas, embora uma criança possa ser abandonada pelos pais, ou duas ou dez crianças possam ser abandonadas pela família, 7 milhões de crianças só podem ser abandonadas pela coletividade. Até recentemente, tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo, e responsabilizá-lo. Mas, em tempos de Nova República, quando queremos que os cidadãos sejam o governo, já não podemos apenas passar adiante a responsabilidade. A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as crianças brasileiras que ali foram deixadas. COLASANTI, Marina. A casa das palavras. São Paulo: Ática, Na verdade, não existem Meninos de rua. Existem meninos NA rua.. 24 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 24 5/7/15 8:40 AM
25 TROCANDO IDEIAS 1. Que sentimentos esse texto despertou em você? Respostas pessoais. 2. Você gostou do texto? Por quê? 3. Após terminar a leitura, suas hipóteses sobre o texto se confirmaram? Explique. POR DENTRO DO TEXTO 1. Que fato narrado no primeiro parágrafo desencadeou a reflexão desenvolvida ao longo do texto? O fato de o narrador-personagem ter sido abordado por um menino na rua. Inicialmente, ele nem o ouviu direito e achou que o menino pedia algo. No entanto, o garoto só queria saber as horas. 2. No texto, a categoria meninos é dividida em dois grandes grupos. a) Quais são esses grupos? Menino de Família e Menino de Rua. b) Como eles são diferenciados no texto? O Menino de Família é bem-vestido, tem mãe. O Menino de Rua geralmente rouba o relógio do Menino de Família e é visto como uma ameaça; é um trombadinha, pivete, ladrão. c) Em sua opinião, o texto pode ser considerado preconceituoso por estabelecer essa divisão? Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba que o texto não tem caráter preconceituoso. Na verdade, ele propõe uma reflexão pela qual a autora transmite uma visão da sociedade que, por sua vez, pode ser considerada preconceituosa. d) O menino a quem o narrador se refere no início da crônica se encaixa em qual dos dois grupos? Justifique sua resposta transcrevendo um trecho do texto. Não se encaixa em nenhum, como pode ser confirmado no trecho Talvez não fosse um Menino de Família, mas também não era um Menino de Rua.. 3. A crônica descreve a diferença no comportamento das pessoas diante de uma criança bem-vestida chorando e de uma criança maltrapilha fazendo o mesmo. a) Qual é essa diferença? Uma criança bem-vestida chorando recebe atenção, proteção, enquanto uma maltrapilha é ignorada. b) Em sua opinião, por que acontece essa diferença de comportamento? Resposta pessoal. c) O que, provavelmente, a autora quis dizer ao usar a expressão filhos diretos dos paralelepípedos e das calçadas? 4. O texto estabelece um paralelo entre as 36 milhões de crianças carentes do Brasil e as 35 milhões de crianças superprotegidas da China, associando alguns problemas a cada uma dessas realidades. a) O que gerou, na China, 35 milhões de crianças superprotegidas? b) Quais problemas são associados aos filhos únicos da China? c) Levante uma hipótese: O que pode ter gerado, no Brasil, 36 milhões de crianças carentes? d) Aponte um problema do Brasil que, em sua opinião, pode ser associado ao grande número de crianças carentes. Resposta pessoal. Sugestões: Violência, mortalidade infantil, defasagem na educação, falta de profissionais capacitados, entre outros. 5. releia o último parágrafo do texto e conclua: A culpa do abandono das crianças brasileiras é atribuída apenas ao governo? Por quê? TEXTO E CONSTRUÇÃO Provavelmente, ela quis dizer que as crianças são consideradas filhas da rua, como se ninguém as tivesse gerado, como se não tivessem família. A política do filho único, implantada na China na década de 1970, como forma de controlar o crescimento populacional. Professor, se julgar necessário, solicite aos alunos uma pesquisa que ajude a contextualizar historicamente a política de natalidade chinesa. O filho único, por receber afeto em demasia, torna-se egoísta, preguiçoso, dependente, e seu rendimento é inferior ao de uma criança com irmãos. Resposta pessoal. Professor, discuta com os alunos as muitas causas do problema: Má distribuição de renda, desigualdade social, pouco investimento em saúde e educação, entre outros. Não. O texto aponta toda a sociedade como responsável, pois vivemos em uma democracia e temos participação nas escolhas que geram esse tipo de problema. Professor, se houver interesse da turma, a reflexão sobre a crônica pode dar origem a um trabalho interdisciplinar com História. Sugira aos alunos que pesquisem o que vem a ser a Nova República (período da História do Brasil que se seguiu ao fim da ditadura militar, caracterizado pela democratização política do Brasil e sua estabilização econômica) e qual a relação entre democracia e o fato de a população também ser responsabilizada pelo abandono das crianças que estão na rua. Com base nessa pesquisa, discuta com a turma a importância da responsabilidade social, do direito ao voto, entre outros temas. 1. Em sua opinião, por que foi utilizada a letra inicial maiúscula nos termos destacados no trecho a seguir? Professor, espera-se que o aluno perceba que Menino de Família e Menino de Rua são substantivos próprios que nomeiam dois grupos específicos de meninos. Talvez não fosse um Menino de Família, mas também não era um Menino de Rua. 25 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 25 5/7/15 8:40 AM
26 2. releia: Na verdade, não existem Meninos de Rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um menino está NA rua é porque alguém o botou lá. [...] Qual é a diferença de sentido entre os termos destacados? Qual é o efeito de sentido gerado pelo uso desses termos no trecho? 3. Para abordar o tema das crianças abandonadas, o texto estabelece uma comparação com um conhecido conto de fadas. a) Que conto é esse? João e Maria, conhecido pela versão dos Irmãos Grimm. b) Por que essa história foi escolhida? Enquanto de Rua caracteriza meninos, NA rua dá a ideia de um estado momentâneo. O uso desses termos permite dizer que estar na rua não é a condição dos meninos, pelo contrário, é como se eles tivessem sido colocados lá. Porque se trata de uma história em que duas crianças são abandonadas pelos pais, pois eles não tinham condições de criá-las. 4. No penúltimo parágrafo, há uma pergunta que leva o leitor a refletir. releia: Quem leva nossas crianças ao abandono? a) Qual é a resposta sugerida para essa pergunta no restante do texto? Que todos nós, enquanto coletividade, somos responsáveis pelo abandono dessas crianças. b) Você concorda com esse posicionamento? Resposta pessoal. 5. releia a última frase do texto: [...] A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as crianças brasileiras que ali foram deixadas. Que chamado ela faz ao leitor e à sociedade, de forma geral? A última frase do texto convoca o leitor e toda a sociedade a assumir a responsabilidade pelas crianças abandonadas e a resgatá-las da situação em que estão. CONFRONTANDO TEXTOS Leia agora o breve relato de um aluno do 6 o ano: Esta é a minha vida Meu nome é Gleyson. Eu tenho 13 anos e estou no 6 o ano. Faço muitas coisas que qualquer um não pode fazer: montar a cavalo, jogar bola, soltar pipa, jogar bolinha de gude. Nasci no Nordeste, no Piauí, por isso tenho este apelido Piauí entre meus colegas. Eu não tinha condições de morar lá, por causa da seca. Então, o meu pai pensou em vir para São Paulo e aqui ele conseguiu um emprego. Agora, nós não estamos passando mais aquele mesmo sufoco que passávamos lá. Eu me divirto como qualquer outra criança. Brinco e faço coisas como as outras. Leio gibis, a Bíblia e as lendas do folclore. Esse sou eu... SOAReS, Gleyson Willians da Silva. 6 o B. emef Antenor Nascentes, São Paulo/SP. 26 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 26 5/7/15 8:40 AM
27 1. Anteriormente, você havia lido apenas o título desse texto. Após a leitura integral do relato, as expectativas que você tinha sobre ele foram confirmadas? Por quê? Resposta pessoal. 2. Gleyson, autor do relato, pode ser enquadrado no grupo dos Meninos de Família ou no dos Meninos de rua, propostos no texto De quem são os Meninos de rua?? Por quê? Ele se enquadra no grupo dos Meninos de Família, porque, apesar de enfrentar algumas dificuldades, vive com uma família, tem uma casa, frequenta uma escola, tem uma rotina considerada normal para uma criança. 3. Por que o menino Gleyson diz que faz muitas coisas que qualquer um não pode fazer? Porque ele diz que sabe montar a cavalo, jogar bola, soltar pipa, jogar bolinha de gude. 4. Você acha que o relato do menino Gleyson seria o mesmo se ele estivesse na situação de um Menino de rua? Por quê? 5. Assim como no texto De quem são os Meninos de rua?, é possível estabelecer algumas comparações entre o relato de Gleyson e o conto de fadas João e Maria. a) Aponte a principal semelhança entre o relato e o conto de fadas. Assim como João e Maria, Gleyson passou muitas dificuldades com seus pais. b) Aponte a principal diferença entre os dois textos. Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba que o relato de Gleyson seria completamente diferente se ele estivesse na rua, pois sua rotina não seria a esperada para uma criança. Mesmo enfrentando dificuldades, Gleyson não foi abandonado pelos pais. A família buscou uma solução para o problema e acabou mudando de cidade, à procura de melhores oportunidades. Reflexão sobre o uso da língua Substantivos simples e composto; primitivo e derivado; concreto e abstrato 1. Leia a tira em quadrinhos a seguir: Fernando Gonsales a) O que é um vira-latas? É um cão ou gato sem raça definida. b) O que significa o termo dedo-duro? O termo é usado para fazer referência àquele que denuncia alguém, que trai a confiança de alguém. c) No último quadrinho, quem seria o dedo-duro a que se refere o cachorro? O perdigueiro, que dedurou os colegas para o cão policial. d) Quantas palavras formam os termos vira-latas e dedo-duro? Duas. e) Leia esta frase: Se estiver com fome, meu cachorro vira latas de lixo em busca de alimento. Vira latas, na frase, tem o mesmo significado de vira-latas, na tirinha? Explique. Não. Na tirinha, vira-latas é o termo que faz referência a cachorros sem raça definida. Na frase, a expressão vira latas refere-se à ação de tombar latas, de derrubá-las. 27 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 27 5/7/15 8:40 AM
28 IMPORTANTE SABER Substantivo simples é aquele formado de apenas uma palavra. Cão e polícia são substantivos simples. Substantivo composto é aquele formado de duas ou mais palavras. Vira-latas e dedo-duro são substantivos compostos. Veja mais exemplos sobre esse assunto consultando o Apêndice. 2. Leia esta outra tira: Mauricio de Sousa Produções a) Qual foi a intenção de Magali ao assustar Mônica? Magali queria que Mônica, ao se assustar, saltasse para cima da macieira, de onde poderia lhe jogar maçãs. b) Leia esta frase, baseada na narrativa da tirinha: Mônica estava lendo um livro quando Magali a assustou. Quais substantivos foram usados na frase? Mônica, livro e Magali. c) Formule outra frase baseada na narrativa da tirinha, desta vez usando um substantivo derivado da palavra maçã. Resposta pessoal. 3. Em seu caderno, separe as palavras a seguir em dois grupos observando as semelhanças e as diferenças entre elas. Professor, espera-se que os alunos formem os seguinte grupos: 1 cientista, científico, ciência; 2 lixeiro, lixo, lixeira. Professor, é importante garantir que os alunos percebam o agrupamento de acordo com o radical das palavras para que possam prosseguir na reflexão propostas nas atividades seguintes. cientista lixo ciência lixeiro científico lixeira a) Explique por que você separou as palavras dessa maneira. O que fez com que você percebesse que elas são semelhantes? Professor, espera-se que os alunos tenham agrupado as palavras pelo radical (ou parte) comum (ou igual) e pelos significadores semelhantes. b) Em cada grupo, é possível separar uma parte da palavra que aparece em todas as palavras que você agrupou. Qual é essa parte em cada grupo? É possível separar lix- e cien-. 28 c) No grupo 1, qual palavra você supõe que tenha dado origem às outras? E no grupo 2? No grupo 1 a palavra ciência e no grupo 2 a palavra lixo deu origem às outras. pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 28 5/7/15 8:40 AM
29 IMPORTANTE SABER Professor, caso julgue necessário aprofundar este estudo, no Apêndice você encontrará mais exemplos dos tipos de substantivos. Substantivo primitivo é a palavra que dá origem a outra(s) palavra(s). Substantivo derivado é aquele formado de outra palavra. Ele deriva da palavra primitiva. Veja um exemplo: cavalo cavaleiro substantivo primitivo Veja mais exemplos sobre esse assunto consultando o Apêndice. substantivo derivado 4. releia este trecho do texto: João e Maria tinham começado a vida como Meninos de Família, e pelas mãos do pai foram levados ao abandono. a) A que situação João e Maria foram levados? Ao abandono. b) Que palavra dá nome a essa situação? Abandono. c) Quem levou João e Maria a essa situação? O pai. d) Sem essa pessoa, João e Maria poderiam estar nessa situação? Ou seja, ela poderia existir por si só, independentemente de quem a realiza? Não. 5. As palavras a seguir foram retiradas do texto. Transcreva no caderno aquelas que, como abandono, também expressam algo que depende de um ser para existir. Afeto, preocupações. rua afeto relógio preocupações casa 6. releia esta frase retirada do texto, observando a palavra em destaque: Pois João e Maria tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas e sapatos. O substantivo casa depende de outras pessoas para existir? Não. IMPORTANTE SABER Professor, em razão do nível de abstração que envolve a compreensão do que é substantivo concreto e abstrato, julgamos que este não é o momento de aprofundar esse conteúdo, pois os alunos terão a oportunidade de estudá -lo, na prática, quando aparecer em textos posteriores. Substantivo concreto é aquele que indica um ser que não depende de outro para existir. Por exemplo: casa, roupas, sapatos. Substantivo abstrato é a palavra que dá nome a qualidades, ações e sentimentos que precisam de outro ser para existir. Por exemplo: abandono, amizade, confiança. Veja mais exemplos sobre esse assunto consultando o Apêndice. 29 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 29 5/7/15 8:40 AM
30 DE OLHO NO VOCABULÁRIO 1. Leia o trecho a seguir, prestando atenção à palavra em destaque. Que sentido você atribui a ela nesse contexto? Resposta pessoal. Até recentemente, tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo, e responsabilizá-lo. Mas, em tempos de Nova República, quando queremos que os cidadãos sejam o governo, já não podemos apenas passar adiante a responsabilidade. A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as crianças brasileiras que ali foram deixadas. 2. Você sabe o que é um verbete? Leia esta definição: Verbete é a palavra de entrada em um dicionário, glossário ou enciclopédia seguida das informações e explicações que se referem a ela. Leia a seguir os significados da palavra buscar, de acordo com o verbete de dicionário. buscar (bus.car) v. 1 Fazer diligência para achar ou encontrar alguém ou alguma coisa; diligenciar. 2 Recorrer a; procurar. 3 Tratar de trazer ou levar alguém ou alguma coisa. 4 Ir ter a alguma parte; dirigir-se para. 5 Revistar; esquadrinhar. 6 Examinar; investigar; pesquisar. 7 Empenhar-se em; esforçar-se por; procurar. 8 Imaginar; idear; inventar. Fonte: ACADeMIA Brasileira de Letras. Dicionário escolar da língua portuguesa. São Paulo: Companhia editora Nacional, a) Em que sentido essa palavra foi usada no trecho transcrito na atividade 1? No sentido 3: tratar de trazer ou levar alguém ou alguma coisa. b) Apenas uma das frases a seguir usa a palavra buscar com o mesmo sentido empregado no texto. identifique-a e transcreva-a no caderno. É preciso sempre buscar as causas das controvérsias. Foi buscar a filha no aeroporto. Ela vivia a buscar desculpas. Saía cedo todos os dias para buscar trabalho. A segunda frase: Foi buscar a filha no aeroporto.. 3. Você sabe como encontrar uma palavra no dicionário? A ordem em que as palavras aparecem nesse tipo de obra obedece a uma regra simples. Para testar seus conhecimentos sobre o as sunto, faça as atividades a seguir. a) Leia estes verbetes: buscador bus.ca.dor adj (buscar+dor) Que busca. sm. 1 Aquele ou aquilo que busca. 2 Seletor telegráfico. buscante bus.can.te adj m+f (de buscar) Que busca. MICHAeLIS moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 30 5/7/15 8:40 AM
31 b) Sem consultar o dicionário, responda: Os verbetes que você leu aparecem no dicionário antes ou depois do verbete buscar? Aparecem antes. O verbete busca aparece no dicionário antes ou depois desses verbetes? Aparece antes. c) Por que não foi preciso consutar o dicionário para responder às questões anteriores? Porque bastou seguir a ordem alfabética d) Com base no que você observou, conclua a regra de organização das palavras no dicionário. As palavras estão organizadas no dicionário em ordem alfabética. Quando duas palavras iniciam-se com a mesma letra, deve-se observar a ordem alfabética nas letras seguintes, uma após a outra, até que elas se diferenciem. e) Agora, use essa regra para organizar as palavras a seguir na ordem em que aparecem no dicionário. Trabalhador, trancado, transtornado, trepadeira, tribuna, tripulação. trabalhador trepadeira trancado tribuna tripulação transtornado APRENDER BRINCANDO Organizem-se em duplas, cada uma com seu dicionário, e preparem-se para um jogo! O desafio é encontrar no dicionário todas as palavras sugeridas pelo professor. A dupla vencedora será aquela que encontrar as palavras no menor tempo possível. Quando encontrarem uma palavra, você e seu colega devem levantar as mãos e ler o significado para o restante da turma. Vocês podem pensar em um prêmio para a dupla vencedora. Combinem tudo com o professor. Prática de leitura Texto 4 retrato falado Professor, o objetivo dessa atividade é retomar os procedimentos de uso do dicionário utilizando a ordem alfabética. O jogo proposto possibilita que os alunos troquem conhecimentos sobre o assunto de forma lúdica. Sugira palavras iniciadas pelas mesmas letras ou que tenham várias letras repetidas em seu interior, para que os alunos exercitem a observação da ordem alfabética no interior das palavras. Professor, este gênero de texto costuma ser nomeado de ficha-retrato ou retrato falado em diferentes mídias: tevê, jornal, revista, site etc. Mas também pode receber outras denominações, outros nomes, como bate-bola, jogo rápido, pingue-pongue. Consideramos o nome retrato falado mais adequado à abordagem que vínhamos fazendo no capítulo, que faz referência a outras formas de retrato. Ao longo desta unidade, você leu textos com características muito diferentes, mas com algo em comum: todos traçavam o retrato de alguém. Veja mais uma maneira de fazer isso, lendo o texto que faz parte da apresentação do elenco de uma webnovela produzida pelos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Santos Dumont, localizada em Campo Bom, rio Grande do Sul. Textos como esse são conhecidos como retratos falados e são comuns em sites, blogs, revistas, jornais etc. Projeto UpDown Samuel Borges Photography/Shutterstock Nome: Gabriela Boiaski no papel de Clara Data de nascimento: 27/7/1999 Local: Campo Bom (RS) Signo: Leão Animal de estimação: Cachorro Ator: Taylor Lautner Atriz: Thaís Melchior Cantor: David Guetta Cantora: Rihanna Banda: NX Zero Cor: Vermelho Prato preferido: Lasanha Fruta: Uva Filme: Onde está a felicidade? Hobby: Navegar na internet Um lugar: Praia Time: Internacional Mania: Ficar conectada Qualidade: Humilde Defeito: Tagarela Roupas: Batas, jeans, All Star Futuro: Ser atriz profissional Disponível em: < perfil-do-elenco/>. Acesso em: 29 jan pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 31 5/7/15 8:40 AM
32 POR DENTRO DO TEXTO 1. identifique e transcreva o nome e a data de nascimento da menina do retrato falado. Gabriela Boiaski; 27/7/ Esse texto apresenta linguagem visual e verbal. Explique por quê. O texto apresenta uma foto (linguagem visual) e é composto por palavras (linguagem verbal). 3. As respostas da menina são dadas a partir de alguns temas. identifique e transcreva cinco desses temas. Os temas das perguntas revelam preferências da menina. Sugestão de resposta: Animal de estimação, ator, time, prato, fruta. 4. A maioria das preferências da menina reflete as experiências vividas por ela no passado. Por quê? Porque foi por causa das experiências vividas que ela construiu uma opinião sobre cada tema. 5. O tema de um dos itens do retrato falado relaciona-se a um sonho da menina. Transcreva esse item. Futuro: Ser atriz profissional.. 6. Leia este outro retrato falado: Sobre o cantor Luan Santana (Gurizinho): Ernesto rodrigues/folhapress Nome: Luan Rafael Domingos Santana Data de nascimento: 13/3/1991 Local: Campo Grande (MS) Signo: Peixes Altura: 1,75 m Peso: 66 kg Animal de estimação: Cachorro Ator: Wagner Moura Atriz: Camila Pitanga Cantor: Zezé di Camargo Cantora: Ivete Sangalo Dupla: Zezé di Camargo e Luciano Cor: Vermelho Prato preferido: Bife acebolado Fruta: Melancia Filme: Matrix Sapato: 40 Manequim: 40 Hobby: Jogar futebol Um lugar: Pantanal Time: Corinthians Pais: Amarildo Aparecido de Santana e Marizete Cristina Domingos Santana Irmã: Bruna Domingos Santana Mania: Passar a mão nos cabelos Qualidade: Sinceridade Defeito: Muito quieto Perfume: Hugo Boss Roupas: Calça jeans, camiseta e tênis Frase: Tentar algo e fracassar é, pelo menos, aprender. Não fazer a tentativa é sofrer a inestimável perda do que poderia ter sido (Geraldo Eustáquio). Futuro: Dar o melhor de mim para crescer cada vez mais... Disponível em: < biografia/#ixzz3ntttzl8z>. Acesso em: 3 jan identifique as semelhanças e as diferenças entre o retrato falado de Luan Santana e o da menina Gabriela Boiaski quanto aos seguintes aspectos: a) O público a que o texto se dirige. b) O formato do texto. O retrato falado de Gabriela Boiaski dirige-se principalmente ao público da escola e às pessoas que se identificam com o projeto da webnovela. O retrato falado de Luan Santana dirige-se aos fãs do cantor, um público predominantemente infantojuvenil. Os dois textos têm o mesmo formato: são organizados em itens e apresentam temas e respostas relacionados às características e gostos de cada pessoa retratada. c) A faixa etária da pessoa retratada. A faixa etária é diferente. Gabriela é pré-adolescente e Luan Santana é um jovem adulto. 32 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 32 5/7/15 8:40 AM
33 d) O suporte do qual o texto foi retirado. O retrato falado de Gabriela Boiaski foi retirado de um blog (<projetoupdown.wordpress. com>) e o retrato falado de Luan Santana foi retirado de um site (< e) A finalidade de cada texto. O retrato falado de Gabriela Boiaski tem como principal finalidade apresentar a menina, estudante que faz parte da webnovela UpDown, no papel da personagem Clara. O retrato falado de Luan Santana, além de apresentar o cantor, tem a finalidade de atrair seus fãs e divulgar o site em que o texto foi publicado. 7. Qual item revela um gosto que Gabriela Boiaski e Luan Santana têm em comum? A cor. Os dois gostam de vermelho. 8. Em um dos itens, Gabriela e Luan têm opiniões diferentes no que se refere a uma falha na personalidade. Aponte essa diferença. Como defeito Gabriela indica o fato de ser tagarela, enquanto Luan Santana considera-se muito quieto. As duas características se opõem. 9. Que função tem a foto que acompanha o retrato falado? Ilustrar o texto e mostrar para o leitor a imagem da pessoa retratada. entrevista Na trilha da oralidade Vamos fazer uma entrevista? Elabore algumas perguntas para fazer a um colega de sua turma a fim de conhecê-lo melhor. Sente-se com o escolhido e, conforme a orientação do professor, faça a entrevista. Depois, será a vez de o colega fazer perguntas a você. ORIENTAÇÕES Professor, a atividade proposta ajuda a promover a integração entre os alunos. Para ser um bom entrevistador, você precisa fazer uma pergunta de cada vez e prestar muita atenção na resposta do entrevistado. Se desejar, pode fazer perguntas que não estejam no roteiro de questões que você montou desde que consiga, com elas, alcançar o objetivo maior dessa tarefa, que é conhecer melhor o seu colega. Quando for transcrever uma pergunta ou uma resposta, coloque o nome do entrevistado e o do entrevistador antes da fala. Assim, o leitor de seu texto saberá facilmente quem está falando em cada momento. Depois de anotar as respostas de seu colega, você irá apresentá-lo para a turma, orientando- -se pelas respostas dadas na entrevista. SUgeSTão de roteiro 6. d) Professor, sugerimos esclarecer aos alunos a diferença entre blog e site, que está mais na programação do que no conteúdo. Um blog, quase sempre, tem caráter mais pessoal, pode ser organizado cronologicamente ou por assunto e preza pela interatividade com os leitores. Qualquer pessoa pode facilmente criar e manter um blog, geralmente de forma gratuita. Já os sites têm caráter mais institucional, são organizados por páginas de conteúdo e precisam de um profissional para montá-lo e alimentá-lo, que pode ser um programador ou webdesigner. 1. Qual é o seu nome? 2. Em que estado você nasceu? 3. Quem nasce nesse estado, como é chamado? 4. Você tem parentes que vieram de outras regiões do Brasil ou do mundo? Quem são eles? De onde vieram? 5. Você estuda há quanto tempo nesta escola? 6. Qual é a matéria que você gosta mais de estudar? Por quê? 7. Qual é a hora do dia que lhe agrada mais? 8. Que manias você tem? 9. O que lhe dá mais medo na vida? 10. O que o deixa irritado? 11. O que o deixa emocionado? 12. Cite o nome de um grande amigo. 33 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 33 5/7/15 8:40 AM
34 Reflexão sobre o uso da língua Flexão do substantivo (gênero, número e grau) releia um trecho do retrato falado de Luan Santana: Sobre o cantor Luan Santana (Gurizinho): [...] Mania: Passar a mão nos cabelos Qualidade: Sinceridade Defeito: Muito quieto Perfume: Hugo Boss Roupas: Calça jeans, camiseta e tênis Frase: Tentar algo e fracassar é, pelo menos, aprender. Não fazer a tentativa é sofrer a inestimável perda do que poderia ter sido (Geraldo Eustáquio). 1. No trecho, foram destacados alguns substantivos. Em seu caderno, transcreva: a) Os substantivos destacados que podem ser precedidos apenas por o. Gurizinho, defeito, tênis. b) Os substantivos destacados que podem ser precedidos apenas por a. Sinceridade, mania. c) O substantivo destacado que dá a ideia de plural (mais de um ou de uma). Cabelos. d) O substantivo destacado que pode ser precedido tanto por o quanto por os. Tênis. Professor, explique que, apesar da terminação em s, a palavra tênis é invariável. O que define se uma palavra é singular ou plural são os termos que a acompanham. IMPORTANTE SABER Os substantivos variam em gênero: podem ser masculinos ou femininos. O defeito A mania substantivo masculino substantivo feminino Os substantivos variam em número: podem aparecer no singular ou no plural. Passar a mão nos cabelos. Passar a mão no cabelo. substantivo no plural substantivo no singular 2. Luan Santana é chamado de Gurizinho no título do retrato falado. O termo é muito utilizado no sul do Brasil para se referir a menino. 34 Professor, se achar pertinente explique que Gurizinho é o apelido do cantor. Gurizinho também é o nome dado ao primeiro álbum de Luan Santana, de produção independente, lançado em a) O fato de o cantor ter sido chamado de Gurizinho significa que o autor do retrato falado o considera um menino pequeno? Provavelmente, não. É apenas uma forma carinhosa de se referir ao cantor. pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 34 5/7/15 8:40 AM
35 b) Agora, observe o uso desse substantivo em outros dois contextos: Cássio é um gurizinho insuportável. O bebê de minha prima é um gurizinho com menos de dois quilos, por isso está na incubadora. O emprego do substantivo gurizinho produz o mesmo efeito nos dois exemplos? Explique. Não. No primeiro caso, expressa desprezo. No segundo, tamanho. IMPORTANTE SABER Professor, caso queira aprofundar esse trabalho, há mais detalhes desse conteúdo no Apêndice. Os substantivos variam em grau: podem aparecer no diminutivo ou no aumentativo. Luan Santana era um gurizinho quando começou a cantar. grau diminutivo do substantivo Vi um gurizão brincando no parque. grau aumentativo do substantivo 3. O fato de os substantivos terem aparecido de maneiras variadas no retrato falado contribuiu para que Luan Santana conseguisse transmitir suas ideias no texto? Por quê? Professor, espera-se que o aluno reconheça a importância de flexionar adequadamente os substantivos para criar relações coerentes dentro dos enunciados e construir o sentido dos textos. Oriente os alunos sobre esse papel da flexão. 4. Experimente ler os itens a seguir de outra maneira: Qualidades: Sinceridade Defeitos: Muito quieto Sim. No retrato falado apresentado, o entrevistado precisou expressar ideias de gênero, número e grau. a) Com essa flexão dos substantivos, a resposta de Luan Santana ficou adequada? Não. b) Se os substantivos qualidades e defeitos fossem mantidos no plural, que resposta seria esperada do entrevistado? Dê um exemplo. O entrevistado deveria ter citado mais de um exemplo de qualidade e de defeito. Por exemplo: Sinceridade e carisma; muito quieto e desajeitado. 5. Se você estivesse no lugar de Luan Santana, como responderia aos itens apresentados na questão anterior? Resposta pessoal. retrato falado Produção de texto Que tal preparar o seu retrato falado para colocar em um mural na sala de aula? Desse modo, você e seus colegas poderão se apresentar melhor para a turma. Para produzi-lo, você poderá criar mais itens, diferentes dos que apareceram no texto 4. Com seus colegas, decida se cada aluno irá ou não colocar a sua foto. Se preferir, ilustre o texto conforme seu gosto. PLANEJE SEU TEXTO Copie no caderno os itens do quadro e responda a cada um deles como modo de planejamento. Amplie o número de itens, se precisar. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto. 35 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 35 5/7/15 8:40 AM
36 Para escrever o retrato falado 1. Qual é o público leitor do texto? 2. Que linguagem vou empregar? 3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? 4. Onde o texto vai circular? Meus colegas de turma. Nível informal. O formato é um conjunto de tópicos que servem de dicas para as respostas, acompanhados das respostas da pessoa indicada no título. Cada tópico deverá estar em uma linha diferente para melhor organização desses itens. Em um mural, na sala de aula. ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO 1. Verifique que tópicos (assuntos que servem como perguntas) vão compor o seu texto. Você pode se basear nos que estão nos textos lidos, pesquisar outros lendo novos textos desse gênero e ampliar a lista. 2. As respostas de um retrato falado são breves, portanto, escreva respostas objetivas. 3. Como os leitores de seu texto são seus colegas de turma e o retrato falado será um meio para que eles a conheçam melhor, escolha itens que possam cumprir essa finalidade. 4. Combinem com o professor o tamanho da folha em que o texto será passado a limpo, pois é preciso que você planeje a organização do texto e, se for o caso, da imagem. 5. Se você decidir colocar uma imagem em seu retrato falado, providencie uma foto sua que tenha um tamanho adequado. AVALIAÇÃO E REESCRITA 1. Verifique se as respostas atendem objetivamente aos tópicos apresentados, se estão interessantes ao público leitor. 2. As respostas são breves e objetivas? 3. Antes de passar o texto a limpo na folha definitiva, faça uma correção ortográfica, consultando o dicionário quando for necessário. 4. Passe o texto a limpo, cuidando de ocupar a página distribuindo o conteúdo de modo a garantir harmonia entre texto e imagem. Por fim, combinem com o professor de que modo você e sua turma montarão o mural. Leia mais Na internet e em revistas impressas, você encontrará outros textos semelhantes na estrutura ou com a mesma finalidade do retrato falado. Busque informações sobre pessoas conhecidas que você admira ou sobre as quais quer conhecer um pouco mais e leia novos textos desse gênero. Preparando-se para o próximo capítulo Professor, determine a data de apresentação conforme seu planejamento e oriente os alunos a lerem com expressividade. Pesquise em livros e revistas ou tente se lembrar de poemas que você considera bonitos, agradáveis de ler, capazes de emocioná-lo. Prepare a leitura de um desses textos, que será apresentado na data solicitada pelo professor. Treine sua expressão oral de modo a transmitir a emoção que o poema escolhido provoca em você. 36 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c01.indd 36 5/7/15 8:40 AM
37 capítulo 2Poeta aprendiz Para começo de conversa Professor, depois da leitura dos próximos poemas será proposta uma atividade de de clamação dos textos que os alunos pesquisaram no final do Capítulo 1 desta unidade. Para introduzir o estudo da linguagem poética, o aluno lerá dois textos que falam sobre a figura do poeta. Depois, será proposta a leitura de vários poemas, escritos em variedades linguísticas diversas e que utilizam diferentes recursos poéticos, que apoiarão a construção de conceitos básicos relativos ao estudo da linguagem poética e do poema. Se julgar adequado, antecipe essas informações a seus alunos. 1. Você conhece alguns poemas? Quais? Você gosta de poemas? Por quê? Respostas pessoais. 2. Já sentiu vontade de se colocar no lugar de um poeta e escrever palavras no papel para expressar o que sentia em determinado momento de sua vida? A respeito de ser poeta, veja o que nos conta Manoel de Barros. Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no meu futuro. Que eu não queria ser doutor. Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras. Que eu queria era ser fraseador. Meu pai ficou meio vago, depois de ler a carta. Minha mãe inclinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e não doutor. Então, o meu irmão mais velho perguntou: Mas esse tal de fraseador bota mantimento em casa? Eu não queria ser doutor, eu só queria ser fraseador. Meu irmão insistiu: Mas se fraseador não bota mantimento em casa, nós temos que botar uma enxada na mão desse menino pra ele deixar de variar. A mãe baixou a cabeça um pouco mais. O pai continuou meio vago. Mas não botou enxada. BARROS, Manoel de. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta do Brasil, Renato Arlem 3. O poeta Manoel de Barros diz que, desde cedo, já queria ser fraseador. O que ele quis dizer com essa afirmação? Ele quis dizer que desde menino já queria ser poeta. 4. Que frase do texto confirma que Manoel de Barros descobriu-se poeta quando era adolescente? O poeta nasceu de treze.. 5. Ao receberem a carta, pai, mãe e irmão tiveram reações diferentes. Identifique a reação de cada um. O pai ficou meio vago, a mãe abaixou a cabeça e o irmão questionou a possibilidade de se ganhar a vida como poeta. Professor, é importante verificar se os alunos compreenderam o que quer dizer ficar meio vago e também a atitude da mãe de baixar a cabeça: o pai fica confuso, meio desconcertado com a notícia e a mãe não apoia nem reprova a decisão do filho. O texto dá a entender que a mãe fica resignada, pensativa, decepcionada. 37 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 37 5/7/15 8:50 AM
38 6. Releia esta pergunta do irmão do poeta: Mas esse tal de fraseador bota mantimento em casa?. a) Ao fazer essa pergunta, que tipo de preocupação o irmão manifesta? Manifesta preocupação com a remuneração do trabalho e como essa remuneração pode garantir a sobrevivência. b) Ao manifestar essa preocupação, o irmão de Manoel também revela o modo como considera o trabalho dele. O que provavelmente pensa o irmão sobre o trabalho dos poetas? Provavelmente considera que esse trabalho não remunera ou não remunera o suficiente para garantir a sobrevivência de quem o pratica e dos que dele eventualmente dependem. Pode até considerar como um não trabalho. Professor, a atividade a seguir aprofunda a discussão que a atividade 6 b introduz. 7. Na sociedade em que vivemos, há quem considere o poeta um artista, uma pessoa de grande sensibilidade, alguém que lida bem com as palavras, mas há também aqueles que o consideram sonhador, alguém que não tem os pés no chão, ou até mesmo julgam sua atividade irrelevante. O que você pensa sobre esse assunto? Resposta pessoal. Professor, a leitura da fábula A cigarra e a formiga, versão de Monteiro Lobato para a história de La Fontaine, pode ampliar a discussão sobre esse assunto, permitindo que se trate da função social da arte. Na fábula, o assunto é a música e seu possível papel na vida das pessoas. Ver em Fábulas. 51. ed. São Paulo: Brasiliense, O pai seguiu o conselho do irmão do poeta? O que representou a atitude do pai? Não. Com essa atitude, o pai demonstrou respeitar a decisão do filho. Prática de leitura texto 1 Conto ANTES DE LER O próximo texto nos fala sobre a descoberta de outro menino poeta: Carlos Drummond de Andrade, um grande poeta da nossa língua. Observe apenas o título e responda: O que você compreende da expressão A incapacidade de ser verdadeiro? Resposta pessoal. Professor, provavelmente, sem a leitura do texto, os alunos dirão que a expressão compreende a ideia de alguém não ser capaz de dizer a verdade. A incapacidade de ser verdadeiro Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça: Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia. AndRAde, Carlos drummond de. Contos plausíveis. 7. ed. Rio de Janeiro: Record, Jótah 38 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 38 5/7/15 8:50 AM
39 POR DENTRO DO TEXTO 1. Que motivos conduziram as pessoas a achar que Paulo era mentiroso? Ele chegava em casa relatando que viu seres imaginários, falando coisas improváveis, mencionando acontecimentos fantásticos considerando-se a realidade concreta, ele falava coisas improcedentes. 2. Apesar de ser castigado, Paulo continua relatando à mãe situações fantasiosas. Por que você acha que isso ocorre? 3. Releia o diagnóstico do médico: Professor, espera-se que o aluno reconheça que Paulo tem uma imaginação fértil e que, possivelmente, como escritor, gosta de imaginar situações, inventar histórias. Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia. A afirmação do médico confirma a ideia de que Paulo é mentiroso? Explique sua resposta. Não, o médico acha normal a imaginação criadora do menino e diz que ele tem dons poéticos. 4. Depois de ler o texto, explique por que Paulo é incapaz de ser verdadeiro. O menino é incapaz de ser verdadeiro conforme o que a mãe julgava correto. Ele criava outra realidade, a realidade da fantasia, do sonho, da imaginação. Professor, o título revela a capacidade da personagem de ir além de uma visão comum das coisas. O poeta é alguém que dá outro significado às palavras e à forma de ver o mundo. 5. Que outro título poderia ter o texto? Um título possível seria: Poeta por natureza. 6. Você costuma escrever textos poéticos? Já mostrou para alguém? Por quê? Resposta pessoal. TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. Ao escrever a expressão caso de poesia, o autor fez referência a outra expressão muito usada pelas pessoas no dia a dia. Ele reescreveu uma expressão conhecida, dando-lhe um novo sentido de acordo com as ideias do texto. Você sabe que expressão é essa? Escreva-a. Caso de polícia. 2. Assim como acontece no texto de Drummond, muitas outras expressões são recriadas no dia a dia. Leia algumas e, em seguida, escreva no caderno as frases que lhes deram origem. a) Água mole em pedra dura tanto bate até que molha tudo. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. b) Devo, não pago. Nego enquanto puder. Devo, não nego. Pago quando puder. c) Depois da tempestade, o trânsito para! Depois da tempestade, a bonança! d) Devagar... nunca se chega. Devagar se vai ao longe. e) Os últimos serão desclassificados. Os últimos serão os primeiros. f) Em terra de cego quem tem olho é caolho. Em terra de cego quem tem olho é rei. DE OLHO NO VOCABULÁRIO 1. Como você já sabe, às vezes, uma mesma palavra pode ter vários significados. O sentido só pode ser determinado pelo contexto, isto é, de acordo com a situação em que a palavra foi usada. Observe a definição da palavra fama no dicionário: fa.ma s.f. 1 renome; notoriedade: O cantor alcançou a fama rapidamente. 2 reputação; conceito: Meu avô tem fama de ranzinza. CegAllA, domingos Paschoal. Dicionário escolar da língua portuguesa. São Paulo: Companhia editora nacional, pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 39 5/7/15 8:50 AM
40 Em que sentido foi usada a palavra fama no texto 1, de Carlos Drummond de Andrade? O que significa dizer que alguém tem fama de mentiroso? 2. Releia a fala do médico no texto A incapacidade de ser verdadeiro e responda: O que você entendeu por poesia? Resposta pessoal. 3. Procure no dicionário o significado da palavra poesia. Transcreva para o seu caderno e compare com a sua resposta. Que semelhanças e diferenças há entre as duas definições? Professor, é importante acompanhar esse trabalho e explicar aos alunos que as definições encontradas no verbete não se referem apenas ao poema, mas ampliam essa noção. Uma delas refere-se ao belo, ao que comove, emociona. 4. Reescreva no caderno os trechos abaixo, dando um sentido contrário às palavras destacadas. a) Paulo tinha fama de mentiroso. Sincero, verdadeiro. b) A incapacidade de ser verdadeiro. Capacidade. 5. Observe o uso do prefixo in- ou de sua variação i- nas palavras a seguir: Fama, no contexto, significa voz geral, voz pública, reputação, conceito. Quando alguém tem fama de mentiroso, isso quer dizer que é voz geral, é sabido de todos que é mentiroso. Portanto, a definição 2. i + legal = ilegal in + adequado = inadequado a) O que aconteceu com o sentido das palavras ao receberem esse prefixo e sua variação? As palavras passaram a ter um sentido contrário. Professor, comente com os alunos que o prefixo in- e sua variação i- têm sentido próprio de negação. b) Utilizando o prefixo in- ou sua variação i-, forme outras palavras com sentido oposto às dos quadros a seguir: Intolerante, impossível, indelicado, irreal, inafiançável, impaciente, indiscreto, irregular, impróprio, irresponsável. tolerante paciente possível discreto delicado regular real próprio afiançável responsável c) Em quais das palavras formadas o prefixo in- sofreu alteração para im-? Por que houve essa alteração? Nas palavras impossível, impaciente e impróprio. A alteração foi por causa da consoante p, porque na língua portuguesa usa-se sempre m antes de p e b. d) Em quais das palavras formadas o prefixo in- sofreu alteração para ir-? Explique essa alteração. Nas palavras irreal, irregular e irresponsável. A alteração ocorreu por causa da consoante r, que é duplicada entre vogais para notar o som forte. IMPORTANTE SABER As palavras e expressões com sentidos opostos, contrários entre si, são chamadas antônimos. Possível e impossível são antônimos Pesquise outras cinco palavras iniciadas com o prefixo in- ou uma de suas variações e forme uma frase com cada uma delas. Resposta pessoal. Sugestões: Infeliz, inadmissível, incapaz, imbatível, inflexível, indesejável, indiscreto, imprevisto. pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 40 5/7/15 8:50 AM
41 texto 2 Poema Prática de leitura Ouriço sei não, do jeito que me dão conselho dá pra desconfiar à beça, ou estou sempre errado ou eles não entendem nada de conversa. TAvAReS, Ulisses. Caindo na real: poemas. São Paulo: Moderna, Professor, um dos objetivos do trabalho com o poema a seguir é fazer a construção do conceito de eu poético. As atividades de compreensão do texto procuram oferecer pistas para o aluno chegar a esse conceito, que será sistematizado depois da última atividade. Essa definição é importante para a realização de outras leituras, como a do poema Identidade, de Pedro Bandeira, que virá na sequência. Caso julgue necessário, apresente outros exemplos aos alunos. Abramov Timur/Shutterstock O ouriço é um animal que arrepia seus espinhos quando se sente ameaçado. POR DENTRO DO TEXTO 1. Qual é o problema de quem fala, no poema? Quem fala no texto se incomoda com o excesso de conselhos dados por outras pessoas e não sabe como agir. 2. Quem fala, no poema, desconfia do fato de muitas pessoas darem conselhos a ele. Transcreva os versos que expressam essa desconfiança. sei não, / do jeito que me dão conselho / dá pra desconfiar à beça [...]. 3. Que expressão indica essa cisma, essa desconfiança? A expressão sei não. 4. Em sua opinião, quem são eles a que se faz referência no poema? Como você chegou a essa conclusão? Professor, espera-se que o aluno reconheça que o eles se refere aos adultos, que sempre vivem aconselhando, pois acreditam que sabem mais da vida. 5. O ouriço é um tipo de animal cheio de espinhos que, para se proteger quando se sente ameaçado por predadores, arrepia seus espinhos e prepara-se para soltá-los na direção da ameaça. Com base nessa informação, explique por que o título do texto é Ouriço. As pessoas geralmente têm uma reação semelhante à de um ouriço quando se sentem pressionadas ou incomodadas com a opinião alheia. 6. O tipo de desconfiança, de reclamação apresentado no texto combina mais com a fala de um jovem ou de um adulto? Por quê? 7. Você já se sentiu incomodado como quem fala no poema? Explique sua resposta. Resposta pessoal. 8. Leia a fonte que indica o livro do qual esse poema foi retirado e responda às questões a seguir. a) De que livro esse poema foi retirado? Do livro Caindo na real: poemas. b) Qual é o nome do autor do poema? Ulisses Tavares. Combina mais com a fala de um jovem reclamando dos adultos. Esse fato é bastante comum na vida do jovem, assim como o comportamento dele em se proteger (ou se isolar) quando se sente incomodado (assim como ocorre com o ouriço). 9. Ulisses Tavares é um autor adulto. Mas a voz que fala no poema não é a de um adulto. Considerando essa afirmação, responda: A quem podemos atribuir a fala do texto? A voz que fala no poema é a de um adolescente, um jovem. 41 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 41 5/7/15 8:50 AM
42 IMPORTANTE SABER Damos o nome de eu poético à voz que fala no poema. Há poetas adultos que escrevem como se estivessem no lugar de uma criança ou de um adolescente; de um homem ou de uma mulher. Para fazer isso, o poeta imagina o que esse outro sente, pensa e expressa de acordo com as características que atribui a ele. No poema a fala também pode ser de um animal, uma planta e até de um objeto. Os poetas também podem assumir uma profissão, um gosto, um hábito ou uma história que não tem relação com a sua vida pessoal. Por isso, atenção: é importante não confundir o autor do texto quem escreveu o poema com o eu poético a voz que fala no poema. texto 3 Poema Prática de leitura Professor, essa é uma sugestão para a primeira leitura do poema, que focaliza o conflito de quem fala no texto. Os alunos poderão ler em voz alta o texto completo para tirar dele apenas uma ideia global sobre esse assunto. A questão do conflito será retomada aos poucos durante as atividades de compreensão, enquanto se reconstrói o sentido do texto por meio do estudo de suas metáforas, jogo de oposição de ideias, organização do texto etc. Portanto, neste momento, não será preciso aprofundar esse tema; basta apenas levantar essa questão de leitura prévia. ANTES DE LER Conflito pode significar choque de opiniões, de sentimentos, de interesses etc. O conflito pode acontecer entre duas pessoas ou até consigo mesmo, referindo-se a assuntos ou emoções diversas. Observe os dois primeiros versos do poema e responda: Que conflito você acha que o eu poético está vivendo? Ao se comparar a Sansão e Hércules, o menino, às vezes, se considera forte como um herói e, ao se comparar com uma pulga, sente-se fraco e pequenino. Professor, as palavras foram destacadas porque os alunos deverão prestar atenção a elas em atividade proposta adiante. O original do poema não apresenta nenhuma palavra destacada. Se julgar adequado, comente isso com os alunos. Identidade Às vezes nem eu mesmo sei quem sou. Às vezes sou o meu queridinho, às vezes sou moleque malcriado. Para mim tem vezes que eu sou rei, herói voador, caubói lutador, jogador campeão. Às vezes sou pulga, sou mosca também, que voa e se esconde de medo e de vergonha. Às vezes eu sou Hércules, Sansão vencedor, peito de aço, goleador Mas o que importa o que pensam de mim? Eu sou quem sou, eu sou eu, sou assim, sou menino. Professor, dados biográficos sobre Pedro Bandeira podem ser encontrados no Manual. BAndeiRA, Pedro. Cavalgando o arco-íris. 3. ed. São Paulo: Moderna, Jótah 42 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 42 5/7/15 8:50 AM
43 Professor, as atividades a seguir têm como objetivo, entre outros aspectos, reconstruir o sentido do poema a partir da sua organização, que não é gratuita. Essa proposta permite que o aluno perceba melhor os recursos de constr ução do texto e como cada parte contribui para a elaboração do sentido geral do poema. No primeiro momento, o eu poético lança o conflito, depois mostra como os adultos o veem, em seguida como ele se vê (suas identificações por meio de comparações), retoma a tensão do conflito nos versos 20 e 21 e, por fim, nos quatro últimos versos, afirma sua identidade. É importante TROCANDO IDEIAS que o aluno perceba esse percurso de uma maneira mais simples, expressando com as próprias palavras o que compreendeu, sem que seja necessário o uso de termos muito complexos. 1. Que sentimentos esse texto despertou em você? Respostas pessoais. 2. Você gostou do texto? Por quê? POR DENTRO DO TEXTO Renato Arlem 1. Copie o poema no caderno. 2. Identifique e grife, no poema que copiou, o trecho que indica que o menino não sabe quem é. Às vezes nem eu mesmo / sei quem sou.. 3. Leia as seguintes expressões retiradas do poema. o meu queridinho moleque malcriado Essas expressões apresentam uma opinião sobre o menino. Quem as poderia ter dito? Provavelmente, seus familiares ou conhecidos. E muito provavelmente adultos. Professor, é importante destacar que as aspas presentes no texto introduzem a fala de alguém diferente do eu poético. 4. No caderno, copie as frases a seguir ao lado da parte do poema a que cada uma delas corresponde. Como os outros veem o menino. Corresponde ao trecho que vai do verso 3 ao 6. Como o menino se vê. Corresponde ao trecho que vai do verso 7 ao 19. O menino rejeita a opinião dos outros a seu respeito. Corresponde ao 20 o e 21 o versos. O menino se aceita como é. Corresponde aos quatro últimos versos. 5. No poema copiado em seu caderno, circule a expressão que indica que o menino vai falar sobre como ele se vê. O aluno deverá circular a expressão Para mim. 6. O menino fala que é rei, herói, caubói, mosca. a) Essas identidades fazem parte da imaginação ou da realidade do menino? Por quê? Elas povoam a imaginação dele, pois são identidades irreais. b) Podemos dizer que essas palavras estão relacionadas à identidade dele? Por quê? Sim, pois o eu poético revela que se vê dessa maneira: como rei, herói, caubói, mosca. c) Você atribuiria alguma dessas identidades a si mesmo? Explique. Resposta pessoal. 43 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 43 5/7/15 8:50 AM
44 7. Você sabe quem foram Hércules e Sansão? Conhecer essas personagens é importante para compreender melhor o texto. Leia um pouco sobre eles: Professor, se possível e se houver interesse da turma, amplie a atividade, solicitando aos alunos que pesquisem outras esculturas ou pinturas que tenham Hércules e Sansão como tema. Procure contextualizar as obras que os alunos pesquisarem, fornecendo informações sobre o artista e/ou sobre o movimento artístico do qual fazem parte. Procure chamar a atenção da turma para as variadas possibilidades de significação em diferentes linguagens e para a intertextualidade existente entre o poema lido e as obras artísticas analisadas. AKG/Stock Photos Hércules (cópia de uma estátua perdida atribuída à Greek Lysippus e descoberta em 1546). Estátua exposta no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, na Itália. Na mitologia grega, Hércules é filho de Zeus (o maior dos deuses). Teria nascido em Tebas, era invencível e o mais valente herói de seu tempo. Coleções de arte de Weimar, Alemanha Sansão e o leão (1525), de Lucas Cranach, o Velho. Óleo sobre painel. A história de Sansão é narrada no Antigo Testamento da Bíblia, no livro Juízes. Sansão era um homem de extraordinária força, que lhe foi dada por Deus. Ele tinha um segredo: essa força estava nos seus cabelos. Agora, responda: Por que o menino se compara a Hércules e Sansão? Ao se comparar a Hércules e Sansão, o menino, às vezes, se considera forte como um herói. 8. Explique o que o menino quis dizer com os versos a seguir: a) b) Às vezes sou pulga, [...] Às vezes eu sou Hércules, Nem sempre ele se sente um grande herói, como foi Hércules; há momentos em que ele se julga pequeno como uma pulga. eu sou eu, sou assim, sou menino. 9. Se o título do poema fosse O menino sem dúvidas, ele estaria de acordo com o texto? Por quê? Não, pois o menino sobre o qual o poema fala mostra-se de diferentes maneiras, vivendo um conflito típico da fase da pré-adolescência, que é cheia de dúvidas e descobertas. 10. Por que o poema tem o título Identidade? Porque, por meio dele, o eu poético descreve seus sentimentos, como se percebe no mundo. TEXTO E CONTEXTO 1. Qual é o sexo e a idade aproximada do eu poético? Justifique sua resposta. 2. Releia este trecho do texto: Em meio a tantas dúvidas, ele acaba por se reconhecer como um menino de sua idade, que vive conflitos próprios de quem está crescendo. Resposta possível: Um pré-adolescente. O poema fala de alguém que, em alguns momentos, ainda se vê como criança, mas em outros se sente forte, pronto para enfrentar situações difíceis. Para dar essa ideia, o autor do poema cria um texto em que o menino se compara a diferentes personagens. Às vezes sou pulga, sou mosca também, que voa e se esconde de medo e de vergonha. Medo e vergonha são sentimentos comuns às pessoas dessa idade? Por quê? Resposta pessoal O eu poético vive um conflito de identidade, ou seja, às vezes não sabe quem é. Em sua opinião, é comum esse tipo de dúvida na idade do eu poético? Por quê? Resposta pessoal. pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 44 5/7/15 8:50 AM
45 TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. Quantas linhas tem o poema Identidade? Vinte e cinco linhas. 2. Essas linhas encontram-se agrupadas ou separadas por espaços em branco? Encontram-se agrupadas. IMPORTANTE SABER Um texto pode ser escrito em prosa ou em verso. O texto em prosa se caracteriza por ocupar toda a extensão da linha. Cada conjunto de linhas escritas é chamado parágrafo. Geralmente, no início de cada parágrafo, deve-se fazer uma margem, ou seja, deve-se deixar um espaço em branco. Já o poema é escrito em versos. Cada verso corresponde a uma linha do poema. Cada conjunto de versos é chamado estrofe. 3. Quantos versos formam o poema Identidade? E quantas estrofes? O poema é formado por 25 versos e uma estrofe. 4. No poema, o menino diz: Às vezes nem eu mesmo / sei quem sou. a) Por que ele diz isso? A instabilidade própria da idade traz sensações de incerteza, de confusão, de abandono, de vazio. b) Ao descrever-se, você já viu que o eu poético expõe opiniões contraditórias sobre si mesmo, sejam elas visões que os outros têm dele ou que ele tem de si mesmo. Identifique no poema esses versos. Expressões de sentidos contrários: O meu queridinho moleque malcriado e sou rei, herói voador sou pulga, sou mosca também. 5. Por que o menino fala sobre si de maneiras tão diferentes? Porque se sente em conflito, o que é próprio da idade. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. No poema Identidade, o eu poético usa algumas palavras para se descrever. No texto, essas palavras são usadas com sentido diferente daquele que apresentam normalmente. Observe: tem vezes que eu sou rei sou mosca também a) O que, provavelmente, o eu poético quis expressar com o uso da palavra rei? Provavelmente, quis mostrar que há momentos em que se sente poderoso, grandioso, importante. b) Transcreva em seu caderno, do quadro a seguir, a palavra que melhor expressa o significado que mosca tem no poema. Insignificante. perigoso insignificante necessário ameaçador IMPORTANTE SABER As palavras podem ser usadas no sentido figurado, que é diferente do sentido próprio, literal. Para compreender o significado de uma palavra usada em sentido figurado, ela não deve ser tomada ao pé da letra, mas em relação ao contexto. Observe o exemplo: A festa de aniversário da Ana foi um sonho! Todos adoraram! A palavra sonho, nesse caso, foi empregada fora do seu sentido próprio, literal. Nesse contexto, o uso da palavra sonho dá a entender que o aniversário de Ana foi maravilhoso, fantástico, tão bom ou bonito quanto um sonho. 45 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 45 5/7/15 8:50 AM
46 2. Leia a tira a seguir: Alexandre Beck a) A palavra nata aparece no segundo e no terceiro quadrinhos. Em qual deles ela foi usada em sentido figurado? Por quê? No segundo quadrinho, porque nele nata refere-se à elite, à camada de maior prestígio em um grupo social. b) Podemos afirmar que ao usar a palavra nata, no terceiro quadrinho, o menino mostra ter entendido o que a menina quis dizer no quadrinho anterior? Explique. 3. Forme frases com as palavras a seguir, usando-as no sentido próprio e no sentido figurado. a) fogo b) crânio c) ouro Poema Produção de texto Não. Porque ele se refere à nata como a parte gordurosa do leite, em um sentido diferente daquele utilizado pela menina. Sugestões: a) A floresta pegou fogo. / Minha irmã é fogo! b) Ele fraturou o crânio no acidente. / Heitor é o crânio de nossa sala. c) Ganhei um colar de ouro. / Meu filho vale ouro. Reescreva o poema Identidade, de Pedro Bandeira, substituindo o símbolo por uma ou mais palavras dos quadros, considerando o sentido e o ritmo dos versos. extrovertido tímido calmo agitado corajoso medroso conciliador briguento organizado desorganizado adolescente criança Sugestão de resposta: Identidade Às vezes nem eu mesmo sei quem sou. Às vezes sou organizado às vezes sou. desorganizado Para mim tem vezes que eu sou, extrovertido herói, corajoso caubói, conciliador jogador. calmo Às vezes sou, agitado sou mosca também, que voa e se esconde de medo e de vergonha. Às vezes eu sou Hércules, Sansão vencedor, peito de aço, goleador. Mas o que importa o que pensam de mim? Eu sou quem sou, eu sou eu, sou assim, sou. adolescente BAndeiRA, Pedro. Cavalgando o arco-íris. 3. ed. São Paulo: Moderna, pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 46 5/7/15 8:50 AM
47 Reflexão sobre o uso da língua adjetivo 1. Releia o poema Identidade e responda às próximas questões. a) Escreva as palavras do poema a que os termos a seguir se referem. Herói, Sansão, moleque. voador vencedor malcriado b) Por que os substantivos Sansão, Hércules, herói, caubói, pulga e mosca são importantes para construir o sentido do poema? Resposta possível: Porque são palavras que contêm informações importantes para definir como o menino é ou como se sente em diferentes momentos. c) Que palavras do poema dão características aos termos caubói e jogador? As palavras lutador e campeão. IMPORTANTE SABER Como vimos no poema Identidade, palavras como lutador e malcriado alteram o sentido do texto, caracterizando o caubói e o moleque. Não está se falando de qualquer caubói, nem de qualquer moleque. Essas palavras são chamadas adjetivos. Os adjetivos são palavras que modificam outras palavras, atribuindo-lhes características. Veja: Às vezes sou moleque malcriado. adjetivo No poema, o adjetivo malcriado foi usado para falar sobre o moleque. Ele atribuiu uma característica à palavra moleque. Assim como acontece com o substantivo, o adjetivo também é uma palavra variável. O adjetivo varia em gênero. herói voador mosca voadora adjetivo masculino adjetivo feminino Há adjetivos que apresentam uma só forma. Esse tipo de adjetivo serve tanto para caracterizar palavras femininas quanto masculinas. Veja: Era um menino valente. Era uma menina valente. Ele é feliz. Ela é feliz. O adjetivo varia em número de acordo com a palavra que caracteriza. heróis voadores moleques malcriados O adjetivo varia em grau. plural do adjetivo menino queridíssimo plural do adjetivo grau aumentativo do adjetivo Saiba mais sobre esse assunto consultando o Apêndice. 47 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 47 5/7/15 8:50 AM
48 2. Volte ao poema e leia as palavras em destaque. Observe a função dessas palavras nos versos. Leia o poema sem esses termos e, em seguida, responda: Qual é a importância dessas palavras para a Professor, espera-se que os alunos percebam que essas palavras são fundamentais para dar sentido ao poema, pois, sem construção do poema? elas, saberíamos apenas que o menino se vê como um caubói, mas não como um caubói lutador, que o menino é definido pelos outros como um moleque, mas não saberíam os que ele é visto como como um moleque malcriado. Ao empregar os termos Você sabe como são chamadas essas palavras? Adjetivos. 3. Você conseguiu perceber para que servem as palavras destacadas no texto? Escreva sua conclusão. 4. Preste atenção aos versos a seguir: destacados, o eu poético imprime um sentido mais preciso ao texto, que ganha, por isso, um efeito de sentido diferente daquele que teria se não fossem usadas essas palavras. Espera-se que o aluno escreva que as palavras destacadas no texto servem para caracterizar, imprimir precisão, o que contribui para compor o sentido do texto. às vezes sou moleque malcriado. Para mim tem vezes que eu sou rei, herói voador, caubói lutador, jogador campeão. Que palavras ou expressões podem substituir os termos em destaque sem mudar o sentido do texto? Malcriado: mal-educado, impertinente ; campeão : vencedor. APLICANDO CONHECIMENTOS A seguir, releia o título e o início do texto 1: A incapacidade de ser verdadeiro Paulo tinha fama de mentiroso. [...] 1. Qual é o adjetivo usado para caracterizar a personagem na primeira frase do texto? Mentiroso. 2. Nessa frase, o sentido desse adjetivo é positivo ou negativo? Explique. É negativo. O menino tinha fama de contar mentiras, por isso a família não o considerou normal e o levou ao médico. 3. Qual adjetivo presente no título é antônimo de mentiroso? Verdadeiro. 4. Considerando todo o texto, quando o título afirma que Paulo era incapaz de ser verdadeiro, quis dizer que ele era de fato mentiroso? Explique sua resposta. APRENDER BRINCANDO Professor, podemos dizer também que o adjetivo mentiroso, nesse contexto, é pejorativo, depreciativo, ou seja, o contrário de elogioso, apreciativo. Não. De acordo com o contexto, o título quis se referir ao fato de o menino ser imaginativo, sonhador, um aprendiz de poeta, e não alguém que inventa mentiras. Atividade 1 Professor, escolha alguns alunos para participarem da atividade. Se preferir, ela pode ser realizada em grupos, assim todos terão chance de participar. Pense em uma pessoa, em um objeto ou em um animal que todos os colegas conheçam. Escreva, no caderno, três adjetivos que caracterizem o elemento que você escolheu. De acordo com a orientação do professor, você poderá ser escolhido para ir à frente da sala e representar na forma de mímica o que escolheu. As únicas palavras que poderá pronunciar serão os adjetivos escritos no caderno. A turma tentará adivinhar o significado de seus gestos e o nome daquilo ou de quem está sendo caracterizado pelos adjetivos apresentados. 48 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 48 5/7/15 8:50 AM
49 Atividade 2 Leia e decifre esta adivinha em versos: O que é, o que é? Redonda como um biscoito, rasa como um prato, nem todos os rios do mundo poderiam enchê-la de fato. A peneira. domínio público. Editoria de Arte Agora é a sua vez de criar uma charada, baseando-se na adivinha em versos que acabou de decifrar. Siga as orientações a seguir: a) Escolha um objeto e elabore alguns versos, descrevendo-o. b) Nos versos, dê algumas dicas sobre o objeto, mas sem revelar qual é. c) Mantenha a estrutura da adivinha lida: Seu texto deve ter cinco versos e a última palavra do terceiro e do quinto versos devem rimar. d) Depois de elaborar sua adivinha, apresente-a oralmente para que seus colegas tentem descobrir qual foi o objeto escolhido por você. Combinem tudo com o professor. Atividade de criação Professor, na seção Preparando-se para o próximo capítulo, no final do Capítulo 1, há uma sugestão de pesquisa de poemas. Seria interessante retomá-la nesta atividade. Poema ilustrado Vamos fazer um varal de poemas ilustrados? Siga as orientações. Escolha um poema de que você goste muito, dentre os que pesquisou no fim do capítulo anterior. Copie-o em uma folha, deixando espaço para ilustrá-lo. Você mesmo cuidará da ilustração. Essa ilustração pode ser feita por meio de colagem de materiais diversos, desenho, pintura ou qualquer outro recurso que você queira utilizar. Depois de terminar o trabalho, organize com o professor uma roda de leitura de poemas. Prepare com antecedência a leitura do texto que você escolheu. Antes de apresentá-lo, leia-o várias vezes em voz alta. Com sua turma, monte o varal com os poemas ilustrados. Pendure-o num local em que outras pessoas possam apreciar os poemas e as ilustrações. 49 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 49 5/7/15 8:50 AM
50 texto 4 Poema Prática de leitura O poeta aprendiz Ele era um menino Valente e caprino Um pequeno infante Sadio e grimpante Anos tinha dez E asas nos pés Com chumbo e bodoque Era plic e ploc O olhar verde-gaio Parecia um raio Para tangerina Pião ou menina Seu corpo moreno Vivia correndo Pulava no escuro Não importa que muro Saltava de anjo Melhor que marmanjo E dava o mergulho Sem fazer barulho Em bola de meia Jogando de meia-direita ou de ponta Passava da conta De tanto driblar [...] MORAeS, vinicius de. Livro de letras. São Paulo: Companhia das letras, Passava da conta / De tanto driblar [...]. Natee K Jindakum/Shutterstock POR DENTRO DO TEXTO 1. Leia os versos a seguir e preste atenção na palavra caprino : Ele era um menino Valente e caprino. a) Leia agora a definição do dicionário para caprino : ca.pri.no s.m.pl. 1 nome genérico para cabras e bodes, ovelhas e carneiros, considerados como espécie; ovinos: É criador de caprinos. adj. 2 relativo a cabra ou bode: carne caprina. CegAllA, domingos Paschoal. Dicionário escolar da língua portuguesa. São Paulo: Companhia editora nacional, b) O que fazia o menino para ser qualificado como caprino? O menino vivia saltitando, pulando por todos os lados, brincando e correndo sem parar. 50 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 50 5/7/15 8:50 AM
51 2. Que outras características, além de caprino, são dadas ao menino no poema? O menino era valente, sadio e grimpante, tinha dez anos, parecia um raio, era moreno, vivia correndo e pulando. 3. As expressões asas nos pés e saltava de anjo ressaltam que característica do menino? Sua agilidade. 4. A descrição feita no poema leva o leitor a formar uma imagem do menino. Qual é ela? A maior parte das características expostas no texto traça o perfil de uma criança esperta, ativa. 5. Releia: O olhar verde-gaio Parecia um raio Para tangerina Pião ou menina Explique a comparação entre olhar e raio feita no poema. A comparação sugere que o olhar do menino tem o mesmo brilho, a mesma força, a mesma rapidez que um raio. O termo verde-gaio caracteriza o olhar do garoto como esperto, alegre e, neste caso, representa o próprio menino. 6. Localize no poema as palavras que correspondem aos brinquedos e às brincadeiras do menino e transcreva-as. As palavras e expressões são: bodoque, plic e ploc, pião, correndo, saltava, bola de meia, jogando e driblar. Que versos destacam a habilidade do menino com brinquedos? Era plic e ploc / E dava o mergulho / Sem fazer barulho / Em bola de meia / Jogando de meia-direita ou de ponta. 7. Copie o trecho do poema de que você mais gostou. Justifique sua escolha. Resposta pessoal. 8. Escreva no caderno uma justificativa para o título do poema. TEXTO E CONSTRUÇÃO Resposta possível: Para o garoto, a vida era poesia. Como um poeta se expressa das mais variadas maneiras com palavras e gosta do que faz, o menino também extravasa de mil maneiras o que ele curte. 1. Observe as duplas de palavras a seguir: dez pés pião corpo escuro muro verde olhar tangerina menina a) Copie em seu caderno os pares de palavras que apresentam sons parecidos no final. dez pés; escuro muro; tangerina menina. IMPORTANTE SABER A rima ocorre quando, no fim ou no meio de versos de um poema, há palavras que terminam com sons iguais ou semelhantes. As rimas podem ocorrer em versos diferentes ou dentro de um mesmo verso. b) Além das duplas de palavras citadas, o poema apresenta outras rimas. Transcreva duas em seu caderno. Em quase todo o poema, os versos rimam dois a dois: menino caprino; infante grimpante; bodoque plic e ploc; gaio raio; moreno correndo; anjo marmanjo; ponta conta. 2. Observe a ordem das palavras no seguinte verso: Anos tinha dez. 51 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 51 5/7/15 8:50 AM
52 As palavras estão na ordem que costumamos usar? Explique sua resposta. Não, as palavras estão na ordem inversa. Comumente não falamos ou escrevemos assim. 3. Reescreva o verso destacado na atividade anterior, ordenando-o de outra forma. Depois, localize o trecho em que se encontra esse verso e releia-o de acordo com a sua versão. Observe o que mudou com essa reconstrução. Tinha dez anos. Nessa ordem, a ordem direta, a rima fica deslocada para o meio do verso e não dá o efeito desejado. 4. Com base no que observou na atividade 3, responda: a) O que mudou no poema com a reescrita do verso? O efeito sonoro é o mesmo? Por quê? O ritmo ficou diferente e a rima ficou deslocada. O efeito sonoro não é o mesmo. O poema perde a musicalidade, o ritmo. b) Com que intenção o autor do poema usou essa ordem das palavras na elaboração do verso? Ele procurou construir rimas. 5. Leia os próximos versos do poema e experimente ler com mais força a parte que está em destaque em cada palavra. Seu corpo moreno Vivia correndo Pulava no escuro Não importa que muro Saltava de anjo Melhor que marmanjo Ao ler o poema dessa maneira, é possível dizer que as palavras parecem pular como o menino. Explique por quê. 6. Observe que em um verso do poema as palavras reproduzem o som de um objeto. a) Identifique essas palavras. Plic e ploc. Professor, além das rimas, chame a atenção do aluno para o ritmo dos versos, criado a partir da disposição das sílabas fracas e fortes em cada verso. Ele poderá perceber como as palavras, nesse poema, parecem pular tanto quanto o poeta aprendiz. Nas próximas atividades, esse aspecto será acentuado. b) O que esse som representa? Representa o barulho do bodoque. 7. É possível afirmar que esse poema foi escrito com a intenção de emocionar, tocar a sensibilidade do leitor? Explique por quê. IMPORTANTE SABER Resposta possível: O texto foi escrito com intenção de emocionar, tocar a sensibilidade do leitor. A linguagem escolhida por quem o escreveu é, ao mesmo tempo, simples e poética. O autor combinou as palavras construindo rimas, o que causa um efeito sonoro agradável. O poema é um gênero textual estruturado em versos, podendo ou não ter rimas. Como vimos, cada linha do poema corresponde a um verso. Ao conjunto de versos damos o nome de estrofe. As palavras ou expressões utilizadas nos poemas podem ter vários significados, ou seja, em geral empregam uma linguagem figurada, sendo necessária a interpretação do que querem expressar. A intenção de um poema pode ser a de emocionar o leitor, propor uma reflexão, apresentar os sentimentos, as ideias e as emoções do poeta diante das situações da vida. Poeta é o autor que escreve poemas. O poeta é diferente do eu poético, a voz que fala no poema. E por que não considerar que um poema pode trazer em seus versos as coisas desimportantes, como costuma dizer o poeta Manoel de Barros? Ao ler poemas, você poderá perceber o quanto as coisas do cotidiano parecem novas e originais nos versos dos poetas pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 52 5/7/15 8:50 AM
