XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

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1 XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. MONITORAMENTO AMBIENTAL, FONTES DE INFORMAÇÃO E TOMADA DE DECISÃO ESTRATÉGICA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO E COMPARATIVO COM PEQUENOS EMPREENDEDORES DO SETOR VAREJISTA Paulo Henrique de Oliveira (CEPEAD/UFMG) Carlos Alberto Gonçalves (CEPEAD/UFMG) Danilo de Oliveira Sampaio (CEPEAD/UFMG) Leonardo Pinheiro Deboçã (CEPEAD/UFMG) Edmar Aderson Mendes de Paula (Pitágoras) O monitoramento ambiental não deve ser privilégio de grandes organizações, que mantem equipes especializadas nessa atividade. Nos pequenos mundos dos negócios o fenômeno está presente e tem grande significado no desenho da estratégia da firrma. Esse trabalho apresenta os resultados de uma análise comparativa do grau de dependência para a tomada de decisão estratégica tendo como estudo de campo os pequenos empreendedores em seus mundos pequenos do setor varejista instalados nas proximidades do shopping popular Oiapoque e na região do Barro Preto, em Belo Horizonte. O trabalho utiliza-se de duas pesquisas exploratórias realizadas por um dos autores no primeiro semestre de 008, o que possibilitou a mensuração do grau de dependência informacional dos decisores dos varejos pesquisados em relação a determinadas fontes de informações. Os resultados apontaram para a necessidade de monitoramento contínuo e sistemático do ambiente competitivo, com o objetivo de selecionar as fontes de informações adequadas para a tomada de decisão estratégica das organizações. Em termos de dependência informacional, fontes pessoais como: clientes; profissionais do próprio estabelecimento e dos concorrentes; amigos; parentes; e familiares apresentaram resultados expressivos, o que não aconteceu com fontes impessoais como os relatórios governamentais, jornais setoriais e revistas especializadas.

2 Palavras-chaves: Tomada de Decisão Estratégica; Pequenos Empreendedores do Varejo; Comportamento Informacional; e Análise Comparativa.

3 . Introdução O crescimento da competição, em praticamente todos os setores da economia nacional e mundial, tem proporcionado oportunidades e ameaças crescentes para os pequenos varejos brasileiros neste início de século, haja vista os reflexos da crise financeira global sobre os mercados consumidores. Para muitos autores, dentre eles D Aveni (995), Hitt et al (003) e Barney e Hesterly (007), o século XXI chega determinado por incertezas, onde a sobrevivência e o crescimento das organizações, nos mercados em que atuam ao longo do tempo, dependerão, dentre outras coisas, das suas capacidades em se ajustarem com maior rapidez e eficácia às crescentes mudanças impostas por seus ambientes competitivos em crescente transformação. Para tanto, os responsáveis pela tomada de decisão precisam contar com informações completas, precisas, confiáveis, rápidas e oportunas sobre os fatos, eventos, tendências e relacionamentos que acontecem em seus ambientes de negócios (AGUILAR, 97; AUSTER; CHOO, 993; FULD, 995; TYSON, 998; PRESCOTT, 00; MILLER, 00). Especificamente para o setor varejista de Belo Horizonte (pequenos varejos), provavelmente o crescimento da competição, intensificado pela crescente entrada de empresas estrangeiras na capital mineira, por exemplo, tem delineado cenários cada vez mais complexos, dinâmicos e imprevisíveis para os pequenos empreendedores deste setor de atividade, o que tem aumentado os riscos de falhas das decisões tomadas e a sobrevivência ou o sucesso dos respectivos empreendimentos ao longo do tempo. Nesta perspectiva, este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa exploratória realizada junto a pequenos empreendedores do setor varejista de Belo Horizonte instalados na região do Barro Preto (importante pólo da moda mineira) e nas mediações do shopping popular Oiapoque, os quais foram intencionalmente selecionados. Os dados foram coletados através de questionários estruturados no primeiro semestre de 008 e analisados através de técnicas da estatística descritiva. Espera-se com esta pesquisa contribuir para um melhor entendimento do comportamento informacional