FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS DAVID GRADVOHL DE MACÊDO ANÁLISE DOS ANTECEDENTES À RESISTÊNCIA A SISTEMAS EMPRESARIAIS: UMA ABORDAGEM EXPLANO-EXPLORATÓRIA

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1 FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS DAVID GRADVOHL DE MACÊDO ANÁLISE DOS ANTECEDENTES À RESISTÊNCIA A SISTEMAS EMPRESARIAIS: UMA ABORDAGEM EXPLANO-EXPLORATÓRIA Rio de Janeiro 2011

2 ii DAVID GRADVOHL DE MACÊDO ANÁLISE DOS ANTECEDENTES À RESISTÊNCIA A SISTEMAS EMPRESARIAIS: UMA ABORDAGEM EXPLANO-EXPLORATÓRIA Dissertação apresentada à Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas para obtenção do grau de Mestre em Gestão Empresarial. Orientador Acadêmico: Prof. Dr. Luiz Antonio Joia. Rio de Janeiro 2011

3 iii Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Mario Henrique Simonsen/FGV Macêdo, David Gradvohl Análise dos antecedentes à resistência a sistemas empresariais: uma abordagem explano-exploratória / David Gradvohl Macêdo f. Dissertação (mestrado) - Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, Centro de Formação Acadêmica e Pesquisa. Orientador: Luiz Antonio Joia. Inclui bibliografia. 1. Desenvolvimento organizacional. 2. Comportamento organizacional. 3. Sistemas de informação gerencial. 4. Tecnologia da informação. I. Joia, Luiz Antonio. II. Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas. Centro de Formação Acadêmica e Pesquisa. III. Título. CDD

4 iv DAVID GRADVOHL DE MACÊDO ANÁLISE DOS ANTECEDENTES À RESISTÊNCIA A SISTEMAS EMPRESARIAIS: UMA ABORDAGEM EXPLANO-EXPLORATÓRIA Dissertação apresentada à Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas para obtenção do grau de Mestre em Gestão Empresarial. APROVADA: 20 de abril de BANCA EXAMINADORA: Prof. Dr. Luiz Antonio Joia EBAPE/FGV Prof. Dr. Rafael Guilherme Burstein Goldszmidt EBAPE/FGV Prof. Dr. Flavio Carvalho de Vasconcelos EBAPE/FGV Prof. Dr. Cesar Alexandre de Souza USP

5 v Dedicatória Para Hélio (in memorian) e Regina Macêdo

6 vi Agradecimentos Acredito que a consecução do alcance de objetivos nas diversas dimensões de nossas vidas ocorre principalmente por meio de esforços particulares, no entanto iniciativas isoladas são insuficientes caso não nos valhamos do auxílio de pessoas valorosas e importantes. Sem a pretensão de enumerar tais pessoas por ordem hierárquica de importância aproveito a oportunidade formal de oferecer meus agradecimentos: Ao professor orientador Dr. Luiz Antonio Joia pelos rumos indicados e orientações sempre realizadas com a polidez e presteza inerentes à sua personalidade, refletindo seu amor pela profissão, fatos que me proporcionaram bastante honra e satisfação em conhecer tão brilhante pessoa. Aos professores da EBAPE/FGV, em especial ao professor Rafael Goldszmidt pelos ensinamentos e suporte concernentes à análise multivariada de dados, ferramenta de fundamental importância para a execução do presente trabalho de pesquisa. Ao Mestre Luciano Gaete que colaborou com a formação da base de dados utilizada na realização da pesquisa. À Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras) nas figuras de Daniel Lima de Oliveira, Luzimar Queirolo Thorstensen, Sonia Maria dos Santos Silva, Marta Miryam Bento Leal e Wagner Germano da Cunha, pelo apoio e patrocínio necessários para a realização dessa iniciativa. Às famílias dos tios Helder Bomfim de Macêdo, Socorro Bruno de Macêdo e Branca Gradvohl Stul que me auxiliaram a superar o período mais delicado de minha vida, causando em minha pessoa um sentimento de gratidão eterna.