53 8. Que tal voltar a alguns textos lidos até aqui e observar suas características e o que eles têm de semelhante e de diferente? Em seu caderno, copie o quadro a seguir com as características de cada texto, completando-o. a incapacidade de ser verdadeiro identidade o poeta aprendiz Estrutura Foi escrito em versos ou em parágrafos? Em parágrafos. Em versos. Em versos. Assunto Sobre o que o texto está falando? Resposta possível: Sobre um menino muito imaginativo que é mal compreendido pelas pessoas. Sobre a identidade do menino que fala no poema e sobre o conflito que vive o eu poético. Resposta possível: Sobre um jovem que descobre sua identidade de poeta. Sobre um jovem que curte a vida da mesma maneira que um poeta curte seus poemas e as palavras. Gênero do texto Que texto é esse? Conto. Poema. Poema. Reflexão sobre o uso da língua Locução adjetiva 1. Releia estes versos do poema: E dava o mergulho / Sem fazer barulho / Em bola de meia a) A bola mencionada nos versos é uma bola específica. Explique essa afirmação. O verso faz referência a uma bola feita de meia. b) Que outros tipos de bola você conhece? Resposta pessoal. O aluno poderá citar: bola de gude, bola de capotão, bola de futebol, bola de boliche etc. c) Que expressão do poema, formada por mais de uma palavra, caracteriza o tipo de bola usada pelo menino? A expressão de meia. d) Ao informar que a bola é de meia, o poema nos permite tirar outras conclusões sobre o menino. Quais? 2. Leia a tira a seguir: O poema nos dá mais informações sobre o menino, já que as bolas de meia não costumam ser compradas em loja. Isso significa que, provavelmente, o menino ou alguém de seu convívio confeccionou a bola, o que nos permite concluir que as condições financeiras do menino não eram boas. Ele devia levar uma vida simples. Adão Iturrusgarai ITURRUSGARAI, Adão. Folha de S.Paulo, São Paulo, 15 jun pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 53 5/7/15 8:50 AM
54 a) Quem a personagem disse que sorriu para ela? A vida. b) Ao dizer isso, ela usou uma linguagem figurada? Por quê? Usou uma linguagem figurada, pois a vida não é um ser animado que tem dentes. c) A personagem se refere ao sorriso destacando a falta de dois dentes. Que dentes são esses? Os dentes da frente. d) O que a personagem quis dizer com essas falas? e) Qual é a expressão que especifica, caracteriza o tipo de dente? A expressão da frente. f) Transcreva a expressão que, no quadrinho, pode substituir da frente. Resposta possível: Quis dizer que, para ela, a vida não está completa, que está faltando alguma coisa. A tira revela os sentimentos da personagem diante da vida. Frontais. Professor, se os alunos tiverem dificuldade quanto ao significado das palavras lateral, frontal ou superior, oriente-os a consultar o dicionário. laterais frontais superiores g) A palavra escolhida por você para substituir a expressão da frente serve para caracterizar o substantivo dentes. Essa palavra é um adjetivo ou um substantivo? É um adjetivo. Professor, é interessante que os alunos percebam que há locuções adjetivas que têm um adjetivo correspondente (com o mesmo significado). A expressão da frente, no exemplo que demos, pode ser substituída pelo adjetivo frontal. Já no caso de bola de meia, não há adjetivo que corresponda à expressão de meia. IMPORTANTE SABER Como vimos, os adjetivos qualificam, caracterizam, especificam outras palavras. Por exemplo: Ele era um menino valente e caprino. substantivo adjetivo adjetivo Há também expressões que equivalem a um adjetivo, caracterizando, qualificando outras palavras. Veja: Bola de meia Adão Iturrusgarai Dentes da frente A expressão de meia tem a função de caracterizar o tipo de bola que o menino usa para jogar. E a expressão da frente tem a função de especificar a que dentes a personagem dos quadrinhos está se referindo. A expressão formada por duas ou mais palavras que equivale a um adjetivo é chamada locução adjetiva. De meia e da frente são exemplos de locuções adjetivas. Substantivo ou adjetivo? A mesma palavra pode assumir mais de uma classificação, dependendo da frase (o contexto). Assim, por exemplo, uma palavra pode ser substantivo, se estiver dando nome a um ser; ou adjetivo, se estiver caracterizando o substantivo. Observe: a) O escuro amedronta as crianças. (substantivo) b) Um dia escuro traz tristeza. (adjetivo) 54 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 54 5/7/15 8:50 AM
55 APLICANDO CONHECIMENTOS Leia o texto a seguir: Longa história curta Numa estrada estreita e escura, havia uma casa de porta larga e clara. Ali morava uma velha magra e pálida, com sua filha bonita e corada. Um dia, a velha magra e pálida e a filha bonita e corada atrelaram seu burro preto e velho numa carroça branca e nova, fecharam a porta larga e clara, pegaram a estrada estreita e escura e foram para uma cidade grande e sossegada, onde havia uma feira pequena, mas movimentada. Ali chegando, a velha magra e pálida e sua filha bonita e corada desceram da carroça branca e nova e amarraram o burro preto e velho num poste fino e comprido com uma corda grossa e curta. Depois, a velha magra e pálida e sua filha bonita e corada foram comprar frutas belas e cheirosas de um feirante feio e fedido. Pegaram sua sacola grande e cheia, porém a carteira, pequena, estava vazia. Então a velha magra e pálida e sua filha bonita e corada puseram às costas o saco com as frutas belas e cheirosas e fugiram do feirante feio e fedido. Mas, quando a velha magra e pálida e sua filha bonita e corada chegaram à carroça branca e nova, viram que o burro preto e velho, mal amarrado ao poste fino e comprido com a corda grossa e curta, havia escapulido. Então correram todos: o fedido e feio feirante atrás das cheirosas e belas frutas, atrás da pálida e magra velha e da corada e bonita filha, atrás da nova e branca carroça, atrás do velho e preto burro até chegarem à larga e clara porta da casa da escura e estreita estrada para acabar esta longa história curta. PAMPlOnA, Rosane. Contos de enrolar. São Paulo: elementar, Por que, provavelmente, o texto recebeu o título Longa história curta? Provavelmente, porque a história poderia ser curta, mas a repetição de tantos substantivos e adjetivos acabou transformando-a em uma história longa. 2. Vários substantivos e adjetivos foram repetidos ao longo do texto. a) Você acha que essas repetições foram propositais ou não? Por quê? b) Releia o primeiro e o segundo parágrafos e transcreva os substantivos que se repetem ao longo do texto. Estrada, casa, velha, filha, burro, carroça, porta, estrada, cidade, feira. c) Agora, releia o último parágrafo e transcreva os adjetivos que acompanham os substantivos usados nessa parte do texto. Fedido, feio, cheirosas, belas, pálida, magra, corada, bonita, nova, branca, velho, preto, larga, clara, escura, estreita, longa e curta. 3. Observe, ao longo dos parágrafos do texto, a posição dos adjetivos em relação aos substantivos que acompanham. a) No último parágrafo do texto, pode ser observada uma alteração no posicionamento dos adjetivos. Qual é ela? b) Levante uma hipótese: Qual pode ter sido a intenção da autora ao fazer essa alteração? 4. Por que o uso dos adjetivos e o seu posicionamento são importantes para a construção do texto? 5. O que poderíamos esperar do texto se o título fosse Curta história longa? Professor, espera-se que o aluno perceba que foram propositais, pois contribuem para a construção do texto. Além disso, elas podem ser explicadas pelo título. No último parágrafo, ao contrário dos anteriores, os adjetivos antecedem os substantivos. Além disso, cada dupla de adjetivos aparece em ordem diferente no último parágrafo: velha magra e pálida / pálida e magra velha. O primeiro substantivo usado no início do texto é um dos últimos a serem repetidos no último parágrafo. Professor, espera-se que o aluno perceba que, com a inversão no posicionamento dos adjetivos e substantivos, a autora parece querer mostrar a ida e a volta das personagens na história. Professor, se necessário, por meio de sua mediação, leve os alunos a concluírem que os adjetivos contribuíram para a construção do sentido do texto. Eles foram responsáveis por tornar longa uma história que poderia ser curta e ajudaram a construir a ideia de ida e vinda das personagens. Resposta pessoal. Sugestão: Provavelmente, seria uma história com muitos acontecimentos contados de forma resumida ou uma história em que fatos ocorridos ao longo de muitos anos seriam contados de forma rápida, em poucas linhas. 55 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 55 5/7/15 8:50 AM
56 IMPORTANTE SABER Vimos que a mesma palavra pode assumir o papel de adjetivo ou de substantivo, dependendo do contexto. Além disso, é importante perceber que a posição dos adjetivos e substantivos também pode alterar seu sentido. Alguns adjetivos podem ser deslocados de sua posição em relação ao substantivo, ora ficando antes, ora depois dele. Esse deslocamento pode alterar ou não o sentido do adjetivo. Observe os pares de frases. A personagem da história é uma mulher pobre. A personagem da história é uma pobre mulher. A mulher roubou frutas deliciosas. A mulher roubou deliciosas frutas. No primeiro par de frases, há alteração no sentido do adjetivo pobre quando ele é usado antes ou depois do substantivo mulher. Na primeira frase, pobre significa sem recursos financeiros ; na segunda, pobre significa infeliz. No segundo par de frases, a troca de posição do adjetivo deliciosas não gerou alteração de sentido. 6. Leia o par de frases a seguir: 56 O presidente da empresa é um grande homem. O presidente da empresa é um homem grande. Explique: A troca na posição dos adjetivos gerou alteração de sentido? Houve alteração de sentido. No primeiro caso, o adjetivo grande expressa o sentido de notável, importante, admirável. No segundo, refere-se à altura. 7. Leia as frases a seguir: I. Antônio é um professor simples. II. Minha mãe é uma delicada mulher. III. Adoro ler histórias divertidas. a) Indique em qual das frases a troca na posição do adjetivo em relação ao substantivo acarretaria mudança de sentido. Na frase I. b) Explique os dois sentidos possíveis para o adjetivo na frase indicada. Professor simples expressa o sentido de modesto. Simples professor transmite a ideia de um professor qualquer. 8. Em seu caderno, determine se as palavras destacadas nas frases a seguir são adjetivos ou substantivos. a) Ali morava uma velha magra e pálida. Substantivo. b) [...] amarraram o burro preto e velho num poste [...] Adjetivo. c) A mulher velha tinha uma filha bonita. Adjetivo. d) O velho era dono do burro. Substantivo. e) [...] fugiram do feirante feio e fedido [...] Substantivo. f) Ela tem um marido feirante. Adjetivo. Professor, questione os alunos sobre novos exemplos. Se achar necessário, peça que anotem no caderno outras frases, esclarecendo as diferentes possibilidades de significação do adjetivo, de acordo com a sua posição em relação ao substantivo. pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 56 5/7/15 8:50 AM
57 9. Em seu caderno, reescreva o texto a seguir, substituindo os por adjetivos que contribuam para a construção de uma nova versão do texto Uma longa história curta. Respostas pessoais. Professor, é necessário observar a coerência na escolha dos termos. Numa escola e, havia uma sala e. Ali dava aula uma professora e a seus alunos e. Um dia, a professora e e os alunos e saíram em uma excursão e num ônibus e. Pegaram uma estrada e e foram para um sítio e. Lá chegando, a professora e e seus alunos e foram comer as frutas e no pomar e. Mas, quando iam apanhar as frutas, viram que um enxame de abelhas e voava em direção a eles. Então, todos saíram correndo sem experimentar as frutas e, que tinham ficado no pomar e. Então se agitaram todos: as abelhas e, atrás da professora e, que seguia os alunos e. Ao alcançarem o ônibus e, entraram correndo e fecharam bem a porta e as janelas para acabar esta longa história curta. entonação Na trilha da oralidade Antes de conversar com toda a turma sobre as atividades propostas a seguir, sente-se com um colega e procure responder às questões com base na leitura da tira do Menino Maluquinho. Depois, com a orientação do professor, partilhem as respostas com os outros colegas. Ziraldo Não. Porque ele passa direto por ela e se dirige às flores. ZIRALDO. As melhores tiradas do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, As palavras de Maluquinho se dirigiam à menina? Como você percebeu isso? 2. Então, o que fez a menina se enganar? A maneira como ele fala e as palavras que usa, além do fato de passar muito perto dela, esticando os braços na direção da garota. 3. A fala de Maluquinho faz você se lembrar de que tipo de declaração? Uma declaração de amor. 4. Além da fala, que outros elementos levam o leitor a concluir que se trata de uma declaração do tipo que você identificou na atividade 3? As palavras e a expressão física: gestos, maneira de andar e olhar, a emoção representada pelas palavras em destaque nos quadrinhos, o ponto de exclamação etc. 5. Leia em voz alta o primeiro quadrinho. Como foi que a maioria dos seus colegas leu a frase? Professor, seria importante que vários alunos lessem a frase, cada um a seu tempo. Seria importante também que todos os alunos se ouvissem e prestassem atenção ao modo como a maioria leu a fala do quadrinho. Supõe-se que os alunos lerão em tom quase declama tório, em voz mais alta que a normal. O objetivo da atividade é levar os alunos a perceberem que a entonação, o modo de dizer algo também constrói seu significado. 6. Leia novamente a primeira fala de Maluquinho modificada: Amor? Amor? a) Nesse caso, você acha que a menina continuaria a entender da mesma maneira o que o menino diz? Por quê? Professor, espera-se que o aluno reconheça que não. Ao usar essas palavras em tom de interrogação, a menina não poderia tomá-las como uma declaração de amor. b) O que faz com que possamos compreender o que os outros querem dizer são somente as palavras? Explique sua resposta. Não são apenas as palavras, mas como elas são ditas, por exemplo, a entonação, a combinação delas, a expressão facial e corporal de quem falou e até mesmo a situação de comunicação em que foram usadas. 57 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 57 5/7/15 8:50 AM
58 IMPORTANTE SABER Professor, comente com os alunos sobre outros recursos expressivos utilizados para marcar a entonação na escrita, como o uso de letras maiúsculas Estou MUITO brava com você! ou a repetição de letras no interior das palavras Estou muuuuuuuuuuito brava com você!. Questione os alunos sobre outros exemplos que conheçam e sobre os contextos em que são utilizados. A entonação é a mudança no tom de voz que indica se o que falamos é uma afirmação, uma pergunta, um pedido, uma ordem. A entonação também pode indicar se a pessoa que fala está contente, triste, brava, surpresa, apaixonada etc. Na escrita, geralmente, a entonação é representada por meio dos sinais de pontuação. Vamos aplicar esses conhecimentos sobre entonação? Para isso, você conhecerá e declamará outros poemas. Prepara-se para se emocionar! Seguindo a orientação do professor, cada aluno declamará para a turma um dos poemas do varal literário. Lembre-se de que não lemos um texto poético da mesma maneira que lemos uma notícia de jornal ou qualquer texto na forma de prosa. Capriche na entonação das palavras, de acordo com o ritmo dos versos. Seu professor irá montar algumas equipes de observação para anotar alguns itens da apresentação dos seus colegas. ORIENTAÇÕES Enquanto um grupo se apresenta, os outros grupos receberão a tarefa de observar os amigos apresentando seus poemas. Para responder às próximas questões, será preciso observar bem como falam os seus colegas enquanto declamam os versos. Seu professor vai orientá-los sobre o que cada grupo vai observar. Fique bem atento! O professor vai organizar a ordem das apresentações e atribuir um número a cada grupo. Cada grupo prestará atenção e observará apenas aquilo que foi determinado para o seu grupo. Grupo 1: Quais foram as expressões faciais de seus amigos enquanto declamavam? Elas acompanharam o sentido do texto? Mudaram constantemente ou seu colega permaneceu sempre com a mesma expressão? Grupo 2: Ao se apresentarem, seus colegas fizeram gestos? Quais? Grupo 3: Seus amigos declamaram os poemas com uma entonação adequada? Por quê? Grupo 4: As pessoas memorizaram os poemas ou usaram material escrito? Quem usou papel ficou à vontade? E quem memorizou o poema? AVALIAÇÃO Professor, cada grupo observará sempre a mesma coisa em todas as apresentações, ou seja, o grupo 1 observará as expressões faciais em todos os grupos de colegas; o grupo 2, se quem declamou fez gestos e se estavam adequados, e assim sucessivamente. A cada apresentação, os grupos partilham com a turma o que acabaram de observar. Assim poderão refletir coletivamente sobre os resultados obtidos por outros grupos. Para que essa atividade possa ser concluída, procure reservar um tempo mais longo da aula, de modo que os comentários a respeito de todos os grupos possam ser feitos. 1. De qual dos poemas apresentados você gostou mais? Resposta pessoal. 2. O que achou da atividade? Por quê? Resposta pessoal. 58 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 58 5/7/15 8:50 AM
59 Prática de leitura texto 5 trovas populares Você sabe o que é uma trova popular? São quadras, isto é, estrofes formadas por quatro versos que tratam de temas populares. Observe o ritmo e a musicalidade desse tipo de composição. Fui ao mato cortar lenha O capim cortou meu pé, Amarrei com fita verde Cabelinho de José. Fui à feira comprar uva, Encontrei uma coruja: Eu pisei na cauda dela, Me chamou de cara suja. AgUiAR, vera (Coord.); ASSUMPçãO, Simone; JACOBy, Sissa. Poesia fora da estante. Porto Alegre: ed. Projeto/CPl-PUCRS, TEXTO E CONSTRUÇÃO Professor, sugerimos que esta atividade seja oral, coletiva e mediada por você. 1. Quantas quadras aparecem no texto 5? Duas quadras. 2. Nas quadras existem rimas. Quais são? As rimas são: quadra 1: pé José; quadra 2: coruja suja. 3. Experimente ler esta quadra em voz alta, enfatizando na leitura as sílabas destacadas. Depois, leia novamente e, batendo as mãos, tente imitar o ritmo dos versos. Bata mais forte nas partes dos versos que estão em destaque. Fui ao mato cortar lenha O capim cortou meu pé, Amarrei com fita verde Cabelinho de José. Agora, responda às questões seguintes: Professor, espera-se que o aluno perceba a alternância de trechos fortes e fracos nos versos. É possível que os alunos expliquem como perceberam isso a partir da experiência deles. É importante incentivá-los a escreverem o conceito da maneira como entenderam e acolher suas respostas, pois a seguir eles poderão lê-las e compará-las com a definição do quadro Importante saber. a) Ao ler o texto, você observou o ritmo dessa quadra? Para você, o que é ritmo? IMPORTANTE SABER O ritmo de um poema é formado pela alternância entre sílabas fortes e fracas nos versos, criando uma cadência. Quando os versos apresentam um ritmo constante, que se repete, dizemos que o poema tem uma cadência regular. b) Para obedecer a uma cadência regular, os versos podem ter muita diferença no seu tamanho? Por quê? Não, porque se forem muito diferentes não construirão movimentos parecidos (que se repetem). c) Em sua opinião, o que produz ritmo e musicalidade nesses versos? O ritmo e a musicalidade são criados por meio de rimas e pelas palavras escolhidas e sua combinação nos versos. Também pela cadência regular nos versos. 59 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 59 5/7/15 8:50 AM
60 Produção de texto Proposta 1 Livro de poemas da turma Para construir um livro de poemas da turma, cada aluno produzirá o próprio poema sobre a tela a seguir: Museu Nacional de Belas Artes/Rio de Janeiro O circo (1955), de Djanira. Guache sobre papel, 33 cm 47 cm. Você também pode basear seu poema em outra pintura ou em uma fotografia. Caso decida por essa opção, peça orientação ao professor. Proposta 2 trova Professor, se o aluno optar por escrever sobre outra pintura ou fotografia, oriente-o a indicar a obra escolhida em sua produção, prestando atenção às referências da imagem: Título, ano, autor, técnica, dimensão etc. Se for possível e houver interesse, solicite que os alunos pesquisem o autor e/ou o movimento artístico do qual a obra faz parte e produzam pequenos textos informativos, que poderão ser selecionados para compor a introdução do livro de poemas, em uma seção intitulada Sobre as obras escolhidas para as produções. Reescreva uma trova em seu caderno, modificando versos e palavras, sem alterar o compasso. Não deixe de fazer rimas. Veja no exemplo a seguir como o ritmo foi criado: Você diz que sabe muito Papagaio sabe mais: Papagaio fala versos Coisa que você não faz. 60 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 60 5/7/15 8:50 AM
61 As trovas também poderão fazer parte do livro de poemas da turma. Vocês poderão optar por fazer um livro somente com as trovas produzidas. PLANEJE SEU TEXTO Copie no caderno os itens do quadro e responda a cada um deles como modo de planejamento. Amplie o número de itens, se precisar. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto. Para escrever o poema ou a trova 1. Qual é o público leitor do texto? 2. Que linguagem vou empregar? 3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? 4. Onde o texto vai circular? Meus colegas de turma, familiares e amigos. Professor, no caso do poema, é frequente o uso de linguagem figurada. Quanto ao grau de formalidade, oriente os alunos a empregarem a linguagem de acordo com os propósitos comunicativos do texto que vai produzir. Organização em versos. Os textos produzidos vão compor um livro que circulará entre colegas, familiares e amigos, portanto, dentro e fora da escola. ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO 1. Para a primeira proposta, tome a imagem como ponto de partida para a escrita do poema. 2. Experimente as sensações e ideias que a imagem lhe sugere e, com essa experiência, escreva alguns versos, buscando perceber a seleção e combinação dos sons e das palavras. 3. Depois, organize os versos e verifique se eles produzem os efeitos que deseja quanto ao sentido, à sonoridade e ao ritmo do poema. Utilize os recursos estudados neste capítulo e lembre- -se de que um poema não precisa necessariamente ter rimas. 4. Organize a escrita do texto no espaço da folha: você já sabe que a forma usada para escrever um poema não obedece à organização em parágrafos, mas à organização em versos. 5. A linguagem figurada é muito empregada nesse gênero de texto. Reveja alguns exemplos estudados e lance mão desse recurso para construir os versos. 6. Para a segunda proposta, lembre-se de pesquisar várias trovas e escolher algumas para fazer a reescrita, modificando palavras que resultem em um texto com sentido geral semelhante ou em um texto que traga o mesmo tema, mas que resulte em sentido totalmente diverso. Por exemplo: se a trova fala sobre amizade, você poderá ler o que ela quer comunicar e reescrevê-la para dizer a mesma coisa, só que usando novas palavras. Outra opção é criar uma trova nova que expresse as suas ideias sobre esse mesmo tema. 7. Combine com seus colegas de turma e com o professor como será composto o livro: páginas, capa, se haverá ilustrações, dedicatória, como aparecerá o nome dos autores, se cada aluno-autor assinará o livro, que materiais usarão para confeccionar a capa, qual o tipo e tamanho de letra a ser usado. 8. Decidam coletivamente qual será a melhor maneira de divulgar o livro. Seria interessante que os familiares dos alunos pudessem ler as produções. 9. O livro de poemas poderá ser levado para casa a fim de que seus familiares e amigos possam lê-lo. Para isso, o livro pode ser reproduzido para que cada aluno tenha um exemplar ou, se isso não for possível, o professor combinará com a turma uma dinâmica que permita a todos os alunos levar o livro para casa. 10. Por fim, caso julguem interessante, o livro poderá ser doado para a biblioteca da escola para que outras pessoas possam ter acesso aos belos poemas produzidos por sua turma. 61 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 61 5/7/15 8:50 AM
62 AVALIAÇÃO E REESCRITA 1. Faça uma leitura do poema em voz alta e verifique se quer retomá-lo, alterar as palavras e a combinação delas, acrescentar ou retirar versos, continuar o texto. 2. Verifique se o ritmo do poema ficou agradável. No caso da trova, veja se a rima produziu o efeito sonoro desejado. 3. Proceda com as modificações até concluir seus objetivos. 4. Faça uma revisão em seu texto, observando e, se necessário, corrigindo ortografia, acentuação, pontuação, repetições de palavras ou ideias. 5. Passe o texto a limpo e o entregue ao professor antes de a turma iniciar a confecção do livro. Se você optou por realizar a primeira sugestão, entregue ao professor a reprodução da imagem da qual você partiu para produzir o poema. Prática de leitura texto 6 Poema visual Até agora, nós lemos e apreciamos vários poemas que nos levaram às mais diversas emoções, sensações, reflexões... Mas você já ouviu dizer que há poemas que também são para serem vistos? Vamos ver? Xadrez Global CAPPARELLI, Sérgio; GRUSZyNSKI, Ana Cláudia. Poesia visual. São Paulo: Global, POR DENTRO DO TEXTO 1. A imagem do poema sugere determinado objeto. Qual? Para que ele é usado? Resposta possível: Há algo semelhante a um tabuleiro de xadrez ou damas. 2. O que esperamos encontrar nesse objeto? No tabuleiro, normalmente, são colocadas peças (peões) para jogar. Nesse poema visual encontramos palavras. 3. O fato de a palavra amor estar sobre o tabuleiro de jogo tem algum significado? Por quê? Sim. Colocar a palavra amor sobre o tabuleiro é como colocar as peças para jogar. Então, em linguagem figurada, significa dizer que o amor faz parte de um jogo de estratégias, de sorte, azar, em que o resultado é imprevisível. 4. Nesse contexto, o do jogo, que relação as palavras ardor e dor estabelecem com amor? Ardor e dor rimam com amor, o que cria uma relação do amor com essas palavras. Ou o amor pressupõe sentir ardor e dor. Assim como as peças, as sílabas das palavras se movem no poema e constroem o jogo do amor. pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 62 5/7/15 8:50 AM
63 5. A borda vermelha do tabuleiro tem também alguma relação com a palavra amor? Geralmente, o amor é representado na cor vermelha. 6. Se tirássemos o tabuleiro e deixássemos só as palavras, entenderíamos o poema do mesmo jeito? Justifique. Não, pois é o conjunto, a relação entre as palavras e os elementos visuais que forma o significado do poema. CONFRONTANDO TEXTOS 1. A imagem do poema despertou sensações, sentimentos e emoções em você? Resposta pessoal. 2. Observe o poema a seguir, escrito por um aluno. André Quicé a) Qual é a intenção desse poema? b) Existe alguma semelhança entre o poema desse aluno e o poema Xadrez? Explique sua resposta. Projetos em ação dia da poesia Neste capítulo foi analisada uma série de recursos da linguagem poética. Que tal colocá-los em prática, construindo os próprios poemas, organizando uma apresentação das criações da turma e de outros poemas de que os alunos tenham gostado? Quem sabe possam também incluí-los no livro da turma. Escolha uma das propostas a seguir. Proposta 1 Poema visual ALMEIDA, Flávio P. Arte, magia e sonhos II. Brasília: André Quicé, O poema constrói sentido (um veleiro navegando) não só por meio das palavras, mas por meio da imagem criada com essas mesmas palavras, que desenham o contorno de um veleiro. O poema também usou um outro recurso bastante empregado nesse tipo de texto: a repetição de palavras e de sons, que reforçam a mensagem, tornam-no mais expressivo, mais ritmado. Sim, os dois poemas usaram as palavras para construir uma imagem significativa relacionada ao sentido que cada texto constrói. Ambos lançaram mão de recursos expressivos, como ritmo, rima e linguagem visual. Professor, veja os objetivos das atividades no Manual. Escolha o tema de que vai tratar e crie uma maneira de representá-lo visualmente, combinando imagem e palavra de modo a produzir sentido. Se desejar, para construir o texto ou para complementar o que ele quer expressar, forme imagens com as palavras. Verifique se o poema está conseguindo atingir o objetivo pretendido: observe se o texto está disposto na folha de uma maneira significativa. A ocupação da folha é livre, mas não é ocasional: em um poema desse tipo, a distribuição das palavras no espaço em branco do papel busca provocar efeitos de sentido. Caso julgue necessário, você poderá colorir o poema e usar outros recursos artísticos em sua composição. Monte com seus colegas um varal de poemas visuais fora do espaço da sala de aula. Combine com seu professor um local possível para essa montagem. Seu professor vai ajudá-los a escrever um texto coletivo que descreva o processo de composição dos poemas e dê informações teóricas sobre o assunto. Esse texto também vai compor a exposição e servirá de orientação para as pessoas que ainda não conhecem esse tipo de poema. Para fazer essa apresentação geral, use seus conhecimentos a respeito de poema visual. 63 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 63 5/7/15 8:50 AM
64 Passem a limpo o texto de apresentação do varal em uma cartolina ou outro tipo de papel grande, de forma que ele fique bem visível. Convidem as pessoas a visitar os trabalhos e observem as reações que um poema visual pode despertar. Proposta 2 Poema tradicional Escolha cinco substantivos e cinco adjetivos que, para você, estejam relacionados a um dos temas a seguir: família, amizade, escola e medo. Se preferir, escolha outro tema com o qual você se identifique mais. Usando o tema e as palavras escolhidas, escreva um poema em que o eu poético expresse suas emoções. Seu poema deverá ser estruturado em versos e estrofes. Crie associações entre ideias e imagens e use a linguagem figurada para construir o sentido do texto. Se quiser, utilize rimas. Proposta 3 Poema narrativo Os poemas são textos que, além de expressar sentimentos, também podem contar histórias ou descrever pessoas. Um exemplo é o texto O poeta aprendiz, do qual lemos um trecho nesta unidade. Escolha uma história conhecida ou, se preferir, invente uma. Usando versos e rimas, narre essa história. Se optar por uma história que já existe, você pode manter as ideias principais ou transformá-las, para criar novos sentidos, efeitos de humor etc. Por exemplo: Em um poema narrativo baseado no conto Chapeuzinho Vermelho, a personagem principal pode ser caracterizada como uma adolescente que se apaixona pelo Lobo Mau. apresentação dos Poemas Depois de comporem seus poemas, que tal organizarem um evento que poderia receber o nome de O Dia da poesia? Nesse dia, vocês poderão apresentar um recital de poesias, declamando poemas de autores consagrados e de sua região, bem como os próprios textos poéticos. Além disso, poderão montar varais de poesias, divulgando suas criações artísticas e os poemas que mais gostaram de ler, de modo que todos os convidados possam lê-los. Leia mais Não são poucos os suportes em que podemos encontrar poemas. Na modalidade escrita ou oral, eles estão por toda a parte. Seja você também um leitor de poemas, procure-os por toda a parte e divulgue aos seus colegas aqueles de que mais gostar. Preparando-se para o próximo capítulo Professor, é interessante programar a exposição desses materiais para o início do próximo capítulo. Converse com alguém de sua família ou algum vizinho com mais de 50 anos a respeito da situação das escolas de trinta anos atrás. Anote o que eles disserem em folhas avulsas e, se possível, consiga fotos que retratem essas escolas. Traga esses materiais para a aula, conforme a orientação do professor. 64 pnld2017_miolo_tl_p3_u01c02.indd 64 5/7/15 8:50 AM
65 2 Unidade SER E ConvivER Nesta unidade, a palavra é conviver. O Capítulo 1 trata da escola como um espaço de convivência e aprendizagem. Professores, alunos, pais e funcionários vivem em conjunto esse é o significado de conviver. Mas como será que era a escola há algumas décadas? Você já pensou sobre isso? E como será no futuro? É possível melhorar o espaço escolar, deixá-lo mais agradável? O Capítulo 2 trata de relacionamentos. Você lerá a letra de uma canção que fala sobre pai e filho e um classificado poético muito engraçado, que põe os pais à venda. Você ainda analisará uma charge, uma foto e a agenda de uma adolescente. Também lerá textos que falam de amor e amizade. Nesse capítulo, você poderá perceber a importância da descrição, da narração e da argumentação em diferentes gêneros de texto. Dizem que, ao participarmos de atividades coletivas, sentimo-nos mais responsáveis e nossas ações fazem mais sentido para nós. Será que isso é verdade? Você poderá testar essa afirmativa, pois, ao final da unidade, terá a oportunidade de pensar sobre isso. Fique ligado(a)! 65 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 65 5/7/15 10:21 AM
66 capítulo 1DA ESCoLA QUE TEMoS À ESCoLA QUE QUEREMoS Professor, um dos objetivos deste capítulo é apresentar ao aluno os tipos textuais narração, argumentação e descrição, levando em conta que eles podem estar presentes, simultaneamente, nos mais diversos gêneros de texto. Fazemos na obra uma distinção entre os tipos de texto e os gêneros de texto, conforme teoria exposta no Manual. Julgamos que essa diferenciação é importante para que os alunos possam perceber de que maneiras e com que recursos os textos de diferentes gêneros são construídos. Contudo, a nomenclatura tipos textuais caberá apenas ao professor. Nesse momento, a estrutura da narrativa foi apresentada de maneira mais detalhada. Já o tipo argumentativo foi apresentado e sistematizado, mas deverá ser aprofundado no decorrer da obra, assim como o que ocorre com a descrição. Professor, no final da Unidade 1 foi feita uma sugestão de pesquisa. Seria interessante solicitar aos alunos que compartilhem os resultados neste momento. Para começo de conversa 1. O texto a seguir é formado por gráficos. Qual é a finalidade desse tipo de texto? Os gráficos são uma forma de apresentar um conjunto de informações ou dados por meio de representação visual, de modo que estes possam ser comparados e mais rapidamente compreendidos. 2. Quando e em qual veículo de comunicação esses gráficos foram divulgados? Em 26 de setembro de 2014, no site do jornal Folha de S. Paulo. 3. Esses gráficos tratam de qual assunto? Tratam do nível de aprendizagem dos alunos dos anos iniciais em relação à leitura, escrita e matemática em todos os estados brasileiros. 4. Qual é a importância dos títulos e subtítulos para a leitura dos gráficos? Os títulos e subtítulos permitem identificar o assunto tratado pelo gráfico e as informações que ele apresenta. Folhapress FOREQUE, Flávia. Nível de leitura de alunos de 8 anos é considerado baixo em 22 estados. Folha de S.Paulo, 26 set Disponível em: < -alunos-de-8-anos-e-considerado-baixo-em-22-estados.shtml>. Acesso em: 2 fev pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 66 5/7/15 10:21 AM
67 POR DENTRO DO TEXTO Gráficos são textos que representam informações visualmente de modo que sua compreensão possa ser feita de modo rápido. São usados em diferentes gêneros de textos e em meios variados. Os gráficos que você acabou de ler foram criados para complementar informações veiculadas em um jornal. Faça uma leitura mais detalhada desses gráficos e depois responda às questões a seguir. 1. O que as barras coloridas representam? O percentual de alunos nos níveis mais baixos de aprendizagem de leitura, escrita e matemática. 2. O que os números ao lado de cada barra colorida indicam? Eles indicam, numericamente, o percentual de alunos com desempenho ruim em cada uma das habilidades. 3. Copie a tabela a seguir em seu caderno e complete-a com informações dos gráficos. Leitura Escrita Matemática Estado Percentual Estado Percentual Estado Percentual Três piores desempenhos Três melhores desempenhos Alagoas 81,56% Maranhão 61,13% Maranhão 83,11% Maranhão 80,89% Paraíba 60,2% Amapá 82,8% Sergipe 80,65% Sergipe 59,54% Alagoas 81,27% Minas Gerais 38,66% Santa Catarina 21,57% Santa Catarina 37,99% Santa Catarina 39,43% Paraná 26,08% Minas Gerais 40,55% São Paulo 42,53% São Paulo 28,05% São Paulo 40,95% 4. Considerando os percentuais apresentados nos gráficos, qual das três habilidades avaliadas teve o pior resultado? Matemática. 5. Nos gráficos, os resultados de um estado aparecem destacados. a) Que estado é esse? São Paulo. b) Que recurso visual é utilizado para destacar os resultados desse estado no gráfico? As cores das barras com os percentuais desse estado são mais escuras. c) Por que os resultados desse estado foram destacados? Provavelmente porque o jornal que publicou os gráficos é do estado de São Paulo. Professor, é possível ampliar essa atividade, mobilizando conhecimentos das disciplinas de História e Geografia. Por meio de pesquisas e discussões, estimule a turma a observar as características dos estados e regiões brasileiros, levantando as possíveis causas para as diferenças no desempenho dos alunos do país. Texto 1 Crônica ANTES DE LER Prática de leitura 1. Você sabe o que significa a palavra democrata? Escreva o que você sabe sobre ela. Resposta pessoal. 2. Será que as pessoas que convivem com você sabem o significado dessa palavra? Realize uma pesquisa. Faça a várias pessoas próximas a você (familiares, vizinhos, professores etc.) as seguintes questões: a) O que significa ser democrata? b) Você se considera democrata? Por quê? 67 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 67 5/7/15 10:21 AM
68 Na escola Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de uma rua que não vou contar, e mesmo o nome de Dona Amarílis é inventado, mas o caso aconteceu. Ela se virou para os alunos, no começo da aula, e falou assim: Hoje eu preciso que vocês resolvam uma coisa muito importante. Pode ser? Pode a garotada respondeu em coro. Muito bem. Será uma espécie de plebiscito. A palavra é complicada, mas a coisa é simples. Cada um dá sua opinião, a gente soma as opiniões e a maioria é que decide. Na hora de dar opinião, não falem todos de uma vez só, porque senão vai ser muito difícil eu saber o que é que cada um pensa. Está bem? Está respondeu o coro, interessadíssimo. Ótimo. Então, vamos ao assunto. Surgiu um movimento para as professoras poderem usar calça comprida nas escolas. O governo disse que deixa, a diretora também, mas no meu caso eu não quero decidir por mim. O que se faz na sala de aula deve ser de acordo com os alunos. Para todos ficarem satisfeitos e um não dizer que não gostou. Assim não tem problema. Bem, vou começar pelo Renato Carlos. Renato Carlos, você acha que sua professora deve ou não deve usar calça comprida na escola? Acho que não deve respondeu, baixando os olhos. Por quê? Porque é melhor não usar. E por que é melhor não usar? Porque minissaia é muito mais bacana. Perfeito. Um voto contra. Marilena, me faz um favor, anote aí no seu caderno os votos contra. E você, Leonardo, por obséquio, anote os votos a favor, se houver. Agora quem vai responder é Inesita. Claro que deve, professora. Lá fora a senhora usa, por que vai deixar de usar aqui dentro? Mas aqui dentro é outro lugar. É a mesma coisa. A senhora tem uma roxo-cardeal que eu vi outro dia na rua, aquela é bárbara. Um a favor. E você, Aparecida? Posso ser sincera, professora? Pode, não. Deve. Eu, se fosse a senhora, não usava. Por quê? O quadril, sabe? Fica meio saliente... Obrigada, Aparecida. Você anotou, Marilena? Agora você, Edmundo. Eu acho que Aparecida não tem razão, professora. A senhora deve ficar muito bacana de calça comprida. O seu quadril é certinho. Meu quadril não está em votação, Edmundo. A calça, sim. Você é contra ou a favor da calça? A favor 100%. Você, Peter? Pra mim tanto faz. Não tem preferência? Sei lá. Negócio de mulher eu não me meto, professora. Uma abstenção. Mônica, você fica encarregada de tomar nota dos votos iguais ao de Peter: nem contra nem a favor, antes pelo contrário. Assim iam todos votando, como se escolhessem o Presidente da República, tarefa que talvez, quem sabe? no futuro sejam chamados a desempenhar. Com a maior circunspeção. A vez de Rinalda: Ah, cada um na sua. 68 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 68 5/7/15 10:21 AM
69 Na sua, como? Eu na minha, a senhora na sua, cada um na dele, entende? Explique melhor. Negócio seguinte. Se a senhora quer vir de pantalona, venha. Eu quero vir de midi, de máxi, de short, venho. Uniforme é papo-furado. Você foi além da pergunta, Rinalda. Então é a favor? Evidente. Cada um curtindo à vontade. Legal! exclamou Jorgito. Uniforme está superado, professora. A senhora vem de calça comprida, e a gente aparecemos de qualquer jeito. Não pode refutou Gilberto. Vira bagunça. Lá em casa ninguém anda de pijama ou de camisa aberta na sala. A gente tem de respeitar o uniforme. Respeita, não respeita, a discussão esquentou, Dona Amarílis pedia ordem, ordem, assim não é possível, mas os grupos se haviam extremado, falavam todos ao mesmo tempo, ninguém se fazia ouvir, pelo que, com quatro votos a favor de calça comprida, dois contra, e um tanto-faz, e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar, a professora achou prudente declarar encerrado o plebiscito, e passou à lição de História do Brasil. AndrAde, Carlos drummond de. na escola. Crônicas. 14. ed. São Paulo: Ática, (Para gostar de ler v. 2. Crônicas). Jótah PARA VOCÊ QUE É CURIOSO Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores escritores brasileiros, nasceu em Itabira (MG), em 1902, e morreu no Rio de Janeiro, em Em 1918, mudou-se para Nova Friburgo (RJ) e passou a estudar no internato do Colégio Anchieta. Um ano depois, foi expulso após um incidente com o professor de Língua Portuguesa. Drummond formou-se em Farmácia por exigência da família, mas nunca exerceu essa profissão: lecionava História e Geografia. Em 1934, assumiu um cargo público no governo de Getúlio Vargas e aposentou-se em Além de cronista, foi autor de contos e de livros infantis. Mas é como poeta que ele se destacou. Algumas de suas obras: Alguma poesia; Sentimento do mundo; A rosa do povo; Fazendeiro do ar e Poesia até agora; Antologia poética; A bolsa e a vida; Amor, amores; entre muitas outras. 69 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 69 5/7/15 10:21 AM
70 POR DENTRO DO TEXTO 1. Você gostou do texto Na escola? O que mais chamou a sua atenção nessa leitura? Resposta pessoal. 2. O texto que você acabou de ler conta uma história. a) Quem são as personagens? A professora e os alunos. b) No geral, o que as personagens estão fazendo? As personagens estão discutindo (tomando partido) sobre um assunto proposto. c) Onde ocorrem os fatos? 3. Que fatos ocorridos no texto podem acontecer no dia a dia de uma sala de aula? 4. Você entendeu a explicação de Dona Amarílis sobre plebiscito? Explique, então, do que se trata. É a participação popular (democrática) numa decisão ou escolha. Os fatos ocorrem na sala de aula, apesar de haver alusões à rua, à casa. Muitos deles: um debate sobre um tema polêmico, a diferença de opiniões, a votação etc. 5. Em seu caderno, caracterize, com as palavras ou expressões a seguir, cada um dos alunos, com base na opinião manifestada no plebiscito. No geral, as respostas giram em torno de conservadorismo, inovação, liberdade, estética. avançado(a) inovador(a) Renato avançado; Inesita inovadora; Aparecida preocupada com o lado estético; Edmundo preocupado com o lado estético; Peter indiferente; Rinalda avançada; Jorgito avançado; Gilberto conservador. preocupado(a) com o lado estético indiferente conservador(a) 6. Explique o que a professora quis dizer com as seguintes palavras: Você foi além da pergunta, Rinalda. Quis dizer que Rinalda emitiu opinião sobre algo que não estava em votação, ou seja, que não lhe foi perguntado. TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. Releia a opinião de Inesita e responda às questões. a) Ela foi a favor ou contra o uso de calça comprida pela professora? A favor. b) Que argumento, ou seja, que justificativa ela usou para defender sua opinião? O argumento de que, se a professora usa calça comprida fora da escola, também pode usar dentro dela. 2. Renato Carlos e Aparecida votaram contra o uso de calça comprida. Que argumento cada um deles usou para justificar sua opinião? Renato Carlos acha que minissaia é mais bacana. Já Aparecida acha que a calça deixa os quadris salientes. IMPORTANTE SABER Argumento é o recurso que utilizamos para justificar uma afirmação ou para convencer alguém a mudar de opinião ou de comportamento. Fatos, ideias, razões ou provas são exemplos de argumentos. A argumentação pode aparecer em diferentes gêneros orais ou escritos. Por exemplo, as pessoas podem defender ideias em um debate, em um artigo de opinião ou até mesmo em uma conversação espontânea. Por isso, é importante saber que, para argumentar, é preciso conhecer bem o assunto sobre o qual estamos falando ou escrevendo. Desse modo, ficará mais fácil organizar as ideias e elaborar argumentos adequados e eficientes. 70 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 70 5/7/15 10:21 AM
71 3. Releia a opinião de Rinalda: [...] A vez de Rinalda: Ah, cada um na sua. Na sua, como? Eu na minha, a senhora na sua, cada um na dele, entende? Explique melhor. Negócio seguinte. Se a senhora quer vir de pantalona, venha. Eu quero vir de midi, de máxi, de short, venho. Uniforme é papo-furado. Você foi além da pergunta, Rinalda. Então é a favor? Evidente. Cada um curtindo à vontade. a) Em seu caderno, transcreva a afirmativa correta sobre Rinalda: Alternativa I. I. Ela desviou do assunto que estava em votação. II. Ela não foi sincera com a professora. III. Ela não quis participar da votação. b) As falas de Rinalda dão a entender que ela é a favor ou contra o uso de calça comprida pelas professoras? Explique. As falas de Rinalda dão a entender que ela é a favor, já que, de acordo com a aluna, cada um deve usar o que tiver vontade. c) Qual foi o novo assunto colocado em discussão por Rinalda? O uso de uniforme na escola. d) Qual é a sua opinião sobre esse assunto? Justifique sua resposta com um argumento. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno se posicione sobre o uso de uniforme na escola, apresentando um argumento consistente para sustentar sua opinião. 4. Releia os diferentes argumentos apresentados pelos alunos de Dona Amarílis. Depois, escolha aquele que, em sua opinião, foi o mais coerente. Justifique sua escolha. Resposta pessoal. 5. Até aqui, você já teve a oportunidade de ler textos bastante diferentes. Provavelmente, você percebeu que cada texto abordou determinado conteúdo, organizou-se de um jeito próprio e apresentou diferentes intenções e linguagens específicas. O texto Na escola é uma crônica. Em seu caderno, transcreva a alternativa que melhor revela a característica predominante na construção desse texto. Alternativa b. a) O texto teve como predominância a descrição de diferentes comportamentos diante de um mesmo fato. b) O texto teve como predominância a narração de fatos ocorridos em uma situação cotidiana. c) O texto teve como predominância argumentos contrários ao uso de uniforme escolar. IMPORTANTE SABER Pelo conteúdo, pela organização, linguagem e pelas intenções de um texto, é possível reconhecer o que é uma carta e perceber a diferença entre uma carta, um bilhete, um poema. Ao conjunto de textos orais e escritos, com características específicas, damos o nome de gêneros. Ao se produzir um texto, em determinado gênero, devemos nos perguntar: por que e para que escrevemos (intenção comunicativa); a quem o texto se destina (interlocutor); como o texto deve estar organizado; quais são os tipos de linguagem utilizados: verbal, não verbal e mista; como adequar vocabulário, combinação de palavras, pontuação etc. às intenções do texto; em que suporte o texto circulará. Sendo assim, é importante considerar os itens acima quando for construir o seu texto. 71 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 71 5/7/15 10:21 AM
72 TEXTO E CONTEXTO 1. Basicamente, a crônica traz duas discussões: uma em torno do uso de calça comprida por professoras e outra sobre o uso ou não de uniforme. a) Qual delas gerou mais polêmica? Por quê? O uso do uniforme gerou mais polêmica, provavelmente porque envolvia o contexto dos alunos, que passaram a discutir algo relacionado à sua vivência. b) Em sua opinião, hoje essas discussões ainda poderiam gerar polêmica na escola? Por quê? Espera-se que o aluno perceba que apenas a discussão sobre o uso do uniforme poderia gerar polêmica atualmente, já que ainda é uma questão presente. O uso de calça comprida por professoras no contexto escolar é muito comum nos dias atuais. c) Como você imagina que as mulheres se vestiam na época retratada no texto? Resposta pessoal. Professor, embora o texto não informe a data em que se passa a crônica, pode-se supor que, na época retratada, não era comum o uso de calça comprida pelas mulheres. No Brasil, o uso de calças popularizou-se a partir da década de 1960 entre a população feminina. Aproveite a oportunidade para discutir com os alunos sobre a simbologia do uso de calças compridas na luta pela emancipação feminina. Se houver interesse, amplie a discussão para as questões de igualdade entre gêneros. Você também pode solicitar uma pesquisa sobre o tema aos alunos. 2. Releia o início da crônica: Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de uma rua que não vou contar, e mesmo o nome de Dona Amarílis é inventado, mas o caso aconteceu. a) Qual foi a atitude de Dona Amarílis quando os alunos começaram a discutir um assunto do interesse deles? Ela tratou de mudar de assunto, encerrando a votação para que a discussão não se estendesse. b) A professora agiu de forma democrática ao declarar o plebiscito encerrado? Explique. Espera-se que os alunos percebam que a atitude da professora não foi democrática, já que ela encerrou uma discussão do interesse dos alunos. Ela impôs sua decisão de forma intransigente. c) Ironia é expressar o contrário do que se quer dar a entender. Com base nessa informação, podemos dizer que o narrador foi irônico ao caracterizar Dona Amarílis como democrata, logo no início da crônica? Sim. Espera-se que os alunos percebam que o narrador foi irônico, já que a professora só deu oportunidade para os alunos discutirem e opinarem sobre um assunto que interessava apenas a ela. CONFRONTANDO TEXTOS Leia o texto a seguir: Roupa ou uniforme: vantagens e desvantagens Conheça argumentos contrários e favoráveis ao uso do uniforme escolar e se posicione sobre esse tema polêmico [...] Alguns argumentos favoráveis ao uso do uniforme 1. É prático 2. Preserva a infância 3. Inibe o consumismo 4. Minimiza a vaidade 5. É econômico 6. Diminui o risco de bullying 7. Proporciona segurança na hora de brincar 8. Impõe disciplina 9. Equilibra as diferenças sociais 10. Confere responsabilidade 20/01/ :50 Texto Lígia Menezes 72 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 72 5/7/15 10:21 AM
73 Alguns argumentos contrários ao uso do uniforme 1. Tira a individualidade 2. Não passa noções de como se vestir 3. Dificulta a formação de grupos 4. Padroniza a diferença 5. Dificulta a busca da identidade MenezeS, Lígia. roupa ou uniforme: vantagens e desvantagens. Educar para crescer, 21 jan disponível em: < comportamento/uniforme shtml>. Acesso em: 9 jan Qual é a relação entre o assunto tratado nesse texto e a crônica Na escola? Ambos tratam de temas relacionados ao ambiente escolar. O texto lido mostra argumentos a favor e contra o uso do uniforme, assunto que também foi abordado na crônica. 2. Em sua opinião, qual dos argumentos contrários apresentados no texto Roupa ou uniforme: vantagens e desvantagens está de acordo com a opinião de Rinalda, na crônica Na escola? Explique. Espera-se que o aluno perceba que os argumentos apresentados nos itens 1 e 5 ( Tira a individualidade e Dificulta a busca da identidade, respectivamente) são coerentes com a opinião de Rinalda. A menina considera que cada um deve vestir-se como quer e os argumentos apresentados nos itens mencionados referem-se à individualidade. 3. Qual das personagens da crônica Na escola é favorável ao uso do uniforme? Gilberto. 4. A explicação dada por essa personagem para justificar sua opinião aproxima-se de algum dos argumentos favoráveis apresentados no texto Roupa ou uniforme: vantagens e desvantagens? Qual? Justifique. Aproxima-se do argumento apresentado no item 8 ( Impõe disciplina ). Na crônica, Gilberto afirma que sem uniforme vira bagunça e por isso ele deve ser respeitado. A explicação do menino relaciona-se à disciplina imposta pelo uso do uniforme. TROCANDO IDEIAS 1. Em sua opinião, o problema da professora era caso para um plebiscito? Justifique. Resposta pessoal. 2. Você já participou de um plebiscito? Em caso afirmativo, explique como foi a experiência. Resposta pessoal. 3. É comum haver plebiscito nas escolas? Por quê? Resposta pessoal. 4. Que plebiscito você gostaria que ocorresse na sua escola? E na sua sala de aula? Resposta pessoal. Professor, seria interessante, nesse momento, que se abrisse um plebiscito na sala de aula para discussão e votação, com base em um dos temas propostos pelos alunos. Solicite-lhes que levantem e listem as características desse gênero oral com base na leitura do texto. São as seguintes: saber ouvir, falar um de cada vez, respeitar as opiniões dos colegas, construir argumentos para justificar as opiniões e a opção do voto. DE OLHO NO VOCABULÁRIO 1. Leia a seguir o verbete abster, tal como aparece em um dicionário. Preste atenção nas informações que ele nos traz. abster [Do lat. abstenere, por abstinere.] V. t. d. e i. 1 Privar; impedir: A doença abstém-na de andar. P. 2 Conter-se, refrear-se: Considerando o formulário para declaração de imposto de renda algo assimilável aos textos em caracteres cuneiformes, sempre me abstive religiosamente de preenchê-lo. (Carlos Drummond de Andrade, Cadeira de balanço, p. 35.) 3 Deixar de intervir. 4 Privar-se (de alimento, álcool, tabaco etc.); fazer abstinência. [Irreg. Conjug.: v. conter.] HoLAndA, Aurélio Buarque de. Novo dicionário da língua portuguesa. 2. ed. rio de Janeiro: nova Fronteira, a) Encontre no verbete a origem da palavra abster. Abster vem do latim: abstenere, abstinere. b) Encontre o significado para a expressão abster-se de votar. O terceiro sentido do verbete atende ao sentido usado no texto. 73 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 73 5/7/15 10:21 AM
74 Reflexão sobre o uso da língua variedade linguística 1. Observe a maneira como um personagem do texto expôs sua opinião e responda às próximas questões. Professor, ainda nesta sequência, haverá uma sistematização a respeito da variedade da língua mais prestigiada e das menos prestigiadas socialmente. Assim, os alunos compreenderão que a língua tem variedades. O texto do quadro Importante saber oferece explicações sobre esse assunto. A senhora vem de calça comprida, e a gente aparecemos de qualquer jeito. As normas urbanas de prestígio desfrutam de maior prestígio político, social e cultural, mas é fundamental que os alunos comecem a perceber que essa discussão não pode se dar em torno do que é certo ou errado. a) A construção destacada no trecho está de acordo com as regras gramaticais? Por quê? Não, pois não há concordância verbal entre o sujeito ( a gente ) e o verbo ( aparecemos ). b) Construções como essa em destaque podem aparecer na fala das pessoas quando elas se comunicam? Por que você acha que isso acontece? Professor, acolha as hipóteses dos alunos. Explique a eles que há pessoas que usam uma variedade da língua em que há regras de concordância convencionadas de acordo com a norma-padrão. Mas que há também pessoas que usam uma variedade da língua que nem sempre segue as regras da norma-padrão. E que, na fala, as pessoas podem, eventualmente, usar a língua sem as concordâncias previstas na norma-padrão. IMPORTANTE SABER Em nossa sociedade, há falares mais prestigiados e outros menos. Os falares urbanos que desfrutam de maior prestígio político, social e cultural são conhecidos como normas urbanas de prestígio. As normas urbanas de prestígio correspondem aos usos da língua mais associados à escrita, à tradição literária e a instituições como o Estado, a escola, as igrejas e a imprensa. Mas a língua pode se manifestar em outras variedades, ou seja, em outras maneiras de falar e escrever tão legítimas quanto as normas urbanas de prestígio. Por ser dinâmica, a língua passa por processos naturais de mudança e seu uso se modifica de acordo com a situação, variando conforme o tempo em que se vive, o lugar onde se mora, a idade, a circunstância em que a pro duzimos etc. A essas diferentes maneiras de falar e escrever chamamos variedades linguísticas. Já a norma-padrão é um modelo idealizado de língua correspondente a um conjunto de regras ditadas pela gramática normativa. Ela serve de referência geral para os usuários da língua e é estudada na escola para que as pessoas possam usá-la de acordo com a sua necessidade e interesse. níveis de linguagem: formal e informal 2. Vamos continuar a reflexão: Assim como ocorre com a maneira de se vestir, você acha que é possível perceber quando o jeito de falar de alguém é formal ou informal? Como? Sim, a linguagem formal é mais cuidada, mais séria. Já a linguagem informal é mais espontânea, mais descontraída. Professor, sugerimos que as próximas questões sejam feitas oralmente. 3. No texto Na escola, encontramos palavras e expressões que costumam ser usadas em situações informais de comunicação. Veja: [...] Uniforme é papo-furado. [...] Porque minissaia é muito mais bacana. [...] Ah, cada um na sua. Agora, reflita e responda: 74 a) Você acha que as expressões em destaque foram empregadas adequadamente pelas personagens na situação de comunicação? Por quê? Espera-se que o aluno reconheça que sim, pois as personagens (alunos jovens) estão em situação informal em sala de aula. Nesse contexto, os estudantes se expressam na linguagem que costumam usar espontaneamente no dia a dia. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 74 5/7/15 10:21 AM
75 b) Se você estivesse apresentando um trabalho sobre o uso do uniforme em um seminário organizado por várias escolas, seria adequado dizer uniforme é papo-furado? Por quê? Não. A linguagem deve ser adequada aos interlocutores e à situação de comunicação em que é empregada. O seminário organizado entre várias escolas pressupõe um grau de formalidade em que o uso de gírias seria inadequado. c) Em que situações de comunicação não é adequado usar a expressão papo-furado? Em seu caderno, anote e justifique as suas respostas. I. Audiência com um juiz. II. Bate-papo com os amigos. III. Entrevista em programa de TV destinado ao público jovem. IV. Entrevista de emprego. d) E se você tivesse de reescrever as frases do quadro em uma linguagem mais formal, como ficariam? IMPORTANTE SABER Respostas I e IV. Não é adequado usar a expressão papo-furado em situações de maior formalidade. Respostas possíveis: Uniforme está fora de moda, não se usa mais. ; Porque minissaia é muito mais bonita. ; Cada um com suas opiniões. ; Cada um com suas preferências.. De acordo com a situação e a circunstância em que nos encontramos, falamos ou escrevemos de formas diferentes. Para adequar nossa linguagem à situação de comunicação, devemos considerar: o assunto que está sendo tratado, o estado emocional de quem se comunica, o grau de intimidade e o tipo de relação entre as pessoas (falante/ouvinte escritor/leitor), o lugar em que se encontram etc. Dependendo da situação de comunicação, usamos: Linguagem formal presente em situações mais sérias, de maior formalidade. É elaborada; apresenta, geralmente, um conteúdo mais complexo e vocabulário técnico. Na linguagem formal, há maior preocupação com a norma-padrão. Linguagem informal é adequada para a fala imediata, do dia a dia. A linguagem informal é simples, espontânea. É bastante usada com familiares e pessoas íntimas. 4. Leia um trecho da letra da canção Mina do condomínio : Mina do condomínio Tô namorando aquela mina Mas não sei se ela me namora Mina maneira do condomínio Lá do bairro onde eu moro [...] MourA, Gabriel; Seu JorGe. Mina do condomínio. Vagalume. disponível em: < mina-do-condominio.html>. Acesso em: 7 jan a) Na canção Mina do condomínio, há um eu que diz que namora uma mina. O que ele quis dizer com a palavra mina? b) Você conhece alguém que fala de um jeito parecido com o do eu poético? Comente com a turma. Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno identifique que mina, nesse contexto, significa menina, garota, guria etc. c) A linguagem empregada na canção é formal ou informal? Informal. 5. Na canção Mina do condomínio, você achou adequada a maneira como o compositor usou a língua? Por quê? Resposta pessoal. Professor, explique para os alunos que a linguagem é múltipla e variada, e deve ser adequada ao contexto em que é empregada na canção de Seu Jorge, a informalidade é proposital e usada para caracterizar um determinado contexto. 75 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 75 5/7/15 10:21 AM
76 6. Leia esta charge e, em seguida, responda às questões propostas. Roberto Kroll Disponível em: < Acesso em: 3 fev Tanto o texto não verbal (a imagem) quanto o texto verbal (a fala da personagem) causam estranhamento por não estarem, de alguma forma, adequados ao contexto. a) Onde estão as personagens? Em uma praia. b) O que as personagens provavelmente farão? Provavelmente irão surfar. c) Qual das duas personagens está vestida de forma inadequada para o local? Por quê? O homem de terno e gravata está vestido inadequadamente, uma vez que não está com roupas apropriadas para a praia, muito menos para surfar. d) Por que a fala do homem de terno e gravata causou estranhamento no surfista? Porque sua fala não estava adequada àquela situação de comunicação. Ele usou uma fala muito formal em um momento informal, descontraído. e) Você considera adequada a maneira como o homem de terno e gravata usou a língua? Por quê? Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba a inadequação da fala da personagem diante do contexto, apesar de a construção não apresentar nenhuma incorreção do ponto de vista gramatical. Professor, aproveite o momento para discutir com os alunos a importância de adequar a linguagem ao interlocutor e ao contexto. De olho na ortografia Por que, porque, por quê, porquê Observe como os diferentes porquês foram empregados neste trecho do diálogo entre Dona Amarílis e um dos seus alunos no texto Na escola. Acho que não deve respondeu, baixando os olhos. Por quê? Porque é melhor não usar. E por que é melhor não usar? Porque minissaia é muito mais bacana. A professora empregou as formas por que e por quê para fazer perguntas. O aluno empregou porque para dar respostas. 76 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 76 5/7/15 10:21 AM
77 Agora, leia estas frases. As crianças não fazem perguntas nem precisam saber os porquês? O porquê (junto e com acento) aparece como sinônimo de motivo, razão; normalmente acompanhado de artigo. [...] Por que a professora não conversa? Quem manda? Onde? Por quê? Como? Emprega-se por quê (separado e com acento) no final da frase. Vivemos querendo saber os porquês, o que é muito importante. Mas precisamos também saber grafá-los corretamente. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Depois de ter observado os exemplos e as explicações do uso dos porquês, copie, em seu caderno, as afirmativas abaixo, e complete-as com a forma adequada. a) Usamos quando a expressão aparece no início de uma frase interrogativa. b) Usamos em respostas, quando damos uma explicação. c) Usamos em perguntas, quando vier isolado no final da frase. por que porque por quê 2. Copie, em seu caderno, as frases a seguir, empregando adequadamente por que, porque, por quê, porquê. a) você sorri azul? b) A professora não respondeu à pergunta de Gabriel. Não não queria, mas não sabia. c) eu estou sentado aqui? d) Eu queria saber o de eu estar sentado aqui. e) Eu estou sentado aqui,? f) é você quem manda? g) As crianças fazem muitas perguntas.? h) Você não precisa saber o. a) Por que ; b) porque, porque ; c) Por que ; d) porquê ; e) por quê ; f) Por que ; g) Por quê ; h) porquê. 3. Escreva, em seu caderno, duas perguntas para as quais você gostaria de ter respostas, utilizando a expressão por que. Peça a um colega que as responda. Resposta pessoal. 4. Elabore, em uma folha avulsa, duas perguntas para um adulto em que a expressão por que inicie a questão. Peça a alguém que as responda. Verifique se a pessoa questionada argumentou sua resposta. Observe que o emprego do porque indica que o locutor da resposta está apresentando seus argumentos sobre determinado assunto. Professor, você poderá pedir aos alunos que leiam as perguntas e respostas anotadas caso perceba que não haverá constrangimento na apresentação dessa atividade. Ou, dependendo do tipo de questão que o aluno tenha elaborado (o que poderá pesquisar durante o trabalho em sala de aula), talvez seja melhor escolher algumas dessas perguntas e apresentá-las oralmente para a turma sem revelar quem as escreveu. Talvez se eles souberem que não precisarão revelar a identidade, possam fazer perguntas importantes para conhecer melhor quem são esses alunos, que angústia os atormenta ou que curiosidades têm etc. 77 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 77 5/7/15 10:21 AM
78 Prática de leitura Texto 2 Romance (fragmento i) Agora, você vai ler a história de um menino que conta como foi a sua experiência nos primeiros anos de escola. A escola onde ele esperava aprender a ler. Ele nos conta como era essa escola, a sua professora e o ensino. Mas o que será que aconteceu com ele naquele lugar? Foi lá que ele aprendeu a ler? Renato Arlem [...] Aos nove anos, eu era quase analfabeto. E achava-me inferior aos Mota Lima, nossos vizinhos, muito inferior, construído de maneira diversa. Esses garotos felizes, para mim eram perfeitos: andavam limpos, riam alto, frequentavam escola decente e possuíam máquinas que rodavam na calçada como trens. Eu vestia roupas ordinárias, usava tamancos, enlameava-me no quintal, engenhando bonecos de barro, falava pouco. Na minha escola de ponta de rua, alguns desgraçadinhos cochilavam em bancos estreitos e sem encosto, que às vezes se raspavam e lavavam. Nesses dias nós nos sentávamos na madeira molhada. A professora tinha mãe e filha. A mãe, caduca, fazia renda, batendo os bilros, com a almofada entre as pernas. A filha mulata, sarará, enjoada e enxerida, nos ensinava as lições, mas ensinava de tal forma que percebemos nela tanta ignorância como em nós. Perto da mesa havia uma esteira, onde as mulheres se agachavam, cortavam panos e cosiam. [...] O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: cinco horas de suplício, uma crucificação. Certo dia vi moscas na cara de um, roendo o canto de olho, entrando no olho. E o olho sem mexer, como se o menino estivesse morto. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterraram. Abandonei os cadernos e as auréolas, não deixei que as moscas me comessem. Assim, aos nove anos ainda não sabia ler. Ora, uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama. Novidade: meu velho nunca se dirigia a mim. E eu, engolido o café, beijava-lhe a mão, porque isto era praxe, mergulhava na rede e adormecia. Espantado, entrei no quarto, peguei com repugnância o antipático objeto e voltei à sala de jantar. Aí recebi ordem para me sentar e abrir o volume. Obedeci, engulhando, com a vaga esperança de que uma visita me interrompesse. Ninguém nos visitou naquela noite extraordinária. Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei surpreendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira, como um carro em estrada cheia de buracos. Com certeza o negociante recebera alguma dívida perdida: no meio do capítulo pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguidos por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador. Era eu ou não era? Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo. [...] ramos, Graciliano. Infância. rio de Janeiro: record, pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 78 5/7/15 10:21 AM
79 POR DENTRO DO TEXTO 1. Por que o menino se achava inferior aos Mota Lima? 2. Como era a escola em que ele estudava? 3. No começo do primeiro parágrafo e no final do terceiro, o menino fala sobre um problema que o incomoda. Qual é esse problema? Ele não sabia ler. 4. Quem é o narrador do texto, ou seja, quem conta a história? O menino. 5. Você acha que o texto já terminou? Como chegou a essa conclusão? Professor, espera-se que os alunos respondam que não, pois o problema a ser resolvido ainda não foi solucionado. Além disso, no final do texto há o uso de uma marca de supressão: [...]. Porque, para o menino, os Mota Lima eram garotos felizes, perfeitos: andavam limpos, riam alto, frequentavam escola decente e possuíam máquinas que rodavam na calçada como trens [brinquedos]. Já o menino vestia roupas ordinárias, usava tamancos, enlameava[-se] no quintal, engenhando bonecos de barro, falava pouco. A escola tinha bancos estreitos e sem encosto, que às vezes eram raspados e lavados. Os alunos se sentavam na madeira molhada. A professora era malpreparada. Os alunos não se mexiam nos bancos e havia até moscas no rosto deles. 6. Releia o texto. Em seguida, copie o trecho em que uma história aparece interferindo na narrativa do menino. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguidos por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador.. TROCANDO IDEIAS 1. O que você pensa a respeito da escola em que o menino estudava? Resposta pessoal. 2. Você acha que existem escolas como aquela em que o garoto do texto estudava? Converse com a turma e com seu professor sobre esse assunto. Professor, espera-se que os alunos conversem coletivamente a respeito dos problemas relacionados à realidade das escolas do nosso país. Eles podem falar de experiências vividas por eles ou pelas pessoas com quem convivem; também podem falar sobre alguma reportagem que leram ou a que assistiram. O importante é acolher suas ideias e aproveitar o momento para discuti-las de maneira crítica. Se for viável, seria interessante envolver professores de História e Geografia nessa discussão. Se puderem, organizem uma atividade de pesquisa e debate sobre as condições das escolas na região em que vivem. Prática de leitura Texto 3 Romance (fragmento ii) ANTES DE LER Você sabe o que é uma narrativa? Professor, a intenção aqui é levantar os conhecimentos prévios dos alunos a respeito da narrativa. Leia agora mais um fragmento do romance Infância, de Graciliano Ramos, para descobrir o que aconteceu com o menino que queria tanto aprender a ler. [...] Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas. À noite meu pai me pediu novamente o volume, e a cena da véspera se reproduziu: leitura emperrada, mal-entendidos, explicações. Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso. E no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo. Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar. 79 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 79 5/7/15 10:21 AM
80 Findas, porém, as manifestações secretas de mágoa, refleti, achei que o mal tinha remédio e expliquei o negócio a Emília, minha excelente prima. O rosto sereno, largos olhos pretos, um ar de seriedade linda moça. [...] Confessei, pois, a Emília o meu desgosto e propus-lhe que me dirigisse a leitura. Esforcei-me por interessá-la contando-lhe a escuridão na mata, os lobos, os meninos apavorados, a conversa em casa do lenhador, o aparecimento de uma sujeita que se chamava Águeda. [...] Assim, era necessário que a priminha lesse comigo o romance e me auxiliasse na decifração dele. Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. Por que não me arriscava a tentar a leitura sozinho? Longamente lhe expus a minha fraqueza mental, a impossibilidade de compreender as palavras difíceis, sobretudo na ordem terrível em que se juntavam. Se eu fosse como os outros, bem; mas era bruto em demasia, todos me achavam bruto em demasia. Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam o céu, percebiam tudo quanto há no céu. Não no céu onde moram Deus Nosso Senhor e a Virgem Maria. Esse ninguém tinha visto. Mas o outro, o que fica por baixo, o do sol, da lua, das estrelas, os astrônomos conheciam perfeitamente. Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras? Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos, que doidice! Ler as coisas do céu, quem havia de supor? E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros. Personagens diminutas cresciam, vagarosamente me penetravam a inteligência espessa. Vagarosamente. Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes. ramos, Graciliano. Infância. rio de Janeiro: record, Sidney Observatory Constelação do Cruzeiro do Sul, cuja formação se assemelha a uma cruz: uma das mais conhecidas no Brasil. 80 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 80 5/7/15 10:21 AM
