A Crise Internacional e os Desafios para o Brasil

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1 1 A Crise Internacional e os Desafios para o Brasil Guido Mantega Outubro de

2 2 Gravidade da Crise Crise mais forte desde 1929 Crise mais grave do que as ocorridas nos anos 1990 (crise de US$ bilhões em economias emergentes ) Epicentro nos países avançados (crise de US$ trilhões em economias avançadas ) Crise sistêmica (todos os mercados) e mundial (todos os países) 2

3 3 Crise atinge mais as Economias Avançadas adas Crescimento mais lento Menor potencial de expansão do mercado interno Fundamentos econômicos menos sólidos Instituições financeiras fragilizadas (alta alavancagem e ativos podres). 3

4 4 Crise atinge menos as Principais Economias Emergentes Crescimento mais rápido Grande potencial de expansão do mercado interno Fundamentos macroeconômicos mais sólidos, com altas reservas internacionais Instituições financeiras com menor alavancagem e menos ativos podres 4

5 5 Vantagens do Brasil Economia Dinâmica com vantagens comparativas Grande potencial de mercado interno Reservas elevadas (dólar) Compulsório (reais) Reservas petróleo e gás Exportações diversificadas e menor abertura(13%) Regulamentação Financeira 5

6 6 Primeira Fase (de agosto/07 a agosto/08) Agravamento da crise nos EUA e Europa, mas com pouco impacto na Economia Brasileira Maior preocupação do Governo brasileiro com o choque de commodities e com a inflação Retração do crédito internacional e elevação do custo financeiro para países emergentes Redução do saldo em conta corrente (petróleo e remessas de lucros e dividendos). 6

7 7 Segunda Fase (setembro e outubro de 2008) Agravamento com revelação dos prejuízos ocultos e desvalorização ativos Crise de solvência vira crise de confiança Problemas nos EUA: Fannie, Freddie... Problemas na Europa: Fortis, Dexia,... Travamento mundial do mercado de crédito Valorização do dólar e queda nos preços das commodities. 7

8 8 Solução e Perspectivas Estados utilizando diversos instrumentos para a resolução dos problemas: Programas de capitalização nos EUA e na Europa Nova fase em 2009: Crédito restrito, desalavancagem e juros mais altos Desaceleração do crescimento da economia mundial 8

9 9 Impactos Imediatos sobre Brasil Travamento do financiamento externo das exportações (ACC/ACE) Restrição da liquidez para firmas brasileiras Encarecimento do crédito doméstico Perdas patrimoniais no mercado acionário e de derivativos Redução das expectativas sobre PIB

10 10 Resposta do Governo Mercado Interbancário: Redução do compulsório bancário R$ 100 bilhões Possibilidade para a compra de carteiras de crédito de instituições de pequeno e médio porte por parte de instituições de grande porte Agilização e ampliação do escopo das operações de redesconto junto ao Banco Central (MP 442) 10

11 11 Resposta do Governo Mercado Cambial: Leilão de linha de crédito (venda de US$ com compromisso de recompra) Leilão de swaps simples (venda de US$ e compra DI) Leilão de US$ no mercado à vista Direcionamento de parte das reservas para o financiamento do comércio exterior (MP 442) 11

12 12 Agropecuária: Resposta do Governo Aumento do volume de recursos para o Plano de Safra 2008/09 da Agricultura Empresarial (R$ 65,0 bi) e da Agricultura Familiar (R$ 13,0 bi); Antecipação dos desembolsos do Banco do Brasil para safra (R$ 3 bi); Ampliação dos financiamentos rurais com recursos do FNE (R$ 1,0 bi) e do FNO (R$ 350 milhões); 12 Aumento do crédito direcionado para a agricultura, de 25% para 30% dos depósitos à vista (R$ 5,5 bi).

13 13 Resposta do Governo Financiamento de curto e longo prazo: Aumento do crédito em Bancos Públicos BB, CEF, BNDES, BNB, BASA Manutenção da TJLP em 6,25% a.a. Aumento no volume de recursos disponíveis para o Fundo da Marinha Mercante (R$ 10 bi) Liberação de mais recursos para o BNDES via empréstimo do Tesouro Nacional (R$ 15 bi) 13

14 14 Resposta do Governo Aumento da Poupança Fiscal Criação do Fundo Soberano Instrumento anti-cíclico Garante um crescimento mais estável 14

15 15 Resposta do Governo Novas medidas: Revitaliza do BNDES (fase 2) direcionado para capital de giro Agricultura: aumento do percentual dos depósitos de poupança rural direcionados para o crédito agrícola, de 65% para 70%(R$ 2,5 bi). Construção imobiliária: criação de uma linha de crédito de até R$ 3 bi para financiar capital de giro e consolidação de empresas de capital aberto no ramo de construção de residências. 15

16 BRASIL entre os mais sólidos Crescimento sustentável PIB 16 Taxas (%) 2º Trim º Trim º Trim º Trim º Trim Últimos 4 trimestres/ 4 trimestres imediatamente anteriores 4,8 5,1 5,4 5,8 6,0 Trimestre/mesmo trimestre do ano anterior 5,4 5,6 6,2 5,9 6,1 Trimestre/ trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) 1,3 1,9 1,8 0,8 1,6 Fonte: IBGE 16

17 17 MAIOR CICLO DE INVESTIMENTOS E MERCADO DE MASSA Variação em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (%) A taxa de crescimento dos investimentos é mais do que o dobro da taxa do consumo (5) Consumo Investimentos 16,2 6,7 (10) I.03 II.03 III.03 IV.03 I.04 II.04 III.04 IV.04 I.05 II.05 III.05 IV.05 I.06 II.06 III.06 IV.06 I.07 II.07 III.07 IV.07 I.08 II Fonte: IBGE Elaboração: MF/SPE

