Os fatos atropelam os prognósticos. O difícil ano de Reunião CIC FIEMG Econ. Ieda Vasconcelos Fevereiro/2015

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1 Os fatos atropelam os prognósticos. O difícil ano de 2015 Reunião CIC FIEMG Econ. Ieda Vasconcelos Fevereiro/2015

2 O cenário econômico nacional em 2014 A inflação foi superior ao centro da meta pelo quinto ano consecutivo. O IPCA/IBGE acumulou alta de 6,41% em 2014 bem distante, portanto, do centro da meta que é de 4,5%. Os juros altos e em ascensão: A taxa Selic encerrou 2014 em 11,75% (no final de 2013 ela era 10%). Retração na indústria: De acordo com os dados divulgados pelo IBGE a produção industrial fechou o ano passado com queda de 3,2%. Foi o pior desempenho observado desde 2009, quando apresentou queda de 7,1%. Desordem nas contas públicas: O déficit nominal do setor público foi de 6,7% do PIB e odéficit primário foi de 0,63% do PIB. A dívida bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) encerrou 2014 em 63,4% do PIB, o que correspondeu a alta de 6,6 pontos percentuais em relação a

3 O cenário econômico nacional em 2014 Índices de confiança de empresários e consumidores em patamares baixos. Investimentos em queda: de acordo com o IBGE, a Formação Bruta de Capital Fixo no País registrou queda de 7,4% no acumulado dos três primeiros trimestres de 2014 em relação a igual período de Com isso, a taxa de investimentos no 3º trim/14 foi de 17,4% enquanto em igual período de 2013 foi 19%. A geração de emprego formal em 2014 foi 64% menor do que em De acordo com os dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o País gerou vagas com carteira assinada em 2014, enquanto em 2013 o número de vagas geradas totalizou 1,1 milhão. O resultado de 2014 foi o pior da série histórica (com ajustes) iniciada em A balança comercial fechou 2014 com déficit de US$3,959 bilhões, contra superávit de US$2,286 bi em Foi o primeiro déficit comercial desde Recuo no preço de commodities, a desaceleração da economia chinesa e a crise de alguns países vizinhos (Argentina e Venezuela) afetaram as exportações brasileiras. 3

4 Contas do setor público registram déficit em 2014 Fonte: Ministério da Fazenda. As contas de todo o setor público (governo federal, estados, municípios e empresas estatais) registraram déficit primário de R$32,53 bilhões, ou 0,63% do PIB, em Este foi o pior resultado desde 2001 (início da série histórica divulgada pelo Banco Central). O crescimento dos gastos em ano eleitoral e a queda da arrecadação, em função do fraco dinamismo da economia, ajudam a explicar esse resultado. No início de 2014 a meta para as contas de todo o setor público (governo, estados e municípios), era de superávit de R$99 bilhões, ou seja, 1,9% do PIB.

5 Contas do setor público registram déficit em 2014 Ambas crescem Fonte e arte: Folha de São Paulo 31 de janeiro de Dívida líquida: diferença entre o que o governo deve e seus ativos.

6

7 O DIFÍCIL COMEÇO DE 2015 (UMA SAFRA DE MÁS NOTÍCIAS)

8 Economia brasileira Fim da pujança econômica

9 As medidas de ajustes já anunciadas?? Fonte: Isto é Brasil 23/1/2015

10 Depois do aumento dos tributos, o aumento da taxa de juros

11 Inflação supera o teto meta IPCA-15 * -Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IBGE) Variação (%) mensal e acumulada em 12 Meses % 8,00 1,50 7,00 1,25 1,00 6,00 0,75 5,00 0,50 0,25 4,00 JAN/14 FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ JAN/15 FEV 12 meses 5,63 5,65 5,90 6,19 6,31 6,41 6,51 6,49 6,62 6,62 6,42 6,46 6,69 7,36 Mês 0,67 0,70 0,73 0,78 0,58 0,47 0,17 0,14 0,39 0,48 0,38 0,79 0,89 1,33 0,00 Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (*)IPCA-15: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (Período de coleta em geral: 15 do mês anterior a 15 do mês de referência). Em apenas dois meses de 2015 o IPCA-15/IBGE já alcançou 2,23%! Todas as estimativas sinalizam que a inflação irá superar a casa de 7% em Pressão dos preços administrados (aqueles controlados pelo Governo) como energia elétrica, transporte urbano.a estiagem que castiga o País também foi responsável pela alta dos preços porque proporcionou o aumento do custo dos alimentos.