7 vii Aos meus pais, fontes de inspiração para meus anseios acadêmicos e essenciais para minha formação no sentido lato do termo, pelo amor e afeto a mim dispensados. Nesse contexto, ressalto a importância de minha mãe, que a partir da ida precoce e repentina de meu pai, assumiu as funções desempenhadas por ambos, me apoiando durante os momentos mais lancinantes. Aos amigos, que conheci nos mais variados locais onde estive, pelo compartilhamento do aprendizado. Sem o apoio de todas as pessoas supracitadas, a conquista dessa realização pessoal e profissional seria simplesmente impossível.

8 viii Espere o melhor, prepare-se para o pior e receba o que vier. Provérbio Chinês

9 ix RESUMO O objetivo desse estudo explano-exploratório é determinar os antecedentes à resistência a sistemas empresariais. Com esse intuito, por meio de levantamento bibliográfico: (a) conceituou-se o comportamento de resistência, (b) identificaram-se os fatores que influenciam o comportamento de resistência, (c) definiu-se o objeto do comportamento de resistência, (d) elaborou-se um meta-modelo contendo os fatores que influenciam o comportamento de resistência e (e) desenvolveu-se o questionário estruturado como instrumento de coleta de dados. Durante o período de aplicação do instrumento de coleta de dados foram obtidos 169 questionários válidos, preenchidos por gestores de tecnologia da informação. A partir dos dados obtidos, a pesquisa valeu-se das técnicas de análise fatorial exploratória, análise fatorial confirmatória e modelagem de equações estruturais para confirmar o modelo proposto por teorias do campo de gerenciamento de sistemas de informação. No entanto, verificou-se que o meta-modelo de resistência a sistemas empresariais, apresentando: (a) as características idiossincráticas das pessoas ou grupos, (b) as características dos sistemas a serem implantados e (c) a interação das características pessoais e do sistema com o contexto organizacional, subdividida em interação sócio-técnica e interação poder e política, não se confirmou na realidade estudada. Dessa forma, após modificações no meta-modelo inicial, identificou-se um modelo onde os fatores Sistemas e Inclinação Pessoal explicaram aproximadamente 49% da variância do fenômeno de comportamento de resistência a sistemas empresariais. Palavras-chave: Resistência a Sistemas de Informação; Sistemas Integrados de Gestão; ERP; Tecnologia da Informação, Modelagem de Equações Estruturais.

10 x ABSTRACT The aim of this explanatory-exploratory study is to determine the predecessors to informational systems resistance. With this aim, by reviewing pertinent literature, (a) the behavior of resistance was conceptualized, (b) the factors that influence the behavior of resistance were identified, (c) the object of the behavior of resistance was set-up, (d) a metamodel containing the factors that influence the resistance behavior was built-up, and (e) a structured questionnaire was developed as a data collection instrument. During the application of the data collection instrument it was obtained 169 valid questionnaires filled by IT managers. From the data obtained, the research drew on exploratory factor analysis, confirmatory factor analysis and structural equation modeling techniques to confirm the model built on theories regarding the Management Information System (MIS) field. However, it was found that the meta-model showing: (a) the idiosyncratic characteristics of individuals or groups, (b) the characteristics of the systems to be deployed and (c) the interaction between personal characteristics and system attributes with the organizational context, subdivided in socio-technical interaction and power and politics interaction, was not confirmed in the study. Thus, after changes in the initial meta-model, it was identified a model whose Systems and Personal Inclination factors explain about 49% of the variance related to resistance to enterprise systems. Keyword: Information Systems Resistance; Integrated Management Software; ERP; Information Technology, Structural Equation Modeling.

