Transformada de Laplace

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Transcrição:

Transformada de aplace Nas aulas anteriores foi visto que as ferramentas matemáticas de Fourier (série e transformadas) são de extrema importância na análise de sinais e de sistemas IT. Isto deve-se ao facto de que uma vasta classe de sinais pode ser representada como sendo a combinação linear de exponenciais complexas periódicas e de estas exponenciais serem funções próprias de sistemas IT. A transformada de Fourier fornece uma representação de sinais como uma combinação linear de exponenciais complexas st periódicas na forma e onde s = jω, ou seja s é puramente imaginário. st No entanto a propriedade de e ser função própria mantém-se para valores arbitrários de s e não apenas para os puramente imaginários.

Transformada de aplace Assim, a transformada de aplace não é mais do que uma generalização da transformada de Fourier. As vantagens da transformada de aplace sobre a trasformada de Fourier: - fornece mais informação sobre sinais e sistemas que também podem ser analisados pela transformada de Fourier; - pode ser aplicada em contextos em que a transformada de Fourier não pode por exemplo na análise de sistemas instáveis.

Transformada de aplace A transformada inversa de Fourier era dada por: A transformada inversa de aplace limita-se a generalizar este resultado para a forma: x t 1 ω = ω ω π j t x t X e d Esta expressão indica que um sinal pode ser representado como uma combinação linear de exponenciais complexas periódicas, e st onde s = jω. c+ j = 1 π c j st X s e ds Onde s é um complexo genérico: s = σ + jω. A variável s deixou de ser imaginária pura para ser complexa com parte real.

Transformada de aplace x t c+ j = 1 π c j As exponenciais complexas, que foram as funções elementares com as quais construímos os sinais em Fourier, deixam agora de ser exponenciais complexas periódicas. ( j ) st X s e ds st σ+ ω t σt jωt e = e = e e ω O factor e j t foi já estudado e corresponde a uma exponencial complexa periódica. No entanto, ela está agora a ser pesada por σt uma exponencial real que lhe serve de módulo: e.

Transformada de aplace A expressão: x t c+ j = 1 π c j st X s e ds Indica que para sintetizar o sinal x(t) é necessário somar exponenciais complexas cada uma com um dado peso X(s). Devemos portanto tentar perceber o que são estas exponenciais e como se comportam no plano complexo com a evolução do tempo. O próximo slide ilustra esse comportamento, comparando-o com o comportamento de uma exponencial complexa periódica utilizada na transformada de Fourier.

Transformada de aplace ( j ) st σ+ ω t σt jωt e = e = e e Im para σ<0 Re

Transformada de aplace A expressão: x t c+ j = 1 π c j st X s e ds indica ainda que a soma dessas exponenciais deve ser realizada num eixo vertical do plano complexo Im{s} ω 0 st c+ jω t ct jωt e = e = e e c Re{s}

Transformada de aplace Verifiquemos em que resulta a soma de duas exponenciais complexas genéricas como complexo s de uma delas conjugado do da outra: st 1 σ+ jω t σt jωt e = e = e e Im{s} Somando estas expressões: st σ jω t σt jωt e = e = e e e st + e = st 1 ω σt jωt e e σ Re{s} -ω σt jωt e e e e + e e = σ t j ω t σ t j ω t σt jωt jωt e e + e = e σt cos ( ωt)

Transformada de aplace A soma de duas exponenciais complexas de expoentes st conjugados resulta então em: e σt cos ( ωt) Isto significa que enquanto a transformada de Fourier representava um sinal como sendo uma soma de sinusóides, a transformada de aplace representa os sinais como sendo a soma de sinusóides mas de amplitude exponencialmente variável. t t

Transformada de aplace Um sinal pode ser representado como sendo a combinação linear de exponenciais complexas na forma: x t c+ j = 1 π c j st X s e ds st O peso X(s) de cada uma das exponenciais e na construção do sinal x(t) é dado por: + st X s x t e = A primeira expressão recebe a designação de Transformada Inversa de aplace. A segunda expressão recebe a designação de Transformada (Directa) de aplace.

Propriedades da Transformada de Fourier de tempo discreto Para que a relação entre o sinal no tempo e a sua transformada seja unívoca, os limites de integração na expressão da transformada: + st X s x t e = alteram-se para: + st X s x t e = 0 Sendo então esta a expressão da transformada de aplace unilateral. Para a transformada de aplace unilateral existe apenas uma transformada inversa de X(s). Desta forma não há necessidade de especificar a região de convergência explicitamente.

