Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO.

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1 Revista Gestão & Tecnologia e-issn: Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. Characteristics of APS systems: a case study in a large company in the sector of heavy equipment industry using SAP-APO system. Adrialdo Azanha Mestrando em Administração pela Universidade Metodista de Piracicaba; Possui graduação em Sistemas de Informação pela Universidade Estadual Paulista -Unes., São Paulo, Brasil João Batista de Camargo Junior Doutor em Administração pela Universidade Metodista de Piracicaba; Mestre titulado pelo Mestrado Profissional em Administração da Universidade Metodista de Piracicaba. Possui graduação em Sistemas de Informação pela Universidade Metodista de Piracicaba e atualmente é professor permanente do Programa de Mestrado Profissional em Administração da Universidade Metodista de Piracicaba UNIMEP,São Paulo, Brasil Editor Científico: José Edson Lara Organização Comitê Científico Double Blind Review pelo SEER/OJS Recebido em Aprovado em Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição Não Comercial 3.0 Brasil Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

2 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. RESUMO As constantes variações econômicas dificultam o planejamento da produção e exigem flexibilidade das empresas para balancear demanda e produção. Visto que os sistemas tradicionais não consideram restrições de capacidade no planejamento da produção, muitas empresas têm adotado os Sistemas de Planejamento Avançado (APS), que levam em conta diversas restrições para resolver problemas complexos de planejamento, programação e controle da produção. Assim, este trabalho objetiva analisar como um dos principais sistemas APS, o SAP APO, é utilizado em uma grande empresa e verificar se é usado conforme proposto pela literatura. A justificativa da pesquisa reside na escassez de estudos que identifiquem as formas de utilização do APS em empresas nacionais. Adotou-se abordagem qualitativa exploratória, através de estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial. Verificou-se que a empresa utiliza apenas alguns módulos do sistema, e estes estão sendo subutilizados. Mesmo assim, notou-se melhoria no processo de planejamento da demanda. Palavras-chave: APS; Advanced Planning System; Sistema de Planejamento Avançado; Capacidade Finita; Planejamento e Programação da Produção. ABSTRACT The constant economic changes make production planning complex and require flexibility of the companies to balance demand and production. Since the traditional systems do not consider capacity constraints in production planning, many companies have implemented Advanced Planning Systems (APS), which takes into account several constraints to solve complex problems of planning, scheduling and production control. So, this work aims to analyze how one of the leading APS systems, SAP APO, is used in a large company and verify if it is being used as proposed in the literature. The justification of this research lies in the lack of studies that identify ways of using APS in Brazil s companies. So, a qualitative, exploratory approach was used to carry out this research and a case study applied to a large company in the heavy equipment industry. Results showed that the company uses only some modules of the system, which are underutilized. Even so, it was noticed improvement in the demand planning process. Keywords: APS; Advanced Planning System; Finite Capacity; Production Planning and Scheduling. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

3 Adrialdo Azanha e João Batista de Camargo Júnior 1 INTRODUÇÃO O setor de equipamentos pesados caracteriza-se por períodos de oscilações de oferta e demanda, influenciado principalmente pelas constantes variações do cenário econômico nacional e mundial. Essa conjuntura dificulta o planejamento da produção e exige flexibilidade das empresas e respostas rápidas para balancear demanda e produção, assim como melhor gerenciar o efeito dessas mudanças na cadeia de suprimentos (CS) durante períodos de alternância entre baixa e alta demanda. Metaxiotis, Psarras e Ergazakis (2003) ressaltam que a efetiva programação de operações tornou-se uma necessidade para as empresas se manterem competitivas. Porém, os sistemas MRPII, que realizam planejamento da produção e necessidade de materiais, trabalham com capacidade infinita, ou seja, não consideram restrições de capacidade, dificultando ainda mais uma programação acurada. Nesse contexto, muitas empresas têm buscado sistemas de informação e ferramentas avançadas para resolver problemas complexos de planejamento, programação e controle da produção, que possam suportar a tomada de decisão e considerem diversas variáveis e restrições para realizar programação com capacidade finita, como é o caso dos Sistemas de Planejamento Avançado (APS Advanced Planning and Scheduling) (Stadtler & Kilger, 2005; Jonsson, Kjellsdotter, & Rudberg, 2007). Desse modo, o presente estudo tem o objetivo de analisar como um dos principais sistemas APS do mercado, o SAP APO (Advanced Planning and Optimization), é utilizado em uma grande empresa, na intenção de entender se está sendo usado conforme proposto pela literatura. Para isso, como estratégia de pesquisa, adotou-se o estudo de caso em uma grande organização multinacional do setor industrial. A motivação do artigo está relacionada ao fato de que os sistemas APS ainda são poucos explorados na literatura da área, assim como a importância para as empresas em ter uma ferramenta de capacidade finita (APS) para a programação detalhada da produção (Stadtler et al., 2005; Jonsson et al., 2007). Diversos autores demonstraram que sistemas APS têm sido aplicados na resolução de muitos problemas (Entrup, 2005; Gunther & Beek, 2003; Jonsson et al., 2007; Wiers, 1997). Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