81 POR DENTRO DO TEXTO 1. O que acontece quando o pai do menino tenta ensiná-lo a ler? 2. Apesar de sua decepção com o pai, o menino continua buscando uma solução para o seu problema. Como? Ele procura a ajuda de sua prima Emília e pede a ela que continue ensinando-o. 3. Releia este trecho do texto: No início, o pai é dedicado e o menino fica encantado com a leitura, mas depois o pai age de maneira rude, o que afasta e desencanta o garoto, impedindo-o de continuar aprendendo. [...] Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas. a) O texto fala sobre os fugitivos, os lobos e o lenhador. Você acha que eles são personagens reais que conviviam com o menino? Como você percebeu isso? b) Por que o menino diz que dormia e acordava com os fugitivos, os lobos e o lenhador? c) O que faz com que o menino deixe de lado os brinquedos e a tagarelice dos moleques? O seu interesse pela descoberta da leitura. Eles não são personagens reais. Os fugitivos, os lobos e o lenhador são personagens da história que o menino está começando a ler. Como o menino não estava compreendendo direito a história, não sabia se ele mesmo estava envolvido nela. Resposta possível: Porque não conseguia se desligar da história, estava encantado com a nova experiência, então continuava a pensar sobre as personagens até mesmo na hora de dormir. 4. O menino desabafa com a prima a respeito de sua dificuldade para ler, mas ela conta a ele sobre os astrônomos. Veja como o menino reflete sobre eles: [...] Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras? Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos, que doidice! Ler as coisas do céu, quem havia de supor? E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. [...] a) Você também acha que os astrônomos leem o céu? Por quê? Resposta pessoal. b) O que estimulou o menino a enfrentar sua dificuldade de ler? c) O que o narrador quis dizer com a frase: E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador.? O narrador está querendo dizer que se retirou, se isolou para tentar ler sozinho, para mergulhar na história que desejava compreender. 5. Releia mais um trecho da história: A prima lhe mostra que, se os astrônomos leem o céu, que está tão distante e nunca foi visto por ninguém, logo ele poderia ler o que está bem próximo a ele. [...] Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros. Personagens diminutas cresciam, vagarosamente me penetravam a inteligência espessa. Vagarosamente. Após a leitura do trecho, descreva como o menino aprendeu a ler. Copie do texto a palavra que melhor confirma sua resposta. Ele aprende aos poucos. A palavra que confirma essa ideia é vagarosamente. 6. Qual é, em sua opinião, a personagem principal dessa história? O menino que narra a história. 7. Desde a primeira parte do texto aparecem várias personagens. Algumas delas convivem com o menino, outras fazem parte do livro que ele lê. Identifique-as, separando-as em dois grupos. As personagens que convivem com o menino são: os Mota Lima, a professora, o pai e a prima Emília. As personagens do livro que ele lê são: homem, mulher, meninos pequenos, lenhador e uma sujeita que se chamava Águeda. 81 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 81 5/7/15 10:21 AM
82 8. Reproduza com vocabulário próprio a cena que mostra o menino livre do problema que o incomodava. Resposta pessoal. Professor, para criar a resposta, o aluno poderá se basear nos dois últimos parágrafos do texto. IMPORTANTE SABER Narrar é contar uma história. Em geral, nas histórias há um narrador que relata fatos que envolvem personagens que agem e dialogam em um espaço e durante um tempo. Damos o nome de espaço ao ambiente onde os fatos acontecem. A história pode ser contada na ordem dos acontecimentos ou não, dependendo da escolha de quem a narra. Quanto ao narrador, ele pode contar a história em primeira pessoa (eu) ou na terceira pessoa (ele/ela). Se ele participa da história, ou seja, se ele também é personagem, narrará em primeira pessoa (eu); mas, se ele for apenas observador, ou estiver contando algo em que não está envolvido, narrará em terceira pessoa (ele/ela). Ao conjunto de episódios que compõem a narrativa damos o nome de enredo. As personagens das histórias podem ser reais ou imaginárias (inventadas). O que faz com que as narrativas comecem é o conflito, também chamado de situação-problema. O conflito não é a mesma coisa que uma briga ou uma discussão, mas uma situação dentro da história que gera outros fatos e que faz com que a história caminhe para uma solução. A solução também não precisa ser sempre positiva; há muitas histórias que têm um desfecho trágico ou inesperado. O desfecho é o final da história. Esses são os elementos principais de uma narrativa. Eles aparecem em muitos contos, histórias em quadrinhos, textos teatrais, lendas, fábulas, mitos, entre outros. Experimente observar como esses elementos estão presentes nesses diferentes gêneros. 9. Veja um quadro-resumo com os elementos principais da narrativa (fragmentos I e II). Copie-o em seu caderno e complete-o com as informações que estão faltando. a) Personagem principal O narrador menino que conta sua história de vida. b) outras personagens Os Mota Lima, o pai, a professora, sua mãe e filha, e Emília, a prima. c) Espaço Locais onde acontecem os fatos: escola, casa e quintal da casa. d) Tempo Infância do narrador, aos nove anos. e) Conflito ou situação-problema O menino sente-se inferiorizado e deseja aprender a ler. f) Solução Emília o ajuda depois da decepção que ele tem com o pai. Ela lhe fala sobre os astrônomos e propõe que ele tente ler sozinho. g) Desfecho O menino consegue resolver o seu problema: acaba finalmente aprendendo a ler. 82 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 82 5/7/15 10:21 AM
83 APLICANDO CONHECIMENTOS Conforme a orientação de seu professor, você e um grupo de colegas vão fazer a análise completa de uma história. Professor, a próxima atividade, além de favorecer o contato dos alunos com várias histórias, tem como objetivo a aplicação dos conteúdos estudados a respeito da estrutura da narrativa. A seleção dos textos para esse momento pode ser feita tanto pelos alunos quanto pelo professor. Caso os alunos encontrem dificuldade para fazer a seleção, oriente a pesquisa sugerindo obras que apresentem os gêneros mencionados na atividade. Escolham uma história para ler em grupo. Pode ser uma fábula, um conto, uma história em quadrinhos, uma lenda etc. Depois da leitura, identifiquem as personagens, o ambiente, a situação-problema. Verifiquem como o conflito da história foi resolvido e o que acontece no final. Para organizar essas observações, vocês poderão fazer um quadro semelhante ao que foi apresentado na atividade 9. Veja o modelo: a) Personagem principal Respostas pessoais. b) outras personagens c) Espaço d) Tempo e) Conflito ou situação-problema f) Solução g) Desfecho Por último, leiam a história para a turma e partilhem com seus colegas o quadro que fizeram. Verifique se seus colegas concordam com as informações que vocês anotaram. Confiram as respostas com o professor e aproveitem para tirar as dúvidas sobre esse assunto. Artigo Reflexão sobre o uso da língua Professor, o trabalho com a classe gramatical artigo, que vem a seguir, propõe aos alunos uma reflexão mais complexa. Seria interessante que eles fizessem em dupla as atividades 1 e 2 desta seção. Enquanto resolvem cada atividade, você pode fazer interferências nas respostas partilhadas oralmente. Primeiro, eles escrevem a resposta em dupla; depois, respondem em voz alta para confirmar as hipóteses. Dessa maneira, a construção do conceito pode ser feita e partilhada no grupo, passo a passo. Releia o trecho a seguir para responder às questões. [...] Aí recebi ordem para me sentar e abrir o volume. Obedeci, engulhando, com a vaga esperança de que uma visita me interrompesse. Ninguém nos visitou naquela noite extraordinária. 1. O narrador tinha esperança de ser interrompido por uma visita. Você acha que ele estava se referindo a qualquer visita, não importasse quem fosse, ou à visita de alguém que ele já sabia que iria chegar? Espera-se que o aluno perceba que a presença do artigo indefinido demonstra que o narrador tinha esperança de que qualquer visita interrompesse a atividade. 2. Observe a transformação ocorrida na frase. Obedeci, engulhando, com a vaga esperança de que a visita me interrompesse. Que efeito de sentido a mudança provocou na frase? O artigo a expressa a ideia de que o narrador já sabia quem iria visitá-los naquela noite. 83 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 83 5/7/15 10:21 AM
84 IMPORTANTE SABER As palavras o, a, os, as, um, uma, uns, umas, que acompanham substantivos, no singular ou plural, no masculino ou feminino, são chamadas artigos. Os artigos podem particularizar ou generalizar um ser de determinado grupo. Os artigos que particularizam são chamados definidos. São artigos definidos: o, a, os, as. Os artigos que generalizam são chamados indefinidos. São artigos indefinidos: um, uma, uns, umas. Os artigos definidos podem particularizar um ser dentro de determinado grupo ou referir-se a um ser já conhecido. Veja: A professora tinha mãe e filha. A mãe, caduca, fazia renda, batendo os bilros [...]. Neste caso, há a informação de que se trata de uma professora em particular dentre tantos professores que existem: a professora do menino. Aqui, o artigo a indica a mãe da professora, que é um ser conhecido, pois já foi mencionado anteriormente. Ora, uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama. O artigo indica uma noite qualquer entre várias noites. Aqui, o artigo refere-se a um livro que não é citado anteriormente. Os artigos variam em gênero e número, de acordo com os substantivos que eles acompanham: o livro os livros o professor a professora Saiba mais sobre esse assunto consultando o Apêndice. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Reescreva o texto no caderno, substituindo os por um artigo. Woo Sing e o espelho (uma lenda chinesa) Recontada por Mary Davis e Cheow-Leung. dia, o pai de Woo Sing chegou em casa com espelho trazido da cidade grande. Woo Sing nunca tinha visto espelho na vida. Dependuraram-no na sala enquanto ele estava brincando lá fora; quando voltou não compreendeu o que era aquilo, pensando estar na presença de outro menino. Ficou muito alegre achando que menino viera brincar com ele. Ele falou muito amigavelmente com desconhecido, mas não teve resposta. Riu e acenou para menino no vidro, que fazia mesma coisa, exatamente da mesma maneira. Então, Woo Sing pensou: Vou chegar mais perto. Pode ser que ele não esteja me escutando. Mas, quando começou a andar, o outro menino logo o imitou. 84 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 84 5/7/15 10:21 AM
85 Woo Sing estacou e ficou pensando naquele estranho comportamento. E disse para si mesmo: Esse menino está zombando de mim, faz tudo o que eu faço! E quanto mais pensava, mais zangado ficava. E logo reparou que menino estava zangado também. Isso acabou de exasperar Woo Sing! Deu tapa no menino, mas só conseguiu machucar mão e foi chorando até seu pai. Este lhe disse: menino que você viu era sua própria imagem. Isso deve ensinar a você uma importante lição, meu filho. Tente não perder cabeça com outras pessoas. Você bateu no menino no vidro e só conseguiu machucar a si mesmo. Por isso, lembre-se: na vida real, quando se agride sem motivo, mais magoado é você mesmo. Um, um, um, um, o, o, o, a, o, um, a, O, a, a, as, o. Professor, aproveite o texto da atividade e aborde valores como: julgamento precipitado, tolerância, não violência e outras questões que os alunos levantarem. 2. Observe a capa desta revista: a) Nas frases que compõem a chamada principal da capa, foram usados artigos definidos ou indefinidos? Transcreva-os em seu caderno. b) Quais substantivos foram acompanhados por esses artigos? Segredo e pais. c) Esses artigos generalizam ou particularizam os substantivos que os acompanham? Por quê? d) Você concorda com a ideia de que todos os pais atrapalham os filhos adolescentes em seu processo de crescimento? Resposta pessoal. e) Em sua opinião, o que explica a forma como essa frase foi construída? f) Se no lugar de Os pais atrapalham fosse usada a expressão Uns pais atrapalham, o sentido da chamada seria o mesmo? Explique sua resposta. g) Releia as três chamadas que aparecem na parte superior da capa. Em seu caderno, transcreva aquela em que foi usado um artigo indefinido. disponível em: < bauhistorias/woo%20sing%20e%20o%20espelho.pdf>. Acesso em: 27 jan Professor, as atividades a seguir abordam outras funções dos artigos, diferentes daquelas estudadas até aqui (a ideia é ampliar a visão dos alunos sobre os usos e as funções dessa classe gramatical). Se achar necessário, explicite esse fato aos alunos. Foram usados artigos definidos: O segredo, Os pais. 2. c) Em O segredo, o artigo particulariza o substantivo, dando a entender que se trata de um segredo determinado, que só há um. Já em Os pais, o artigo generaliza o substantivo, mostrando que todos os pais atrapalham. Segurança: Haverá um banho de sangue se a UPP acabar, afirma o secretário de Segurança do Rio, Beltrame. h) O artigo indefinido usado na chamada que você transcreveu poderia ser substituído por um artigo definido? Por quê? Não, porque o banho de sangue ao qual o texto se refere não foi definido. 3. Leia a frase a seguir: Este homem fez um grande governo. Época, São Paulo, Globo, ed. 862, 6 dez f) Não. Ocorreria alteração de sentido, pois, com a mudança do artigo definido para indefinido, a chamada passaria a expressar que apenas alguns pais atrapalham. O uso de uns, nesse caso, não estaria generalizando, mas indeterminando a quais pais o título se refere. Além disso, a frase perderia muito de seu impacto. 2. e) Resposta pessoal. Professor, comente com os alunos que o uso de frases curtas e diretas nas capas de revista tem a intenção de tornar a leitura mais rápida, além de chamar a atenção do leitor. Isso explica a construção não usual dessa frase. É importante que os alunos percebam que esse tipo de construção muitas vezes acarreta generalização. Globo a) O artigo um está se referindo a que palavra? Governo. b) A que classe gramatical ela pertence? Substantivo. 85 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 85 5/7/15 10:21 AM
86 c) Mesmo estando ao lado da palavra grande, o artigo um também se refere à palavra governo. Como é possível perceber isso? d) Nesse caso, o artigo um é usado para fazer referência a um governo qualquer ou a um governo em particular? O artigo é usado para fazer referência a um governo em particular. 4. Observe as frases a seguir: Grande é o adjetivo que caracteriza o substantivo governo ; sem a palavra grande o artigo um continua existindo, pois está relacionado ao substantivo governo. Meu pai é um grande homem. Meu pai é um homem grande. a) Qual é a diferença entre as duas frases? Na primeira, grande antecede o substantivo homem. Na segunda, grande aparece depois do substantivo homem. b) Explique se há mudança de sentido entre elas. Sim. Na primeira, grande refere-se a como o homem é considerado. Na segunda, ao seu tamanho. c) Como você organizaria as palavras a seguir para expressar que a turma de Marcos o considera um herói? Resposta: Marcos é o grande herói da turma. Professor, convide os alunos a experimentar outras organizações das palavras para verificarem que, se o artigo acompanhar a palavra herói e a palavra grande for colocada depois, o sentido da frase mudará. Estaremos falando do tamanho de Marcos e não de como a turma o considera. Veja: Marcos é o herói grande da turma. herói Marcos turma é o grande da 5. Explique no caderno, com suas palavras, o que é artigo definido e artigo indefinido. Utilize, para cada caso, uma frase que sirva de exemplo, para deixar sua explicação ainda mais clara. Resposta pessoal. Momento de ouvir Professor, este texto encontra-se no Manual. O texto que seu professor vai ler conta a história de vida de uma professora. Ela faz um relato de sua trajetória por meio de uma carta a um aluno. Vamos conhecer essa história? Prática de leitura Texto 4 Romance (fragmento) Gabriel Ternura Gabriel, Rafa e os filhos do homem que trabalhava no computador entraram para a escola. O prédio era feio, velho, sujo e malcuidado. Em nenhum lugar poder-se-ia encontrar maior desmazelo. As paredes haviam perdido a cor; o reboco, em algumas partes caído, deixava à vista os tijolos desanimados pelo peso das telhas. Os móveis jaziam sem vontade de receber as crianças. Mesmo a professora, ranzinza e doente dos pulmões, dava a impressão de total desarranjo e desinteresse pelo trabalho. Nenhum cartaz ou mural quebrava o pesado ar de decadência da escola. Apesar da aparência, eles quiseram frequentar essa escola. Logo nos primeiros instantes de participação na escola, Gabriel estranhou que a professora não conversava nem olhava para as crianças. Todas estavam quietas, mudas, sem interesse por tudo que rodeava o 86 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 86 5/7/15 10:21 AM
87 ambiente. Tampouco as crianças perguntavam alguma coisa para a professora. Ele quis saber o motivo e perguntou à mestra: As crianças não fazem perguntas nem precisam saber os porquês? Os adultos sabem por elas e seus manuais trazem tudo pronto e respondido. A elas cabe apenas a tarefa de conviver uma com a outra. Conviver?! A senhora chama isto de conviver?? Como?? Alguém aqui sabe quem é o colega do lado e o que ele faz aqui? A professora não respondeu ao comentário-pergunta de Gabriel. Não porque não queria, mas porque não sabia. Cansada pelo esforço que seu fraco pulmão fizera para responder à pergunta, nem levantou os olhos para Gabriel. Gabriel pegou a aquarela e com o pincel desenhou sobre a mesa um lindo ramalhete de margaridas que ofereceu à desconfiada professora. Ela o pegou e agradeceu. Olhou admirada e com desconfiança para aquelas flores brancas e simpaticamente bonitas. No instante seguinte, Gabriel deu vida amarela e azul ao velho prédio da escola. Pintou trepadeiras nas paredes e um abacateiro carregadinho de frutas na porta de entrada. As plantas davam novo alento ao ambiente. O ventinho leve do balanço das folhas trazia pequenas doses de satisfação à criançada ali presente. O verde da trepadeira esparramava-se nos buracos da parede cobrindo o desânimo dos tijolos. Mas faltava ainda alguma coisa. Os risos, Rafa! lembrou Gabriel. Rafa saiu um instante e voltou com os alegres companheiros do Depósito de Risos: ali estavam, para voltar aos lábios das crianças, os sorrisos, os risos, as risadas e as gargalhadas. A professora nada entendia, acostumada que era com o passar monótono e pacato dos dias. Menos ainda entendeu quando seus discípulos começaram a sorrir à boca aberta e a sala coloriu-se de um azul suave vindo do rosto de Rafa. Entusiasmada, esquecida dos pulmões doentes, gritou: Oba! Como você fez isto? Com amor, professora respondeu Gabriel. Ah! fez ela, coçando o birote dos cabelos, continuando a não entender coisa alguma. E em meio a toda aquela algazarra de alegria e colorido, Gabriel abriu o gargalo da garrafa e deixou as bocas voltarem aos seus donos. Por que você sorri azul? Quem é você? Por que eu estou sentado aqui? Como vim parar aqui? Que livro é este? Por que esta cor? Por que a professora não conversa? Quem manda? Onde? Por quê? Como? E a escola voltou a sorrir e a responder às perguntas das crianças. Isso é muito bom pensou Gabriel. É a escola que começa a responder às primeiras inquietações espirituais dos futuros homens e criar outras perguntas que a própria vida responderá. GArCiA, edson Gabriel. Gabriel Ternura. São Paulo: Loyola, Jótah 87 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 87 5/7/15 10:21 AM
88 POR DENTRO DO TEXTO Faça uma ilustração que, para você, represente as ideias principais do texto e o que você sentiu e pensou ao lê-lo. CONFRONTANDO TEXTOS 1. Compare o texto Gabriel Ternura com Na escola. a) O que há de semelhante e de diferente entre as ações das duas professoras? b) A linguagem formal predomina em qual dos textos? Como você chegou a essa conclusão? 2. De que texto você gostou mais? Por quê? Resposta pessoal. TEXTO E CONSTRUÇÃO Professor, mais adiante, haverá um estudo mais sistemático sobre o que é ideia central. Neste momento, a intenção é que o aluno manifeste sua percepção por meio de imagens. Essas imagens poderão ser retomadas no momento do estudo desse conteúdo para que eles verifiquem se de fato ilustraram a ideia principal. 1. a) A professora do texto Na escola tem uma relação mais afetiva com seus alunos e permite que estes se relacionem entre si. Entretanto, a professora do texto Gabriel Ternura não tem interesse nos problemas que afligem as crianças e não dá sequer oportunidade para elas se relacionarem. No texto Na escola há registro de linguagem coloquial, do dia a dia dos alunos, inclusive com o uso de gírias e construções frasais que contrariam a norma-padrão. O texto Gabriel Ternura está escrito em uma linguagem formal, sem o tom coloquial, sem gírias e apresenta um vocabulário bem-cuidado. 1. Releia o seguinte parágrafo, em que se apresentam as descrições da escola e da professora: O prédio era feio, velho, sujo e malcuidado. Em nenhum lugar poder-se-ia encontrar maior desmazelo. As paredes haviam perdido a cor; o reboco, em algumas partes caído, deixava à vista os tijolos desanimados pelo peso das telhas. Os móveis jaziam sem vontade de receber as crianças. Mesmo a professora, ranzinza e doente dos pulmões, dava a impressão de total desarranjo e desinteresse pelo trabalho. Nenhum cartaz ou mural quebrava o pesado ar de decadência da escola. a) No texto há, várias expressões usadas no sentido figurado. Identifique-as. Tijolos desanimados ; móveis sem vontade ; pesado ar. b) Por que podemos dizer que essas expressões estão em sentido figurado? Porque as palavras desanimados, vontade e pesado foram usadas em sentido que vai além do usual, comum, direto. c) Que efeitos de sentido essas expressões figuradas provocaram no texto? Essas expressões humanizam a escola, pejorativamente. Os seres inanimados parecem participar da história e do cenário como se fossem pessoas tristes, sem vida, desanimadas. d) A que classe gramatical pertencem as palavras feio, velho, sujo e malcuidado, usadas na primeira frase desse parágrafo? Para que servem as palavras dessa classe gramatical? São adjetivos. Os adjetivos conferem características aos substantivos. 2. Esse parágrafo foi construído para que o leitor visualizasse a escola e a professora. Que tipos de palavras mais colaboraram para que esse objetivo fosse atingido? Dê exemplos. As palavras que caracterizam ou descrevem o ambiente e as pessoas: feio, velho, sujo, malcuidado, desanimados, ranzinza, doente, pesado. O trecho do texto em destaque é predominantemente descritivo ou narrativo? Justifique sua resposta. 3. Copie o esquema a seguir em seu caderno, aumentando os espaços para escrever as informações retiradas do trecho que você releu na atividade 1. Professor, é importante explicar aos alunos que o esquema é uma maneira de mostrar a organização das ideias de um texto, a maneira como o texto foi construído, de modo que isso fique bem visível no papel. Existem muitas maneiras de esquematizar as próprias ideias ou as ideias de um texto. Podemos fazer isso por meio de quadros, listas ou por diferentes tipos de esquema. 88 Ele é descritivo, já que o objetivo é levar o leitor a imaginar o espaço e a personagem. C O M O E R A M o prédio as paredes os móveis a professora feio velho sujo malcuidado Haviam perdido a cor. Tinha algumas partes do reboco caído, com tijolos à vista. Jaziam sem vontade de receber as crianças. Era ranzinza, doente dos pulmões e dava a impressão de total desarranjo e desinteresse pelo trabalho. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 88 5/7/15 10:21 AM
89 IMPORTANTE SABER As descrições são importantes em vários gêneros de texto. Em um conto, por exemplo, por meio da descrição, o autor apresenta as características do lugar, das personagens, de tudo o que é importante para a criação do clima da narrativa: imagens, sentimentos etc. Assim ele cria expectativas, prende o leitor à história, envolvendo-o na trama. Um texto pode ser mais descritivo ou mais narrativo. O tipo de texto dependerá da intenção de seu autor. Observe o esquema da atividade anterior a respeito do texto Gabriel Ternura. Em primeiro lugar, o texto expressa uma ideia geral do ambiente (feio, velho e sujo). Em seguida, o texto começa a descrever cada parte desse mesmo ambiente a fim de que o leitor tenha uma imagem mais clara do lugar. Ele parte do mais geral (prédio) para os aspectos mais particulares (paredes, móveis). Depois descreve a personagem que está nesse ambiente, compondo o mesmo quadro de abandono do lugar. Como conclusão, retoma a ideia geral apresentada no início do parágrafo, chamando a atenção para o estado de decadência da escola. Portanto, nem sempre basta dizer que um ambiente é feio ou bonito ; ao se fazer uma descrição, é preciso dar detalhes do lugar, para que o leitor consiga imaginá-lo. E, para que você não se perca na hora de escrever, faça um plano, um pequeno esquema. Quando estiver sem ideias, escreva tudo que vier ao pensamento. Depois selecione o que você achou mais interessante. Em seguida coloque as frases em ordem e desenvolva em um parágrafo cada uma das ideias selecionadas. 4. O trecho organizado no esquema que você completou é mais descritivo ou narrativo? Explique por quê. O trecho é mais descritivo, pois apresenta dados a respeito de como eram as paredes, o prédio, os móveis e a professora. Descrição Atividade de criação A observação é uma das habilidades essenciais para se elaborar uma boa descrição. Exercite-a, fazendo a próxima tarefa. ORIENTAÇÕES Observe a imagem a seguir em todos os seus detalhes cor, ambiente, personagens e reproduza-a por meio de palavras. Enumere o máximo de características possíveis e, depois, orga nize essas características de tal maneira que qualquer leitor seja capaz de recriar a imagem na tela do pensamento. Faça uso da linguagem figurada. Lembre-se também de expressar as sensações provocadas pelos órgãos dos sentidos (visão, olfato, audição, tato e paladar). Depois, sob a orientação do professor, leia seu texto para a turma. Será interessante divulgar o que cada um priorizou na imagem. Em seguida, se você achar necessário, reescreva seu texto, e depois o entregue ao professor. Galeria Jacques Ardies/São Paulo Brincando (2007), de Barbara Rochlitz. Óleo sobre tela, 30 cm 50 cm. 89 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 89 5/7/15 10:21 AM
90 Prática de leitura Texto 5 Relato de memórias ANTES DE LER Resposta pessoal. Professor, converse com os alunos sobre relato de memórias, explique que é um depoimento pessoal sobre a vida ou determinada parte da vida de uma pessoa. Você sabe o que é um relato de memórias? Converse com seus colegas e professor para levantar algumas ideias. Agora, leia um relato de memórias do escritor e desenhista Ziraldo, conhecido pela criação de personagens famosos, como o Menino Maluquinho. Acervo pessoal O escritor e desenhista Ziraldo, criador do Menino Maluquinho. Sua presença em minha vida foi fundamental Engraçado, eu não tenho um professor inesquecível. Tenho muitos professores inesquecíveis. A primeira professora que minha memória grava não tinha carinho comigo. Botava todos os meninos branquinhos no colo, mas a mim, não. Um dia, sentei no colo dela por minha conta e ela me botou no chão. (Deve ser por isso que até hoje sou maluco por colo feminino...) Era uma escola particular, papai não tinha como pagar as mensalidades, era o patrão dele quem pagava. Vai ver, daí vinha minha falta de prestígio com a professora. Devia ter esquecido o nome dela, mas não esqueci. Ela se chamava Dulce, mas não era nada doce. Felizmente, não fiquei muito tempo nessa escola, mas, por causa dela, vim vindo pela vida curtindo uma enorme carência afetiva. Que consegui transformar em desenhos, livros, peças de teatro, logotipos, cartazes e ilustrações tudo a preços módicos. (Pelo menos no início. Agora, depois da fama, a preços mais condizentes. Com a fama...) Minha segunda professora marcante foi dona Glorinha d Ávila, mãe do poeta e escritor mineiro João Ettiene Filho. Ela era discípula de Helena Antipoff, que revolucionou o ensino básico de Minas na década de 40. Dona Helena percebeu logo que não dava pra mudar a cabeça das professoras mineiras, que tinham ainda penduradas na parede da sala de aula as assustadoras palmatórias. Então, formou 150 jovens idealistas e as espalhou por Minas Gerais, com a missão de mudar a escola por dentro. Uma dessas jovens era a dona Glorinha, que, entre outras coisas e contra a vontade das velhas professoras do Grupo Escolar e de sua rabugenta diretora, retirou a palmatória furadinha da parede de minha classe. Só mais tarde foi que percebi a luta de dona Glorinha. Que ela venceu. Descobrindo bem mais tarde que sua presença em minha vida tinha sido fundamental para que não a perdesse por aí. A vida, digo. Um domingo, fiz a primeira comunhão e não ganhei santinho. Na segunda-feira, ela mandou me chamar na secretaria. Você fez primeira comunhão ontem, não fez? Como é, meu Deus, que uma pessoa adulta, tão importante, pôde prestar atenção num menininho pardo fazendo primeira comunhão naquela catedral tão grande? (Pois minha cidadezinha tinha catedral...) Ela aí perguntou: Você ganhou um santinho de recordação? Não havia ganho, não. Aí, ela abriu a gaveta, tirou um santinho lindo e escreveu uma dedicatória onde li as palavras brilhante e futuro que, na hora, não fizeram o menor sentido para mim. Somente um pouco mais tarde descobri que ela sabia tudo da minha vida, vinha me observando no meio de centenas de alunos do velho Grupo e até já havia mandado chamar meu pai pra conversar... Engraçado, agora, remoendo essas lembranças, descubro que tive uma professora maluquinha, sim. Foi a dona Glorinha d Ávila, tão pequeninha, tão frágil, tão bonitinha... Nova Escola, São Paulo, ed. Abril, set pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 90 5/7/15 10:21 AM
91 POR DENTRO DO TEXTO 1. Como você deve ter percebido, o relato foi organizado em ordem linear, ou seja, Ziraldo relatou os fatos na mesma ordem em que aconteceram. Em seu caderno, numere os itens a seguir, que resumem o relato do escritor, ordenando-os de acordo com a sequência em que são mencionados no texto. a) O desenhista informa que ficou pouco tempo na escola em que trabalhava a professora Dulce, porém deve ao lugar uma enorme carência afetiva, que foi positivamente transformada em obras. b) Dona Glória foi responsável por tirar a palmatória furadinha da sala de aula do escritor. c) Ziraldo relata que a primeira professora de quem se lembra foi negativamente marcante. Ele achava não ter muito prestígio com ela, provavelmente porque era o patrão de seu pai quem pagava a mensalidade da escola. d) Ao remoer as lembranças, o desenhista afirma ter descoberto que Dona Glorinha foi sua professora maluquinha. e) Ziraldo conta que, na igreja, após sua primeira comunhão, ao contrário dos outros meninos, ele não recebeu um santinho como recordação. f) A segunda professora marcante na vida do escritor foi discípula de Helena Antipoff, que revolucionou o ensino básico mineiro por se opor às palmatórias. g) Em seu relato, Ziraldo diz ter descoberto que a presença de dona Glorinha em sua vida foi fundamental. h) Dona Glorinha viu o descaso com Ziraldo na igreja e, no outro dia, deu-lhe um lindo santinho com uma dedicatória. 1-c; 2-a; 3-f; 4-b; 5-g; 6-e; 7-h; 8-d. 2. Por que a primeira professora do narrador é inesquecível para ele? Porque ela deixou marcas negativas (impressões negativas) na vida dele. 3. A professora Helena Antipoff revolucionou o ensino básico de Minas na década de a) Com que objetivo ela provocou essa revolução? Helena queria mudar a forma do ensino em Minas, que ainda estava no tempo da palmatória. Professor, você poderá pedir aos alunos que façam uma pesquisa na internet sobre Helena Wladimirna Antipoff (Grodno, Ibirité, 1974), psicóloga e pedagoga russa que se fixou no Brasil em b) Como ela conseguiu atingir seu objetivo? Ela percebeu que não podia mudar nem a mentalidade nem o modo de ação dos educadores com experiência, então formou 150 jovens idealistas, que ficariam encarregadas de mudar as escolas mineiras por dentro. 4. Além dos adjetivos maluquinha, pequeninha, frágil e bonitinha apresentados por Ziraldo no último parágrafo de seu texto, podemos perceber por meio do contexto outras características de dona Glorinha. Releia o relato de Ziraldo e escreva outros dois adjetivos que possam descrever dona Glorinha. Justifique suas escolhas. Resposta pessoal. Respostas possíveis: dona Glorinha pode ser considerada uma pessoa generosa, interessada em seus alunos (dedicada) e atenta a suas necessidades (atenciosa) percebeu que Ziraldo não havia ganhado um santinho de primeira comunhão e deu um a ele. 5. Observe a frase abaixo, em que Ziraldo se refere a dona Glorinha. [...] Só mais tarde foi que percebi a luta de dona Glorinha. Que ela venceu. Descobrindo bem mais tarde que sua presença em minha vida tinha sido fundamental para que não a perdesse por aí. A vida, digo. [...] a) Por que o narrador afirma que dona Glorinha venceu? Ziraldo se refere ao fato de dona Glorinha ter sido responsável por profundas transformações na escola, especialmente à atitude da professora de ter eliminado a palmatória de sua sala de aula. b) Que atitudes dessa professora fizeram com que ela fosse fundamental na vida dele? Ter-se preocupado com ele na ocasião de sua primeira comunhão. Ela o notou na catedral, sabia que não havia ganho um santinho como todos os outros, então o presenteou com um e escreveu uma dedicatória em que profetizava as glórias do narrador. c) No trecho acima, quando o narrador diz: para que não a perdesse por aí, ele se refere à professora ou à vida? Explique sua resposta com um trecho do texto. Ele se refere à vida. No texto, após a frase, há a expressão: A vida, digo, para esclarecer que, no momento, o narrador fala da própria vida e não da vida da professora. 91 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 91 5/7/15 10:21 AM
92 6. Compare: Em que aspectos se diferenciam as professoras Dulce e Glorinha? Dulce, como o próprio narrador diz, não era nada doce. O texto relata fatos que permitem percebê-la como uma pessoa preconceituosa e pouco atenciosa com ele. Já Glorinha é descrita como uma pessoa inovadora, atenciosa, sensível e afetiva. 7. O narrador, ao contar com detalhes os fatos relacionados às professoras Dulce e Glorinha, também as descreve? Justifique sua resposta. 8. Releia outro trecho do texto: Sim, por meio da narração dos fatos, Ziraldo acaba caracterizando as professoras: a primeira não tinha carinho com ele, era preconceituosa, pois preferia os alunos branquinhos, e colocou no chão o menino pardo (Ziraldo) no momento em que ele buscou o seu colo. A segunda era mãe de um poeta, recebeu formação profissional na equipe de Helena Antipoff, deu atenção a Ziraldo e percebeu os seus talentos, o que nos permite caracterizá-la como inovadora, afetiva e sensível à realidade dos alunos. Portanto, ao narrar os fatos, o narrador revela, descreve como eram as professoras. [...] Somente um pouco mais tarde descobri que ela sabia tudo da minha vida, vinha me observando no meio de centenas de alunos do velho Grupo e até já havia mandado chamar meu pai pra conversar... Que ação da professora, além da descrita acima, confirma que ela já intuíra que o narrador teria um futuro promissor? Ter escrito as palavras futuro e brilhante no santinho que ofereceu ao menino. Essas palavras estão relacionadas ao futuro brilhante que ele veio a ter. Ao usar essas palavras, de certo modo, a professora antecipou algo que ainda ia acontecer, demonstrando acreditar em seu potencial criativo. 9. Embora o texto seja um relato das experiências escolares do narrador, a descrição das professoras Ao descrever as professoras, o narrador pôde expressar melhor o que elas representaram em sua vida. As descrições caracterizam quem foi importante. são as professoras inesquecíveis, citadas logo no início do texto. Professor, é importante dizer que o texto se estrutura dessa maneira porque não haveria sentido ele apenas dizer que teve duas professoras inesquecíveis e não continuar o relato descrevendo-as. Qual é a contribuição dos trechos descritivos ao relato? A intenção da revista Nova Escola foi a de publicar um relato em que Ziraldo revelasse se teve um professor inesquecível. O início do texto comprova isso, pois ele começa dizendo [...] eu não tenho um professor inesquecível. Tenho muitos professores inesquecíveis. 10. No texto, o narrador dá sua opinião sobre as professoras. Localize esses trechos e transcreva-os em seu caderno. Enquanto narra e descreve sua vida escolar e as professoras, o narrador vai emitindo suas opiniões. Algumas respostas possíveis são: Ela se chamava Dulce, mas não era nada doce. ; [...] por causa dela, vim vindo pela vida curtindo uma enorme carência afetiva. ; [...] descubro que tive uma professora maluquinha, sim. Foi a dona Glorinha D Ávila, tão pequeninha, tão frágil, tão bonitinha Retire do texto as palavras ou expressões que indicam que o narrador conta fatos que aconteceram no passado. Um dia, Era uma escola, papai não tinha como pagar as mensalidades, devia ter esquecido o nome dela, mas não esqueci. Professor, sugerimos localizar com os alunos os verbos que estão no passado, as expressões que indicam tempo, as palavras que fazem referência às memórias do narrador, mesmo sem ainda nomear verbos e advérbios. 12. O narrador, no desenvolvimento do texto, lança mão de um recurso de pontuação pouco frequente: colocar algumas frases entre parênteses. Observe: (Deve ser por isso que até hoje sou maluco por colo feminino...) (Pois minha cidadezinha tinha catedral...) (Pelo menos no início. Agora, depois da fama, a preços mais condizentes. Com a fama...) Em sua opinião, qual é o objetivo do narrador ao empregar esse recurso? O narrador aproveita esse expediente para se dirigir ao leitor, mostrar a ele que está presente na obra, além de dar um tom humorístico ao texto. Por tudo isso, ele interrompe o que está dizendo, faz um comentário paralelo e retoma o assunto novamente. TEXTO E CONTEXTO 1. Em sua opinião, por que as pessoas costumam produzir relatos orais ou escritos? Para contar fatos ou acontecimentos ocorridos consigo e/ou com outras pessoas. Professor, os relatos servem para colocar em destaque algum assunto ou acontecimento específico. 2. Que tipos de preconceitos podemos identificar no texto? Faça um comentário sobre isso. Preconceito racial (dona Dulce só colocava no colo os alunos branquinhos) e econômico (o narrador achava que não tinha prestígio com a professora porque seu pai não podia pagar a escola). 3. Em sua opinião, que características possui um professor que o tornam inesquecível? Por quê? Resposta pessoal. 4. Além dos conteúdos de sua área de conhecimento, o que mais um professor pode nos ensinar de importante? 92 Resposta pessoal. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 92 5/7/15 10:21 AM
93 CONFRONTANDO TEXTOS Observe a capa do livro a seguir: Melhoramentos 1. Que detalhes na figura da professora nos levam a concluir que ela era mesmo maluquinha? O chapéu, o lápis no cabelo, a piscada de olho e a língua de fora, a pose que faz imitando o imperador francês Napoleão Bonaparte. 2. O que o título do livro faz você lembrar? Resposta possível: Uma professora descontraída e alegre. O diminutivo maluquinha é carinhoso e denota simplicidade. 3. Quem é o autor do livro? Ziraldo. ZIRALDO. Uma professora muito maluquinha. 12. ed. São Paulo: Melhoramentos, No texto 5, Ziraldo faz uma alusão ao título desse livro. Identifique o trecho em que isso acontece e explique por que ele faz essa referência. O trecho é: Engraçado, agora, remoendo essas lembranças, descubro que tive uma professora maluquinha, sim. Foi a dona Glorinha d Ávila, tão pequeninha, tão frágil, tão bonitinha.... A professora Glorinha é a que se aproxima do que Ziraldo considera uma professora maluquinha: ela é diferente e inovadora. Relato de memórias Produção de texto Ziraldo fez um relato sobre seus mestres inesquecíveis. E você, de que professores se lembra até hoje? Qual foi a importância dele(s) na sua vida? Faça você também um relato de memórias. Fale sobre o momento que você vivia na escola e descreva seu professor, indicando as suas características, o seu jeito de ser e como eram as suas aulas. Além de descrevê-lo, procure também relatar uma experiência significativa com esse professor. Os relatos produzidos podem ser lidos em uma roda de leitura e, depois, reunidos em uma pasta. Uma ideia interessante é que essa pasta circule na sala dos professores no mês de outubro, em que se comemora o Dia do Professor. Um dos relatos pode ser escolhido pelos professores para ser enviado a uma revista especializada em educação. PLANEJE SEU TEXTO Copie no caderno os itens do quadro e responda a cada um deles como modo de planejamento. Amplie o número de itens se precisar. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto. 93 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 93 5/7/15 10:21 AM
94 Para escrever o relato de memórias 1. Qual é o público leitor do texto? 2. Que linguagem vou empregar? Colegas de turma, professores, leitores de revista (caso o texto seja enviado a uma revista especializada e publicado). A linguagem empregada pode tender à informalidade. Professor, oriente os alunos a empregar a linguagem de acordo com os propósitos comunicativos do texto, lembrando que o público leitor não é apenas o adolescente. 3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? Organização em parágrafos. 4. Onde o texto vai circular? Roda de leitura, sala dos professores e, se for enviado e publicado, em uma revista especializada em educação. ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO 1. Ao elaborar seu texto, você vai escrever de acordo com as características do gênero que vai produzir. Nesse caso, você produzirá um relato de memórias. 2. É importante fazer sempre um planejamento, ou seja, organizar as ideias no papel. Da mesma forma que um engenheiro precisa de uma planta para construir um prédio, você precisa de um plano de trabalho para construir o próprio texto. Assim, anote em uma folha os fatos que achar importante relatar. Decida em que ordem pretende contá-los. 3. Verifique que elementos precisam de uma descrição mais detalhada para que o leitor possa compreender o que você quer transmitir. Às vezes, são as personagens que participam da narrativa, outras são os espaços que precisam ser destacados, como a escola, como vimos no texto Gabriel Ternura. Também podem ser situações interessantes: comoventes, inusitadas, engraçadas etc. 4. Escreva o texto em primeira pessoa (eu). Procure expressar seus sentimentos e suas opiniões em relação ao que relata. 5. Observe se está localizando os fatos no tempo e no espaço, quando isso for importante. AVALIAÇÃO E REESCRITA 1. Vá fazendo uma avaliação do texto no decorrer de sua produção e confira: a) Seu texto está sendo produzido com base nos itens do quadro de planejamento? Foi escrito em primeira pessoa? b) A ordem em que os fatos estão sendo apresentados, no tempo e no espaço, torna-o um texto coerente? c) Verifique se detalhou alguns fatos ou pessoas que merecem destaque no relato. d) Há algum fato importante que você tenha esquecido de relatar? Caso isso tenha ocorrido, faça mudanças no texto que possibilitem essa inclusão. 2. Não se esqueça: o seu texto tem o objetivo de comunicar algo. Verifique se está conseguindo cumprir o que planejou. 3. Faça uma revisão ortográfica usando o dicionário para conferir a grafia das palavras. 4. Orientado pelo professor, verifique se organizou o texto em parágrafos, revise a pontuação. 5. Depois, passe a limpo a sua produção, leia-a e divulgue-a, conforme o meio de circulação combinado com o professor. 94 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 94 5/7/15 10:21 AM
95 Prática de leitura Texto 6 Romance (fragmento) No próximo texto, a personagem fala sobre certa bolsa amarela e conta com detalhes como ela era. Vamos ler o texto? Era amarela. Achei isso genial: pra mim o amarelo é a cor mais bonita que existe. Mas não era um amarelo sempre igual: às vezes era forte, mas depois ficava fraco: não sei se porque ele já tinha desbotado um pouco ou porque já nasceu assim mesmo, resolvendo que ser sempre igual é muito chato. Ela era grande: tinha até mais tamanho de sacola do que de bolsa. Mas vai ver ela era que nem eu: achava que ser pequena não dá pé. A bolsa não era sozinha: tinha uma alça também. Foi só pendurar a alça no ombro que a bolsa arrastou no chão. Resolveu o problema. E ficou com mais bossa também. Não sei o nome da fazenda que fez a bolsa amarela. Mas Veja como a narradora descreve, ou seja, diz como era a fazenda, o tecido da bolsa amarela... Neste trecho há uma descrição da bolsa. A bolsa por fora era uma fazenda grossa, e se a gente passava a mão arranhava um pouco. Olhei bem de perto e vi os fios da fazenda passando um por cima do outro: mas direitinho; sem fazer bagunça nem nada. Achei legal. Mas o que eu achei mais legal foi ver que a fazenda esticava: vai dar pra guardar um bocado de coisa aí dentro. A bolsa por dentro Abri devagarinho. Com um medo danado de ser tudo vazio. Espiei. Nem acreditei. Espiei melhor. Mas que curtição! berrei. E ainda bem que só berrei pensando: ninguém encostou nem olhou. Aqui a narradora conta sobre a sua descoberta dos bolsos e também o que fez quando viu o zíper. Ela está contando, narrando a história. amargo e tão comprido que eu fiquei pensando o que é que eu podia guardar ali dentro (um guarda-chuva? um martelo? um cabide de pé?). No outro lado tinha um bolso pequeno, feito de fazenda franzidinha, que esticou todo quando eu botei a mão dentro dele; botei duas mãos, esticou ainda mais: era um bolso com mania de sanfona. Como eu ia dar coisa pra ele guardar! E por último tinha um bem pequenininho, que eu logo achei que era o bebê da bolsa. Comecei a pensar em tudo o que eu ia esconder na bolsa amarela. Puxa vida, tava até parecendo o quintal da minha casa, com tanto esconderijo bom, que fecha, que estica, que é pequeno, que é grande. E tinha uma vantagem: a bolsa eu podia levar sempre a tiracolo, o quintal não. A bolsa tinha sete filhos! Eu sempre achei que bolso de bolsa é filho da bolsa. E os sete moravam assim: Em cima, um grandão de cada lado, os dois com zíper: abri-fechei, abri-fechei, abri-fechei, os dois funcionando que só vendo. Logo embaixo tinha mais dois bolsos menores que fechavam com botão. Num dos lados tinha um outro tão Jótah 95 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 95 5/7/15 10:21 AM
96 O fecho A bolsa amarela não tinha fecho. Já pensou? Resolvi que naquele dia mesmo eu ia arranjar um fecho pra ela. Peguei um dinheiro que eu vinha economizando e fui numa casa que conserta e reforma bolsas. Falei que queria um fecho e o vendedor me mostrou um, dizendo que era o melhor que ele tinha. Custava muito caro, meu dinheiro não dava. E aquele? apontei. Era um fecho meio pobre, mas brilhando que só vendo. O homem fez cara de pouco caso, disse que não era bom. Experimentei. Mas ele abre e fecha bem. Observe a narradora argumentando, dando sua opinião. O homem disse que o fecho era muito barato: ia enguiçar. Vibrei! Era isso mesmo que eu estava querendo: um fecho com vontade de enguiçar. Pedi pro vendedor atender outro freguês enquanto eu pensava um pouco. Virei pro fecho e passei uma cantada nele: Escuta aqui, fecho, eu quero guardar umas coisas bem guardadas aqui dentro dessa bolsa. Mas você sabe como é que é, não é? Às vezes vão abrindo a bolsa da gente assim sem mais nem menos; se isso acontecer, você precisa enguiçar, viu? Você enguiça quando eu pensar enguiça!, enguiça? O fecho ficou olhando pra minha cara. Não disse que sim nem que não. Eu vi que ele tava querendo uma coisa em troca. Olha, eu já vi que você tem mania de brilhar. Se você enguiçar na hora que precisa, eu prometo viver polindo você pra te deixar com essa pinta de espelho. Certo? O fecho falou um clique bem baixinho com todo o jeito de certo. Chamei o vendedor e pedi pra ele botar o fecho na bolsa. Cheguei em casa e arrumei tudo o que eu queria na bolsa amarela. Peguei os nomes que eu vinha juntando e botei no bolso sanfona. O bolso comprido eu deixei vazio, esperando uma coisa bem magra pra esconder lá dentro. No bolso bebê eu guardei um alfinete de fralda que eu tinha achado na rua, e no bolso de botão escondi os retratos do quintal da minha casa, uns desenhos que eu tinha feito, e umas coisas que eu andava pensando. Abri um zíper; escondi fundo minha vontade de escrever; fechei. No outro fundo de botão espremi a vontade de ter nascido garoto (ela andava muito grande, foi um custo pro botão fechar). Pronto! A arrumação tinha ficado legal. Minhas vontades tavam presas na bolsa amarela, ninguém mais ia ver a cara delas. BoJunGA, Lygia. A bolsa amarela. rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, POR DENTRO DO TEXTO 1. Qual é o assunto sobre o qual a narradora fala na primeira parte do texto? A narradora fala sobre como era a bolsa amarela por fora. 2. Quantos parágrafos existem nessa primeira parte? Quatro parágrafos. 3. Como você justificaria a divisão dos parágrafos do texto? Resposta possível: Os parágrafos estão divididos para organizar melhor as ideias do texto. Cada parágrafo corresponde a um assunto diferente. Professor, esse texto oferece a oportunidade de visualização dos tópicos de cada parágrafo. É interessante chamar a atenção do aluno para essa informação e retomar com eles o conceito de parágrafo. 4. Identifique o assunto tratado em cada parágrafo dessa parte. 1 a parte A bolsa por fora. Parágrafo 1: a cor da bolsa. Parágrafo 2: o tamanho da bolsa amarela. Parágrafo 3: a alça da bolsa. Parágrafo 4: sobre o tecido (fazenda com que a bolsa é confeccionada). 5. Estudando a organização em parágrafos, você já pôde notar como esse texto se organiza na página e por que isso acontece. Que tal agora estudar qual é o papel da narração, da descrição e da argumentação dentro dele? Sente-se com um colega para fazer essa atividade. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 96 5/7/15 10:21 AM
97 Leiam nos quadros ao lado do texto a indicação dos três tipos textuais presentes no trecho que você leu: a narração, a descrição e a argumentação. Depois, conversem e anotem as dúvidas a respeito do que vocês não compreenderam. Conforme a orientação do professor, partilhem suas conclusões com os colegas. 6. Considere que o texto de Lygia Bojunga é parte de uma história. Procure nele os trechos que exemplifiquem os três tipos textuais. a) narração (alguém contando a história); b) descrição (como era a bolsa?); c) argumentação (a opinião da personagem, a defesa de uma ideia). O homem disse que o fecho era muito barato: ia enguiçar. Professor, essas são apenas respostas possíveis; o aluno poderá escolher outras que encontrar. 7. Você já tinha percebido que, em um mesmo texto, é possível narrar, descrever e dar opinião? Comente sua resposta. Reflexão sobre o uso da língua A bolsa amarela não tinha fecho. Já pensou? Resolvi que naquele dia mesmo eu ia arranjar um fecho pra ela. Peguei um dinheiro que eu vinha economizando e fui numa casa que conserta e reforma bolsas. Logo embaixo tinha mais dois bolsos menores que fechavam com botão. Num dos lados tinha um outro tão amargo e tão comprido que eu fiquei pensando o que é que eu podia guardar ali dentro (um guarda-chuva? um martelo? um cabide de pé?). No outro lado tinha um bolso pequeno, feito de fazenda franzidinha, que esticou todo quando eu botei a mão dentro dele; botei duas mãos, esticou ainda mais: era um bolso com mania de sanfona. Resposta pessoal. Professor, seria interessante voltar à crônica Na escola e mostrar aos alunos que o texto apresenta os três tipos textuais (modos do discurso, tramas textuais). Caso julgue importante, retome com eles um dos poemas da unidade anterior para mostrar como esses tipos textuais podem aparecer em um mesmo texto. Essas estratégias podem facilitar a produção de texto dos alunos, em diferentes gêneros, inclusive com a utilização dos diferentes tipos textuais. numeral 1. Releia o próximo trecho, retirado do texto de Lygia Bojunga: A bolsa tinha sete filhos! Eu sempre achei que bolso de bolsa é filho da bolsa. E os sete moravam assim: Em cima, um grandão de cada lado, os dois com zíper: abri-fechei, abri-fechei, abri-fechei, os dois funcionando que só vendo. Logo embaixo tinha mais dois bolsos menores que fechavam com botão. [...] a) Copie em seu caderno as palavras do trecho acima que indicam as seguintes quantidades: quantos filhos (bolsos) a bolsa tinha; Sete. quantos bolsos com zíper havia; Dois. quantos bolsos menores com botão ficavam logo embaixo. Dois. b) No texto, essas palavras apresentam que informação sobre a bolsa amarela? Elas servem para indicar a quantidade de bolsos que havia na bolsa amarela. 2. As palavras que você usou como resposta ao item a da atividade anterior acrescentam detalhes importantes à bolsa? Por quê? 3. Releia estas frases retiradas do relato de Ziraldo: Sim, porque esse trecho do texto focaliza os bolsos e sua utilidade para o narrador guardar suas vontades; a cada bolso, de acordo com sua característica, coube um desejo. [...] A primeira professora que minha memória grava não tinha carinho comigo. [...] Minha segunda professora marcante foi dona Glorinha d Ávila, mãe do poeta e escritor mineiro João Ettiene Filho. As palavras destacadas indicam o quê? A ordem em que as professoras apareceram na vida de Ziraldo. 97 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 97 5/7/15 10:21 AM
98 4. Ao estudar matemática, você já deve ter se deparado com situações-problema parecidas com a apresentada a seguir: Paula ganha o triplo do que ganha Janete. Carlos, no entanto, ganha o dobro de Paula. Quanto ganha Carlos em relação a Janete? Superinteressante, São Paulo, ed. Abril, out a) Que palavras do problema de matemática indicam multiplicação? As palavras triplo e dobro. b) Responda à questão proposta no problema. Carlos ganha seis vezes mais que Janete. IMPORTANTE SABER As palavras que indicam número pertencem à classe gramatical dos numerais. Ao indicar quantidade, são chamadas de numerais cardinais. Por exemplo: A bolsa tinha sete filhos. Há casos em que o numeral indica ordem. São os numerais ordinais. Veja um exemplo: Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso. Os numerais também podem indicar multiplicação. São chamados numerais multiplicativos. Exemplo: Paula ganha o triplo do que ganha Janete. E fração, quando indicam parte de um todo. São os numerais fracionários: Paula ganha metade do que ganha Carlos. Janete ganha um terço do que Paula ganha. Portanto, os numerais podem ser cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários. Saiba mais sobre esse assunto consultando o Apêndice. 5. Observe as palavras em destaque ao ler as próximas frases. Frase I No bolso bebê eu guardei um alfinete de fralda que eu tinha achado na rua [...] Frase II A bolsa tinha apenas um zíper. Em qual das duas frases a palavra um indica quantidade? Como você chegou a essa conclusão? A palavra um indica quantidade na frase II. A palavra apenas, que aparece na frase II, oferece a pista de que a narradora está quantificando. Professor, é importante explicar aos alunos que, na primeira frase, a palavra um está determinando uma espécie de objeto. IMPORTANTE SABER A palavra um nem sempre é um artigo indefinido. Essa palavra também pode ser um numeral quando servir para indicar quantidade, como vimos na frase II. 98 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 98 5/7/15 10:21 AM
99 6. Releia estes trechos retirados do relato de Ziraldo: Ela era discípula de Helena Antipoff, que revolucionou o ensino básico de Minas na década de 40. Na segunda-feira, ela mandou me chamar na secretaria. Você fez primeira comunhão ontem, não fez? a) A que o narrador se refere quando usa a expressão década de 40? Aos dez anos que correspondem ao período de 1940 a b) Transcreva do segundo trecho as palavras que indicam posição em uma sequência. Primeira e segunda. c) Como se classifica o numeral encontrado no segundo trecho? Numeral ordinal. APLICANDO CONHECIMENTOS Sente-se com um colega para resolver as próximas atividades. Depois de realizá-las, troque o caderno com um colega de outra dupla e verifique se as respostas dele são parecidas com as suas; pegue de volta o seu caderno. Depois da comparação, reveja com seu colega de dupla a atividade, faça as modificações que julgarem necessárias e confira as respostas com o professor. 1. Observe a folha de cheque a seguir, verificando para que servem os numerais e as informações que aparecem nele. Editoria de Arte Em seu caderno, elabore uma folha de cheque tomando como modelo a da figura. Crie nome e endereço para o banco e os números que aparecem no alto do cheque. Mas você tem alguns desafios para cumprir: a) O número do cheque deve corresponder (seguindo a ordem) ao número seguinte daquele apresentado na folha-modelo. b) O CPF deve conter a mesma quantidade de números. c) O cheque deve ser preenchido com o dobro do valor indicado na folha-modelo. 99 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 99 5/7/15 10:21 AM
100 d) A data deve ser o décimo dia do segundo mês do ano 13 do século XXI. e) Os números da agência e da conta devem ser menores do que os apresentados na folha-modelo. f) Desenhe a parte do canhoto e preencha-o. Professor, é interessante chamar a atenção dos alunos para o algarismo romano que aparece no item d, perguntando a eles em que situações costumamos encontrá-lo. Há mais informações sobre os algarismos romanos e outros tipos de numerais no Apêndice. 2. Você ainda não pode usar cheques, mas se tivesse de preencher algumas folhas deles, como escreveria por extenso os próximos valores? Faça essa atividade em seu caderno. R$ 100,10 R$ 314,65 R$ 1.650,25 R$ 99,19 Cem reais e dez centavos. Trezentos e catorze reais e sessenta e cinco centavos. Mil seiscentos e cinquenta reais e vinte e cinco centavos. Noventa e nove reais e dezenove centavos. 3. Observe os gráficos a seguir, publicados três anos antes dos gráficos que você leu anteriormente, na seção Para começo de conversa, e que também divulgam dados sobre o nível dos alunos brasileiros nas habilidades de leitura, escrita e matemática. Arte/Estadão Conteúdo Professor, procure contextualizar os dados apresentados nos gráficos lidos, mobilizando conhecimentos históricos e geográficos que permitam explicar os resultados e seus impactos do ponto de vista político, econômico, social etc. MANDELLI, Mariana. Avaliação mostra que metade dos alunos de 8 anos não aprende o mínimo. O Estado de S. Paulo, 26 ago Disponível em: < -que-metade-dos-alunos-de-8-anos-nao-aprende-o-minimo,763848,0.htm>. Acesso em: 12 jan a) O que os números nas bases dos gráficos indicam em relação aos alunos de 3 o ano? Indicam a porcentagem de alunos que aprendeu o esperado para o 3 o ano. b) Qual região apresenta maiores problemas relacionados à leitura e à escrita? A Região Nordeste. c) Qual região apresenta maiores dificuldades em relação à matemática? A Região Norte. Professor, proponha aos alunos que façam uma pesquisa sobre possíveis mudanças nesse quadro geral e que avaliem que ações têm sido tomadas de modo mais particular, pelas escolas, para alterar as situações dessas regiões. d) Compare os dados dos gráficos lidos com os apresentados anteriormente, na seção Para começo de conversa, e responda: Houve mudanças significativas nos dados apresentados? Explique. Espera-se que o aluno observe que os estados do Norte e do Nordeste continuam com resultados inferiores em relação aos demais estados do país. 100 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 100 5/7/15 10:21 AM
101 4. Você observou quantos textos deste capítulo trazem numerais? Releia o final da crônica Na escola e continue refletindo sobre o papel que essa classe de palavras pode ter em um texto. Respeita, não respeita, a discussão esquentou, Dona Amarílis pedia ordem, ordem, assim não é possível, mas os grupos se haviam extremado, falavam todos ao mesmo tempo, ninguém se fazia ouvir, pelo que, com quatro votos a favor de calça comprida, dois contra, e um tanto-faz, e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar, a professora achou prudente declarar encerrado o plebiscito, e passou à lição de História do Brasil. a) Quando Dona Amarílis pede Ordem, ordem!, está se referindo à falta de organização dos alunos para falar. Que tipo de ordem poderia ser sugerida para o plebiscito? Falar um aluno de cada vez. b) Que numerais poderiam servir para que a professora indicasse quem deveria começar a falar e quem continuaria na sequência? Resposta possível: o primeiro que vai falar é X. O segundo é Y, e assim por diante. c) Que numerais serviram para indicar o resultado da votação do plebiscito? De que tipo eles são? Os numerais cardinais quatro, dois e um, no trecho: [...] com quatro votos a favor de calça comprida, dois contra, e um tanto-faz, e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar, a professora achou prudente declarar encerrado o plebiscito [...]. APRENDER BRINCANDO Forme dupla com um colega e leiam o problema ao lado. Agora, em seu caderno, copie do texto os seguintes numerais: Ed. Abril a) Dois numerais cardinais. Quatro, três. b) Um numeral multiplica tivo. Dobro. Superinteressante, São Paulo, Ed. Abril, ano 12, n. 8, ago Depois de localizar e transcrever os numerais, tente resolver o problema com seu colega de turma. Em seguida, confira o resultado com o professor. Professor, a resposta está no Manual. Leia mais Neste capítulo, você leu um texto da autora Lygia Bojunga. Trata-se de uma autora renomada, com trabalho reconhecido no Brasil e no exterior. É uma escritora que se destaca pela singularidade com que usa a palavra e encanta o leitor. Pesquise outros livros dessa autora. Vale a pena ler mais obras dela. O mesmo vale para a obra de Ziraldo e, no contexto da temática do capítulo, experimente conhecer mais sobre a Professora Maluquinha, uma das personagens criada por esse cartunista cheio de ideias. Por fim, se você gostou de ler relatos de memória, procure ler biografias e autobiografias. Há muitas, sobre pessoas que fizeram a diferença no mundo da ciência, da educação, na área de direitos humanos, no mundo das artes. Converse com seus colegas sobre as leituras que eles estão fazendo para obter mais informações de livros e textos interessantes. 101 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 101 5/7/15 10:21 AM
102 Preparando-se para o próximo capítulo Você gosta de ver fotografias? Então, divirta-se e emocione-se com a próxima tarefa. Escolha, dentre os álbuns de fotografias de sua família, duas fotos que retratem um encontro familiar (aniversários, casamentos etc.). Escolha uma foto bem antiga (antes do seu nascimento) e outra mais atual, em que você esteja presente. Pergunte a seus pais ou avós a respeito das fotos, principalmente sobre a mais antiga. Peça-lhes também para contar a história dessas fotos e anote o relato em seu caderno, colocando como título Álbum de família. Aproveite a oportunidade para ouvir histórias vividas por sua família. Faça perguntas a eles sobre o ano de nascimento deles e sobre o lugar onde nasceram, como foi a infância deles, como e quando seus pais ou avós se conheceram. Peça-lhes que contem um fato marcante na vida deles e um grande sonho que ainda gostariam de realizar. Coloque toda a sua curiosidade em ação... e divirta-se com as histórias familiares! Acervo Jussara B. Erter/Arquivo Público-ES Acervo pessoal de Olívio Jekupé Jordi C/Shutterstock Escritor indígena Olívio Jekupé e família, Aldeia Krukutu, Parelheiros, São Paulo, Família nigeriana posando para foto usando suas roupas tradicionais. Ondo, Nigéria, Família de imigrantes italianos no Espírito Santo, pnld2017_miolo_tl_p3_u02c01.indd 102 5/7/15 10:21 AM
103 capítulo 2nossos relacionamentos Professor, neste capítulo, abordamos o tema dos relacionamentos interpessoais, que abrange as relações familiares, de amizade e amorosas. Antes de iniciar este capítulo, peça aos alunos que tragam as fotos solicitadas no final do Capítulo 1 desta unidade. Se o aluno não possuir fotos antigas ou não conviver com os pais, peça que traga alguma foto das pessoas que considera próximas. Para começo de conversa Imagens: Shutterstock Júlio Brasília Célio Ana Paula Edmundo Edna 1. Com quem você mora? Quem são as pessoas que você considera como parte de sua família? Resposta pessoal. 2. Em seu caderno, descreva um de seus familiares ou uma das pessoas que cuidam de você. Podem ser seus pais ou avós, se você os conhece e convive com eles, ou outras pessoas que considera próximas. Resposta pessoal. Professor, caso o aluno não tenha conhecido os pais ou não conviva com um deles ou com ambos, sugerimos pedir-lhe que descreva o adulto que ele considera mais próximo. 3. Observando a imagem, é possível saber quem são os avós maternos e paternos de Vítor? Como você percebeu isso? Sim, pois suas fotos e nomes aparecem em uma posição que nos permite relacioná-los ao pai (lado esquerdo) e à mãe (lado direito). 4. Quem são os avós maternos e paternos da criança? Os maternos são Célio e Ana Paula e os paternos, Júlio e Brasília. 5. É possível afirmar que esse texto estabelece uma relação entre o passado e o presente? Explique. Sim, pois ele retrata pessoas da mesma família de gerações diferentes. 6. Alguém já lhe falou sobre os costumes das famílias de antigamente? Conte o que você sabe sobre isso. Resposta pessoal. Vítor 7. Você acha que os hábitos das famílias mudam com o tempo? Por quê? Resposta pessoal. 8. Você sabe qual é o significado da palavra genealogia? Pesquise o significado dessa palavra e depois escreva o que entendeu por árvore genealógica. Genealogia é o estudo de ascendência e de relações familiares. É também o estudo das origens e da evolução. (Dicionário escolar, Domingos P. Cegalla). Professor, caso julgue interessante, sugerimos solicitar aos alunos que façam a sua árvore genealógica. 103 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 103 5/7/15 9:25 AM
104 Prática de leitura texto 1 charge O próximo texto que você lerá é uma charge do cartunista Ivan Cabral. Charge é um desenho humorístico, com ou sem legenda ou balão, geralmente veiculado pela imprensa e tendo por tema algum acontecimento atual, que comporta crítica e focaliza, por meio de caricaturas, uma ou mais personagens envolvidas (Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001). Ivan Cabral Ivan Cabral, 1 jun Agora, com um colega de turma, conversem sobre as próximas questões e anotem as respostas no caderno. Depois que fizerem isso, partilhem com a turma as conclusões a que chegaram. Professor, é importante que a partilha das respostas seja oral e dirigida. Algumas atividades desta obra têm esse tipo de sugestão para que todos os alunos possam efetivamente participar da reflexão e da partilha de conhecimentos. Se a atividade tiver apenas o momento coletivo, é possível que alguns alunos mais calados deixem de participar. Desse modo, sugerimos esse encaminhamento didático. POR DENTRO DO TEXTO 1. Descreva o que você vê na charge, considerando as seguintes questões: a) Quantas pessoas aparecem na imagem? Dez pessoas. b) O que elas estão fazendo? Estão descansando em uma rede. c) Que tipo de relacionamento essas pessoas parecem ter? Parecem ser pais e filhos. d) Em que lugar se encontram? Descreva-o. Provavelmente na casa em que moram ( aqui em casa ). A rede contém remendos e um furo; a parede está rachada e parece ter a pintura descascada em alguns lugares. 2. Converse com seus colegas e com seu professor sobre os dois diferentes sentidos do termo rede social em que nos faz pensar a charge. 104 Professor, converse com os alunos sobre a ironia da charge, que brinca com o duplo sentido de rede social : meio de comunicação entre usuários da internet e uma rede física, de tecido, que é dividida pelos diversos membros de uma família o social do termo. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 104 5/7/15 9:25 AM
105 CONFRONTANDO TEXTOS 1. Observe esta foto: Arquivo da família Ordoñez, São Paulo Fotografia do álbum da família Ordoñez, São Paulo, a) Quais são as diferenças que se pode perceber entre a família retratada na charge e na fotografia? A família retratada na charge parece ser contemporânea, enquanto a família da fotografia é antiga. A família da charge parece ser pobre e a família da fotografia, não. Na charge, os pais e mais oito filhos dividem uma única rede, toda remendada. A família da foto, por outro lado, parece usar roupas de uma classe social mais rica, embora não se possa afirmar isso com certeza. b) Quanto ao número de filhos, há alguma diferença entre os casais representados? Explique. Sim. O casal da charge tem oito filhos na rede, enquanto o casal da fotografia está acompanhado de quatro crianças. 2. Leia com atenção as informações da notícia a seguir: 18/09/ h00 Atualizado em 18/09/ h08 Idosos já são 13% da população e país tem menos crianças, diz Pnad A pesquisa de 2013 mostra tendência de envelhecimento da população. Mulheres chegam a 51,5% da população e são maioria entre mais velhos Do G1, em São Paulo A população brasileira, estimada em 201,5 milhões de pessoas, está vendo diminuir o número de crianças e aumentar o de idosos. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013, que foi divulgada nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra a tendência de envelhecimento do país. 105 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 105 5/7/15 9:25 AM
106 Gabo Morales/Folhapress Casal de idosos dança em baile da terceira idade no Instituto da Melhor Idade Estação Vida. Parque da Água Branca, São Paulo, O estudo do IBGE investiga dados sobre população, migração, educação, trabalho, famílias, domicílios e rendimento. Foram ouvidas pessoas em municípios. Uma das comparações foi feita no espaço de 12 anos: a proporção de crianças de 0 a 9 anos caiu de 18,7% do total de habitantes, em 2001, para 13,9% em Essa faixa etária somou 28,3 milhões de brasileiros no ano passado. Também caiu a proporção de crianças e adolescentes de 10 a 19 anos de idade, também na comparação entre 2001 e 2013: desceu de 15,9% para 13,4% do total dos brasileiros. O número de pessoas no Brasil acima de 60 anos (definição de idosos dentro da pesquisa) continua crescendo: de 12,6% da população, em 2012, passou para 13% no ano passado. Já são 26,1 milhões de idosos no país. E aumentou a população dos que tem mais de 40 anos: esta faixa registrou na pesquisa 75,7 milhões de pessoas contra as 62,3 milhões de crianças e adolescentes (faixa de 0 a 19 anos). A região com mais idosos ainda é a Sul, onde eles chegaram a 14,4% do total. O Norte tem menos, com 8,8% de idosos. Disponível em: < idosos-ja-sao-13-da-populacao-e-pais-tem-menos-criancas-diz-pnad.html>. Acesso em: 17 jan a) Qual é a principal informação trazida por essa notícia? Que o número de crianças e de adolescentes brasileiros está diminuindo e o de idosos, aumentando. b) Quais podem ser as causas para os dados apresentados na notícia? E as consequências? A diminuição das taxas de natalidade e o aumento na expectativa de vida que vêm sendo observados no Brasil há algum tempo. Entre as consequências, estão o surgimento de um novo quadro social e, de forma mais geral, a diminuição da população mundial. c) Considerando a leitura da notícia e sua resposta ao item anterior, por que a família representada na foto da seção Confrontando textos não pode ser considerada moderna? Porque a família da foto tem várias crianças, dois adultos e nenhum idoso. Considerando-se a notícia, é possível observar que esse não é mais o perfil das famílias brasileiras, já que a população do país é composta, em sua maioria, por pessoas acima de 40 anos. d) A família representada na charge lida no início da seção Prática de leitura parece moderna ou antiga? O que o levou a essa conclusão? e) A família representada na charge está de acordo com os dados divulgados na notícia? Por quê? 3. E você, tem irmãos? Quantos? É uma família moderna. Isso pode ser percebido pelas roupas e pelo uso da expressão redes sociais, comum nos tempos atuais. Não está de acordo. Apesar de ser moderna, a família representada na charge tem muitos filhos. Ao contrário, os dados divulgados na notícia mostram que o número de crianças brasileiras está diminuindo, o que indica que as famílias estão tendo menos filhos. Resposta pessoal. 4. Compare a foto da página anterior com um dos retratos de sua família. Indique as semelhanças e Resposta pessoal. Professor, esse é o momento em que os alunos poderão falar das fotos que trouxeram. É importante as diferenças entre eles. 106 propiciar um ambiente favorável a essa partilha. 2. b) Professor, a mudança do quadro populacional brasileiro cria a necessidade de compreensão do processo de envelhecimento e de estímulo ao respeito e à valorização do idoso. Chame a atenção dos alunos para o fato de que nosso país tem um conjunto de leis específico para assegurar os direitos dos idosos, o chamado Estatuto do Idoso, em vigor desde 1 o de janeiro de pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 106 5/7/15 9:25 AM