Transformada de aplace inversa A determinação da transformada inversa de aplace recorrendo à definição: x t c+ j = 1 π c j Requer a integração no plano complexo. st X s e ds É possível evitar essa operação por recurso a tabelas de transformadas de aplace, onde os pares de transformadas de aplace mais comuns estão já indicados. Assim, a determinação de transformadas inversas será feita através de tabelas, bastando para isso exprimir o sinal em questão como uma combinação de funções mais simples cuja transformada está tabelada. Esta operação será vista nas aulas teórico-práticas.

Tabela de transformadas de aplace

Propriedades da Transformada de aplace inearidade: Se 1 1 x t X s x t X s então + + 1 1 1 1 ax t ax t ax s ax s Onde a 1 e a são coeficientes reais.

Propriedades da Transformada de aplace Escalonamento: Se 1 1 x t X s Então, para a > 0: Compressão no tempo Expansão na tempo 1 s x1( at) X1 a a Expansão na frequência Compressão na frequência Note-se que a é restrito apenas a valores positivos porque se x(t) é um sinal causal, então x(at) seria anti-causal (existiria apenas para t<0) se a<0. Isto não é permitido na transformada unilateral de aplace.

Propriedades da transformada de aplace Deslocamento temporal Se 1 1 x t X s então st0 1( 0) 1 x t t X s e Esta propriedade enuncia que um sinal sofrer um atraso de t 0 segundos corresponde a multiplicar a sua transformada por e st 0.

Propriedades da transformada de aplace Deslocamento na frequência Se 1 1 x t X s então st o ( ) x t e X s s 1 1 0 Esta propriedade mostra claramente uma relação de dualidade entre o que ocorre no tempo e o que ocorre na frequência.

Propriedades da transformada de aplace Convolução no tempo e na frequência: Se então 1 1 x t X s x t X s * 1 1 x t x t X s X s (Convolução no tempo) 1 x 1 t x t X1 s * X s πj (Convolução na frequência) Mais uma vez se nota uma relação de simetria ou dualidade entre as duas propriedades.

Propriedades da transformada de aplace A propriedade da convolução no tempo da transformada de aplace é extremamente importante pois simplifica o estudo dos sinais de saída devidos a uma dada entrada num sistema IT. Sendo a propriedade da convolução no tempo dada por: * x t x t X s X s 1 1 E sendo a resposta a estado-nulo de um sistema dada por: y( t) = x( t) * h( t) Então, este cálculo poderá ser realizado no domínio de aplace sem necessidade de utilizar a convolução: = * = y t x t h t Y s X s H s

Propriedades da transformada de aplace Assim, um método possível para o cálculo da resposta a estadonulo passa a ser o seguinte: Tendo já o sinal de entrada e a resposta a impulso do sistema em causa: x ( t ) e h( t) Calcula-se a transformada de aplace de cada um deles: X ( s) x t H( s) h t Bastando multiplicá-las para determinar a transformada da resposta a estado-nulo. = X ( s) H( s) Y s A expressão da resposta a estado-nulo no tempo obtém-se por transformação inversa de Y(s) (recorrendo a tabelas). 1 y( t) Y s

Propriedades da transformada de aplace Diferenciação temporal: Se x ( t) X ( s) então dx ( t ) x sx s 0 A aplicação repetida desta propriedade conduz a: d x t sx s sx0 x0 E para uma diferenciação de ordem n: n d x t n ( r) x 0 n 1 ( 0 ) ( 0 )... ( 0 ) n n n s X s s x s x ( x 1) r dxt r onde é em t=0 -.

Solução de equações integro-diferenciais recorrendo à transformada de aplace Dado que: n dyt n n sy s +... A transformada de aplace de uma equação diferencial é uma equação algébrica que pode ser resolvida em ordem a Y(s). O exemplo seguinte demonstra o procedimento para resolver equações diferenciais lineares de coeficientes constantes por recurso à transformada de aplace.