4 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. Metaxiotis et al. (2003), por outro lado, questionam a necessidade de uma ferramenta para suportar a programação da produção. Essa importância do APS para as empresas, declarada por diversos autores, porém contestada por outros, comprova a relevância do estudo com o objetivo de melhor entender como as empresas utilizam esses sistemas e os benefícios obtidos por meio dele. O artigo está organizado em 5 seções, a começar por esta seção introdutória. A seção 2 apresenta os fundamentos teóricos, abordando os temas Gestão da Cadeia de Suprimentos (SCM), Integração de Processo, sistemas APS e SAP APO. A seção 3 discute a metodologia utilizada na pesquisa. O estudo de caso e a análise são descritos na seção 4. Por fim, a seção 5 contém as considerações finais, limitações e recomendações para futuros estudos. Essa é seguida por uma lista de referências usadas no estudo. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Esta seção apresenta as teorias que fundamentam o presente trabalho. Exploramos os conceitos de SCM voltados à integração de processos, definições e características de Integração de Processos Sistemas APS, descrevendo seus conceitos, módulos e benefícios e, especificamente, características do SAP-APO. 2.1 Gestão da Cadeia de Suprimentos Características, fluxos e processos Cooper, Lambert e Pagh (1997) criaram um modelo de gerenciamento de cadeia de suprimentos que abrange a combinação de três elementos interligados: os processos da cadeia (que produzem um resultado específico de valor ao cliente), os componentes do gerenciamento da cadeia (variáveis gerenciais pelas quais os processos são integrados e gerenciados pela cadeia), e a estrutura da cadeia de suprimentos (rede de participantes e respectivas conexões entre eles). A Figura 1 detalha esses elementos e suas respectivas conexões. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

5 Adrialdo Azanha e João Batista de Camargo Júnior Figura 1- Elementos e decisões chaves no gerenciamento da cadeia de suprimentos. Fonte: Cooper et al. (1997) O foco deste trabalho está no elemento Processos Empresariais da Cadeia de Suprimentos. Nesse sentido, e com a intenção de aprofundar o conhecimento sobre esse item, analisa-se o modelo proposto por Cooper et al. (1997), que contempla oito processos-chave que devem ser implementados nas empresas e entre as empresas em uma cadeia de suprimentos, conforme ilustrado na Figura 2. Figura 2 - Sub-processos do gerenciamento da cadeia de suprimentos. Fonte: Cooper et al. (1997). Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

6 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. Cada um dos oito processos percorre as empresas da cadeia de suprimentos e as funções corporativas em cada uma, e estão descritos a seguir: Gerenciamento do Relacionamento com o Cliente (Customer Relationship Management - CRM): define como os relacionamentos com consumidores devem ser desenvolvidos e mantidos, incluindo o estabelecimento de acordos de produtos/serviços entre empresas e consumidores; Gerenciamento de Serviços aos Consumidores: define o contato da empresa com o consumidor, incluindo gerenciamento de acordos de produtos/serviços e fornece uma fonte única de informação sobre clientes; Gerenciamento da Demanda: fornece a estrutura para equilibrar as necessidades dos clientes com as capacidades da cadeia de suprimentos; Execução do Pedido: inclui todas as atividades para definir as necessidades dos consumidores e para elaborar a rede logística e cumprir os pedidos dos clientes; Gerenciamento do Fluxo Produtivo: inclui todas as atividades necessárias para mover os produtos entre as fábricas e para obter, implementar e gerenciar a flexibilidade da produção na cadeia de suprimentos. Compras/Gerenciamento de Relacionamento com Fornecedores: define como são desenvolvidos e mantidos os relacionamentos com os fornecedores, incluindo o estabelecimento dos acordos de produtos/serviços entre a empresa e seus fornecedores; Desenvolvimento e Comercialização de Produtos: fornece a estrutura para desenvolver e trazer ao mercado novos produtos, em conjunto com os consumidores e fornecedores; e Retorno/Gerenciamento de Devoluções: inclui todas as atividades relacionadas às devoluções, logística reversa, comunicação pós-vendas e cancelamento de pedidos. Na mesma linha de raciocínio, Trkman, Stemberger, Jaklic e Groznik (2007) afirmam que para lidar com os desafios, as empresas devem aceitar alguns princípios da administração baseada em processos, especialmente aqueles destinados a administrar de forma bem sucedida suas cadeias de suprimentos. O paradigma do processo implica em uma maneira de olhar a empresa, não mais Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