11 xi SUMÁRIO FIGURAS, QUADROS E TABELAS... xiii 1. INTRODUÇÃO Contextualização Relevância do Problema Justificativa da Escolha do Tema PROBLEMÁTICA Pergunta de Pesquisa Objetivo Final Objetivos Intermediários Delimitação da Pesquisa Resultados Esperados REFERENCIAL TEÓRICO Definindo Resistência Fatores Antecedentes à Resistência a Sistemas de Informação Sistemas ERP MODELO PROPOSTO E HIPÓTESES DE PESQUISA PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Objetivos Procedimentos Estatísticos Análise Fatorial Exploratória Universo e Amostra Coleta de Dados Tratamento dos Dados Premissas Básicas Adotadas Limitações do Método RESULTADOS Análise Fatorial Exploratória do Fator Dependente Análise Fatorial Exploratória dos Fatores Independentes Identificação dos Fatores Fator 1 Sistemas Fator 2 Poder e Política Fatores 3 e 4 Pessoas Análise Fatorial Confirmatória Modelo Estrutural Novo Modelo e Reformulação das Hipóteses de Pesquisa OBSERVAÇÕES FINAIS Discussão Implicações Gerenciais e Acadêmicas... 89

12 xii 7.3. Limitações da Pesquisa Recomendação para Trabalhos Futuros REFERÊNCIAS ANEXO I AFC DO MODELO DE MENSURAÇÃO (AMOS OUTPUT) ANEXO II AFC APÓS RETIRADA DA DIMENSÃO PODER E POLÍTICA (AMOS OUTPUT) ANEXO III MODELO ESTRUTURAL APÓS AFC (AMOS OUTPUT) ANEXO IV MODELO ESTRUTURAL APÓS RETIRADA DA DIMENSÃO INTERESSE PESSOAL (AMOS OUTPUT)

13 xiii FIGURAS, QUADROS E TABELAS Figura 1 Meta-Modelo Teórico Figura 2 Etapas da SEM Figura 3 Estágios para a Realização da Análise Fatorial Exploratória Figura 4 Modelo de Mensuração (4 Fatores) Figura 5 Modelo Estrutural (3 Fatores) Figura 6 Modelo Estrutural (2 Fatores) Quadro 1 Fatores de Markus (1983) e Antecedentes de Hirschheim e Newman (1988) Quadro 2 Fatores do Modelo e seus Respectivos Indicadores Quadro 3 Classificação do Alfa de Cronbach Quadro 4 Parâmetros dos Índices de Ajuste do Modelo Quadro 5 Informações Demográficas Quadro 6 Características do Respondente e da Empresa Quadro 7 Definições da Escala Likert Quadro 8 Indicadores para o Fator Pessoas Quadro 9 Indicadores para o Fator Sistemas Quadro 10 Indicadores para o Fator Sócio-Técnico Quadro 11 Indicadores para o Fator Poder e Política Quadro 12 Indicadores de Percepção Geral da Resistência à Implantação do ERP Quadro 13 Fator Sistemas após AFE Quadro 14 Fator Poder e Política após AFE Quadro 15 Fator Interesse Pessoal após AFE Quadro 16 Fator Inclinação Pessoal após AFE Quadro 17 Medidas de Ajuste (Modelo de Mensuração 03 fatores) Quadro 18 Medidas de Adequação (Modelo Estrutural 02 fatores) Tabela 1 Medida de Adequação da Amostra e Teste de Esfericidade de Bartlett (Fator Dependente) Tabela 2 Diagonal Principal da Matriz Anti-Imagem (Fator Dependente) Tabela 3 Comunalidades e Cargas Fatoriais (Fator Dependente) Tabela 4 Variância Explicada (Fator Dependente) Tabela 5 Medida de Adequação da Amostra e Teste de Esfericidade de Bartlett (Fatores Independentes 21 Indicadores)... 61