Exemplo de utilização da transformada de aplace Resolva a equação diferencial de segunda ordem seguinte: ( D + 5D + 6) y( t) = ( D + 1) x( t) y ( 0 ) = y Se as condições iniciais são:, 4t e a entrada: x ( t) = e u( t) A equação diferencial no operador d/ é: Sendo: dy t dy t dx t + 5 + 6y( t) = + Y ( s) y t Pela propriedade da derivação no tempo: 0 = 1 x t dy t sy ( s) y ( 0 ) = sy ( s) dy( t) sy( s) sy( 0 ) y( 0 ) = sy( s) s1

Exemplo de utilização da transformada de aplace dy t + dy ( t 5 ) + 6y( t) = dx ( t ) + x ( t ) Transformada de aplace da equação diferencial sy s s 1 5 sy s 6Y ( s)?????? Falta portanto determinar a transformada do segundo membro da equação diferencial que descreve o comportamento do sistema.

Exemplo de utilização da transformada de aplace A transformada de x(t) é dada por: 4 1 t x t = e u t X s = s + 4 Este resultado é determinado por recurso a tabelas de transformadas ou por transformação analítica: + st X s e u t e 4t = Quanto à derivada de primeira ordem do sinal de entrada, tem como transformada: dx t 1 s sx ( s) x ( 0 ) = s 0 = s + 4 s + 4

Exemplo de utilização da transformada de aplace dy t + dy ( t 5 ) + 6y( t) = dx ( t ) + x ( t ) Transformada de aplace da equação diferencial sy s s 1 s 1 + 4 5 sy s 6Y ( s) Assim, a transformada de aplace de toda a equação diferencial assume a forma: s s + 4 s 1 sy( s) s 1+ 5 sy ( s) + 6Y( s) = + s + 4 s + 4

Exemplo de utilização da transformada de aplace Reunindo todos os termos em Y(s) no primeiro membro e todos os outros no segundo, obtém-se: ( s 5s 6) Y ( s) ( s 11) s + 1 + + = + + s + 4 s + 0s + 45 s + 5s + 6 Y s = s + 4 s + 0s + 45 Y ( s) = s + 4 s + 5s + 6 Y s = s + 0s + 45 ( s + )( s + 3)( s + 4) Expandindo o segundo membro em fracções parciais: 13 3 3 s + s + 3 s + 4 = Y s e pela transformada inversa, a resposta total do sistema: = 13 t 3t 4 3 3 t y t e e e u t y(t) é determinado pela transformada inversa de Y(s).

Componentes de entrada-nula nula e de estado-nulo da resposta O método da transformada de aplace utilizado no exemplo anterior permite determinar a resposta total que inclui as componentes de entrada-nula e de estado-nulo. É no entanto possível ao longo do processo de determinação da resposta total separar as duas componentes. No exemplo anterior os termos que surgem devido às condições iniciais 0 = e formam a resposta a entrada-nula. y y 0 = 1 Os restantes termos corresponderão à componente de estadonulo.

Componentes de entrada-nula nula e de estado-nulo da resposta sy s s 1 5 sy s 6Y ( s) dy t + dy ( t 5 ) + 6y( t) = dx ( t ) + x ( t ) dy t sy( s) sy( 0 ) y( 0 ) = sy( s) s1 dy ( t ) sy ( s) y ( 0 ) = sy ( s) Parcelas relativas a condições iniciais: s s 1 + 4 s + 4 s sy( s) s 1+ 5 sy ( s) + 6Y( s) = + s + 4 s + 4 1

Componentes de entrada-nula nula e de estado-nulo da resposta s 1 sy( s) s 1+ 5 sy ( s) + 6Y( s) = + s + 4 s + 4 ( s 5s 6) Y ( s) ( s 11) s 1 + + = + + Termos relativos a condições iniciais + s + 4 Termos relativos ao sinal de entrada Mantendo estas parcelas separadas na determinação da transformada da resposta Y(s): Y s ( s ) + 11 s + 1 = + ( s + 5s + 6) ( s + 4)( s + 5s + 6) Componente de entrada-nula Componente de estado-nulo Determinando a transformada inversa de cada parcela: t 3t = + 1 t 3t 4 7 5 + 3 t y t e e u t e e e u t Resposta a entrada-nula Resposta a estado-nulo

Resposta a estado-nulo nulo: : função de transferência de um sistema ITC Considere-se um sistema de ordem n especificado pela equação: ou de outra forma: ( ) QD. yt = PD. xt D a D... ad a y( t) ( b D b D... bd b ) x( t) N N 1 N N1 + N 1 + + 1 + 0 = N + N1 + + 1 + 0 A resposta a estado-nulo por definição é a resposta de um sistema a uma entrada quando o sistema tem condições iniciais nulas. Assim, y(t) satisfaz a equação de sistema anterior com condições iniciais nulas tais que: y ( 0 ) = 0 y ( 0 ) = 0 y ( 0 ) = 0... ( n1) y 0 = 0

