OBSERVAÇÃO DE TAREFAS BASEADA NA SEGURANÇA COMPORTAMENTAL

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1 OBSERVAÇÃO DE TAREFAS BASEADA NA SEGURANÇA COMPORTAMENTAL Autores Gerson Luiz Chaves Vandro Luiz Pezzin RGE - RIO GRANDE ENERGIA S.A.

2 RESUMO Os riscos presentes nas atividades que envolvem a distribuição de energia elétrica requerem um acompanhamento constante com metodologias eficazes na prevenção e por conseqüência a redução dos acidentes atuando antes da sua ocorrência, ou seja, proativamente. Baseado neste contexto, e considerando o grande esforço que a empresa vem realizando com o intuito de reduzir o número de acidentes e criar ambientes de trabalho mais seguros constatou-se a necessidade de desenvolver um programa que tivesse como base o acompanhamento das atividades de campo, estando mais próximo dos eletricistas, verificando as condições de trabalho submetidas a este profissional aliado a um desafio diferenciado que é o de atuar sobre o fator humano, verificando o comportamento seguro em campo.

3 INTRODUÇÃO Com o desafio de avaliar o comportamento dos eletricistas em campo bem como as condições de trabalho em que o mesmo é submetido, criou-se a Observação de Tarefas para acompanhar passo a passo todas as atividades de campo, desenvolvendo um trabalho prático de prevenção de acidentes, realizando a checagem dos procedimentos e valorizando os colaboradores que nele acreditam, medindo de forma pró-ativa o desempenho de segurança de cada região da empresa, desenvolvendo Gerentes, Supervisores e Eletricistas, na busca de solução dos problemas, antes do acidentes. A Observação de tarefas é realizada por profissionais com capacidade de motivar, ser o disciplinador, orientador, o exemplo, o companheiro, o treinador e o instrutor em campo. Para cada observação é preenchido um planilha com 46 itens de inspeção que compõe os indicadores de Comportamento Seguro e Aderência ao Padrão e mais 34 itens referente à Condição Segura, sendo que a cada item é atribuído um nível de risco associado de 1 a 5, que reflete a conseqüência, freqüência e probabilidade de ocorrência de um acidente. Dessa forma é possível avaliar as causas básicas que são o resultado de uma combinação de fatores pessoais e fatores de trabalho que contribuem para identificar desvios de conduta, necessidade de treinamento, utilização de equipamentos e oportunidades de melhoria que são encaminhados para seus gestores quando não corrigidos em campo. Objetivo Os principais Objetivos da Observação de Tarefas é desenvolver um trabalho prático de prevenção de acidentes, valorizando e checando os procedimentos e valorizar os colaboradores que nele acreditam, medindo de forma pró-ativa o

4 desempenho de segurança de cada região e desenvolvendo Gerentes, Supervisores e Eletricistas, na busca de solução dos problemas, antes do acidentes. A Observação de tarefas segundo Bley Ferramenta importante para identificar e controlar as variáveis de segurança para reduzir a probabilidade de conseqüências indesejáveis no futuro para si e para os outros. Tendo como Missão deste trabalho Proporcionar conhecimento e melhoria contínua através de orientação e treinamento buscando comportamento seguro e valorização da vida e como Visão Elevar a Cultura de Segurança. Histórico No ano de 2003 a RGE apresentou um dos maiores índices de Taxa de Gravidade desde o inicio de suas atividades em 1998 e em 2004 foi à vez da Taxa de Freqüência apresentar um dos maiores índices. Perante tal cenário a empresa adotou o Sistema de Classificação Internacional de Segurança (SCIS ), uma metodologia que contemplava as melhores práticas mundiais na segurança, desenvolvido pela DNV (Det Norske Veritas), organização mundial com vasta experiência no fornecimento de serviços de gerenciamento de riscos. O Sistema de Classificação Internacional de Segurança é composto por vinte elementos, sendo que a Observação de Tarefas está contemplada no sexto elemento da DNV. A fase experimental perdurou até final do primeiro semestre de 2005, onde se consolidou a Observação de tarefas com profissionais treinados em Instrução e Observação.