de pequenos empreendedores varejistas instalados em duas importantes áreas comerciais de Belo Horizonte. Nesta pesquisa entende-se por pequenos empreendedores os micro e pequenos empresários que trabalham com a venda de calçados, roupas e produtos alimentícios em geral.. Aspectos Teóricos Neste tópico, expõe-se uma breve revisão sobre ambiente de negócios, considerações sobre monitoramento ambiental, e, também, discorre-se sobre relações entre fontes de informação e tomada de decisão. Importa ressaltar a pretensão com estes sub-tópicos quanto a um delineamento conceitual suficiente em termos de aporte teórico a dar sustentação à pesquisa empreendida.. Ambiente de negócios: uma breve revisão A relação ambiente-organização ganhou destaque nos meios acadêmicos e empresariais a partir dos estudos realizados por autores como Aguilar (97), Duncan (97), Burns e Stalker (9), Lawrence e Lorsch (97) e Chandler (9) que, em meados do século passado, estudaram os impactos do ambiente externo sobre o modo de como as organizações funcionavam e eram administradas. Nesses estudos, temas como sistema aberto, visão sistêmica, monitoramento e incerteza ambientais, estratégia empresarial, diferenciação, 3

4 Ambiente Específico XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO integração e tecnologia foram amplamente debatidos, o que gerou oportunidades interessantes de pesquisas sobre os temas em questão na atualidade. De uma maneira geral, para se compreender as relações de dependência existentes entre ambiente e organização torna-se necessário aceitar e entender as organizações como sistemas abertos em constante relação de troca de recursos, informações e energias com os seus ambientes (BERTALANFFI, 975; DUNCAN, 97). Nesta perspectiva, Nadler, Gerstein e Shaw (993), por exemplo, argumentam que o ambiente pode afetar o funcionamento de uma organização de três maneiras distintas: (i) através da exigência de novos produtos ou serviços; (ii) através de limitações à ação organizacional como escassez de capital ou de tecnologia; e (iii) através da oferta de oportunidades a serem exploradas pela organização. Em termos estruturais, grande parte dos teóricos organizacionais tem utilizado duas dimensões para descrever o ambiente externo de uma organização: o ambiente de ação direta representado pelos elementos mais próximos que podem influenciar e serem influenciados diretamente pela organização, quando esta busca atingir os seus objetivos e o ambiente de ação indireta, representado por fatores não controlados diretamente pela organização, devendo ser, portanto, constantemente monitorados. A Figura apresenta os principais elementos do ambiente externo de uma organização. Fatores Ecológicos Fatores Políticos Fatores Econômicos Ambiente Geral Fatores Tecnológicos Fatores Sociais Fornecedores Instituições Financeiras Governos Locais Clientes Concorrentes Grupos Especiais Empresa (Tomada de Decisão Estratégica) Fonte: adaptado de Duncan (97); Mintzberg (003) e Hitt et al (003) Figura Estrutura do ambiente externo de uma organização Conforme apresentado na Figura, o ambiente específico, também conhecido como ambiente de tarefas ou de ação direta, é aquele composto por fatores ou elementos que podem afetar direta e rapidamente o modo como as organizações funcionam ou são administradas. Hitt et al (003, p. 5), por exemplo, classificam essa dimensão ambiental como um conjunto de fatores ameaça de novos entrantes, fornecedores e poder de barganha de compradores, produtos substitutos e o grau de intensidade da rivalidade entre concorrentes que exerce 4