12 A desvalorização do Real 3,00 2,90 2,80 2,70 2,60 2,50 2,3975 2,40 2,30 Consequências: Além do reflexo da inflação e dificuldade de recursos externos. Dólar comercial oficial - valor de venda 02/01/2014 a 27/02/2015 2, /12/2014 2, /02/ /02/2015 2,8728 2,20 2,10 2, /04/2014 Fonte: Banco Central do Brasil. As incertezas sobre o ajuste fiscal,a falta de credibilidade da política econômica, a economia estagnada, possibilidade de recessão, inflação alta e déficit em transações correntes. Brasil pode ter dificuldade de atrair o capital internacional em Resultado: pode levar o dólar a patamares superiores a R$3,00

13 Queda na arrecadação Fonte: Receita Federal do Brasil Redução do ritmo da atividade econômica gera redução da receita. Janeiro: quarto mês consecutivo de queda no recolhimento de tributos. Redução da receita no primeiro mês do ano não é reflexo do ajuste fiscal iniciado esse ano: erros anteriores. Economia iniciou o ano com arrecadação menor e tendo que cortar gastos e investimentos em função da situação fiscal.

14 Desemprego cresce Distorção entre a economia e o mercado de trabalho começa a ser corrigida A taxa de desemprego era o único indicador que ainda registrava resultados positivos. Entretanto, ele começou a sinalizar mudança de rota. Mercado de trabalho também esfria.

15 Distorção entre a economia e o mercado de trabalho começa a ser corrigida: redução da atividade econômica chega ao emprego. Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego.

16 Fonte: Confederação Nacional da Industria Em fevereiro o ICEI atingiu o menor patamar da série histórica iniciada em janeiro de 1999 e acumula queda de 12,2 pontos percentuais nos últimos 12 meses.

17 Falta de confiança atinge todos os segmentos da indústria Fonte: Confederação Nacional da Industria

18 Fonte: CNI Sondagem da Indústria nacional: CNI

19 O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou 4,9% entre janeiro e fevereiro de 2015, ao passar de 89,8 para 85,4 pontos. Após a segunda queda consecutiva, o ICC atinge novo recorde negativo na série iniciada em setembro de 2005, ficando 9,3 pontos abaixo do mínimo registrado na crise internacional de , de 94,7 pontos. A combinação de aceleração da inflação, manutenção da tendência de alta dos juros, piores perspectivas para o mercado de trabalho e aumento do risco de racionamento hídrico e energético proporcionou uma nova onda de pessimismo entre os consumidores brasileiros no início de 2015.

20 Resultado da safra de má notícias em 2015 Evolução das estimativas de crescimento do PIB PesquisaFocus -Bacen ,50 20/02/2015-0,42 13/02/ /02/ /01/2015 0,00 0,03 23/01/2015 0,13 16/01/ /01/2015 0,38 0,40 02/01/2015-0,60-0,40-0,20 0,00 0,20 0,40 0,60 0,50 Fonte:Pesquisa Focus Banco Central.

21 Resultado da safra de má notícias em 2015 Evolução das estimativas da inflação (IPCA/IBGE) em 2015 Pesquisa Focus - Banco Central 20/02/ /02/ /02/2015 7,27 7,15 7,33 30/01/ /01/ /01/2015 6,67 7,01 6,99 09/01/ /01/2015 6,60 6,56 6,00 6,20 6,40 6,60 6,80 7,00 7,20 7,40 Fonte:Pesquisa Focus Banco Central.

22 Resultado da safra de má notícias em 2015 % 11,00 10,50 Evolução das estimativas de crescimentos dos preços administrados Pesquisa Focus -Bacen ,40 10,00 10,00 9,50 9,00 8,50 8,00 7,50 7,85 8,00 8,20 8,70 9,00 9,48 7,00 02/01/ /01/ /01/ /01/ /01/ /02/ /02/ /02/2015 Fonte:Pesquisa Focus Banco Central.

23 E a Construção Civil?

24 As dificuldades do mercado imobiliário Belo Horizonte-MG Mercado imobiliário de Belo Horizonte Resumo dos principais indicadores Janeiro a dezembro Indicador (para apartamentos) Variação % Número unidades vendidas ,09 Número unidades lançadas ,98 Velocidade de Vendas ( %) - Média 9,25 7,69-1,56p.p Fonte: Pesquisa Construção e Comercialização - Ipead/UFMG. Nº unid Evolução do número de unidades vendidas em Belo Horizonte - Janeiro a dezembro/ jan/14 fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez dez nov out set ago jul jun mai abr mar fev jan/14 dez/13 Evolução da oferta de apartamentos no grupo de empresas que participam da pesquisa do Ipead/UFMG Dezembro/13 a dezembro/ Fonte: Pesquisa Construção e Comercialização Ipead/UFMG

25 As dificuldades do mercado imobiliário São Paulo Negócios em ritmo mais lento: Estoque de imóveis residenciais na cidade de São Paulo encerrou 2014 com unidades. É o maior número desde 2004, início da série histórica, e reflete a queda de 35% nas vendas do ano passado, em relação a Segundo dados divulgados pelo Secovi-SP o total de imóveis em estoque subiu mesmo com a queda do número de imóveis lançados na cidade no ano passado.