7 Adrialdo Azanha e João Batista de Camargo Júnior dividida em unidades funcionais, divisões e departamentos, mas sim em processos. Em seu trabalho, os autores citam que processo é um conjunto de um ou mais procedimentos ou atividades interligados, que realizam um objetivo, transformando uma série de recursos (entradas) em uma série de resultados (saídas), como bens e/ou serviços através de uma combinação de pessoas, métodos, e ferramentas. Para Chopra e Meindl (2003), a cadeia de suprimentos é uma sequência de processos e fluxos que acontecem dentro e entre diferentes estágios, que se combinam para atender às necessidades dos clientes por um produto. Há duas maneiras de visualizar os processos realizados na cadeia de suprimentos. Uma é a Visão Empurrar/Puxar, em que os processos são divididos em duas categorias: acionados em resposta aos pedidos dos clientes (puxado) ou em antecipação aos pedidos (empurrados). A segunda, é a Visão Cíclica, na qual os processos são divididos em uma série de ciclos, cada um realizado na ligação entre dois estágios sucessivos de uma cadeia de suprimentos (elos), como ilustra a Figura 3. Figura 3 - Ciclos de processos da cadeia de suprimentos. Fonte: Adaptado de Chopra et al. (2003). Segundo Kim (2006), como a cadeia de suprimentos é composta por vários processos interligados, seu sucesso depende da excelência da cadeia de processos. Para isso, o autor coloca a necessidade de se conhecer a Roda da Cadeia de Processos, ilustrada na Figura 4. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

8 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. Figura 4 - Roda da cadeia de processos. Fonte: Kim (2006). A roda descreve a ordem de um contínuo planejamento estratégico e processo de execução, desde o entendimento até a execução: (1) Entender o ambiente, a concorrência e as necessidades do cliente; (2) Estabelecer a visão; (3) Construir um modelo de negócio baseado na proposição e valor e na cultura colaborativa; (4) Desenvolver estratégias competitivas e prioridades, dado um objetivo comum para toda a cadeia de suprimentos; (5) Sincronizar processos-chave da cadeia de suprimentos baseados na lógica do negócio; (6) Investir em sistemas e tecnologias (como por exemplo, ferramentas e facilitadores para dar apoio aos processos); (7) Fazer com que as pessoas aceitem os processos de mudanças e capacitá-las; (8) Executar eficazmente e eficientemente de uma maneira voltada para o resultado. Benefícios da SCM Segundo Simatupang, Wright e Sridharan (2002), empresas trabalhando em conjunto podem se tornar mais efetivas e eficientes ao encorajar a integração na cadeia de suprimentos. Uma cadeia de suprimentos integrada resulta em compartilhamento de informações de uma maneira precisa e oportuna, o que gera a otimização do fluxo de materiais e ao longo da cadeia e elimina todos os processos que falham em otimizar o valor do produto. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