5 influência direta sobre a empresa, suas ações e reações competitivas. Nesta definição percebem-se claramente os componentes do modelo de Cinco Forças proposto por Porter (980). Nesta mesma perspectiva, Daft (00) argumenta que o ambiente específico é aquele que está mais próximo da organização e inclui setores que transacionam no dia a dia com a organização e influencia diretamente suas operações básicas e o seu desempenho. Para este autor, esta dimensão ambiental geralmente é constituída de instituições financeiras, ONG s, governos locais, concorrentes, fornecedores e clientes. Schermerhorn (007), por sua vez, chama atenção para o fato de que o ambiente específico é distinto para cada organização, pois não existem ambientes específicos iguais, sejam as organizações atuantes em um mesmo setor ou não. Para Mintzberg (003), o ambiente externo de uma organização ainda pode ser compreendido através da análise de quatro dimensões básicas: (a) estabilidade: o ambiente de uma organização pode variar do estável até o dinâmico. Uma variedade de fatores pode tornar o ambiente dinâmico, como por exemplo, governos instáveis, mudanças imprevisíveis nas estratégias dos concorrentes e na economia ou pelas demandas da sociedade. É importante ressaltar que dinâmico nesse contexto significa imprevisível, e não variável, pois, variabilidade pode ser previsível; (b) complexidade: o ambiente de uma organização pode variar desde o simples até o complexo. A dimensão complexidade afeta a estrutura através do entendimento do trabalho a ser feito; (c) diversidade de mercados: os mercados de uma organização podem variar de um integrado (ou homogêneo) até um diversificado (ou heterogêneo). A diversidade de mercado pode resultar de ampla faixa de clientes, de produtos e serviços, ou de áreas geográficas, nas quais os resultados são comercializados. A diversidade de mercado afeta a estrutura através da diversidade do trabalho a ser feito; e (d) hostilidade: o ambiente de uma organização pode variar de magnânimo a hostil. A hostilidade é influenciada pela competição, pelas relações das organizações com sindicatos, governo e outros grupos externos, e pela sua disponibilidade de recursos. Certamente, os ambientes hostis são caracteristicamente dinâmicos, no entanto, a hostilidade externa tem efeito sobre a organização através da velocidade da resposta necessária. Essas dimensões configuram um aspecto interessante na análise sistêmica da organização. Seja qual for a dimensão, a organização deve buscar estratégias que promovam um ajuste eficiente e eficaz entre os seus componentes e as variáveis ambientais (MINTZBERG, 003). Desta maneira, para serem eficientes e eficazes, as organizações precisam enfrentar e administrar a incerteza ambiental. Incerteza significa que os tomadores de decisão não dispõem de informações suficientes sobre os fatores ambientais e encontram dificuldades na previsão de mudanças externas (BUCHKO, 994). A incerteza aumenta o risco de falha das respostas organizacionais tornando difícil o cálculo dos custos e das probabilidades relacionadas com cada alternativa de decisão (DAFT, 00).. Monitoramento ambiental Monitoramento ambiental (environmental scanning) tem sido normalmente definido na literatura como o processo de aquisição e uso da informação sobre fatos, eventos, tendências e relacionamentos existentes entre as variáveis do ambiente externo que afetam direta ou indiretamente o desempenho organizacional ao longo do tempo. Autores como Aguilar (97), Auster e Choo (993) têm contribuído significativamente para o entendimento e o desenvolvimento desse ramo do conhecimento, fornecendo insights significativos para uma melhor tomada de decisão através da compreensão do ambiente com os quais as organizações 5

6 realizam as suas atividades de troca de insumos, energias e informações por bens e serviços, através da agregação de valor e sua posterior disponibilização ao mercado consumidor. Sutton (988), por exemplo, argumenta que o mapeamento do ambiente propicia à organização uma melhor compreensão dos movimentos das forças externas, além de fornecer as informações necessárias para que as organizações respondam efetivamente a essas mudanças na tentativa de assegurar uma melhor e permanente posição nos mercados em que atuam. Para este autor, as organizações monitoram seus ambientes a fim de evitar surpresas, para identificar ameaças e oportunidades, obter vantagens competitivas e dar suporte aos processos de inteligência competitiva, planejamento e administração estratégica de curto e longo prazos. Para tanto, torna-se necessário entender e mensurar as relações sociais recíprocas existentes entre as organizações e os atores que compõem o seu ambiente de negócios (GULATI, 988). Recentemente, autores como Gulati (988), Pololny e Page (998) utilizaram o