107 Prática de leitura texto 2 letra de canção ANTES DE LER 2. Respostas pessoais. Sim, é possível afirmar que a letra de canção se estrutura em forma de diálogo, pois há dois interlocutores conversando, um se dirigindo ao outro. No trecho apresentado, uma pista é o uso de travessão no início de cada fala. No restante da letra, pai e filho utilizam diferentes vocativos para dirigirem-se um ao outro: E aí, pai, beleza? ; Beleza, filho. 1. Leia os versos a seguir, que foram retirados de uma letra de canção: É! Tu sabe que a vida não tá mole pra toda família, que segue firme e forte na correria. Me lembro! É só olhar pra trás. Mas pra vida melhorar, como é que faz? Não fico parado, esperando a ajuda da Unesco. Na minha vida ando pra frente, sempre em passo gigantesco. a) Que relação esses versos têm com o assunto que estamos discutindo neste capítulo? Os versos tematizam a família, que é o assunto dos textos analisados até o momento. Professor, como já foi mencionado, a charge, a foto e o gráfico do primeiro capítulo são considerados textos. b) Há alguma informação neles que se relaciona com a vida da sua família? Resposta pessoal. c) O eu poético emite uma opinião sobre a vida em família. Transcreva o verso que comprova essa afirmação. É! Tu sabe que a vida não tá mole pra toda família, que segue firme e forte na correria. 2. Pelo trecho que você leu, é possível afirmar que essa letra de canção tem a estrutura de um diálogo? O trecho apresenta alguma pista para que você perceba isso? Se sim, explique. Como você já deve ter percebido, essa letra de canção é diferente. Ela pertence a um gênero chamado rap. Esse estilo musical usa uma batida sobre a qual o rapper cria seus versos, misturando partes faladas e cantadas. Leia todo o texto a seguir, para fazer outras descobertas. Loadeando E aí, pai, beleza? Beleza, filho. E tu? Tudo certo? Certo. E você? À procura da batida perfeita? Sempre, rapaz. E aí? Como é que tá o colégio? Ah! O colégio tá bem! Eu que... você sabe como é que é, né? O jogo começou, aperta o start, na vida você ganha, cê perde, meu filho. Faz parte. Ih! É ruim, eu não gosto de perder. Nem me lembro há quanto tempo que eu não perco pra você. Calma, filho, cê ainda tem que crescer. O jogo apenas começou e cê tem muito pra aprender. É! Eu sei. Tava só zoando. Você que loadeou e eu tô jogando. Álvaro Riveros/Folhapress Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho. Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. (BIS) Marcelo D2 e seu filho Stephan Peixoto durante festa no Posto 6, Copacabana, Rio de Janeiro, pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 107 5/7/15 9:25 AM
108 Se o papo for futebol? Ah! Isso é comigo. E se o assunto é Playstation? Tudo bem, contigo. A evolução aqui é de pai pra filho. A família é Peixoto e representa o Rio. Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. Mas aquele passeio à Disney, quando a gente vai, hein? Ih! Sabia. Tava demorando. Deixa o dólar dá uma baixada e nós vamos, certo? Ih! Beleza. A comida tá na mesa. Mas pro dólar dá uma baixada é uma tristeza. É! Tu sabe que a vida não tá mole pra toda família, que segue firme e forte na correria. Me lembro! É só olhar pra trás. Mas pra vida melhorar, como é que faz? Não fico parado, esperando a ajuda da Unesco. Na minha vida ando pra frente, sempre em passo gigantesco. Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho. Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. (BIS) O pensamento é rápido. Não enrola. Três pra frente, x, diagonal pra cima e bola. É! Já vi que tu tem o poder. O controle tá na tua mão e o jogo é pra você. Mas a persistência é o que leva à perfeição. Eu que loadiei, você joga e é exemplo pro teu irmão. Você é o reflexo do espelho do seu pai. Eu também. Uma coisa eu aprendi, planto o amor pra colher o bem. Ah, moleque! Assim que é meu filho. Assim você me deixa orgulhoso. Uma coisa que a gente tem que ter muito no coração é amor. E é por essas e outras que... Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho. Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. (4x) Professor, se possível, providencie para que seus alunos ouçam a música e, assim, possam se familiarizar com o gênero rap e responder às questões de forma mais contextualizada. Se houver possibilidade, é interessante que assistam ao clipe (Disponível em: < com/watch?v=bqt8q-ia4fo>. Acesso em: 4 fev. 2015). É assim que tem que ser rapaziada: amor... No final o bem vai vencer, no final o bem vai vencer, é assim que tem que ser, é assim que é... Já é, já é... D2, Marcelo. À procura da batida perfeita. São Paulo: Sony Music, POR DENTRO DO TEXTO 1. A letra da canção que você leu é um diálogo entre duas pessoas. Qual é a relação de parentesco entre elas? Relação de pai e filho. Professor, informe aos alunos que Loadeando é interpretada pelo rapper Marcelo D2 e por seu filho, Stephan. 2. Como se organiza a conversa das pessoas que falam na canção? Há um revezamento das falas; cada um tem a sua vez de falar. Esse tipo de revezamento também pode ocorrer em um jogo de videogame? Explique. Sim. Há jogos de videogame que podem ser jogados em dupla, nos quais cada um tem a sua vez de jogar. 3. Agora observe este trecho do diálogo entre o pai e o filho: O jogo começou, aperta o start, na vida você ganha, cê perde, meu filho. Faz parte. Ih! É ruim, eu não gosto de perder. Nem me lembro há quanto tempo que eu não perco pra você. 108 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 108 5/7/15 9:25 AM
109 a) No texto, há uma comparação. Identifique os elementos que são comparados. Vida e jogo. b) Explique por que é possível essa comparação. É possível porque, como no jogo, na vida ora você ganha, ora você perde; para tudo há a alternância. c) Em sua opinião, a estrutura do texto em diálogo também confirma a ideia de que cada um tem sua vez (ganhar ou perder) na vida e no jogo? Justifique sua resposta. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno entenda a ideia de alternância que permeia todo o texto, inclusive sua estrutura. 4. Leia no Glossário o significado de loadeou, e copie em seu caderno a alternativa que melhor justifica a escolha do título da canção. a) Pai e filho, por meio da conversa, vão se conhecendo mutuamente, um aprendendo com o outro. b) O pai ensina ao filho que a vida é um jogo: quem participa tem a oportunidade de marcar pontos, ter sucesso. c) O filho ensina ao pai que ele é de outra época, e para poderem conversar o pai precisa se adaptar às mudanças. d) O pai trouxe o filho ao mundo, mas a vida é do garoto, seu sucesso está em suas mãos, é o filho quem joga. Alternativa d. 5. Por que, em sua opinião, o pai escolheu justamente o jogo de videogame para falar sobre a vida com o filho? Porque é o jogo que interessa ao filho. Se fosse com você, que jogo seria mais interessante para conversar sobre a vida? Resposta pessoal. 6. De acordo com o texto, quem se dá melhor no futebol, pai ou filho? E no videogame? No futebol, o pai, e no videogame, o filho. 7. Destaque trechos do texto que confirmem que, apesar das diferenças, pai e filho aprendem um com o outro. Respostas possíveis: A evolução aqui é de pai pra filho e Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho. Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. 8. Releia este trecho do diálogo entre pai e filho: 8. b) Espera-se que o aluno perceba que, assim como em um jogo, na vida também devemos ser persistentes, já que somos responsáveis por nossas ações. Devemos lutar para alcançar a vitória. Professor, considere outras possibilidades de resposta, desde que sejam coerentes. O pensamento é rápido. Não enrola. Três pra frente, x, diagonal pra cima e bola. É! Já vi que tu tem o poder. O controle tá na tua mão e o jogo é pra você. Mas a persistência é o que leva à perfeição. Eu que loadiei, você joga e é exemplo pro teu irmão. Você é o reflexo do espelho do seu pai. Eu também. Uma coisa eu aprendi, planto o amor pra colher o bem. Ah, moleque! Assim que é meu filho. Assim você me deixa orgulhoso. Uma coisa que a gente tem que ter muito no coração é amor. E é por essas e outras que... a) A primeira fala desse fragmento é de Stephan, o filho de Marcelo D2. Nesse trecho, o menino descreve algumas ações. A que elas se referem? As ações descritas pelo menino referem-se a comandos do controle do videogame. b) Em resposta ao filho, na segunda fala do trecho, Marcelo D2 estabelece uma comparação entre o jogo e a vida, dando um ensinamento. Que ensinamento poderia ser esse? c) Na frase O controle tá na tua mão [...], é possível dizer que a palavra controle tem dois significados. Explique-os. Um refere-se ao controle do videogame e o outro, ao controle da própria vida. d) Você é o reflexo do espelho do seu pai. O que você entende por essa afirmação? Que o pai aprendeu com o exemplo do avô. 109 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 109 5/7/15 9:25 AM
110 e) Copie em seu caderno os provérbios que combinam com a fala do garoto. Filho de peixe, peixinho é e Tal pai, tal filho. Quem não tem cão caça com gato. Tal pai, tal filho. Filho de peixe, peixinho é. Pau que nasce torto morre torto. 9. Retire do texto um trecho que confirme que o filho também aprendeu com o exemplo do pai. Você é o reflexo do espelho do seu pai. Eu também. Uma coisa eu aprendi, planto o amor pra colher o bem. TROCANDO IDEIAS 1. Você também compararia a vida a um jogo? Por quê? Respostas pessoais. 2. Você concorda que os filhos são sempre o reflexo, o espelho dos pais? 3. Identifique o refrão da canção e comente-o: Você concorda que é possível evoluir com as pessoas de sua família? Por quê? IMPORTANTE SABER Refrão é o trecho que se repete no decorrer de uma letra de canção ou de um poema. 4. Em sua opinião, o que de mais importante um filho pode aprender com a família? PARA VOCÊ QUE É CURIOSO A palavra rap vem da expressão Rhythm And Poetry ( ritmo e poesia, em inglês) e nomeia um gênero musical que faz parte do movimento hip-hop. A junção da batida mixada pelo DJ (disco- -jóquei) à fala ritmada e poética do MC (mestre de cerimônias) surge na Jamaica, na década de O estilo foi levado para os Estados Unidos nessa mesma época, quando grandes líderes populares, como Martin Luther King e Malcom X, lutavam por uma sociedade mais justa e igualitária. Com o break, dança criada pelos porto-riquenhos para manifestar sua crítica à Guerra do Vietnã, e o grafite, forma de expressão plástica, o rap passou a ter um importante papel na expressão de grupos marginalizados e desfavorecidos e também na conscientização sociopolítica. O movimento hip-hop e, consequentemente, o rap, chegam ao Brasil na década de 1980, na cidade de São Paulo. Somente na década de 1990 o gênero ganha visibilidade e começa a ser tocado nas rádios, fazendo sucesso entre o público das grandes cidades. O rap tem uma batida rápida e acelerada. As letras (mais faladas do que cantadas) denunciam as dificuldades e injustiças enfrentadas pela população mais desassistida em relação à informação, cultura e benefícios. Os versos, muitas vezes, são acrescidos de improvisos e trazem gírias comuns entre aqueles que os compõem e interpretam. Os cantores de rap também podem ser chamados de rappers. 110 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 110 5/7/15 9:25 AM
111 Na trilha da oralidade marcas de conversação 1. Releia este trecho do texto e responda à próxima questão: E aí, pai, beleza? Beleza, filho. E tu? Tudo certo? Certo. E você? À procura da batida perfeita? Sempre, rapaz. E aí? Como é que tá o colégio? Ah! O colégio tá bem! Eu que... você sabe como é que é, né? Esse trecho se refere ao início, ao meio ou ao final do diálogo entre pai e filho? Como você concluiu isso? Ao início, porque primeiro eles se cumprimentam para depois continuar a conversa. 2. Nessa canção, há o emprego de uma linguagem formal ou informal? Uma linguagem informal, pois é o retrato de um diálogo entre um pai, compositor de rap, e seu filho. O contexto é de total informalidade. 3. Há no diálogo uma frase que o filho não terminou de dizer. Identifique-a. Complete a frase, levando em conta quem a produziu e o contexto de produção. Possivelmente, a frase seria completada com algum insucesso na escola, alguma tarefa não cumprida etc. 4. Quando dialogamos com alguém, é normal deixarmos uma frase ou uma palavra incompleta. O aluno pode supor que essas suspensões ou interrupções se dão por variados motivos: porque quem fala não sabe o que dizer ou como continuar, tem a) Formule uma hipótese: Por que isso acontece? dificuldade de tratar do assunto da conversa, pressupõe que o outro entendeu o que ele queria dizer etc. b) Você se lembra de ter feito isso alguma vez? Viu alguém que já interrompeu uma frase no meio? Resposta pessoal. 5. Observe as expressões em destaque no trecho da canção reproduzido na atividade 1 e reescreva-o, retirando todas elas. Professor, caso julgue necessário, reveja o trabalho com a retextualização das marcas da oralidade no Manual. a) O texto continua fazendo sentido sem essas expressões? Sim. b) Encontre em outro trecho do texto uma marca de oralidade frequente em conversações. Copie-o em seu caderno. Resposta possível: Ih! Sabia. Tava demorando. Deixa o dólar dá uma baixada e nós vamos, certo? IMPORTANTE SABER Professor, sugerimos reler a canção, observando com os alunos como as palavras destacadas constroem as marcas de oralidade da linguagem. Eu que... você sabe como é que é, né? As palavras em destaque no texto são muito empregadas quando estamos conversando. Elas são marcas típicas da língua falada. Você já percebeu que, quando dialogamos, costumamos usar expressões como: né?, viu?, então, eu acho que, entendeu?, daí, percebe?, sabe?. Essas marcas da conversação ajudam a construir o texto falado, estabelecendo a ligação entre as palavras e as ideias que nele aparecem. Servem também para marcar a comunicação entre as pessoas que participam da conversa. Note que, quando você quer saber se a pessoa com quem conversa entendeu o que falou ou se está prestando atenção ao que está dizendo, costuma empregar expressões como: né?, viu?, entende?, compreende?. Há autores que as empregam também nos textos escritos, em diferentes situações, para tornar as conversações literárias mais parecidas com as reais. 6. Em duplas, reescrevam o trecho do diálogo apresentado no início da seção, adaptando-o para a Sugestão: Olá, pai, como está? / Estou bem, filho. E você, como vai? / Também estou bem. O senhor linguagem formal. ainda está à procura da melhor melodia? / Obviamente, rapaz. Como está o colégio? / O colégio está bem! Eu é que... Certamente o senhor me entende, não é mesmo? a) Agora, leia o diálogo produzido, alternando as falas com a sua dupla. b) Qual dos dois diálogos você considera mais adequado? O criado pelo rapper ou o elaborado por você e sua dupla? Por quê? Espera-se que o aluno perceba que o diálogo do rapper está mais adequado para uma conversa entre pai e filho, em que geralmente não há tanta formalidade. 7. Como você viu, o rap apresenta uma característica particular: muitos trechos são falados, não cantados. Por que você acha que essa é uma das características desse gênero musical? Professor, abra a discussão para toda a turma. No rap, a melodia não é o mais importante, mas sim as batidas e as rimas que dão origem aos versos criados pelos rappers. As letras são fundamentais no rap, pois são instrumento de crítica e denúncia. Além disso, muitas vezes, o rapper cria os versos de improviso, acompanhando a base do rap, de responsabilidade do DJ. O fato de a letra ser falada em vez de cantada facilita essa improvisação. 111 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 111 5/7/15 9:25 AM
112 DE OLHO NO VOCABULÁRIO 1. A palavra loadeando foi criada com base no verbo to load (em inglês, carregar, baixar ). É possível saber em que tempo verbal foi empregada a palavra loadeou? Como você chegou a essa conclusão? Sim. Ela foi empregada no passado. É possível perceber isso porque ela termina em ou. 2. Que outras palavras em inglês foram usadas no texto? Copie-as em seu caderno e grife aquelas que você já conhecia. Start, Playstation e Disney. 3. Playstation é uma marca de videogame. Esse termo é formado pela união de duas palavras em inglês: play (jogar, jogo) + station (estação). a) Sabendo disso, responda: Qual é o significado dessa palavra traduzida para o português? Estação de jogos. b) Você acha que é preciso saber o que a palavra playstation significa em inglês para compreender o que ela quer dizer na canção? Por quê? Prática de leitura texto 3 classificado poético Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba que, por meio de outras informações presentes na canção (ou seja, o contexto), acabam sendo oferecidas pistas para o esclarecimento do significado dessa palavra. Muitas pessoas acabam sabendo o significado dessa palavra pelo uso que ela tem no cotidiano, mas podem não saber o que ela significa na língua inglesa. Após a correção da atividade, você poderá dizer aos alunos que a palavra inglesa Playstation pode ser traduzida como estação do jogo. No livro Agenda poética, a personagem Cecília encontrou uma forma curiosa de descrever seus pais. Leia e descubra esse jeito todo especial nos textos A e B. 22 Quarta Maio Wednesday May Qualquer coisa A Vende-se, Aluga-se, Troca-se Pai usado, em estado de novo, pouco cabelo branco, sem vícios, movido a gasolina (álcool de jeito nenhum), pega na primeira partida, não para nunca, está sempre de boa vontade, cara legal, nunca te deixa na mão, engata na primeira, segunda, terceira, quarta, quinta e até na sexta se você topar. Nunca falha aos domingos. Dá marcha à ré sempre que for preciso, deixa bater o maior vento em você, liberdade total. Faço doação no caso de nenhum interessado. Renato Arlem B Vende-se, Aluga-se, Troca-se Mãe usada, em estado de nova, cabelos pintados recentemente, sem vícios, movida a diesel, pega na subida e na descida, topa tudo sem reclamar, te deixa folgar legal. Se te deixar na mão é porque você esqueceu da água, de dar uma passada no posto, de conferir esses detalhes comuns. Tem um belo estofamento, freios perfeitos, breque em cima, direção de piloto de fórmula um. Faço doação no caso de nenhum interessado. AnDrADe, Telma Guimarães Castro. Agenda poética. São Paulo: Scipione, pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 112 5/7/15 9:25 AM
113 POR DENTRO DO TEXTO Professor, sugerimos que as questões de 1 a 6 sejam respondidas oralmente. 1. A primeira frase, nas duas partes do texto Qualquer coisa, é: Vende-se, Aluga-se, Troca-se. Transcreva no caderno a alternativa que indica a intenção com que essas expressões são usadas normalmente. Alternativa c. a) convidar b) contar uma história c) anunciar algo 2. Aparentemente, qual é o objetivo do texto? Vender, alugar ou trocar o pai e/ou a mãe do eu poético. 3. No texto, lemos as expressões em estado de novo, movido a gasolina, pega na primeira partida, Dá marcha à ré, freios perfeitos, breque em cima, direção de piloto de fórmula um. a) A que geralmente essas expressões se referem? Geralmente se referem a automóveis, veículos automotores. b) A quem as expressões estão se referindo no texto A e no texto B? No texto A, referem-se ao pai da anunciante. No texto B, à mãe. c) Faça, em seu caderno, uma lista com as expressões do texto que são comuns em anúncios classificados e outra com as que não são comuns. 4. A partir da descrição realizada no classificado, podemos dizer que os pais apresentam mais defeitos ou qualidades? Mais qualidades. 5. Releia a frase a seguir. As expressões comuns: em estado de novo, movido a gasolina. Não são comuns as expressões: pega na primeira partida, Dá marcha à ré, freios perfeitos, breque em cima, direção de piloto de fórmula um. Dá marcha à ré sempre que for preciso [...]. O que essa frase diz sobre o pai? Ela informa que o pai é capaz de voltar atrás quando necessário. 6. Esta frase se refere à mãe. Tem [...] freios perfeitos, breque em cima, direção de piloto de fórmula um. Que característica(s) dessa personagem ela ressalta? A mãe sabe o momento em que deve colocar limites. Ela dirige as coisas de maneira muito precisa, certeira. 7. Como você pôde perceber, o texto emprega a linguagem figurada. Esse tipo de linguagem é comum em classificados? Explique. 8. Como se trata de um classificado poético, a linguagem figurada é adequada? Justifique sua resposta. Sim, porque, como o nome diz, trata-se de um poema, e não de um classificado comum. Não. Em classificados costuma-se encontrar a linguagem literal, que apresenta um produto real como ele é de fato. A linguagem figurada é usada principalmente em gêneros literários. 9. Observe a descrição dos pais anunciados no texto. Levante uma hipótese: Por que o eu poético teria a intenção de se desfazer deles? Resposta pessoal. Resposta possível: Porque o que o eu poético quer anunciar, de fato, não é a venda dos pais, mas a boa relação que tem com eles. 10. Em que veículos de comunicação os classificados costumam aparecer? Em jornais, sites e revistas, especialmente as especializadas. 113 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 113 5/7/15 9:25 AM
114 Prática de leitura texto 4 classificado de imóvel Apartamento amplo e reformado Apartamento à venda Barra Funda, São Paulo Destaque Quartos: 3 Banheiros: 1 Vaga de garagem 220 m² de área total 157,7 m² de área útil Condomínio: R$ 900,00 Tomislav Pinter/Shutterstock Condições comerciais Aceita financiamento Entrada facilitada Descrição Sala ampla e bem iluminada; reformado; três dormitórios, sendo uma suíte enorme com armários embutidos, quarto/escritório com estante e armário embutido, quarto com armários embutidos, quarto de empregada ou closet da suíte; cozinha, área de serviço, banheiro de empregada e banheiro social com armários. Corredor com amplos armários, 2 por andar, uma vaga na garagem, perto metrô e várias linhas de ônibus, prédio tranquilo. Fonte: < apartamento-amplo-e-reformado/>. Acesso em: 17 jan CONFRONTANDO TEXTOS 3. As linguagens dos dois textos são parecidas, com uso acentuado de adjetivos (ainda que o texto Qualquer coisa utilize algumas expressões que não costumam aparecer em anúncios). Resposta pessoal. Professor, mostre para os alunos que essa similaridade é intencional por parte da autora de Qualquer coisa, que quis fazer uma brincadeira ao escrever um poema num formato inusitado, usando a estrutura de um gênero bastante conhecido e diferente da poesia: o classificado. Em um site de anúncios da internet. 1. Em que veículo de comunicação foi publicado o classificado de imóveis? 2. Quanto à intenção de produção, que diferenças se podem observar entre o texto Qualquer coisa e esse classificado de imóvel? O classificado de imóvel tem uma intenção real de venda de alguma coisa, é literal. O texto Qualquer coisa adota a forma de um anúncio classificado para passar uma mensagem poética. 3. Compare a linguagem dos dois textos. Elas são parecidas ou diferentes? Por que você acha que isso acontece? 4. Releia o texto 4 observando o emprego de adjetivos. a) Localize e copie pelo menos cinco adjetivos desse texto. b) Qual é a intenção do anunciante ao usar tantos adjetivos? Enaltecer as qualidades do objeto (no caso, o apartamento) que procura vender. 5. Leia o texto a seguir: Respostas possíveis: Útil, facilitada, iluminada, reformado, enorme, embutidos, social, amplos, tranquilo. Professor, há algumas locuções adjetivas (de cozinha, de empregada, de serviço) que devem ser consideradas. BELA VISTA 100 m² AU 2 suítes 1 vaga. Lindo, reformado, living, terraço, dep. empr., seg. 24 horas, próx. ao metrô e comércio, lazer completo. F: (11) a) Geralmente, onde textos como esses são encontrados? Em jornais impressos, na seção de classificados. b) Se ele for comparado ao anúncio anterior, podemos perceber que se trata de um texto mais curto. Por que você acha que isso acontece? Resposta pessoal. Professor, comente com os alunos que os veículos impressos costumam cobrar pelo espaço de publicação, inclusive para os classificados, o que leva o anunciante a ser conciso na informação. 6. Qual dos dois classificados mais se assemelha ao texto Qualquer coisa? Justifique sua resposta. 114 O texto 4, com mais adjetivos e uma descrição mais detalhada do objeto que está sendo anunciado, como no texto Qualquer coisa. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 114 5/7/15 9:25 AM
115 Atividade de criação classificado poético Crie um classificado poético, parecido com o texto Qualquer coisa, anunciando alguém de sua família ou que conviva com você. Depois de pronto, você vai passá-lo a limpo e expô-lo em um mural. Professor, incentive os alunos a escreverem também uma cópia do texto para presentear a pessoa de quem eles estão falando. ORIENTAÇÕES Inicie o texto com os termos: vende-se, compra-se, troca-se. Mas atenção: a continuação desse classificado vai ser diferente daqueles que aparecem nos jornais todos os dias. Procure fazer comparações, usar a linguagem figurada. Procure também brincar com as palavras como fez a autora, Telma Guimarães. Para compreender bem como isso pode acontecer, releia o texto Qualquer coisa. Depois, solte as palavras! AVALIAÇÃO Que tipo de recurso(s) você usou para tornar o seu texto interessante ao leitor? Empregou linguagem figurada? Há humor em seu texto? Efeito de surpresa? Palavras com duplo sentido? Grife as partes em que usou os recursos de linguagem. Você sentiu dificuldades para fazer comparações? Você gostou de brincar com as palavras, dando novos significados a elas? apresentação Passe a limpo o seu texto ou digite-o. Se puder, imite a diagramação de um classificado de jornal. Exponha seu classificado poético em um mural, com os textos de seus colegas, para que outras pessoas possam apreciá-lo. Professor, sugerimos que a montagem do mural seja feita após a reescrita do texto. No Manual, há considerações sobre a refacção textual. Prática de leitura texto 5 Página de agenda ANTES DE LER 1. Observe os detalhes da página do texto. Você conhece esse tipo de página? De qual suporte você acha que ela foi retirada? Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno reconheça a página de uma agenda, na qual a autora escreve um texto semelhante ao de um diário. 2. Há algum lugar onde você escreve os seus segredos? O que acha do hábito de escrever em um lugar só seu, a que ninguém mais tem acesso? Resposta pessoal. 3. Você já escreveu textos para falar de seus sentimentos? Em caso afirmativo, de que sentimentos costuma falar? Resposta pessoal. Na leitura que você fará agora, a personagem principal chama-se Carol. Ela é uma adolescente muito inquieta e esperta. Com certeza, você gostará de conhecê-la. Quem sabe não vai se identificar com ela. 115 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 115 5/7/15 9:25 AM
116 Leitura STANISIERE, Inês. A agenda de Carol. Belo Horizonte: Leitura, pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 116 5/7/15 9:25 AM
117 POR DENTRO DO TEXTO 1. Em seu caderno, descreva como você imagina Carol fisicamente. Resposta pessoal. 2. Como se sentia Carol, nessa segunda-feira, ao escrever? Explique. Quando ela escreveu, na segunda-feira, estava aliviada, porque sua mãe já tinha escrito uma carta para fazer as pazes com a filha. A mãe havia entrado no quarto de Carol, mexido em seus objetos e encontrado a sua agenda pessoal, onde a menina escrevia seus segredos. 3. De acordo com a carta da mãe de Carol, a menina teve os seus segredos descobertos? Por quê? Não, na carta, a mãe afirma que não leu nada que estava escrito na agenda. 4. Observe esta capa de livro: Quinteto ANDRADE, Telma Guimarães Castro. Segredos de agenda. São Paulo: Quinteto, a) A ilustração dessa capa forma um sinal de pontuação. Que sinal é esse? O ponto de interrogação. b) Qual é a relação desse sinal de pontuação com o título do livro? Resposta possível: A interrogação representa o desconhecido, no caso, os segredos da agenda da personagem que a escreveu ou as dúvidas comuns a toda adolescente. c) O título desse livro tem alguma relação com os fatos ocorridos com Carol, principalmente com a raiva que sentiu da mãe? Por quê? TROCANDO IDEIAS 1. Em sua opinião, a adolescente tinha razão? Por quê? Resposta possível: Sim, a briga de Carol com a mãe aconteceu porque ela não queria que a mãe lesse sua agenda e descobrisse os segredos que estavam guardados nela. Carol sentiu-se desconfortável com a possibilidade de a mãe ter descoberto sua intimidade. Resposta pessoal. Professor, provavelmente, os alunos responderão que sim, pois normalmente o adolescente tem vergonha de falar dos seus sentimentos, de se expor. Escrevendo, sente-se seguro e fica ofendido se alguém descobre seus segredos. 2. Você já vivenciou alguma situação semelhante ao que aconteceu com Carol? Se desejar, conte para a sua turma. Resposta pessoal. TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. Que elementos aparecem na página da agenda, além do texto escrito? Uma embalagem de bombom e a carta de sua mãe, ambos presos por um clipe. 2. Por que eles estão presentes na página da agenda de Carol? Em sua opinião, por que Carol afixou a carta da mãe na agenda? Respostas possíveis: Porque os adolescentes costumam anexar elementos a suas agendas, principalmente os relacionados às situações do cotidiano. A carta da mãe foi colada porque era importante para Carol. Professor, pergunte aos alunos se possuem agenda e o que costumam anexar a elas. 117 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 117 5/7/15 9:25 AM
118 3. Em uma agenda, costuma-se registrar os compromissos do dia a dia. É isso o que está anotado na agenda de Carol? Por quê? Não. Mais que compromissos ou lembretes do dia a dia, ali estão registrados sentimentos e episódios importantes da vida da menina. Como você chamaria esse texto? Espera-se que o aluno reconheça que Carol escreve um diário na agenda. 4. Ao escrever, Carol usou parágrafos ou versos? Por quê? Parágrafos. Porque não pretende escrever um poema. 5. E o texto da mãe dela, como está organizado? Também está organizado em parágrafos. 6. Ao escrever, Carol se dirige a alguém? Copie do texto o trecho que confirma a sua resposta. Carol não fala propriamente com uma pessoa. Ela está se dirigindo ao seu diário: Viu só, diário, que maneiro? ou Bom, agora, você me dá licença, diário, que eu vou atacar esses bombons. 7. Os textos de Carol e os da mãe foram escritos com o mesmo objetivo, ou seja, com a mesma intenção? Explique sua resposta. Não, o texto de Carol foi escrito como relato íntimo; a menina não tinha intenção de enviá-lo a alguém. Já a mãe escreveu o texto para enviar à filha. 8. A linguagem utilizada na agenda é formal ou informal? Copie exemplos que justifiquem sua resposta. A linguagem é informal. Exemplos de trechos que confirmam a resposta: [...] um monte de bombons da loja de que eu mais gosto. / [...] Viu só, diário, que maneiro?. IMPORTANTE SABER O diário íntimo é um gênero de texto no qual quem escreve conta os acontecimentos do seu dia a dia. Recebe esse nome justamente por isso. Hoje em dia, os adolescentes costumam escrever textos desse tipo em suas agendas. No texto apresentado, Carol usa a página da agenda para contar sobre os sentimentos, as emoções e a razão de seu desentendimento com a mãe no dia anterior. Seu texto foi organizado em parágrafos e a data não foi colocada por quem escreveu porque já aparece na agenda. O diário costuma ser escrito na linguagem informal. Professor, você poderá solicitar aos alunos que tiverem diário ou agenda que falem um pouco sobre o que costumam escrever neles. Há pessoas que escrevem sobre o seu dia, anotam frases, poemas e canções, colam fotos e embalagens de bombom ou bala, figurinhas, ingressos de parque, cinema e teatro e até ilustram os textos produzidos. O diário é íntimo e não costuma ser partilhado, mas, caso alguém queira mostrar o seu, é importante acolher e valorizar a produção do aluno. De qualquer forma, há mais um texto como esse no Manual. 9. Em seu caderno, transcreva do texto de Carol trechos que expressam as emoções e os sentimentos solicitados a seguir: a) alegria; Viu só, diário, que maneiro?/a mamãe comprou todos os meus favoritos!!! b) descontentamento; E da minha agenda, ela não podia nem ter chegado perto! Foi a maior invasão do mundo!! Achei péssimo! c) alívio. Eu confesso que também estava triste, não gosto de ficar brigada com a minha mãe. 10. Ao transcrever os trechos, você usou aspas? Por quê? Professor, aproveite esta atividade para chamar a atenção dos alunos a respeito do uso das aspas para transcrição de trechos de textos de autoria de terceiros. 11. Copie, da carta da mãe, os seguintes elementos: a) a saudação inicial; c) o pedido de desculpas; Minha filhota querida [...]. b) a assinatura; d) a despedida. Eugênia. De sua mãe que muito adora você, [...] Pensei no que aconteceu e queria lhe pedir desculpas. IMPORTANTE SABER Argumentar é justificar uma afirmação para convencer alguém a mudar de opinião ou comportamento. Fatos, ideias, razões ou provas são exemplos de argumentos. 118 Na carta que a mãe fez para a menina, existe argumentação? Explique sua resposta e retire do texto um trecho que a comprove. Sim, pois a mãe explica as razões de ter tomado a atitude que deixou a filha triste, com raiva. Mas você tem razão, Carol, o seu quarto é o seu espaço e deve ser do jeito que você quer. Só queria que você não deixasse bagunçado demais porque incomoda. Foi só uma curiosidade, de mãe que se preocupa com a filha. Não sabia que você ia ficar com tanta raiva. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 118 5/7/15 9:25 AM
119 Reflexão sobre o uso da língua Pronomes pessoal e possessivo 1. Observe as palavras destacadas na carta da mãe de Carol. Essas palavras estão se referindo a nomes. Mas a que nomes? Para responder, leia as perguntas a seguir: a) De quem era a briga? b) No texto, você está no lugar de que palavra? c) A palavra comigo se refere à mãe ou a Carol? d) Pedir desculpas a quem? Leitura e) Incomoda a quem? f) Quem promete? STANISIERE, Inês. A agenda de Carol. Belo Horizonte: Leitura, g) De quem era o quarto? h) Mãe de quem? i) Adora a quem? a) A palavra nossa se refere a Carol e à mãe; b) a Carol; c) à mãe; d) a Carol; e) à mãe; f) a mãe; g) de Carol; h) de Carol; i) a Carol. 2. As palavras em destaque na carta são chamadas de pronomes. De acordo com o que você pôde perceber, por que elas são importantes? Resposta pessoal. Espera-se que os alunos levantem suas hipóteses, que serão retomadas logo a seguir. 3. Leia a tirinha a seguir: Fernando Gonsales 119 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 119 5/7/15 9:25 AM
120 a) A leitura do primeiro quadrinho gera uma expectativa sobre o que vai acontecer no restante da tira. Pela lógica, o que provavelmente deveria aparecer no quadrinho seguinte? A partir da expectativa gerada no primeiro quadrinho, o mais esperado seria que o segundo quadrinho ilustrasse uma jiboia dormindo após se alimentar. b) A expectativa gerada no primeiro quadrinho é quebrada no segundo, o que gera um efeito de humor na tira. Explique como esse efeito é construído. No segundo quadrinho, não há uma jiboia dormindo, mas sim uma jiboia insone. Ela está com olheiras e, pelos espinhos em sua barriga, podemos supor que engoliu um porco- -espinho. A fala do animal confirma essa hipótese. c) A quem se referem os pronomes ela e me, usados nos quadrinhos? Referem-se à jiboia. d) O pronome ela, usado no primeiro quadrinho, refere-se à pessoa que fala ou à pessoa de quem se fala? Refere-se à pessoa de quem se fala. e) Por que, no segundo quadrinho, a personagem usou o pronome me? Porque ela se referiu a si mesma. IMPORTANTE SABER As palavras que servem para se referir a nomes, para representá-los ou substituí-los são chamadas de pronomes. São pronomes pessoais do caso reto: Eu 1 a pessoa do singular Tu 2 a pessoa do singular Ele 3 a pessoa do singular Nós 1 a pessoa do plural Vós 2 a pessoa do plural Eles 3 a pessoa do plural Nas situações de comunicação, os pronomes servem para indicar a(s) pessoa(s) que fala(m) (1 a pessoa do singular e do plural), a(s) pessoa(s) com quem se fala (2 a pessoa do singular e do plural) e de quem ou de que se fala (3 a pessoa do singular e do plural). Veja: Eu gosto muito dela. No fundo, ela é bem legal. Pessoa que fala. Pessoa de quem se fala. Veja alguns exemplos retirados da canção Loadeando : E aí, pai, beleza? Beleza, filho. E tu? Tudo certo? Pessoa com quem se fala. São pronomes pessoais do caso oblíquo: Me, mim, comigo 1 a pessoa do singular Te, ti, contigo 2 a pessoa do singular Se, si, consigo, o, a, lhe 3 a pessoa do singular Nos, conosco 1 a pessoa do plural Vos, convosco 2 a pessoa do plural Se, si, consigo, os, as, lhes 3 a pessoa do plural Se o papo for futebol? Ah! Isso é comigo. E se o assunto é Playstation? Tudo bem, contigo. A evolução aqui é de pai pra filho. Pronome pessoal do caso oblíquo 1 a pessoa do singular Pronome pessoal do caso oblíquo 2 a pessoa do singular 120 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 120 5/7/15 9:25 AM
121 1. Os pronomes oblíquos o, a, os, as, quando vêm ligados a uma forma verbal terminada por -r, -s ou -z, assumem as formas lo, la, los, las. Não posso levar-o. Não posso levá-lo. Levamos-as. Levamo-la. Fiz-a. Fi-la. 2. Quando a forma verbal termina em -m, -ão, -õe, recebe as formas pronominais no, na, nos, nas. Pegaram-o. Pegaram-no. Contarão-os. Contar-nos-ão. Supõe-a. Supõe-na. 4. Releia este trecho da página da agenda de Carol: [...] Pensei no que aconteceu e queria lhe pedir desculpas. [...] seu quarto é o seu espaço e deve ser do jeito que você quer. a) Quem é o locutor, ou seja, quem produz essa mensagem? Provavelmente, a mãe de Carol. b) Os pronomes destacados referem-se a qual das personagens? Referem-se à Carol. c) Por que foram usados pronomes em vez do nome da personagem ao qual se referem? Para evitar repetições, deixando o texto mais fluido. 5. Como você pôde perceber, os pronomes pessoais substituem os nomes a fim de evitar que o texto fique repetitivo. Reescreva as frases, substituindo os termos destacados por pronomes retos ou oblíquos de maneira coerente. a) Encontrei a garota quando cheguei à escola. Encontrei-a quando cheguei à escola. b) Não quero que a garota descubra o meu segredo. Não quero que ela descubra-o. c) O filho confessou sua dificuldade ao pai. Ele confessou sua dificuldade ao pai. d) O filho confessou sua dificuldade ao pai. O filho confessou-a ao pai. e) O filho confessou ao pai sua dificuldade. O filho confessou-lhe sua dificuldade. 6. Leia atentamente o parágrafo a seguir e indique quais termos foram substituídos pelos pronomes pessoais em destaque. Todos os garotos estavam preocupados com a prova que seria realizada no dia seguinte. A professora havia avisado que ela seria bem extensa e trabalhosa. Eles, então, decidiram que iriam estudar em grupo. Ela: a prova. Eles: os garotos. IMPORTANTE SABER Como você observou nas atividades anteriores, para evitar repetições de palavras ou expressões desnecessárias em um texto, os pronomes podem substituí-las ou se referir àquelas que já foram usadas. Leia sempre os textos que produzir, veja se repetiu alguma palavra ou expressão sem necessidade e troque-a por outra que comunique o que você quer. 121 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 121 5/7/15 9:25 AM
122 7. Releia este outro trecho do texto A agenda de Carol : Cheguei do vôlei e tinha uma surpresa na minha cama. Qual é a função da palavra em destaque na frase? A palavra indica que a cama pertence à menina. 8. Identifique no texto escrito por Carol outras palavras com a mesma função da palavra minha. Depois, copie-as em seu caderno. Meu quarto, minha agenda, minha mãe, espaço que é só meu, minhas coisas íntimas, meus favoritos. 9. A mãe de Carol chama a filha de Minha filhota querida. Essa frase quer expressar a afetividade da mãe em relação à filha. Você conhece outros exemplos de expressões, semelhantes a essa, usadas para indicar afeto por algo ou alguém? Escreva-as em seu caderno. Resposta pessoal. IMPORTANTE SABER Os pronomes possessivos estão relacionados às pessoas do discurso e servem para indicar a ideia de posse. Observe: Fiquei muito chateada com a nossa briga. indica de quem foi a briga Os pronomes possessivos também servem para indicar afetividade, respeito, frequência de um acontecimento. Veja alguns exemplos. Um beijo e um abraço, Da sua Carol. (afetividade) Minha escola fica longe daqui. (lugar que se frequenta com assiduidade) Meu senhor, sente-se por favor. (respeito) Os pronomes pessoais podem acompanhar ou substituir um substantivo. Veja: Você fica com os seus amigos e eu fico com os meus. acompanha o substantivo substitui o substantivo Pronomes pessoais do caso reto Eu 1 a pessoa do singular Tu 2 a pessoa do singular Ele 3 a pessoa do singular Nós 1 a pessoa do plural Vós 2 a pessoa do plural Eles 3 a pessoa do plural Pronomes possessivos meu, minha, meus, minhas teu, tua, teus, tuas seu, sua, seus, suas nosso, nossa, nossos, nossas vosso, vossa, vossos, vossas seu, sua, seus, suas 10. Em seu caderno, conte o que aconteceu com Carol. Para isso, copie o texto, substituindo os pronomes que estão na primeira pessoa por pronomes em terceira pessoa. Veja como você deve iniciar o texto: Carol chegou do vôlei e tinha uma surpresa em sua cama. Professor, embora as palavras dele, dela, deles, delas não sejam pronomes, elas podem ser empregadas com essa função na reescrita desse texto. 122 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 122 5/7/15 9:25 AM
123 APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Releia esta frase retirada da canção Loadeando : Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho. Veja como ficaria se Marcelo estivesse falando de outra pessoa. Frase I Ele se desenvolve e evolui com o seu filho. Frase II Ele se desenvolve e evolui com o filho dele. Em qual das duas frases a palavra em destaque pode causar dúvida a respeito de quem é o filho? Explique sua resposta. Na frase I, porque não se sabe se o filho é da pessoa de quem ele fala ou da pessoa com quem ele fala. 2. Leia o cartaz a seguir: FIQUE ATENTO AOS LOCAIS QUE PODEM ACUMULAR ÁGUA E MANTENHA-OS SEMPRE LIMPOS E FECHADOS. Combater a dengue é simples. Evite que locais e utensílios sirvam como foco do mosquito. Junte a família e os amigos e monte um time para afastar essa doença de sua casa e vizinhança. E se sentir febre com dor de cabeça, dor atrás dos olhos, no corpo e nas juntas, procure imediatamente uma unidade de saúde. Pode ser dengue. Ministério da Saúde Disponível em: < Acesso em: 3 fev a) Qual é o objetivo desse texto? Mobilizar a população no combate à dengue. b) Na imagem do cartaz, aparece uma pessoa famosa. Quem é ela? Cafu, o ex-jogador de futebol. Professor, Cafu está de pé, ao lado do rapaz de boné. c) Por que você acha que essa personalidade aparece no cartaz? Provavelmente porque as personalidades costumam ter apelo junto ao público, o que pode aumentar a eficácia da mensagem do cartaz. d) Que relações o texto e a imagem do cartaz estabelecem com a personalidade que aparece nele? O texto do cartaz compara a mobilização popular no combate à dengue à formação de um time. Na imagem, Cafu e as outras personagens aparecem posicionados como os jogadores costumam posar antes do início de uma partida de futebol. Assim, fazendo associações com elementos do futebol, o cartaz procura mobilizar o leitor no combate à doença, o que justifica a escolha de um conhecido ex-jogador desse esporte para fazer parte da campanha. Professor, lembre os alunos de que 2014 foi o ano da realização da Copa do Mundo no Brasil, o que pode ter motivado a escolha desse tema para a campanha. 123 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 123 5/7/15 9:25 AM
124 e) Releia a frase: Fique atento aos locais que podem acumular água e mantenha-os sempre limpos e fechados. Que pronome foi empregado nessa frase? O pronome os. A qual termo esse pronome se refere? Refere-se ao termo locais (que podem acumular água). Por que o uso desse pronome foi importante para a construção da frase? Porque, com o uso do pronome, evitou-se a repetição de termos na frase. Professor, enfatize a importância dos pronomes na construção da coesão textual. Se, na frase, em vez de locais fosse usado o termo localidades, o pronome também teria que ser alterado? Por quê? f) Releia esta outra frase: Junte a família e os amigos e monte um time para afastar essa doença de sua vizinhança. Agora, responda: Que pronome possessivo foi usado na frase? O pronome sua. A quem se refere esse pronome? Refere-se ao leitor. Sim, se o substantivo masculino fosse substituído por outro feminino, o pronome utilizado deveria ser as em vez de os : mantenha-as. Professor, comente a importância da proximidade com o leitor na construção da linguagem persuasiva característica dos textos da esfera publicitária. Imagine que o interlocutor quisesse se incluir na mensagem. Nesse caso, que pronome deveria ser usado na frase? O pronome nossa : Junte a família e os amigos e monte um time para afastar essa doença de nossa vizinhança. 3. Identifique os pronomes possessivos nas tiras a seguir e indique a ideia que eles expressam. Justifique cada uma de suas respostas. a) Fernando Gonsales Minha (bolacha), meu (caramelo), meu (carro). Ideia de posse. Fernando Gonsales, 10 jan b) Fernando Gonsales Meu (ovo), minha (aula de tai-chi). O primeiro indica posse, o segundo indica uma aula/lugar que se frequenta assiduamente. Fernando Gonsales, 13 jan Passe para o plural os pronomes em destaque nas frases. Faça as concordâncias necessárias. a) Eu quero me sentar perto de você. Nós queremos nos sentar perto de você. b) Ele quer viajar comigo ainda hoje. Eles querem viajar conosco ainda hoje. c) Você vai levá-la consigo? Vocês vão levá-las consigo? d) Eu não a convidei para a festa e ela ficou chateada. Nós não as convidamos para a festa e elas ficaram chateadas. e) Eu vou levá-la comigo para Santos. Nós vamos levá-las conosco para Santos. 5. Por que os pronomes são importantes em um texto? A que conclusão você chegou a respeito disso? Professor, espera-se que os alunos tenham compreendido o que foi explicado anteriormente. 124 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 124 5/7/15 9:25 AM
125 Prática de leitura texto 6 Poema Eu não estava no porta-retratos de ninguém vagava desnudo nos corredores da solidão. Bilhete ao pai adotivo Imagens: Shutterstock Um dia teus braços amarrados soltaram-se e acolheram-me. Surpreso, fui ao teu encontro, vacilante criança, sonegada de amor. Alimentado pelo teu colo bebi tua água mastiguei teu pão. Teu amor de pai me fez corado, tranquilo feliz e menino. Hoje sou o teu retrato. Hoje sou / o teu retrato. LIMA, Haydée S. Hostin. Disponível em: < poesias-poemas/pai/bilhete-ao-pai-adotivo>. Acesso em: 19 jan POR DENTRO DO TEXTO 1. Que características do texto aproximam-no de um bilhete e justificam seu título? O eu poético refere-se ao pai, seu interlocutor, como se estivesse se comunicando diretamente com ele, em uma mensagem relativamente curta. 2. Em seu caderno, transcreva qual dos substantivos a seguir melhor resume o sentimento expresso pelo eu poético em relação ao pai adotivo. Lembre-se de que o eu poético é a voz que fala no poema. gratidão revolta gratidão rejeição felicidade 3. Releia estes versos: Eu não estava / no porta-retratos / de ninguém. Que sentimento, provavelmente, o eu poético pretendeu expressar? Espera-se que o aluno perceba o sentimento de solidão, de abandono, do fato de não ter família expresso pelos versos. 4. O poema nos leva a perceber que o eu poético se sentiu temeroso nos primeiros momentos com o pai adotivo, apesar de acolhê-lo posteriormente. Encontre e transcreva o verso que comprova essa afirmação. vacilante criança, 125 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 125 5/7/15 9:25 AM
126 5. Releia estes outros versos: Alimentado pelo teu colo / bebi tua água / mastiguei teu pão. a) O que o eu poético expressa nesses versos? Espera-se que o aluno perceba que, além de receber alimento, o eu poético sentiu-se amado pelo pai adotivo. b) Você concorda que podemos nos alimentar também de sentimentos? Explique. Resposta pessoal. 6. O poema nos conta uma história. Você concorda com essa afirmação? Explique. Espera-se que o aluno reconheça que, apesar de estar escrito em versos, o poema apresenta elementos próprios de um texto narrativo, que são: personagem, tempo, enredo, conflito, solução do conflito e desfecho. 7. Você gostou do poema? Justifique sua opinião. Resposta pessoal. TROCANDO IDEIAS 1. Em sua opinião, um pai adotivo pode ser tão legal quanto um pai biológico? Explique. Resposta pessoal. 2. Alguma situação que envolve pai adotivo lhe causou admiração, surpresa? Conte qual foi ela e explique sua reação. Resposta pessoal. 3. Escreva um parágrafo ou uma frase falando sobre o que é ser pai. Resposta pessoal. Professor, se julgar pertinente, amplie a discussão, conversando com a turma sobre os diferentes arranjos familiares que podem ser observados, atualmente, na sociedade brasileira. Estimule o compartilhamento da vivência dos alunos de forma ética e respeitosa. CONFRONTANDO TEXTOS Escreva em seu caderno as semelhanças e diferenças entre os textos A agenda de Carol e Bilhete ao pai adotivo, segundo os seguintes critérios. a) Forma de apresentação: verso ou prosa. b) Gênero do texto: diário, carta, bilhete, poema, classificado, crônica etc. c) Assunto. d) Linguagem: formal ou informal. Sugerimos que você faça essa comparação em um quadro. Dessa maneira, você organizará melhor suas ideias. Veja o modelo que apresentamos a seguir e que você poderá copiar no caderno: a agenda de carol Bilhete ao pai adotivo apresentação Gênero assunto linguagem Em prosa Diário íntimo Desentendimento com a mãe Informal Em versos Poema Reconhecimento ao pai adotivo Formal Diário íntimo Atividade de criação Neste capítulo, você conheceu as ideias e os sentimentos da personagem Carol por meio de um gênero textual chamado diário íntimo. Agora, é você quem vai preencher uma folha em branco com suas ideias e emoções, registrando um fato marcante do seu dia a dia. Para isso, use como suporte uma folha de agenda. Caso não tenha uma agenda, ilustre uma folha de seu caderno, como se fosse essa página. 126 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 126 5/7/15 9:25 AM
127 ORIENTAÇÕES O gênero diário íntimo, como o nome diz, é pessoal, portanto os acontecimentos devem ser narrados em primeira pessoa. O diário deve registrar a data em que o texto foi escrito. Ao narrar, você deverá situar o leitor a respeito do tempo (quando) e do espaço (onde) em que os fatos ocorreram. Em textos desse gênero, o autor costuma se dirigir ao próprio diário, como se estivesse conversando com ele, usando expressões como querido diário, meu diário, amigo diário... Caso queira, você poderá lançar mão desse recurso. O diário é seu! Crie à vontade, fazendo colagens, elaborando ilustrações, poemas, frases etc. AVALIAÇÃO Você já sabe que, para evitar repetições, pode usar os pronomes para substituir ou se referir a outras palavras do texto. Observe atentamente o seu texto, verificando se utilizou adequadamente esse recurso da língua. Caso deseje compartilhar o seu diário com um amigo, revise-o antes. Se necessário, peça orientação ao seu professor. Depois, verifique outros aspectos do texto, como pontuação, ortografia, uso de parágrafos, letra maiúscula para escrever nomes próprios e fique atento(a) a todas as orientações para a produção. Prática de leitura texto 7 romance (fragmento) Professor, a leitura do fragmento do romance O pequeno príncipe introduz o tema das relações de amizade. No Manual, há uma atividade complementar sobre o mesmo tema, que pode ser fotocopiada para os alunos. O próximo texto conta a história de um principezinho que habitava um planeta (o asteroide B 612), pouco maior que ele. Um dia, resolveu sair da sua terra natal em busca de amigos. Para isso, visitou vários planetas, inclusive a Terra, onde encontrou um animal que lhe deu uma grande lição sobre a amizade. O pequeno príncipe [...] Bom dia disse a raposa. Bom dia respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada. Eu estou aqui disse a voz, debaixo da macieira... Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita... Sou uma raposa disse a raposa. Vem brincar comigo propôs o principezinho. Estou tão triste... Eu não posso brincar contigo disse a raposa. Não me cativaram ainda. Ah! desculpa disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou: Que quer dizer cativar? 127 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 127 5/7/15 9:25 AM
128 Antoine de Saint-Exupéry Ilustração do livro O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Tu não és daqui disse a raposa. Que procuras? Procuro os homens disse o principezinho. Que quer dizer cativar? Os homens disse a raposa têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas? Não disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer cativar? É uma coisa muito esquecida disse a raposa. Significa criar laços... Criar laços? Exatamente disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo, a teus olhos, de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Começo a compreender disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou... É possível disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra... Oh! não foi na Terra disse o principezinho. A raposa pareceu intrigada: Num outro planeta? Sim. Há caçadores nesse planeta? Não. Que bom! E galinhas? Também não. Nada é perfeito suspirou a raposa. Mas a raposa voltou à sua ideia. Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se me 128 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 128 5/7/15 9:25 AM
129 cativares, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe: Por favor... cativa-me! disse ela. Bem quisera disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer. A gente só conhece bem as coisas que cativou disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! Que é preciso fazer? perguntou o principezinho. É preciso ser paciente respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto... No dia seguinte o principezinho voltou. Teria sido melhor voltares à mesma hora disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas, se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos. Que é um rito? perguntou o principezinho. É uma coisa muito esquecida também disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta- -feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias! Assim o principezinho cativou a raposa. [...] Ilustração do livro O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. SAInT-exuPéry, Antoine de. O pequeno príncipe. Tradução de Dom Marcos Barbosa. 41. ed. rio de Janeiro: Agir, Professor, dados biográficos sobre Antoine de Saint-Exupéry podem ser encontrados no Manual. Antoine de Saint-Exupéry 129 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 129 5/7/15 9:25 AM
130 POR DENTRO DO TEXTO 1. Quais são as personagens da história? As personagens da narrativa são o principezinho e a raposa. 2. O narrador da história é também uma personagem? Como você chegou a essa conclusão? O narrador não é personagem. Ele não participa da história, que está narrada em terceira pessoa. 3. Na história do pequeno príncipe, a raposa é um animal personificado: sente, pensa e fala como ser humano. Você já havia lido algum texto cujas personagens também eram personificadas? Conte para a sua turma. 4. Como a raposa definia a amizade? As fábulas geralmente têm, como personagens, animais que pensam e agem como seres humanos. Professor, lembre aos alunos que esse tipo de texto procura transmitir algum ensinamento moral. 5. Releia o trecho em que aparecem as palavras cativar e rito. a) Escreva no caderno o significado que essas palavras têm no texto. b) Procure as palavras no dicionário e confira a sua resposta. 6. Segundo a raposa, o que é preciso para cativar um amigo? 7. A raposa valoriza o silêncio nos primeiros encontros entre os amigos. E justifica seu ponto de vista com a afirmação: A linguagem é fonte de mal-entendidos. O que você entendeu dessa afirmação da raposa? Como um entendimento mútuo, amigo é aquele que desperta no outro a necessidade de sua presença. Os amigos se cativam uns aos outros. Cativar ganhar a simpatia, a estima; seduzir, atrair. Rito regras que se devem observar numa cerimônia religiosa. Qualquer cerimônia ou prática que segue normas preestabelecidas. No texto, os ritos se referem aos comportamentos, às ações que se repetem. Para cativar um amigo, é preciso ser paciente e estar com o amigo com certa frequência, passar a fazer parte de sua vida, aos poucos, inicialmente sem nada dizer. 8. Em outro momento, a mesma personagem afirma: descobrirei o preço da felicidade. Sabemos que a palavra preço em seu sentido próprio significa valor, custo de algo que se vende. No contexto em que ocorre a fala da raposa, qual é o significado da palavra preço? Preço, nesse contexto, significa: sacrifício em troca de recompensa. Muitas vezes, os interlocutores não se compreendem bem, gerando situações de conflitos e desentendimentos entre eles. 9. Como o príncipe reagiu diante das explicações e dos ensinamentos da raposa? O principezinho reagiu com curiosidade, mostrando interesse em compreender o que ela dizia, fazendo perguntas para entender melhor as ideias da raposa. 10. Releia um trecho da narrativa em que a raposa está explicando ao príncipe o que é cativar. Lembre- -se do que estudou a respeito da função dos artigos nos textos e responda às questões a seguir. [...] Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo, a teus olhos, de uma raposa igual a cem mil outras raposas. [...] a) Que artigos foram usados para indicar que a raposa e o garoto ainda não se diferenciavam de outros seres de sua espécie (raposa e garoto)? Os artigos indefinidos um e uma. b) Por que, nesse momento da narrativa, tanto o menino quanto a raposa ainda não se diferenciavam um para o outro? c) Releia a continuação da fala da raposa: Porque ainda não havia uma relação de amizade entre as personagens que as diferenciassem, que as tornassem especiais. Professor, se achar adequado, observe com os alunos como nessa fala da raposa o artigo indefinido contribui para ressaltar a indiferença da relação entre ela e o príncipe. [...] Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Esse trecho confirma as respostas que você deu anteriormente? De que maneira? Sim, agora a raposa diz que, com a amizade entre os dois, eles passam a se diferenciar entre os outros seres. 130 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 130 5/7/15 9:25 AM
131 11. Veja como a raposa conclui a sua explicação sobre o que é cativar: Mas a raposa voltou à sua ideia. Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas, se me cativares, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... a) A raposa explica ao principezinho como a amizade entre eles transformará o ponto de vista dela em relação a tudo o que está à sua volta. Em seu caderno, construa uma tabela, observando as possíveis mudanças, no mundo da raposa, ao ser cativada pelo pequeno príncipe. Veja o modelo: o mundo da raposa antes de ser cativada Vida monótona. Ao ouvir passos, entra debaixo da terra. Considera o trigo inútil e triste. o mundo da raposa depois de ser cativada pelo príncipe A vida torna-se cheia de sol. Os sons dos passos se tornarão música para ela. O trigo trará lembranças alegres. b) O que a raposa quis dizer com a expressão minha vida será como que cheia de sol? Quis dizer que um amigo dará à vida dela mais brilho, alegria, calor. c) Ao falar com o príncipe, a raposa usa palavras e expressões como: sol, trigo, cor de ouro e dourado. O que elas têm em comum? O que elas têm em comum é a cor; todas estão relacionadas à cor amarela. d) Compare a característica do trigo com as do principezinho. Que relação há entre elas? Os cabelos da personagem são da mesma cor do trigo. A raposa se lembraria do príncipe ao olhar para os campos de trigo. e) O que faria o trigo deixar de ser inútil para a raposa? O príncipe resolver criar laços afetivos com ela. A amizade lhe daria um novo significado, por causa da semelhança entre os cabelos cor de ouro do príncipe e o dourado dos campos de trigo. f) O uso dessa comparação no texto produz efeito poético. Por quê? Porque, para comparar, além da maneira de combinar as palavras, associando-as pela cor, o leitor pode imaginar o que é descrito pela raposa. Além disso, no texto usa-se o sentido figurado para se referir aos sentimentos que a raposa passaria a ter pelo príncipe caso ele a cativasse. 12. A amizade, segundo a raposa, aguça os órgãos dos sentidos (visão, olfato, tato, audição e paladar) dos que estão cativos. a) Quais desses órgãos serão estimulados se ela e o príncipe se tornarem amigos? A audição e a visão. b) Transcreva os trechos que confirmem sua resposta anterior. E eu amarei o barulho do vento no trigo (audição) e O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti (visão). 13. O que você entendeu a respeito da palavra rito? Por que a raposa considerava importante ter rito? Resposta possível: Porque o rito dava um significado mais importante ao seu dia. 14. Que título você daria a esse trecho do livro de Saint-Exupéry? Resposta pessoal. Professor, neste capítulo, a compreensão da ideia central como habilidade de leitura será trabalhada e sistematizada. Esse tipo de atividade, além de outras que vão aparecer, requer do aluno a síntese do que foi lido. A atividade de compreensão de texto, de reconstrução do seu sentido, contribui para o desenvolvimento dessa habilidade. TEXTO E CONTEXTO 1. A raposa diz que cativar é uma coisa muito esquecida. Considere suas relações, sua experiência pessoal e responda: Você concorda com essa afirmação? Por quê? Resposta pessoal. 131 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 131 5/7/15 9:25 AM
132 2. Releia o trecho a seguir: [...] Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. [...] Para a raposa, quando se trata de conquista, o que é mais importante, o olhar ou a palavra? A raposa acha que o olhar vale mais que a palavra, que pode levar a mal-entendidos, isto é, ser mal interpretada. 3. E você, acha que o olhar é mais fácil de interpretar do que a palavra? Resposta pessoal. TROCANDO IDEIAS 1. Você acha difícil conquistar um amigo? Por quê? Respostas pessoais. 2. Em sua opinião, é mais difícil conquistar ou conservar uma amizade? Por quê? 3. Relate uma situação em que você fez um novo amigo. Como se desenvolveram os laços afetivos entre vocês? TEXTO E CONSTRUÇÃO Professor, sugerimos que esta atividade seja feita oralmente, com sua mediação. O pequeno príncipe apresenta alguns trechos construídos com diálogos. Observe como esses diálogos foram organizados. Nesta primeira forma, aparece primeiro a fala do narrador e depois a da personagem. Observe: Neste exemplo, o narrador anuncia a fala da personagem, empregando um verbo: acrescentou. Os dois-pontos indicam que, logo após o verbo acrescentou, aparecerá a fala da personagem. Após uma reflexão, acrescentou: Que quer dizer cativar? O travessão introduz a fala do príncipe. Nesta segunda forma, a fala do narrador aparece no meio da fala da personagem. Os homens disse a raposa têm fuzis e caçam. Aqui, a fala do narrador aparece no meio da fala da personagem, separada por dois travessões. Nesta terceira forma, aparece primeiro a fala da personagem e depois a do narrador. Veja: Ah! desculpa disse o principezinho. Fala da personagem Fala do narrador 132 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 132 5/7/15 9:25 AM
133 Como você pôde observar, há diferentes formas de organizar as falas das personagens. 1. Agora, registre no caderno: Quais são as três formas de o narrador indicar a fala das personagens? Dê outros exemplos. Primeira forma: o narrador aparece antes da fala da personagem, anunciando-a. Segunda forma: o narrador interrompe a fala da personagem para explicar quem está falando. Terceira forma: a personagem fala e o narrador aparece em seguida, explicando quem falou. Em todas as formas, há a presença de um verbo que mostra ao leitor exatamente como a personagem produziu sua fala. Esses verbos se chamam verbos dicendi. Observe outros exemplos de verbos dicendi retirados do texto: Nada é perfeito suspirou a raposa. [...] Que é um rito? perguntou o principezinho. 2. Com seu professor e com seus colegas, crie uma lista de verbos dicendi. Resposta pessoal. Sugestões: Dizer, afirmar, declarar, perguntar, indagar, interrogar, contestar, negar, objetar, exortar, concordar, assentir, anuir, exclamar, gritar, bradar, pedir, solicitar, rogar, animar, aconselhar, ordenar, mandar, determinar. Diálogo Atividade de criação Sua tarefa agora será elaborar um texto empregando aquilo que você aprendeu sobre a construção de diálogos. Siga as orientações a seguir. ORIENTAÇÕES Conforme orientação do professor, você e seus colegas vão se organizar em duplas. Conver sem sobre seus amigos, seus familiares, suas preferências (time de futebol, jogos e brincadeiras etc.) durante cinco minutos. Para isso, façam perguntas um ao outro. No caderno, anotem as questões e as respostas. Em seguida, a partir dessa conversa, elaborem um diálogo fictício, baseado nos temas sobre os quais vocês conversaram. Criem personagens e empreguem, se desejarem, a voz do narrador como for ma de introduzir as falas. Fiquem atentos ao emprego dos sinais de pontuação e aos verbos dicendi adequados ao contexto. Procurem evitar a repetição de palavras, usando os pronomes estudados. Com os colegas, colabore com o professor na tarefa de reescrever, no quadro, os diálogos produzidos por uma dupla. AVALIAÇÃO Depois de ampliar seus conhecimentos sobre a forma de estruturar um diálogo, avalie sua produção anterior com o colega que trabalhou com você. Observe se vocês usaram o travessão para introduzir a fala de cada um e se organizaram os parágrafos adequadamente. Depois, respondam às questões a seguir: 1. O que você aprendeu com a atividade anterior? Respostas pessoais. 2. Que dificuldades encontrou ao reproduzir o diálogo por escrito? 3. Que sinais de pontuação você usou para escrever esse texto? Professor, depois de ter reescrito um diálogo, a turma, com sua orientação, já sabe que aspectos devem ser observados. Seria interessante propor que cada aluno retomasse seu diálogo e, com seu companheiro, reescrevesse o texto. 133 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 133 5/7/15 9:25 AM
134 Reflexão sobre o uso da língua Pronomes pessoal do caso reto e de tratamento (revisão) 1. Releia os trechos a seguir: Eu estou aqui disse a voz, debaixo da macieira... [...] Tu não és daqui disse a raposa. Que procuras? [...] Começo a compreender disse o principezinho. existe uma flor... eu creio que ela me cativou... a) A quem se referem as palavras eu, tu e ela destacadas nesses trechos? Eu : à raposa; tu : ao principezinho; ela : à flor. b) Veja como ficaria uma das falas se a personagem não tivesse utilizado o pronome ela : A palavra ela substitui, retoma o substantivo flor, evitando repetição. Trata- -se de um pronome que Existe uma flor... eu creio que a flor me cativou... está substituindo o nome a que a personagem já havia se referido. Por isso, chamamos esses pronomes (eu, tu, ele, nós, vós, eles) de palavras de referência: elas se referem a termos anteriores do texto. Ao empregarmos os pronomes pessoais, evitamos a repetição de palavras sem prejudicar a unidade de conteúdo do texto. Que função tem o pronome ela, empregado no texto original? 2. Releia outro trecho do texto: Os homens [...] têm fuzis e caçam. [...] Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem [...] a) A quem a raposa se refere nesse trecho? Aos homens. b) A expressão os homens ou a palavra eles poderia aparecer antes da palavra criam. Por que nenhuma delas foi empregada nesse trecho? O autor preferiu usar o pronome eles no trecho seguinte para se referir à expressão os homens. Deixou de usar antes da palavra criam para evitar repetição desnecessária, uma vez que o contexto permite ao leitor identificar a quem o verbo se refere. 3. Você deve ter observado na história que a raposa se dirige ao seu interlocutor (o príncipe) empregando a 2 a pessoa do discurso tu. a) Que outro pronome a raposa poderia usar sem alterar o sentido da sua fala? Você. b) O uso do pronome tu é comum em sua região? b, c, d, e: respostas pessoais. c) Na fala do dia a dia, as pessoas do lugar onde você vive empregam o pronome tu, o pronome você ou ambos? d) Será que existe diferença de uso para os pronomes tu e você em sua região? e) Há um pronome mais usado em situações formais ou informais, de intimidade? Explique. IMPORTANTE SABER Em muitas regiões do Brasil, a palavra você é usada em situações informais. Mas há falantes de algumas regiões do país que empregam o tu para situações de intimidade. Já em Portugal, é a forma tu, e não a forma você, que é empregada em situações familiares e profissionais de intimidade. 134 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 134 5/7/15 9:25 AM
135 Origem do pronome você O pronome você sofreu algumas transformações no decorrer do tempo. O pronome de tratamento que deu origem a ele é Vossa Mercê, que foi se transformando com o tempo e chegou à forma você. 4. Você conhece os pronomes de tratamento? Pesquise-os em uma gramática ou no Apêndice no final do livro e descubra o pronome que é empregado para se dirigir às pessoas relacionadas. a) uma autoridade do governo; b) um príncipe; c) uma pessoa mais velha; d) um rei; e) um diretor de uma empresa; Professor, caso julgue necessário, você poderá aprofundar o estudo dos pronomes de tratamento ou recorrer à tabela do final do livro sempre que eles surgirem nos textos lidos no decorrer da obra. Esses pronomes serão retomados durante o estudo de outros gêneros de texto. a) Excelentíssimo (Exm o ); b) Vossa Alteza (V.A.); c) Senhor, Senhora (Sr./Sr a ); d) Vossa Majestade (V.M.); e) Vossa Senhoria (V.S a ), Ilustríssimo (Ilm o ); f) Você; g) Vossa Santidade (V.S.). O uso de você torna a relação leitor-autor mais próxima, mais íntima. Professor, há exemplos do uso do pronome você aproximando e revelando o grau de intimidade dos interlocutores no texto Qualquer coisa. Se quiser, poderá retomá-lo para dar exemplo de uso desse tipo de situação comunicativa. f) um amigo; g) o papa. 5. Observe com atenção o emprego dos pronomes de tratamento nas diferentes situações: Situação I O secretário abre a porta do gabinete do governador do Estado e pergunta: Vossa Excelência aceita um café? Situação II O secretário do governador comunica à copeira: Sua Excelência quer um café. Por que, na situação I, o secretário emprega Vossa Excelência e, na situação II, Sua Excelência? Porque na primeira situação o secretário se dirige ao governador diretamente e, na segunda situação, o secretário fala com a copeira sobre o desejo do governador. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Reescreva o trecho a seguir, utilizando outro pronome de tratamento no lugar das palavras em destaque. Faça as alterações necessárias na frase. Você não é... necessidade de você E você não tem... [...] Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. 2. Imagine que as frases abaixo fossem produzidas por mais de uma raposa e dirigidas a mais de um principezinho. Como elas ficariam? Faça as alterações necessárias. a) E eu serei para ti única no mundo. E nós seremos para vós únicas no mundo. b) Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Nós não comemos pão. O trigo para nós é inútil. Professor, se os alunos, em sua maioria, apresentarem dificuldades quanto ao uso do plural, é conveniente retomar esse assunto e solicitar mais atividades. Há mais uma sugestão de atividade no Manual. 135 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 135 5/7/15 9:25 AM