Resposta a estado-nulo nulo: : função de transferência de um sistema ITC A transformada das derivadas de várias ordens de x(t) e y(t) são: r dxt ( r r r 1 r sx s s x 0 s x 0... x 1) ( 0 r ) r dy ( t ) ( r r r 1 r sy s s y 0 s y 0... y 1) ( 0 r ) ( n1) Devido às condições iniciais nulas: y ( 0 ) = 0... y ( n1) A entrada x(t) é causal pelo que: x ( 0 ) = 0... x = Então: 0 0 Conclui-se então que a transformada de aplace da equação: ( ) D a D... ad a y( t) ( b D b D... bd b ) x( t) N N 1 N N1 + N 1 + + 1 + 0 = N + N1 + + 1 + 0 será: r dy t ( ) r r sy s 0 = 0 s a s... a s a Y( s) ( b s b s... b s b ) X( s) N N 1 N N1 + N 1 + + 1 + 0 = N + N1 + + 1 + 0 r dxt r r sx s

Resposta a estado-nulo nulo: : função de transferência de um sistema ITC ( ) D a D... ad a y( t) ( b D b D... bd b ) x( t) N N 1 N N1 + N 1 + + 1 + 0 = N + N1 + + 1 + 0 Q(D) Q(s) ( ) s a s a s a Y s b s b s b s b X s N N + 1 N N + + + = + 1 N 1... 1 0 ( N N1 +... + 1 + 0) N bs N b s bs b Y( s) = X( s) N s + a s + + a s + a N1 + N1 +... + 1 + 0 N1 N 1... 1 0 Note-se que o polinómio em s que está em numerador não é mais do que o polinómio P(D) com o operador D subsituído pela variável s. Ou seja, este polinómio pode ser designado por P(s). De forma semelhante pode notar-se que o polinómio em denominador se pode designar por Q(s). Então: Ps Y( s) = X( s) Qs P(D) P(s)

Resposta a estado-nulo nulo: : função de transferência de um sistema ITC É comum definir a função de transferência de um sistema, como sendo H(s), a razão entre Y(s) e X(s) quando todas as condições iniciais são nulas. { resposta a estado-nulo} { } Y( s) Hs = = X( s) sinal de entrada Dado que, como já vimos: Ps Y( s) = X( s) Qs Então, a função de transferência de um sistema é dado por: Ps Hs = Qs tendo-se Y( s) = H( s) X( s) Note-se que da descrição de um sistema através de uma equação diferencial se retiram imediatamente os polinómios P(D) e Q(D). Assim, a função de transferência de um sistema é extremamente simples de determinar.

Resposta a estado-nulo nulo: : função de transferência de um sistema ITC Pode então representar-se a versão transformada (para o domínio de aplace) do sistema da forma ilustrada a seguir: X ( s) H( s) Y ( s) = H( s) X ( s) onde Hs Ps = Qs A entrada X(s) é a transformada de aplace do sinal de entrada no tempo x(t) e a saída Y(s) é a transformada de aplace da saída no tempo y(t). O sistema é descrito pela função de transferência H(s).

Resposta a estado-nulo nulo: : função de transferência de um sistema ITC Note-se que tinha já sido visto que, dado que no tempo o sinal de saída de um sistema se determina a partir da expressão: = * y t x t h t Então pela propriedade da convolução no tempo, este cáculo passaria a ser realizado através de uma multiplicação no domínio de aplace: = * = y t x t h t Y s X s H s Conclui-se então que a função de transferência de um sistema não é mais do que a transformada de aplace da resposta a impulso desse sistema. A função de transferência de um sistema pode então ser calculada através de: ou H( s) h t Ps Hs = Qs

Estabil Estabiliade de um sistema em função da localização dos pólos da função de transferência idade de um sistema Observe-se que o denominador da função de transferência H(s): Ps Hs = Qs é Q(s), o polinómio característico do sistema na variável s. Assim sendo, os pólos de H(s) (zeros do denominador) são coincidentes com as raízes características do sistema. Consequentemente o critério de estabilidade de um sistema pode ser enunciado em termos dos pólos da função de transferência de um sistema.