termo mundos pequenos para expressar a importância das redes sociais no campo da estratégia, as quais partem da premissa de que a estrutura das relações sociais existentes entre atores na economia é desenvolvida a partir das relações ou influências recíprocas existentes entre os atores (NOHRIA, 99). Na teoria dos mundos pequenos, dois conceitos fundamentais devem ser utilizados para caracterizar um mundo pequeno: a distância (path length) e o coeficiente de agrupamento (clustering coefficient). De acordo com Lazzarini (007, p. 5-7), distância é o menor número de laços necessários para conectar, direta ou indiretamente, um ator a outro na rede. O agrupamento por sua vez é baseado na rede local de um determinado proprietário e mede o grau de conectividade dos atores com os quais aquele proprietário é conectado. Em termos processuais, Moresi (00) indica cinco passos para um processo de monitoração ambiental. Segundo este autor, na etapa inicial, a organização deve procurar por recursos de informação. Em seguida a organização deve selecionar os recursos de informação que sejam monitoráveis e identificar os critérios de monitoração. Após a escolha dos critérios, parte-se para a atividade de monitoração propriamente dita e, por último, os responsáveis pelo processo de monitoração ambiental devem projetar um sistema de controle para a determinação das ações especiais ou corretivas a serem tomadas face aos resultados indesejáveis alcançados por esse processo. Desta forma, para um processo de monitoramento eficaz, torna-se necessário identificar as necessidades de informações no contexto decisório da organização e de onde elas serão obtidas (HAMBRICK, 98). A escolha adequada de fontes de informação é fator crítico para a eficiência e a eficácia das decisões tomadas (MORESI, 00)..3 Fontes de informação e a tomada de decisão organizacional Para Choo (003) a tomada de decisão nas organizações requer informações capazes de reduzir o nível de incerteza. Segundo este autor, a informação pode reduzir a incerteza no processo decisório de três maneiras principais: estruturando uma situação de escolha; definindo preferências e selecionando regras e, por último, fornecendo informações sobre as alternativas viáveis e suas possíveis conseqüências. O Quadro apresenta a importância da informação na tomada de decisões. Tomada de Decisões Necessidade de informação Busca de Informação Uso da informação Determinar a estrutura e os limites do problema. Guiada por princípios heurísticos e hábitos. Limitações no processamento da

7 Esclarecer preferências e adequação da regra. Informações sobre alternativas, resultados, preferências. Busca motivada por problema. Critérios para uma solução satisfatória. informação. Estruturado por rotinas e regras. Muitos problemas competem por atenção. Fonte: adaptado de Choo (003, p 303) Quadro Necessidades, busca e uso da informação na tomada de decisões Choo (003) ainda adverte que a disponibilidade e acessibilidade da informação são influenciadas por muitos aspectos institucionais, em especial, as estruturas organizacionais que regulam o fluxo de informação e os sistemas de incentivo que atribuem valor e preferência à consecução de certos objetivos e informações. Para este autor, a hierarquia e a especialização são meios tradicionais pelos quais as organizações aumentam a sua capacidade de processar informações com o objetivo de satisfazer os requisitos de desempenho (CHOO, 003). No que se refere ao tema fontes de informações é consenso entre os teóricos desta vertente do conhecimento de que existe uma infinidade de classificações e estudos sobre este assunto na literatura, especialmente entre aquelas ligadas à Ciência da Informação. Pereira e Barbosa (008), por exemplo, utilizaram o seguinte esquema de classificação em uma pesquisa realizada com 04 consultores, conforme apresentado na Figura. Fontes de Informações (categorias de classificação) Origem Relacionamento (ou proximidade) Mídia Internas Externas Pessoais Impessoais Eletrônicas Não-eletrônicas Fonte: adaptado de Pereira e Barbosa (008, p.95) Figura Categorização das fontes de informação Pereira e Barbosa (008) chamam as fontes pessoais de informal ou não estruturadas