14 xiv Tabela 6 Diagonal Principal da Matriz Anti-Imagem (Fatores Independentes 21 Indicadores) Tabela 7 Medida de Adequação da Amostra e Teste de Esfericidade de Bartlett (Fatores Independentes 20 Indicadores) Tabela 8 Diagonal Principal da Matriz Anti-Imagem (Fatores Independentes 20 Indicadores) Tabela 9 Comunalidades (Fatores Independentes 20 Indicadores) Tabela 10 Medida de Adequação da Amostra e Teste de Esfericidade de Bartlett (Fatores Independentes 18 Indicadores) Tabela 11 Comunalidades (Fatores Independentes 18 Indicadores) Tabela 12 Matriz de Fatores Rotacionados (Fatores Independentes 18 Indicadores) Tabela 13 Medida de Adequação da Amostra e Teste de Esfericidade de Bartlett (Fatores Independentes 17 Indicadores) Tabela 14 Comunalidades (Fatores Independentes 17 Indicadores) Tabela 15 Medida de Adequação da Amostra e Teste de Esfericidade de Bartlett (Fatores Independentes 15 Indicadores) Tabela 16 Comunalidades (Fatores Independentes 15 Indicadores) Tabela 17 Medida de Adequação da Amostra e Teste de Esfericidade de Bartlett (Fatores Independentes 14 Indicadores) Tabela 18 Comunalidades (Fatores Independentes 14 Indicadores) Tabela 19 Matriz de Fatores Rotacionados (Fatores Independentes 14 Indicadores) Tabela 20 Alfa de Cronbach (Fatores Independentes 14 Indicadores) Tabela 21 Variância Explicada (Fatores Independentes 14 Indicadores) Tabela 22 Significância e Peso de Regressão (Modelo de Mensuração 04 Fatores) Tabela 23 Variância Extraída (Modelo de Mensuração 04 Fatores) Tabela 24 Significância e Peso de Regressão (Modelo de Mensuração 03 Fatores) Tabela 25 Comparação entre Variância Extraída e Quadrado da Correlação entre Fatores (Modelo de Mensuração 03 Fatores) Tabela 26 Significância e Peso de Regressão (Modelo Estrutural 03 Fatores) Tabela 27 Significância e Peso de Regressão (Modelo Estrutural 02 Fatores) Tabela 28 Correlações Múltiplas (Modelo Estrutural 02 Fatores)... 84

15 1 1. INTRODUÇÃO Atualmente, com o avanço da tecnologia nos diversos segmentos, a competição no mundo empresarial encontra-se cada vez mais globalizada. Empresas multinacionais podem possuir capacidades geradas internamente por atuarem em diversos países, diferenciando-se substancialmente de empresas locais. Devido a tal fato, houve um aumento da rivalidade competitiva entre as empresas (WIERSEMA; BOWEN, 2008). Em meio a esse aumento de competição, a Tecnologia da Informação TI possui papel fundamental na obtenção de vantagens estratégicas, pois lida com um dos ativos mais preciosos das empresas, qual seja, a informação (ANTUNES; ALVES, 2008). A eficácia na capacidade de obtenção, interpretação e utilização de informações possibilita a obtenção de vantagem competitiva, dado que a informação é um dos impulsionadores das atividades empresariais (ANTUNES; ALVES, 2008). Nesse contexto, a TI apresenta-se como um dos principais elementos que permitem o aproveitamento de grandes oportunidades no ambiente empresarial. Conseqüentemente, investimentos em TI apresentam impacto respeitável no orçamento das organizações, pois estão associados a custos de licença de uso de software, custos de hardware, entre outros (ALBERTIN; ALBERTIN, 2008). Como outra evidência da importância da TI, percebe-se a modificação da composição do Capital Expenditure (CAPEX) 1 das organizações. Na última década, as empresas sediadas nos Estados Unidos tiveram como maior impacto em seus orçamentos, os investimentos em TI (RANGANATHAN; BROWN, 2006). 1 Usualmente, investimentos necessitam de despesas imediatas e estas despesas provêem benefícios na forma de entradas futuras no fluxo de caixa. No caso de tais entradas de fluxo de caixa não se apresentarem no exercício corrente da despesa realizada, entende-se tal despesa como Capital Expenditure (PETERSON; FABOZZI, 2002).