9 Adrialdo Azanha e João Batista de Camargo Júnior Croom, Romano e Giannakis (2000) relatam outros benefícios que podem surgir com o gerenciamento da SC. Entre eles estão níveis menores de estoque (implicando em riscos e custos mais baixos), aumento na produtividade e melhoria nos procedimentos gerenciais da empresa (aquisições, manufatura, distribuição etc.). Para eles, o gerenciamento da cadeia é também uma maneira de implementar processos padronizados, com modelos de linguagens comuns, e arquiteturas que compartilhem informações para alcançar o máximo desempenho da cadeia. Segundo Zailani e Rajagopal (2005), muitas empresas buscam adotar o conceito de gerenciamento da cadeia de suprimentos, pois esperam com isso reduzir custos por meio do corte de estoques e da melhoria da eficiência ao longo da cadeia, no menor custo total entregue aos clientes finais. Já para Fawcett, Magnan e McCarter (2008), as vantagens do gerenciamento da cadeia de suprimentos são: produtos e serviços únicos aos clientes, ciclos mais rápidos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), melhor qualidade dos produtos, competitividade em custo, ciclos menores de pedidos, flexibilidade às necessidades dos clientes, melhora no desempenho de entrega, melhor gerenciamento do ativo, melhoria na velocidade do ciclo financeiro e nas relações entre as empresas da cadeia. 2.2 Integração de Processos Davenport (1994) define processo como uma sequência de procedimentos estruturados e mensuráveis que visa produzir um produto ou serviço para um dado cliente ou mercado. Assim, segundo Croxton, García-Dastugue, Lambert e Rogers (2001), a implementação da gestão da CS requer que se faça a transição da estrutura funcional para a estrutura focada nos processos do negócio, inicialmente dentro de cada organização e, em seguida, entre cada membro da cadeia. Para Davenport (1994), as atividades empresariais devem ser vistas não em termos de funções ou departamentos, mas sim em termos de processos-chave. A tradicional noção de departamentos tornou-se sinônimo de falta de integração entre as atividades e causa de mau desempenho. Mesmo considerando que a estrutura departamentalizada facilita a administração do trabalho, o fato é que a atuação de equipes multifuncionais e autônomas, com visão de processos, tem sido cada vez Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

10 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. mais uma fórmula utilizada para a obtenção de substanciais melhorias de desempenho. Bowersox e Closs (1997) corroboram esse conceito, declarando que a integração dos processos internos assegura que as operações relacionadas às áreas de vendas, marketing, manufatura, compras, contabilidade, distribuição, entre outras, estejam perfeitamente integradas. O alinhamento da cadeira de suprimentos é a extensão lógica da integração dos processos internos. Ainda nessa linha, Bowersox, Closs e Stank (2000) afirmam que há algumas décadas os administradores de cadeias de suprimentos perceberam o surgimento de um novo valor para o mercado chamado de relevância. A relevância, para o consumidor final, significa comodidade na realização de negócios e no estilo de vida. Para as empresas, significa a criação de produtos e serviços que tragam soluções específicas para cada cliente. O foco na relevância requer a integração total dos processos de negócio e a excelência operacional das empresas. De acordo com Forget, D Amours, Frayret e Gaudreault (2009), os sistemas de produção das empresas geralmente fazem planejamento centralizado, podendo oferecer uma completa visão das atividades de produção. No entanto, na cadeia de suprimento, quando há uma grande quantidade de empresas envolvidas para entregar os produtos aos clientes finais, integrar os processos de todas essas organizações de forma rápida se torna muito difícil. Conforme apontam Stefanovic, Stefanovic e Radenlovic (2009), para que as empresas possam competir, há a necessidade de que elas tenham êxito nas suas integrações e nas estratégias de colaboração das suas cadeias de suprimentos. As cadeias de suprimentos oferecem às empresas um novo caminho para colaborativamente planejar, organizar, gerenciar, medir e entregar novos produtos ou serviços. Desse modo, a racionalização dos processos entre as empresas é a nova fronteira da redução de custos, melhoria de qualidade e aumento de velocidade nas operações. Isso pode ser obtido porque o trabalho em conjunto habilita aos atores capturar benefícios mútuos para todos os membros da cadeia, possibilitando que eles adaptem a oferta à demanda (Simatupang & Sridharan, 2005). Para Christopher (1997), não apenas o desempenho interno de cada empresa componente da cadeia deve ser gerenciado, como também as interfaces, tais como Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