136 3. Leia o seguinte cartaz: a) O que está sendo divulgado no cartaz? A campanha de vacinação contra a poliomielite e tríplice viral. b) A quem se dirige o cartaz? Aos pais de crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. c) A qual tesouro o cartaz se refere? Aos filhos, que devem ser vacinados. d) Quem é a personagem que aparece caracterizada como um pirata no cartaz? A personagem é o Zé Gotinha. e) Qual é a relação entre as imagens e o texto principal desse cartaz? f) Na frase principal do cartaz, há um pronome de tratamento implícito. Qual é esse pronome? Você. g) Provavelmente, com qual intenção esse pronome foi utilizado, mesmo que implicitamente? Provavelmente, com a intenção de estabelecer uma relação informal com os interlocutores, gerando certa proximidade, que é importante para a função apelativa do cartaz. 4. Reescreva os trechos a seguir, utilizando uma outra forma para indicar a fala das personagens. Se necessário, consulte o que você estudou sobre esse assunto neste capítulo. a) Que é preciso fazer? perguntou o principezinho. O principezinho perguntou: Que é preciso fazer? b) Que é um rito? perguntou o principezinho. O principezinho perguntou: Que é um rito? c) A raposa disse: Os homens têm fuzis e caçam. Os homens têm fuzis e caçam disse a raposa. d) O principezinho propôs: Vem brincar comigo. Estou tão triste... Vem brincar comigo. Estou tão triste... propôs o principezinho. 3. e) As imagens do Zé Gotinha, caracterizado como pirata, e de um navio estabelecem relação com o termo tesouro. No imaginário popular, os piratas são identificados como pessoas que se aventuravam nos mares em busca de riquezas, pilhando outros navios. Ao fazer essas associações, o cartaz procura mostrar que os filhos são muito valiosos para os pais e estes que devem protegê-los com a vacinação. 3. d) Professor, se achar necessário, informe aos alunos de que essa personagem foi criada em 1986 pelo artista plástico Darlan Rosa, para a campanha de vacinação contra o vírus da poliomielite (paralisia infantil), realizada pelo Ministério da Saúde. 5. Leia a próxima tira e escreva, em seu caderno, o diálogo apresentado nos balões, empregando as formas de pontuação estudadas. Se necessário, introduza a voz do narrador ou use outras expressões para dar sentido ao texto. Sugestão de resposta: Hamlet estava lendo quando a garota que estava ao seu lado perguntou: / Hamlet, o que é amor? / Ele respondeu: / Amor é um substantivo. e acrescentou: / Simples, masculino, abstrato. / Entusiasmada, a garota declarou: / Você é tão romântico! Dik Browne Ministério da Saúde BROwNE, Dik. O melhor de Hagar, o Horrível. Porto Alegre: L&PM, O humor da tira está na reação da personagem no último quadrinho. Explique por que motivo a fala Você é tão romântico! produz humor. O humor está no fato de Hamlet dar uma definição gramatical de amor, algo nada romântico. 136 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 136 5/7/15 9:25 AM
137 Reflexão sobre o uso da língua Formação de palavras sufixo 1. Leia esta tirinha: André Dahmer Folha de S.Paulo, 15 jan Disponível em: < ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#15/1/2015>. Acesso em: 25 jan a) Qual é a diferença entre o mundo ser perigoso e ser perigosíssimo? Ser perigosíssimo é pior que ser perigoso, pois quer dizer que é mais perigoso. b) A terminação -íssimo interferiu no significado da palavra perigoso. Que ideia essa terminação atribuiu à palavra? A ideia de muito. c) De acordo com a personagem, por qual motivo o mundo ficou ainda mais perigoso? Por causa do advento da tecnologia. d) Você concorda com a personagem? Explique. Resposta pessoal. 2. Observe as palavras a seguir: lindo gostoso delicado a) A qual classe gramatical pertencem essas palavras? À classe dos adjetivos. b) Acrescente às palavras do quadro a terminação -íssimo, fazendo as adaptações necessárias. Depois, indique se houve alteração de sentido e de classe gramatical. Lindíssimo, gostosíssimo, delicadíssimo. Houve alteração de sentido, pois, com o acréscimo da terminação -íssimo, as palavras tiveram seu sentido intensificado (mais lindo, mais gostoso, mais delicado). Não houve, porém, alteração na classe gramatical, pois elas continuam sendo adjetivos. 3. Releia estes trechos de O pequeno príncipe e substitua as palavras destacadas por outras palavras ou expressões com sentido semelhante. Exatamente: isso mesmo, precisamente certo; inteiramente: totalmente, por inteiro, completamente. Exatamente disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual [...] Polidamente: de modo educado, de modo polido, educadamente. Bom dia respondeu polidamente [...] a) Observe a escrita das palavras destacadas. O que há em comum entre elas? Que parte das palavras é semelhante? Todas terminam em -mente. 137 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 137 5/7/15 9:25 AM
138 IMPORTANTE SABER Tanto -íssimo quanto -mente são exemplos de partículas que se unem ao final de uma palavra, alterando o seu significado e podendo alterar também sua classe gramatical. Essas partículas acrescentadas ao final das palavras são chamadas de sufixos. b) A que palavras a terminação -mente se uniu na atividade anterior? À forma feminina das palavras exato, inteiro e polido. c) A que classe gramatical essas palavras pertencem? À classe dos adjetivos. d) As palavras exatamente, inteiramente e polidamente pertencem à mesma classe gramatical que as palavras exato, inteiro e polido? Se necessário, faça uma pesquisa em gramáticas e dicionários e anote suas conclusões no caderno. Não. Professor, ainda que não reconheçam as palavras exatamente, inteiramente e polidamente como advérbios, espera-se que os alunos percebam que elas não são adjetivos como as palavras exato, inteiro e polido. e) Que ideia a terminação -mente acrescentou às palavras destacadas? Nessas palavras, a terminação -mente deu uma ideia de modo, da maneira como as ações foram realizadas. f) Você conhece outras palavras formadas pela terminação -mente? Anote algumas delas no caderno e escreva seu significado. Se necessário, consulte um dicionário. Resposta pessoal. Sugestões: Rapidamente: de modo rápido; calmamente: de forma calma; interessantemente: de maneira interessante. 4. Leia esta outra tirinha. Fernando Gonsales a) Uma das palavras da tira é formada por um sufixo que indica diminuição. Transcreva-a. Pintinho. b) O acréscimo do sufixo alterou a classe gramatical da palavra que você transcreveu? Explique. Não, o acréscimo do sufixo -inho à palavra pinto não alterou sua classe gramatical. Pintinho continuou a ser um substantivo. c) A palavra cantoria deriva de cantar. Nesse caso, o acréscimo do sufixo alterou a classe gramatical da palavra? Explique. Sim, pois cantar é verbo e cantoria, substantivo. d) Que sentido foi atribuído pelo sufixo -ria ao verbo cantar? O sentido de muita canção, de coro de vozes. e) Nas palavras padaria, sorveteria e peixaria, o sufixo -ria expressa o mesmo sentido que em cantoria? Explique. Não. Nessas palavras, o sufixo atribui o sentido de lugar em que se comercializa algo. De olho na ortografia Palavras terminadas em -oso/-osa 1. Observe as palavras a seguir: bondoso bondosa Lembre-se de outras palavras que terminam em -oso/-osa e escreva-as no caderno. 138 Alguns exemplos: saborosa, cheirosa, horroroso, trabalhoso etc. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 138 5/7/15 9:25 AM
139 2. Leia este diálogo: Por quê? Ó Lobo Mau, você é tão carinhoso, gracioso, cheiroso, bondoso, maravilhoso! Suas palavras são tão fabulosas, Chapeuzinho mentirosa! Ilustrações: Renato Arlem a) Copie do texto as palavras com -oso e -osa(s). Carinhoso, gracioso, cheiroso, bondoso, maravilhoso, fabulosas e mentirosa. b) A palavra maravilhoso foi formada a partir da palavra maravilha. A partir de quais palavras as outras foram formadas? A partir das palavras carinho, graça, cheiro, bondade, fábula e mentira. c) Qual é a função dessas palavras nas frases dos balões? d) As partículas -oso e -osa podem ser consideradas sufixos? Por quê? Prática de leitura No primeiro balão, elas dão características ao Lobo Mau e, no segundo, fabulosas caracteriza o que Chapeuzinho falou. A palavra mentirosa caracteriza a própria Chapeuzinho. São adjetivos. Sim, são sufixos porque são terminações acrescidas ao final das palavras, modificando-as. Professor, embora as atividades mencionem a definição do sufixo, o importante é que os alunos percebam a mudança semântica das palavras que são por ele modificadas. texto 8 conto ANTES DE LER 1. Em seu caderno, transcreva a alternativa que combina com você quando vê alguém pela primeira vez. a) Deixa-se levar pela primeira impressão, seja boa ou ruim. b) Desconfia logo à primeira vista e prefere aguardar a convivência para descobrir com quem está lidando. c) Costuma simpatizar com qualquer pessoa à primeira vista. d) Tem receio de se relacionar com desconhecidos. Resposta pessoal. 2. Você já chegou a um lugar onde não conhecia ninguém? O que sentiu e fez nessa situação? Resposta pessoal. 3. Leia apenas o título do texto a seguir e observe a ilustração que o acompanha. a) Em que ambiente você imagina que a próxima história se passa? b) A que tipo de lição o título do texto pode estar se referindo? Respostas pessoais. Professor, essas são questões de antecipação do texto por meio de dedução de alguns de seus aspectos composicionais. Os alunos farão a confirmação das hipóteses durante a seção Por dentro do texto. 139 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 139 5/7/15 9:25 AM
140 No último dia de férias, Lilico nem dormiu direito. Não via a hora de voltar à escola e rever os amigos. Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao encontro deles. Abraçou-os à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara de Natal, contou sobre sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles, o coração latejando de alegria. Aos poucos, foi matando a saudade das descobertas que fazia ali, das meninas ruidosas, do azul e branco dos uniformes, daquele burburinho à beira do portão. Sentia-se como um peixe de volta ao mar. Mas, quando o sino anunciou o início das aulas, Lilico descobriu que caíra numa classe onde não havia nenhum de seus amigos. Encontrou lá só gente estranha, que o observava dos pés à cabeça, em silêncio. Viu-se perdido e o sorriso que iluminava seu rosto se apagou. Antes de começar, a professora pediu que cada aluno se apresentasse. Aborrecido, Lilico estudava seus novos companheiros. Tinha um japonês de cabelos espetados com jeito de nerd. Uma garota de olhos azuis, vinda do Sul, pareceu-lhe fria e arrogante. Um menino alto, que quase bateu no teto quando se ergueu, dava toda a pinta de ser um bobo. E a menina que morava no sítio? A coitada comia palavras, olhava-os assustada, igual um bicho do mato. O mulato, filho de pescador, falava arrastado, estalando a língua, com sotaque de malandro. E havia uns garotos com tatuagens, umas meninas usando óculos de lentes grossas, todos esquisitos aos olhos de Lilico. A professora? Tão diferente das que ele conhecera... Logo que soou o sinal para o recreio, Lilico saiu a mil por hora, à procura de seus antigos colegas. Surpreendeu-se ao vê-los em roda, animados, junto aos estudantes que haviam conhecido horas antes. De volta à sala de aula, a professora passou uma tarefa em grupo. Lilico caiu com o japonês, a menina gaúcha, o mulato e o grandalhão. Começaram a conversar cheios de cautela, mas paulatinamente foram se soltando, a ponto de, ao fim do exercício, parecer que se conheciam há anos. Lilico descobriu que o japonês não era nerd, não: era ótimo em Matemática, mas tinha dificuldade em Português. A gaúcha, que lhe parecera tão metida, era gentil e o mirava ternamente com seus lindos olhos azuis. O mulato era um caiçara responsável, ajudava o pai desde criança e prometeu ensinar a todos os segredos de uma boa pescaria. O grandalhão não tinha nada de bobo. Raciocinava rapidamente e, com aquele tamanho, seria legal jogar basquete no time dele. Lilico descobriu mais. Inclusive que o haviam achado mal-humorado quando ele se apresentara, mas já não pensavam assim. Então, mirou a menina do sítio e pensou no quanto seria bom conhecê-la. Devia saber tudo de passarinhos. Sim, justamente porque eram diferentes havia encanto nas pessoas. Se ele descobrira aquilo no primeiro dia de aula, quantas descobertas não haveria de fazer no ano inteiro? E, como um lápis deslizando numa folha de papel, um sorriso se desenhou novamente no rosto de Lilico. CArrASCozA, João Anzanello. Nova Escola, São Paulo, ed. Abril, dez Uma lição inesperada Jótah 140 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 140 5/7/15 9:25 AM
141 POR DENTRO DO TEXTO 1. Anote todos os sentimentos e emoções vividos pela personagem Lilico. Resposta possível: Parágrafo 1: ansiedade, felicidade, animação, desorientação, decepção, aborrecimento, desconfiança (cautela), conforto (sentiu-se à vontade), surpresa, admiração. Parágrafo 2: curiosidade, animação. 2. O narrador conta que Lilico chega alegre à escola. O que o fez sentir-se diferente? Ele fica decepcionado pelo fato de não ter caído na classe dos colegas conhecidos. 3. Releia este trecho que revela os primeiros pensamentos de Lilico sobre os novos colegas: [...] Aborrecido, Lilico estudava seus novos companheiros. Tinha um japonês de cabelos espetados com jeito de nerd. Uma garota de olhos azuis, vinda do Sul, pareceu-lhe fria e arrogante. Um menino alto, que quase bateu no teto quando se ergueu, dava toda a pinta de ser um bobo. E a menina que morava no sítio? A coitada comia palavras, olhava-os assustada, igual um bicho do mato. O mulato, filho de pescador, falava arrastado, estalando a língua, com sotaque de malandro. E havia uns garotos com tatuagens, umas meninas usando óculos de lentes grossas, todos esquisitos aos olhos de Lilico. [...] O trecho acima revela alguns tipos de preconceitos. Quais são eles? Lilico julga as pessoas pela aparência (características físicas) e pelo comportamento delas. O menino revela preconceito contra quem parece ser bobo ou bitolado, nerd (estudioso demais). Preconceito linguístico, social e preconceito quanto à maneira de as pessoas se apresentarem (uso de: roupas, acessórios, tatuagens). 4. Qual foi a oportunidade que Lilico teve para mudar sua visão a respeito dos novos colegas? O trabalho em grupo sugerido pela professora. 5. Lilico descobriu que seus novos colegas tinham características positivas e, portanto, cada um tinha uma contribuição importante para o grupo. a) O que a menina que morava no sítio tinha a oferecer para a turma? Ela devia conhecer tudo sobre passarinhos. b) E o colega alto? Seria um bom jogador de basquete. c) E o filho de pescadores? O que poderia ensinar aos meninos da turma? Resposta pessoal. Espera-se que os alunos percebam que esse menino, por já trabalhar, era mais amadurecido que os demais. Também conhecia tudo sobre pescaria. d) O que o surpreendeu na garota gaúcha? Ela era gentil e não metida. 6. Qual é a relação entre o desfecho da história e o título do texto? O desfecho da história revela que Lilico, preconceituoso no início, acaba aprendendo uma lição, não uma lição como estava acostumado na escola: de Matemática ou História ou de outra matéria, mas uma lição de vida não julgar pelas aparências. Lilico foi surpreendido com essa lição, por isso o título Uma lição inesperada. TROCANDO IDEIAS 1. A reação de Lilico ao voltar para a escola no primeiro dia de aula após as férias é comum? Por quê? Respostas pessoais. 2. Você acha que poderia ter a mesma reação de Lilico se, após as férias, ao voltar para a escola, fosse para uma turma diferente? Por quê? 3. Você já teve sentimentos ou atitudes semelhantes aos de Lilico? Conte-os para sua turma. Verbo (i) Reflexão sobre o uso da língua 1. Releia o trecho abaixo, retirado do texto Uma lição inesperada, para responder às questões a seguir. [...] Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao encontro deles. Abraçou-os à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara de Natal, contou sobre sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles [...]. 141 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 141 5/7/15 9:25 AM
142 Como aprendemos na unidade anterior, nas histórias há um narrador que relata fatos, envolvendo personagens que agem e dialogam em um espaço e durante um período de tempo. a) Quais são as palavras que expressam as ações da personagem no trecho extraído? Acordou, tomou, pegou, foi, abraçou, mostrou, ganhara, contou, ouviu, divertiu-se. b) É possível perceber se as ações acontecem no presente, no passado ou no futuro? Justifique sua resposta. Pela terminação dos verbos, podemos perceber que as ações ocorrem no passado. c) Se as ações de Lilico ainda não tivessem acontecido e o narrador fosse nos contar suas ações futuras, como ficaria a frase abaixo? Reescreva-a em seu caderno, fazendo as alterações necessárias. [...] Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao encontro deles. [...] Acordará feliz da vida, tomará o café da manhã às pressas, pegará sua mochila e irá ao encontro deles. Professor, caso os alunos respondam utilizando a forma composta do tempo futuro vai acordar, vai tomar, vai pegar, é interessante enfatizar que elas são bastante comuns na linguagem informal, e as citadas como respostas, em situações formais. Com essas atividades, você pôde perceber que as palavras que expressaram as ações das personagens acordou, tomou, pegou, foi, abraçou, mostrou, ganhara, contou, ouviu, divertiu-se sofreram alterações na forma quando quisemos mudar o tempo do passado para o futuro. 2. Releia este outro trecho do texto, do qual foram omitidas algumas palavras: [...] Aos poucos, a saudade das descobertas que ali, das meninas ruidosas, do azul e branco dos uniformes, daquele burburinho à beira do portão. Como um peixe de volta ao mar. Mas, quando o sino o início das aulas, Lilico que numa classe onde não nenhum de seus amigos. [...] a) A omissão das palavras possibilitou a compreensão adequada e total desse trecho? Por quê? Não, pois o sentido do texto ficou prejudicado. b) As palavras que permaneceram no texto indicam alguma ação das personagens, sugerindo também o tempo em que ocorreram? Não. c) Em sua opinião, por que as palavras omitidas prejudicam o sentido do texto? Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba a função dos verbos no trecho. Sua omissão prejudica a construção de sentido, pois impede a identificação das ações realizadas pelas personagens e do tempo em que ocorreram. IMPORTANTE SABER As palavras que exprimem ações que acontecem em determinado tempo fazem parte de uma classe gramatical chamada verbo. 3. Agora, observe novamente este trecho: [...] Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao encontro deles. [...] 142 a) Se quiséssemos acrescentar um pronome pessoal do caso reto no início desse trecho, que pronome utilizaríamos? O pronome ele. b) A que pessoa do discurso esse pronome se refere? Refere-se à 3 a pessoa do singular. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 142 5/7/15 9:25 AM
143 4. Se a história fosse contada por Lilico, ou seja, se fosse contada por um narrador-personagem, como ficaria o trecho abaixo? Reescreva-o em seu caderno, fazendo as alterações necessárias. Abracei-os à entrada da escola, mostrei o relógio que ganhara de Natal, contei sobre minha viagem ao litoral. Depois ouvi as histórias dos amigos e diverti-me com eles [...]. [...] Abraçou-os à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara de Natal, contou sobre sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles [...] Professor, é importante salientar aos alunos que, além da alteração sofrida pelos verbos, por causa da mudança da 3 a pessoa para a 1 a pessoa do singular, houve também a alteração dos pronomes possessivo (minha) e pessoal do caso oblíquo (me). IMPORTANTE SABER Professor, se achar necessário, aprofunde esse assunto com o auxílio do Apêndice. Os verbos sofrem variações de acordo com o tempo em que as ações acontecem (passado, presente, futuro). Observe os exemplos: Lilico acordou feliz da vida naquele dia. Lilico acorda feliz da vida todos os dias. Lilico acordará feliz da vida amanhã. Os verbos sofrem variações de acordo com as pessoas do discurso às quais estão relacionados. 1 a pessoa do singular: eu tomei o café da manhã às pressas. 2 a pessoa do singular: tu tomaste o café da manhã às pressas. 3 a pessoa do singular: ele tomou o café da manhã às pressas. 1 a pessoa do plural: nós tomamos o café da manhã às pressas. 2 a pessoa do plural: vós tomastes o café da manhã às pressas. 3 a pessoa do plural: eles tomaram o café da manhã às pressas. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Escreva um pequeno parágrafo contando como é o seu dia a dia. Comece com a expressão Todos os dias eu.... Depois de elaborar o texto, responda oralmente: Que tempo verbal você usou para construir o parágrafo? Por quê? Supõe-se que o aluno use o tempo presente. A expressão todos os dias, acompanhada do verbo no presente, indica hábito, frequência das atividades descritas. 2. Copie a história a seguir em seu caderno, substituindo os símbolos pelos verbos do quadro. retrucou secou viviam chegaram foram disse As rãs e o sapo viviam secou foram Duas rãs num pântano. Mas no verão o pântano e elas procurar outro lugar para Chegaram disse morar. perto de um poço. Uma : Parece um lugar gostoso e úmido. Vamos pular e fazer retrucou a nossa casa. Mas a outra : Vamos com calma, amiga. Se este poço secar, como vamos sair e pular? [...] BenneTT, William J. O livro das virtudes I. rio de Janeiro: nova Fronteira, pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 143 5/7/15 9:25 AM
144 3. Em seu caderno, reescreva o trecho a seguir, colocando os verbos no tempo presente: Duas rãs vivem num pântano. Mas no verão o pântano seca [...] Duas rãs viviam num pântano. Mas no verão o pântano secou [...] A mudança do tempo dos verbos modificou o sentido do texto. Explique qual foi a mudança. A ideia de que o pântano sempre seca no verão, ou seja, que isso costuma acontecer com frequência nessa estação do ano. 4. Releia o seguinte trecho do texto Uma lição inesperada : [...] Lilico estudava seus novos companheiros. Tinha um japonês de cabelos espetados com jeito de nerd. Uma garota de olhos azuis, vinda do Sul, pareceu-lhe fria e arrogante. a) Nesse trecho, aparecem quatro verbos. Encontre-os e transcreva-os. Estudava, tinha, vinda, pareceu. b) Como vimos, a maioria dos verbos indica ação. Porém, há aqueles que também podem indicar um estado. Nesse fragmento, qual dos verbos indica estado? Pareceu. c) A qual personagem esse verbo se refere? Refere-se à garota de olhos azuis. d) Com qual finalidade esse verbo foi utilizado? Espera-se que o aluno perceba que o verbo foi utilizado para caracterizar a personagem. e) Na frase Lilico estudava seus novos companheiros, o verbo destacado teria outro sentido se estivesse acompanhado da palavra com? Explique. Sim. Sem a palavra, no sentido em que está sendo usado, o verbo estudar significa analisar ; acompanhado da palavra com (estudar com), passaria a significar que a personagem tinha a companhia dos colegas para estudar. texto 9 Verbete ANTES DE LER Prática de leitura 1. Leia apenas o trecho em azul no texto e compare as informações dessa parte com a imagem. A qual elemento da imagem elas se referem? Elas se referem à imagem do palácio. 2. Pela imagem, o que é possível deduzir do assunto do texto? Espera-se que os alunos percebam que o texto traz informações sobre um palácio chamado Taj Mahal e sua construção. Taj Mahal, um palácio oriental Um comprido espelho-d água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se aproximam. Quatro torres laterais protegem a construção. Ao centro, o grande palácio de mármore branco. O Taj Mahal, uma das construções mais belas do mundo, é um palácio de estilo oriental. Sua maior cúpula, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se alguém tivesse assoprado seu interior. Duas cúpulas pequenas ficam ao lado dessa principal. As duas pequenas lembram grandes turbantes árabes. O enorme Taj Mahal, na cidade de Agra, na Índia, parece que vai se desprender da terra e sair voando como um tapete mágico. A construção do palácio começou no fim de uma linda história de amor. O príncipe persa Shah Jahan era muito poderoso e namoradeiro. Ele tinha um harém: eram mais de trezentas moças à disposição do príncipe! A cada noite ele escolhia uma mulher diferente para namorar. 144 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 144 5/7/15 9:25 AM
145 Certo dia, quando estava com 21 anos, Shah Jahan se apaixonou por uma dessas namoradas, chamada Arjumand Begum. De uma hora para outra, nenhuma de suas trezentas namoradas o fazia feliz. O príncipe não queria saber de mais ninguém. Shah Jahan e a bela Arjumand casaram-se e tiveram 13 filhos! Mas um acontecimento trágico pôs fim a essa história de amor, e deu origem a um dos mais lindos palácios do mundo... [...] Quando o 14 o filho de Shah Jahan e Arjumand estava nascendo, ela não suportou as dores do parto e morreu. O príncipe se desesperou e quase morreu também, de tristeza e desgosto. Para abrigar o corpo de sua amada, ele decidiu construir um palácio. Shah Jahan convidou os maiores artistas e arquitetos dos impérios persa e mongol, mandou comprar os melhores mármores, encomendou rubis e jades para decorar o mais belo túmulo que alguém poderia ter. O Taj Mahal demorou 22 anos para ser construído e ficou pronto em Shah Jahan resolveu então construir um novo palácio, onde ele próprio seria enterrado. Mas seus filhos não deixaram o príncipe cometer mais essa loucura e o prenderam em uma fortaleza. Quando ele morreu, também foi enterrado no Taj Mahal, ao lado do seu amor. Shah Jahan e Arjumand Begum dormem juntos para sempre no mais lindo palácio do mundo. Disponível em: < br/viagem/mundo/tajmahal.htm>. Acesso em: 29 jan Fachada do Taj Mahal, palácio monumental situado em Agra, na Índia. Danm12/Shutterstock POR DENTRO DO TEXTO 1. O texto foi dividido em cinco partes, representadas por diferentes cores. Em seu caderno, relacione cada quadro a seguir com os trechos do texto correspondentes ao assunto tratado. Identifique- -os pelo nome das cores. Respostas: I-verde, II-vermelho, III-azul, IV-cinza, V-marrom. I. História que motivou a construção do palácio indiano. II. Tempo de duração da construção. III. Descrição do palácio. IV. Acontecimentos ocorridos depois da construção do Taj Mahal. V. Localização do Taj Mahal no espaço e no tempo. 2. Identifique no texto as informações a que se referem os trechos a seguir e anote as respostas em seu caderno. a) A construção do palácio começou no fim de uma linda história de amor. O trecho se refere à história de amor entre Shah Jahan e Arjumand Begum. Após a morte da amada, Shah mandou construir um palácio em sua homenagem. b) Um comprido espelho-d água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se aproximam. O espelho-d água faz parte do cenário do Taj Mahal, o palácio descrito com detalhes no texto. Ele fica no pátio do palácio e reflete a imagem das pessoas que visitam esse lugar. c) Shah Jahan e Arjumand Begum dormem juntos para sempre no mais lindo palácio do mundo. Após sua morte, Shah também foi enterrado no Taj Mahal, ao lado de sua esposa Arjumand. 145 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 145 5/7/15 9:25 AM
146 TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. Todo texto é produzido com uma intenção. Leia os quadros a seguir e identifique a intenção do texto 9. Transcreva-a em seu caderno. Expor informações, transmitir conhecimentos sobre determinado assunto. Debater sobre um problema social. Instruir alguém para realizar uma ação. Expor informações, transmitir conhecimentos sobre determinado assunto. Vender um produto. 2. Para apresentar o assunto do texto, foi necessária a construção de trechos descritivos. Em seu caderno, transcreva do texto um trecho que comprove essa afirmação. Sua maior cúpula, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se alguém tivesse assoprado seu interior. Duas cúpulas pequenas ficam ao lado dessa principal. As duas pequenas lembram grandes turbantes árabes. 3. Além de trechos descritivos, o texto apresenta também trechos narrativos. Que informações a narrativa da história de Shah e Arjumand acrescentam ao leitor sobre o assunto exposto? Explique sua resposta. Sem conhecer a história, não é possível compreender por que um palácio tão majestoso foi construído. 4. O trecho reproduzido a seguir é a parte verde do texto 9, sobre o Taj Mahal. Observe que esse trecho narra o início da história de amor entre Shah Jahan e Arjumand Begun. Releia-o: O príncipe persa Shah Jahan era muito poderoso e namoradeiro. Ele tinha um harém: eram mais de trezentas moças à disposição do príncipe! A cada noite ele escolhia uma mulher diferente para namorar. Certo dia, quando estava com 21 anos, Shah Jahan se apaixonou por uma dessas namoradas, chamada Arjumand Begum. De uma hora para outra, nenhuma de suas trezentas namoradas o fazia feliz. O príncipe não queria saber de mais ninguém. Shah Jahan e a bela Arjumand casaram-se e tiveram 13 filhos! Mas um acontecimento trágico pôs fim a essa história de amor e deu origem a um dos mais lindos palácios do mundo... [...] Quando o 14 o filho de Shah Jahan e Arjumand estava nascendo, ela não suportou as dores do parto e morreu. O príncipe se desesperou e quase morreu também, de tristeza e desgosto. Para abrigar o corpo de sua amada, ele decidiu construir um palácio. Shah Jahan convidou os maiores artistas e arquitetos dos impérios persa e mongol, mandou comprar os melhores mármores, encomendou rubis e jades para decorar o mais belo túmulo que alguém poderia ter. 146 Sugestão para a continuidade do texto: A construção do palácio começou no fim desta linda história de amor. O enorme Taj Mahal, na cidade de Agra, na Índia, parece que vai se desprender da terra e sair voando como um tapete mágico. Um comprido espelho-d água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se aproximam. Quatro torres laterais protegem a construção. Ao centro, o grande palácio de mármore branco. O Taj Mahal, uma das construções mais belas do mundo, é um palácio de estilo Agora, em seu caderno, escreva uma continuação para o trecho, reorganizando as informações do texto 9 em uma nova ordem. Para isso, releia as outras partes do texto, que estão em cores diferentes; reorganize essas partes, dando sequência ao início da história; mantenha a coerência do novo texto, fazendo adaptações quando necessário. oriental. Sua maior cúpula, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se alguém tivesse assoprado seu interior. Duas cúpulas pequenas ficam ao lado dessa principal. As duas pequenas lembram grandes turbantes árabes. O Taj Mahal demorou 22 anos para ser construído e ficou pronto em Shah Jahan resolveu então construir um novo palácio, onde ele próprio seria enterrado. Mas seus filhos não deixaram o príncipe cometer mais essa loucura e o prenderam em uma fortaleza. Quando ele morreu, também foi enterrado no Taj Mahal, ao lado do seu amor. Shah Jahan e Arjumand Begum dormem juntos para sempre no mais lindo palácio do mundo. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 146 5/7/15 9:25 AM
147 TEXTO E CONTEXTO 1. Você conhece outra história de amor parecida com a de Shah e Arjumand? Qual? Respostas pessoais. 2. Conhece alguma grande obra produzida em homenagem a alguém? Caso não conheça, pesquise sobre o assunto, anote o que descobriu em seu caderno e partilhe com a sua turma. Prática de leitura texto 10 capa de revista Alto Astral Todateen, São Paulo, Alto Astral, ano 19, n. 227, out POR DENTRO DO TEXTO 1. Os assuntos tratados na capa da revista nos permitem reconhecer especificamente qual é seu público-alvo. Qual é esse público? O público feminino jovem (pré-adolescentes e adolescentes, principalmente). 2. A linguagem usada nas frases dessa capa é formal ou informal? Justifique com palavras ou expressões retiradas do texto. Informal, o que pode ser percebido pelo uso de palavras e expressões como mandar bem, BV, pra, sua, você, PFVR. TEXTO E CONTEXTO 1. A partir da leitura da capa, é possível sabermos qual é o destaque da edição de uma revista. No caso dessa capa, qual é o destaque dessa edição? Como você chegou a essa conclusão? A matéria Guia do beijo é o destaque. A chamada para essa matéria recebe destaque tipográfico e está disposta de modo a chamar mais a atenção do leitor que as outras. Além disso, a quantidade de subtópicos mostra que esse assunto será aprofundado na edição. 147 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 147 5/7/15 9:25 AM
148 2. A moça que aparece na capa é a cantora, atriz e compositora norte-americana Demi Lovato, muito conhecida pelo público infantojuvenil. a) Demi é considerada uma pessoa famosa. Identifique e transcreva no caderno a manchete da capa que nos permite confirmar essa informação. Demi pra copiar: looks e makes para virar diva. Professor, o uso do termo diva para se referir à cantora indica que ela é uma pessoa famosa. b) Um dos adjetivos que aparecem na manchete que você transcreveu nos mostra como a atriz e cantora é vista por seus fãs. Que adjetivo é esse? Qual é o significado dele? O adjetivo é diva, que significa deusa, ídolo. c) Levante uma hipótese: Por que razão essa cantora e atriz foi escolhida para ilustrar a capa da revista? Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que é comum que fotos de artistas ou pessoas famosas sejam usadas para ilustrar capas de revistas, de modo a atrair um possível leitor que se interesse por informações sobre aquela pessoa. TROCANDO IDEIAS 1. Releia a manchete a seguir: Menos timidez PFVR! Como ter mais atitude a) O que significa PFVR? Significa por favor. b) Em que situação de comunicação o uso desse tipo de linguagem é mais comum? Geralmente em conversas informais na internet, sobretudo em redes sociais e mensagens de texto. c) Qual é a sua opinião sobre o uso desse tipo de linguagem? Resposta pessoal. Professor, essa é uma boa oportunidade para comentar com os alunos sobre a importância da adequação da linguagem aos diferentes contextos e interlocutores. d) A que atitude a manchete está provavelmente se referindo? Provavelmente, a manchete faz referência ao fato de as meninas tomarem a frente nas conquistas amorosas, não esperando pelos meninos. e) Você concorda com a sugestão feita na manchete? Justifique. Resposta pessoal. Professor, é possível ampliar a discussão sobre o item e, abordando questões de gênero. Questione os alunos sobre o papel geralmente submisso atribuído às mulheres em relação aos homens durante a conquista amorosa e sobre os estereótipos e preconceitos que esse posicionamento implica. 2. Leia novamente esta manchete: Alto Astral a) Qual recurso visual ajuda a compor a palavra beijo nessa manchete? Por que você acha que ele foi utilizado? No subtítulo, a letra o da palavra beijo foi substituída pela silhueta de um beijo de batom. Provavelmente, esse recurso foi utilizado para chamar a atenção do leitor. b) O que significa BV? BV é a sigla para boca virgem, usada para fazer referência a alguém que nunca beijou. c) Você acha que uma pessoa aprende a beijar com as dicas de um guia? Resposta pessoal. Professor, no Manual você encontra mais sugestões para a análise crítica de revistas para adolescentes. Consulte-as com antecedência, caso deseje realizar esse trabalho complementar com os alunos. Prática de leitura texto 11 Depoimento ANTES DE LER 1. Você acredita que um namoro virtual possa se tornar real? Por quê? Respostas pessoais. 2. Em sua opinião, por que muitas pessoas mantêm relacionamentos virtuais? 148 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 148 5/7/15 9:25 AM
149 Getty Images/Comstock Garotos contam: quando o virtual se torna real? Você não consegue desgrudar do computador só para não perder a oportunidade de passar horas conversando com ele? A gente entende! Mas, quando será que eles sentem vontade de transformar o virtual em 17 anos, Imbituba (SC) Dá para saber que está na hora de conhecer a garota quando tudo o que você quer é conversar com ela! Isso sem falar que, na real, a coisa precisa acontecer naturalmente. Primeiro internet, depois SMS, 18 anos, Porto Alegre (RS) Se torna real para o cara quando checar as redes sociais da menina é a primeira coisa que ele faz quando acorda, só para ver se ela postou algo 16 anos, Campina Grande (PB) Sabe quando você passa o tempo todo pensando naquela pessoa e sente que conversar com ela só pela internet não é mais o bastante? Eu já passei por isso. Durante 6 meses fiquei teclando com uma menina e acabei me apaixonando por 17 anos, São Paulo (SP) É simples: sugerimos a saída a partir do momento em que ela é a única coisa que vem na cabeça quando 16 anos, São Paulo (SP) Mesmo que o lance role através de uma tela de computador, os sentimentos são reais. Acho que o ciúme é um grande sinal: quando ele aparecer, é hora de dar um bom abraço na menina! Sabe quando você passa o tempo todo pensando naquela pessoa [...]?. PoLo, rafaela. Garotos contam: quando o virtual se torna real? Capricho, São Paulo, ed. Abril, 13 jan Disponível em: < -virtual-se-torna-real shtml>. Acesso em: 8 jan POR DENTRO DO TEXTO Sente-se com um colega para conversar sobre as próximas atividades. Depois, escrevam as respostas em seus cadernos. De acordo com as orientações do professor, compartilhem as ideias com a turma. 1. Qual dos depoimentos você achou mais convincente? Resposta pessoal. 2. Para você, quando um relacionamento virtual pode se tornar real? Resposta pessoal. 3. Quais são suas maiores dúvidas sobre relacionamentos virtuais? Resposta pessoal. 4. Você conhece alguma história de namoro que começou pela internet? Resposta pessoal. 5. Pode haver algum perigo nesse tipo de contato? Discuta com seus colegas e professor. Resposta pessoal. Professor, discuta com os alunos sobre o perigo de contato com pessoas desconhecidas. TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. Observe a maneira como o texto foi organizado e responda: a) Como o texto está dividido? Em parágrafos, cada um com um comentário de um rapaz diferente. b) O que indica o no início dos parágrafos? O símbolo da arroba (@) indica que as respostas foram dadas na internet. c) Por que há nomes de pessoas em destaque após o Os nomes após o são a identificação do usuário que escreve, seu nickname. 149 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 149 5/7/15 9:25 AM
150 2. Qual é a intenção do texto? A intenção do texto é verificar as opiniões de adolescentes do sexo masculino sobre determinado assunto. 3. A linguagem usada nesse texto é mais formal ou mais informal, espontânea, coloquial? Por que você acha que foi usado esse tipo de linguagem? A linguagem é mais informal. Resposta pessoal. Professor, aponte para os alunos que o tipo de publicação permite essa informalidade, que é característica tanto do leitor quanto dos próprios autores dos trechos. Esse uso informal aproxima e cria familiaridade, portanto, entre leitor e revista. 4. Como você pôde perceber, o texto apresenta a opinião de diferentes garotos sobre o momento de conhecer pessoalmente uma garota. a) Em que situações de fala ou escrita podemos observar opiniões diferentes sobre um mesmo assunto? Em debates, discussões, conversas em grupo, reportagens, entrevistas, artigos de opinião, relatos etc. b) Você acha importante ler textos em que são expressas opiniões diferentes? Resposta pessoal. Professor, aproveite a oportunidade para incentivar a leitura entre os alunos. Ler diferentes opiniões sobre um mesmo tema nos torna mais aptos a julgar uma situação, permitindo que nos posicionemos de modo mais crítico perante os acontecimentos do mundo. IMPORTANTE SABER Damos o nome de depoimento às declarações feitas pelas pessoas com base nas experiências que viveram. Os textos de depoimento podem conter narrações de fatos, opiniões, aconselhamentos, explicações. Os depoimentos são textos individuais, mas, ao mesmo tempo, revelam um retrato social e cultural. Por esse motivo, alguns depoimentos servem, muitas vezes, para documentar fatos históricos, além de revelarem o momento presente vivido por quem os produziu. Professor, no decorrer desta obra apresentaremos outras espécies de depoimentos, para ampliar as informações sobre esse gênero de texto. Converse com os alunos sobre a importância de depoimentos como fontes históricas, por meio dos quais são registradas muitas informações importantes e significativas para a compreensão da sociedade. É importante lembrar que depoimentos partem da linguagem oral. Assim, o entrevistado demonstra com maior clareza suas representações sociais, deixando registradas as marcas de uma época. Pontuação Reflexão sobre o uso da língua 1. Leia a história em quadrinhos: Laerte 150 LAErtE. Suriá, a garota do circo. São Paulo: Devir/Jacarandá, a) As personagens dessa história em quadrinhos sabem, de fato, o que significa namorar? Por quê? Não sabem. Isso se confirma pelo fato de elas precisarem observar os adultos para entenderem o significado de um namoro. b) As perguntas que aparecem nas falas das personagens confirmam sua resposta anterior? Confirmam, pois as perguntas indicam dúvidas sobre o que é namorar. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 150 5/7/15 5:21 PM
151 c) No terceiro quadrinho, as personagens observam um casal de namorados em um carro. Ao optar por essa ilustração, em sua opinião, o autor do texto expressa o verdadeiro sentido de um namoro? Explique. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que o namoro vai muito além do contato físico. A convivência sadia e o crescimento pessoal também são importantes para os relacionamentos. d) Quantas perguntas há no texto? Quantas respostas? Duas perguntas e duas respostas. 2. Observe a pontuação das frases da história em quadrinhos e responda: a) Quando o autor deseja expressar uma grande emoção, qual sinal de pontuação costuma usar? O ponto de exclamação. b) Quando se tem dúvida e se deseja fazer uma pergunta, que tipo de pontuação é usada? Pode-se usar o ponto de interrogação (às vezes, as reticências). c) Se no segundo quadrinho as falas das personagens expressassem uma certeza sobre o fato que comentam, que pontuação deveria ter sido usada? O ponto-final. d) Justifique a pontuação usada nos dois últimos quadrinhos da história. No penúltimo quadrinho, a personagem mostra que encontrou o que procurava e, por isso, aparece o ponto-final no final da fala. No último quadrinho, a menina faz uma pergunta, portanto aparece o ponto de interrogação; e o menino faz uma constatação, o que justifica o ponto de exclamação. Atividade de criação Depoimento pessoal Você e sua turma vão colher depoimentos de adolescentes a respeito do tema Qual é a hora certa para deixar de ser BV?, para montar um painel que apresente aos alunos da escola diferentes opiniões sobre o assunto. ORIENTAÇÕES Escreva um depoimento pessoal a respeito do tema proposto. O objetivo do depoimento é expor a sua opinião sobre esse assunto. Combine com o professor e a turma se os alunos se identificarão no depoimento. Em caso afirmativo, não se esqueça de colocar nome e idade no final do texto. Orientado por seu professor, forme um grupo com, mais ou menos, cinco colegas. Em grupo, selecione os depoimentos mais interessantes. Procure eliminar as opiniões que se repetem. Depois da seleção de todos os grupos da turma, organize, com o professor, um mural com os depoimentos. Eles podem ser escritos em uma folha colorida criada por vocês. Essa página deverá ser atraente ao público jovem. Não se esqueça de colocar um título bem criativo para esse mural. O mural deve ser exposto em um lugar em que outros alunos da escola possam ler. Mãos à obra! Professor, incentive os alunos a incluírem, em seus depoimentos, argumentos que justifiquem sua própria opinião. Os depoimentos podem ser selecionados para exposição, tendo como critério a boa argumentação. Se achar interessante, proponha um debate sobre o assunto. Esse gênero oral será abordado de forma sistematizada na Unidade 3. Prática de leitura texto 12 texto didático-científico ANTES DE LER Leia apenas as palavras em destaque no próximo texto e elabore sua hipótese: De que assunto esse texto vai tratar? Resposta pessoal. Espera-se que os alunos percebam que se trata de estar apaixonado. 151 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 151 5/7/15 9:25 AM
152 O primeiro amor é vivido em fantasia O amor é o prazer da companhia [...]. Como regra geral, nosso primeiro grande amor é uma espécie de sonho. A pessoa que desperta em nós todo o sentimento, toda a vontade de agradar e de se dedicar nos mínimos detalhes, toda a vontade de aconchegar e ser aconchegado, na maior parte das vezes nem sabe do nosso amor por ela. Não temos coragem de contar, pois morremos de medo da rejeição. Não queremos também, contudo, a aceitação, pois isso nos levaria a um relacionamento real para o qual não estamos preparados. Ou seja, não contar interessa nos dois casos. Se algum amigo superíntimo fica sabendo e faz alguma brincadeira a respeito, ficamos com o rosto vermelho, negamos tudo e fingimos indignação. A outra pessoa, a amada, fica sem saber se é gozação ou se é de verdade. Melhor assim. Tudo se passará apenas na cabeça da gente, longe dos riscos da vida real. No sonho é claro que somos correspondidos. Beijamos e somos beijados. Beijos de ternura. O sexo, na maioria dos casos, está em segundo plano. Passeamos, de mãos dadas, por jardins floridos. Sentamos na grama e nos olhamos com olhar de enlevo próprio do encantamento amoroso. Dizemos coisas bonitas para o outro, falamos das virtudes do outro. Não cansamos de elogiar a pessoa amada. [...] Se pensarmos bem, o sonho romântico não é muito criativo. Quase sempre é a mesma história. As variações são mais de cenário e figurino: uns preferem a montanha, outros a praia. Uns preferem saias rodadas, outros as calças jeans. O amor é o prazer da companhia, os elogios que esse prazer costuma trazer para nossos lábios, e também a insegurança o medo de perder a pessoa que nos traz toda a felicidade. Assim sendo, uma parte do discurso é de reasseguramento: Vou amar você para sempre. Vou dizer toda hora que amo você. Se você me largar, eu morro etc. Sempre que vivemos o amor, o fazemos como se estivéssemos vivendo uma história extraordinária. A verdade, no entanto, é que é uma história extraordinária exatamente igual a todas as outras histórias de amor! E isso não faz mal algum, porque é bom do mesmo jeito! GIkovATe, Flávio. Namoro: relação de amor e sexo. São Paulo: Moderna, Ridofrans/iStock POR DENTRO DO TEXTO 1. Esse texto o ajudou a pensar melhor sobre os sentimentos do adolescente? De que maneira? Resposta pessoal. 2. Segundo o texto, como é vivido o primeiro amor? De acordo com o texto, o nosso primeiro grande amor é vivido em fantasia, é uma espécie de sonho. a) Por que, quando ocorre o primeiro amor, muitos de nós não têm coragem de contar? Por medo de serem rejeitados e terem que despertar do sonho. b) Como o texto descreve o sonho fantasioso da pessoa que ama pela primeira vez? Resposta possível: No sonho, somos correspondidos pela pessoa amada: beijamos e somos beijados, passeamos de mãos dadas por diferentes cenários, ao gosto do sonhador. Para a pessoa amada, fazemos elogios, dizemos coisas bonitas e não cansamos de dizer que estamos apaixonados. Professor, o texto traz muitas informações sobre essa questão; o aluno poderá formular essa resposta de muitas maneiras diferentes. 3. De acordo com o texto, quando o amor é vivido em fantasia, o discurso de quem ama pela primeira vez é o seguinte: [...] Vou amar você para sempre. Vou dizer toda hora que amo você. [...] 152 Segundo o texto, qual é a justificativa desse discurso próprio de quem ama pela primeira vez? Esse discurso dá segurança a quem ama. É como se, pela insistência, pelo reforço das expressões, as pessoas sentissem que nunca vão perder o ser amado e o próprio sentimento do amor. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 152 5/7/15 9:25 AM
153 4. Releia o trecho a seguir: [...] Sempre que vivemos o amor, o fazemos como se estivéssemos vivendo uma história extraordinária. A verdade, no entanto, é que é uma história extraordinária exatamente igual a todas as outras histórias de amor! E isso não faz mal algum, porque é bom do mesmo jeito! a) Procure no dicionário o significado da palavra extraordinária e escreva-o em seu caderno. Professor, o verbete encontra-se no Manual. b) Segundo o texto, é possível existir uma história de amor extraordinária? Explique. Não, pois o comportamento do ser humano se repete quando o assunto é o amor. c) Que expressão do trecho confirma sua resposta anterior? exatamente igual 5. Leia outro trecho do livro de Flávio Gikovate: [...] toda a vivência do amor em fantasia, do amor não correspondido, pode ser entendida como um treino. Através da fantasia romântica, estão se preparando para refazer a ligação forte com outra pessoa sem perder totalmente a individualidade. a) Conforme esse trecho, por que é importante viver a fase da fantasia romântica? Porque ela é um momento de preparação para as relações que serão vividas depois, sem que se perca a individualidade. b) E você, acha importante passar por essa experiência? Resposta pessoal. 6. Você já viveu ou conhece alguém que tenha vivido uma dor de amor? Conte como foi. Resposta pessoal. TEXTO E CONTEXTO 1. Com que intenção esse texto foi escrito? Esse texto foi escrito com a intenção de informar, esclarecer as pessoas sobre os assuntos referentes aos relacionamentos humanos. Ele trata especificamente do momento em que o adolescente vive a experiência do primeiro amor. 2. É possível afirmar que esse é um texto que expõe ideias? Por quê? Sim. Os esclarecimentos e as explicações são feitos por meio da exposição de ideias. 3. Reproduzimos a seguir a folha de rosto do livro do qual esse texto foi retirado. Folha de rosto é a primeira página que aparece assim que abrimos a capa. Leia-a: Moderna 153 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 153 5/7/15 9:25 AM
154 a) Qual é o título do livro? Namoro: relação de amor e sexo. b) Quem é o autor? Flávio Gikovate. c) É possível saber qual é a área profissional do autor? Sim, psiquiatria e psicoterapia. 4. Copie do texto um trecho em que o autor faz uma explicação. Resposta possível: O amor é o prazer da companhia, os elogios que esse prazer costuma trazer para nossos lábios, e também a insegurança o medo de perder a pessoa que nos traz toda a felicidade. 5. Esse texto apresenta um conjunto de conhecimentos que foi construído com o tempo. Por que é possível afirmar isso? 6. Em seu caderno, copie o primeiro parágrafo do texto. a) Com lápis azul, grife as informações que considera mais importantes nesse parágrafo. b) Com lápis verde, grife o trecho em que o autor explica por que contar sobre os sentimentos não interessa a quem está apaixonado. c) Identifique no parágrafo qual é a ideia principal. Espera-se que o aluno perceba que é preciso anos de estudo e formação científica para que um autor escreva um texto como esse, ou seja, ele não inventou esse conteúdo instantaneamente; esses conhecimentos são fruto de muita pesquisa e vivência profissional. Espera-se que o aluno grife o trecho Como regra geral, nosso primeiro grande amor é uma espécie de sonho. Grifar o trecho: Não temos coragem de contar, pois morremos de medo da rejeição. Não queremos também, contudo, a aceitação, pois isso nos levaria a um relacionamento real para o qual não estamos preparados. Faça a seguinte pergunta: A respeito de que esse parágrafo está falando? Esse parágrafo está falando sobre o primeiro amor vivido intimamente, em fantasia. d) O parágrafo dá mais detalhes sobre a ideia principal? Escreva sua resposta recorrendo às ideias expostas nessa parte do texto. Sim, ele não apenas menciona que esse amor não é revelado, mas explica por que as pessoas não o revelam. Ele também dá exemplos de situações que envolvem esse tipo de comportamento. IMPORTANTE SABER A ideia principal de um texto é o tema central sobre o qual o texto fala. Quando se pergunta sobre o que o texto está tratando?, busca-se encontrar sua ideia principal, também chamada ideia central. Ligadas à ideia principal estão outras informações: as ideias secundárias. Cada parágrafo ou cada parte de um texto pode conter um tópico (assunto) principal com outras informações relacionadas a ele. Nem sempre a ideia principal aparece claramente em um texto. Às vezes, é preciso encontrá-la lendo todo o texto e prestando atenção a cada informação. As palavras que fazem a ligação entre as ideias e até mesmo o título do texto podem oferecer pistas para a compreensão da ideia principal e das secundárias. 7. A ideia principal do parágrafo que você copiou tem relação com o título do texto? Por quê? Sim, o assunto presente no primeiro parágrafo equivale ao que é dito no título do texto: ambos estão falando sobre o primeiro amor, que é vivido em sonho, em fantasia. 8. Neste capítulo, você leu vários textos. Identifique a ideia central de alguns deles. a) Poema Bilhete ao pai adotivo. O poema narra os sentimentos vivenciados por uma criança que foi adotada. b) Trecho do romance O pequeno príncipe. A importância da criação de laços de amizade entre os seres e dos ritos para que se viva mais intensamente. c) Depoimentos do texto Garotos contam: quando o virtual se torna real?. Motivos para que os relacionamentos virtuais tornem-se reais. 9. Qual é o tema comum dos textos que você leu neste capítulo? 154 Todos eles tratam de relacionamentos interpessoais. pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 154 5/7/15 9:25 AM
155 Atividade de criação Poema Leia cada conjunto de palavras. A que ideia cada um deles se refere? carta de amor encontro paixão saudade emoções Namoro. pai mãe avô avó primos tios Família. estrela lua escuro sereno sono Noite. carinho laços amigo admiração troca de confidências Amizade. ORIENTAÇÕES Escolha uma ou mais palavras descobertas nas respostas anteriores e, com elas, produza um poema. Você não precisa usar as palavras da atividade, mas contemplar a ideia central identificada no conjunto de palavras. Não se esqueça de empregar os recursos poéticos que conheceu neste capítulo. Você poderá produzir um poema com uma ou mais estrofes, um poema de cordel, um poema visual... Poderá também lançar mão dos conhecimentos sobre ritmo, linguagem figurada, sonoridade e rima. Ilustre o poema e o envie para um de seus colegas como brincadeira de amigo-secreto. Seu professor lhe dará as orientações necessárias para essa brincadeira. AVALIAÇÃO Você já conhece os elementos que compõem um poema, não é mesmo? Anote no caderno que elementos a seguir você utilizou. 1. Organizou o poema em versos? 2. Usou linguagem figurada? Professor, a brincadeira do amigo-secreto (amigo-oculto ou amigo invisível) é muito conhecida, mas, caso não seja de seu conhecimento, há orientações sobre os procedimentos no Manual. Peça aos alunos que, no dia da entrega do poema ao amigo, tragam ou confeccionem um envelope. 3. Criou efeitos de sentido por meio da combinação de palavras? 4. Construiu seus versos com rimas? Lembre-se de que as rimas nem sempre aparecem em textos poéticos, portanto seu poema pode ou não apresentá-las. Projetos em ação Professor, veja no Manual os objetivos desta atividade. exposição sobre a história do bairro O tema que abordamos neste capítulo foi a relação entre as pessoas. Para ilustrarmos um pouco essa temática, que tal fazermos uma exposição sobre os relacionamentos vivenciados em nosso bairro? Oriente-se pela sequência apresentada a seguir para realizar esse projeto. 155 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 155 5/7/15 9:25 AM
156 ORIENTAÇÕES Etapa 1 coleta de informações Faça uma coletânea de depoimentos de pessoas que morem há bastante tempo em seu bairro. Tente descobrir, se possível, se há vizinhos que morem nele há mais de vinte anos. Você pode pedir que lhe contem um pouco da história do lugar: como eram as casas, o comércio local, as relações entre os vizinhos, as brincadeiras de rua etc. Você pode gravar a conversa e depois transcrevê-la, fazer anotações enquanto conversa ou, ainda, pedir, caso seu vizinho não se importe, que ele lhe escreva um breve relato, registrando algo que considere importante. Fotografe pessoas e lugares. Se puder, também colete fotos antigas que possam contar a história de seu bairro. Peça-as emprestadas, tire uma cópia e devolva as fotos originais, para que elas não precisem ser manuseadas muitas vezes, pois poderiam ser amassadas e rasgadas. Seria interessante montar um painel com cópias de fotos novas e antigas, para que as pessoas pudessem perceber as mudanças na paisagem. Etapa 2 Professor, incentive o aluno a buscar depoimentos de pessoas de idades variadas, explorando diferentes tipos de relação: familiar, amorosa, de amizade, profissional etc. montagem da exposição Com a ajuda de seu professor e de seus colegas, monte um painel com os trechos dos relatos que achar mais significativos para a apresentação do bairro. Se houver mais colegas da turma que morem no mesmo bairro, eles podem formar um grupo. Mãos à obra! A seguir, acrescente ao painel as fotos que conseguiu. Não se esqueça de colocar legenda nas fotos para que as pessoas possam saber a que se refere a imagem, o que se pretendeu destacar com ela. Se forem muitos relatos e muitas fotos, vocês podem criar mais de um painel. Pergunte a seus vizinhos se eles gostariam de participar da exposição, emprestando objetos antigos: roupas, cartas, brinquedos, moedas, aparelhos domésticos etc. A turma deve organizar o espaço e, se possível, convidar pessoas da comunidade para a exposição. Quanto mais pessoas visitarem o espaço, maior a certeza de que a história dos bairros representados será conhecida e preservada. Leia mais Nesta unidade, um dos temas presentes nos textos foi o da amizade. Em livros, jornais, revistas e sites há textos que tratam sobre esse tema: mensagens, frases, poemas. Que tal coletar alguns desses textos, selecionar aquele que você considerou melhor para oferecer a um amigo e escrevê-lo ou anexá-lo a um para enviar a ele? Preparando-se para o próximo capítulo Converse com as pessoas de sua casa e, em seu caderno, anote o nome de três elementos que, na opinião de sua família, fazem parte da cultura do homem do campo, da vida rural. Podem ser elementos relacionados a alimentação, música, festas, dança, trabalho, lazer, maneira de falar. Leia suas anotações no início do próximo capítulo, antes da seção Para começo de conversa. 156 pnld2017_miolo_tl_p3_u02c02.indd 156 5/7/15 9:25 AM
157 3 Unidade APRENDENDO COM A SABEDORIA POPULAR Muitas histórias nos são passadas por meio da tradição oral, ou seja, de boca em boca, de geração para geração. Nesta unidade, você vai estudar vários causos, histórias populares contadas pelo povo do interior que, em geral, chegam até nós oralmente. Também vai estudar outro tipo muito antigo de história da tradição oral, do tempo em que os animais falavam : a fábula. Elas passaram a ser registradas por escrito somente após muitos anos, por importantes fabulistas como Jean de La Fontaine. Você perceberá que seus pais, avós, amigos, vizinhos e todas as pessoas de gerações anteriores à sua preservam uma cultura muito importante. Aprenderá que toda comunidade possui um legado cultural e que, conhecendo-o, você poderá fazer parte dessa corrente do saber e ajudará a preservá-lo. Bom trabalho! 157 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 157 5/7/15 9:33 AM
158 capítulo 1HISTÓRIAS QUE O POVO CONTA Para começo de conversa Observe a imagem a seguir: PAM Filmes/Amácio Mazzaropi Ator Mazzaropi, caracterizado como Jeca Tatu, caipira ingênuo que divertiu inúmeras plateias em filmes produzidos no Brasil principalmente nas décadas de 1950 e Que palavras vêm a seu pensamento ao observar essa foto? Resposta pessoal. 2. A personagem representada na foto vive em um ambiente rural, onde é comum as pessoas contarem histórias em volta da fogueira, perto do fogão a lenha etc. a) Pense em uma história que essa personagem poderia contar. b) Que tipo de história seria essa? Resposta pessoal. Os alunos poderão citar lendas, causos, histórias de assombração etc. 3. Você gosta de ouvir histórias? Histórias reais ou fictícias? Por quê? Resposta pessoal. 4. Leia a história a seguir e verifique se ela é parecida com aquela que você imaginou ao responder à atividade Professor, depois dessas questões, é interessante ler a biografia de Mazzaropi (foto) que está no Manual. pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 158 5/7/15 9:33 AM
159 Prática de leitura Texto 1 Causo Num rancho às margens do Rio Pardo Era um matuto dos bons e vivia num rancho às margens do Rio Pardo, perto de Cajuru. Seu Ico era o apelido dele. Acreditava em tudo que via e ouvia. E tinha opiniões muito firmes sobre coisas misteriosas. Adorava contar casos de assombração e outros bichos: Fui numa caçada de veado no primeiro dia da quaresma! Ai, ai, ai! Num pode caçá na quaresma, mas eu num sabia. Aí apareceu a assombração! Arma penada do otro mundo. E os cachorro disparô. Foro tudo pro corgo pra modi fugi da bicha... Veado que é bão nem nu pensamento, pruque eis tamém pressintiru a penuria passanu ali pertu! Mas era assombração mesmo, seu Ico? Pois u que havera di sê? Esse mundo é surtido! Pois no mundo sortido do seu Ico também tinha saci! Quando é que o senhor viu saci, seu Ico? Ara! Vi a famia toda, num foi um saci só... Tinha o saci, a sacia gravi (ele queria dizer grávida), e os sacizim em riba da mãe, tudo pulano numa perna... E o que eles fizeram ou disseram pro senhor? Nada... O saci cachaço inda ofereceu brasa pro meu paiero (tradução: o saci-pai acendeu o cigarro de palha dele). Gardicido!, eu disse... e entrei pa dentro modi num vê mais as tranquera... E mula sem cabeça? Ah, seu Ico garante que existe: Essa eu nunca vi, mas ouvi o rinchado dela umas par de veis... E otro que eu tamém vi foi o tar de lobisome! Ê bicho fei! Mai num feis nada... desvirô num cachorro preto e sumiu presse mundão de meu Deus. Agora, em dia de pescaria, aparece muito é caboco-d água. Um caboquim pretim e jeitado que mora dentro do rio... Ah, e tem que vê tamém o caapora. Grandão qui nem ele só, com um corpo peludo. Bichu fei! E o curupira! Vichi Maria, é fei dimais, tem pé virado pa trais... E com tudo isso o senhor ainda se arrisca a ir pro meio do mato, seu Ico? Pois vô sem medo! Qué sabê? Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto. Qual! Tenho muito, mais muito mais medo é de gente vivo! EquipE Xico da Kafua, 24 nov Disponível em: < causos_detalhe.php?cod=9>. Acesso em: 8 jan Jótah 159 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 159 5/7/15 9:33 AM
160 POR DENTRO DO TEXTO 1. Copie a afirmativa a seguir no caderno e complete-a com as informações corretas sobre o texto. Nesse texto, um narrador fala sobre seu, um homem do que diz ter visto diferentes tipos de. Para descrever o matuto, o narrador apresenta sua conversa com ele. Ico, interior, assombrações. 2. Releia as perguntas ou comentários que o narrador dirige a seu Ico. Mas era assombração mesmo, seu Ico? [...] Quando é que o senhor viu saci, seu Ico? [...] E o que eles fizeram ou disseram pro senhor? Qual é a intenção do narrador ao fazer essas perguntas? Ele faz perguntas a seu Ico para direcionar a conversa, estimular o contador a falar sobre diferentes assuntos ou aprofundar a descrição do que ele já está contando. 3. O narrador, além de mostrar ao leitor os causos de seu Ico, retrata-o como uma personagem bem interiorana. Destaque palavras, expressões ou frases que identifiquem seu Ico como tal. Um matuto dos bons ; vivia num rancho ; acreditava em tudo que via e ouvia ; tinha opiniões muito firmes sobre coisas misteriosas ; adorava contar casos de assombração e outros bichos. 4. É possível dizer que há dois narradores no texto que você leu: um que conta a história de seu Ico e outro que é o próprio Ico personagem que também narra suas histórias ao longo do texto. Considerando essas informações, responda: Qual dos dois narradores pode ser considerado um contador de causos? Seu Ico, pois é ele quem narra histórias que envolvem assombrações e personagens lendárias. 5. Quais são os seres sobrenaturais citados por seu Ico? Assombração (alma penada), família de sacis, mula sem cabeça, lobisomem, caboclo-d água, caipora e curupira. IMPORTANTE SABER O texto Num rancho às margens do Rio Pardo fala sobre os seres criados pela rica imaginação popular: o saci, a mula sem cabeça, o lobisomem. As histórias que contam fatos sobre esses seres são chamadas lendas. 6. Releia o trecho a seguir e responda às próximas questões. Fui numa caçada de veado no primeiro dia da quaresma! Ai, ai, ai! Num pode caçá na quaresma, mas eu num sabia. Aí apareceu a assombração! a) Seu Ico faz referência a uma crendice popular relacionada a um fato religioso. Qual é ela? Atividades que não podem ser realizadas durante a quaresma (quarenta dias que antecedem a Páscoa cristã), como caçar. b) As crendices populares estão presentes no cotidiano. Cite algumas que você conhece. Resposta pessoal. Possibilidades: acreditar que atitudes como passar embaixo de escada, ver gato preto em noite de sexta-feira, quebrar espelho trazem azar. 7. Você já viu um contador de causo pessoalmente ou pela TV? Conte para seus colegas. 160 Resposta pessoal. Professor, incentive a socialização das vivências. DE OLHO NO VOCABULÁRIO Em seu caderno, copie, das frases a seguir, as palavras cujo significado você desconheça. Primeiro, tente descobrir o sentido dos termos, observando a relação que estabelecem com outras pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 160 5/7/15 9:33 AM
161 palavras. Depois, pesquise as palavras no dicionário e anote o significado que seja mais adequado ao contexto. a) Era um matuto dos bons [...] b) Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto. Era um caipira dos mais típicos, dos mais autênticos, original. Dá uma gargalhada rouca e faz um ar de esperto, brejeiro. IMPORTANTE SABER Os causos são histórias de tradição oral, contadas, geralmente, em uma linguagem espontânea, que registra o jeito de falar típico de determinada região ou localidade. Envolvem fatos pitorescos, reais, fictícios ou ambos; e podem ou não envolver o narrador. Os contadores de causos apresentam vários recursos que costumam prender a aten ção de seus ouvintes, como entonação, gestos, suspense, efeitos de surpresa, humor etc. Características como sotaque e vocabulário da região são naturais a muitos deles. Linguagem oral e escrita 1. Observe a maneira como seu Ico fala, lendo as frases destacadas no texto na cor roxa. A fala de seu Ico é mais comum no meio rural ou no meio urbano? No meio rural. Na trilha da oralidade Que informação do texto confirma a resposta anterior? [...] vivia num rancho às margens do Rio Pardo, perto de Cajuru. Professor, se possível, leve um atlas para a sala e peça aos alunos que localizem o Rio Pardo. IMPORTANTE SABER Professor, durante a realização de todas as atividades desta sequência, é fundamental reforçar com os alunos a importância da compreensão das diferentes variantes linguísticas (regional, cultural, histórica, sociocultural etc.) e do respeito às suas origens e contextos de produção. No texto, seu Ico conta seus causos em uma linguagem que busca representar o jeito de falar próprio de certas regiões do interior do estado de São Paulo: o caipira. Esse falar não é registrado na escrita exatamente da mesma maneira como o povo o emprega, pois um texto escrito não pode reproduzir o jeito como as pessoas falam, ele apenas o representa. 2. Explique o que você entendeu destas expressões de seu Ico: a) Foro tudo pro corgo pra modi fugi da bicha... Foram todos para o córrego para fugir da assombração. b) [...] e os sacizim em riba da mãe, tudo pulano numa perna e os pequenos sacis em cima da mãe, todos pulando numa perna só. c) [...] Gardicido!, eu disse... Agradecido, eu disse... d) Esse mundo é surtido! Esse mundo é sortido, variado, tem coisas de todo tipo. Professor, o objetivo dessa atividade é desvendar o significado dessas palavras e construções que podem ser desconhecidas dos alunos, para que eles possam compreendê-las melhor. A atividade não visa a uma transposição da fala caipira para as normas urbanas de prestígio, visto que isso descaracterizaria o texto. 3. Será que todas as expressões usadas por seu Ico são empregadas apenas no falar caipira? Leia as frases a seguir: Não pode caçá neste lugar. Qué sabê? Pois vô sem medo. Disparô o alarme do carro! 161 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 161 5/7/15 9:33 AM
162 a) Você identificou se alguma dessas palavras faz parte do seu jeito de falar? Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba que a supressão do u e r finais é comum na fala dos brasileiros. b) Quando conversamos, é comum não pronunciarmos o r nem o u finais. Por exemplo: em vez de dizer caçar, dizemos caçá; em vez de dizermos disparou, dizemos disparô. Por que Na língua falada (principalmente em situações informais), é natural que não pronunciemos isso acontece? todos os fonemas (sons) das palavras. c) O falar caipira pode ser considerado incorreto? Por quê? Não. Professor, espera-se que, depois de ter refletido a respeito da variação linguística, o aluno compreenda que o falar caipira é uma variedade da língua e não um erro. Se necessário, retome o assunto para que não haja confusão. 4. O texto das falas de seu Ico teria o mesmo efeito se fosse passado para as normas urbanas de prestígio da língua portuguesa? Converse sobre isso com seus colegas. Não. Ele perderia a sua originalidade e naturalidade. A personagem ficaria bastante descaracterizada. 5. Você acha que um contador de causo nordestino ou gaúcho contaria essa história da mesma maneira? Por quê? Não, pois, embora haja algumas expressões usadas de maneira semelhante por esses falantes, as variedades regionais, o sotaque e o jeito de se expressar são diferentes. 6. No último parágrafo do texto, o narrador descreve a expressão de seu Ico. Transcreva em seu caderno o trecho em que isso aparece. Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto. 7. Os gestos, a entonação da voz, o jeito de olhar, as pausas e risadas são importantes para um contador de causos? Por quê? Sim, porque todos esses elementos contribuem para dar mais informações ao ouvinte (interlocutor) sobre o causo. São formas não verbais de comunicação que reforçam a língua oral. IMPORTANTE SABER As marcas da linguagem oral não se restringem às palavras. Outros recursos costumam fazer parte dela, como gestos, expressões faciais, olhar, risos, pausas, movimentos de cabeça do falante. Esses recursos podem ser empregados para tornar a comunicação mais eficiente. 8. Releia a última fala de seu Ico: Qual! Tenho muito, mais muito mais medo é de gente vivo! Escolha, dentre as alternativas a seguir, a que melhor descreve seu Ico. Copie a escolhida em seu caderno. a) Seu Ico é um verdadeiro contador de causos, que busca convencer o ouvinte de que não tem medo de assombração e de seres misteriosos e de que eles existem. b) Seu Ico é o tipo de pessoa que acredita desacreditando. c) Seu Ico é um verdadeiro contador de causos porque acredita nas histórias que conta. Alternativa c. 9. Você conhece alguém que goste de contar causos, histórias divertidas ou assustadoras? Se conhece, como é o jeito como essa pessoa fala? Ela usa uma linguagem parecida com a linguagem usada pelas pessoas do campo ou da cidade? Converse com o professor e os colegas. Professor, estimule o compartilhamento positivo das vivências da turma. 162 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 162 5/7/15 9:33 AM
163 Reflexão sobre o uso da língua Verbo (II) 1. Observe a frase a seguir: [...] o saci-pai acendeu o cigarro de palha dele [...] a) Que ação é apresentada nesse trecho? A ação de acender o cigarro. b) Quem pratica essa ação? O saci-pai. c) O fato relatado já ocorreu ou está ocorrendo? Como você chegou a essa conclusão? Já aconteceu. A palavra acendeu indica tempo passado. 2. Observe o tempo dos verbos no trecho a seguir: E mula sem cabeça? Ah, seu Ico garante que existe [...] a) Eles estão no presente, no passado ou no futuro? Estão no presente. b) Por que o narrador empregou esse tempo do verbo nesse trecho? Professor, é importante ressaltar que o narrador, ao usar o tempo presente, atualiza a fala de seu Ico, como se ele garantisse ainda hoje a existência dos seres citados no texto. IMPORTANTE SABER Resposta possível: O uso desse tempo verbal quer passar a impressão de que a conversa está acontecendo no momento atual. Os verbos sofrem variações de acordo com o tempo e com as pessoas do discurso aos quais estão relacionados. 3. Leia as frases a seguir e responda ao que se pede. Esse mundo é surtido! 3 a pessoa do singular (ele) Seu Ico era um matuto dos bons. 3 a pessoa do singular (ele) Eu era um ouvinte atento dos causos de seu ico. 1 a pessoa do singular (eu) a) Que tempo expressam os termos é e era? Expressam tempo presente e tempo passado, respectivamente. 163 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 163 5/7/15 9:33 AM
164 b) A que expressões eles estão relacionados? Às expressões esse mundo e seu Ico, correspondentes à 3 a pessoa do discurso nas duas primeiras frases, e a eu (o narrador), na terceira frase. c) Pensando nas respostas que você deu, é possível afirmar que as palavras é e era são verbos? Por quê? Sim, porque variam de acordo com o tempo e com as pessoas do discurso. d) As palavras é e era indicam ação ou modo de ser? Explique sua resposta. Indicam modo de ser porque dão uma característica ao mundo, ao seu Ico e ao eu. IMPORTANTE SABER Além de expressar ações, os verbos podem indicar modos de ser, estado e fenômeno da natureza. Leia este trecho de canção: Amanheceu, peguei a viola botei na sacola e fui viajar. Sou cantador e tudo nesse mundo vale pra que eu cante e possa praticar. TEiXEiRA, Renato. Amanheceu, peguei a viola. Amizade sincera. São paulo: Sony BMG Music Entertainment, CD. Disponível em: < Acesso em: 30 jan Amanhecer é um verbo que expressa fenômeno da natureza. Pegar, botar, viajar, cantar e praticar são verbos que expressam ações. Ser é um verbo que expressa o modo de ser. Quando dois ou mais verbos se unem para expressar uma ideia, temos uma locução verbal. Veja: Amanheceu, peguei a viola / botei na sacola e fui viajar. locução verbal Sou cantador / e tudo nesse mundo / vale pra que eu cante e possa praticar. locução verbal APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Em seu caderno, passe para o plural os termos em destaque, fazendo as adaptações necessárias. a) Você sabe o que é um azucrim? Vocês sabem o que é um azucrim? b) Esta é a forma usada também nas peças de Gil Vicente. Estas são as formas usadas também nas peças de Gil Vicente. c) Como é que o caipira diz amanhã? Como é que os caipiras dizem amanhã? d) O caipira fala muito certo. Os caipiras falam muito certo. e) E, se for a um circo, o caipira vai ver os alifantes. E, se forem a um circo, os caipiras vão ver os alifantes. f) Ele também é contador de causos? Eles também são contadores de causos? g) Meu irmão não tem medo de assombração. Meus irmãos não têm medo de assombração. 164 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 164 5/7/15 9:33 AM