16 2 Mesmo após a crise financeira ocorrida em 2008, as empresas não reduziram os investimentos em sistemas empresariais (ERP). Estima-se que dois terços de empresas norte americanas e européias continuaram a investir em projetos pilotos, implementações, expansões e upgrades deste tipo de aplicação (WAILGUM, 2009). Apesar das mudanças proporcionadas pela crise financeira, os sistemas empresariais (ERP) ainda representam a espinha dorsal das empresas, oferecendo suporte às atividades administrativas como: finanças, operações, gestão de ativos, cadeia de suprimentos e canais de distribuição (WAILGUM, 2009). Por sua vez, o mercado de sistemas ERP tem sido e continua a se mostrar um dos segmentos que mais crescem na indústria de tecnologia da informação. Nos últimos anos, o ambiente de globalização e competitividade nos negócios tem forçado as empresas a investir em recursos consideráveis na implantação de sistemas ERP (KARSAK; ÖZOGUL, 2009). Organizações escolhem e empregam sistemas ERP por razões estratégicas, buscando diversos benefícios tangíveis e intangíveis. Apesar dos altos custos e do tempo necessário para a instalação de sistemas ERP, seus benefícios geralmente são recompensadores (KARSAK; ÖZOGUL, 2009). No entanto, existem exemplos de organizações que não obtiveram sucesso em colher os benefícios potenciais que as motivaram a realizar grandes investimentos na implementação de sistemas ERP (KARSAK; ÖZOGUL, 2009), pois o insucesso do investimento em sistemas ERP pode ter sido causado pelo comportamento de resistência (KIM; KANKANHALLI 2009). Assim, como forma de mitigar o risco de ineficácia do projeto de implantação de um sistema integrado de gestão (ERP), é de fundamental importância que os gestores responsáveis pela

17 3 tecnologia da informação das empresas conheçam os fatores 2 que antecedem a resistência a esse tipo de sistema Contextualização O valor da TI para as organizações modernas se tornou importante e recorrente tópico para discussão e debate. Acadêmicos (e. g. BADESCU e GARCES-AYERBE, 2009; QUAN, QING e HART, 2003; MUKHOPADHYAY, LERCH e MANGAL, 1997; MUKHOPADHYAY e COOPER, 1992; WEILL, 1992; e ROACH, 1991) e praticantes têm buscado provas de que o uso da TI melhora a produtividade, aumenta a lucratividade e reduz os custos das empresas, possibilitando novos mecanismos de planejamento, organização e controle, suportando estratégias de negócios e proporcionando vantagem competitiva (BYRD et al., 2008). No sentido de melhorar o desempenho das organizações, um grande número de empresas continua a investir intensamente em TI. As razões desses investimentos variam, mas a principal crença é que a TI proporcionará uma vantagem competitiva em um ambiente empresarial extremamente dinâmico (KIM; KIM, 2009). Melville, Kraemer e Gurbaxan (2004), bem como Tippins e Sohi (2003), buscaram mostrar a importância da Tecnologia da Informação na performance das empresas. Segundo estes autores, a TI per si não confere vantagem competitiva às empresas ou impacta diretamente os resultados financeiros apresentados por elas. Na verdade, os recursos tecnológicos devem ser associados a outros recursos existentes dentro da empresa, para que então haja algum tipo de vantagem competitiva. 2 Fatores, também conhecidos como constructos, são as variáveis latentes ou não observáveis do modelo (ARANHA; ZAMBALDI, 2008).

