Política Fiscal do Brasil: pós-crise x pré-crise?

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1 Política Fiscal do Brasil: pós-crise x pré-crise? José Roberto R. Afonso ANBIMA 14/6/213

2 2 Pós-Crise Metas Fiscais: contabilidade criativa esconde mudanças mais profundas como modelo de crescente endividamento público para financiar créditos pelo Banco Tesouro Nacional. Orçamentos: necessário carga tributária alta/crescente para sustentar trajetória expansionista de gastos, sem queda de juros abrir espaço fiscal e nem priorizar investimentos.

3 3 Relações intrincadas Evolução da dívida líquida: Cada vez menos explicada pelo superávit primário e cada vez mais pelas variações patrimoniais, inclusive reservas internacionais, créditos governamentais e operações compromissadas e compulsórios... Maior presença estatal no mercado de crédito e acionário Aumento mais forte de relações cruzadas e internas ao setor público, entre bancos e entre estatais, inclusive bancos estatais não se atém mais a nichos... Maior presença estatal, via crédito e via participações acionárias, inclusive paraestatal (fundos de pensão) Política fiscal, que já estava atrelada a juros e câmbio, se tornou também ao crédito no pós-crise global.

4 4 Engenharia Fiscal e Financeira Banco do Tesouro Nacional: Crédito extraordinário (subsidiado) para bancos oficiais aumentou em 8.3% do PIB pós-crise: do incremento de crédito (ago8xdez12), explicou 92% do discricionário e 55% do total do sistema financeiro (variação 15% do PIB). Já haviam créditos correntes: FAT, fundos regionais, setoriais; somados, Tesouro se torna maior banco na economia: 16.1% do PIB, equivale a 3% do total de crédito do sistema financeiro (dez/12); se contar rolagem, para 26.9% do PIB. Endividamento público: Dívida líquida perdeu qualidade para mensurar saúde fiscal: -7.3% PIB (ago8xdez12) distorcida por deduções (+13.7% PIB) e reservas (+5.5% PIB) Dívida bruta cresceu forte (+7.6% PIB mesmo período) e, ainda, encurtou com operações via BC (+6.7% PIB de carteira títulos). Governo brasileiro mais endividado (DBGG = 67.2% PIB) que média dos emergentes, mas beneficiado por ser basicamente financiada internamente. Resposta brasileira à crise não diferiu na essência dos países mais ricos: socorro financeiro para bancos e empresas à custa de endividamento (mas eles também lograram aumentar investimentos públicos).

5 5 EVOLUÇÃO DE AGREGADOS FISCAIS E CREDITÍCIOS NO BRASIL PÓS-CRISE GLOBAL Variáveis Em R$ bilhões correntes Em % do PIB Ago/28 Abr/213 Variação Ago/28 Abr/213 Variação Fonte primária: BACEN PIB (12 meses) ,% 1,%,% AGREGADOS FISCAIS DÍVIDAS Dívida Líquida DLSP ,47% 35,36% -7,11% Dívida Bruta DBGG Método Brasil ,17% 59,18% 3,1% Método Internac ,63% 64,41% 4,78% Poder Público Dívida Público DPMFi ,6% 54,71% 3,11% Dívida Mobiliária Mercado ,3% 4,5% -1,25% Banco Central Carteira Títulos BC ,83% 2,45% 6,62% Op.Compromissadas BC ,37% 12,99% 2,62% Dp.Compulsórios Remun ,4% 6,55%,15% DEDUÇÕES Total Créditos Gov. (522) (1.328) (873) -17,95% -29,3% -13,67% Créditos Resto Economia (248) (711) (463) -8,51% -16,11% -7,6% Créditos Inst.Fin.Oficiais (27) (48) (38) -,94% -8,99% -8,29% Disponibilidade Financ. (275) (617) (49) -9,44% -13,61% -6,5% Dívida Externa Líq.BC (335) (749) (418) -11,51% -16,52% -5,56% AGREGADOS CRÉDITO Crédito Sist.Financeiro ,37% 54,1% 15,1% Credito Rec.Discricionários ,78% 19,8% 9,2% BNDES Desembolsos ,68% 3,54%,86% Fontes Primárias: Banco Central; BNDES (projeção até ago/28)

6 dez/6 fev/7 abr/7 jun/7 ago/7 out/7 dez/7 fev/8 abr/8 jun/8 ago/8 out/8 dez/8 fev/9 abr/9 jun/9 ago/9 out/9 dez/9 fev/1 abr/1 jun/1 ago/1 out/1 dez/1 fev/11 abr/11 jun/11 ago/11 out/11 dez/11 fev/12 abr/12 jun/12 ago/12 out/12 dez/12 fev/13 abr/13 Banco Tesouro Nacional Créditos extraordinários pós-crise 6 1, 9, Créditos Concedidos a Instituições Financeiras Oficiais (em % do PIB e R$ Milhões) 9, , 7, 6, 5, 4, 3, 2, ,,5 5., Créditos a outras Inst. Financ. Oficiais (eixo direito) Créditos concedidos a Inst. Financ. Oficiais Créditos junto ao BNDES (eixo direito) Créditos junto ao BNDES Fonte primária: BACEN