165 h) A viola também faz parte da cultura brasileira. As violas também fazem parte da cultura brasileira. i) O contador de causos precisa cativar os ouvintes. Os contadores de causos precisam cativar os ouvintes. j) Eu sou especialista em cultura caipira. Nós somos especialistas em cultura caipira. k) Você nasceu no interior? Vocês nasceram no interior? 2. Que mudanças tiveram de ser feitas na forma do verbo das frases da atividade 1? Por quê? A forma de todos os verbos mudou; foram flexionados para o plural para concordarem com o termo a que essas formas se referem. 3. Leia este texto: Revista Kalunga Revista Kalunga. São Paulo, ano XXXIII, n. 179, dez a) Que relação é possível estabelecer entre Rolando Boldrin e seu Ico? b) Que palavras do texto buscam representar o jeito de falar do caipira? Ambos são contadores de causos. Causo, contadô, cantadô, proseando. c) Qual você acha que é a intenção do autor em dar ao texto o título O Brasil de causo pensado? Criar um trocadilho entre as palavras caso e causo, pois tratará da importância dos causos. 165 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 165 5/7/15 9:33 AM
166 d) Podemos observar que a maioria dos verbos utilizados no texto está no tempo passado. Por que o narrador optou por usar os verbos nesse tempo? Copie do último parágrafo a frase que confirma a sua resposta. e) O texto relata acontecimentos da vida de Rolando Boldrin. Identifique uma sequência de acontecimentos e destaque a palavra que mais informa sobre cada acontecimento. Possibilidade: Depois de viver oito anos na vizinha Guaíra, retornou à terra natal e pegou a estrada para tentar a vida. Viver, retornou e pegou. f) O que você compreendeu da expressão tirar o Brasil da gaveta? Resposta pessoal. Professor, verifique se o aluno teve uma compreensão coerente da expressão figurada, que pode ser entendida como resgatar, trazer à tona elementos da cultura brasileira que estavam esquecidos. 4. Agora leia outro texto: Porque todas essas ações ocorreram no passado, fazem parte do passado de Rolando Boldrin. A frase que confirma a resposta é: Hoje, isso é passado, mas seus causos não. Revista Kalunga Revista Kalunga. São Paulo, ano XXXIII, n. 179, dez O texto acima é um anúncio publicitário, cuja intenção é divulgar o lançamento da coleção de CDs Vamos tirar o Brasil da gaveta!. a) Com base nessa informação, que novo sentido pode ser atribuído à expressão tirando o Brasil da gaveta no texto da atividade 3? b) Copie no caderno uma locução verbal que aparece no texto acima. Vamos tirar. No texto da atividade 3, o autor se refere, também, ao nome da coleção de Rolando Boldrin, pois tinha conhecimento do lançamento dos CDs. Professor, ao mesmo tempo em que a expressão é usada para dizer que Rolando Boldrin está resgatando a cultura, também serve para se referir ao lançamento, à divulgação da coleção de CDs. c) O uso dessa locução verbal revela a intenção do anúncio. Qual é ela? Fazer um convite aos leitores para que tirem o Brasil da gaveta, ou seja, para que entrem em contato com o cancioneiro popular comprando a coleção de CDs. Momento de ouvir Quem já não ouviu dizer que quem conta um conto aumenta um ponto? É esta a origem do causo, uma história curta real ou inventada, contada por alguém que, para impressionar quem está ouvindo, acrescenta uma boa dose de exagero e imaginação... Existem causos de terror, causos de humor... Contá-los é uma diversão popular no interior do Brasil, onde os compadres em vez de se juntarem em torno da televisão ainda apreciam se reunir para trocar suas histórias. Algumas delas já foram ouvidas muitas e muitas vezes, mas quem se importa? A graça do causo está na maneira como ele é contado. Quer ver? Professor, a história encontra-se na Coletânea de textos do Manual. Durante a leitura, chame a atenção dos alunos para as características da linguagem utilizada no texto. 166 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 166 5/7/15 9:33 AM
167 Texto 2 Causo ANTES DE LER Prática de leitura Substitua os símbolos distribuídos no texto a seguir pelas palavras do quadro para completar seu sentido. Escreva as frases que foram completadas no caderno. acordou resolveu parou encontrou levava pediu perguntou Um homem dirigia um caminhão que um caixão de defunto para ser entregue numa cidade pediu próxima. No caminho, um sujeito carona e o motorista respondeu que ele poderia viajar na parte de trás, junto com o caixão. Foi quando começou a chover, e o caroneiro, não tendo onde se esconder da chuva, abrigar-se dentro do resolveu caixão. Com o balanço da viagem, ele acabou pegando no sono. Ao longo do caminho o motorista encontrou mais pessoas pedindo carona, e recolheu a todas. Num momento em que a carroceria já estava apinhada de gente, o caminhão deu um solavanco ao passar acordou por um buraco na estrada. A sacudida o dorminhoco, que abriu a tampa do perguntou parou caixão e : Será que já de chover? Foi um deus nos acuda. As pessoas se jogaram do caminhão e dizem que até hoje ainda tem gente correndo... Dr. Eco e Companhia. São paulo: paulus, ago O defunto vivo levava Jótah CONFRONTANDO TEXTOS 1. Compare o causo sobre seu Ico (texto 1) com O defunto vivo e identifique qual deles apresenta o falar caipira e qual apresenta uma linguagem mais próxima das normas urbanas de prestígio. O causo sobre seu Ico apresenta o falar caipira. Já o causo O defunto vivo apresenta uma linguagem mais próxima das normas urbanas de prestígio. 2. Compare agora a estrutura dos dois textos. Copie em seu caderno só os aspectos que são comuns a ambos os textos. O aluno não deve copiar os itens c e e, que só ocorrem no texto do seu Ico. a) A maioria dos verbos no passado. b) Palavras ou expressões localizam os fatos no tempo e no espaço. c) O narrador envolvido na história. d) Humor. 167 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 167 5/7/15 9:33 AM
168 e) Um título que expressa o humor do texto. f) Fala de personagens. 3. De que maneira cada um dos textos provoca humor? No primeiro, o humor é provocado pela maneira como seu Ico conta a história (o contador tem a intenção de provocar risos, ressaltando o modo como seu Ico enfeita a história); no segundo, os fatos da história é que são engraçados. Reflexão sobre o uso da língua Verbo (III) 1. Nos causos que você leu, são usados alguns recursos para situar os fatos no tempo ou para informar sobre ações das personagens ou, ainda, para dar continuidade ao fato narrado, enfim, para ajudar a construir a história. Em seu caderno, copie, do texto 2, as palavras ou expressões que indicam os elementos solicitados: a) personagens da história; Um homem, um sujeito, o motorista, o caroneiro, pessoas, o dorminhoco. b) tempo em que os fatos ocorrem; Foi quando, num momento, até hoje. c) diferentes lugares onde os fatos ocorreram; Numa cidade próxima, no caminho, dentro do caixão. d) ações feitas pelas personagens (copie algumas delas). Dirigia, levava, pediu, encontrou, acordou etc. 2. Releia o texto O defunto vivo e, depois, observe os verbos a seguir. Copie em seu caderno aqueles que não expressam ideia de tempo, ou seja, aqueles que não localizam os fatos no tempo. Abrigar, chover e dirigir. abrigar levava pediu respondeu correndo chover dirigir a) Agora, verifique se as palavras que você copiou podem ser localizadas no dicionário. Sim. b) As palavras que não foram copiadas podem ser localizadas no dicionário da maneira como estão escritas? Como você as encontra no dicionário? Não é possível localizá-las no dicionário, pois se tratam de verbos na forma conjugada. Para encontrá-las, é preciso procurá-los no infinitivo. Professor, é interessante fazer a leitura do próximo quadro com os alunos para que eles possam perceber que somente os verbos no infinitivo podem ser encontrados no dicionário. IMPORTANTE SABER Quando o verbo não se refere a nenhuma pessoa ou tempo verbal, dizemos que ele está no infinitivo. Em português, todos os verbos pertencem a três conjugações e, para identificar a que conjugação um verbo pertence, é preciso colocá-lo no infinitivo e examinar sua terminação. 1 a conjugação: AR 2 a conjugação: ER 3 a conjugação: IR abrigar responder pedir levar correr dirigir 168 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 168 5/7/15 9:33 AM
169 APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Escreva no infinitivo os verbos em destaque no trecho a seguir e indique a conjugação a que pertencem. Encontrar 1 a conjugação; pedir 3 a conjugação; recolher 2 a conjugação; estar 1 a conjugação; dar 1 a conjugação. Ao longo do caminho o motorista encontrou mais pessoas pedindo carona, e recolheu a todas. Num momento em que a carroceria já estava apinhada de gente, o caminhão deu um solavanco ao passar por um buraco na estrada. 2. Um verbo da 2 a conjugação que aparece no texto O defunto vivo expressa um fenômeno da natureza. Qual é esse fenômeno? Chover. Texto 3 Causo Prática de leitura ANTES DE LER A seguir, você vai ler uma história curiosa que se passa nos Pampas gaúchos. Você conhece essa região do país? Indique em seu caderno qual foto representa essa área e justifique sua resposta. Foto 1. Resposta pessoal. Vista aérea da Floresta Amazônica. 2 Wagner Santos/Kino Marco Antonio Sá/Kino 1 3 Haroldo Palo Jr./Kino Gaúcho nos pampas. Caatinga em Jaicós, Piauí. 169 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 169 5/7/15 9:33 AM
170 Agora, leia e divirta-se com o próximo texto escrito, pelo grande escritor gaúcho Mário Quintana. Ele retrata, de forma bem-humorada, o espanto e a reação da população de uma pequena cidade diante da chegada inesperada de um bicho estranho : o automóvel. Trata-se de uma história curta, repleta de palavras e expressões típicas do Rio Grande do Sul. Por isso, para entendê-la, consulte o Glossário. Aquele animal estranho Os do Alegrete dizem que o causo se deu em Itaqui, os de Itaqui dizem que foi no Alegrete, outros juram que só poderia ter acontecido em Uruguaiana. Eu não afirmo nada: sou neutro. Mas, pelo que me contaram, o primeiro automóvel que apareceu entre aquela brava indiada, eles o mataram a pau, pensando que fosse um bicho. A história foi assim como já lhes conto, metade pelo que ouvi dizer, metade pelo que inventei, e a outra metade que sucedeu às deveras. Viram? É uma história tão extraordinária mesmo que até tem três metades... Bem, deixemos de filosofanças e vamos ao que importa. A coisa foi assim, como eu tinha começado a lhes contar. Ia um piazinho estrada fora no seu petiço trop, trop, trop (este é o barulho do trote) quando, de repente, ouviu fufufupubum! fufufupubum chiiiipum! E eis que a coisa, até então invisível, apontou por detrás de um capão, bufando que nem touro brigão, saltando que nem pipoca, se traqueando que nem velha coroca, chiando que nem chaleira derramada e largando fumo pelas ventas como a mula sem cabeça. Minha Nossa Senhora! O piazinho deu meia-volta e largou numa disparada louca rumo da cidade, com os olhos do tamanho de um pires e os dentes rilhando, mas bem cerrados para que o coração aos corcoveios não lhe saltasse pela boca. É claro que o petiço ganhou luz do bicho, pois no tempo dos primeiros autos eles perdiam para qualquer matungo. Chegado que foi, o piazinho contou a história como pôde, mal e mal e depressa, que o tempo era pouco e não dava para maiores explicações, pois já se ouvia o barulho do bicho que se aproximava. Pois bem, minha gente: quando este apareceu na entrada da cidade, caiu aquele montão de povo em cima dele, os homens uns com porretes, outros com garruchas que nem tinham tido tempo de carregar de pólvora, outros com boleadeiras, mas todos de pé, porque também nem houvera tempo para montar, e as mulheres umas empunhando as suas vassouras, outras as suas pás de mexer marmelada, e os guris, de longe, se divertindo com os seus bodoques, cujos tiros iam acertar em cheio nas costas dos combatentes. E tudo abaixo de gritos e pragas que nem lhes posso repetir aqui. Até que enfim houve uma pausa para respiração. O povo se afastou, resfolegante, e abriu-se uma clareira, no meio da qual se viu o auto emborcado, amassado, quebrado, escangalhado, e não digo que morto porque as rodas ainda giravam no ar, nos últimos transes de uma teimosa agonia. E, quando as rodas pararam, as pobres, eis que o motorista, milagrosamente salvo, saiu penosamente engatinhando por debaixo dos escombros de seu ex-automóvel. A la pucha! exclamou então um guasca, entre espantado e penalizado o animal deu cria! Jótah quintana, Mário. Sapo amarelo. São paulo: Global, pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 170 5/7/15 9:33 AM
171 POR DENTRO DO TEXTO 1. O que mais chamou a sua atenção na história? Resposta pessoal. 2. O narrador do causo ora se apresenta como uma personagem da história, ora como alguém que apenas observa a cena (narrador-observador) sem estar envolvido nos acontecimentos. Localize no texto o que se pede. a) Um trecho que comprova a participação do narrador na história. Eu não afirmo nada: sou neutro. b) Um trecho em que o narrador aparece como observador. O piazinho deu meia-volta e largou numa disparada louca [...] 3. No quarto parágrafo, o piazinho encontra a coisa. Fica muito assustado e ruma para a cidade. a) Faça duas listas: em uma, relacione as ações da coisa e, na outra, as ações dos moradores da cidade quando a coisa lá chegou. b) Dê dois exemplos de comparações feitas pelo narrador para descrever a coisa. c) Quem usou a expressão Minha Nossa Senhora! no texto? O piazinho usou essa expressão. d) O que o uso dessa expressão indica sobre a personagem no momento de sua enunciação? TEXTO E CONTEXTO 1. Você acha que essa história poderia ter ocorrido na realidade? Por quê? Respostas pessoais. 2. Você já ouviu alguma história sobre o espanto de uma ou várias pessoas diante de um fato novo, de uma nova invenção? Conte para os colegas. 3. Você acha que novas descobertas podem mudar a vida das pessoas, o modo de elas pensarem e agirem? Dê um exemplo. DE OLHO NO VOCABULÁRIO Observe os trechos a seguir. Como você transmitiria as mesmas ideias, utilizando expressões típicas de sua região? Escreva em seu caderno. Respostas pessoais de acordo com os falares das regiões onde os alunos vivem. a) [...] eles o mataram a pau. b) Ia um piazinho estrada fora no seu petiço [...] c) O povo se afastou, resfolegante [...] Ações da coisa: bufando, saltando traqueando, chiando, largando. Ações dos moradores da cidade: homens, mulheres e crianças tomaram suas armas e bateram no carro, atiraram nele, enquanto praguejavam. Possibilidades: [...] bufando que nem um touro brigão [...] ; [...] saltando que nem pipoca [...] ; [...] traqueando que nem velha coroca [...] ; [...] chiando que nem chaleira [...] ; [...] largando fumo pelas ventas como a mula sem cabeça. A expressão indica que, no momento da fala, a personagem ficou com medo, levou um susto. d) A la pucha! exclamou então um guasca, entre espantado e penalizado o animal deu cria! Na trilha da oralidade Contação de causo Forme um grupo com quatro ou cinco colegas para realizar a pesquisa e o registro de um causo. Se não conhecerem nenhum, pesquisem junto a familiares, amigos e vizinhos. Depois, escolham um dos participantes do grupo para contar o causo para os demais alunos da turma, de acordo com a programação estabelecida pelo professor. Para a contação, sigam as etapas apresentadas a seguir. 171 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 171 5/7/15 9:33 AM
172 ORIENTAÇÕES 1. Se possível, assistam à apresentação de um contador de histórias ao vivo ou em vídeo. Identifiquem os recursos empregados pelo contador: efeitos sonoros; adereços, figurinos; cenário, se houver (fundo ou objetos que o compõem); desempenho do contador (entonação da voz, expressões faciais, dança, canto, entre outros). Observe também se a linguagem usada foi entendida pelo público, se houve interação com a plateia, situações de humor etc. 2. Com base nos recursos estudados, preparem a apresentação considerando as orientações: Contar uma história não é fazer leitura dramatizada, não é ler o texto em voz alta, nem representar uma peça teatral: é contar a história usando o seu estilo pessoal, empregando diferentes recursos para incrementá-la. Para decidir que recursos irão usar na apresentação, selecionem trechos marcantes do causo, que servirão de inspiração para destacar: nesses trechos, explore as expressões gestuais, faça pausas para criar suspense, module a voz para imitar o falar das personagens. Utilize os verbos no presente para dar um tom de novidade aos fatos narrados. Se for possível conseguir um aparelho de som, selecione uma música para acompanhar sua apresentação ou trechos delas. 3. Para atrair a atenção da plateia, o contador precisa planejar com antecedência: a memorização da sequência da história; o uso de comentários de humor e interação com o público; se fará uso de algum figurino ou adereço para providenciá-lo com antecedência. 4. Para preparar a apresentação, o contador precisa ensaiar várias vezes, ajudado pela observação dos integrantes do grupo. Professor, sugerimos que acompanhe os ensaios dos contadores, dando a eles orientações complementares, de acordo com as dificuldades apresentadas na preparação desse gênero oral. Causo Produção de texto Escolha um dos causos contados em sua sala de aula para registrá-lo por escrito. Depois desse registro, a oralização dos novos textos pode ser realizada em uma roda de leitura. PLANEJE SEU TEXTO Professor, esta seção não tem como objetivo a produção de texto de autoria, mas a produção de um novo texto a partir de um texto oral, isto é, uma retextualização. No Manual, há considerações sobre os diversos tipos de retextualização. Sugerimos que o consulte antes de orientar a atividade a seguir. Copie no caderno as questões apresentadas a seguir e responda a cada uma como modo de planejamento. Amplie o número de questões se julgar necessário. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto. Para escrever o causo 1. Qual é o público leitor do texto? Colegas da sala e de outras turmas. 2. Que linguagem vou empregar? Linguagem informal com marcas de oralidade. 3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? Organização em parágrafos; estrutura de discurso direto para os diálogos (caso eles apareçam no texto). 4. Onde o texto vai circular? Em uma roda de leitura. 172 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 172 5/7/15 9:33 AM
173 ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO 1. Como, provavelmente, a origem de seu texto será um causo popular, terá muitas palavras e expressões usadas na língua oral. Assim como ocorre no texto Num rancho às margens do Rio Pardo, é possível representar por escrito algumas palavras e expressões usadas pelas personagens ou pelos próprios contadores. Você se lembra das palavras e expressões típicas das conversações espontâneas, como eu acho que, aí, né, então, viu etc.? Elas podem ser usadas em seu texto, na fala das personagens, para fazer com que se aproximem do jeito de falar usado em determinadas situações. 2. O narrador pode relatar os gestos e as expressões faciais das personagens... Esse recurso torna a cena mais viva para o leitor. No texto Num rancho às margens do Rio Pardo, por exemplo, o narrador conta como foi o riso da personagem e indica sua expressão nesse momento: Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto. 3. Se as personagens tiverem nomes, registre-os na história; se não tiverem, você poderá criá-los de acordo com o ambiente e a situação narrada ou descrita. 4. Não se esqueça de usar as pontuações de diálogo caso seja necessário representar a fala das personagens. AVALIAÇÃO E REESCRITA Professor, sugerimos que escolha um dos textos para analisar de que modo o aluno fez a retextualização do oral para o escrito. Verifique se há algum aluno que gostaria de ceder seu texto para estudo dessa atividade na sala de aula. Reproduza o texto (ou um trecho dele) em transparência ou no quadro de giz e analise com os alunos as marcas de oralidade que foram acomodadas no texto escrito. Estabeleça a relação dessas marcas com a ocorrência delas no causo r ealizado oralmente. Vá fazendo esse paralelo também com outros elementos do texto oral e escrito (retextualizado) que possam ter correspondência entre si. Na roda de leitura, aproveite para apresentar as diferenças que existem entre o texto lido nessa roda (leitura em voz alta) e a contação do causo (em que se empregam mais recursos expressivos do que na leitura em voz alta). 1. Se houver palavras no texto com a função de representar a fala ou determinado termo usado em uma variedade linguística específica, mantenha-as no texto escrito, buscando encontrar um modo de registrá-las. Para ver exemplos desse tipo de representação, releia os causos do capítulo que apresentam marcas de oralidade e variantes linguísticas. Depois dessa consulta, verifique se seu texto empregou, na medida do possível, essas marcas. 2. Você fez uso da pontuação adequada para os trechos em que o discurso direto está presente? 3. Você deu um título ao texto? 4. Depois de revisá-lo, passe o texto a limpo e entregue-o ao professor. 5. Quando o professor devolver o texto, combinem um dia para a apresentação dos causos na roda de leitura. Leia mais Uma das formas de divulgação da cultura popular em geral são os almanaques. Os almanaques são uma espécie de periódico (folheto, livreto ou revista) com temas e informações variados: textos de curiosidades, jogos, charadas, artigos diversificados. Esse tipo de material impresso, muito popular nas gerações passadas, voltou a povoar as bancas e pode ser encontrado também na internet. Portanto, se você quiser ter acesso a esse universo de assuntos variados e muitas vezes curiosos, procure os almanaques, informe-se e divirta-se. Preparando-se para o próximo capítulo Escolha um destes autores para pesquisar sobre ele: La Fontaine; Monteiro Lobato; Esopo. Descubra a época em que essa pessoa viveu, o que ela fazia e por que ficou conhecida. Depois, conte o resultado da pesquisa para a turma quando o professor solicitar. 173 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c01.indd 173 5/7/15 9:33 AM
174 capítulo 2 HISTÓRIAS QUE ENSINAM Para começo de conversa Depois de ter estudado os causos populares, que tal conhecer mais sobre outras maneiras de contar histórias? Você já percebeu que algumas histórias têm versões diferentes, isto é, são contadas de formas diferentes? Pois bem, sempre há quem queira continuá-las, modificá-las, contá-las de outra maneira. Vamos fazer essa experiência? 1. O ser humano sempre gostou de contar e ouvir histórias. Durante muitos séculos, as histórias eram transmitidas apenas oralmente, passando de pais para filhos. Muitas tinham como objetivo transmitir uma lição de vida. Você conhece alguma história desse tipo? Conte para os colegas. Resposta pessoal. 2. Cite uma história que você considera inesquecível. Resposta pessoal. 3. Em que tipo de história os animais são personagens? Os alunos poderão responder que os animais aparecem em muitos tipos de história. É possível que alguns alunos se lembrem das fábulas, histórias em que os animais falam e se comportam como seres humanos. 4. Há certo tipo de história que frequentemente acontece no tempo em que os animais falavam. Você conhece histórias assim? Conte para seus colegas. Resposta pessoal. 5. Você sabe o que é uma fábula? Você conhece alguma dessas histórias? Conte para os colegas. Resposta pessoal. Texto 1 Fábula Prática de leitura A cigarra e as formigas Num belo dia de inverno as formigas estavam tendo o maior trabalho para secar suas reservas de trigo. Depois de uma chuvarada, os grãos tinham ficado completamente molhados. De repente aparece uma cigarra: Por favor, formiguinhas, me deem um pouco de trigo! Estou com uma fome danada, acho que vou morrer. As formigas pararam de trabalhar, coisa que era contra os princípios delas, e perguntaram: Mas por quê? O que você fez durante o verão? Por acaso não se lembrou de guardar comida para o inverno? Para falar a verdade, não tive tempo respondeu a cigarra. Passei o verão cantando! Jótah 174 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 174 5/7/15 9:38 AM
175 Bom... Se você passou o verão cantando, que tal passar o inverno dançando? disseram as formigas, e voltaram para o trabalho dando risada. Moral: Os preguiçosos colhem o que merecem. Ash, Russell; higton, Bernard. Fábulas de Esopo. 7. ed. são Paulo: Companhia das Letrinhas, POR DENTRO DO TEXTO 1. Identifique na história os elementos indicados: a) personagens; A cigarra e as formigas. b) situação-problema a ser resolvida pela cigarra; c) palavras ou expressões do texto que indicam o tempo e a duração dos acontecimentos da história. Num belo dia de inverno / durante o verão. 2. A cigarra tem sucesso ao tentar resolver seu problema? Por quê? 3. Identifique o trecho que contém a lição que a fábula quer ensinar. A cigarra não tem alimento e resolve pedi-lo para as formigas. Não, porque as formigas julgam que a cigarra deveria ter trabalhado para conseguir seus alimentos em vez de passar os dias cantando. Moral: Os preguiçosos colhem o que merecem. 4. Copie, no caderno, a afirmativa que informa o tempo em que se passa a fábula A cigarra e as formigas. O aluno deve copiar a afirmativa do último quadro. A cigarra e as formigas conversam no verão sobre acontecimentos que ocorreram no inverno. As cenas da história perpassam as quatro estações do ano. O diálogo entre a cigarra e as formigas se passa no inverno. Elas conversam sobre fatos já ocorridos; sobre acontecimentos que ocorreram no verão. O diálogo entre a cigarra e as formigas se passa no inverno. Elas conversam sobre fatos que estão ocorrendo ainda no inverno. 5. É possível afirmar que essa fábula é um gênero textual que apresenta os principais elementos da narrativa? Explique. TEXTO E CONTEXTO Sim, a fábula apresenta personagens que agem em determinado tempo, a duração dos fatos, uma situação-problema (conflito), a resolução do conflito e o desfecho. Professor, para recordar esse assunto, os alunos poderão voltar ao quadro Importante saber apresentado no Capítulo 1 da Unidade Você acha que é possível comparar os acontecimentos dessa fábula com os que vivemos no dia a dia? Explique. Resposta pessoal. Professor, a resposta é pessoal, mas é importante que o aluno perceba que o conteúdo da fábula pode ser contextualizado, trazido para os dias atuais. IMPORTANTE SABER A fábula apresenta uma situação-problema ou conflito que permite ao leitor refletir sobre fatos, situações ou atitudes. A intenção da fábula é aconselhar ou ensinar, criticar uma situação, apontar atitudes incoerentes ou contraditórias das pessoas e da sociedade. Toda fábula tem uma moral. A moral da fábula é geralmente expressa em uma frase curta que resume sua intenção. Há fábulas em que os provérbios ou ditados populares aparecem como moral da história. Quando você produzir sua fábula, verifique se há algum provérbio que combine com o ensinamento ou com a crítica que seu texto quis transmitir. 175 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 175 5/7/15 9:38 AM
176 2. Escolha, dentre os provérbios a seguir, aquele que expressa o mesmo ensinamento moral da fábula A cigarra e as formigas. Em seguida, copie-o em seu caderno. a) Quem tudo quer, tudo perde. b) Sem trabalho não há recompensa. c) Devagar se vai ao longe. d) Quem semeia vento colhe tempestade. Alternativa b. 3. Cada uma das alternativas a seguir apresenta dois provérbios. Indique aquela em que ambos remetem a um mesmo ensinamento. a) Quem diz o que quer, ouve o que não quer e Quem ama o feio, bonito lhe parece. b) Devagar se vai ao longe e De grão em grão, a galinha enche o papo. c) Mais vale um pássaro na mão do que dois voando e Não se deve atirar pérolas aos porcos. d) Quem casa quer casa e Santo de casa não faz milagre. e) Quem com ferro fere, com ferro será ferido e Casa de ferreiro, espeto de pau. Alternativa b. Professor, sugerimos discutir com os alunos sobre o significado de cada um dos provérbios apresentados na atividade. Se achar interessante, desafie-os a ilustrar os provérbios em seu sentido literal ou a escrever pequenas narrativas que sejam coerentes com as ideias transmitidas. TROCANDO IDEIAS 1. Dê a sua opinião sobre a moral da fábula A cigarra e as formigas. Você concorda com ela? Resposta pessoal. 2. Em sua opinião, nos dias atuais, que tipos de pessoas representariam a cigarra e a formiga? Resposta pessoal. Professor, é interessante que os alunos percebam que muitas fábulas podem revelar uma moral preconceituosa, que reflete o pensamento da sociedade da época em que foram escritas. Isso também ocorre com os provérbios populares. Por esse motivo, é muito importante que o trabalho com esses textos seja feito de forma crítica e contextualizada, evitando que desses preconceitos sejam perpetuados. Antes de ler o próximo texto, retome com os alunos a pesquisa sobre os fabulistas solicitada no final do capítulo anterior. PARA VOCÊ QUE É CURIOSO As origens da fábula As fábulas são contadas há mais ou menos anos. Orais ou escritas, elas têm a intenção de dar um conselho, alertar sobre algo que pode acontecer na vida real, transmitir algum ensinamento, fazer alguma crítica, uma ironia etc. A maioria dessas histórias trata de certas atitudes humanas, como a disputa entre fortes e fracos, a esperteza de alguns, a ganância, a gratidão, o ser bondoso, o não ser tolo etc. Esses são alguns dos temas das fábulas. As fábulas são tão antigas quanto as conversas humanas. Como foram transmitidas oralmente, não sabemos quem as criou. De qualquer forma, conhecemos algumas fábulas que foram escritas no século VIII antes de Cristo (800 anos antes do ano número 1!). Sabemos também que fábulas muito antigas, do Oriente, foram difundidas na Grécia no século VI a.c., há anos, por um escravo chamado Esopo. Nos anos que se seguiram, elas continuaram a ser contadas e foram também escritas. Mais tarde, nos anos de 1600 (século XVII), o escritor francês Jean de La Fontaine, um nome muito importante no mundo das fábulas, reescreveu e adaptou as fábulas de Esopo, além de criar novas. Muitos outros escritores escreveram fábulas no mundo inteiro. No Brasil, um dos escritores mais importantes que reescreveu antigas fábulas e criou novas foi Monteiro Lobato. Seus primeiros livros dirigidos às crianças foram publicados em Fonte: SuCAr, Monica Teresinha Ottoboni. Trabalhando com os gêneros do discurso fábulas. São Paulo: FTD, pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 176 5/7/15 9:38 AM
177 Prática de leitura Texto 2 Cordel Aquele que trabalha E guarda para o futuro Quando chega o tempo ruim Nunca fica no escuro Durante todo o verão A cigarra só cantava Nem percebeu que ligeiro O inverno já chegava E quando abriu os olhos A fome já lhe esperava E com toda humildade A cigarra e a formiga À casa da formiga foi ter Pediu-lhe com voz sumida Alguma coisa pra comer Porque a sua situação Estava dura de roer A formiga então lhe disse Com um arzinho sorridente Se no verão só cantavas Com sua voz estridente Agora aproveitas o ritmo E dance um samba bem quente. José, severino. Cordel. são Paulo: hedra, Renato Arlem CONFRONTANDO TEXTOS 1. Os textos 1 e 2 narram a mesma história, entretanto organizam a mensagem de maneira diferente. Indique como cada texto organiza a fábula da cigarra e da formiga. No segundo texto, a história foi contada na forma de versos com rimas, e a moral da história não aparece em destaque no final. Já no primeiro, o texto está escrito em prosa, organizado em parágrafos, e a moral é destacada no final. 2. Copie no caderno os versos do texto 2 que apresentam a moral da história. Aquele que trabalha / E guarda para o futuro / Quando chega o tempo ruim / Nunca fica no escuro. A moral está logo no início do poema. IMPORTANTE SABER O texto apresentado, que conta a história da cigarra e da formiga em versos, é um exemplo de poema de cordel. 177 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 177 5/7/15 9:38 AM
178 3. Leia mais um texto desse gênero e conheça sua origem. [...] Para lhes deixar a par Sobre esta literatura Que é a mais popular E ainda hoje perdura Vamos direto ao começo Donde vem esta cultura A história da literatura de cordel... cuidado, cantor, pra não dizer palavra errada... O cordel introduzido No Brasil foi gradual Maior parte dos folhetos Como patrimônio oral Ingressou principalmente Como histórias de sarau Sua primeira feitura Na Europa aconteceu Tipógrafos do anonimato Botaram o folheto seu Pra ser vendido na feira E assim se sucedeu Foi Portugal que lhe deu Este nome de cordel Por ser vendido na feira Em cordões a pleno céu Histórias comuns, romances Produzidos a granel Foi o Nordeste o local Que lhe brasileirizou Nos sertões familiares Dos sertões onde chegou Levando alegria ao povo Pela voz do cantador Conduzia o rumor De histórias da redondeza Noticiadas em versos Dadas com toda clareza A uma população Que se tornava freguesa Fabio Colombini Desde as casas de riqueza Nas varandas das fazendas Até os dias de feira Entre os escombros de vendas Histórias eram cantadas De verdadeiras a lendas Folhetos de literatura de cordel à venda em Pernambuco. Sempre em versão cantada Assim o cordel viveu Antes de 1900 Primeira edição se deu De lá pra cá permanece Mantendo o legado seu [...] CAmPos, Abdias. Folheto de cordel. Recife, a) Qual é a finalidade desse cordel? Narrar fatos que ilustram a história da literatura de cordel. b) De acordo com o texto, onde surgiu a literatura de cordel? Na Europa. c) Como se explica a origem do termo cordel? Os folhetos produzidos para serem vendidos na feira eram expostos em cordões a céu aberto. O termo cordel, portanto, vem de corda, cordão. pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 178 5/7/15 9:38 AM
179 d) Que textos são publicados nos folhetos de cordel? Narrativas reais ou fictícias. e) Quando os cordéis passaram a ser impressos no Brasil? A partir de f) Qual foi o diferencial do cordel brasileiro em relação ao europeu? No Brasil, o cordel ganhou uma grande dimensão oral. g) Qual região brasileira tornou a literatura de cordel conhecida no restante do país? A Região Nordeste. Professor, seria interessante solicitar aos alunos uma pesquisa que os levasse a identificar quais causas colaboraram para que o cordel se popularizasse no Nordeste, tornando- -se parte da cultura oral dessa região. Em discussão, procure mobilizar conhecimentos históricos e geográficos que contextualizem as informações descobertas pela turma. h) Observe a estrutura do texto e responda: Como uma história contada em cordel deve ser estruturada? O cordel deve ser escrito em versos curtos e ter rimas. i) O texto que você leu foi organizado em versos. Releia-o e, com o professor e os colegas, escreva um texto em prosa que retome a sequência dos fatos que compõem a história da literatura de cordel. Resposta pessoal. Professor, sugerimos retomar o conceito de ideia principal trabalhado no Capítulo 2 da Unidade 2. A atividade de retextualização proposta contribui para que o aluno perceba que um mesmo tema pode ser desenvolvido de diferentes formas, com estruturas e objetivos distintos. Reflexão sobre o uso da língua Verbo (IV) 1. Leia atentamente as frases a seguir, observando os verbos destacados. I. Quem semeia vento colhe tempestade. II. Se você semeasse vento, colheria tempestade. III. Não semeie vento, para não colher tempestade. Agora, indique em seu caderno: a) a frase em que os verbos destacados exprimem a certeza sobre a realização da ação; Frase I. b) a frase em que o verbo destacado exprime a incerteza sobre a possibilidade de realização da ação; Frase II. c) a frase em que o verbo destacado exprime uma ordem, um conselho. Frase III. Professor, a frase I corresponde a um provérbio popular. Seria interessante pedir aos alunos que, coletivamente, construíssem o seu sentido. É oportuno lembrar a eles que os provérbios populares, muitas vezes, são utilizados como a moral das fábulas, gênero abordado no capítulo. 2. Agora, leia esta tira em quadrinhos: Garfield, Jim Davis 2015 Paws, Inc. All Rights Reserved/Dist. Universal Uclick Garfield. Folha de S.Paulo, São Paulo, 23 jan Disponível em: < ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#23/1/2015>. Acesso em: 24 jan a) Transcreva o termo que aparece repetidamente no primeiro e no segundo quadrinhos. Mastiga. b) Explique o uso desse termo na tira, considerando o contexto. O termo mastiga, apresentado repetidas vezes, funciona como uma onomatopeia e faz referência ao barulho que Garfield emite ao comer pipoca. c) Que tipo de balão foi utilizado no último quadrinho? Balão de pensamento. 179 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 179 5/7/15 9:38 AM
180 d) Considerando o contexto da tira e as personagens que aparecem nela, podemos dizer que esse tipo de balão foi utilizado em sua função mais usual? Não. Professor, espera-se que o aluno perceba que os balões de pensamento, na verdade, acomodam falas das personagens. Informe a turma que nas tiras de Garfield, de Jim Davis, esse recurso é utilizado pelo cartunista para representar as falas das personagens animais, enquanto o balão de fala tradicional corresponde às falas das personagens humanas. e) A resposta dada por Garfield indica uma resposta positiva ou negativa em relação ao pedido feito pela gatinha? Por quê? É uma resposta negativa. Ele prefere terminar o namoro a dar-lhe pipoca. f) A frase usada por ele indica uma certeza ou uma possibilidade? Indica uma possibilidade. g) Quais palavras usadas na frase confirmam sua resposta anterior? Talvez e o verbo ser no subjuntivo. h) O sentido seria diferente se ele tivesse dito É hora de darmos um tempo no namoro? Sim, pois, dessa forma, a frase indicaria uma certeza em relação a dar um tempo no namoro. IMPORTANTE SABER Os verbos expressam, além do tempo, o modo como as ações acontecem; ou seja, a forma como são flexionados também revela a atitude ou intenção do falante em relação ao fato expresso. Os verbos apresentam três modos: Modo indicativo: é o modo que expressa um fato real, uma certeza. Exemplo: A namorada de Garfield quer pipoca. Modo subjuntivo: é o modo que expressa uma dúvida, uma possibilidade. Exemplo: Se a namorada de Garfield pegasse pipoca, o namoro terminaria. Modo imperativo: é o modo que expressa uma ordem, um pedido, um conselho, um convite. Exemplo: Não pegue minha pipoca! APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Leia os provérbios a seguir. Depois, copie-os em seu caderno e indique o modo dos verbos em destaque. a) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Bate e fura: modo indicativo. b) Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada. Der: modo subjuntivo; faça: modo imperativo. c) Nunca digas: desta água não beberei. Digas: modo imperativo; beberei: modo indicativo. 2. Leia atentamente o texto a seguir: Virgem Rotina: junto aos amigos, evite que suas palavras sejam mal interpretadas e controle os seus impulsos e reações. Interesses: dia positivo com acontecimentos benéficos de ordem financeira que podem se concretizar no período da tarde. Intimidade: quadro propício aos seus assuntos afetivos. gazeta Digital. horóscopo, 29 jan Disponível em: < /t/confira-a-previsao-do-horoscopo>. Acesso em: 17 fev Brumaria/Shutterstock 180 a) A que leitor se dirige o texto anterior? Aos leitores de horóscopo, especialmente aos virginianos ou àqueles que se interessam por esse signo. b) Você já sabe que todo texto tem uma finalidade. Qual é a finalidade desse texto? Aconselhar comportamentos favoráveis para os nascidos sob o signo de virgem e, muitas vezes, avisar sobre acontecimentos futuros. pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 180 5/7/15 9:38 AM
181 IMPORTANTE SABER Os textos que instruem o leitor a adotar determinados comportamentos como receita de bolo, regra de jogo, horóscopo etc. são chamados textos instrucionais. 3. Os textos de horóscopo apresentam elementos próprios desse gênero textual. Indique tais elementos no texto anterior. Atividade de criação Versão para o final de uma fábula Que tal criar um novo final para a fábula A cigarra e as formigas? Recrie a fábula, dando-lhe o título A formiga boa. Observe que será necessário criar também uma nova moral da história. AVALIAÇÃO Professor, após a escrita do texto, seria interessante pedir aos alunos uma pesquisa sobre a versão de Monteiro Lobato, que apresenta a formiga boa como personagem, e compará-la à versão que os alunos construíram. A versão de Monteiro Lobato está em Fábulas. São Paulo: Brasiliense, Sugerimos criar, coletivamente, um quadro no qual o aluno possa comparar as personagens e seus respectivos comportamentos, bem como o tempo e o espaço no qual ocorrem as ações, o conflito, a complicação, o clímax e o desfecho das histórias. 1. Há em seu texto uma indicação sobre o tempo em que ocorrem os fatos? 2. As personagens enfrentam um problema e buscam solução? 3. As ações das personagens e/ou suas falas ensinam um comportamento ao leitor? 4. Há uma moral destacada no fim do texto? Há a indicação de um signo do zodíaco (virgem), uma previsão dos acontecimentos do dia e uma breve orientação quanto a um comportamento a ser adotado. 4. Copie em seu caderno o trecho em que os verbos foram conjugados no modo imperativo e responda: Qual é a intenção do uso do modo imperativo no gênero horóscopo? [...] evite que suas palavras sejam mal interpretadas e controle os seus impulsos e reações [...]. Professor, é importante enfatizar aqui a intenção comunicativa dos modos verbais, retomando o quadro anterior. Seria interessante pesquisar com os alunos outros gêneros em que o modo imperativo aparece com frequência como receitas culinárias, anúncios publicitários etc. sempre com a intenção de orientar as ações do leitor/ouvinte. 5. O que mudou na moral da história original em relação à versão que você criou? Explique. Respostas pessoais. Texto 3 Fábula ANTES DE LER Prática de leitura 1. No texto Quem tem razão? A lebre ou o leão?, que você vai ler em seguida, alguns trechos estão destacados. Leia apenas esses trechos e, depois, passe para a atividade As informações seguintes sobre o texto podem ser falsas ou verdadeiras. Com base na leitura que você fez, apenas dos trechos destacados, copie no caderno a que você supõe verdadeira. Alternativa b. a) O texto apresenta apenas uma personagem contando a própria história. b) Acontece uma assembleia durante a qual se realiza um debate. c) O texto vai apresentar uma notícia de jornal. Professor, é importante não apresentar a resposta correta neste momento para que os alunos só confirmem suas hipóteses depois da leitura na íntegra, conforme o que é solicitado na atividade a seguir. 3. Agora, leia o texto na íntegra e descubra se a alternativa que você escolheu é verdadeira. 181 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 181 5/7/15 9:38 AM
182 Quem tem razão? A lebre ou o leão? Naquela floresta calma e tranquila alguma coisa diferente estava acontecendo. Ouvia-se o som de vozes numa conversa animada como se fosse uma boa discussão. Eu não concordo com o título de que o leão é o rei dos animais reclamava a lebre, muito nervosa. Isso me deixa muito contrariada porque, afinal, ele já leva a fama há tanto tempo e nunca mais alguém propôs uma discussão sobre o assunto. Que tal convocarmos uma assembleia? propôs a danada aos outros animais. Seria uma ótima oportunidade de encontrarmos os colegas e discutirmos o assunto. Mas... assembleia? disse o macaco. Eu nem sei o que é isso. É uma reunião onde todos os participantes falam e expressam suas ideias de uma maneira organizada e bem educada, isto é, sem ofensas e brigas explicou a lebre. Tudo bem concordaram os demais mas quando? Talvez depois de amanhã, para que haja tempo de avisarmos todos os animais concluiu a lebre. Ok, está combinado: sábado, embaixo da mangueira e neste mesmo horário, ao nascer do sol responderam os elefantes. Até lá, meus amigos! continuou a lebre, agora mais satisfeita. O burburinho era geral, pois, embora o macaco, o tatu, a cotia, a zebra e o papagaio e muitos outros animais tivessem gostado da ideia, eles ainda não sabiam muito bem o que iria acontecer. Mesmo assim os convites prosseguiram. Era tatu avisando minhoca e papagaio na casa da arara, todos ajudando a lebre a organizar a tal assembleia. E a cada convite surgia novamente a dúvida. Mas o que será que vamos discutir? Eles não conseguiam saber o que a lebre iria dizer ao leão. Bem, chegando o dia e a hora, todos estavam curiosos e agitados. Para dar início à reunião, a lebre, como é pequenininha, pediu ajuda à girafa para poder explicar sua proposta lá do alto. Eu, lebre da floresta, tenho uma proposta para vocês. Gostaria de discutir o título dado ao leão como Rei dos Animais. Este título já foi dado a ele há muito tempo e precisamos voltar a discuti- -lo, afinal, os tempos mudaram. Vocês concordam com a minha ideia? Os animais se olharam e mesmo meio apavorados demonstraram concordar balançando afirmativamente as cabeças. Assim que os animais se manifestaram, o leão soltou um rugido daqueles tão fortes que mais da metade da bicharada saiu correndo de medo. Os outros animais ficaram olhando surpresos para a lebre, esperando o que ela iria dizer. Ela não teve dúvidas. Sr. Leão, o senhor acha mesmo que com esse rugido vai assustar todo mundo e continuar a ser o rei? Pois então vamos lá! Chamou de volta todos os animais que tinham fugido e garantiu a eles que ficassem sossegados, pois a conversa estava apenas começando. Já que o senhor tem uma voz tão forte, por que não promovemos um concurso de canto? Quem se candidata? continuou a lebre. Imediatamente um pássaro se apresentou e iniciou a cantoria. Os animais da plateia não paravam de elogiá- -lo. Foi um sucesso! Jótah 182 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 182 5/7/15 9:38 AM
183 Agora é a sua vez, Sr. Leão. Ele rugiu tão alto e desafinado como se fosse um disco riscado tocando no máximo volume. Desta vez a plateia não gostou, mas ficou imóvel de medo. Então, meus amigos disse a lebre se o rei dos animais fosse escolhido pelo canto, segundo as reações de vocês, o pássaro seria o vencedor. Apoiada, Sra. Lebre disseram os animais, agora mais satisfeitos e tranquilos. Então vamos a outra prova: Tamanho não é documento propôs a organizadora. Essa eu não tenho dúvida de que vencerei falou o leão. Quem me enfrentará? Mesmo que seja um elefante grandão e pesado, eu o derrubo em um só golpe, vamos ver. Espere, Sr. Leão disse a lebre. E, para espanto de todos, a lebre convidou uma formiga para participar da prova. Vocês têm ideia do que aconteceu? A formiguinha subiu na juba do leão e começou a passear tão de levinho que ele sentiu cócegas e se derreteu todo, chegando a deitar-se no chão para curtir o carinho da formiguinha. E, então, Sr. Leão, vamos continuar? Acho que já entendi sua ideia, Sra. Lebre. A senhora quis mostrar aos animais dessa floresta que não devemos achar que somos os melhores em tudo, porque isso não existe. Cada um pode ser bom em alguma coisa, depende do ponto de vista. Certo? disse o leão. Os animais ficaram surpresos e contentes com a fala do leão. Acharam que a lebre foi muito esperta nessa assembleia. Mas, Sra. Lebre, só para terminar eu gostaria de lhe fazer uma perguntinha. Pois não, Sr. Leão. Como é mesmo aquela história da corrida entre a lebre e a tartaruga? martins, Valdenise do nascimento. A compreensão da leitura de fábulas. O professor e os desafios da escola pública paranaense. Produção didático-pedagógica. Paranaguá, 2012, v. 2, p Disponível em: < pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2012/2012_ fafipar_port_pdp_valdenilse_do_nascimento_martins.pdf>. Acesso em: 30 jan Jótah POR DENTRO DO TEXTO Professor, o estudo desse texto apresenta sequência didática própria. Primeiro, o aluno fará atividades de leitura para compreender o que é uma assembleia, um debate, no contexto da narrativa. As questões de compreensão do texto encontram-se entrelaçadas ao estudo da fábula, nesta seção, porque o final da sequência culminará na preparação de um debate. Assim, o estudo do texto possibilita que o aluno reflita sobre a organização das falas em um debate ou assembleia, orientando-o para a fala pública nesses contextos comunicativos. 1. Com base na leitura do texto, explique o que é uma assembleia. Resposta pessoal. 2. Que proposta foi feita pela lebre da floresta? Fazer uma assembleia para rever o título de rei das selvas dado ao leão. 3. Qual frase usada pela lebre indica que ela se interessa em ouvir a opinião dos outros animais? Vocês concordam com a minha ideia? O que você achou da atitude da lebre de procurar conhecer a opinião dos colegas? Justifique sua opinião. Resposta pessoal. 183 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 183 5/7/15 9:38 AM
184 4. Retire do texto uma fala de personagem que contenha argumentação. Resposta possível: Gostaria de discutir o título dado ao leão como Rei dos Animais. Esse título já foi dado a ele há muito tempo e precisamos voltar a discuti-lo, afinal, os tempos mudaram. Vocês concordam com a minha ideia? Professor, se necessário, retome com os alunos o Capítulo 1 da Unidade 2 deste volume, que apresenta esse tema. 5. Releia este trecho do texto: Assim que os animais se manifestaram, o leão soltou um rugido daqueles tão fortes que mais da metade da bicharada saiu correndo de medo. a) Nesse trecho, o leão usou argumentos? Explique sua resposta. Não, o leão agiu usando a força de seu rugido para intimidar os outros animais. b) Em situações reais, há pessoas que, para vencer um debate, agem de maneira semelhante ao leão? Dê um exemplo. Resposta possível: Sim, há pessoas que, quando não conseguem convencer o outro a aceitar suas ideias, esbravejam e até mesmo partem para a agressão. c) O que você pensa sobre esse tipo de atitude? Resposta pessoal. 6. No debate entre os animais, alguma personagem demonstra concordar com a opinião de outro animal? Caso afirmativo, transcreva do texto a fala que comprova sua resposta. Resposta possível: Ok, está combinado: sábado, embaixo da mangueira e neste mesmo horário, ao nascer do sol responderam os elefantes. 7. Qual foi o assunto discutido pela assembleia dos animais? Houve opiniões diferentes sobre esse assunto? 8. Em sua opinião, qual foi a melhor ideia apresentada na assembleia dos animais? Apresente-a para a turma. Preste atenção nas opiniões dos colegas e procure defender a sua, justificando-a. Resposta pessoal. O direito de o leão ser majestade para sempre. Sim, a opinião da lebre era diferente da de outros animais. 9. Existe alguma relação entre o título do texto e o motivo pelo qual a assembleia foi realizada? Sim, a assembleia foi realizada para discutir o título rei dos animais atribuído ao leão, com o que a lebre não concorda. Os animais foram convocados a dar a opinião deles sobre o assunto e decidir quem tinha razão, se a lebre que contestava o título ou o leão que o ostentava e defendia. IMPORTANTE SABER Assembleia é um evento organizado para as pessoas discutirem tema(s) de interesse coletivo. Durante a assembleia, um grupo de pessoas debate suas ideias, argumentando e defendendo oralmente suas opiniões. Após as discussões, as decisões são tomadas por meio de votação. Debate também é um gênero oral organizado para as pessoas discutirem um assunto, dar sua opinião, contestar ou apoiar ideias por meio de argumentos. O debate pode ter um mediador. O papel do mediador é apresentar o tema a ser debatido, organizar a ordem das falas, controlar o tempo de fala de cada um, dar a palavra para a pessoa que tem direito de resposta. No debate, porém, não há votação e tomada de decisões, como ocorre na assembleia. 10. No Capítulo 1 da Unidade 2, você aprendeu o que é ser democrata. O conceito de assembleia se relaciona com o conceito de democracia? Discuta com os colegas. Espera-se que os alunos percebam que sim, pois a assembleia tem a função de discutir os problemas coletivos e decidir sobre eles por meio de votação; dessa forma, a opinião da maioria é respeitada. 11. Releia o trecho em que a lebre explica o que é uma assembleia: É uma reunião onde todos os participantes falam e expressam suas ideias de uma maneira organizada e bem-educada, isto é, sem ofensas e brigas explicou a lebre. 184 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 184 5/7/15 9:38 AM
185 a) A explicação da lebre está mais de acordo com a definição de assembleia ou de debate? Com a definição de debate. b) Há possibilidade de se realizar uma assembleia sem um debate de ideias? Explique sua resposta. Não, pois, para tomar decisões e votar, é preciso discutir coletivamente os problemas. Isso normalmente se dá por meio de um debate de ideias. c) O que falta na explicação da lebre para completar a definição de assembleia, conforme as informações que você leu no quadro sobre esse gênero? Em seu caderno, complete a fala da lebre com uma das alternativas a seguir. Alternativa II. I. Nessa reunião, as pessoas brigam muito. II. Nessa reunião, as pessoas tomam decisões com base nas opiniões discutidas. III. Nessa reunião, ninguém vota. 12. De acordo com o final do texto, você acha que a discussão foi concluída pelos animais? Houve votação e tomada de decisões? Por quê? Não houve votação. A discussão foi concluída porque o leão fingiu aceitar os argumentos da lebre, mas levantou nova discussão. 13. Que outra fábula conhecida foi mencionada no último parágrafo do texto? A lebre e a tartaruga. Professor, seria interessante perguntar aos alunos se eles conhecem essa fábula. Se algum aluno tiver conhecimento da fábula, poderá contá-la para os colegas. 14. As personagens do texto se comunicaram quase só pela fala. Mas há momentos em que a comunicação acontece de outra forma. Em seu caderno, copie do texto um trecho que mostre esse fato. Os animais se olharam e mesmo meio apavorados demonstraram concordar balançando afirmativamente as cabeças Em seu caderno: Copie as frases a seguir: I. Que tal convocarmos uma assembleia? II. É uma reunião onde todos os participantes falam e expressam suas ideias de uma maneira organizada e bem-educada, isto é, sem ofensas e brigas explicou a lebre. III. Acho que já entendi sua ideia, Sra. Lebre. IV. Cada um pode ser bom em alguma coisa, depende do ponto de vista. Certo? Agora transcreva, ao lado de cada frase copiada o sentido dos termos destacados, de acordo com os itens a seguir: I-c; II-a; III-b; IV-d. a) Explicação do que foi dito antes. b) Indicação de que a personagem compreendeu algo. c) Sugestão, convite. d) Verificação da opinião do outro. 185 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 185 5/7/15 9:38 AM
186 Na trilha da oralidade Debate regrado Proposta 1 Professor, sugerimos que seja feito, com os alunos, um levantamento de temas sobre os quais eles gostariam de discutir. Em seguida, proponha uma votação para eleger o tema do debate. Sugestões: Benefícios (ou malefícios) das redes sociais, Lei da Palmada, Causas da violência urbana, Amizade entre meninos e meninas e Importância da sustentabilidade. Se houver interesse da turma, retome temas abordados anteriormente neste volume, como a discussão Qual é a hora certa para deixar de ser BV?, proposta na Unidade 2. Que tal assumir o lugar das personagens do texto? Na sala de aula, discutam o tema levantado pela lebre, realizando um debate. Proposta 2 Para realizar um debate, escolham um assunto que costuma gerar diferentes opiniões e que seja de interesse da turma. ORIENTAÇÕES 1. Para apresentar sua ideias em um debate, você precisa se preparar. Se a turma optou pela proposta 2, procure se inteirar do assunto a ser debatido 2. Em seu caderno, anote as principais ideias que quer defender. 3. No decorrer do debate, você poderá acrescentar novas ideias a sua lista, dependendo do andamento da discussão. 4. É importante observar atitudes adequadas para que todos possam participar do debate. Leia a seguir algumas delas: Ouvir os colegas. Respeitar suas opiniões. Refletir antes de falar. Expor seus argumentos de maneira clara. Observar se os outros alunos estão compreendendo o que você diz. Esperar a sua vez de falar. Prestar atenção nos argumentos usados pelas outras pessoas. Contestar as ideias dos outros por meio do emprego de novos argumentos. 5. Seu professor poderá fazer o papel do mediador: aquele que organiza o debate, dá a palavra aos participantes, combina e controla o tempo que cada grupo terá para falar. 6. Depois do debate, faça com seus colegas uma avaliação de como cada participante atuou no momento da discussão. IMPORTANTE SABER Debater não é discutir com impulsividade, agressividade ou intolerância. A emoção faz parte da discussão, mas ela não pode tomar o lugar das ideias, dos argumentos. 186 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 186 5/7/15 9:38 AM
187 Reflexão sobre o uso da língua Verbo (V) 1. Reescreva as frases a seguir em seu caderno, flexionando todos os verbos no passado. Lembre-se de observar o contexto de produção das falas. a) Eu, lebre da floresta, tenho uma proposta para vocês. b) Quem se candidata? a) Eu, lebre da floresta, tinha uma proposta para vocês. b) Quem se candidatou? 2. As mudanças nas falas da atividade 1 provocaram alteração no sentido do texto? Explique. Sim, na frase a, com o verbo empregado no presente, a lebre informa aos animais que tem uma proposta. Com o verbo no passado, pode-se entender que a lebre tinha uma proposta, mas não tem mais. Na frase b, Quem se candidata?, há um convite. Ao usar o verbo no passado Quem se candidatou?, a frase passa a ser uma pergunta sobre que pessoas se candidataram para algo. 3. Neste capítulo, lemos diversas histórias em prosa ou em versos. E, para narrar essas histórias, foi preciso, muitas vezes, empregar várias formas do verbo no passado. Leia um exemplo disso na estrofe a seguir: Durante todo o verão A cigarra só cantava Nem percebeu que ligeiro O inverno já chegava E quando abriu os olhos A fome já lhe esperava a) Copie, em seu caderno, os verbos que indicam ações ocorridas no passado. Cantava, percebeu, chegava, abriu, esperava. b) Os verbos destacados na atividade anterior, embora estejam todos no passado, dão informações diferentes sobre esse tempo verbal. Reescreva-os, em seu caderno, separando-os em duas colunas, de acordo com as seguintes características: indicam ações que se repetiam no passado e indicam ações que ocorrem uma vez no passado. Primeira coluna: cantava, chegava e esperava; segunda coluna: percebeu e abriu. 4. Agora, compare os trechos a seguir: I. A formiguinha subiu na juba do leão e começou a passear tão de levinho que ele sentiu cócegas e se derreteu todo [...]. II. A formiguinha subia na juba do leão e começava a passear tão de levinho que ele sentia cócegas e se derretia todo. a) Os verbos destacados nos trechos I e II estão no passado. Em qual dos trechos esses verbos indicam ações que já terminaram? No trecho I. b) Em qual dos trechos o verbo indica uma ação que acontecia no passado com frequência? No trecho II. c) O tempo verbal usado em cada um dos trechos altera o sentido da informação? Explique. Sim, há alteração de sentido. No primeiro trecho, entende-se que as ações da formiga e do leão aconteceram apenas em um determinado momento do passado. Já no segundo trecho, percebe-se que as ações ocorreram mais de uma vez no passado, ou seja, percebe-se que, apesar de já terem ocorrido, elas eram constantes. 187 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 187 5/7/15 9:38 AM
188 IMPORTANTE SABER Quando se diz que um verbo está no passado é o mesmo que dizer que ele está no pretérito. Essas palavras têm o mesmo significado. Quando desejamos nos referir a algo que já aconteceu e que está totalmente acabado, usamos o pretérito perfeito. Isso significa que os fatos foram perfeitamente concluídos. Observe que, no trecho II da atividade anterior, os atos de subir, começar, sentir e derreter já foram encerrados. Quando desejamos nos referir a uma ação que acontecia no passado com frequência, de forma contínua, ou indicar que um fato estava acontecendo antes que outro o interrompesse, usamos o pretérito imperfeito. 5. Observe a seguir duas maneiras de conjugar o verbo subir no pretérito. Escreva em seu caderno a que tempo verbal corresponde cada quadro. Quadro I Quadro II I: pretérito perfeito. II: pretérito imperfeito. Eu subi Tu subiste Ele subiu Nós subimos Vós subistes Eles subiram Eu subia Tu subias Ele subia Nós subíamos Vós subíeis Eles subiam APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Em seu caderno: a) Elabore cinco frases que descrevam ações que você praticou durante o dia de ontem. Resposta pessoal. b) Identifique os verbos utilizados nas frases que você elaborou. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos tenham utilizado verbos no pretérito perfeito. c) Que tipo de ação é indicada pelos verbos que você empregou? Selecione uma das opções a seguir e copie-a. I. Ações que ocorriam frequentemente no passado (pretérito imperfeito). II. Ações ocorridas antes de outras, também já concluídas (pretérito mais-que-perfeito). III. Ações perfeitamente concluídas (pretérito perfeito). 2. Agora, elabore um pequeno texto relatando atividades, brincadeiras e hábitos de sua infância. O que você gostava de fazer? Qual era a sua rotina? Resposta pessoal. 188 a) Identifique em que tempo verbal estão os verbos empregados em seu relato. Professor, é interessante pedir a alguns alunos que leiam suas frases a fim de registrar os verbos utilizados no quadro de giz para que a turma observe vários exemplos de uso do pretérito perfeito. Alternativa III. As ações realizadas foram perfeitamente concluídas. Os verbos, portanto, estão conjugados no pretérito perfeito. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno tenha utilizado verbos no pretérito imperfeito. Professor, assim como na atividade anterior, é interessante pedir a alguns alunos que leiam seus relatos a fim de registrar os verbos utilizados, para que a turma observe vários exemplos de uso do pretérito imperfeito. b) Releia as opções do item c na atividade 1 e responda: Que tipo de ação é indicada pelos verbos utilizados em seu relato? Ações que ocorriam frequentemente no passado (pretérito imperfeito). pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 188 5/7/15 9:38 AM
189 3. Na fábula a seguir, os verbos foram apenas indicados entre parênteses, no infinitivo. Em seu caderno, reescreva o texto substituindo os símbolos pelos verbos conjugados no tempo verbal adequado. Não se esqueça de estabelecer concordância entre os verbos e os nomes a que se referem. A baleia e o tubarão Certo dia de outono, a baleia brincava no mar. O tubarão aproximou-se e, com cuidado, rodeou a preparou-se baleia para mordê-la de modo fatal. Sinuoso, (preparar-se) para o bote. Chegando a uma distância gritou razoável do ouvido da baleia, (gritar), com voz fina e doce, bem inadequada para um tubarão: Cara amiga, permita-me brincar com você nesse belo dia! Vamos alegrar-nos juntos! olhou A baleia (olhar) desconfiada, pois tubarão e baleia não têm boa vizinhança, nem as mesmas respondeu reagiu brincadeiras. Mas, como tinha boa índole, não (responder) e não (reagir). conseguiu Tão logo o tubarão (conseguir) aproximarmordeu -se, (morder) o pescoço da baleia com força. Todavia, uma crosta de conchas e corais que se quebrou grudara na pele da baleia (quebrar) os dentes do tubarão. Choroso e sangrando, ele fugiu com dores atrozes. A baleia, calmamente, olhou com desdém o ingênuo tubarão em fuga e (pensar) que os seres pensou são muito furiosos (ser) sempre pouco atentos. gazolla, Raquel. Fábulas nuas e cruas. são Paulo: Parábola, Jótah 4. Releia a fábula e elabore uma moral para ela. Lembre-se de que ela deve estar de acordo com o ensinamento que o texto busca transmitir. Depois, compartilhe-a com a turma e, juntos, elejam aquelas que se mostrarem mais adequadas à fábula. Resposta pessoal. Sugestões: A má intenção vem acompanhada de decepção ; A precipitação é má conselheira. De olho na ortografia Acentuação das oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas Observe a acentuação das palavras a seguir, retiradas da fábula A baleia e o tubarão : distância índole desdém 1. Em seu caderno, separe as sílabas dessas palavras e verifique se o acento recai na última, na penúltima ou na antepenúltima sílaba. Dis-tân-cia: penúltima sílaba; ín-do-le: antepenúltima sílaba; des-dém: última sílaba. 2. Qual é a importância do acento gráfico nessas palavras? O acento gráfico indica a posição da sílaba tônica nessas palavras e a forma como elas devem ser pronunciadas. 3. Por que nem todas as palavras que conhecemos têm um acento gráfico? Existem regras de acentuação que determinam quais palavras devem ser acentuadas. Professor, enfatize com o aluno a importância de se conhecer as regras de acentuação, pois elas contribuem para que não haja problemas quanto à pronúncia das palavras. 4. Pesquise: De acordo com a posição da sílaba tônica a sílaba pronunciada com maior intensidade, essas palavras são oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas? Dis-tân-cia: paroxítona; ín-do-le: proparoxítona; des-dém: oxítona. 5. Escreva outras palavras proparoxítonas que você conheça. Professor, faça uma lista no quadro de giz com as palavras levantadas pelos alunos. Cada aluno poderá escrever uma palavra no quadro de giz a fim de que fique mais fácil depreender a regra de acentuação. 6. Agora, escreva com suas palavras a regra de acentuação das proparoxítonas. Todas as proparoxítonas são acentuadas. 189 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 189 5/7/15 9:38 AM
190 IMPORTANTE SABER Na língua portuguesa, as palavras se classificam quanto à posição da sílaba tônica em: Oxítona: a tonicidade recai na última sílaba. Por exemplo: café, saci, parabéns. Paroxítona: a tonicidade recai na penúltima sílaba. Por exemplo: cama, táxi, caráter. Proparoxítona: a tonicidade recai na antepenúltima sílaba. Por exemplo: mágico, lâmpada, estático. A maioria das palavras da língua portuguesa é paroxítona. Por isso, quando uma palavra é proparoxítona, ela precisa ser acentuada. Caso contrário, não saberemos que a sílaba tônica é a antepenúltima, e não a penúltima, como estamos acostumados. Saiba mais sobre esse assunto consultando o Apêndice. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. As palavras destacadas no texto a seguir são proparoxítonas e não estão acentuadas. Leia o texto e, em seguida, corrija essas palavras em seu caderno. África, histórico e históricos. A descoberta Estavam os dois caçadores bem no centro da Africa quando, por trás de uma colina, de dentro de uma gruta, da escuridão de uma mata, do seio de uma grota, surgiu um tigre-dentes- -de-sabre. Disse um dos caçadores: Um animal pré-historico! O mais terrível e o mais precioso dos animais pré-historicos! Que vamos fazer? Vamos fazer o seguinte sugeriu o outro caçador, preparando-se para correr: Você fica aqui e aguenta o bicho, que eu vou espalhar a notícia pela Africa inteira. FERnAnDEs, millôr. Fábulas fabulosas. 14. ed. Rio de Janeiro: nórdica, Responda: a) Quem são as personagens da história? Dois caçadores. b) Que moral você daria à fábula? Professor, a moral dada à fábula dependerá da visão do aluno sobre as atitudes das personagens. Uma possibilidade é O mundo é dos espertos. c) A moral dessa história está relacionada com o humor do texto? Explique o que provoca esse humor. Sim. O humor do texto é garantido pelo efeito surpresa provocado pela resposta cheia de esperteza de uma das personagens para fugir do ataque do tigre. 3. Compare essa fábula com a fábula A cigarra e as formigas. Escreva em seu caderno as diferenças e semelhanças entre elas, observando os elementos a seguir: a) personagens; Na fábula de Esopo, as personagens são animais; na fábula A descoberta, são pessoas. b) ambiente em que a história se passa; c) tempo de duração dos fatos narrados; A fábula A cigarra e as formigas não menciona espaço; já a fábula A descoberta se passa em um ambiente natural no centro da África. Os fatos narrados na história A cigarra e as formigas se passam entre o verão e o inverno. Na fábula A descoberta, a cena narrada é breve e se passa em determinado momento do dia. d) tempo verbal empregado pelo narrador; Ambos usam o pretérito imperfeito. e) desfecho. Resposta possível: Nas duas histórias há personagens que pretendem deixar outra personagem em situação desfavorável. Professor, os alunos podem apresentar outras semelhanças e diferenças. 190 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 190 5/7/15 9:38 AM
191 4. Localize e copie em seu caderno as paroxítonas do texto. Estavam, caçadores, centro, quando, colina, dentro, gruta, mata, seio, grota, tigre, dentes, sabre, disse, terrível, precioso, vamos, seguinte, outro, preparando-se, fica, aguenta, bicho, notícia. a) Quantas paroxítonas não são acentuadas? 22 paroxítonas não são acentuadas. b) Quantas e quais paroxítonas possuem acento gráfico? Apenas duas são acentuadas: terrível e notícia. c) De acordo com o que estudamos, por que há tão poucas paroxítonas acentuadas no texto? Porque a maioria das palavras da língua portuguesa é paroxítona; portanto, não há necessidade de se indicar com um acento gráfico qual é a sílaba tônica. Professor, atividades semelhantes a esta podem ser propostas todas as vezes em que forem apresentados aos alunos conteúdos de ortografia e de acentuação. O objetivo é auxiliá-los a observar a grafia correta das palavras, orientando-os, se necessário, a consultar regras e, aos poucos, a apropriar-se delas. Procure retomar os conteúdos de ortografia nas reescritas de texto, combinando com a turma os critérios dessa atividade. APRENDER BRINCANDO Nesta atividade, você vai trabalhar em dupla. Sente-se ao lado de um colega e siga as instruções. 1. Encontrem, no mínimo, dez palavras acentuadas em livros, jornais e revistas. 2. Transcrevam essas palavras em seus cadernos, organizando-as em três colunas, de acordo com a sílaba tônica: última, penúltima ou antepenúltima sílaba mais forte. 3. Procurem no dicionário os significados das palavras que vocês não conhecem. Depois, pesquisem para saber por que elas são acentuadas. 4. Elaborem um diagrama com os termos pesquisados. Ele deve conter duas palavras oxítonas, duas paroxítonas e duas proparoxítonas embaralhadas em meio a outras letras. 5. Troquem de diagrama com outra dupla e encontrem as seis palavras escondidas pelos colegas. Se tiverem dificuldade para encontrar alguma palavra ou não souberem o significado de algum termo, conversem com a dupla que elaborou o diagrama. 6. Em seguida, toda a turma deve colaborar na produção de um cartaz com alguns exemplos de palavras usadas nos diagramas elaborados e as respectivas regras de acentuação. 7. Ilustrem o cartaz e prendam-no em um local visível. Dessa forma, você e seus colegas poderão, por algum tempo, consultar as regras estudadas e colocá-las em prática com mais facilidade. Momento de ouvir Professor, a fábula encontra-se no Manual. Vamos conhecer uma fábula de La Fontaine? Ouça a história que seu professor vai ler. Fábula Produção de texto Vamos criar um livro de fábulas com os textos produzidos por sua turma? Elabore um texto do gênero fábula, explorando todos os recursos estudados neste capítulo. Seu professor reunirá todos os textos da turma em um livro que poderá ser doado à biblioteca ou a uma escola de educação infantil. Por essa razão, considere que seu texto deve ser escrito para o público infantil e que o livro precisa ser rico em ilustrações. 191 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 191 5/7/15 9:38 AM
