IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO DO TRABALHO SEGURO SGTS NA LIGHT

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1 IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO DO TRABALHO SEGURO SGTS NA LIGHT Autor Gustavo César de Alencar LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S.A.

2 RESUMO O objetivo deste trabalho é mostrar todo o esforço que a Light Serviços de Eletricidade S. A. vem desenvolvendo no último ano para melhorar o seu desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho - SST. Empresa que tem uma tradição de pioneirismo em SST no setor elétrico brasileiro, tomou grandes iniciativas ainda no período em que era controlada pela Brascan do Canadá como, por exemplo, a constituição da sua CIPA. Outra iniciativa importante (esta já na época em que era estatal) foi a criação do Comitê Permanente de Prevenção de Acidentes com o objetivo de dar mais relevância às questões de SST. Seguindo uma tendência do setor, a Light terceirizou partes das suas atividades operacionais principalmente aquelas de maior risco, o que fez com que, embora o desempenho da empresa em SST em termos de taxa de freqüência de lesões tenha melhorado, a taxa de freqüência das parceiras teve elevação inclusive com a ocorrência de acidentes fatais. Este trabalho mostra as ações da Light para reverter essa situação a partir da implantação do Sistema de Gestão do Trabalho Seguro SGTS.

3 INTRODUÇÃO A busca pela adoção de uma cultura prevencionista na força de trabalho, considerando os empregados próprios e de terceiros, e a inclusão do tema da Melhoria na Gestão de Segurança do Trabalho como projeto estratégico da LIGHT levaram a tomada de decisão de buscar alternativas que pudessem contribuir para que ações fossem implementadas com o objetivo de melhorar a gestão da segurança do trabalho. Nesse processo de busca através de contatos com diferentes empresas, a LIGHT optou por uma solução já consagrada no exterior, ou seja, a implementação do Sistema de Gestão do Trabalho Seguro SGTS. O SGTS foi desenvolvido pela empresa de consultoria canadense Utility Risk Management URM inteiramente customizado para o setor elétrico. Os seus três sócios fundadores são ex-funcionários de empresas do setor elétrico canadense e, com base na suas experiências no setor e pesquisando as melhores práticas de SST já consagradas mundialmente, desenvolveram o SGTS. Aproximadamente 100 empresas canadenses e americanas já implementaram com sucesso o SGTS, com excelentes resultados não somente em termos de redução da taxa de freqüência de acidentes, como também a mudança cultural das organizações onde tem prevalecido cada vez mais uma abordagem preventiva em vez de corretiva. A LIGHT mais uma vez será pioneira ao implementar o SGTS nas atividades de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica no Brasil. A Fundação Comitê de Gestão Empresarial Fundação COGE assinou um Convênio com a URM que lhe permite representar a URM no Brasil. Vários Consultores da Fundação COGE foram certificados pela URM nas práticas do SGTS. Em função disso, a LIGHT contratou a Fundação COGE para assessorá-la nesse processo de implementação do SGTS.

4 DESENVOLVIMENTO A primeira etapa do projeto foi a realização de um diagnóstico das atuais práticas de SST da LIGHT em relação aos requisitos dos 22 Elementos do SGTS, considerados nos 5 Temas Liderança, Gestão de Riscos, Educação, Controle e Proteção e Monitoramento. A LIGHT queria uma avaliação bem profunda para descobrir a raiz das suas deficiências. Desse modo foram avaliadas as seguintes áreas: Diretorias (Presidência, Vice-Presidência Executiva, Novos Negócios e Institucional, Gente, Jurídica, Clientes, Energia e Meio Ambiente e Desenvolvimento da Concessão). Foram também avaliadas as seguintes Superintendências: Técnica, Regionais (Metropolitana, Grande Rio e Vale do Paraíba), Serviços de RH, Estratégia de Gente, Gestão e Controle, Recuperação de