7 dez/1 mar/2 jun/2 set/2 dez/2 mar/3 jun/3 set/3 dez/3 mar/4 jun/4 set/4 dez/4 mar/5 jun/5 set/5 dez/5 mar/6 jun/6 set/6 dez/6 mar/7 jun/7 set/7 dez/7 mar/8 jun/8 set/8 dez/8 mar/9 jun/9 set/9 dez/9 mar/1 jun/1 set/1 dez/1 mar/11 jun/11 set/11 dez/11 mar/12 jun/12 set/12 dez/12 mar/13 dez/1 abr/2 ago/2 dez/2 abr/3 ago/3 dez/3 abr/4 ago/4 dez/4 abr/5 ago/5 dez/5 abr/6 ago/6 dez/6 abr/7 ago/7 dez/7 abr/8 ago/8 dez/8 abr/9 ago/9 dez/9 abr/1 ago/1 dez/1 abr/11 ago/11 dez/11 abr/12 ago/12 dez/12 abr/13 dez/6 fev/7 abr/7 jun/7 ago/7 out/7 dez/7 fev/8 abr/8 jun/8 ago/8 out/8 dez/8 fev/9 abr/9 jun/9 ago/9 out/9 dez/9 fev/1 abr/1 jun/1 ago/1 out/1 dez/1 fev/11 abr/11 jun/11 ago/11 out/11 dez/11 fev/12 abr/12 jun/12 ago/12 out/12 dez/12 fev/13 abr/13 dez/6 fev/7 abr/7 jun/7 ago/7 out/7 dez/7 fev/8 abr/8 jun/8 ago/8 out/8 dez/8 fev/9 abr/9 jun/9 ago/9 out/9 dez/9 fev/1 abr/1 jun/1 ago/1 out/1 dez/1 fev/11 abr/11 jun/11 ago/11 out/11 dez/11 fev/12 abr/12 jun/12 ago/12 out/12 dez/12 fev/13 abr/13 Dívida Pública Diferentes metodologias e trajetórias pós-crise 5, Evolução da DLSP e Conceito Alternativo (em % do PIB) 64, Evolução da DBGG e Concessão de Créditos a Instituições Financeiras Oficiais % PIB 7 1, 48, 46, 44, 62, 6, 9, 8, 7, 42, 4, 38, 58, 56, 6, 5, 4, 36, 54, 3, 34, 32, 52, 2, 1, 3, 5,, 85, 8, 75, DLSP DLSP + Créditos concedidos a Inst. Financ. Oficiais Dívida Bruta do Governo Geral por metodologia % PIB 85, 8, DBGG Créditos a Inst. Financ. Oficiais (Eixo direito) DBGG e Dívida Mobiliária na Carteira do Bacen % PIB 23, 21, 19, 7, 65, 75, 7, 17, 15, 13, 6, 65, 11, 55, 6, 9, 7, 5, 55, 5, DBGG DBGG - Metodologia até 27 DBGG - Metodologia até 27 DM na Carteira do Bacen (eixo direito) Fonte primária: BACEN

8 Dívida Pública Mudança na composição Estoque de Dívida Pública Federal Variação em R$ Milhões 2.5 DPMFi em Poder BCB DPF em Mercado 2. Resgate Líquido Operações compromissadas Reservas em R$ (Liquidez) Operações Compromissadas Fluxo de Resgates Líquidos por Período 7. Resgate Líquido Fase 1 Fase Fonte primária: BACEN

9 Dívida Pública Taxa média x básica 9 Taxa Implicíta SELIC Fonte primária: BACEN

10 1 Propostas para Política Macro-Fiscal Recuperar credibilidade da política fiscal e econômica e aproveitar para promover reformas estruturais operações; Prática imediata: consenso a favor de reduzir a meta de superávit primário ao invés de aplicar deduções e adotar operações heterodoxas; Solução ideal: adotar cálculo de resultado estrutural que ajusta os efeitos do ciclo (metodologia disponível); Reformas fiscais: Completar regulação da LRF: criação do conselho de gestão; aprovar limites para dívida da União, mobiliária (lei) e consolidada (Senador); revisão periódica dos limites... Revisão da LRF: melhorar disciplina e fechar brechas já identificadas (projeto iniciativa do Senador Jereissati e parecer Senador Virgilio). Reforma do orçamento, contabilidade pública e gestão financeira e patrimonial: 5 anos da Lei 432 de 1964 (mesmo projeto). 1

11 11 Para mais detalhes sobre o tema da palestra, ver: Ensaio Técnico publicado pelo IBRE/FGV Sobre Fazer o Cumprimento da Meta de Superávit Primário de 212 Com Gabriel Leal Barros, Fevereiro/213. Disponível em: Artigo publicado na Revista Econômica da UFF As Intricadas Relações entre Política Fiscal e Creditícia no Brasil Pós-28. Niterói, v 13, n 2, p , dezembro 211. Disponível em: José Roberto Afonso é economista, especialista em finanças públicas. Opiniões de exclusiva responsabilidade do palestrante. Julia Morais, Kleber Castro, Marcia Monteiro e Felipe Azevedo deram suporte às pesquisas.. Mais trabalhos no site do autor :

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105,9% 105,4% 102,5% 102,8% 102,9% 101,1% 102,7% 104,0% 105,5% 30,7% 31,1% 30,5% 31,0% 31,5% 32,2% 32,2% 32,8% 33,9% 35,5% FINANCIAMENTO EMPRESAS, GOVERNO E FAMÍLIAS INFORMATIVO MENSAL DEZEMBRO/2011 1. FINANCIAMENTO GERAL DE ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS: DÍVIDA CONSOLIDADA. O Financiamento geral consolidado de entidades não financeiras,

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