192 PLANEJE SEU TEXTO Copie no caderno os itens do quadro e responda a cada um deles como modo de planejamento. Amplie o número de itens se precisar. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto. Para escrever a fábula 1. Qual é o público leitor do texto? Infantil. Faixa etária: crianças de 4 ou 5 anos. 2. Que linguagem vou empregar? Linguagem informal. 3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? Organização em parágrafos; estrutura de discurso direto para os diálogos (caso eles apareçam no texto) e presença de imagens. 4. Onde o texto vai circular? Na biblioteca da escola ou na escola que receberá a doação das obras. ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO 1. Pense em uma situação da atualidade que você considere ruim para a coletividade, para a convivência ou o bem-estar das pessoas. Lembre-se de que deve ser uma situação cujo ensinamento esteja adequado à compreensão do público infantil. 2. Escreva uma história que possa fazer esse leitor mirim refletir criticamente sobre essa situação. Imagine que vocês estão escrevendo a história para crianças bem menores do que vocês. 3. Selecione os animais que estarão envolvidos na fábula e que você considera adequados para representar as ações da história. 4. Lembre-se de que as fábulas costumam ser histórias breves. Portanto, você não precisará descrever com detalhes lugares, personagens ou situações, a não ser que isso seja importante para o sentido da fábula. 5. Se criar diálogos, não se esqueça de usar sinais de pontuação, como aspas ou travessão. 6. A fábula tem o objetivo de transmitir uma mensagem, dar um conselho ou ensinamento por meio da história produzida. A moral deve estar de acordo com o que se quer transmitir. 7. Para planejar o livro, sob a orientação do professor, considere quantas páginas serão necessárias para transcrever a história e o número de ilustrações que pretende fazer. As ilustrações precisam estar relacionadas ao trecho da história que está na página ou na dupla de páginas. 8. Crie um título para sua fábula. Formule também uma sugestão para o título do livro de fábulas da turma, que será escolhido mediante votação conduzida pelo professor. 9. Após a escolha do título do livro, sob a orientação do professor, em grupos de quatro ou cinco colegas, elaborem um esboço da capa da obra. Ela precisa conter uma imagem chamativa, o título do livro e o nome dos autores (ou apenas a indicação da turma). Compartilhem seu projeto de capa com o professor e os demais colegas e considerem as observações que contribuam para melhorá-la. Professor, faça uma lista no quadro de giz com os títulos sugeridos e estimule os alunos a escolher, por meio de uma votação, o título do livro de fábulas da turma. Professor, é interessante propor uma exposição dos esboços para que os alunos decidam qual representará a turma. 10. Por fim, combinem com o professor uma data para que todos os alunos, com todas as páginas avaliadas e revisadas, montem o livro. AVALIAÇÃO E REESCRITA 1. Você escreveu uma fábula considerando todos os itens do quadro? 2. O tema e a linguagem do texto estão adequados ao público infantil? 3. A história contém um ensinamento? Professor, verifique a melhor maneira de realizar a montagem, de acordo com as possibilidades da turma. Os alunos poderão montar o livro usando grampeador, furando e amarrando as páginas com fitilho (modo bem tradicional), solicitando encadernação fora da escola etc. 192 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 192 5/7/15 9:38 AM
193 4. As personagens da história dialogam? Em caso afirmativo, verifique se você usou pontuação adequada travessão ou aspas nas falas. 5. Você reservou parte das páginas para colocar ilustração? 6. Antes de passar o texto a limpo, sente-se com um colega. Leia o texto dele e peça a ele que leia o seu. Com o auxílio de um dicionário, façam a revisão ortográfica no texto do colega. Depois, troquem de novo os textos e terminem a revisão. 7. Consultem o professor se tiverem dúvidas a respeito do uso dos sinais de pontuação. 8. Por fim, peçam orientação do professor para que ele os instruam sobre como passar o texto a limpo, distribuindo-os nas páginas do livro. Projetos em ação Proposta 1 Coletânea de histórias que o povo conta Vamos montar uma coletânea de histórias? Conhecendo mais sobre as tradições, os costumes e a cultura popular, você compreenderá melhor suas origens, suas crenças, sua maneira de agir e de pensar. E, sabendo mais sobre isso, aprenderá mais a respeito de si mesmo. ORIENTAÇÕES Reúnam-se em pequenos grupos, conforme a orientação do professor. Façam pesquisas, em bibliotecas ou nas comunidades de que você participa (principalmente entre os idosos), sobre os contos populares de sua região. Escolham as histórias, os causos, anedotas, fábulas etc. que acharem mais interessantes e transcrevam-nos em folhas de papel. Em seguida, organizem uma exposição desse material na forma de mural ilustrado. Criem um nome para essa exposição. Divulguem a coletânea, organizando a exposição dos trabalhos em um local aberto para visitação de outros alunos e, se for possível, para pessoas da comunidade em geral. Professor, é importante indicar o nome de alguns autores que reuniram essas histórias em coletâneas, como: Luís da Câmara Cascudo, Henriqueta Lisboa, Ricardo Azevedo, Monteiro Lobato, Cornélio Pires, entre outros. Proposta 2 Sarau literário Professor, a proposta, tal como foi apresentada a seguir, é apenas uma sugestão. Convém adaptá-la à realidade de sua escola. Vamos preparar um sarau que tenha como tema a literatura de tradição oral? O sarau é um evento que pode apresentar em sua programação literatura, música, esquetes teatrais etc. Nesse caso, o evento pode ter como base tanto materiais pesquisados pelos alunos como produzidos por eles, e toda a escola pode participar. Vejam a seguir algumas orientações e sugestões para a organização desse tipo de evento: Organizem, com o professor, a participação de sua turma no sarau. Com a ajuda dos professores, um grupo de alunos de anos diferentes pode coletar as ideias e propostas de cada turma e anotá-las para, em momento posterior, reunir-se e transformar as propostas em uma programação que dê um sentido maior à reunião de trabalhos, situando-os dentro do tema da literatura oral. 193 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 193 5/7/15 9:38 AM
194 Professor, parte da literatura de tradição oral ganhou registro escrito. Os alunos podem também pesquisar sobre a vida dessas personalidades, como Câmara Cascudo, os Irmãos Grimm, entre outros. O sarau poderá apresentar a obra e a biografia de personalidades relacionadas à literatura oral. É importante preparar um grupo de alunos e professores para cuidar da ambientação do evento. O cenário deve também comunicar algo sobre o tema. Isso exige planejamento e seleção das ideias e propostas de trabalho. Seria interessante envolver os professores de Arte na preparação. Os textos produzidos pelos alunos nos capítulos 1 e 2 desta unidade podem ser selecionados e apresentados oralmente no sarau, em momentos específicos, individuais (apresentação de contadores de causos, fábulas, contos) ou coletivos (nos esquetes teatrais, jograis e afins). Também poderão fazer parte das apresentações textos de gêneros diversos coletados pelos alunos: trovas populares, adivinhas, causos, fábulas, lendas, anedotas, poemas e canção. O uso de imagens pode ser um recurso muito interessante no decorrer das apresentações. Caso seja possível, o sarau poderá ter um momento destinado à apresentação de um artista popular da região, de grupos teatrais da cidade que divulguem a cultura popular; de alunos de escolas vizinhas que tenham algo especial sobre o tema da apresentação. Além das reuniões para organização do evento, escolham uma maneira de divulgá-lo. Criem cartazes, convites. Podem também pensar em meios de divulgação oral: convites ou anúncios divulgados nos intervalos pelo microfone da escola. Verifiquem com antecedência de que materiais precisarão para o dia do evento e que pessoas vão manuseá-los. Caso a equipe de organização geral julgue interessante, alguns alunos poderão introduzir brevemente cada apresentação. Os professores também poderão fazer interferências entre as apresentações para criar interação entre os alunos, a plateia e o que está sendo apresentado. E, já que a proposta é sarau, é sempre bem-vindo um espaço de improvisação, em que os alunos são convidados a contar sua história ou anedota, declamar um poema, cantar uma canção... Só não se esqueçam de reservar esse tempo dentro da programação. Um sarau não costuma ser breve. Por esse motivo, é fundamental que a sua duração também esteja prevista no planejamento. A escola e a família podem trabalhar em conjunto para a confecção dos materiais que serão necessários às apresentações. Para decidir se o evento poderá ou não ser aberto à comunidade, consultem a direção da escola. Leia mais Ler fábulas é uma diversão e também um modo de refletir sobre os valores e comportamentos das pessoas. Que tal ampliar mais esse universo de leitura? Há fábulas em livros, revistas, sites, e-books. Mas não é só isso: há autores que brincam com os temas das fábulas e partem dessas histórias para criar incríveis poemas. Você também poderá encontrar diferentes versões de fábulas, e conhecê-las permitirá a você perceber diferentes pontos de vista. Visite livrarias ou bibliotecas e descubra livros novos e antigos. Compare suas edições, encontre as mesmas histórias escritas de modos diferentes. Quem sabe você se anima a criar a sua própria versão de uma dessas histórias? Preparando-se para o próximo capítulo Pesquise em livros, jornais e revistas um poema ou uma letra de música cujo tema seja a natureza e/ou a forma como o ser humano a trata. Prepare-se para ler os textos e as letras das canções no próximo capítulo. 194 pnld2017_miolo_tl_p3_u03c02.indd 194 5/7/15 9:38 AM
195 4 Unidade NATUREZA E CULTURA EM CANTOS E IMAGENS Nesta unidade, você conhecerá a linguagem dos quadrinhos e como ela pode aliar-se a uma importante questão: as atitudes do ser humano diante da natureza. Conhecer essa linguagem é estar atento para o significado de traços, expressões faciais e verbais. Você verá que as histórias em quadrinhos são bem elaboradas, ricas em sua construção, em temas e informações. Você terá a oportunidade de criar uma exposição usando os quadrinhos a fim de conscientizar a comunidade em geral sobre a necessidade de preservação do meio ambiente. Você ainda estudará o uso das formas verbais que indicam o futuro. Não haveria possibilidade de condensar em um livro como este todas as preciosidades musicais do nosso país. Então, no Capítulo 2, vamos fazer um passeio por algumas possibilidades que a música popular brasileira oferece para comunicar, criar, encantar, tocar nossa sensibilidade. Você já teve a oportunidade de conhecer nossas raízes? Que tal conhecer o que o povo desenha com seus versos e suas trovas e folias brincantes? É só passear pelas próximas páginas e conferir! 195 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 195 5/7/15 9:54 AM
196 capítulo CONSTRUINDO 1UM MUNDO LEGAL Para começo de conversa observe atentamente a imagem a seguir: luca Novelli NoVElli, luca. Ecologia em quadrinhos. São Paulo: Brasiliense, v pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 196 5/7/15 9:54 AM
197 Professor, sugerimos que as atividades de 1 a 7 sejam respondidas oralmente. 1. o que você vê na imagem? Várias pessoas estão limpando o globo terrestre. 2. escreva quais são as ações dessas pessoas. Elas estão varrendo, aspirando o pó, lavando, fazendo reparos etc. 3. É possível limpar o planeta da maneira como mostra a imagem? Não. 4. Que ideia essa imagem quer, de fato, representar? A ideia de que precisamos preservar nosso planeta, mantendo-o limpo e bem-cuidado. 5. Você participaria de uma ação coletiva como essa? Por quê? Resposta pessoal. 6. nosso planeta está precisando desse tipo de ação? Por quê? Sim, pois há muitos problemas ambientais que precisam ser resolvidos. 7. em sua opinião, que problemas ambientais mais precisam de nossa atenção? Anote suas ideias no caderno. Depois, leia suas anotações para a sala e discuta esse assunto com os colegas. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos revelem, em suas anotações, estranhamento em relação à agressão ao meio ambiente e citem problemas como a poluição, o uso irracional dos recursos naturais, o destino dado ao lixo etc. As discussões realizadas nesta unidade pretendem estimular a adoção de comportamentos responsáveis e solidários em relação ao meio ambiente. Prática de leitura Texto 1 Tira em quadrinhos ANTES DE LER 1. em sua opinião, o progresso e a tecnologia destroem o meio ambiente ou são aliados da vida no planeta? Muitas vezes, o progresso e a tecnologia prejudicam o meio ambiente. No entanto, eles também podem ser usados como aliados na preservação e recuperação do planeta. 2. Discuta com seus colegas: Que ações podemos desenvolver no cotidiano para favorecer o meio ambiente e a coletividade? Possibilidade: atitudes simples, como coleta seletiva do lixo, não jogar lixo em vias e locais públicos e em córregos, entrega do lixo reciclável a cooperativas de reciclagem, usar mais transportes coletivos para diminuir a poluição do ar, não fazer queimadas, evitar o consumo de produtos prejudiciais ao meio ambiente etc. 3. observe o próximo texto e responda: trata-se de um texto com elementos verbais e visuais? explique. Sim, pois a tirinha contém balões de fala (elemento verbal) e apresenta desenho das personagens e do ambiente em que elas se encontram (elemento visual). 4. Sem ler o texto verbal, descreva as personagens que aparecem no texto. Resposta possível: trata-se de um garoto e um tigre. 5. Que elementos da tira nos permitem constatar que as personagens estão dialogando? Os balões de fala. Professor, a abordagem do tema permite mobilizar conhecimentos da disciplina de Ciências. Se julgar interessante, solicite aos alunos que pesquisem exemplos concretos de consequências do progresso e da tecnologia na destruição da natureza, bem como de soluções sustentáveis para a preservação e recuperação do meio ambiente. Uma exposição de cartazes sobre o assunto pode ser promovida com a participação dos professores de outras disciplinas Watterson/Dist. by Atlantic Syndication WAtterSon, Bill. Tem alguma coisa babando embaixo da cama. São Paulo: Conrad editora do Brasil, pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 197 5/7/15 5:30 PM
198 POR DENTRO DO TEXTO 1. Em que lugar você imagina que se encontram Calvin e Haroldo? Eles se encontram em uma área que está sendo desmatada. Que elementos da imagem justificam sua resposta? Há presença de troncos de árvores cortadas e tratores. 2. releia o segundo quadrinho. a) o que provavelmente aconteceu com os animais? Os animais provavelmente foram obrigados a deixar a área. b) Por que o lugar virou um buraco de lama? O desmatamento destruiu o ambiente onde eles viviam e o terreno ficou sujeito à ação das chuvas. 3. Que sentimentos Calvin expressa no quarto quadrinho? Por que algumas palavras estão destacadas no último quadrinho? Para indicar que ele usou um tom de voz mais forte para manifestar seus sentimentos. 4. os sentimentos de Calvin, no quarto quadrinho, são representados pela linguagem visual e verbal. Indique o que cada linguagem informa. Linguagem visual: a expressão fisionômica de Calvin, o movimento dos braços e as palavras em negrito. 5. Qual é a ideia principal da história? Sentimento de revolta e desaprovação. Linguagem verbal: a revolta com a destruição dos abrigos dos animais e a pontuação utilizada em sua fala. A ideia de que o ser humano vem destruindo a natureza, desrespeitando o ambiente e os animais. Reflexão sobre o uso da língua Interjeição 1. Leia a tira a seguir: 2006 Watterson/Dist. by Atlantic Syndication WAttErSon, Bill. Tem alguma coisa babando embaixo da cama. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, a) Que sentimentos Calvin expressa ao dizer céus? Sentimento de indignação e revolta. b) Que motivo levou Calvin a utilizar a expressão céus? A agressão à natureza e o desrespeito aos animais. c) Por quais outras expressões seria possível substituir céus? Respostas possíveis: Que coisa! Que absurdo! Meu Deus! d) Se não houvesse a expressão céus, o quadrinho comunicaria o mesmo sentimento da personagem? Por quê? Não, porque é ela que demonstra a indignação na fala da personagem. e) Essa é uma expressão que você também usa no seu dia a dia para expressar seus sentimentos? Que outras expressões como essa você costuma utilizar? Respostas possíveis: Virgem Maria! Credo! Oba! Que pena! Minha nossa! pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 198 5/7/15 5:29 PM
199 IMPORTANTE SABER A expressão céus é chamada interjeição. Ela pertence ao grupo de palavras que têm como função expressar sentimentos, emoções, sensações, estados de espírito. Para responder às questões a seguir, consulte, se necessário, o Apêndice deste livro ou uma gramática. 1. indique que interjeição você usaria para expressar os seguintes sentimentos: a) Felicidade por ter conseguido ir muito bem nas avaliações escolares. Possibilidades: Oba! Legal! Viva! b) Medo ao perceber que está havendo uma inundação em um bairro próximo. Possibilidades: Que horror! Puxa vida! Que absurdo! c) raiva por ter sido enganado por alguém. Possibilidades: Que raiva! Isso não! Meu Deus! Oh! Não! d) Carinho por uma criança. Possibilidades: Ah! Que graça! Que amor! 2. leia o texto a seguir em voz alta, conforme orientação do professor. Dê a cada interjeição uma entonação adequada. Para isso, imagine quem diz e a situação em que cada uma delas está sendo dita. Que frio! Que vento! Que calor! Que caro! Que absurdo! Que bacana! Que tristeza! Que tarde! Que amor! Que besteira! Que esperança! Que modos! Que noite! Que graça! Que horror! Que doçura! Que novidade! Que susto! Que pão! Que vexame! Que mentira! Que confusão! Que vida! Que coisa! Que talento! Que alívio! Que nada... É. Pois é. Ah, é. Não é? Tá. OK. Ciao. Tchau. Chau. Au. Baibai. Oi. Opa! Epa! Oba! Ui! Ai! Ahn... [...] Que fazer senão ir na onda? Lá isso... Quer dizer. Pois não. É mesmo. Nem por isso. Depende. É possível. Antes isso. É claro. É lógico. É óbvio. É de lascar. Essa não! E daí? Sai dessa. [...] AndrAde, Carlos drummond de. O poder ultrajovem. rio de Janeiro: record, imagine o sentido presente nos quatro quadros da história de Calvin e Haroldo, caso fossem escritos com interjeições. Como ficariam? refaça os quadrinhos em seu caderno. Respostas possíveis: Ora essa! Meu Deus! Que pena! O quê? Essa não! Que pena! 4. observe a escrita das interjeições e responda: Quais são os sinais de pontuação mais comuns empregados diante de uma interjeição? Por quê? Os pontos de exclamação e de interrogação, pois ambos expressam melhor as emoções e os sentimentos. APRENDER BRINCANDO Que tal brincar de mímica? Sob a orientação do professor, um aluno irá fazer uma mímica expressando um sentimento: dor, alegria, tristeza, horror etc. A turma ou um aluno escolhido, conforme orientação do professor, vai criar uma frase, utilizando uma interjeição que consiga traduzir a mímica. 199 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 199 5/7/15 9:54 AM
200 Prática de leitura Texto 2 História em quadrinhos 2006 Watterson/Dist. by atlantic syndication Watterson, Bill. Yukon Ho! são Paulo: Conrad editora do Brasil, POR DENTRO DO TEXTO 1. escolha entre as alternativas a seguir as que correspondem ao sentimento que Calvin expressa com sua fala do quarto quadrinho: Alternativas b e c. a) tristeza; d) descrença; b) revolta; e) conformismo; c) indignação; f) admiração. 2. Que motivos Calvin aponta para se sentir assim? Ele está indignado com a poluição do ambiente, pois as pessoas estão enterrando lixo atômico, testando armas nucleares e jogando lixo por toda parte. 3. o que você acha que Haroldo quis dizer com a frase: sabe, às vezes me orgulho de não ser humano.? Haroldo quis dizer que ele prefere ser um animal, pois os seres humanos não se conscientizam de que precisam preservar o ambiente. 4. Por que Calvin se despe no último quadrinho? Para indicar que quer ser como um animal, pois ele também não se orgulha de ser humano. 200 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 200 5/7/15 5:29 PM
201 TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. recorte, de jornais e revistas, notícias ou reportagens que demonstrem que as ideias de Calvin sobre o ser humano e as atitudes humanas acontecem na realidade. Resposta pessoal. 2. recorte, de jornais e revistas, notícias ou reportagens que apresentem exemplos de preocupação do ser humano com a natureza. Resposta pessoal. Professor, os recortes feitos pelos alunos podem ser selecionados para serem expostos no mural da sala de aula ou da escola. 3. Você acha que pode haver progresso sem destruição da natureza? Por quê? Dê exemplos. Resposta pessoal. 4. observe a foto e a notícia a seguir: Protesto no muro Agência Estado Protesto dos moradores dos Jardins contra a derrubada de árvores. O verso da canção de Caetano Veloso sobre São Paulo serviu para um protesto de moradores contra o proprietário do lote na Alameda Fernão Cardim, nos Jardins, Zona Sul. Revoltados com a poda radical sem muitas explicações a que as árvores existentes no terreno foram submetidas, eles resolveram grafar o descontentamento no muro que cerca a área. Escolheram um trecho da música que resume o que ocorre na cidade mais rica do país. O Estado de S. Paulo, 24 jan Que relação se pode estabelecer entre a situação apresentada pela foto e pela notícia e a mensagem dos quadrinhos de Bill Watterson? Tanto os quadrinhos como a foto e a notícia denunciam as agressões e o desrespeito à natureza. TROCANDO IDEIAS 1. o que mais chamou a sua atenção nos quadrinhos de Bill Watterson? Resposta pessoal. 2. Na sua opinião, as pessoas conhecem quais são os tipos de lixo e como cada um pode ser reciclado? Resposta pessoal. 3. Por que algumas pessoas jogam lixo no chão ou em locais inadequados? Resposta pessoal. 4. o que você acha que poderia ser feito para que as pessoas não jogassem mais lixo em locais inadequados? Resposta pessoal. 201 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 201 5/7/15 9:54 AM
202 Reflexão sobre o uso da língua Verbo (VI) 1. releia a frase usada no segundo quadrinho do texto 2, prestando atenção aos termos destacados: Aposto que as civilizações futuras vão saber mais do que gostaríamos sobre nós. a) o verbo aposto expressa a ideia de presente, de passado ou de futuro? E o verbo gostaríamos? Aposto expressa ideia de presente e gostaríamos, de futuro. b) Podemos substituir a locução vão saber por apenas um verbo, mantendo a mesma ideia de tempo. Que verbo é esse? Que ideia de tempo ele expressa? O verbo é saberão, que expressa a ideia de futuro. 2. leia estas frases: As civilizações descobrirão mais coisas sobre nós. As civilizações descobriram mais coisas sobre nós. Compare as duas frases e responda: Elas têm o mesmo sentido? Por quê? Não. A primeira frase está no futuro, enquanto a segunda se refere a um fato que ocorreu no passado. 3. Em seu caderno, reescreva a fala do segundo quadrinho passando os verbos para o singular. Faça as adaptações necessárias. Em seguida, observe as modificações que ocorreram e anote suas descobertas. IMPORTANTE SABER Aposto que a civilização futura vai saber mais do que eu gostaria sobre mim. Professor, espera-se que o aluno perceba que o verbo deve concordar com o sujeito a que se refere. Como você deve ter concluído, os verbos saberão e gostaríamos, transmitem a ideia de futuro. Mas há uma diferença entre eles. Essa diferença também ocorre entre os verbos gostar e sobrar nos quadrinhos a seguir. Observe: 2006 Watterson/Dist. by Atlantic Syndication 4. Copie as frases a seguir no caderno e complete-as com o verbo adequado ao contexto. a) o verbo transmite a ideia de que, no futuro, aquela ação vai certamente acontecer. 202 sobrará b) E o verbo expressa um fato que, para se realizar, depende de uma condição, de uma outra situação. gostariam pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 202 5/7/15 9:54 AM
203 IMPORTANTE SABER Professor, caso julgue necessário conjugar neste momento essas formas verbais, peça aos alunos que consultem o Apêndice ou uma gramática para descobrirem mais sobre os verbos. Nos quadrinhos que você leu, há dois tipos de futuro: o futuro do presente e o futuro do pretérito. Veja os verbos do texto conjugados nesses tempos: Futuro do presente Eu descobrirei Tu descobrirás Ele descobrirá Nós descobriremos Vós descobrireis Eles descobrirão Futuro do pretérito Eu gostaria Tu gostarias Ele gostaria Nós gostaríamos Vós gostaríeis Eles gostariam Saiba mais sobre esse assunto consultando o Apêndice. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Escreva um pequeno parágrafo respondendo às seguintes questões: o que farei daqui a dez anos? Como e onde estarei? 2. Escreva outro parágrafo respondendo à questão: o que eu faria para preservar a natureza se eu fosse dono(a) de uma fábrica de papel? 3. Agora, releia seus parágrafos e responda: a) Em qual das atividades anteriores você utilizou verbos indicando ações que expressam uma certeza do que vai acontecer (futuro do presente)? Por quê? b) Em qual deles usou verbos indicando ações que, para se realizarem, dependem de uma condição (futuro do pretérito)? Por quê? 4. reescreva as frases a seguir em seu caderno, substituindo o símbolo pelo verbo indicado entre parênteses, de acordo com o tempo solicitado. Preste atenção à grafia das palavras. a) os funcionários (plantar) novas árvores no parque. (futuro do presente) plantarão b) Meus amigos (ficar) espantados com a aparência do parque. (pretérito perfeito) ficaram c) todos (poder) participar da campanha a favor da natureza. (futuro do presente) poderão d) As árvores (morrer) se não cuidarmos delas. (futuro do presente) morrerão e) os funcionários do parque (repreender) todos aqueles que pisaram na grama. (pretérito perfeito) repreenderam Resposta pessoal. Professor, a proposta dessa atividade é fazer com que o aluno empregue verbos no futuro do presente. Resposta pessoal. Professor, a proposta dessa atividade é fazer com que o aluno empregue verbos no futuro do pretérito. Na atividade 1, pois é algo que se imagina que realmente vai acontecer no futuro. Na atividade 2, pois, para as ações se concretizarem, é preciso que algo aconteça primeiro: ser dono(a) de uma fábrica de papel. 5. Copie as frases a seguir em seu caderno, substituindo o símbolo adequadamente, de acordo com o que você acabou de aprender: a) o verbo no pretérito perfeito, na 3 a pessoa do plural (eles/elas), termina sempre em. (-ão/-am) b) o verbo no futuro do presente, na 3 a pessoa do plural (eles/elas), termina sempre em. (-ão/-am) -am -ão 203 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 203 5/7/15 9:54 AM
204 Prática de leitura Texto 3 História em quadrinhos Luca Novelli 204 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 204 5/7/15 5:13 PM
205 Luca Novelli NoveLLi, Luca. Ecologia em quadrinhos. São Paulo: Brasiliense,1997. POR DENTRO DO TEXTO 1. Qual é a ideia principal da história em quadrinhos? Ela tematiza o problema do armazenamento de resíduos atômicos das centrais nucleares. 2. identifique e transcreva, no caderno, um trecho que apresente uma argumentação, isto é, a defesa de um ponto de vista. [...] Deve também aprender a economizá-la. Porque a energia é uma coisa preciosa. Mas nós somos muito mais. 205 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 205 5/7/15 5:13 PM
206 3. leia as informações do quadro a seguir: Átomo: Tudo o que existe na natureza é formado por elementos ou partículas conhecidos por átomos. Esses átomos são constituídos por um núcleo e por elétrons, partículas que se movimentam ao redor do núcleo. Radioatividade: Propriedade de alguns átomos presentes na natureza de emitirem uma forma de energia conhecida por radiação. Bomba atômica: Arma explosiva formada por elementos radioativos. Quando explode, libera uma quantidade enorme de energia radioativa e térmica que destrói tudo o que estiver ao redor. Resíduos radioativos: É o mesmo que lixo radioativo. É tudo o que sobra depois que os elementos radioativos são processados em indústrias, usinas nucleares etc. Central nuclear: Local onde a energia radioativa, energia liberada pelo núcleo dos átomos, é transformada em energia elétrica. Cadeia alimentar: Transferência de energia entre os seres vivos sob a forma de alimento. A cadeia alimentar é composta por produtores as plantas, seres que produzem o seu próprio alimento; por consumidores, animais que se alimentam de plantas ou de outros animais; e por decompositores, seres que decompõem os alimentos. representação da estrutura atômica proposta por Niels Bohr em imagem fora de escala. Cores-fantasia. roger Harrys/SPl/Stock Photos Considerando as informações do quadro acima e a história em quadrinhos apresentada, responda: a) o que pode acontecer com o lixo nuclear armazenado em tambores de chumbo, os quais são colocados em minas e em fossas marinhas? Basta algum terremoto ou outro acidente para abrir os tambores e liberar o seu conteúdo. b) os resíduos volumosos que não podem ser colocados em tambores especiais prejudicam a natureza? Como? c) Cite outras fontes de energia que podemos utilizar. TEXTO E CONSTRUÇÃO 3. b) Sim, pois, em vez de se dispersarem no ambiente, atingem as cadeias alimentares e se concentram nos carnívoros superiores, até chegar ao ser humano. 1. Uma central nuclear não explode dessa maneira; as centrais nucleares produzem resíduos tóxicos perigosos que precisam ser enterrados em fossas marinhas ou minas; esses resíduos se mantêm intactos por milhares de anos; um terremoto ou outro acidente pode liberar todo o lixo tóxico enterrado; os resíduos liberados no ar e na água contaminam a cadeia alimentar, chegando ao ser humano. 1. No texto 3, a personagem principal expõe suas ideias sobre energia nuclear de forma muito didática, clara. Para isso, apresenta uma sequência de informações. ordene essas informações. 2. A exposição da personagem favoreceu o entendimento do texto? Por quê? 3. c) Sol, vento e água. Professor, seria interessante solicitar aos alunos uma pesquisa sobre o tema e acrescentar informações de como são utilizadas essas fontes de energia. O tema dessas atividades possibilita um trabalho interdisciplinar com Ciências. Se houver interesse, compartilhe a atividade com o professor de Ciências e verifique a possibilidade de elaborarem um trabalho em parceria. É possível, inclusive, promover uma palestra sobre o assunto. Sim, porque a ordem expositiva favorece a compreensão da ideia que a personagem quer transmitir. Professor, é interessante mostrar aos alunos que, nesse caso, os quadrinhos têm função didática. A personagem, usando a exposição, busca ensinar um determinado conteúdo em uma ordem em que favorece o entendimento do leitor sobre o assunto. 3. Na história em quadrinhos, há palavras que representam sons. A que se referem estes sons na história? a) KABooUUUM! Explosão. b) SPAK, CrAC! Os prédios estão desmoronando. c) CHUF Vapor saindo da chaminé. d) ZiiiP Uma bomba sendo arremessada por um avião. e) CHUÁ Movimento da água. f) SPlASH Tambor caindo na água. g) tonf Tambor caindo no fundo do mar. h) HE! HE! Risada. 206 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 206 5/7/15 9:54 AM
207 IMPORTANTE SABER As palavras ou formas verbais que imitam sons e ruídos são chamadas onomatopeias. Os sons podem se referir a ações humanas, vozes de animais, efeitos da natureza ou movimentação de objetos. As onomatopeias são frequentes em histórias em quadrinhos, auxiliando a comunicação e contribuindo para a construção de sentido. Veja alguns exemplos: BANG: tiro de revólver. BOOM: estouro de bomba. TIC-TAC: som de relógio. CHUÁ: água caindo. ZZZZZ: pessoa dormindo. COF-COF: tosse. renato Arlem TROCANDO IDEIAS 1. Você conhecia as informações apresentadas nessa história em quadrinhos? Resposta pessoal. 2. Em sua opinião, o fato de essas informações terem sido apresentadas por meio de uma história em quadrinhos facilitou o entendimento do tema? Por quê? Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno mencione que a HQ desenvolve o tema de uma maneira mais lúdica e que esse recurso facilita o entendimento do assunto, pois desperta a atenção do leitor. 3. Na atividade 3 da seção Por dentro do texto, você leu um quadro com explicações sobre alguns conceitos científicos. A leitura das informações do quadro o ajudou a compreender a história em quadrinhos? Por quê? Resposta pessoal. Espera-se que o aluno responda que sim e também que tenha estabelecido uma relação entre a história em quadrinhos e as informações do quadro, mobilizando os conceitos apresentados para facilitar a compreensão do tema abordado pela história. Exposição oral Na trilha da oralidade Uma palestra, uma aula ou um seminário são gêneros que fazem uso da exposição oral. Durante uma exposição oral, o locutor apresenta-se para o público com a finalidade de compartilhar conhecimentos e informações. Como em qualquer outro gênero, para alcançar um bom resultado é preciso planejamento. Em trio, seu desafio será preparar uma exposição oral de até 10 minutos para a turma, apresentando informações interessantes sobre um tema relacionado à preservação e recuperação do meio ambiente. Vocês podem se basear em uma das sugestões a seguir ou buscar outros temas: Exploração de fontes de energia sustentáveis e alternativas. Uso racional dos recursos naturais. relações entre lixo, consumo e desperdício. Exemplos de empresas e instituições cuja atuação é sustentável. Professor, antes da realização da atividade, é importante fazer um levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre o que é uma exposição oral. Pergunte em que situações eles já assistiram a uma exposição oral ou participaram de uma. Procure resgatar o que eles pensam sobre uma boa exposição oral e sobre como ela deve ser encaminhada para que seja interessante para os ouvintes. Professor, oriente os alunos na elaboração dos trios e na escolha dos temas. Sugerimos que, em um cartaz ou em outro suporte, sejam registrados os nomes dos alunos de cada trio, o tema escolhido e a data da apresentação. O número de alunos em cada grupo e a programação das exposições devem ser adaptados à sua realidade e planejamento. 207 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 207 5/7/15 9:54 AM
208 ORIENTAÇÕES 1. Escolhido o tema, você e seu grupo devem fazer uma pesquisa em diversas fontes de informação para se aprofundar no assunto que será apresentado. Professor, você pode solicitar que a pesquisa seja realizada previamente ou acompanhar os alunos à biblioteca ou ao laboratório de informática, caso estejam disponíveis em sua escola. 2. Selecione com o grupo quais das informações pesquisadas deverão ser apresentadas à turma. Para isso, discuta com seus colegas quais são as mais significativas, tendo em vista o objetivo da exposição oral. Se necessário, peçam ajuda ao professor. 3. Juntos, elaborem um esquema de apresentação, distribuindo as falas entre os integrantes da equipe. 4. Planejem o passo a passo da exposição, prevendo o tempo, a ordem das falas e os recursos que serão utilizados (cartazes, projeções, slides etc.). Preparem-se também para as possíveis perguntas que seus colegas de turma poderão fazer durante a apresentação, considerando, de antemão, a pergunta: o que nossos amigos poderão perguntar à medida em que formos realizando a exposição oral?. Para responder às perguntas, é preciso que todo o grupo esteja seguro do tema que será exposto. 5. Façam um esboço da exposição oral, utilizando uma base para expandir o tema: a) Introdução: abertura que possa oferecer ao público uma noção geral da apresentação (vocês podem usar expressões como Vamos tentar explicar ou o assunto da nossa apresentação será etc.); b) Desenvolvimento: exposição do material informativo propriamente dito (para introduzir assuntos e dar sequência a eles, vocês podem usar expressões como Em primeiro lugar, Em segundo lugar, Agora, vou passar a falar de, Passaremos a outro aspecto etc.); c) Conclusão: resumo, importante para sinalizar o final da exposição (para finalizar a apresentação, vocês podem usar expressões como Gostaríamos de resumir alguns pontos, Para concluir, Finalmente etc.). DICAS Para se expor em público, é necessário ser claro e organizado. Nessa situação comunicativa, espera-se que a linguagem utilizada seja mais formal. A voz também deve ter boa entonação e fluência para destacar as sequências mais importantes. Ajuste seu tom de voz de modo que todos possam ouvi-lo, mas tome cuidado para não gritar. Fique atento à postura e à expressão corporal, preste atenção à posição das mãos e estabeleça contato visual com o público. todos esses elementos devem ser considerados em uma apresentação oral. Combine com sua equipe um ensaio da apresentação, colocando em prática aquilo que planejaram. Façam os ajustes necessários. Depois das exposições de todos os grupos, conversem sobre os aspectos que mais chamaram a atenção nas apresentações e façam sugestões que possam ajudar a melhorar o desempenho dos colegas nas próximas produções orais. 208 Professor, se for possível e houver recursos disponíveis, seria interessante gravar as apresentações e, posteriormente, reproduzi-las para a turma. A análise coletiva dessas gravações poderá ser um bom exercício de autoavaliação. pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 208 5/7/15 9:54 AM
209 Prática de leitura Texto 4 Tiras em quadrinhos Tira 1 Mauricio de Sousa Produções Tira 2 Mauricio de Sousa Produções POR DENTRO DO TEXTO 1. Na tira 1, a expressão facial da personagem Papa-Capim vai mudando de um quadrinho para o outro. E na tira 2, há mudança na expressão do amigo de Chico Bento? Por que isso aconteceu? Sim, ambos estavam sorridentes no primeiro quadrinho e mudam sua expressão quando são surpreendidos por uma área desmatada. 2. o final de cada tira apresenta uma imagem que chama a atenção do leitor para um problema ambiental. Qual é ele? O desmatamento. 3. Em uma das tiras, a personagem busca solucionar o problema apresentado. identifique em que tira isso ocorre e diga qual foi a solução apresentada pela personagem. Na tira 2. Chico Bento planta uma muda de árvore. 4. Na tira 1, por que a personagem usou a palavra progresso para se referir a esse problema? Porque está associando o progresso à destruição da natureza. TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. Como podemos perceber que há personagens andando rápido no primeiro quadrinho da tira 1? Pelo movimento de suas pernas e pela fumacinha atrás dos pés. 209 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 209 5/7/15 9:54 AM
210 2. Em sua opinião, as imagens das tiras e histórias em quadrinhos ajudam a comunicar e construir o sentido da história? Por quê? Sim, porque seria impossível entender a história se houvesse apenas os balões de fala. O sentido das tiras e histórias em quadrinhos se completa com a leitura das imagens. 3. leia novamente as expressões usadas pelo amigo de Chico Bento e responda às questões a seguir: OBA, OBA! a) Que sentimentos essas palavras transmitem? Alegria, contentamento. b) Que sentido tem o sinal de pontuação usado nessa fala? c) Como chamamos essas palavras? Interjeições. 4. Copie esta frase em seu caderno: O ponto de exclamação confirma e acentua o entusiasmo expresso pela interjeição. Quando Papa-Capim diz Ei, Kava! ao curumim, ele quer... Agora, escolha uma das opções a seguir para completá-la: Alternativa a. a)... chamar a atenção da personagem para o que vai falar. b)... explicar o significado do nome Kava. c)... mostrar que conhece o seu nome. 5. Esse tipo de chamamento, empregado por Papa-Capim, costuma ser usado quando conversamos com as pessoas? Você já falou com alguém usando uma expressão como essa? Resposta pessoal. 6. Nos balões de fala de Chico Bento e seu amigo, a palavra de foi grafada com i no final. a) Por que você acha que a palavra de aparece escrita assim? Para indicar como Chico Bento pronuncia essa palavra. b) Em sua região, há pessoas que costumam pronunciar o e com som de i que vem no final das palavras? Dê exemplos. Professor, essa troca não acontece em todas as regiões brasileiras. Há lugares onde as pessoas pronunciam o e final, sem torná-lo um som de i (por exemplo, em alguns locais da Região Sul). O quadrinho busca representar a variante linguística de vários falantes do campo. A proposta dessa atividade é fazer o aluno perceber que não é apenas o falante do interior que pronuncia as palavras dessa maneira, mas que isso também pode acontecer na fala das pessoas da cidade. 7. Pesquise outras histórias em quadrinhos e encontre mais exemplos de representação da fala nos diálogos entre as personagens. Prática de leitura Texto 5 Tira em quadrinhos Professor, o aluno poderá localizar redução de palavras (estou/tô), marcadores conversacionais (sabe?, né?, viu?, aí... etc.), supressão do r e s finais, troca de e por i, entre outros aspectos da língua oral. Quino QUiNo.Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 210 5/7/15 9:54 AM
211 POR DENTRO DO TEXTO 1. Na tira de Mafalda, quem é o doente? Como você chegou a essa conclusão? O doente é o planeta Terra. Ela colocou um globo terrestre para repousar em uma cama de boneca. 2. o que revela a atitude de Mafalda? A atitude de Mafalda revela sua preocupação com o mundo, que está doente, precisando de cuidados. Estar doente pode estar relacionado a qualquer um dos problemas mundiais. 3. observe o uso dos verbos na tira de Mafalda e responda: Ela está falando a respeito do presente, passado ou futuro? Justifique sua resposta. Ela está falando do presente, do hoje, de como o planeta está no momento. 4. Compare os quadrinhos que têm como assunto a energia nuclear com a tira de Mafalda: ambos são atuais? Por quê? PARA VOCÊ QUE É CURIOSO Ambos são atuais. A questão ambiental afeta o mundo inteiro nos dias de hoje. A preocupação de Mafalda não está definida. Pode referir-se a qualquer problema mundial: fome, guerra, desemprego, epidemias etc. A destruição do meio ambiente pelo ser humano pode ter começado muito antes do que se pensa. Pesquisas mostram que a região oeste da cidade do México, outrora coberta de florestas, começou a ser devastada pelos astecas há cerca de anos por causa das plantações de milho. Sem a proteção das árvores, a erosão do solo foi tão severa em alguns locais que as populações tiveram de abandonar suas casas. O mesmo aconteceu há mais de 6 mil anos no sul de Israel, onde os habitantes cortavam as árvores para se abrigar. Ali, os problemas ambientais foram ainda agravados pelos rebanhos de cabras que comiam mudas de arbustos, impedindo o reflorestamento e expondo o solo à rápida erosão como ocorre hoje em muitas partes da África em que se observa o problema da desertificação. A má conduta daqueles antepassados era regra ou exceção? A destruição não é uma atitude usual do homem pré- -histórico ou das comunidades chamadas tradicionais, acredita a arqueóloga Sílvia Maranca, do Museu Paulista. Ainda hoje o indígena brasileiro usa o solo, espera que ele se recupere e depois volta. Fonte: Mau exemplo na pré-história. Superinteressante, maio Disponível em: < ecologia/devastacao-meio-ambiente-mau-exemplo-pre-historia shtml>. Acesso em: 9 fev Professor, chame a atenção dos alunos para o fato de que o ser humano pode causar problemas para a natureza, mas não é em si um problema. Atualmente, por exemplo, muitos projetos ambientais contam com a participação das populações tradicionais (pessoas que vivem em áreas ricas em diversidade há centenas ou milhares de anos, como os indígenas, os caiçaras e os quilombolas) em iniciativas que visam à conservação dos recursos naturais. A participação dessas comunidades demonstra o pensamento moderno de que o ser humano pode, sim, deixar o papel de vilão e assumir o de aliado da natureza. Prática de leitura Texto 6 Charge o texto ao lado chama-se charge. Discuta com seus colegas o que vocês já sabem a respeito de textos como esse. Erasmo Professor, faça um levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre o gênero, listando em um cartaz aquilo que sabem a respeito dele. Ao final das atividades, retome as informações apontadas no cartaz para verificar se precisam ser complementadas. A charge, comum na esfera jornalística, é uma ilustração humorística que envolve a caricatura de uma ou mais personagens, produzida com o objetivo de satirizar algum acontecimento da atualidade. O termo charge tem origem no francês charger, que significa carga. Sugerimos pedir aos alunos que pesquisem e tragam charges atuais para a sala de aula, procurando identificar o objeto de crítica do chargista e as estratégias utilizadas para provocar humor. ErASMo. Jornal de Piracicaba, 23 mar Disponível em: < Acesso em: 9 jan pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 211 5/7/15 9:54 AM
212 POR DENTRO DO TEXTO 1. Descreva a charge. 2. A diferença entre as personagens ilustradas na charge nos permite inferir o problema social criticado. Que problema é esse? 3. Podemos dizer que esse texto fez uso da ironia? Por quê? 4. Como o chargista trabalhou o humor nessa charge? CONFRONTANDO TEXTOS Quadro comparativo entre a tira (texto 5) e a charge (texto 6) O que será comparado Os textos têm imagens e palavras? Há um homem bem-vestido (talvez um executivo) conversando com um pedinte, que tem na mão uma espécie de bandeja para recolher doações. Ele pergunta ao outro se o que ele está segurando é um ipad (um aparelho do tipo tablet, nome que se pronuncia ai péd ), ao que o outro responde que é fome ( ai fome ). A desigualdade social, que permite que uns tenham acesso a caras tecnologias de ponta, enquanto outros não têm o mínimo, chegando mesmo a passar fome. O humor vem da brincadeira com a pronúncia da palavra ipad (lê-se ai péd ), que fica parecida com a expressão ai fome. Sim. O texto faz um trocadilho com a pronúncia de um aparelho moderno e caro, o ipad, para apontar a realidade da desigualdade, mostrando um homem que passa fome e dificilmente teria acesso ao aparelho mencionado. Depois de analisar o texto 5 (tira) e o texto 6 (charge), identifique as semelhanças e as diferenças entre eles. Para isso, copie em seu caderno o quadro a seguir e complete-o com as semelhanças e as diferenças encontradas entre os textos. Semelhanças e diferenças Sim, todos apresentam texto verbal e visual. Os textos são construídos com mais de um quadrinho? O conteúdo das histórias se relaciona ao meio ambiente? As narrativas usam o recurso do humor? A construção das imagens é feita em preto e branco ou em cores? A charge possui apenas um quadrinho. Sim. A charge usa o humor como recurso. A charge e a tira são coloridas. IMPORTANTE SABER Alguns recursos da linguagem dos quadrinhos A maioria das histórias em quadrinhos apresenta balões. O balão é um recurso gráfico que pode englobar tanto a fala quanto o pensamento das personagens. Nos balões, além de diálogos e pensamentos, também podem aparecer imagens que sugerem conceitos, ideias, sensações e emoções variadas. Tipos de balão Os balões podem apresentar diversos formatos, usados para indicar diferentes expressões. Os mais comuns são: Fala Transmissão Mauricio de Sousa Produções Pensamento Ziraldo Mauricio de Sousa Produções Música 212 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 212 5/7/15 9:54 AM
213 Cochicho Grito ou tom de voz mais alto Mauricio de Sousa Produções Os balões também podem conter imagens e sinais linguísticos: Jinnie Ann Pak United Feature Syndicate/ipress Organização sequencial Algumas histórias em quadrinhos atuais utilizam recursos de imagens e construção da sequência semelhantes àqueles usados em filmes. Há quadrinhos que são construídos como se fossem tomadas de câmera, aproximando a imagem do rosto das personagens e registrando desde um campo visual mais amplo até cenas mais detalhadas. Observe a reprodução ao lado. Ed. Abril Marvels. Marvel Comics, n. 3. São Paulo: Ed. Abril, pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 213 5/7/15 9:54 AM
214 A organização sequencial dos quadrinhos pode se dar de várias maneiras: na horizontal, na vertical ou de outras formas. Veja estes exemplos: Ed. Abril Ed. Abril O reino do amanhã. Batalha sem fim. O futuro dos maiores super-heróis do mundo. São Paulo: Ed. Abril, E então, gostou de conhecer mais a respeito dos recursos usados em histórias em quadrinhos? Agora é só procurá-las para ler. Hoje em dia, existem até clássicos da literatura adaptados a esse gênero de texto que encantou e encanta gerações. Veja mais sugestões no final do capítulo. História em quadrinhos (HQ) Proposta 1 Produção de texto Já vimos que as histórias em quadrinhos podem também tratar de temas importantes. Que tal criarmos uma HQ cujo tema central seja um problema ambiental? o professor organizará a turma em duplas. Cada dupla deve criar uma HQ em que a narrativa proponha uma solução para o problema abordado. Depois que os rascunhos estiverem prontos, combinem com o professor os detalhes (tipo de papel, tamanho, cor, margem da folha etc.) para que todas as histórias criadas possam participar de uma exposição que ajude a conscientizar as pessoas desse problema. Proposta 2 Você já deve ter ouvido o ditado que diz: rir é o melhor remédio. Que tal espalharmos o riso pela escola, criando uma exposição de histórias em quadrinhos que contem anedotas? Primeiro, pesquise em revistas, na internet e até mesmo com amigos e parentes. Copie a anedota escolhida em seu caderno e, a seguir, produza sua HQ. 214 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 214 5/7/15 9:54 AM
215 PLANEJE SEU TEXTO Copie no caderno os itens do quadro a seguir e responda a cada um deles como modo de planejamento. Amplie o número de itens se precisar. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto. Para escrever a história em quadrinhos 1. Qual é o público leitor do texto? 2. Que linguagem vou empregar? 3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? 4. Onde o texto vai circular? Resposta pessoal Linguagem informal. Organização em quadrinhos para leitura sequencial; presença de imagens, balões de fala e outros recursos adequados ao gênero. Em uma exposição para visitação dos alunos da escola. ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO 1. Não deixe de identificar e caracterizar as personagens. Você poderá dar a elas nomes que tenham relação com o tema. 2. Decida se haverá ou não uma personagem protagonista (personagem principal). 3. Utilize os recursos visuais e expressivos comuns a esse gênero de texto onomatopeias, interjeições, caracterização do ambiente, diálogos e balões diversos conforme a intenção e situação de comunicação. 4. Construa a história em cenas ou quadros, definindo seu formato e sua disposição. 5. Planeje como serão as tiras, decidindo quantos quadros terá cada uma e como estes estarão organizados. 6. Escolha se irá produzir a tira em branco e preto ou em cores. 7. Planeje o que haverá em cada quadrinho. 8. Coloque o título de acordo com o conteúdo da história. Professor, é importante conversar com os alunos sobre a postura deles no momento da exposição: silêncio, respeito pela arte produzida pelo convidado, atenção à pessoa etc. Caso julgue conveniente, prepare um grupo de alunos para fazer a recepção e assessoria do convidado. Verifique a possibilidade de unir essa proposta à que está sugerida na seção Leia mais a seguir. AVALIAÇÃO E REESCRITA Para avaliar o texto: a) retome os itens do quadro de planejamento e da lista de orientações. b) revise o texto quanto à ortografia e pontuação. c) Verifique se as marcas de oralidade cumprem a sua função na fala das personagens. d) Faça uma lista de itens que precisam ser observados com relação à arte final: distribuição da história nos quadrinhos (verificar se a montagem dos quadrinhos com seus balões permite a construção de sentido ou se há trechos que não foram contemplados na sequência) e uso dos recursos próprios da linguagem de HQ; uso de cores, ocupação do espaço em cada quadrinho, harmonia visual da página; legibilidade dos textos dos balões. 215 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 215 5/7/15 9:54 AM
216 Leia mais Gibitecas, bancas de jornal, sebos, internet... O mundo HQ está mais vivo do que nunca. Tiras, charges, cartuns, mangás... Será que as personagens do mundo dos quadrinhos podem ser encontradas em outros suportes de leitura? Descubra que personagens dessas histórias estão: em embalagens de produtos, propagandas, pinturas, desenhos animados, brinquedos, games, livros didáticos, ambientes de festa etc. Reúna esses materiais e combinem com o professor um dia para levar suas descobertas para a sala de aula. Antes desse dia, apresente ao professor uma lista do que vai levar. Se a atividade empolgar a turma, preparem uma exposição com esses materiais. Preparando-se para o próximo capítulo Professor, antes de iniciar o próximo capítulo, é interessante expor na sala de aula todo o material que os alunos trouxerem. Esse primeiro momento será de sensibilização ao tema. Cada aluno poderá mostrar o seu material e dizer por que escolheu trazê-lo, que significado possui para ele. Você gosta de música? Você tem preferência por algum(ns) tipo(s) de música ou por algum(ns) artista(s)? Quais ritmos brasileiros você conhece? Na sua região, há algum predominante? Gostaria de conhecer outros? Anote todas as suas respostas no caderno para conversar sobre isso com seus colegas na próxima aula. Você poderá trazer também imagens, revistas, fotografias, postais, jornais, letras de canção, livros a respeito desse assunto para enriquecer a troca de informações com a turma. Ministério da Cultura/Governo da Bahia o berimbau é um instrumento de corda de origem angolana, muito utilizado para acompanhar rodas de capoeira. Seu som é gerado pela vibração da corda ao ser tocada. tamara_kulikova/istock o agogô é um instrumento musical cujo som é provocado pela vibração. Formado por um único ou por múltiplos sinos, origina-se da música tradicional yorubá da África ocidental. Grigiomedio/Shutterstock o pandeiro é um instrumento de percussão, cujo som é obtido pelo impacto. De origem árabe, é utilizado para acompanhar variados ritmos musicais, como o samba, o pagode, o coco e o maracatu. 216 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c01.indd 216 5/7/15 9:54 AM
217 capítulo 2O POVO CANTA A ARTE E A CULTURA Para começo de conversa Professor, seria interessante que os alunos ouvissem as canções selecionadas neste capítulo. Caso julgue essa audição possível e interessante, providencie com antecedência as gravações e os aparelhos necessários. No Manual, há orientações e sugestões para o trabalho de audição das canções. 1. Observe a imagem a seguir: Fernando Favoretto Você conhece esses instrumentos? Em caso afirmativo, identifique-os. Os instrumentos são: viola caipira, flauta, ganzá e acordeom. 2. Você toca algum instrumento musical? Se não toca, gostaria de aprender a tocar algum? Se você já desenvolveu essa habilidade, conte para sua turma como foi essa experiência. Resposta pessoal. 3. Qual(ais) das manifestações culturais a seguir você conhece? Anote-a(s) em seu caderno. Resposta pessoal. coco ciranda reisado cavalhada caatira quadrilha hip-hop MPB bossa nova capoeira chula maracatu jongo repente embolada maculelê rasqueado samba Professor, é possível que os alunos desconheçam algumas dessas manifestações. Aquelas que os meios de comunicação não costumam mostrar muito. É possível que os alunos conheçam aquelas manifestações de sua própria região. É um bom momento para despertar neles o interesse pelo desconhecido e incentivá-los à pesquisa. No decorrer do capítulo, haverá uma solicitação de pesquisa sobre esse tema. 4. Verifique entre seus amigos aqueles que conhecem as mesmas manifestações culturais que você e aqueles que têm conhecimento de outras manifestações. 217 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 217 5/7/15 10:06 AM
218 5. Forme uma dupla ou um trio com seus colegas, conforme a orientação do professor, e tente descobrir quais são e em qual país são celebradas as manifestações culturais representadas nas imagens. Frevo (Brasil). Festival anual do elefante (Índia). Maracatu (Brasil). Ano-Novo (China). Lacek Iwanicki/Kino José Maria da Silva/Folha Imagem Marco Antonio Sá/Kino Liu Liqun/Corbis/Stock Photos Chico Porto/JC Imagem-AE Michael Freeman/Corbis/Stock Photos Congada (Brasil). 218 Cururu (Brasil). pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 218 5/7/15 10:06 AM
219 6. Vamos a mais um desafio? Procure identificar o nome das manifestações culturais representadas a seguir. Professor, sugerimos que essas questões sejam discutidas em dupla e que as respostas sejam apresentadas oralmente pelos alunos. Capoeira. Dança da chula. Marco Antonio Sá/Kino Juca Martins/Pulsar Stefan Kolumban/Pulsar Secretaria Estadual de Cultura/FIGTF RS Bumba meu boi. Quadrilha. 7. Discuta com seus colegas: a) Em sua opinião, os meios de comunicação costumam divulgar a cultura popular? Sim; há programas de tevê e de rádio, livros, revistas e sites que divulgam a cultura popular, mas geralmente eles não atingem a maior parte da população. b) Que tipos de música são mais divulgados hoje pelos meios de comunicação de massa, como rádio e televisão? Geralmente, os ritmos do momento, as canções de cantores, cantoras e grupos que estão fazendo sucesso. Isso ocorre com a música nacional e internacional. Prática de leitura Texto 1 Letra de canção Você já ouviu falar das lavadeiras do Vale do Jequitinhonha? Enquanto trabalham, elas cantam canções como a reproduzida a seguir. Preste atenção à letra da canção, que está transcrita conservando marcas de oralidade. Observe as expressões em destaque. 219 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 219 5/7/15 10:06 AM
220 Avião avuadô / Ô siri vem cá Você viu Canavieira? Eu não vi não Eu só vi Barrado longe Aonde apousa os avião Ô, siri vem cá, Ô siri vem vê Ô, siri vem cá, Ô siri vem vê Eu passei no pé da lima Chupei lima sem querer Abracei com o pé da lima Pensando que era você Avião, avião avuadô Nem aqui nem na Bahia Avião nunca pousô Ricardo Azoury/Pulsar Carlos Farias e Coral das Lavadeiras. Batuquim brasileiro. Epovale, Lavadeiras do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. POR DENTRO DO TEXTO 1. Na canção, o eu poético se relaciona com elementos da natureza como se fossem pessoas. Copie dois trechos que comprovam essa ideia. Ô, siri vem cá, ô siri vem vê ; Abracei com o pé da lima / Pensando que era você. 2. Com base na leitura da canção, é possível dizer que o eu poético vive em uma cidade grande? Comprove sua resposta, transcrevendo um trecho do texto. O eu poético não vive em uma cidade grande, pois diz: Nem aqui nem na Bahia / Avião nunca pousô. Na trilha da oralidade Marcas de oralidade Converse com sua turma e com o professor a respeito das expressões destacadas na letra da canção e responda às questões. 1. Você conhece alguém que usa, na fala, expressões como as destacadas na canção das lavadeiras? Conte para sua turma. Resposta pessoal. 2. Leia este verbete: avoar v. intr. e tr. ind. (ant. e pop.). O mesmo que voar. Dicionário brasileiro. Erechim: Edelbra, [s.d.]. Ambos se referem à palavra voar, avoar é um verbo e avuadô (avoador), no contexto em que foi empregado, um adjetivo que se refere à palavra avião. a) Qual é a relação desse verbete com a palavra avuadô empregada pela lavadeira da canção? b) Converse com um colega e descubra outra palavra com o mesmo significado e escrita semelhante à palavra destacada a seguir. A palavra pousa. Eu só vi Barrado longe Aonde apousa os avião 220 c) As palavras assoprar e amostrar podem ser encontradas no dicionário? Pesquise e anote no Professor, este é um momento propício para tratar da fala representada na letra de canção em estudo. caderno o que descobriu. O critério de formação de algumas palavras da canção é equivalente a critérios gramaticais de formação de palavras da norma urbana de prestígio. Por exemplo, as palavras avuadô e apousa apresentam a letra a no início da palavra. Essa formação equivale a outros vocábulos do português, encontrados no dicionário, como é o caso de avoar (voar), assoprar (soprar), amostrar (mostrar). Conhecer mais casos como esses pode fundamentar a discussão sobre o preconceito linguístico. pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 220 5/7/15 10:06 AM
221 Eôôôrrôôôôôôôô, Fasta pra lá, boi manso, ô gado Ôôôôôôôôô Sabiá puxa melão Prática de leitura Texto 2 Letra de canção Você sabe o que são aboiadores? São trabalhadores que lidam com o gado e usam o aboio quando levam o gado para pastar. O aboio é o canto que os vaqueiros entoam enquanto guiam a boiada ou chamam os animais. Conheça um desses cantos. Sabiá de melão Por detrás da bananeira Quantas meninas faceiras Que eu deixei no meu sertão Na minha ribeira, ô sabiá Eu vou-me embora da mata O arumã, meu matulão Vou calçá minhas alpercata Vou me despedi das mata Vou-me embora pra o sertão, meu sabiá Vou voltá pra meu lugá Vê a princesa do sertão Vou abraçá minha donzela Morena, cor de canela Dona do meu coração, meu sabiá Eeeeeeeôôôôôôôô. Irra! MaChado, Vavá; MarCoLino. O grito do camponês. Phonodisc, Cd. Renato Arlem POR DENTRO DO TEXTO 1. O que o boiadeiro está fazendo quando diz: Eeeeeeeôôôôôôôô. Irra!? Ele está aboiando, ou seja, chamando ou guiando o gado. 2. Além de se dirigir ao boi manso, o boiadeiro fala com outro animal. Comprove essa afirmação com um verso do texto. Na minha ribeira, ô sabiá 3. Esse aboio fala sobre alguém que vai de um lugar para outro. De onde ele sai e para onde vai? Ele sai da mata e vai para o sertão. 4. Que pessoa ele espera encontrar ao chegar ao lugar pretendido? A princesa do sertão. 5. Copie no caderno o verso que aponta a importância que a amada tem para o eu poético. Dona do meu coração, meu sabiá 6. O eu poético descreve sua amada para o sabiá. Identifique as características da moça que ele ressalta. Morena, cor de canela. 221 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 221 5/7/15 10:06 AM
222 Na trilha da oralidade Variação linguística 1. Há semelhança na retirada do r final de algumas palavras, como vê, avuadô, abraçá ; voltá, calçá, lugá. Professor, embora a fala caipira apresente normalmente a supressão do r final, é importante mostrar aos alunos que esse fato não ocorre apenas no falar caipira, mas é uma supressão que também está presente na fala urbana. Muitas pessoas dizem cantá, dançá, comê, vê, no lugar de cantar, dançar, comer, ver. 1. Releia as palavras destacadas nas canções Sabiá de melão e Avião avuadô. Compare a linguagem do vaqueiro cantador à linguagem empregada pelas lavadeiras e diga o que há de semelhante entre elas. 2. Espera-se que os alunos reconheçam que os textos buscam representar o modo como as lavadeiras cantam; assim, nesse contexto, revelam um determinado uso da língua. 2. Nos textos 1 e 2, encontramos as expressões os avião e das mata em vez de os aviões e das matas. Por que você supõe que o texto registra a língua dessa forma? 3. Pesquise, entre seus familiares e amigos, diferentes palavras, das diversas regiões do país, que Professor, o léxico também caracteriza as variantes, ao lado de outros aspectos, como são utilizadas para designar o mesmo ser. a sintaxe, as curvas melódicas etc. Não há pleno mapeamento de usos das variantes linguísticas regionais, mas há algumas expressões que costumam ser muito conhecidas e características dessas regiões. Mesmo que esse trabalho cause discussões a respeito de uso, ele servirá para ilustrar um pouco mais essas diferenças, ainda que elas não sejam consensuais. Prática de leitura Texto 3 Partitura Mozart MOzART. Princípio da Marcha Turca (opus n. 11). Disponível em: < mutopiaproject.org/ftp/mozartwa/kv331/kv331_3_rondoallaturca/kv331_3_ RondoAllaTurca-let.pdf>. Acesso em: 10 fev pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 222 5/7/15 10:06 AM
223 TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. Você acha possível fazer uma leitura dessa imagem? Explique sua resposta. É possível apenas para quem tem conhecimento do significado das notas e escalas musicais. 2. Conhece alguém que consegue fazer essa leitura? O que é preciso conhecer para ler a imagem? Resposta pessoal. Para ler a partitura, é preciso ter um conhecimento mínimo de teoria musical. Geralmente, tem conhecimento de teoria musical quem toca algum instrumento, canta, rege etc. 3. Observe outra partitura: A canoa virou Helle Tirler/Sinodal BraGUinha. a canoa virou. in: TirLEr, helle. Vamos tocar flauta doce. São Leopoldo: Sinodal, Cd. 223 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 223 5/7/15 10:06 AM
224 a) Em uma canção existem letra (texto escrito) e melodia (composição musical). A canção corresponde a esse conjunto. Em qual das duas partituras há a representação da melodia e da letra correspondente? Na segunda partitura. b) Você conhece a canção da segunda partitura musical? Resposta pessoal. c) Em que situação você acha que ela é cantada? A canção costuma ser cantada em brincadeiras de roda. 4. Observe os sons e os fatos narrados nesta cantiga e em A canoa virou. Que semelhanças e/ou diferenças você identifica entre elas? Resposta pessoal. Professor, observe que ambas apresentam rimas e narram um conflito: a canoa virou ; o cravo brigou com a rosa. O cravo brigou com a rosa Debaixo de uma sacada O cravo ficou ferido E a rosa despedaçada domínio público. De olho na ortografia Acentuação das oxítonas Com a orientação do professor, forme dupla com um colega para realizar as atividades a seguir. 1. Leia as palavras do quadro e observe a posição da sílaba mais forte em cada uma delas: cará cafuné vovó Essas palavras são oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas? Oxítonas. 2. Leia com atenção as palavras dos quadros a seguir. Elas são todas oxítonas. Observe como as palavras terminam nos grupos 1 e 2, em seguida construa a regra de acentuação para elas. Depois de concluir a atividade, confira as respostas com seu professor. As oxítonas terminadas em a, e, o, seguidas ou não de s, são acentuadas. Grupo 1 maracujá cafuné vatapá ioiô maracanã paletó jacaré faraó você cipó Grupo 2 maracujás cafunés vatapás ioiôs maracanãs paletós jacarés faraós vocês cipós 224 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 224 5/7/15 10:06 AM
225 3. Leia as palavras do quadro, observando a posição da sílaba mais forte em cada uma delas, e responda ao que se pede. maracatu baú saci açaí a) Essas palavras são oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas? Oxítonas. b) Por que algumas são acentuadas e outras não? Para responder a essa questão, troque ideias com seus colegas, procurando no próximo quadro outras palavras semelhantes a essas. Anote suas descobertas no caderno. Por último, procure criar, em grupo, uma regra de acentuação gráfica para vocábulos que possuem a última sílaba mais forte. Palavras semelhantes a maracatu : sururu, cupuaçu, urubu, Itu, angu, pacu e tatu. Palavras semelhantes a baú : Tambaú e Jaú. Palavras semelhantes a saci : Parati, dormi, sagui. Palavras semelhantes a açaí : aí, saí, Tatuí. sururu Parati Jaú urubu tatu aí dormi saí sagui angu Tambaú cupuaçu pacu Itu Tatuí c) Depois de concluir a atividade, confira com seu professor se as respostas estão adequadas. Quando a segunda vogal do hiato for i ou u tônicos, a palavra levará acento. Professor, caso seja necessário, revise com eles o que é ditongo e hiato. Essa regra de acentuação também vale para hiatos seguidos de s, como faísca, por exemplo, independentemente de o hiato estar no meio ou no final da palavra. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. No caderno, acentue quando necessário as palavras das frases a seguir: a) Os brasileiros gostam muito de tomar cafe. b) Antigamente, as camas eram feitas de bambu. c) Michele veio aqui para irmos juntas ao metro Anhangabau. a) café; b) nenhuma palavra; c) metrô, Anhangabaú; d) avós, avôs; e) sofás; f) Marquês, Sapucaí; g) Saí, Tomé, Jundiaí. d) Meus avos nasceram em Santa Catarina. e) A empresa veio para fazer a limpeza dos sofas. f) O meu sonho é desfilar na Marques de Sapucai. g) Sai de São Tome e fui parar em Jundiai. 2. Explique por que cada palavra da atividade 1 foi acentuada. Na atividade anterior, encontramos oxítonas terminadas em e e o: café, metrô, Tomé e palavras terminadas em as, es e os: sofás, Marquês, avós. Também encontramos palavras terminadas em i e u, formando hiatos: Sapucaí, Jundiaí e Anhangabaú. 3. Pesquise, em jornais e revistas, outras palavras oxítonas acentuadas. Escreva-as em seu caderno, encaixando-as em um dos grupos a seguir, de acordo com suas características. Desenhe uma coluna para cada grupo. Resposta pessoal. Grupo 1 Oxítonas terminadas em a, as, e, es, o, os. Grupo 2 Oxítonas terminadas em i e u formando hiatos. 225 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 225 5/7/15 10:06 AM
226 Prática de leitura Texto 4 Letra de canção Em nosso país, há muitas manifestações populares que se repetem em várias regiões, entretanto as celebrações se diferenciam em cada lugar de acordo com seus hábitos culturais. O reisado, festa popular que se realiza na véspera e no Dia de Reis, dia 6 de janeiro, é exemplo de uma delas. Leia a letra da canção a seguir para conhecer mais uma festa que se celebra com música. O galo cantou no Oriente Reisado Ai, ai, ai, ai Surgiu a estrela da guia ai, ai Anunciando à humanidade Ai, ai, ai, ai Deus menino, Deus das filha ai, ai, ai, ai Em uma estrebaria ai, ai Vinte e cinco de dezembro ai, ai, ai, ai Não se dorme no colchão ai, ai Jótah Deus menino teve a cama ai, ai, ai, ai De folha seca do chão ai, ai, ai, ai Pra nossa salvação ai, ai Senhora dona da casa Ai, ai, ai, ai Oia a chuva no telhado ai, ai Venha ver o Deus Menino Ai, ai, ai, ai Como está todo molhado ai, ai, ai, ai Com os três reis a seu lado, ai, ai Deus lhe pague a bela oferta Ai, ai, ai, ai E vos deu com alegria, ai, ai O Divino santos reis Ai, ai, ai, ai São José e Santa Maria ai, ai, ai, ai Há de ser vossa guia ai ai ViEira, Teddy. O melhor de Pena Branca e Xavantinho. Sony Music, Cd. 226 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 226 5/7/15 10:06 AM
227 PARA VOCÊ QUE É CURIOSO Prefeitura de Contagem MG Comemoração da Folia de Reis da comunidade quilombola dos Arturos. Contagem, Minas Gerais, Folia de Reis A Folia de Reis é uma festa religiosa popular de origem portuguesa. [...] No período de 24 de dezembro, véspera de Natal, a 6 de janeiro, Dia de Reis, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre a cidade entoando versos relativos à visita dos reis magos ao Menino Jesus. Passam de porta em porta em busca de oferendas, que podem variar de um prato de comida a uma simples xícara de café. A Folia de Reis, herdada dos colonizadores portugueses e desenvolvida aqui com características próprias, é manifestação de rara beleza. Os preciosos versos são preservados de geração em geração por tradição oral. Velhos amigos. Dia de Reis Folias. Disponível em: < datasespeciais/diadereis1.html>. Acesso em: 9 jan POR DENTRO DO TEXTO 1. Você já conhecia alguma canção como essa? Resposta pessoal. 2. Podemos dizer que a canção narra uma história. Qual? Sim. A canção conta a história do nascimento de Jesus. 3. No meio da música, há a seguinte saudação: Senhora dona da casa. Considere o texto que você leu sobre Folia de Reis e responda: Essa saudação faz parte da história que está sendo contada? Por que ela foi usada? Não. Essa expressão representa os foliões saudando a dona de casa que recebeu a Folia de Reis. 227 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 227 5/7/15 10:06 AM
228 4. A natureza também anuncia o nascimento do menino. Copie do texto os versos que exemplificam O galo cantou no Oriente [...] / Surgiu a estrela da guia [...] / Anunciando à humanidade [...] / Deus menino, Deus das filha [...] essa afirmação. 5. Qual é a frase de agradecimento popular presente na letra da canção? Copie em seu caderno. Por que é feito esse agradecimento? 6. Observe a expressão destacada no verso a seguir: Deus lhe pague a bela oferta Nesse verso, os cantadores agradecem a oferta dos moradores visitados. Oia a chuva no telhado a) Com relação à variação linguística, o que o emprego da expressão Oia revela sobre a linguagem usada pelo eu poético? b) Releia o verso: O emprego da forma oia em vez de olha, no contexto em que foi empregada, constitui uma variante linguística que pode ser encontrada, por exemplo, no falar caipira. No caso da canção, o seu uso busca representar o modo de se expressar do cantador. Deus menino, Deus das filha Na expressão em destaque não houve concordância de número. Isso atrapalha o entendimento do texto? Não, pois sabemos que essa é a maneira autêntica do falar que se buscou representar; além disso, a indicação do plural já está presente na palavra das. 7. Elabore sua hipótese: Por que a expressão ai, ai, ai, ai aparece ao longo de toda a canção? Muitos cantores costumam usar esse tipo de recurso ao interpretarem suas músicas. Nessa canção, a repetição é um prolongamento dos versos, provocando um efeito sonoro típico das canções populares. 8. Verifique na letra da canção Reisado as palavras e expressões que indicam tempo ou lugar e copie-as em seu caderno. Tempo: Vinte e cinco de dezembro; lugar: no Oriente, em uma estrebaria, no colchão, no telhado. Elas são importantes para o que a música quer transmitir? Por quê? Sim, a música quer contar uma história. Essas palavras e expressões localizam quando e onde o nascimento do menino aconteceu e esse fato é o tema principal da canção e da manifestação popular Folia de Reis. Além disso, outros detalhes da história são melhor descritos por causa dessas expressões. Por exemplo: onde caía a chuva, onde a família se abrigou para o nascimento, que não se dorme no colchão em um dia como esse. Professor, é importante conversar com os alunos sobre como esse texto ficaria sem os advérbios e as expressões adverbiais, que são fundamentais nessa canção. Sem eles, a narrativa ficaria comprometida e a intenção do autor não poderia se realizar. Hora da pesquisa Músicas preferidas da turma Em grupo, escolham um compositor e, em seguida, uma música de sua autoria para apresentar para a turma. Sigam as instruções. 228 ORIENTAÇÕES Formem grupos, conforme a orientação do professor. Em grupo, falem de suas preferências musicais e escolham uma canção e seu compositor para pesquisar, conforme o gosto do grupo. Decidam com o professor qual será a ordem das apresentações e a frequência. Os grupos se apresentarão seguidamente, um por semana? Depois de combinar com seus colegas os detalhes da apresentação, inicie a pesquisa. Copiem a letra da canção e, se possível, tragam para a escola o CD ou gravação da letra escolhida. Em grupo, selecionem as partes da canção que julgarem mais importantes ou aquelas de que o grupo mais gosta. Antes de apresentarem a canção, a letra deve ser escrita no quadro de giz ou ser exibida em transpa rência para que todos possam acompanhá-la. O grupo deve falar um pouco sobre a canção e seu compositor. Não deixem de informar a compreensão do grupo a respeito do sentido da letra. Professor, os alunos que tiverem interesse poderão pesquisar também as manifestações culturais populares das regiões do Brasil, que geralmente envolvem música e dança. pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 228 5/7/15 10:06 AM