18 4 Para Tippins e Sohi (2003), a TI gera impactos positivos nos resultados da empresa quando os gestores conseguem aliar as competências de TI conhecimentos, operações e objetos às características do aprendizado organizacional aquisição e disseminação da informação, interpretação compartilhada 3, memória informativa 4 e memória procedimental 5. Na visão de Melville, Kraemer e Gurbaxan (2004), além dos recursos de TI (recursos humanos e recursos tecnológicos), os demais recursos são essenciais para a melhoria dos processos e, conseqüentemente, para os resultados da empresa. No entanto, os autores acreditam que além dos recursos internos, os recursos externos, oriundos do ambiente competitivo 6 e do macro ambiente 7, também impactam os resultados apresentados. Tais pensamentos fundamentam-se na visão baseada em recursos, defendida por Barney em 1991 no seu trabalho Firm resources and sustained competitive advantage. Sob a ótica de Barney, compreende-se que a tecnologia da informação propriamente dita não representa uma vantagem competitiva sustentável, pois, dada a possibilidade de ser reproduzida pelos demais players existentes no mercado, tais recursos permitem a manutenção da vantagem competitiva por um período de tempo limitado (BYRD et al., 2008). À luz de diversos autores, Byrd et al. (2008) complementam a assertiva de Melville et al. (2004), mostrando que a gestão das empresas torna-se mais eficiente quando combina os recursos humanos envolvidos com TI com os recursos tecnológicos. 3 Refere-se à existência de consenso entre os membros da organização no que concerne ao significado da informação (TIPPINS; SOHI, 2003). 4 Refere-se ao conhecimento de fatos e eventos (e.g. conhecimento sobre os objetivos dos clientes, posições competitivas, e condições e estratégias de mercado) (TIPPINS; SOHI, 2003). 5 Refere-se ao conhecimento de procedimentos e rotinas da empresa (TIPPINS; SOHI, 2003). 6 O ambiente competitivo se dá pelas características da indústria e recursos e processos de negócios das partes integrantes de um determinado mercado (MELVILLE; KRAEMER; GURBAXAN 2004). 7 O macro ambiente é formado pelas características do país onde a empresa atua (MELVILLE; KRAEMER; GURBAXAN 2004).

19 5 Apesar de não se caracterizar como vantagem competitiva sustentável, na visão de alguns autores, a TI possibilita alcançá-la, pois os sistemas de informação auxiliam os gestores a administrar a empresa, otimizando a utilização de recursos disponíveis (Byrd et al., 2008; Melville, Kraemer e Gurbaxan, 2004; e Tippins e Sohi, 2003) Relevância do Problema A finalidade desta seção é mostrar a relevância deste estudo, apresentando as contribuições de ordem prática ou para o estado da arte na área. Com isso, pretende-se mostrar ao leitor, a importância do estudo para sua área de atuação, para a sociedade ou mesmo para a área em que o leitor busca sua formação acadêmica. (VERGARA, 2009). Pretende-se, portanto, apresentar a importância de trabalhos sobre resistência na área de gestão em tecnologia da informação, apontando possíveis contribuições de caráter prático. Investimentos em sistemas de informação são onerosos em termos financeiros e humanos podendo gerar impactos funcionais e disfuncionais que se estendem além da relação trabalhador-tecnologia (MARTINKO; HENRY; ZMUD, 1996). A implantação de sistemas ERP pode ser descomplicada quando organizações apresentam estruturas simples e operam em uma ou em poucas localidades. Mas quando as organizações possuem estruturas complexas e estão geograficamente dispersas, a implementação de sistemas ERP envolve dificuldades, escolhas e desafios técnicos e gerenciais (MARKUS; TANIS; VAN FENEMA, 2000). Os sistemas ERP prometem benefícios estratégicos e melhoria de processos, por meio da integração das áreas da empresa e otimização de suas atividades. Porém, notadamente apresentam desafios de implantação e conseqüências organizacionais problemáticas (MARKUS, 2004).

