CUSTOS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

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1 CUSTOS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA Os dados e análises deste relatório são de autoria de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, e fazem parte do projeto Ativos do Campo Grãos, desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Defensivos e sementes elevam custo da safra 2014/15 A safra 2014/15 deve ficar mais cara que a temporada anterior para o produtor de soja brasileiro. Na comparação entre os valores pagos para a próxima temporada com os do mesmo período do ano passado, os fertilizantes até registram valores mais baixos nas principais regiões produtoras da oleaginosa, mas os defensivos e sementes encareceram em proporção maior, o que deve elevar o custo de produção. O Cepea analisou a evolução dos custos nas regiões de Cascavel (PR), Carazinho (RS), Rio Verde (GO) e Sorriso (MT). Foram considerados coeficientes técnicos coletados em painéis junto a produtores, técnicos e consultores das regiões citadas. Para comparativo dos custos, foram consideradas todas as compras de insumos realizadas no trimestre maio-junho-julho dos anos de 2013 e de Na região de Sorriso, o gasto com defensivos aumentou 12,3% em relação à safra 2013/14. Os herbicidas registraram maior influência nesse desembolso, já que se valorizaram 24,3% no período. No mesmo caminho, os pacotes de inseticidas e fungicidas da soja estão 10% mais caros. Com essas variações, o gasto com defensivos em Sorriso foi calculado em R$ 420,78/ha. As sementes também devem puxar os custos de soja, visto que estão 9% mais caras em relação à safra passada. No contrabalanço, os fertilizantes, que registraram queda de 8,3% nos preços, acabaram freando o aumento de custos. Rio Verde foi a região onde os custos mais aumentaram de uma safra para outra, com o desembolso do produtor de soja chegando registrar alta de 7,4%. Somente o reajuste no valor das sementes foi de 30,1%, sendo que o custo passou a ser de R$ 255,20/ha contra R$ 196,15/ha no ano passado. No grupo dos defensivos, o aumento do gasto foi de 12,3%. Os fungicidas encareceram 16,3%, os herbicidas, 13%, e os inseticidas, 11%. Nessa região goiana, os fertilizantes também impediram que os custos se elevassem ainda mais, já que registraram queda de 3% nos gastos. Em Cascavel, cálculos do Cepea mostram que o produtor também deve gastar cerca de 4,2% a mais nesta próxima safra frente à anterior. Na região paranaense, as sementes foram responsáveis por boa parte do aumento no desembolso, com encarecimento de 26,1% em relação ao observado no ano safra anterior. Os gastos com herbicidas e inseticidas registraram alta de 15% e de 10,6%, respectivamente. Já os defensivos tiveram aumento de apenas 1,3% nessa região do oeste paranaense, visto que o gasto com a cesta de fungicidas da soja se reduziu 7,5% no período. Novamente, os fertilizantes também limitaram o aumento dos custos, já que se desvalorizaram 5,1% frente à safra anterior.

2 Na região de Carazinho, o custo do produtor subiu 2,7% no trimestre maio-junho-julho de 2014 em relação ao de As sementes encareceram 25,7% e os herbicidas, 18%, influenciando o aumento no desembolso. Os inseticidas também tiveram seus custos elevados, em 2,5%. Do outro lado da balança, os fertilizantes pressionaram os custos, ficando 2,3% mais baratos nesta safra em relação à passada. Os fungicidas utilizados na região gaúcha também caíram 2,7%. Para aqueles produtores que ainda não negociaram seus insumos, o custo pode ficar ainda maior, visto que, somente em julho, todos os defensivos encareceram em relação ao mês anterior. Segundo levantamento do Cepea, até o final de julho, produtores da região de Sorriso haviam praticamente finalizado a comercialização, restando apenas compras de insumos não planejados anteriormente. Ainda há possibilidade de aumento de área de soja na região mato-grossense, ocupando áreas que seriam destinadas ao algodão. Caso essa mudança ocorra, produtores de MT devem se preparar para custos mais elevados. A preocupação maior fica para as regiões de Cascavel, Carazinho e Rio Verde, que, até o final de julho, estavam com aproximadamente 50% dos seus insumos comprados. Vale ressaltar, ainda, que o cálculo realizado pelo Cepea considerou o mesmo pacote tecnológico para as duas safras analisadas. Assim, caso ocorra problemas com doenças e/ou pragas, que acabam exigindo uso mais intensivo de defensivos agrícolas, os custos podem se elevar ainda mais. Figura 01. Evolução dos custos operacionais (R$/ha) em Cascavel (PR), Carazinho (RS), Rio Verde (GO) e Sorriso (MT) considerando a compra de todos os insumos entre maio e julho de 2013 e 2014.