11 Adrialdo Azanha e João Batista de Camargo Júnior a transmissão dos pedidos e a coordenação dos planos de produção. Shapiro (2001) e Scavarda (2003) ressaltam a importância da utilização das ferramentas da Tecnologia da Informação (TI) como facilitadoras da integração das atividades na cadeia de suprimentos. Para Shapiro (2001), as empresas não usufruem do potencial das ferramentas da informática por não terem adaptado seus processos de negócio à utilização dessas ferramentas. O autor acrescenta, ainda, que a condição necessária para a solução desse problema é o redesenho dos processos de negócio internos à organização e a integração desses com os processos dos demais componentes da cadeia. 2.3 Sistemas APS APS pode ser definido como qualquer programa computacional que utiliza lógica ou algoritmos matemáticos avançados para realizar otimização ou simulação de programação com capacidade finita, suprimento, planejamento de capital, planejamento de recursos, previsão, gestão da demanda, e outros. Estas técnicas consideram simultaneamente uma série de restrições e regras de negócios para fornecer planejamento e programação em tempo real, suporte à decisão, disponibilidade de atendimento, e capacidade de entrega. O APS, muitas vezes, gera e avalia vários cenários. A gestão, por sua vez, seleciona um cenário para usar como o plano oficial (Blackstone & Cox, 2005) De acordo com Stadtler et al. (2005), os sistemas APS (Advanced Planning and Scheduling) caracterizam-se como sistemas de apoio à tomada de decisão nos níveis de planejamento estratégico, tático e operacional (programação de chão de fábrica), envolvendo problemas complexos que requerem soluções avançadas. Dessa forma, esses sistemas procuram considerar todas as restrições existentes com o objetivo de maximizar os objetivos, utilizando regras de sequenciamento heurísticas e métodos de otimização. Segundo Turbide (2000), os sistemas APS podem ser vistos de várias formas, dependendo do horizonte de planejamento a ser tratado. Do ponto de vista estratégico, o sistema oferece ferramentas para suporte à decisão sobre a localização de unidades fabris ou armazéns, escolha de fornecedores e outros aspectos da estrutura de negócios. No planejamento tático, pode auxiliar nas decisões de planejamento de transporte, estratégias de inventário, utilização de Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

12 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. recursos e na programação de médio prazo da fábrica. E na visão operacional, suporta decisões do dia-a-dia, como avaria de máquinas e atrasos de transporte, entre outras. Para Appelqvist e Lethtonen (2005), um dos objetivos dos sistemas APS é a determinação exata do programa de produção, respeitando as principais restrições referentes à disponibilidade de materiais e máquinas. Dumond (2005) corrobora essa visão, afirmando que os sistemas APS consideram restrições de matéria-prima, ou seja, planejam a entrega de matéria-prima somente quando ocorre a necessidade e utilizam técnicas de programação de sequenciamento, como minimizar o custo de setup, entregar produtos antes da date de entrega, minimizar o estoque WIP (Work In Progress), minimizar o lead-time, entre outros. Stadtler (2005) declara que os APS são ferramentas de gerenciamento de manufatura que têm como finalidade dar subsídios ao planejador para decidir qual a tarefa a ser seguida dentre as muitas possíveis. É importante ressaltar que os sistemas APS não substituem os sistemas transacionais mas, ao contrário, utilizam as informações advindas dos sistemas transacionais como ERP para realizar seus cálculos (Dumond, 2005). Conforme Meyr, Wagner e Rhode (2005) advogam, embora desenvolvidos por diferentes companhias, os sistemas APS apresentam uma arquitetura semelhante, normalmente composta por módulos que cobrem alguma(s) tarefa(s) de planejamento e/ou programação e oferecem suporte a diversas operações, como compras, produção, distribuição e vendas. A Figura 5 detalha esses módulos cobrindo a matriz de planejamento de uma determinada CS. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

13 Adrialdo Azanha e João Batista de Camargo Júnior Figura 5 - Módulos do sistema APS cobrindo a matriz de planejamento da CS. Fonte: Adaptado de Meyr et al. (2005). Naturalmente nem todos os softwares disponíveis no mercado incluem a totalidade dos módulos apresentados na Figura 5. Porém, a matriz pode servir de guia para avaliar quais tarefas de planejamento estão contempladas em um software específico. Stadtler et al. (2005) analisam alguns softwares e indicam os módulos oferecidos em cada um. A Tabela 1 exibe uma breve descrição de cada componente, baseada na visão de Meyr et al. (2005) e Stadtler (2005). Tabela 1- Características dos módulos de um software APS. Módulo Gestão da Demanda Planejamento Estratégico Planejamento Agregado Programação Mestre da Produção Programação Detalhada Características Determina o planejamento da demanda em três passos: primeiro, calcula os orçamentos com base nos dados históricos, depois adicionando dados do ciclo de vida do produto, por exemplo, e por último, adiciona dados de conhecimento de diversas áreas. Determina a estrutura da Cadeia de Suprimentos no horizonte de planejamento, incluindo localizações de fábricas e centros de distribuição (horizonte de planejamento de 3 a 5 anos). Este módulo do nível tático tem como objetivo equilibrar a demanda com a capacidade, tendo como resultado o Programa Mestre de Produção MPS. Quando existir dois módulos de software separados para Planejamento da Produção e Programação, o primeiro é responsável pelo dimensionamento de lotes, enquanto o segundo é usado para programação de máquinas e controle de chão de fábrica. Com bastante frequência, no entanto, um único módulo de software deve suportar Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