5 Energia, Serviços de Manutenção e Operação do Sistema AT e Gestão dos Ativos do Sistema de AT. Foram também objeto de avaliação as áreas a seguir: Gerência de Segurança e Medicina Ocupacional, o Comitê Permanente de Prevenção de Acidentes, contratadas dos serviços do SEP e frentes de trabalho. Foram avaliadas atividades corporativas, operacionais, de construção, manutenção, projeto, recuperação de energia e emergência. Foram entrevistadas 125 pessoas de diferentes níveis hierárquicos, foram visitadas 5 instalações da Light, foi feito o acompanhamento de 21 frentes de trabalho e aproximadamente documentos foram analisados. O trabalho consumiu ao todo 699 horas-homem, sendo 572 para levantamento das evidências que levaram as constatações. Cada Elemento do SGTS possui vários requisitos que valem pontos específicos e cada Elemento tem um peso em relação aos demais. Os que são considerados mais importantes tem peso de. Desse modo, o resultado do Diagnóstico é apresentado através de escores percentuais e, considerando o peso específico de cada Elemento, temos o escore final da auditoria expressado através de um percentual que representa a soma dos escores individuais de cada Elemento já corrigidos pelos respectivos pesos. Como os requisitos de cada Elemento representam as melhores práticas de SST reconhecidas mundialmente, o escore final obtido foi considerado baixo (34,1%). A partir do resultado obtido pudemos identificar claramente as nossas deficiências, ou seja, o que deixamos de fazer ou não fazemos de maneira adequada e que nos levou a um escore considerado fraco. O gráfico da figura 1 mostra os escores de cada Elemento obtidos durante o Diagnóstico.

6 Pontuação por Elemento Compromisso Gerencial Planejamento Estratégico Comitê Bipartite de Segurança e Saúde Análise do Esquema de Segurança em Projetos e Instalações Normas e Requisitos Legais Procedimento de Trabalhos Escritos Bloqueio e Etiquetagem de Sistemas de Energia Planejamento da Segurança no Trabalho Treinamento dos Gerentes e Supervisores Treinamento da Força de Trabalho Reuniões de Segurança Promoções de Segurança e Saúde Segurança de Visitantes e da População Equipamento de Proteção Inspeções e Manutenção Higiene Industrial Pronta Ação para Emergências Segurança das Contratadas* Observações das Frentes de Trabalho Investigação de Acidentes Relatório e Análise Estatística Auditoria e Avaliações 1, 1, 1,6% 0,6% 2,0% 2,1% 2,0% 2, 0,3% 1,3% 1,0% 2% 1,3% 2% 1,5% 1, 3% 1, 3% 1, 0, 1,5% 3% 0,6% 2% 0,2% 3% 4,0% 3,6% 5% 6% 7% Figura 1 Gráfico dos escores obtidos durante o Diagnóstico Concluída essa etapa, foi realizado um Workshop em que a LIGHT e a Fundação COGE analisaram em conjunto o resultado da auditoria, as recomendações propostas e elaboraram planos de ação para corrigir as deficiências identificadas. Considerando que seria um grande esforço e difícil de gerenciar a implementação de todos os planos de ação, foram estabelecidas prioridades para aqueles que deverão ser implementados nos próximos 12 meses. A Fundação COGE vai assessorar a LIGHT na implementação de alguns desses planos de ação e vai avaliar novamente o nível de implementação após esse período para obtermos um novo diagnóstico da situação daqui a 12 meses. A análise do resultado desse novo diagnóstico e dos planos de ação ainda pendentes vai definir a estratégia a ser adotada pela empresa a partir de então. O projeto prevê a implantação do SGTS na sua integralidade em até 36 meses.

7 CONCLUSÃO Todo esse processo de obtenção do Diagnóstico, da análise das constatações e do estabelecimento dos planos de ação, nos permitiu perceber que o SGTS é uma excelente ferramenta para alcançarmos alto nível de desempenho em SST pelas seguintes razões: 1. Os requisitos de cada Elemento são um conjunto de boas práticas já consagradas internacionalmente, ou seja, quem praticá-las certamente vai melhorar o seu desempenho em SST. 2. Os requisitos dos 22 Elementos interferem diretamente na cultura da organização. Alguns interferem na cultura gerencial (Diretores, Superintendentes, gerentes, Coordenadores, Supervisores, Chefes de Turma, etc), outros na cultura da força de trabalho operacional e outros na cultura dos profissionais de SST. 3. O SGTS mede todo o esforço preventivo que a empresa faz nos diferentes níveis hierárquicos. Essas medições permitem identificar as deficiências e corrigi-las antes da ocorrência de acidentes, ao contrário das tradicionais taxas de freqüência e de gravidade que medem eventos já acontecidos, ou seja, são indicadores reativos. Estamos iniciando agora a implementação dos planos de ação aprovados para os primeiros 12 meses confiantes de que estamos no caminho certo.

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