Estabiliade de um sistema em função da localização dos pólos p da função de transferência Um sistema ITC é estável se e só se todos os pólos da sua função de transferência H(s) se localizam no semi-plano complexo esquerdo. Um sistema ITC será instável se e só uma ou ambas das seguintes condições se verificarem: - Pelo menos um dos pólos de H(s) se localiza no semi-plano complexo direito; - Existem pólos repetidos de H(s) no eixo imaginário; Um sistema ITC será marginalmente estável se e só não existem pólos no semiplano complexo direito e existem pólos simples no eixo imaginário.

Análise de circuitos eléctricos: método m do circuito transformado Utilizando os conceitos de transformada de aplace, é possível analisar circuitos eléctricos sem escrever equações integrodiferenciais. Este procedimento é consideravelmente mais simples pois permite tratar um circuito eléctrico (com condensadores e bobinas) como se se tratasse de um circuito resistivo. Para isso é necessário representar o circuito no domínio de aplace, onde todas as tensões e correntes são representadas pela sua transformada de aplace.

Análise de circuitos eléctricos: método m do circuito transformado Para uma indutância, a relação entre a corrente que a percorre e a tensão aos seus terminais é dada por: di t v( t) = Se transformarmos esta expressão para o domínio de aplace obtém-se: = ( 0 ) V s si s i assumindo uma corrente inicial nula: dx t = si( s) V s x sx s 0

Análise de circuitos eléctricos: método m do circuito transformado Similarmente para um condensador de capacidade C, a relação tensão/corrente é: dv t i( t) = C Se transformarmos esta expressão para o domínio de aplace obtém-se: = ( 0 ) I s C sv s v assumindo uma teñsão inicial nula: CsV ( s) = 1 I( s) I s V s = Cs dx t x sx s 0

Análise de circuitos eléctricos: método m do circuito transformado Assim, no domínio de aplace, a relação tensão/corrente de uma indutância e de um condensador são algébricas. = V s si s V = 1 C s I s Cs Notando que para uma resistência, a relação no tempo é dada por: vr ( t) = Ri( t ) V ( s) = RI( s) verifica-se que a indutância e o condensador se comportam como resistências de valor: Z ( s ) = s Z ( s) = Estas grandezas dos componentes são designadas de impedâncias e sendo determinadas pela razão V(s)/I(s) para cada elemento (mediante condições iniciais nulas). R C 1 Cs

Análise de circuitos eléctricos: método m do circuito transformado As equações de um sistema eléctrico (das malha ou dos nós), vulgarmente diferenciais, convertem-se assim em equações algébricas. Para além disso todas as técnicas de simplificação utilizadas para circuitos resistivos: - Resistência série equivalente; - Resistência paralela equivalente; - Divisor de corrente; - Divisor de tensão; - Teorema de Thévenin; - Teorema de Norton; podem ser aplicadas a redes eléctricas gerais transformadas para o domínio de aplace.

Exemplo de aplicação do método m do circuito transformado Determine a corrente de malha do circuito seguinte, i(t), assumindo que todas as condições iniciais são nulas.

Exemplo de aplicação do método m do circuito transformado O primeiro passo será transformar todo o circuito para o domínio de aplace: = = 10 s Fontes: x( t) 10u( t) X ( s) Componentes: R di t v( t) = V s = si s dv ( t ) i( t) = C V s = 1 I s Cs R Outras grandezas: i( t) I( s)

Exemplo de aplicação do método m do circuito transformado No domínio de aplace as relações entre tensões e correntes passam a ser lineares (deixam de existir derivações). A abordagem para determinar a corrente I(s) pode então ser a mesma que se utilizaria caso o circuito fosse totalmente resistivo. Podemos então calcular a impedância total da malha: s + 3s + Zs = s+ 3+ = s s

Exemplo de aplicação do método m do circuito transformado Impedância total: Zs = s + 3s + s A tensão que alimenta a malha é no domínio de aplace: V ( s) = 10 s A corrente que flui no circuito será naturalmente a teñsão que o alimenta sobre a impedância total: 10 V( s) 10 10 10 10 Is = = s = = = Z( s) s + 3s + s + 3s + ( s + 1)( s + ) s + 1 s + s

Exemplo de aplicação do método m do circuito transformado A tensão que alimenta a malha é no domínio de aplace: Is 10 10 = s + 1 s + A expressão pretendida da corrente que flui no circuito (no domínio do tempo) será agora determinada por uma simples operação de transformação inversa do resultado anterior. Esta operação é realizada por recurso a tabelas de transformadas: t t it () = 10e e u t