14 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. todas as três tarefas. Planejamento de Materiais e Compras Planejamento da Distribuição Programação das Entregas As tarefas de planejamento, explosão do BOM e pedido de materiais, são frequentemente deixadas para os sistemas ERP, que pretendem fornecer essas funcionalidades e são necessários como sistemas de transação, e também podem se encarregar de materiais não-gargalos. Entretanto, um planejamento de compras avançado de materiais e componentes, com fornecedores alternativos, descontos de quantidade, restrições de materiais, não é suportado pelos sistemas ERP, sendo função deste módulo do APS. O planejamento de transporte de curto-prazo é coberto por este módulo do software. Pode haver também, um módulo de Planejamento de Distribuição responsável pela distribuição dos produtos aos clientes ou armazéns, incluindo o dimensionamento da frota. Gerenciamento de Pedidos e Estoques Fonte: Adaptado de Meyr et al. (2005) e Stadtler (2005). O cálculo da data de entrega prometida (viável desde o ponto de vista do estoque disponível ou da produção necessária sem ultrapassar a capacidade) e outras atividades que envolvem a gestão dos pedidos estão consideradas neste módulo. Um fator importante para o sucesso do processo de planejamento de demanda é a colaboração, pois quanto mais informação é agregada ao processo, maior é o grau de comprometimento da empresa com o planejamento realizado (Smith, Mabe, & Beech, 1998). De acordo com Dumond (2005), tendo uma programação detalhada, o gerente de produção pode determinar o efeito de mudanças de última hora, gerenciar eventos não planejados ou chegadas de novos pedidos e executar análises de alternativas de programação. Além disso, estes sistemas produzem, em teoria, programas viáveis, pois consideram, a princípio, as restrições de capacidade. Certamente os programas poderão não ser cumpridos exatamente, especialmente devido a incertezas, mas servem para orientar a execução. O grau de aderência do executado ao programa demonstra excelência da manufatura. 2.4 SAP APO De acordo com Gaddam (2009), o SAP Advanced Planning and Optimizing (SAP APO), um sistema APS da empresa alemã SAP, fornece uma solução robusta e escalável em tempo real de apoio à decisão colaborativa, planejamento avançado, simulação e otimização. Ele oferece 5 módulos, ilustrados na Figura 6, que contemplam a rede de abastecimento, produção, distribuição e planejamento e otimização de transporte. Para Pradhan (2013), a empresa pode escolher implementar todos ou apenas alguns desses módulos, conforme a exigência de seu Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

15 Adrialdo Azanha e João Batista de Camargo Júnior negócio. Dickersbach (2009) destaca que, em geral, apenas uma parte é implementada, ou por satisfazer as necessidades do negócio ou por ser o primeiro passo de uma implementação. A Figura 6 explicita os módulos oferecidos pelo sistema SAP APO. Figura 6 - Módulos oferecidos pelo sistema SAP APO. Fonte: Adaptado de Dickersbach (2009) e Pradham (2013). Na visão de Pradhan (2013), o módulo APO-DP (Demand Planning ou Planejamento da Demanda) provê ferramentas avançadas de planejamento e previsão da demanda, permitindo prognosticar tendências e variações. Já o módulo APO-SNP (Supply Network Planning, ou Planejamento da Rede de Fornecimento) abrange o planejamento de fornecimento no nível tático, realizando a integração com as áreas de compras, fabricação, distribuição e transporte, além de criar planos viáveis para essas áreas em um ambiente de rede de abastecimento global. Com o módulo APO-PP/DS (Production Planning and Detailed Scheduling, ou Planejamento da Produção e Programação Detalhada) é possível realizar o planejamento de materiais e recursos críticos simultaneamente. Além disso, ele Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