20 6 Segundo Padilha e Marins (2005), a implantação de sistemas de ERP apresenta custos elevados, tanto na aquisição de ativos tangíveis (e.g. hardwares e infra-estrutura), quanto na aquisição de serviços e ativos intangíveis (e.g. licença para o uso do sistema, treinamento dos empregados e consultoria especializada no sistema a ser implantado). O custo total de propriedade 8 encontra-se no intervalo entre 300 milhões e 400 mil dólares, possuindo custo total médio de 15 milhões de dólares (PADILHA; MARINS, 2005). Em grande parte, esses altos custos estão associados à complexidade apresentada pelo sistema escolhido e à necessidade dos profissionais responsáveis pela implantação conhecerem tanto o software selecionado, quanto o negócio para o qual a solução será desenvolvida (PADILHA; MARINS, 2005). Dentre os diversos custos apontados como de difícil mensuração por Padilha e Marins (2005), os mais relevante para o estudo realizado são os referentes a: treinamento, integração entre o sistema novo e o antigo, consultoria externa, e pessoal, pois de forma ampla, entende-se que ao compreender e, conseqüentemente, buscar mitigar os fatores que levam à resistência, podese reduzir os custos de implantação do novo sistema. Além do custo total de propriedade, os administradores necessitam considerar os custos indiretos da implantação de sistemas ERP. Em diversos casos, até o momento em que haja confiança suficiente para utilizar o novo sistema, faz-se necessária a utilização paralela do sistema antigo, gerando assim custos extras de manutenção (PADILHA; MARINS 2005). Na intenção de obter vantagens competitivas, diversas empresas (e.g. FoxMeyer Drugs, Mobile Europe, Dell Computadores, Dow Chemical) investiram recursos financeiros e tempo 8 Custos com aquisição de equipamentos, licença de utilização do sistema ERP, consultorias e demais custos de implantação (PADILHA; MARINS, 2005).

21 7 na implantação de sistemas de informação integrados, mas não obtiveram o resultado esperado (DAVENPORT, 1998). Segundo Kim e Kankanhalli (2009), uma pesquisa com 375 empresas ao redor do mundo indicou que a resistência a sistemas ERP ocupa o primeiro lugar no ranking dos desafios de implementação de sistemas de informação. Em resposta às mudanças, usuários podem resistir ao sistema de informação, gerando atrasos na finalização do projeto, estouro no valor orçado e subutilização do novo sistema (KIM; KANKANHALLI 2009). Dessa forma, ao conhecer os fatores que influenciam a resistência a sistemas de informação, os gestores poderão mitigar riscos de investimentos mal sucedidos em implantação de tais sistemas Justificativa da Escolha do Tema A escolha do tema pelo autor deve-se especificamente a quatro justificativas: (a) identificação de novos fatores que antecedam a resistência a sistemas de informação, (b) reforço da validade externa de estudos na área de resistência a sistemas de informação, (c) utilização de instrumento de coleta de dados objetivo, e (d) escassez de estudos quantitativos na área em questão. Enquanto perdas e ameaças têm sido percebidas como a causa da resistência dos usuários, o entendimento sobre os mecanismos psicológicos, bem como os de tomada de decisão, que permeiam a resistência a um determinado sistema de informação, ainda não foram bem compreendidos (KIM; KANKANHALLI, 2009). O estudo poderá complementar os trabalhos desenvolvidos por outros estudiosos da resistência a sistemas de informação e identificar novos fatores antecedentes à resistência a sistemas de informação.

22 8 Quanto a outros estudos da área (e.g. MARKUS, 1983; e LAPOINTE e RIVARD, 2005), pode-se perceber que os resultados obtidos só podem ser generalizados com cautela, pois necessitam de reforço na sua validade externa. Por meio da validade externa, pode-se determinar o domínio ao qual descobertas são passíveis de generalização (YIN, 1994). Para resolver essa limitação, sugere-se a replicação das teorias em diferentes casos ou a comparação com resultados apresentados por outros estudos congêneres. Ao verificar que a teoria se comprova em diferentes ambientes, denota-se uma maior capacidade de generalização das descobertas (YIN, 1994). Na visão de Kim e Kankanhalli (2009), grande parte dos estudos na área utiliza a metodologia de estudo de caso para desenvolver teorias, mostrando escassez de abordagens quantitativas que comprovem as teorias por validação empírica, justificando assim a utilização de procedimentos estatísticos multivariados neste trabalho. Outra possibilidade de proporcionar avanços na área refere-se aos dados coletados por meio do reporte dos entrevistados e não de forma mais objetiva. Dessa forma, o efeito halo 9 pode distorcer os resultados (DAVIS, 1989). Por esse motivo, utilizou-se um instrumento de coleta de dados objetivo. Diante dos hiatos metodológicos e teóricos apresentados, o trabalho realizado pode auxiliar no aumento do conhecimento na área em questão. 9 Define-se efeito halo como a influência das características pessoais de um indivíduo sobre a sua avaliação global, i.e. a afinidade do avaliador com o avaliado pode influenciar o resultado da avaliação (NISBETT; WILSON, 1977).