e as fontes impessoais de formais ou estruturadas, as quais são importantes para a busca de informações relevantes de caráter documental ou formal. Ainda segundo esses autores, são exemplos de mídias eletrônicas a internet, a mídia eletrônica propriamente dita, CD-ROMs, disquetes e base de dados on-line. Por outro lado, as mídias não-eletrônicas são aquelas informações que estão documentadas em papéis, como por exemplo, nos relatório, memorando e outros documentos organizacionais. Na tentativa de categorização das fontes de informação, Daft e Lengel (98) também classificaram as fontes de informação em interna e externa. Segundo estes autores, algumas fontes de informações externas podem ser os periódicos e jornais da área comercial, amigos na indústria, clientes entre outros. Internamente, as fontes citadas pelos autores foram as 7

8 reuniões formais e não agendadas e os passeios pela empresa, entre outras. Borges (995) complementa os estudos desses autores ao apresentar algumas das principais fontes de informações que poderão ser utilizadas pelas organizações, como por exemplo, as suas equipes de vendas e de engenharia, os fornecedores, as agências de publicidade, os próprios concorrentes, como também, as associações comerciais e as empresas de pesquisas mercadológicas, entre outras. Em relação ao processo de busca de informação, Wilson (000) apud Pereira e Barbosa (008) apresenta dois sub-conceitos para explicar o comportamento de busca informacional. O primeiro deles relata que o comportamento de busca por informações é uma conseqüência de satisfazer uma necessidade e/ou objetivo. O segundo conceito se refere ao termo pesquisa informacional, o qual representa o nível micro do comportamento do pesquisador em interações mentais, intelectuais envolvendo julgamentos da relevância do dado ou informação recuperada em diversos tipos de sistemas de informação (WILSON, 000 apud PEREIRA e BARBOSA, 008, pp ). Assim, pode-se dizer que uma informação é útil ou importante para a organização quando ela tem impacto no alcance dos objetivos e metas organizacionais. Choo (003), nesta mesma linha de raciocínio, também reflete sobre a importância da informação para o desempenho organizacional. Para este autor, toda informação deve atender a um ou vários objetivos organizacionais, podendo ser agrupadas em três campos ou arenas: a primeira delas aborda a necessidade de interpretação da informação para dar significado ao que está acontecendo com a empresa em um determinado ambiente; na segunda o autor ressalta a importância da informação para gerar novos conhecimentos e, por último, a organização processa e analisa a informação para a orientação de seus processos de tomada de decisão. Essas três arenas são interdependentes e dão sentido ao conceito de visão holística do uso da informação (CHOO, 003). Ao se tratar dos temas informação e tomada de decisão, é importante analisar as barreiras que podem ocorrer na comunicação da informação. Starec et al (005), por exemplo, advertem que essas barreiras não são estáticas e nem fixas, elas são móveis e perpassam todas as áreas, podendo ser encontradas separadas ou de forma simultânea. Dentre as principais barreiras apontadas por esses autores têm-se: a má comunicação derivada da falta de diálogo constante; a cultura organizacional, a qual deve respaldar o fluxo informacional, estimulando e dando acesso à informação; a falta de competência das pessoas e a dependência tecnológica como barreira à comunicação da informação. Para os autores, o valor da tecnologia da informação depende da informação e do papel desempenhado por ela nas organizações e que a logística da organização deve ser pensada para que a informação possa fluir por todos os setores envolvidos, circulando livremente pela organização para que forneça os insumos necessários para uma tomada de decisão cada vez mais eficaz. Davenport (00) apud Starec et al (005, p.54) advertem, porém, de que informação e conhecimento são criações humanas e nunca seremos capazes de administrá-los se não levarmos em consideração que as pessoas desempenham um papel fundamental nesse processo. Como analisado, percebe-se que a informação é um importante recurso para a organização, especialmente para o processo de tomada de decisão. Para reduzir riscos e incertezas é importante que a organização esteja sempre atenta às barreiras que possam interferir no processo de comunicação da informação. Desta forma, estar atento à cultura organizacional às competências das pessoas, a um melhor processo de comunicação com total suporte das tecnologias da informação e da comunicação parece ajudar a melhorar o fluxo informacional 8