16 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. fornece recursos para resolver problemas de otimização de planos de curto prazo de sequenciamento e programação da produção. O módulo APO-ATP (Available-To-Promise, ou Disponível para Entrega) possui funcionalidades que melhoram o suporte à decisão através da criação de diferentes cenários de atendimento do pedido. Esse módulo é facilmente integrado com o PP/DS e SAP ERP, provendo datas de ATP em tempo real. Ele determina, também, se um pedido pode ser prometido para uma data específica solicitada pelo cliente. Além disso, liga diretamente os recursos disponíveis (incluindo material e capacidade) aos pedidos dos clientes, melhorando o desempenho da cadeia de suprimentos. Por fim, no módulo APO-TP/VS (Transportation Planning and Vehicle Scheduling, ou Planejamento de Transporte e Programação de Veículo), os planejadores de transporte podem planejar de forma otimizada a capacidade de meios de transporte (como, por exemplo, caminhões) e programar as rotas para reduzir os custos de transporte. Além disso, o módulo oferece outras funcionalidades como consolidação de frete, determinação da rota, seleção da transportadora, multicoleta e multientregas. A Gartner, importante empresa de consultoria que realiza pesquisas sobre o mercado de TI, divulgou em maio de 2014 uma lista dos cinco principais fornecedores mundiais de software de SCM, o qual inclui os sistemas APS. A pesquisa considerou a receita total dos fornecedores em 2013 e revela que a empresa SAP (sistema SAP APO) conta com a maior receita e é líder de mercado para esse tipo de solução, como pode ser comprovado na Tabela 2. Tabela 2 - Principais fornecedores mundiais de solução para a SCM/APS. Fornecedor Receita ($ bi) Participação no SAP 2.138,00 Mercado (%) 23,9 Oracle 1.455,00 16,3 JDA Software 455,30 5,0 Manhattan Associates 167,50 1,9 Epicor 159,40 1,8 Outros 4.568,60 51,1 Total 8.943,80 100,0 Fonte: Gartner (2014). Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

17 Adrialdo Azanha e João Batista de Camargo Júnior 3 METODOLOGIA DE PESQUISA A presente pesquisa é de natureza qualitativa e a estratégia de investigação adotada foi o estudo de caso único em uma grande empresa do setor industrial. Para Yin (2010,1984), estudo de caso é uma forma de se fazer pesquisa empírica que investiga fenômenos contemporâneos dentro do contexto de vida real, em situações em que as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não estão claramente estabelecidas. Portanto, o estudo de caso é uma abordagem metodológica de investigação apropriada e será utilizado como delineamento da pesquisa de campo deste trabalho. O escopo do estudo consiste em verificar se uma grande empresa utiliza o APS de forma convergente à literatura da área. Assim, a pesquisa procura responder à seguinte questão: como o sistema APS SAP APO é utilizado em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados? Esta pesquisa caracteriza-se por ter um caráter exploratório, já que tem por objetivo explicitar e proporcionar maior entendimento de um determinado problema. Nesse tipo de pesquisa, o pesquisador procura um maior conhecimento sobre o tema em estudo (Gil, 2006). Para uma melhor compreensão do caso estudado, optou-se por utilizar entrevistas semiestruturadas como método de coleta de dados. Dentre os diversos instrumentos de pesquisa utilizados, a entrevista é um dos mais importantes. Isso porque, além de estar direcionada aos objetivos específicos do pesquisador, produz o aprofundamento e a riqueza das informações que se espera da metodologia (Yin, 2010,1984). Nas entrevistas semiestruturadas, embora exista um conjunto de questões previamente definidas, o entrevistador não fica restrito a elas, dando ao entrevistado liberdade para discorrer sobre o tema proposto e conduzir a conversa (Marconi & Lakatos, 2008,1985). O desenvolvimento da pesquisa ocorreu em duas etapas. Na primeira, conduziu-se entrevistas com dois Programadores de Pedidos, os quais são os principais usuários do sistema APS na empresa brasileira, com o gestor da área de Planejamento da Demanda e com dois Analistas de Sistemas responsáveis pelo suporte local de sistemas relacionados ao processo de planejamento e programação de pedidos. As entrevistas aconteceram pessoalmente na própria empresa. Também Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