5 Em 2007 com a reestruturação da divisão de engenharia de segurança do trabalho a Observação foi focada apenas nas contratadas com o intuito de melhorar os índices de segurança e elevar a cultura de segurança nestas empresas. Mas em 2008 verificou-se a necessidade do retorno da Observação com os eletricistas próprios, no entanto com o propósito de melhorar ainda mais os índices de segurança formou-se um novo projeto com o foco para Segurança Comportamental abrangendo assim os eletricistas próprios e contratados. Modelo ABC de Mudança Comportamental Com a busca incessante de obter índices cada vez mais baixos ou ate chegar a perfeição que é o zero acidentes, é notável que as empresas iniciem um trabalho voltado a psicologia do ser humano. Visto que o comportamento é qualquer atividade de um organismo que pode ser Observado ou mensurado conclui-se que se pode gerenciá-lo. São os hábitos e atitudes que regem o Comportamento, assim podemos definir o hábito como uma disposição duradoura adquirida pela repetição freqüente de um ato, uso ou costume e a atitude como uma crença aprendida, disposição ou modo de ser em relação a uma pessoa, situação, eventos, objetos ou conjunto de situações. Também pode ser dito que o comportamento é dirigido pelos ativadores e é motivado pelas conseqüências, assim, os ativadores dão instruções quanto ao comportamento gatilho. (Uma pessoa, local, coisa ou evento que acontece antes de um comportamento ocorrer) e as conseqüências são eventos que seguem Comportamentos já que as conseqüências aumentam ou diminuem a probabilidade de que os comportamentos ocorram novamente no futuro. Modelo de Trabalho

6 Para um melhor acompanhamento das atividades em campo foi definido a forma de trabalho e as habilidades em que o Observador deveria ser treinado para executar sua atividade junto aos eletricistas, sendo elas: Abordagem: Forma como se apresentou e iniciou a observação; Observação: Verificação de todos os pontos positivos e pontos para melhoria; Intervenção: Momentos críticos (minimizar ao máximo); Treinador / Coach: Capacidade de ensinar; Comunicação: Clareza e objetividade; Feedback: No ato e objetivo; Administração de Conflitos: capacidade de relacionamento; Liderança: Autoridade e não poder. Definido as habilidades listadas, foi implementada a metodologia do trabalho seguindo o fluxograma abaixo: Inventário dos Passos e Pontos Críticos (46 itens) Realimenta o Sistema Análise crítica dos resultados e atuação nas barreiras (Planos de ação) Realizar o planejamento das Observações, com base nas Metas Alimentar o sistema de Observação e Comunicar os resultados mediante reuniões e indicadores Observar a tarefa as condições e dar feedback Entender os Por quês!!

7 Formulário e Relatório de Observação O objetivo das planilhas de observação é verificar se as condições básicas para execução das tarefas foram cumpridas. Também auxilia na verificação das principais condições de segurança, quando a função do colaborador não possuir manual com as tarefas padronizadas. O relatório de observação de tarefas auxilia como check-list do passo a passo da tarefa que foi observada e permite que de forma descritiva se identifique outras ações e condições não padronizadas. Mediante estas informações é possível que o observador verifique as causas básicas frente às causas imediatas. Nesse momento é de suma importância que o observador da tarefa verifique com o colaborador, quais foram as dificuldades, caso a tarefa não tenha sido executada conforme procedimento padrão, no qual o colaborador foi treinado.

8 É fundamental a identificação dos fatores habituais e não-habituais que influenciaram a ocorrência da não-conformidade, registrando junto ao relatório, a conclusão do observador da tarefa. Definição dos Níveis de Risco Cada item avaliado na planilha da observação possui um nível de risco associado, que reflete a conseqüência, freqüência e probabilidade de ocorrência de um acidente. O nível de risco permite o cálculo do indicador de comportamento seguro.