9 dentro da organização, proporcionando melhores condições para uma tomada de decisão cada vez mais eficiente e eficaz. Finalmente, como se pôde perceber, a seleção e o uso apropriado de fontes de informações podem ajudar os executivos a tomarem melhores decisões estratégicas. Manter um processo de monitoramento contínuo do ambiente competitivo pode ajudar as organizações a evitarem ou reduzirem ameaças e surpresas desagradáveis, como também, possibilitar a descoberta e a obtenção de novas oportunidades de negócios, condições essenciais para a sobrevivência e o crescimento organizacional nos mercados em que atuam em tempos de grande hostilidade e turbulência competitiva. 3. Procedimentos Metodológicos Para a consecução do objetivo central desta pesquisa foram utilizadas duas pesquisas exploratórias no primeiro semestre de 008. Teve-se como amostra principal os pequenos varejistas instalados nas mediações do shopping popular Oiapoque e na região do Barro Preto em Belo Horizonte, importante pólo da moda mineira. Buscou-se levantar dados sobre o comportamento informacional dos pequenos empreendedores e mensurar o grau de dependência informacional dos mesmos em relação à determinadas fontes de informações para a tomada de decisão estratégica, conforme demonstrado pelos Quadros, 3 e 4. Fontes de Informação Freqüência de Uso Grau de Importância n. Fonte: Oliveira (009, p. 9) Quadro Escala para mensurar o Grau de Dependência Valor Grau Muito Baixa Média Baixa 3 Baixa 4 Média 5 Média Alta Muito Alta Fonte: Oliveira (009, p. 9) Quadro 3 Escala para mensurar a freqüência de uso das fontes de informação Escala Muito baixa Média Baixa Baixa Média Média Alta Muito Alta Freqüência de uso por unidade de tempo De A até B vezes em T (unidade de tempo) De B + a C vezes em T (unidade de tempo) De C + a D vezes em T (unidade de tempo) De D + a E vezes em T (unidade de tempo) De E + a F vezes em T (unidade de tempo) De F + a G vezes em T (unidade de tempo) Fonte: Oliveira (009, p. 9) 9

10 Quadro 4 Escala para mensurar a freqüência de uso da fonte de informação no processo decisório IMPORTÂNCIA Baixa Alta Dependência Moderada - Alta Dependência Baixa Dependência Alta Dependência Moderada - Baixa Baixa FREQUÊNCIA DE USO Alta Fonte: Oliveira (009, p. 8) FIGURA 3 Graus de Dependência com relação ao uso e importância das fontes de informações A escolha da pesquisa exploratória para ambos os estudos derivou-se da necessidade de obter insights significativos para a realização de futuras pesquisas sobre os temas em análise e maior familiaridade com o problema em questão. Collins e Hussey (005, p.4), por exemplo, argumentam que o foco principal de uma pesquisa exploratória é obter insights e familiaridade com a área do assunto para investigações mais rigorosas num estágio posterior. [...] Os dados compilados costumam ser quantitativos e técnicas estatísticas são geralmente utilizadas para resumir as informações. Para a seleção da amostra, em ambos os casos, optou-se por uma escolha intencional e nãoprobabilística, levando-se em consideração aspectos como aparência do local, fluxo de clientes, disponibilidade do empreendedor para preenchimento dos questionários e número de competidores instalados nas proximidades do empreendimento. Na coleta de dados foi utilizado um questionário com perguntas fechadas, o qual foi aplicado a oito empreendedores instalados nas mediações do shopping popular Oiapoque e nove empreendedores instalados na região do Barro Preto. Neste questionário, temas como fontes de informação, freqüência de uso, importância e grau de dependência em relação à tomada de decisão estratégica foram considerados. Por ser uma amostra relativamente pequena, os questionários foram aplicados pessoalmente