18 TRAJETÓRIA RIA DA INFLAÇÃO 18 Inflação acumulada nos últimos 12 meses - (IPCA) 9% 8% 7% 6% 5% 4% 3% 2% 1% 0% jan 04 abr 04 jul 04 out 04 jan 05 abr 05 jul 05 out 05 jan 06 abr 06 jul 06 out 06 jan 07 abr 07 jul 07 out 07 jan 08 abr 08 FOCUS - Expectativas de Mercado (17/10/2008) Set/08 6,3% jul 08 out 08 jan 09 abr 09 dez/09 4,9% jul 09 out Fonte: BCB Elaboração: MF/SPE.

19 PARTICIPAÇÃO DOS PAÍSES NAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS Em Desenvolvimento 38% Desenvolvidos 62% Em Desenvolvimento 50% Desenvolvidos 50% 19 Fonte: MDIC. Elaboração: MF/SPE

20 20 INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO (LÍQUIDO) X SALDO EM TRANSAÇÕES CORRENTES (US$ bilhões) E X P E C T A T IV A S D E M E R C A D O / ,0 4,2 11,7 9,9 8,3 12,5 13,6-9,4 1,7 27,5 35,0 30,0 Saldo em T rans aç õ es C o rrentes Inv es tim ento Es trangeiro D ireto - líquido -29,0-33, * 2009* 20 */ Focus Expectativas de Mercado (17/10/2008). Fonte: BCB Elaboração: MF/SPE

21 RESERVAS INTERNACIONAIS (US$ bilhões) Variação entre mar/06 e out/08: 142,6 bilhões Out/08 (*) 202, Liquidação da dívida junto ao FMI Mar/ , out 05 jan 06 abr 06 jul 06 out 06 jan 07 abr 07 jul 07 out 07 jan 08 abr 08 jul 08 out */Posição em 17/10/2008. Fonte: BCB. Elaboração: MF/SPE.

22 REDUÇÃO DA VULNERABILIDADE EXTERNA Dívida Externa Total / PIB Dívida Externa Total Líquida / PIB 45 41,8 38, ,7 30, , ,4 19, ,1 14,7 14, ,5 10 7, (0,9) (1,1) * 22 */ Estimativa para Agosto/08 Fonte: BCB. Elaboração: MF/SPE

23 23 5 RESULTADO PRIMÁRIO RIO E NOMINAL DO SETOR PÚBLICO (% do PIB) Jan Ago/08: 5,78% ,89 4,18 4,35 3,86 3,97 4, ,65-2,43-2,96-3,00-2,26-1,90 Jan-Ago/08: - 0,58% -5 PRIMÁRIO NOMINAL * */ 12 meses encerrados em Agosto/08. Fonte: BCB Elaboração: MF/SPE

24 Ministério da Fazenda DÍVIDA LÍQUIDA DO SETOR PÚBLICO (% do PIB) 52,4 50,5 48,4 45,5 47,0 46,5 44,5 44,7 42,7 38, , * */ Previsão para Setembro/08. Fonte: BCB Elaboração: MF/SPE

25 EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE BASILÉIA (índice médio dos 10 maiores bancos*) Os 10 maiores bancos detêm índices de Basiléia muito acima do recomendado tanto internacionalmente (8%), quanto pelo Banco Central do Brasil (11%) % 17% 18,13% 17,92% 17,28% 18,36% 17,04% 17,38% 17,13% 14% 14,91% 11% Índice no Brasil 8% jun 06 ago 06 out 06 dez 06 Índice Recomendado Internacionalmente fev 07 abr 07 jun 07 ago 07 out 07 dez 07 fev 08 abr 08 jun */ o índice foi ponderado pelo valor do ativo total das instituições. Fonte: BCB. Elaboração: MF/SPE

26 26 Rentabilidade dos Bancos Brasileiros Retorno sobre Ativos (em %) 3,50 3,00 2,50 2,00 1,50 1,00 0, ,00 BRASIL COLÔMBIA CHILE ARGENTINA EUA REINO UNIDO Nota: Média ponderada dos 10 maiores bancos privados presentes na revista The Bankers - Ranking dos 1000 maiores bancos 2008.

27 RENTABILIDADE EXPRESSIVA NO SETOR PRIVADO Pelo quinto ano consecutivo, a rentabilidade das 500 maiores sociedades anônimas brasileiras ficou acima dos 10%, algo que não ocorria desde o início dos anos de Conjuntura Econômica, Ago/2008 Rentabilidade sobre o PL mediana das 500 maiores (%) ,3 14,1 12,5 13,0 13, ,4 4,8 4,4 4,6 6,3 6,6 2,8 2 1, Fonte: Conjuntura Econômica (Ago/08). Elaboração: MF/SPE

28 Manutenção do Crescimento 28 O Brasil tem condições para manter o atual ciclo de crescimento apesar da crise internacional. Continuação do PAC e do aumento do investimento Manutenção da expansão do crédito Investimentos em infra-estrutura O Governo já trabalhava com uma redução moderada no crescimento em

29 7 Ministério da Fazenda Crescimento do PIB ,7 5,4 5,0 5,0 4 4,5 3 2,7 3,2 3,8 2 Previsão 1 1,1 Cenário do PAC Crescimento do PIB Fonte: IBGE (até 2007), MF/SPE (projeção ). Elaboração: MF/SPE

30 30 30

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