26 Aumento dos juros para o financiamento imobiliário não é uma boa notícia Caixa aumenta os juros para o financiamento imobiliário Aumento dos juros para o financiamento imobiliário: caminho inverso ao dos últimos anos Fonte: O estadão 15/1/2015

27 Equipe econômica autoriza redução de 23,7% em gastos do PAC até abril Para tentar atingir a meta de economia de gastos em 2015, a equipe econômica impôs uma redução de 23,7% nos gastos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) somente até abril deste ano. Nos quatro primeiros meses do ano passado, os gastos do PAC somaram R$ 19,91 bilhões, de acordo com números da Secretaria do Tesouro Nacional. Neste ano, até abril, as despesas autorizadas por meio do decreto são de R$ 15,17 bilhões. A queda é de R$ 4,37 bilhões, ou 23,7%. Essa é a primeira vez, desde que foi criado, que o programa terá redução de gastos.

28 Governo aumenta tributo sobre desoneração da folha de pagamentos Alíquotas de Contribuição Previdenciária das empresas serão reajustadas. O governo publicou hoje (27/2) a Medida Provisória 669 que aumenta as alíquotas pagas pelas empresas sobre a receita bruta referentes à contribuição previdenciária. Na prática essa medida reduz a desoneração da folha de pagamentos e é mais uma medida de aperto fiscal para reequilíbrio das contas públicas. As empresas que pagavam alíquota de 1% de contribuição previdenciária sobre a receita bruta passam para 2,5%, enquanto as que tinham alíquota de 2% passam para 4,5%.

29 Caixa suspende crédito para móveis e eletros no Minha Casa Minha Vida Caixa suspendeu as contratações do Minha Casa Melhor, uma linha de crédito para beneficiários do Minha Casa Minha Vida comprarem móveis e eletrodomésticos. O cartão do Minha Casa Melhor é uma linha de até R$ 5.000, que podem ser pagos em até 48 meses, com juros de 5% ao ano. Os varejistas cadastrados no programa são obrigados a dar, no mínimo, 5% de desconto sobre o preço à vista.

30 Aumenta ainda mais a falta de confiança do empresário da Construção mineira Fonte: Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais/Fiemg. A opinião dos empresários do setor reflete um cenário macroeconômico conturbado, com perspectivas de retração de atividades produtivas. Preocupação com o desempenho da economia como um todo e seu impacto na renda, emprego e credito, bem como na política fiscal

31 Nível de atividade da Construção em queda Minas Gerais Brasil Fonte: Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais/Fiemg. Fonte: Sondagem da Indústria da Construção Brasil/CNI.

32 Intenção de investimento dos empresários da Construção Civil Brasil Minas Gerais

33 Empresários da Construção mineira estão pessimistas Fonte: Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais/Fiemg.

34 2015: Tempestade perfeita?

35 "O atoleiro do Brasil

36 Alguns desafios (domésticos e externos) para a economia nacional em 2015 Inflação (estimativas indicam que irá superar o teto da meta em 2015). Juros altos (investimento mais caro e desestímulo ao consumo). Dólar desvalorização do Real Ajuste fiscal certamente gerará impacto sobre a atividade econômica. Crise hídrica (algumas análises apontam que o racionamento de água poderá retirar entre 0,25 e 0,50 ponto percentual do PIB). Crise energética (existem análises que indicam que o racionamento de energia poderá retirar entre 1 e 1,5 ponto percentual do PIB). Menor geração de emprego formal e crescimento na taxa de desemprego, e menor crescimento dos salários e da renda disponível. Petróleo/Petrobrás (impacto nos investimentos da cadeia de óleo e gás). Congresso Nacional (expectativas com o comportamento). Possibilidade real de perder o Grau de investimento. China (redução no ritmo de crescimento: Em 2014 o país cresceu 7,4% (menor patamar dos últimos 24 anos). Projeções para 2015 e 2016 indicam crescimento ainda menor. Queda expressiva nos preços dascommodities. Recuperação americana e a possibilidade de aumento dos juros por lá. Resultado: Recessão: possibilidade de queda da atividade econômica nacional.

37 Dados Pesquisa Focus 2015 Indicador Data pesquisa PIB Inflação Dólar Selic Preços Adm. Prod. Industrial 02/01/2015 0,50 6,56 2,80 12,50 7,85 1,04 09/01/2015 0,40 6,60 2,80 12,50 8,00 1,02 16/01/2015 0,38 6,67 2,80 12,50 8,20 0,71 23/01/2015 0,13 6,99 2,80 12,50 8,70 0,69 30/01/2015 0,03 7,01 2,80 12,50 9,00 0,50 06/02/2015 0,00 7,15 2,80 12,50 9,48 0,44 13/02/2015-0,42 7,27 2,90 12,75 10,00-0,43 20/02/2015-0,50 7,33 2,90 12,75 10,40-0,35 Fonte: Banco Central do Brasil

38 A sabor do vento? Fonte: Abecip?

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