pelos pesquisadores nos meses de abril e maio de 008. É importante destacar que, para esta pesquisa, foi considerado especificamente o ambiente competitivo dos empreendimentos pesquisados, o qual foi composto exclusivamente pelos seus concorrentes diretos e indiretos, o que não descarta a importância de se considerar as influências das demais variáveis ambientais em pesquisas futuras, como por exemplo, as variáveis políticas, econômicas, sociais e tecnológicas que compõem o macro ambiente organizacional. Finalmente, para a análise dos dados foram utilizadas técnicas estatísticas (descritiva) para verificar a freqüência de uso das fontes de informação pelos empreendedores e o grau de dependência dos mesmos com relação a determinadas fontes de informação para a tomada de decisão estratégica. 4. Análise dos Dados 0

11 Frequência de Uso Grau de Importância XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Para mensurar o grau de dependência informacional dos empreendedores foram consideradas duas variáveis principais: freqüência de uso da fonte de informação, conforme demonstrado pelos Quadros 3 e 4 e a importância da mesma para a tomada de decisão estratégica, conforme demonstrado no Quadro. Nesta pesquisa parte-se do pressuposto de que quanto maior for o uso de uma determinada fonte de informação e quanto mais importante for essa fonte de informação para a tomada de decisão estratégica, maior será o grau de dependência do empreendedor com relação a esta determinada fonte de informação (ver Figura 3). 4. Frequência de uso e importância das fontes de informações para a tomada de decisão estratégica empreendedores da região do Barro Preto A Figura 4 apresenta os dados relativos à frequência de uso das fontes de informações pelos empreendedores instalados na região do Barro Preto e importância dada as mesmas para a tomada de decisão estratégica. Pela análise da Figura 4 percebe-se que as fontes clientes, amigos, parentes e conhecidos e funcionários da própria empresa foram as fontes de informações que apresentaram os melhores resultados, evidenciando-se o alto grau de dependência informacional dos empreendedores da região em relação às mesmas para a tomada de decisão estratégica. Por outro lado, jornal, rádio, revistas especializadas e participações em feiras e eventos, apesar da grande importância, são fontes pouco acessadas ou utilizadas por esses empreendedores. Por último, as demais fontes não apresentaram resultados expressivos. Utilizando-se a classificação proposta por Pereira e Barbosa (008) pode-se observar que as fontes pessoais foram as que mais se destacaram. Isso talvez possa ser explicado pela facilidade de acesso e disponibilidade de tais fontes de informações Estudos Setoriais do Governo Especialistas do Setor Fornecedores Amigos, Parentes, Conhecidos Participação em Feiras e Eventos Fontes de Informação Funcionários de Outras Empresas (não concorrentes) Funcionários dos Concorrentes Televisão Rádio Jornais Impressos Revistas Especializadas Funcionários Empresa Clientes Frequência de Uso Importância

12 Frequência de Uso Importância XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Figura 4 Gráfico de frequência de uso e importância das fontes de informação para tomada de decisão estratégica (n = 8 empreendedores da região do Barro Preto) 4.. Frequência de uso e importância das fontes de informações para a tomada de decisão estratégica empreendedores da região do Oiapoque Pela análise do Figura 5 pode-se observar que percebe-se que as fontes clientes, funcionários da própria empresa, jornais impressos, rádio,televisão, funcionários dos concorrentes e fornecedores foram as fontes de informações que apresentaram os melhores resultados, evidenciando-se o alto grau de dependência informacional dos empreendedores da região em relação às mesmas para a tomada de decisão estratégica. As demais fontes não apresentaram resultados expressivos. É importante destacar que, ao comparar os dados apresentados pelas Figuras 4 e 5 percebe-se que as fontes de informações amigos, parentes e conhecidos, participações em feiras e eventos, revistas especializadas, jornais impressos, funcionários dos concorrentes e fornecedores apresentaram