23 9 2. PROBLEMÁTICA Nesta seção, apresenta-se o problema de pesquisa norteador do trabalho realizado, bem como os objetivos final e específicos, i.e. onde se pretende chegar com o trabalho e fases necessárias para alcançar o objetivo final (VERGARA, 2009). Ao final, mostra-se a delimitação da pesquisa e os resultados esperados (VERGARA, 2009) Pergunta de Pesquisa A pesquisa acadêmica busca responder uma questão ou problema ainda não resolvido, podendo este problema, ou questão, encontrar-se associado a algum hiato metodológico ou epistemológico, à contestação de alguma teoria amplamente difundida ou à necessidade de testar alguns acontecimentos ligados ao cotidiano (VERGARA, 2009). Apesar da existência de diversos trabalhos versando sobre comportamento de resistência a sistemas de informação, denota-se a predominância de estudos de ordem qualitativa sobre tal tema (KIM; KANKANHALLI, 2009). Deseja-se, então, descobrir, por meio de estudo quantitativo: Quais os antecedentes à resistência a sistemas empresariais, sob a ótica dos gestores de TI? 2.2. Objetivo Final Entende-se o objetivo final como o resultado a se alcançar quando da conclusão do trabalho. Dessa forma o objetivo final retrata onde se pretende chegar com a realização do estudo (VERGARA, 2009). À luz da pergunta de pesquisa, tem-se por objetivo final da pesquisa realizada, determinar os antecedentes à resistência a sistemas empresariais sob a ótica dos gestores de TI.

24 10 No entanto, para alcançar o objetivo final da pesquisa, faz-se necessário atingir objetivos intermediários, i.e. as etapas que serão cumpridas para o alcance do objetivo final (VERGARA, 2009). Seguindo o formalismo acadêmico, tais objetivos são apresentados abaixo Objetivos Intermediários Com o intuito de alcançar o objetivo final, pretende-se: Conceituar o comportamento de resistência; Identificar, por meio de pesquisa bibliográfica, fatores que influenciam o comportamento de resistência; Definir o objeto do comportamento de resistência; Elaborar meta-modelo contendo os fatores que influenciam o comportamento de resistência, identificados anteriormente; Desenvolver, a partir do meta-modelo elaborado, questionário a ser utilizado como instrumento de coleta de dados; Aperfeiçoar o meta-modelo por meio de testes estatísticos.

25 Delimitação da Pesquisa Dadas as características históricas e a extrema complexidade do mundo real, um estudo não pode abordar todos os aspectos da realidade. Na delimitação do estudo faz-se necessário explicitar quais análises serão abordadas ou não pelo estudo realizado (VERGARA, 2009). A pesquisa pretende analisar o comportamento de resistência percebido pelos gestores de TI, atuantes no mercado brasileiro, que tenham participado, no mínimo, de um processo de implantação de sistemas ERP. No entanto, o estudo pretende identificar a influência de determinadas variáveis sobre o comportamento de resistência, em um dado momento, não considerando a variação da influência destas variáveis ao longo do tempo (abordagem longitudinal). Adicionalmente, dada a abrangência do assunto, existe a possibilidade de haver outras perspectivas não observadas pelo estudo realizado Resultados Esperados Ao final do estudo, pretende-se obter um meta-modelo válido para compreender os antecedentes ao comportamento de resistência a sistemas ERP, sob a ótica dos gestores de TI.

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