9 A tabela a seguir, demonstra a relação qualitativa entre a conseqüência, freqüência e probabilidade, cujo resultado é a avaliação quantitativa do risco, que é avaliado como valor mínimo 1 e valor máximo 5, conforme segue: Nível 1: Não-conformidade Leve. Potencial de gravidade da não-conformidade é baixo. É improvável que cause um acidente grave (pequenas contusões); Nível 2: Não-conformidade Moderada. Existe potencial de acidente, mas com gravidade baixa. É um nível intermediário de risco (entre 1 e 3). Nível 3: Não-conformidade Potencialmente grave. Existe potencial de acidente, com potencial de gravidade, podendo provocar lesões, queimaduras, etc.. Nível 4: Não-conformidade crítica. Existe probabilidade maior de acidentes potencialmente graves. É um nível intermediário de risco (entre 3 e 5). Nível 5: Não-conformidade grave. Existe probabilidade alta de ocorrência de acidente grave. O resultado é séria degradação do sistema: morte e lesões graves. CATEGORIAS NUMÉRICA Consequência Frequência Probabilidade Risco MÉDIA MUITO BAIXO 1 BAIXA ALTA BAIXO 2 MÉDIA MÉDIA MÉDIO 3 ALTA ELEVADO 4 ALTA MÉDIA ALTA MUITO ELEVADO EXTREMAMENTE ELEVADO 5 Metodologia de Avaliação Aderência com o Procedimento Padrão

10 O objetivo é avaliar o cumprimento dos procedimentos de segurança durante a execução da tarefa. Seguindo a Política de Segurança da empresa, o cálculo do indicador leva em consideração o percentual de tarefas executadas com 100% de conformidade com o padrão, não admitindo nenhuma não conformidade. Fórmula de cálculo: Aderência = (N de OBS 100% padrão) / (N total de OBS) * 100 Comportamento Seguro O objetivo é avaliar o nível de risco das não-conformidades dos 46 itens que refletem o comportamento do colaborador na execução de suas tarefas. Cada nível possui um peso. Desta forma é feita a ponderação e então se calcula o nível médio de risco (NMR) por observação de tarefa, formando a equação da curva tipo S. Fórmula de cálculo: %Seg = exp (-1,2 * NMR ^2) * 100 Para exemplificar: Nível 1 peso de 0,25 93% Nível 2 peso de 0,50 75% Nível 3 peso de 0,75 51% Nível 4 peso de 1,50 7% Nível 5 peso de 2,00 0% % Comp Seguro 1,00 0,95 0,90 0,85 0,80 0,75 0,70 0,65 0,60 0,55 0,50 0,45 0,40 0,35 0,30 0,25 0,20 0,15 0,10 0,05 0,00 0 0,25 0,5 0,75 1 1,25 1,5 1,75 2 2,25 Não conformidades/tarefa Condição Segura O objetivo é avaliar o nível de risco das não-conformidades dos 34 itens que refletem a condição dos equipamentos que o colaborador utiliza na execução de suas tarefas. Cada nível possui um peso. Desta forma é feita a ponderação e então se calcula o nível médio de risco (NMR) por observação de tarefa, formando a equação da curva tipo S. Fórmula de cálculo: %Seg = exp (-1,2 * NMR ^2) * 100 CONCLUSÃO

11 No acompanhamento da estatística de acidentes e para melhor visualizar a implementação do programa de Observação de Tarefas baseada na Segurança Comportamental, deve ser feito uma análise de como estava a Segurança antes e após o seu inicio, visualizando a taxa de gravidade e a taxa de freqüência ao longo dos anos. Um fato interessante foi o aumento do número de acidentes no período onde a empresa focou a Observação de tarefas nas contratadas apenas, demonstrando a importância da continuidade deste projeto, que recebe melhorias na medida em que se aumenta a experiência no trabalho focado no comportamento do ser humano. Taxa de freqüência Taxa de Gravidade

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