resultados bastante diferentes. Estas distorções talvez possam ser explicadas pelo ramo de atividade e o tipo de concorrência enfrentado pelos respectivos empreendedores Estudos Setoriais do Governo Funcionários dos Concorrentes Especialistas do Setor Fornecedores Funcionários de Outras Empresas (não concorrentes) Fontes de Informação Televisão Rádio Jornais Impressos Revistas Especializadas Funcionários da Empresa Amigos, Parentes, Conhecidos Participação em Feiras e Eventos Clientes Frequência de Uso Importância Figura 5 Gráfico de frequência de uso e importância das fontes de informação na tomada de decisão estratégica (n = 9 empreendedores da região do Oiapoque)

13 5. Considerações Finais Este artigo analisou o grau de dependência informacional de dezessete empreendedores instalados em dois importantes centros comerciais de Belo Horizonte: 8 empreendedores da região do Barro Preto e 9 empreendedores instalados nas mediações do shopping popular Oiapoque. O método de Análise do Grau de Dependência Informacional foi utilizado para mensurar e comparar o grau de dependência informacional dos respectivos empreendedores. A partir da análise dos dados obtidos em ambas as regiões pode-se concluir que: (a) clientes, funcionários da própria empresa, rádio e televisão foram as fontes de informações que apresentaram graus elevados de dependência informacional por parte dos empreendedores de ambas as regiões para a tomada de decisão estratégica; (b) estudos setoriais do governo, especialistas do setor, funcionários e outras empresas não concorrentes foram as fontes de informações que apresentaram os menores graus de dependência informacional para a tomada de decisão estratégica; e (c) as demais fontes apresentaram resultados bastante divergentes entre os empreendedores de ambas as regiões pesquisadas. As principais limitações encontradas nesta pesquisa são decorrentes da utilização de uma escala qualitativa para mensurar as percepções dos empreendedores em relação à importância das fontes de informações para a tomada de decisão estratégica, o que pode ter conferido um grau elevado de subjetividade às respostas fornecidas e nas análises realizadas e ao tamanho reduzido da amostra, o que não permite fazer inferências estatisticamente confiáveis para os demais empreendedores varejistas de Belo Horizonte. Por ser um estudo de caráter exploratório sugere-se para futuras pesquisas sobre o tema em questão o uso de escalas mais objetivas, a seleção de uma amostra estatisticamente capaz de generalizar os resultados para o resto dos elementos da população, a análise dos fatores psicológicos e sociológicos envolvidos na seleção e uso das fontes de informações e a correlação das variáveis ramo de negócio, nível de concorrência e grau de incerteza ambiental com a freqüência de uso das fontes de informações para a tomada de decisão estratégica. Referências AGUILAR, F. J. Scanning the business environment. New York: The Macmillan Company, 97 AUSTER, E.; CHOO, C. W. Environmental Scanning by CEOs in Two Canadian Industries. Journal of the American Society for Information Science, v. 44, n. 4, p , 993. BARBOSA, R. R. Monitoração ambiental: uma visão interdisciplinar, Revista de Administração, v. 3, n. 4, p. 4-53, out./dez BARBOSA, R. R. Inteligência empresarial: uma avaliação de fontes de informação sobre o ambiente organizacional externo. Datagrama Zero - Revista de Ciência da Informação v.3 n., dezembro de 00. BARNEY, J.; HESTERLY, W. S. Administração estratégica e vantagem competitive. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 007. BERTALANFFY, L. V. Teoria Geral dos Sistemas. Petrópolis: Editora Vozes, 975. BORGES, M. E. N. A informação como recurso gerencial das organizações na sociedade do conhecimento. Ciência da Informação, v.4, n., 995. BUCHKO, A. A. Conceptualization and Measurement of Environmental Uncertainty: An Assessment of the Miles and Snow Perceived Environmental Uncertainty Scale. Academy of Management Journal, v. 37, n., p , 994. BURNS, T.; STALKER, G. M. The management of innovation. London: Tavistock, 9. CHANDLER, A. Strategy and Structure. MIT Press, Cambrige, MA, 9. 3

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