18 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. foram realizadas entrevistas por telefone e correio eletrônico com o responsável de TI pelo suporte corporativo do sistema SAP APO para todas as unidades da organização que o utilizam. Desse modo, o total de entrevistados na empresa estudada foi de 5 profissionais. Além disso, foram coletadas informações a partir de documentação disponibilizada pela empresa. Na segunda etapa, efetuou-se a análise das entrevistas e dos documentos coletados e o confronto dos principais achados com a literatura da área. Neste trabalho, por razões estratégicas e de sigilo, a organização e os participantes que serviram ao estudo de caso não serão identificados. Porém, ressalta-se que nenhuma informação relevante ao estudo foi omitida. O critério de seleção da empresa utilizado neste trabalho considerou o fato de ser uma empresa multinacional, com alto faturamento, investimentos alinhados à estratégia organizacional e conveniência devido à facilidade dos autores em ter acesso aos dados. 4 ESTUDO DE CASO Esta seção apresenta a empresa e descreve o estudo de caso, promovendo uma discussão dos resultados e uma análise da maneira como o APS é utilizado pela empresa. 4.1 Caracterização da Empresa A pesquisa foi realizada em uma multinacional norte-americana do setor industrial, líder no fornecimento mundial no setor de equipamentos pesados, cujas vendas e receitas correspondem a aproximadamente US$ 60 bilhões. A unidade brasileira da empresa, doravante denominada empresa Alpha, está sediada no interior do estado de São Paulo e conta com 5 mil funcionários. Possui, ainda, revendedores que atendem o mercado brasileiro e o internacional. A maior parte de sua produção, cerca de 80%, é exportada para 120 diferentes países. 4.2 Sistema APS e o Planejamento da Demanda e Produção A empresa Alpha trabalha, sobretudo, com pedidos firmes, concretizados pelos Revendedores através da venda a um cliente, e pedidos para estoque, baseados na previsão de demanda. Dessa forma, lida com um horizonte dos 5 primeiros meses Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

19 Adrialdo Azanha e João Batista de Camargo Júnior para atender as demandas firmadas e do 6º ao 24º, uma previsão de vendas para abastecer seus estoques. O processo de planejamento e previsão de demanda da organização leva em consideração em suas análises dois tipos de previsão. O primeiro é a Previsão Sem Restrições, que se refere à real demanda do mercado, sem levar em conta as restrições da cadeia de suprimentos, ou seja, o que poderia ser vendido. Já o segundo tipo é a Previsão Com Restrições, que reflete o plano final da área de S&OP (Sales and Operations Planning) e que considera as restrições da cadeia como capacidade e fornecedores, isto é, uma previsão do que seria vendido com base no que pode ser fornecido pela cadeia. Para criar a previsão de demanda, a organização conta com a colaboração dos membros da cadeia de valor, que são os Revendedores, as Marketing Companies (MC) e as Unidades de Negócio (UN), os quais devem trabalhar em sintonia, provendo e compartilhando informações para se obter um bom resultado final. O processo utilizado pela empresa Alpha é ilustrado na Figura 7. Figura 7- Processo de planejamento da demanda da empresa Alpha. Fonte: Adaptado da empresa Alpha. Os Revendedores avaliam todas as oportunidades possíveis de vendas na região em que atuam, bem como o horizonte de entrega para satisfazer essas oportunidades considerando seu inventário. Essa previsão sem restrições é passada para as Marketing Companies da organização. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

20 Características de sistemas APS: um estudo de caso em uma grande empresa do setor industrial de equipamentos pesados utilizando sistema SAP-APO. Por sua vez, cada Marketing Company (no total são 8 MC espalhadas pelo mundo e localizadas em regiões estratégicas para atender os mercados) examina a previsão recebida de seus Revendedores e aplicam relevantes dados estatísticos de previsão para criar a sua previsão de demanda sem restrições, que será enviada para cada Unidade de Negócio responsável pela produção e manufatura dos produtos. As Unidades de Negócio planejam sua capacidade baseadas na previsão de demanda sem restrições, recebida das MC, porém considerando nesse momento as restrições da cadeia de suprimentos como questões relacionadas à capacidade, pedidos disponíveis, períodos firmes e fornecedores internos e externos. O resultado final é a previsão com restrições, a qual é acordada entre UN e MC, e estabelecido um número final na forma de Plano Mestre de Produção (MPS- Master Production Schedule). Assim, a integração e comunicação entre as Unidades de Negócio e Marketing Companies, durante o processo de previsão, é facilitada por meio do sistema APS da empresa alemã SAP, o SAP APO. A Figura 8 apresenta os módulos que integram o software da SAP e aqueles que são realmente utilizados pela organização, que são o APO-DP (Demand Planning), responsável pelo planejamento da demanda, o qual é utilizado somente pelas MC, e o APO-SNP (Supply Network Planning), que ajuda a balancear de forma factível o plano de reposição ao plano de demanda. Esse último módulo é utilizado tanto pelas UN como pelas MC. O sistema SAP APO possui integração com os sistemas dos Revendedores, tornando a comunicação com eles automatizada. Os módulos utilizados pela empresa Alpha podem ser observados na Figura 8. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 15, n. 1, p , jan./abr

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