229 Prática de leitura Texto 5 Letra de canção Manguetown Estou enfiado na lama É um bairro sujo Onde os urubus têm casas E eu não tenho asas Mas estou aqui em minha casa Onde os urubus têm asas Vou pintando, segurando as paredes [do meu mangue do meu quintal Manguetown Rogério Reis/Pulsar Imagens Andando por entre os becos Andando em coletivos Ninguém foge ao cheiro Sujo da lama da Manguetown Andando por entre os becos Andando em coletivos Ninguém foge à vida suja Nos dias da Manguetown Esta noite sairei Vou beber com meus amigos E com as asas que os urubus me deram ao dia Eu voarei por toda a periferia Vou sonhando com a mulher Que talvez eu possa encontrar Ela também vai andar Na lama do meu quintal Manguetown Palafita da Favela Ilha de Deus, com conjunto habitacional ao fundo, Recife (PE), Ricardo Azoury/Pulsar Imagens Fui no mangue catar lixo, pegar caranguejo E conversar com urubu. Catador de caranguejos em manguezal. Delta do Rio Parnaíba (PI), [...] SCiEnCE, Chico; LúCio; dengue. Afrociberdelia. Sony Music, Cd. 229 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 229 5/7/15 10:06 AM
230 Professor, é possível que os alunos não conheçam esse movimento, mas é interessante que eles recebam a informação para poderem contextualizar melhor a leitura. A atividade de produção deste capítulo tem como proposta a elaboração de um verbete. Chame a atenção dos alunos para os verbetes que forem aparecendo no decorrer deste capítulo. PARA VOCÊ QUE É CURIOSO Manguebeat O Manguebeat é um movimento musical que surgiu na década de 1990, em Recife (PB), que mistura ritmos regionais (maracatu, coco, ciranda, caboclinho etc.) com rock, rap, hip-hop e música eletrônica. Esse estilo tem como ícone o músico Chico Science, ex-vocalista da banda Chico Science e Nação Zumbi, idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das ideias, dos ritmos e das contestações do Manguebeat. Fonte: < Acesso em: 9 jan POR DENTRO DO TEXTO 1. De acordo com a letra da canção, o lugar descrito para viver é agradável? Explique. Não. Ele é sujo e cheio de lama. 2. A que lugar a canção está se referindo? 3. A palavra Manguetown foi criada com base na junção de duas palavras que já existem. Pelo Glossário, procure explicar qual é o significado dessa nova palavra na canção. Resposta possível: Cidade do Mangue. 4. Nessa letra, o eu poético diz que os urubus têm as asas que ele não tem. E que até mesmo têm a casa que ele não tem. Com base nesses versos, explique os seguintes trechos da canção. a) [...] Ninguém foge ao cheiro / sujo [...] e [...] à vida suja / Nos dias da Manguetown. b) Vou sonhando com a mulher / Que talvez eu possa encontrar / Ela também vai andar / Na lama do meu quintal. 5. Transcreva os versos que indicam que o eu poético tem intenção de sair do lugar em que vive para se lançar no espaço coletivo da periferia. 6. O eu poético se sente livre com o isolamento em uma casa confortável ou com a companhia dos amigos da comunidade? Que versos do texto podem confirmar essa ideia de liberdade? DE OLHO NO VOCABULÁRIO 1. Releia os versos a seguir: Ao mangue, mais especificamente a um lugar da periferia de Recife denominado de Manguetown, onde vive o eu poético dessa canção. Possibilidade: a Manguetown não oferece boas condições de vida e para quem mora lá não há muita expectativa de melhorar de vida, de sair da periferia para morar em outro lugar. Possibilidade: a mulher que poderá ser sua companheira um dia terá de compartilhar das mesmas condições de vida dele. O futuro do eu poético se projeta com base na realidade da periferia, na falta de perspectiva que o lugar lhe oferece. Esta noite sairei / Vou beber com meus amigos / E com as asas que os urubus me deram ao dia / Eu voarei por toda a periferia. Ele se sente livre na companhia de seus amigos. Os versos que confirmam a ideia de liberdade são: E com as asas que os urubus me deram ao dia / Eu voarei por toda a periferia. Vou pintando, segurando as paredes do meu mangue do meu quintal / Manguetown De acordo com os versos, a vida do eu poético e a da Manguetown se relacionam, misturam-se? Resposta possível: O quintal dele é o próprio mangue, a Manguetown; a vida da comunidade se mistura à sua própria vida. 2. Leia com atenção o verbete abaixo: pintar, v.t. Cobrir de tinta. Colorir. Escrever fielmente. Ludibriar; int. começar a colorir-se. p. revelar-se. Aplicar cosméticos no rosto ou tingir os cabelos. pin.tar. BUEno, Silveira. Minidicionário da língua portuguesa. São Paulo: FTd, a) Qual acepção do verbete mais se aproxima ao sentido do verbo pintando no verso destacado na atividade 1? Cobrir de tinta; colorir. b) Em sua opinião, a que tipo de pintura se refere o eu poético no verso? Espera-se que o aluno responda que o eu poético se refere a grafites e pichações. c) Escolha uma acepção do verbete diferente da trabalhada nesta atividade e faça uma frase com ela. Resposta pessoal. pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 230 5/7/15 10:06 AM
231 Reflexão sobre o uso da língua Pronome demonstrativo 1. Releia o trecho inicial da letra de canção: Estou enfiado na lama É um bairro sujo Onde os urubus têm casas E eu não tenho asas Mas estou aqui em minha casa Onde os urubus têm asas Imagine que o eu poético vai apresentar sua casa a alguém. Em seu caderno, ilustre as situações a seguir. Resposta pessoal. Espera-se que, na ilustração do item a, o aluno desenhe a casa perto de quem fala e, do item b, longe. a) Ao apresentar sua casa, o eu poético diz: Eu moro em Manguetown e esta é a minha casa. b) Ao apresentar sua casa, o eu poético diz: Eu moro em Manguetown e aquela é a minha casa. 2. Como você pôde perceber, as palavras esta e aquela indicam a posição da casa em relação ao eu poético. Que diferença houve entre uma ilustração e outra? Na ilustração do item a, quem fala está perto da casa. Na do item b, está longe. 3. Agora, leia a tira a seguir, observando o uso do pronome esta, no primeiro quadrinho King Features Syndicate/Ipress BROWNE, Dik. Hagar, o Horrível. Folha de S.Paulo, 20 dez Disponível em: < Acesso em: 25 jan a) Qual é a importância do uso do pronome esta para a construção da fala da personagem? Espera-se que o aluno perceba que o pronome orienta o interlocutor a saber a qual pena o frei se refere. A palavra esta demonstra qual é a pena. b) A pena a que a fala faz referência está mais próxima do frei (pessoa que fala) ou de Hagar (pessoa que ouve)? Está mais próxima do frei, que é a pessoa que fala. c) Se a pena estivesse na mesa, logo à frente de Hagar, o correto seria usar a expressão essa pena, em vez de esta pena. A partir dessa informação e de sua resposta para o item anterior, responda: Quando se usa o pronome este(a) e quando se usa o pronome esse(a)? Usa-se o pronome este(a) quando ele se refere a algo que está próximo de quem fala. Usa-se o pronome esse(a) quando ele se refere a algo que está próximo de quem ouve. 231 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 231 5/7/15 10:06 AM
232 IMPORTANTE SABER Para marcar a posição espacial de um elemento em relação às três pessoas do discurso, usamos os pronomes demonstrativos: este, esta, isto perto da pessoa que fala (1 a pessoa do discurso); esse, essa, isso perto da pessoa que ouve (2 a pessoa do discurso); aquele, aquela, aquilo longe de ambos (3 a pessoa do discurso). Além de marcar a posição espacial, o pronome demonstrativo também pode marcar o tempo de um acontecimento: Preciso conversar com você esta noite. (tempo presente) Naquele dia, eu precisava ter conversado com você. (tempo passado) APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Copie em seu caderno as frases a seguir, substituindo os símbolos pelo pronome demonstrativo adequado. a) meu coração fica triste sempre que ouço música que tocou ontem à noite na cerimônia de casamento. este, aquela b) Preciso entregar documentos que estão aqui comigo urgentemente para você. estes c) Por favor, traga-me copo que está aí ao seu lado. esse d) Hoje estou muito contente, pois é o primeiro dia de férias. este 2. Leia a tira a seguir: 2015 King Features Syndicate/Ipress BrowNe, Dik. Hagar, o Horrível. Folha de S.Paulo, 25 jan Disponível em: < uol.com.br/ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#25/1/2015>. Acesso em: 26 jan a) Identifique e transcreva os dois pronomes demonstrativos usados na tirinha. Neste e isso. b) Por que, no primeiro quadrinho, foi empregado o pronome (n)este e não (n)esse? Porque a personagem se refere ao bar em que ambos estão. c) Imagine que as personagens estivessem a três quarteirões do bar a que se referem. Nesse caso, como ficariam as falas do frei no primeiro quadrinho? Por quê? As falas seriam Irmão Hagar, você passa muito tempo naquele bar. Praticamente vive lá!, porque ambas as personagens estariam longe do local apontado. d) A que se refere o pronome isso, empregado pela personagem Hagar no primeiro quadrinho? Refere-se ao fato de ele passar muito tempo no bar. e) A acusação feita pelo frei é confirmada ou negada no último quadrinho? Por quê? É confirmada, já que até as correspondências pessoais de Hagar estão sendo entregues no bar, sinalizando que ele realmente passa muito tempo lá. pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 232 5/7/15 5:25 PM
233 Prática de leitura Texto 6 Letra de canção Professor, verifique a possibilidade de executar a canção depois da leitura. Qui m importa, qui m importa O seu preconceito qui m importa Você diz que eu sou muito esquisito E eu às vezes sinto a sua ira Mas na verdade assim é que eu fui feito É só o jeito de um rapaz caipira Qui m importa, qui m importa O seu preconceito qui m importa Se você quer maiores aventuras Vá prá cidade grande qualquer dia Eu sou da terra e não creio em magia É só o jeito de um rapaz caipira Rapaz caipira Se dá problema / eu subo na picape / E no horizonte / eu tiro a minha linha. Welcomia/Shutterstock Qui m importa, qui m importa O seu preconceito qui m importa Se dá problema eu subo na picape E no horizonte eu tiro a minha linha Quando me acalmo é que eu volto prá casa Esse é o jeito de um rapaz caipira Qui m importa, qui m importa O seu preconceito qui m importa TEiXEira, renato. rapaz caipira. Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho ao vivo em Tatuí. São Paulo: Sony BMG Music Entertainment, Cd. POR DENTRO DO TEXTO 1. Quem é o eu poético dessa letra de canção? É um rapaz caipira. 2. O eu poético nos informa sobre a opinião do interlocutor em relação a ele. Qual é essa opinião? O interlocutor acha o eu poético esquisito. 3. O eu poético afirma não se importar com o preconceito de alguém. Que preconceito é esse que ele estaria sofrendo? O preconceito por ser um rapaz caipira. 4. Releia o trecho a seguir: Se você quer maiores aventuras Vá prá cidade grande qualquer dia 233 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 233 5/7/15 10:06 AM
234 a) Quem seria o você a que a letra faz referência? É o interlocutor do eu poético, alguém que tem preconceito em relação a ele. b) A partir desse trecho, podemos deduzir qual é a opinião do interlocutor do eu poético sobre o meio rural. Qual seria essa opinião? Explique. TEXTO E CONSTRUÇÃO 1. Levando em consideração aquilo que é narrado na letra de canção, justifique o título do texto. O eu poético que fala nos versos é um rapaz que se enleva por ser caipira apesar do preconceito alheio. 2. Releia este verso da canção: Possivelmente, esse interlocutor considera a vida no meio rural desprovida de aventuras, por isso o eu poético o aconselha a buscar maiores aventuras na cidade grande. qui m importa a) Considerando as características do eu poético, explique o uso desse verso da forma como está escrito. Possivelmente, a intenção do uso desse verso foi a de tentar reproduzir a fala caipira do rapaz. Professor, é importante aproveitar a atividade para motivar uma discussão sobre a variação linguística. b) Como ficaria essa frase se estivesse escrita na forma padrão da língua? O que me importa? ou Não me importa. Frase Reflexão sobre o uso da língua 1. Em seu caderno, copie dos versos a seguir apenas aqueles que possuem sentido completo, ou seja, aqueles que não dependem de outros versos para apresentar sentido. Alternativas b e c. a) Você diz que eu b) E eu às vezes sinto a sua ira c) Eu sou da terra d) Se você quer maiores aventuras e) eu tiro a minha linha 2. Os versos a seguir não apresentam sentido completo. Encontre na letra da canção os versos que os complementam e copie-os em seu caderno, acrescentando a cada um o seu complemento. a) Você diz que eu Você diz que eu / sou muito esquisito b) é que eu volto prá casa Quando me acalmo / é que eu volto prá casa 3. Observe que os versos a seguir podem ser combinados de outras formas, sem perder o sentido que expressam: Se dá problema / eu subo na picape Eu subo na picape se dá problema Na picape, se dá problema, eu subo. 234 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 234 5/7/15 10:06 AM
235 Agora, faça o mesmo com os versos a seguir. Reescreva-os, combinando-os de três formas diferentes, sem que percam o sentido original. Vá prá cidade grande, qualquer dia, se você quer maiores aventuras. Se você quer maiores aventuras, qualquer dia vá prá cidade grande. Qualquer dia, se você quer maiores aventuras, vá prá cidade grande. Se você quer maiores aventuras / Vá prá cidade grande / qualquer dia IMPORTANTE SABER A todo enunciado com sentido completo, em uma dada situação de comunicação, damos o nome de frase. Uma frase pode ser composta por uma palavra ou um conjunto de palavras, desde que seja capaz de transmitir uma mensagem. Observe a tira a seguir: Mauricio de Sousa Produções Nesses quadrinhos, há uma situação de comunicação. No primeiro, Cebolinha transmite uma mensagem para Cascão, utilizando uma frase formada por três palavras: Cascão, me ajuda!. Há frases que podem ser constituídas sem verbo: Socorro!. E há também as frases constituídas por verbo: Cascão, me ajuda!. Já no segundo quadrinho, Cascão utiliza duas frases formadas por uma única palavra cada uma: Socorro! Socorro!. Dentro de uma mesma frase, é possível alterar a ordem das palavras, desde que a frase continue transmitindo uma mensagem com sentido completo. APLICANDO CONHECIMENTOS 1. Escreva no caderno as frases a seguir trocando de posição as expressões em destaque. Procure fazer várias alterações possíveis com a mesma frase. a) Eu sei que, com certeza, ele irá aparecer na minha festa. Respostas pessoais. b) Ana chegou, esta noite, cheia de planos para voltar a estudar. c) Em cima da mesa, há duas correspondências para você. d) Ele, provavelmente, deve vir ao encontro combinado. Professor, seria interessante registrar no quadro todas as alterações possíveis para cada uma das frases. 2. Ao fazer as alterações, que cuidado você precisou tomar para garantir o sentido das novas frases criadas? Foi preciso escolher uma posição adequada para as palavras da frase, garantindo a manutenção do sentido. 3. Agora é com você: crie uma frase com uma palavra ou expressão que indique lugar. Anote-a no caderno e depois faça novas frases alterando a posição dos elementos da frase que você criou. Resposta pessoal. 235 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 235 5/7/15 10:06 AM
236 Prática de leitura Texto 7 Letra de canção ANTES DE LER Você sabe o que é uma ciranda? Leia os versos seguintes e procure responder a essa questão. Professor, espera-se que os alunos estabeleçam uma relação da palavra com o canto e a dança. Achei bom, bonito meu amor a brincar Ciranda maneira Vem cá, cirandeira, Vem cá balançar. domínio público. Professor, se necessário, explique aos alunos que folguedos são festas de caráter popular, cuja principal característica é a presença de música, dança e representação Conheça agora uma letra de canção usada nesse tipo de folguedo. teatral. Grande parte dos folguedos possui origem religiosa e raízes culturais nos povos que formaram nossa cultura (indígenas, portugueses e africanos). Os folguedos fazem parte da cultura popular e do folclore brasileiro. Embora ocorram em quase todo o território brasileiro, é no Nordeste que eles se fazem mais presentes. Um exemplo de folguedo é o bumba meu boi. 1 Mandei fazer uma casa de farinha Bem maneirinha que o vento possa levar Oi passa sol, oi passa chuva, oi passa vento Só não passa o movimento do cirandeiro a rodar. Três cirandas de Pernambuco 3 Essa ciranda quem me deu foi Lia Que mora na ilha De Itamaracá. (BIS) domínio público. 2 Achei bom, bonito meu amor a brincar Ciranda maneira Vem cá, cirandeira, Vem cá balançar. Vitalino Pereira dos Santos Ciranda (s.d.), de Mestre Vitalino Pereira dos Santos. Cerâmica policromada. POR DENTRO DO TEXTO 1. Como as Três cirandas de Pernambuco foram organizadas? As canções foram organizadas em versos, assim como ocorre com os poemas. Além disso, apresentam trabalho com a sonoridade das palavras. 2. Uma das três cirandas fala do amor a alguém. Identifique-a e exemplifique essa afirmação. A ciranda 2 fala da pessoa amada: Achei bom, bonito meu amor a brincar. 3. Alguma das cirandas faz um convite? Em caso positivo, exemplifique sua resposta com versos da canção. Sim. Na letra da ciranda 2 é possível ler os versos: Vem cá, cirandeira, / Vem cá balançar. 4. Releia estes versos da ciranda 1: Oi passa sol, oi passa chuva, oi passa vento Só não passa o movimento do cirandeiro a rodar. 236 Qual é o sentido desses versos? Resposta possível: Faça chuva ou faça sol, os cirandeiros não deixarão de dançar a ciranda. Eles foram construídos em linguagem figurada? Explique sua resposta. Sim, os versos foram escritos em linguagem figurada, pois a expressão Oi passa sol, oi passa chuva, oi passa vento refere-se aos possíveis impedimentos e problemas que possam surgir na vida do cirandeiro. O eu poético, no entanto, diz que o cirandeiro não se rende às dificuldades: ele continuará a participar dessa dança, mesmo com as adversidades. pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 236 5/7/15 10:06 AM
237 CONFRONTANDO TEXTOS 1. Para responder às próximas questões, leia o verbete a seguir: Ciranda: A ciranda é uma dança típica das praias, mais precisamente daquelas situadas ao norte de Pernambuco. Porém sua origem não se restringe ao litoral. Nas pesquisas realizadas sobre esse folguedo, verifica-se que seu surgimento ocorreu, simul taneamente, tanto na zona litorânea quanto em área mais interiorana, da Zona da Mata Norte. Nos primórdios, o ambiente de apresentação restringia-se aos locais populares, como: as beiras de praia, os terreiros de bodega, pontas de rua etc. Seus participantes eram basicamente trabalhadores rurais, pescadores, operários de construção, biscatei ros, entre outros. [...] De fato, nas demais regiões do Brasil, a ciranda é um costume ex clusivo das crianças. Porém, no nosso estado (PE), trata-se de um folguedo original, contando principalmente com a participação dos adultos, que não excluem a criançada quando esta deseja entrar na roda. Como o coco, ela é bastante comunitária, não tendo nenhum preconceito quanto ao sexo, cor, idade, condição social ou econômica dos participantes. [...] Fonte: < acesso em: 9 jan a) Qual é a intenção desse texto? Oferecer ao leitor informações sobre a ciranda. b) Qual é o tempo verbal mais empregado no verbete? O tempo presente. c) A maioria dos verbos usados indicam ação, movimento ou um modo de ser? Por que você acha que os verbos foram usados dessa maneira? d) O texto foi escrito em 1 a ou em 3 a pessoa? Em 3 a pessoa. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que a maioria dos verbos indica modo de ser, já que se trata de um texto informativo, em que predominam as sequências descritivas. e) Compare os textos que explicam a Folia de Reis e a ciranda. Para isso, copie o quadro a seguir em seu caderno e organize as respostas que estão faltando para completá-lo. Folia de Reis Ciranda Nível de linguagem Formal. Formal. Tempo verbal predominante Presente. Presente. Transcrever verbos que indicam modo de ser Apresentam descrição? Transcreva exemplo do texto Apresentam informações sobre a origem da manifestação cultural? Verbos: é, são. Sim. Exemplo: No período de 24 de dezembro, véspera de Natal, a 6 de janeiro, Dia de Reis, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre a cidade entoando versos relativos à visita dos reis magos ao Menino Jesus. Sim. Exemplo: A Folia de Reis é uma festa religiosa popular de origem portuguesa. Verbos: é, restringe, trata-se. Sim. Exemplo: Como o coco, ela é bastante comunitária, não tendo nenhum preconceito quanto ao sexo, cor, idade, condição social ou econômica dos participantes. Sim: Trecho do texto: Nas pesquisas realizadas sobre esse folguedo, verifica-se que seu surgimento ocorreu, simultaneamente, tanto na zona litorânea quanto em área mais interiorana, da Zona da Mata Norte. 237 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 237 5/7/15 10:06 AM
238 IMPORTANTE SABER O verbete é um gênero textual que apresenta a definição de algo por meio da exposição. É um texto explicativo que visa ao conhecimento ou à ampliação de conhecimentos do leitor sobre o que está sendo definido. Além da exposição, também podemos encontrar em um verbete a narração e a descrição. Os verbetes são encontrados em dicionários, enciclopédias, revistas, entre outros, e podem ou não conter representações gráficas (ilustrações) que se relacionam à definição. Verbete Produção de texto Que tal criar um varal ilustrado com verbetes sobre as manifestações culturais do Brasil? Ele poderá ser exposto na escola ou em outro local. Combinem com o professor. Escolha uma das manifestações apresentadas nas fotos deste capítulo (maracatu, chula, frevo, capoeira, congada, bumba meu boi), pesquise suas características e escreva um texto no gênero verbete, que contenha uma descrição da manifestação escolhida. Caso prefira, você poderá escolher uma festa, dança ou um ritmo musical típico da sua região. PLANEJE SEU TEXTO Copie no caderno os itens do quadro e responda a cada um deles como modo de planejamento. Amplie o número de itens se precisar. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto. Para escrever o verbete 1. Qual é o público leitor do texto? O público que circula pelo local da exposição. 2. Que linguagem vou empregar? Linguagem informal. 3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? Organização em parágrafos ou um parágrafo único. 4. Onde o texto vai circular? ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO Na escola, em um varal ilustrado. Professor, caso tenha facilidade para expor os trabalhos fora da escola, leve os trabalhos para locais diferentes do espaço escolar. Biblioteca pública, parque municipal, saguão de um prédio em que circula um público específico. Caso esse tipo de exposição seja feita, será preciso combinar a utilização desse espaço público com antecedência e verificar com a direção quais são as possibilidades de os alunos se deslocarem para o local. 1. O verbete é um texto em que predomina a exposição de informações. Leia mais verbetes para conhecer os diferentes modos de encaminhar textos desse gênero. Observe, por exemplo, o verbete a respeito da ciranda, que se utilizou da descrição para apresentar as características desse tipo de dança. 2. Escreva o texto em 3 a pessoa. Por exemplo: O maracatu é uma manifestação popular. 3. Dê ao leitor informações que julgar importantes para fazer um retrato da manifestação cultural que escolheu. 4. Se necessário, conte fatos que esclareçam melhor a história da manifestação indicada no verbete: como, onde e por que surgiu, quem participava dela, se era um ritual da época, como chegou aos dias atuais. 5. Como seu texto será construído com base em uma pesquisa, selecione do texto original apenas os dados que achar importantes. Procure anotá-los em uma folha antes de escrever o verbete. Você usará essas informações para escrever o seu texto. 238 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 238 5/7/15 10:06 AM
239 6. Se puder, consulte mais de uma fonte de informação para que a sua seleção seja a mais rica e a mais confiável possível. 7. Planeje a sequência de ideias do texto e verifique se não está repetindo informações. 8. Use seus conhecimentos a respeito do que é ideia principal e ideia secundária para construir os parágrafos do texto. 9. Não esqueça que, no verbete, a primeira palavra que aparece no texto indica o assunto sobre o qual este fornecerá informações. Veja o texto anterior e releia os verbetes deste capítulo. 10. Para enriquecer o trabalho, ilustre o texto. AVALIAÇÃO E REESCRITA Professor, explique aos alunos que, às vezes, pode haver diferenças de informações entre uma fonte e outra. Por isso, é sempre prudente consultar várias para conferir os dados, observar o que é mais aceito nas diferentes fontes consultadas. Professor, lembre aos alunos que em capítulos anteriores também há verbetes de dicionário, além de um texto desse gênero sobre o Taj Mahal. Faça essa atividade em seu caderno. Depois de terminar a produção do texto, leia-a em voz alta para a sua turma e explique por que escolheu pesquisar a respeito desse assunto e o que conheceu de novo por meio dessa atividade. Por fim, revise o texto e passe a produção a limpo em folhas coloridas. Professor, ressalte que o tipo descritivo também é importante para a construção do texto. Depois da atividade, você poderá questioná-los: a descrição foi importante para explicar melhor do que trata a manifestação cultural pesquisada? Em seguida, estimule os alunos a reescrever o texto. Finalmente, após a reescrita, eles poderão montar o varal para que as outras pessoas da escola também possam conhecer melhor essas manifestações culturais. Esse varal poderá ser ilustrado com fotos e outros recursos de imagem, como obras de arte, colagens de materiais diversos. Projetos em ação Professor, veja orientações no Manual. Muitos são os problemas ambientais. Vários deles podem ser contornados ou resolvidos. Mas a solução da maioria depende de uma mudança de atitude das pessoas. Vamos provocar a reflexão e a discussão sobre alguns dos problemas ambientais? A seguir você encontra algumas propostas. Há ainda uma última proposta, na qual você e sua turma poderão assistir à apresentação de um artista popular. Proposta 1 HQ sobre o meio ambiente A turma pode montar uma exposição com as histórias em quadrinhos que foram desenvolvidas na Produção de texto do Capítulo 1. A exposição servirá para que outras pessoas da escola possam refletir sobre o tema do meio ambiente por meio das criações de sua turma. Para isso, siga as orientações. ORIENTAÇÕES Combine com o professor qual será o local da exposição. A turma deve decidir em que suporte os trabalhos serão colocados: parede, painel, ou suspensos por barbantes etc. Antes de expor os trabalhos, é importante fazer uma revisão do texto. Combine essa revisão com o professor. Caso seja possível, preparem alguns cartazes para convidar as pessoas de sua escola para a exposição e distribua-os por vários locais. 239 pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 239 5/7/15 10:06 AM
240 Se gostar da ideia, a turma pode colocar um livro de presença para que os visitantes assinem os nomes e registrem seus comentários a respeito das produções. Proposta 2 Campanha informativa A natureza é da gente Sob a orientação do professor, a turma deverá ser dividida em grupos. Cada grupo irá elaborar cartazes com o objetivo de conscientizar a população sobre alguns dos problemas ambientais do planeta Terra e fornecer informações de como cuidar melhor do ambiente. Para estimular a reflexão e a mudança de atitude das pessoas, o cartaz da campanha de conscientização deve apresentar uma imagem atraente e um texto breve em letras bem visíveis, dando destaque àquilo que considera fundamental que o leitor compreenda. ORIENTAÇÕES O uso de linguagem figurada e o humor podem enriquecer sua produção, dando novo sentido às palavras. Verifique se a linguagem é adequada ao tipo de público ao qual se dirige o cartaz. Observe se você elaborou um texto que propicia uma leitura rápida e eficiente. Depois de prontos os cartazes, espalhe todos eles por diferentes locais da escola. Proposta 3 Professor, é importante conversar com os alunos sobre a postura deles no momento da apresentação: silêncio, respeito pela arte produzida pelo convidado, atenção à pessoa etc. Caso julgue conveniente, prepare um grupo de alunos para fazer a recepção do convidado e assesorá-lo. Esse grupo poderá atuar com um professor ou com a direção da escola, apresentando o espaço ao artista e atendendo ao que ele precisar quanto à organização do espaço, materiais, água, alimentação, local para se vestir etc. Quem conhece um artista popular? Em sua cidade, em sua comunidade, provavelmente, existem alguns artistas populares: músicos, contadores de histórias, grupos de teatro, escritores, dançarinos etc. Pesquise essa informação com seu professor e verifique a possibilidade de trazer um artista popular para se apresentar em sua escola. 240 ORIENTAÇÕES A turma deve organizar um evento para receber o artista, combinando antes com ele uma pauta sobre o que vai acontecer nesse dia e qual será a participação dos alunos e do visitante. O artista também deve ser consultado para dar suas sugestões a respeito de como será organizado o evento. Informem com antecedência a data do evento a todas as pessoas da escola (por meio de cartazes, por exemplo), para que todos possam participar. Os grupos de alunos participantes do evento podem preparar algumas perguntas para fazer ao artista em um momento combinado para essa entrevista. Se acharem conveniente, um aluno ou grupo de alunos pode criar uma homenagem ao artista, preparando um poema ou uma música para apresentar nesse dia. Abertura do Encontro Nacional dos Pontos de Cultura Teia Brasília 2008, no Teatro Nacional, Brasília. Wilson Dias/ABr pnld2017_miolo_tl_p3_u04c02.indd 240 5/7/15 10:06 AM
241 ApêNdICe I. SUBSTANTIVO Classificação Substantivo comum A mãe do Menino Maluquinho comprou flores. Precisamos comer peixe. Você me emprestaria seu lápis? A novela, ontem, foi interessante. O perfume era muito caro. Substantivo próprio O Menino Maluquinho tem o próprio estilo. São Paulo localiza-se na Região Sudeste. O Rio de Janeiro é uma das cidades mais visitadas do Brasil. A Bienal Internacional do Livro reúne importantes escritores. Substantivo simples Quebrei meu pé. Minha flor favorita é a margarida. O mapa está no armário. A feira estava cara hoje. Não sinto mais dor no braço. Substantivo composto Plantei um amor-perfeito. O beija-flor é um lindo pássaro. Não encontrei meu mapa-múndi. Quarta-feira tem jogo do Brasil. Você está mal-humorado? 241 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 241 5/7/15 10:13 AM
242 Substantivo primitivo Os garotos estão agitados. A porta fechou sozinha. O pão está quentinho. Não fiz a barba hoje. O amor modifica as pessoas. Substantivo derivado A garotada está agitada. O porteiro não estava na portaria do prédio. O padeiro não abriu a padaria hoje. O barbeiro conversava com seu amigo na barbearia. Meu amorzinho viajou. Substantivo concreto Aquele fantasma o atormentou por muitos anos. O livro foi escrito por Ruth Rocha. Adorei a história que a professora leu. Há pessoas que morrem de medo de assombração. Substantivo abstrato Amor de mãe é infinito. Adoro ouvir o canto dos pássaros. A pobreza da alma causa pena. Você me causou muito sofrimento. Inteligência é algo fundamental. Substantivo coletivo O álbum do casamento ficou pronto. Usaremos a baixela de prata. O júri decidirá hoje a sentença do réu. Houve um incêndio na floresta. Recebemos um lindo buquê. 242 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 242 5/7/15 10:13 AM
243 principais coletivos álbum de fotografias alcateia de lobos arquipélago de ilhas assembleia de deputados, senadores, professores batalhão de soldados biblioteca de livros boiada de bois bosque, mata, floresta de árvores cacho de bananas, cabelos cáfila de camelos canteiro de verduras, flores caravana de viajantes catálogo de livros, revistas cavalaria de cavalos clero de padres código de leis colônia de imigrantes constelação de estrelas cordilheira, serra de montanhas coro de vozes década: período de dez anos discoteca de discos elenco de atores, artistas enxame de abelhas 243 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 243 5/7/15 10:13 AM
244 esquadrilha de aviões fauna de animais de uma região feixe de gravetos flora de plantas de uma região gado de bois, vacas junta de médicos júri de jurados manada de elefantes, bois, porcos matilha de cães milênio: período de mil anos molho de chaves multidão de pessoas ninhada de ovos, pintos, filhotes orquestra de músicos pelotão, batalhão, tropa de soldados penca de frutas, flores ramalhete de flores rebanho de ovelhas, carneiros, bois repertório de músicas réstia de alhos, de cebolas século: período de cem anos time de jogadores tropa de soldados turma de alunos, trabalhadores vara de porcos vocabulário de palavras 244 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 244 5/7/15 10:13 AM
245 Flexão dos substantivos Os substantivos se flexionam em gênero, número e grau. I. Gênero São dois os gêneros: o masculino e o feminino. Masculino quando usamos antes do substantivo os artigos: o/os, um/uns. O lápis caiu. Chegaram os livros. Um dia irei à Europa. Ganhei uns cadernos. Portanto, os substantivos lápis, livros, dia e cadernos são masculinos. Feminino quando usamos antes do substantivo os artigos: a/as, uma/umas. A borracha é minha. Trouxeram as redações? Uma garota ligou para você hoje. Preciso de umas folhas em branco para o trabalho. Portanto, os substantivos borracha, redações, garota e folhas são femininos. Casos especiais de gênero 1. Comum de dois: sabe-se o gênero pela mudança do artigo. o estudante/a estudante o repórter/a repórter o chefe/a chefe o fã/a fã o jovem/a jovem 2. Sobrecomum: mesma palavra para o feminino e o masculino. a criança (mulher ou homem) o boia-fria (mulher ou homem) a vítima o gênio a testemunha o ídolo 3. Epiceno: usam-se as palavras macho e fêmea para saber o sexo do animal. a barata macho/a barata fêmea o canguru macho/o canguru fêmea a cobra macho/a cobra fêmea o gavião macho/o gavião fêmea a coruja macho/a coruja fêmea o tigre macho/o tigre fêmea Formação do feminino Normalmente, forma-se o feminino trocando o o pelo a. aluno/aluna, búfalo/búfala, carteiro/carteira, lobo/loba, prefeito/prefeita 245 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 245 5/7/15 10:13 AM
246 Outras terminações para o feminino -e -a parente/parenta, comediante/comedianta, elefante/elefanta, presidente/presidenta -or -ora / -triz doutor/doutora, pastor/pastora, professor/professora, pintor/pintora, embaixador/embaixatriz, ator/atriz, imperador/imperatriz -ão -ã / -ona / -oa anão/anã, cidadão/cidadã, campeão/campeã, órfão/órfã, folião/foliona, solteirão/solteirona, sabichão/sabichona, glutão/glutona, leão/leoa, pavão/pavoa, patrão/patroa, leitão/leitoa -e / -es -esa camponês/camponesa, marquês/marquesa, príncipe/princesa, duque/duquesa -a / -e -isa poeta/poetisa, profeta/profetisa, sacerdote/sacerdotisa -eu -eia ateu/ateia, plebeu/plebeia, pigmeu/pigmeia Mudam completamente do masculino para o feminino pai/mãe padrinho/madrinha cavalo/égua cavalheiro/dama cavaleiro/amazona Palavras só usadas no feminino genro/nora padre/madre frade/freira marajá/marani rinoceronte/abada a alface a dinamite a musse a cal a ferrugem a sentinela a preá a hélice a mascote Palavras só usadas no masculino o açúcar o champanhe o milhar o alpiste o dó o sósia o espécime o boia-fria o guaraná Palavras que mudam de sentido do masculino para o feminino o cabeça o chefe o caixa funcionário o capital dinheiro o grama medida de massa o moral ânimo o rádio aparelho a cabeça parte do corpo humano a caixa objeto a capital cidade a grama relva a moral caráter a rádio emissora 246 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 246 5/7/15 10:13 AM
247 II. Número Apresenta duas formas: singular e plural. Singular: indica um substantivo apenas. amor, cadeira, arroz, cão, mulher, criança, pastel Plural: indica mais de um substantivo. amores, cadeiras, arrozes, cães, mulheres, crianças, pastéis Formação do plural Normalmente, acrescenta-se a letra s ao final da palavra. blusa/blusas, garoto/garotos, ponte/pontes, degrau/degraus, chapéu/chapéus Outras terminações para o plural -al / -el / -il (oxítona) / -ol / -ul -is canal/canais, laranjal/laranjais, sinal/sinais papel/papéis, pastel/pastéis, anel/anéis barril/barris, cantil/cantis, funil/funis lençol/lençóis, álcool/álcoois e alcoóis, sol/sóis azul/azuis, paul/pauis (pântano/pântanos) Observação Paroxítona terminada em -il forma o plural em -eis. projétil/projéteis, réptil/répteis Substantivos terminados em -m -ns jovem/jovens, jardim/jardins, batom/batons, atum/atuns Substantivos terminados em -r, -s, -z -es colher/colheres, dólar/dólares, amor/amores, mulher/mulheres ás/ases, mês/meses, gás/gases, adeus/adeuses rapaz/rapazes, raiz/raízes, gravidez/gravidezes, arroz/arrozes Observação Paroxítona ou proparoxítona terminada em -s não varia. o ônibus/os ônibus, o pires/os pires, o tênis/os tênis, o vírus/os vírus Substantivos terminados em -ão -s / -ões / -ães mão/mãos, cidadão/cidadãos, grão/grãos, cristão/cristãos limão/limões, anfitrião/anfitriões, canhão/canhões, coração/corações pão/pães, cão/cães, capitão/capitães, tabelião/tabeliães 247 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 247 5/7/15 10:13 AM
248 Observação Substantivos em -ão que admitem mais de uma forma para o plural. aldeão aldeãos/aldeões/aldeães cirurgião cirurgiões/cirurgiães ancião anciãos/anciões/anciães corrimão corrimãos/corrimões vilão vilãos/vilões/vilães peão peões/peães vulcão vulcãos/vulcões/vulcães refrão refrãos/refrães charlatão charlatões/charlatães verão verãos/verões plural dos substantivos compostos 1. As duas palavras irão para o plural. substantivo + substantivo redator-chefe/redatores-chefes, couve-flor/couves-flores substantivo + adjetivo amor-perfeito/amores-perfeitos, cachorro-quente/cachorros-quentes adjetivo + substantivo puro-sangue/puros-sangues, pequeno-burguês/pequenos-burgueses numeral + substantivo quinta-feira/quintas-feiras, primeiro-ministro/primeiros-ministros 2. Apenas a primeira palavra irá para o plural. substantivo + preposição + substantivo pé de moleque/pés de moleque, sinal da cruz/sinais da cruz a segunda palavra especifica a primeira laranja-lima/laranjas-lima, banana-maçã/bananas-maçã Observação A tendência moderna é pluralizar os dois elementos: laranjas-limas, bananas-maçãs 3. Palavras invariáveis apenas a última palavra irá para o plural. beija-flor/beija-flores (verbo + substantivo) alto-falante/alto-falantes (advérbio + adjetivo) contra-ataque/contra-ataques (prefixo + substantivo) super-herói/super-heróis (prefixo + substantivo) 4. Diminutivo plural faz-se o plural da palavra primitiva, colocando-se o s no final. animalzinho animaizinhos (animai(s) + -zinho s no final) florzinha florezinhas (flore(s) + -zinha s no final) limãozinho limõezinhos (limõe(s) + -zinho s no final) 248 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 248 5/7/15 10:13 AM
249 palavras só usadas no plural as algemas os arredores os Estados Unidos as olheiras os Alpes as bodas as núpcias os parabéns os Andes as condolências os óculos os pêsames III. Grau São dois: aumentativo e diminutivo. Aumentativo: normalmente formado pelo acréscimo das terminações -ão, -ona. amigo amigão carro carrão pedra pedrona gato gatão mulher mulherona casa casona Observação Também forma-se o grau aumentativo com o auxílio das palavras grande, enorme, imenso etc. pé pé grande piscina piscina enorme casa casa imensa Aumentativos com outras terminações boca bocarra faca facalhão navio naviarra cabeça cabeçorra forno fornalha prato pratarraz copo copázio homem homenzarrão rico ricaço cão canzarrão mão manzorra voz vozeirão corpo corpanzil nariz narigão Diminutivo: normalmente, é formado pelo acréscimo das terminações -inho, -zinho etc. livro livrinho pedra pedrinha homem homenzinho casa casinha pé pezinho flor florzinha Observação Também se forma o grau diminutivo com o auxílio das palavras pequeno, minúsculo, insignificante etc. nariz nariz pequeno lápis lápis minúsculo prejuízo prejuízo insignificante 249 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 249 5/7/15 10:13 AM
250 Diminutivos com outras terminações árvore arvoreta folha folícula parte partícula beijo beijote gota gotícula pele película caminhão caminhonete ilha ilhota questão questiúncula casa casebre nó nódulo rio riacho corpo corpúsculo ovo óvulo rua ruela estátua estatueta Observação Às vezes o aumentativo e o diminutivo não exprimem o tamanho dos seres, mas carinho ou desprezo. Carinho: pai paizão / amigo amigão amor amorzinho / filho filhinho Desprezo: gente gentalha / dente dentuça livro livreco / lugar lugarejo II. ARTIGO Definidos: o, a, os, as Indefinidos: um, uma, uns, umas Artigo definido A moça aceitou os elogios com muita satisfação. O contrato de trabalho deixou-o muito ansioso. Ninguém conseguiu entender as explicações do professor. Artigo indefinido Gostaria de ver uma dança típica do sul. O jogador encontrou um jeitinho de fazer o gol. Todo mundo gosta de comprar uns presentes no Natal. III. AdJeTIVO Adjetivos pátrios Indicam nacionalidade, naturalidade, origem. Quem nasce em Salvador é soteropolitano. 250 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 250 5/7/15 10:13 AM
251 O natural do Rio Grande do Norte é potiguar. Quem nasce na Etiópia é etíope. Alguns adjetivos pátrios Afeganistão afegão ou afegane Bélgica belga Brasil brasileiro Buenos Aires portenho ou bonairense Ceará cearense Espírito Santo capixaba ou espírito-santense Estados Unidos americano ou estadunidense ou ianque França francês Goiânia goianiense Holanda holandês João Pessoa pessoense Madri madrilenho ou madrilense Manaus manauense Rio de Janeiro fluminense (estado) e carioca (cidade) Rio Grande do Sul gaúcho ou rio-grandense-do-sul ou rio-grandense Santa Catarina catarinense ou catarineta ou barriga-verde São Paulo paulista (estado) e paulistano (cidade) Flexão dos adjetivos Os adjetivos se flexionam em gênero, número e grau. I. Gênero Obedecem às mesmas regras do substantivo, quando adjetivos simples. lindo/linda, precioso/preciosa, alto/alta, simpático/simpática, velho/velha, alemão/alemã, glutão/glutona, português/portuguesa, ateu/ateia, judeu/judia II. Número Obedecem às mesmas regras do substantivo, quando adjetivos simples. maravilhoso/maravilhosos, pequeno/pequenos, baixo/baixos, novo/novos, bom/bons, lilás/lilases, amável/amáveis Flexão dos adjetivos compostos Apenas o último se flexiona em gênero e número. cabelo castanho-claro/cabelos castanho-claros blusa amarelo-escura/blusas amarelo-escuras 251 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 251 5/7/15 10:13 AM
252 Exceções: surdo-mudo/surdos-mudos surda-muda/surdas-mudas saia azul-marinho/saias azul-marinho blusa azul celeste/blusas azul celeste Observação Caso a última palavra seja um substantivo, fica invariável. saia vermelho-sangue/saias vermelho-sangue sapato verde-garrafa/sapatos verde-garrafa III. Grau São dois: comparativo e superlativo. Comparativo Igualdade: O sabonete é tão perfumado quanto o talco. Superioridade: A água está mais quente que o refrigerante. Inferioridade: Você ficou menos bronzeado que seu irmão. Observação Comparativos irregulares: mais grande maior mais pequeno menor mais bom melhor mais mau pior Superlativo 1. Absoluto sintético: -íssimo / -ílimo / -érrimo Seu pai é inteligentíssimo. O exercício é facílimo. Você está macérrima. analítico: muito / extremamente / bastante Seu pai é muito inteligente. O exercício é extremamente fácil. Você está bastante magra. 252 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 252 5/7/15 10:13 AM
253 2. Relativo superioridade (o/a mais): Ele é o mais simpático da turma. inferioridade (o/a menos): Você é o menos jovem da sala. Alguns adjetivos superlativos absolutos sintéticos ágil agílimo agradável agradabilíssimo amargo amarguíssimo, amaríssimo amável amabilíssimo amigo amicíssimo, amiguíssimo antigo antiguíssimo, antiquíssimo áspero aspérrimo, asperíssimo bom boníssimo, ótimo célebre celebérrimo, celebríssimo confortável confortabilíssimo cruel crudelíssimo, cruelíssimo difícil dificílimo digno digníssimo doce dulcíssimo negro nigérrimo notável notabilíssimo pequeno pequeníssimo, mínimo pobre paupérrimo, pobríssimo popular popularíssimo provável probabilíssimo fácil facílimo feliz felicíssimo feroz ferocíssimo fiel fidelíssimo, fielíssimo frágil fragílimo, fragilíssimo frio frigidíssimo, friíssimo grande grandíssimo, máximo hábil habilíssimo horrível horribilíssimo inimigo inimicíssimo magro magríssimo, macérrimo, magérrimo mau malíssimo, péssimo miserável miserabilíssimo mísero misérrimo sábio sapientíssimo sagrado sacratíssimo sensível sensibilíssimo simples simplicíssimo terrível terribilíssimo veloz velocíssimo IV. pronome Pronome adjetivo: acompanha o nome. Meu carro. Aquela bicicleta. Alguns vasos. Pronome substantivo: substitui o nome. Isto é meu. Elas já chegaram. Tudo acabou bem. 253 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 253 5/7/15 10:13 AM
254 Classificação dos pronomes Há vários tipos de pronomes. pronomes pessoais Caso reto Caso oblíquo 1 a pes. sing.: eu 1 a pes. sing.: me, mim, comigo 2 a pes. sing.: tu 2 a pes. sing.: te, ti, contigo 3 a pes. sing.: ele/ela 3 a pes. sing.: se, si, consigo, o, a, lhe 1 a pes. plural: nós 1 a pes. plural: nos, conosco 2 a pes. plural: vós 2 a pes. plural: vos, convosco 3 a pes. plural: eles/elas 3 a pes. plural: se, si, consigo, os, as, lhes pronomes de tratamento emprego pronome Abreviatura reis e imperadores Vossa Majestade V.M. (plural: VV.MM.) príncipe Vossa Alteza V.A. (plural: VV.AA.) papa Vossa Santidade V.S. cardeais Vossa Eminência V.Em a (plural: VV.Em as ) altas autoridades: ministros, prefeitos, governadores... autoridades menores e pessoas de respeito Vossa Excelência V.Ex a (plural: V.Ex as ) Vossa Senhoria V.S a (plural: V.S as ) juiz Meritíssimo MM. ou M mo sacerdotes e religiosos em geral Reverendíssimo Rev mo (plural: Rev mos ) tratamento de respeito para as pessoas em geral senhor senhora/senhorita sr. (plural: srs.) sr a (plural: sr as )/ sr ta (plural: sr tas ) pessoas com quem temos mais proximidade/ familiaridade você v. pronomes possessivos 1 a pes. sing.: meu, minha, meus, minhas 1 a pes. plural: nosso, nossa, nossos, nossas 2 a pes. sing.: teu, tua, teus, tuas 2 a pes. plural: vosso, vossa, vossos, vossas 3 a pes. sing.: seu, sua, seus, suas 3 a pes. plural: seu, sua, seus, suas 254 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 254 5/7/15 10:13 AM
255 pronomes demonstrativos este, esta, estes, estas, isto esse, essa, esses, essas, isso aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo pronomes indefinidos algum, alguma, alguns, algumas, alguém nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas, ninguém todo, toda, todos, todas, tudo outro, outra, outros, outras, outrem muito, muita, muitos, muitas, nada pouco, pouca, poucos, poucas, algo certo, certa, certos, certas, cada pronomes interrogativos que, quem, qual, quais, quanto, quanta, quantos, quantas pronomes relativos o qual, a qual, os quais, as quais, que, quem cujo, cuja, cujos, cujas onde V. VeRBO Modelo de conjugação dos verbos regulares e do verbo irregular pôr 1 a conjugação: louv-ar 2 a conjugação: vend-er 3 a conjugação: part-ir 255 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 255 5/7/15 10:13 AM
256 I. Indicativo Presente Eu louv-o vend-o part-o p-onho Tu louv-as vend-es part-es p-ões Ele louv-a vend-e part-e p-õe Nós louv-amos vend-emos part-imos p-omos Vós louv-ais vend-eis part-is p-ondes Eles louv-am vend-em part-em p-õem Pretérito imperfeito Eu louv-ava vend-ia part-ia p-unha Tu louv-avas vend-ias part-ias p-unhas Ele louv-ava vend-ia part-ia p-unha Nós louv-ávamos vend-íamos part-íamos p-únhamos Vós louv-áveis vend-íeis part-íeis p-únheis Eles louv-avam vend-iam part-iam p-unham Pretérito perfeito Eu louv-ei vend-i part-i p-us Tu louv-aste vend-este part-iste p-useste Ele louv-ou vend-eu part-iu p-ôs Nós louv-amos vend-emos part-imos p-usemos Vós louv-astes vend-estes part-istes p-usestes Eles louv-aram vend-eram part-iram p-useram Pretérito mais-que-perfeito Eu louv-ara vend-era part-ira p-usera Tu louv-aras vend-eras part-iras p-useras Ele louv-ara vend-era part-ira p-usera Nós louv-áramos vend-êramos part-íramos p-uséramos Vós louv-áreis vend-êreis part-íreis p-uséreis Eles louv-aram vend-eram part-iram p-useram 256 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 256 5/7/15 10:13 AM
257 Futuro do presente Eu louv-arei vend-erei part-irei p-orei Tu louv-arás vend-erás part-irás p-orás Ele louv-ará vend-erá part-irá p-orá Nós louv-aremos vend-eremos part-iremos p-oremos Vós louv-areis vend-ereis part-ireis p-oreis Eles louv-arão vend-erão part-irão p-orão Futuro do pretérito Eu louv-aria vend-eria part-iria p-oria Tu louv-arias vend-erias part-irias p-orias Ele louv-aria vend-eria part-iria p-oria Nós louv-aríamos vend-eríamos part-iríamos p-oríamos Vós louv-aríeis vend-eríeis part-iríeis p-oríeis Eles louv-ariam vend-eriam part-iriam p-oriam II. Subjuntivo Que... Presente Eu louv-e vend-a part-a p-onha Tu louv-es vend-as part-as p-onhas Ele louv-e vend-a part-a p-onha Nós louv-emos vend-amos part-amos p-onhamos Vós louv-eis vend-ais part-ais p-onhais Eles louv-em vend-am part-am p-onham Se... Pretérito imperfeito Eu louv-asse vend-esse part-isse p-usesse Tu louv-asses vend-esses part-isses p-usesses Ele louv-asse vend-esse part-isse p-usesse Nós louv-ássemos vend-êssemos part-íssemos p-uséssemos Vós louv-ásseis vend-êsseis part-ísseis p-usésseis Eles louv-assem vend-essem part-issem p-usessem 257 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 257 5/7/15 10:13 AM
258 Quando... Futuro Eu louv-ar vend-er part-ir p-user Tu louv-ares vend-eres part-ires p-useres Ele louv-ar vend-er part-ir p-user Nós louv-armos vend-ermos part-irmos p-usermos Vós louv-ardes vend-erdes part-irdes p-userdes Eles louv-arem vend-erem part-irem p-userem III. Imperativo Afirmativo Louv-a tu Louv-e você Louv-emos nós Louv-ai vós Louv-em vocês Negativo Não louv-es tu Não louv-e você Não louv-emos nós Não louv-eis vós Não louv-em vocês Afirmativo Vend-e tu Vend-a você Vend-amos nós Vend-ei vós Vend-am vocês Negativo Não vend-as tu Não vend-a você Não vend-amos nós Não vend-ais vós Não vend-am vocês Afirmativo Part-e tu Part-a você Part-amos nós Part-e vós Part-am vocês Negativo Não part-as tu Não part-a você Não part-amos nós Não part-ais vós Não part-am vocês Afirmativo P-õe tu P-onha você P-onhamos nós P-onde vós P-onham vocês Negativo Não p-onhas tu Não p-onha você Não p-onhamos nós Não p-onhais vós Não p-onham vocês 258 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 258 5/7/15 10:13 AM
259 VI. NUMeRAL Arábicos Romanos Cardinais Ordinais 1 I um primeiro 2 II dois segundo 3 III três terceiro 4 IV quatro quarto 5 V cinco quinto 6 VI seis sexto 7 VII sete sétimo 8 VIII oito oitavo 9 IX nove nono 10 X dez décimo 11 XI onze décimo primeiro ou undécimo 12 XII doze décimo segundo ou duodécimo 13 XIII treze décimo terceiro 14 XIV catorze (ou quatorze) décimo quarto 15 XV quinze décimo quinto 16 XVI dezesseis décimo sexto 17 XVII dezessete décimo sétimo 18 XVIII dezoito décimo oitavo 19 XIX dezenove décimo nono 20 XX vinte vigésimo 30 XXX trinta trigésimo 40 XL quarenta quadragésimo 50 L cinquenta quinquagésimo 60 LX sessenta sexagésimo 70 LXX setenta septuagésimo 80 LXXX oitenta octogésimo 90 XC noventa nonagésimo 100 C cem centésimo 200 CC duzentos ducentésimo 300 CCC trezentos trecentésimo 400 CD quatrocentos quadringentésimo 500 D quinhentos quingentésimo 600 DC seiscentos seiscentésimo (ou sexcentésimo) 700 DCC setecentos septingentésimo 800 DCCC oitocentos octingentésimo 900 CM novecentos noningentésimo (ou nongentésimo) 1000 M mil milésimo 259 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 259 5/7/15 10:13 AM
260 VII. AdVÉRBIO principais advérbios e locuções adverbiais 1. de lugar: aqui, ali, lá, cá, além, dentro, fora, perto, longe, atrás, adiante, diante, acima, abaixo, onde, por fora, por trás etc. 2. de tempo: ontem, hoje, amanhã, logo, cedo, tarde, breve, nunca, jamais, sempre, agora, antes, depois, brevemente, presentemente, imediatamente, atualmente, à noite, às vezes, de repente, de vez em quando etc. 3. de modo: bem, mal, assim, melhor, pior, depressa, devagar, calmamente, duramente, bravamente, severamente, e quase todos os advérbios terminados em -mente, às pressas, à toa, às claras, às cegas, às escondidas etc. 4. de intensidade: muito, pouco, mais, menos, bastante, tão, demasiado, meio, completamente, ligeiramente, excessivamente, demais, quanto, demasiado, assaz etc. 5. de afirmação: sim, certamente, efetivamente, realmente, incontestavelmente, com certeza, sem dúvida etc. 6. de negação: não, tampouco, absolutamente, de modo algum etc. 7. de dúvida: talvez, provavelmente, porventura, acaso, decerto etc. 8. interrogativos: onde, aonde, quando, quanto, por que etc. Observações 1. Na linguagem familiar, costumamos empregar alguns advérbios na forma diminutiva com valor de superlativo: cedinho, pertinho, agorinha, devagarinho etc. 2. Com frequência empregamos o adjetivo com valor de advérbio: Você escreve difícil. Ele fala confuso. VIII. preposição principais preposições a de perante ante desde por após em sem até entre sob com para sobre contra per trás 260 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 260 5/7/15 10:13 AM
261 Contrações a + a = à de + ele = dele em + as = nas a + as = às de + elas = delas em + os = nos a + aquele = àquele de + eles = deles em + um = num a + aquela = àquela de + esta = desta em + uns = nuns a + aqueles = àqueles de + este = deste em + uma = numa a + aquelas = àquelas de + estas = destas em + umas = numas de + a = da de + estes = destes em + esta = nesta de + o = do de + aquele = daquele em + este = neste de + as = das de + aqueles = daqueles em + estas = nestas de + os = dos de + aquela = daquela em + estes = nestes de + um = dum de + aquelas = daquelas per + a = pela de + uns = duns de + aqui = daqui per + o = pelo de + uma = duma em + a = na per + as = pelas de + umas = dumas em + o = no per + os = pelos de + ela = dela Combinações a + o = ao a + os = aos a + onde = aonde Significado das preposições lugar: Vivo em São Paulo. tempo: Choveu por dias. matéria: Pegue o copo de plástico. posse: A blusa de Juliana é linda. companhia: Sairei com minha turma. meio: Não ando de táxi. origem: A excursão veio de Brasília. oposição: O Corinthians jogará contra o Palmeiras sábado. finalidade: A rua foi enfeitada para a Copa do Mundo. causa: Muitos morreram de frio na Europa. assunto: O professor falou sobre ética. instrumento: Abriu a carta com uma faca. 261 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 261 5/7/15 10:13 AM
262 IX. INTeRJeIÇÃO Classificação de algumas interjeições 1. advertência: Alerta!, Cuidado!, Atenção! 2. agradecimento: Obrigado!, Valeu! 3. alegria: Ah!, Oh!, Oba!, Viva! 4. alívio: Ufa!, Arre! 5. ânimo: Coragem!, Vamos!, Força! 6. apelo/chamamento: Alô!, Psiu!, Hei!, Ô!, Oi! 7. desejo: Oxalá!, Tomara!, Pudera! Queira Deus! 8. dor: Ai!, Ui!, Ah! 9. espanto/admiração: Puxa!, Caramba!, Xi!, Nossa!, Quê! 10. medo: Ui!, Credo!, Cruzes! 11. reprovação: Francamente!, Bah!, Ora!, Só faltava essa! 12. saudação: Salve!, Olá!, Adeus! X. ACeNTUAÇÃO GRÁFICA Acentuam-se 1. Monossílabos tônicos terminados em: a(s): já, vá, lá, pás, más e(s): dê, fé, lê, vês, és o(s): dó, nó, pó, nós, vós 2. Oxítonas terminadas em: a(s): está, Paraná, Ceará, guaranás, sofás e(s): até, José, dendê, cafés, vocês o(s): cipó, jiló, Maceió, compôs, após em(ns): alguém, porém, ninguém, vinténs, parabéns 3. Paroxítonas terminadas em: l: ágil, amável, cônsul, sensível, fácil n: próton, elétron, Nélson, Gérson, hífen r: hambúrguer, repórter, mártir, caráter, cadáver x: ônix, tórax, Félix, fênix, látex 262 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 262 5/7/15 10:13 AM
263 i(s): júri, lápis, táxi, tênis us: vírus, Vênus, bônus um(uns): álbum, médium ã(s)/ão(s): órfã, ímãs, órgão, órfãos ditongo crescente: várias, colégio, água, sério, mágoa ps: bíceps, tríceps, fórceps 4. Proparoxítonas todas. épocas, única, matemática, química, pêssegos, príncipes, esplêndido, técnico Outros casos de acentuação Verbos ter e ver Singular plural ele tem ele vem eles têm eles vêm Derivados dos verbos ter e vir Singular ele contém ele mantém ele obtém ele detém ele retém ele intervém ele sobrevém ele advém plural eles contêm eles mantêm eles obtêm eles detêm eles retêm eles intervêm eles sobrevêm eles advêm Hiato i(s): traída (tra-í-da), faísca (fa-ís-ca), raízes (ra-í-zes) u(s): miúdo (mi-ú-do), ciúme (ci-ú-me), viúva (vi-ú-va) Observações As vogais i/u apenas receberão acento se estiverem sozinhas na sílaba ou seguidas de s. Exceções 1. As vogais i/u não receberão acento quando seguidas de nh: rainha, moinho, bainha. 2. As vogais i/u não receberão acento quando vierem depois de ditongos: feiura, baiuca, bocaiuva, cauila. 263 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 263 5/7/15 10:13 AM
264 Acento diferencial pôr (verbo) # por (preposição) quê (substantivo, pronome em fim de frase) # que (conjunção, pronome) porquê (substantivo) # porque (conjunção) pode (verbo poder no presente) # pôde (verbo poder no pretérito perfeito) XI. pontuação ponto-final (.) Empregado para encerrar o período e nas abreviaturas. Você é um grande amigo. V.S a (Vossa Senhoria), p. (página), av. (avenida) ponto e vírgula (;) Separa orações de um período longo, em que já existam vírgulas. Os organizadores do evento, munidos da identificação, entrarão pelo portão A; os menores, acompa nhados dos pais, entrarão pelo portão B; o público, pelo C, e as autoridades por qualquer um deles. Separa os itens de enunciados, leis, decretos, considerandos, regulamentos. Por este regulamento, é dever da diretoria: a) zelar pelo bom nome da entidade; b) promover, principalmente por campanhas e festas, a ampliação do quadro de sócios; c) convocar periodicamente os encarregados de cada setor para reuniões. dois-pontos (:) Usado nas enumerações, nas exemplificações, antes da citação da fala ou da declaração de outra pessoa, antes das orações apositivas. Tinha tudo: amor, amigos, casa, dinheiro, emprego. Virou-se repentinamente e disse-lhe: Quer sair comigo? Desejo-lhe apenas isto: que seja feliz. Vírgula (,) Usada para separar elementos de uma enumeração. Vendeu tudo que tinha: casa, carro, joias, ações. 264 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 264 5/7/15 10:13 AM
265 Para separar vocativos e apostos. Pessoal, atenção! Paulo, o engenheiro, viajou. Para separar orações intercaladas. A felicidade, dizia um amigo meu, é uma conquista de cada um. Para separar adjuntos adverbiais no início ou no meio da frase. Carinhosamente, o filho abraçou os pais. Carlos, amanhã, fará uma prova difícil. Para indicar elipse do verbo, isto é, a supressão de um verbo subentendido. Adoro teatro; Alberto, cinema. Para separar expressões explicativas. Gastaram tudo o que tinham, ou melhor, quase tudo. Nas datas, separando o nome do lugar. São Paulo, 10 de fevereiro de ponto de interrogação (?) Indica pergunta direta. Se associado ao ponto de exclamação, indica uma pergunta admirada. Quando você viaja? Essa casa velha custa mais de cem mil reais?! ponto de exclamação (!) Indica surpresa, espanto, admiração, dó, ordem. Quanta gente! Oh! que pena que não irá conosco! Desça daí! Reticências (...) Indicam interrupção do pensamento, dúvida. Que dia você nasceu? Deixe-me ver... é dia cinco... não... sete de março. Eu... gostaria de... lhe... pedir... um... favor pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 265 5/7/15 10:13 AM
266 parênteses ( ) Para intercalar palavras e expressões de explicação ou comentário. Escreveu muitos artigos (mais de cem) para uma revista científica. Travessão ( ) Para indicar mudança de interlocutor nos diálogos, para isolar palavras ou frases e para destacar uma parte de um enunciado. Essas cestas básicas são para os assistidos na campanha explicou. Foi uma grande liquidação disse a sogra. Quem telefonou para mim, mãe? Até agora, ninguém. Observação O travessão pode, às vezes, substituir a vírgula ou os parênteses. Muitos livros da biblioteca inclusive uma enciclopédia não foram devolvidos. Aspas ( ) Destacam palavras ou expressões, palavras estrangeiras ou gírias, artigos de jornais ou revistas, títulos de poemas. Você já leu o poema Soneto da fidelidade, de Vinicius de Moraes? Assistiremos ao show dos Titãs. O filme foi o maior barato. Antes e depois de citação de frases de terceiros. O bom livro, já dizia o padre Vieira, é um mudo que fala, é um cego que guia. 266 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 266 5/7/15 10:13 AM
267 A la pucha!: interjeição que significa caramba!. Alheio: distraído, desligado. Alpercata: calçado (sandália). Arumã: erva de folhas ovaladas e flores amarelas. Suas fibras costumam ser usadas para fazer cestos e outros artefatos. Às deveras: realmente. Astrônomo: quem se especializa na ciência que observa e estuda o Universo e os corpos celestes. Aterrar: apavorar, aterrorizar. Bilro: peça de madeira ou de metal usada para fazer rendas. Biscateiro: que vive de trabalhos ocasionais. Bodega: taberna; venda de secos e molhados. Bodoque: objeto para atirar pedras, estilingue, baladeira. Boleadeira: objeto feito com tiras de couro e bolas, usado para laçar animais. Causo: forma popular de caso. Coco: tipo de dança de roda comum no Norte e no Nordeste do Brasil. Corcoveio: pulo. Decifração: entendimento ou interpretação de texto de sentido difícil; desvendamento, solução. Dragão da independência: soldado da cavalaria. Escasso: pouco, pequena quantidade. Espesso: grosso, consistente. Filosofança: pensar em coisas que não valem a pena. Findo: terminado. GLOSSÁRIO Professor, o Glossário a seguir esclarece alguns termos encontrados nos textos e atividades deste volume. Para facilitar a consulta, as palavras foram dispostas em ordem alfabética, não necessariamente seguindo a sequência em que aparecem nos capítulos e unidades deste livro. 267 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 267 5/7/15 10:13 AM
268 Gaio: alegre, esperto. Ganhar luz: adiantar-se. Grimpante: que sobe, que escala. Guasca: gaúcho. Indiada: grupo de gaúchos. Loadeou: palavra do inglês to load, que significa carregar, baixar. É usada para se referir ao ato de carregar, baixar um jogo no videogame. Mangue: terreno pantanoso, localizado no encontro do mar com rios ou lagos, onde os pescadores caçam caranguejos (ver town ). Matulão: pavio, mecha de candeeiro. Matungo: cavalo velho. Obó: mata, floresta. Obscuro: que está sem luz, sombrio. O que é difícil de compreender; o que é desconhecido. Petiço: cavalo pequeno. Piá: menino. Playstation: modelo/nome de videogame que se popularizou e até virou sinônimo de videogame. Repugnância: antipatia, rejeição. Requiescat in pace: expressão em latim que significa descanse em paz. Tipo de prece feita na hora da morte. Rilhar: ranger. Romance: história mais ou menos longa que conta fatos imaginários, ações e sentimentos de personagens. Start: palavra inglesa que significa início, começo. Suplício: sofrimento, tortura, aflição. Town: cidade, em inglês. 268 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 268 5/7/15 10:13 AM
269 INdICAÇõeS de LeITURAS COMpLeMeNTAReS UNIdAde 1 XXCapítulo 1 Em busca de mim. Isabel Vieira. São Paulo: FTD, Espelho de artista. Kátia Canton. São Paulo: Cosac & Naif, Meu avô japonês. Juliana de Faria. Ilustrações de Fabiana Shizue. São Paulo: Panda Books, (Coleção Imigrantes do Brasil). Meu avô africano. Carmem Lucia Campos. Ilustrações de Laurent Cardon. São Paulo: Panda Books, (Coleção Imigrantes do Brasil). Panda Books Panda Books Pesquisando a própria história, as personagens de Meu avó japonês e Meu avô africano descobrem suas origens e ficam conhecendo melhor os costumes de seus antepassados. Começam então a valorizar sua cultura, despertando o interesse de seus amigos e colegas de escola. A coleção tem mais volumes, dedicados a outros povos que formaram o Brasil. Meu pé de laranja lima. José Mauro de Vasconcelos. São Paulo: Melhoramentos, O menino no espelho. Fernando Sabino. Rio de Janeiro: Record, XXCapítulo 2 Classificados poéticos. Roseana Murray. São Paulo: Moderna, Nariz de vidro. Mário Quintana. São Paulo: Moderna, pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 269 5/7/15 10:13 AM
270 Pé de poesia. Vários autores. São Paulo: Global, Poesia fora da estante. Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby (Org.). Porto Alegre: Projeto, Projeto Essa coletânea de poemas dirigida aos jovens apresenta obras de vários poetas de língua portuguesa, como Ferreira Gullar, Haroldo de Campos, Mário Quintana, Paulo Leminski, Tatiana Belinki. Como explicam as organizadoras do livro, tudo pode ser motivo de poesia. Até uma porta. Mas é preciso que o poeta descubra em cada coisa um sentido novo. E a porta que nasce da poesia abre o mundo da imaginação para a gente. Poesia visual. Sérgio Capparelli e Ana Cláudia Gruszynski. São Paulo: Global, Viva a poesia viva. Ulisses Tavares. São Paulo: Saraiva, XXCapítulo 1 A bolsa amarela. Lygia Bojunga. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, UNIdAde 2 Casa Lygia Bojunga Os livros de Lygia Bojunga já foram publicados em muitos países e continuam encantando os jovens de diversas partes do mundo. Nesse livro, a menina Raquel esconde em sua bolsa amarela três grandes vontades, que ela não costuma contar a ninguém: crescer, ser um garoto e se tornar escritora. A menina que descobriu o Brasil. Ilka Brunhilde Laurito. São Paulo: FTD, História cruzada. Sônia Rodrigues Mota. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Memórias de um aprendiz de escritor. Moacir Scliar. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Porã. Antônio Hohlfeldt. Porto Alegre: WS Editor, Filme Mentes perigosas. Direção: John N. Smith. EUA, pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 270 5/7/15 10:13 AM
271 XXCapítulo 2 A porta do meu coração. Telma Guimarães. São Paulo: Saraiva, A viagem de Memoh. Mário Prata. São Paulo: Quinteto, As pilhas fracas do tempo. Leo Cunha. São Paulo: Atual, De repente dá certo. Ruth Rocha. São Paulo: Salamandra, Pai que é mãe. Fanny Abramovich. Rio de Janeiro: Salamandra, Pai sem terno e gravata. Cristina Agostinho. São Paulo: Moderna, Papai não é perfeito. Sonia Salerno Forjaz. São Paulo: FTD, Pela estrada afora. Leo Cunha. São Paulo: Atual, Quase cachorro e quase menino. Carlos Queiroz Telles. São Paulo: Moderna, Retratos. Roseana Murray. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Sem medo de amar. Stela Maris Rezende. São Paulo: Moderna, XXCapítulo 1 A lenda do violeiro invejoso. Fábio Sombra. São Paulo: Escarlate, O homem que não teimava. Ortêncio Bariani. São Paulo: Saraiva, Filmes UNIdAde 3 A marvada carne. Direção: André Klotzel. Brasil, A moça que dançou depois de morta. Direção: Ítalo Cajueiro. Brasil, Disponível em: < Acesso em: 29 jan Ítalo Cajueiro Cena do curta A moça que dançou depois de morta. Um autêntico causo contado em filme de curta-metragem, A moça que dançou depois de morta se passa em uma cidade do interior do Brasil. Durante um baile de Carnaval, um rapaz se apaixona por uma moça misteriosa. Seria ela deste mundo? Baseado em uma história de cordel de J. Borges, famoso artista popular, que produziu xilogravuras especialmente para o filme. 271 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 271 5/7/15 10:13 AM
272 XXCapítulo 2 Contos tradicionais do Brasil. Luís da Câmara Cascudo. São Paulo: Global, Fábulas nuas e cruas. Rachel Gazzola. São Paulo: Parábola, Histórias no escuro. Natalino Martins. São Paulo: Moderna, Literatura oral para a infância e a juventude. Henriqueta Lisboa. São Paulo: Peirópolis, Morandubetá. Heitor Luiz Murat. Belo Horizonte: Lê, XXCapítulo 1 UNIdAde 4 O alienista. Machado de Assis. Adaptação e ilustração de Lailson de Holanda Cavalcanti. São Paulo: Companhia Editora Nacional, (Coleção Quadrinhos Nacional). As melhores tiras do Menino Maluquinho. Ziraldo. Porto Alegre: L&PM, Memórias de um sargento de milícias. Manuel Antônio de Almeida. Adaptação e ilustração de Lailson de Holanda Cavalcanti. São Paulo: Companhia Editora Nacional, (Coleção Quadrinhos Nacional). Suriá, a garota do circo. Laerte. São Paulo: Devir, Toda Mafalda. Quino. São Paulo: Martins Fontes, Triste fim de Policarpo Quaresma. Lima Barreto. Adaptação e ilustração de Lailson de Holanda Cavalcanti. São Paulo: Companhia Editora Nacional, (Coleção Quadrinhos Nacional). Site Portal Turma da Mônica. Disponível em: <turmadamonica.uol. com.br>. Acesso em: 9 jan Companhia Editora Nacional Companhia Editora Nacional XXCapítulo 2 Coleção Crianças Famosas. Vários autores. São Paulo: Callis, Coleção Músicas para Ler. Vários autores. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Cds CD Canções do Brasil. Palavra Cantada, CD Infantil (infantil e teen). Coleção Milennium. Universal Music, Companhia Editora Nacional 272 pnld2017_miolo_tl_p3_finais.indd 272 5/7/15 10:13 AM
LISTA DE RECUPERAÇÃO DE LINGUAGENS 7º ANO CARLA
LISTA DE RECUPERAÇÃO DE LINGUAGENS 7º ANO CARLA TEXTO 1. De onde vem a narradora e protagonista do texto? (0,4) 2. Para a autora o que apagava as lembranças de sua infância? (0,4) 3. Retire do texto dois
Projeto Pedagógico Qual caminho deve seguir para obter uma infância feliz? Como fazer para compreender a vida em seu momento de choro e de riso?
Projeto de Leitura Título: Maricota ri e chora Autor: Mariza Lima Gonçalves Ilustrações: Andréia Resende Elaboração do Projeto: Beatriz Tavares de Souza Apresentação O livro apresenta narrativa em versos
Apresentação A história apresenta a amizade entre um menino e duas árvores: a do quintal de sua casa e a da sua imaginação.
Título: A árvore dos meus dois quintais Autor: Jonas Ribeiro Ilustrações: Veruschka Guerra Formato: 21 cm x 27,5 cm Número de páginas: 24 Elaboradora do Projeto: Beatriz Tavares de Souza Apresentação A
1. A língua portuguesa é viva. Palavras e expressões surgem, outras são esquecidas e algumas até somem.
NOME: TURMA: UNIDADE: NOTA: DATA DE ENTREGA: 15 / 06 / 2016 TEXTO I MEU AMIGO MAIS ANTIGO Meu pai e minha mãe acreditavam que presente bom para o filho era livro. Meus colegas de grupo escolar era assim
PLANO DE CURSO Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Série: 3º ano Ensino Fundamental
PLANO DE CURSO Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Série: 3º ano Ensino Fundamental UNIDADE I: GÊNEROS LITERÁRIOS Poesias Trabalhar conceitos, estruturas e produções do gênero. Biografia Entrevista Texto informativo
ANEXO I UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE UNIVILLE COLÉGIO DA UNIVILLE PLANEJAMENTO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
ANEXO I UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE UNIVILLE COLÉGIO DA UNIVILLE PLANEJAMENTO DE ENSINO E APRENDIZAGEM 1. Curso: Missão do Colégio: Promover o desenvolvimento do cidadão e, na sua ação educativa,
PENSAMENTOS LEITORES Pensamentos leitores JUNTOS PELA LEITURA. Pensamentos Leitores
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