3 Preço mínimo da pluma pode cobrir custo de produção da safra 2013/14 em MT Enquanto produtores estão atentos à colheita e ao beneficiamento do algodão da safra 2013/14, os preços da pluma em Mato Grosso despencam. Em julho, a média da pluma foi de R$ 1,7100/lp (R$ próxima ao mínimo governamental no estado, de R$ 1,6602/lp (R$ Segundo cálculos realizados pelo Cepea, esse valor mínimo cobre o custo operacional de produção para safra 2013/14, com exceção do algodão 2ª safra 0,45 m. Para esse resultado, o Cepea considerou a compra de insumos entre maio/13 e setembro/13, período de maior comercialização de produtos, e o valor mínimo governamental como receita. Quanto aos cultivos, foram analisados os custos do algodão 1ª safra com tolerância ao glufosinato de amônio e resistente a insetos, o algodão 2ª safra 0,76 m com tolerância ao glufosinato e resistência a lagartas e, por fim, o algodão 2ª safra 0,45 m tolerante a herbicida. Algodão 1ª safra o algodão com tecnologia com tolerância ao glufosinato apresentou rentabilidade sobre o custo operacional (RRCO) de 5,6%, o que representa uma Receita Líquida Operacional (RLO) de R$ 345,40/ha. Para que o algodão safra chegue a margem zero, o preço da pluma precisaria cair para R$ 1,5720 (R$ No caso do algodão resistente a lagartas, o RRCO foi de 13,4% e a RLO, de R$ 777,49/ha. O valor médio da pluma teria que ficar inferior a R$ 1,4646/lp (R$ para não cobrir custos. Algodão 2ª safra 0,76 m o cultivo de algodão com característica com tolerância ao herbicida glufosinato fechou com RRCO de 14,8% nesta safra, enquanto a variedade com resistência a insetos mostrou uma RRCO de 12%. Para o primeiro, o preço que zeraria a margem seria de R$ 1,4467/lp (R$ e, para o segundo, de R$ 1,4824/lp (R$ Algodão 2ª safra 0,45 m O cultivo com tecnologia tolerante ao herbicida glufosinato não conseguiu cobrir o desembolso investido se a pluma for vendida ao preço mínimo. Dessa forma, a RRCO foi de -18,7%, o equivalente a RLO de -R$ 898,72/ha. O preço necessário para cobrir os custos do cultivo dessa tecnologia seria de R$ 2,0426/lp (R$

4 Figura 02. Receita Líquida Operacional (RLO) e rentabilidade sobre o custo operacional (rrco) do algodão em Mato Grosso considerando a venda ao preço mínimo (R$ de pluma). * OGM A: algodão tolerante ao herbicida glufosinato de amônio; ** OGM B: algodão resistente a insetos. Queda no preço do trigo preocupa triticultores Em julho, a semeadura do trigo foi finalizada no Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná algumas áreas já começaram a ser colhidas nas primeiras semanas de agosto. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa é de safra recorde no Brasil, com produção atingindo 7,5 milhões de toneladas do cereal, das quais 95,4% são provenientes do Sul do Brasil. A perspectiva de elevação na oferta interna, o volume de trigo que ainda não foi vendido (mesmo com a proximidade da colheita da safra atual) e a isenção da TEC (Tarifa Externa Comum) para importação do cereal fora do Mercosul pressionaram com força as cotações do cereal em julho. Houve, também, baixa demanda por parte dos moinhos nacionais, já que muitos se estocaram com as aquisições realizadas nos Estados Unidos e na Argentina. A maior queda, segundo dados do Cepea, foi verificada na região de Passo Fundo (RS), onde o trigo se desvalorizou 9,5% de junho para julho, caindo de R$ 31,92/sc (60 kg) para R$ 28,90/sc. Em Guarapuava (PR), a queda foi de 7,8%, com o preço do cereal passando de R$ 41,43/sc em junho para R$ 38,22/sc em julho. Nesse cenário, o Cepea simulou os custos de produção do trigo em Passo Fundo e em Guarapuava, com base nos preços médios dos insumos entre janeiro/14 e março/14, quando se concentraram as compras desses produtos. O objetivo foi verificar qual seria a produtividade

5 necessária para pagar os custos, caso a venda fosse realizada naquele trimestre e nos valores médios atuais (julho). Os coeficientes técnicos foram coletados em metodologia de painel junto a produtores, técnicos e consultores dessas regiões. Em Passo Fundo, o custo operacional (CO) do trigo calculado foi de R$ 1.984,48/ha. Considerando-se o preço de venda médio entre janeiro e março, de R$ 33,08/sc, a produtividade de nivelamento seria de 60 sc/ha para pagar o CO. Ao preço de julho/14 (R$ 28,90/sc), o triticultor dessa região gaúcha teria que produzir 68,7 sc/ha para pagar ao menos seu desembolso. Em Guarapuava, o CO obtido foi de R$ 1.914,30/ha. Entre janeiro e março, quando o preço médio de venda do trigo era de R$ 40,78/sc, o produtor dessa região paranaense necessitaria produzir 46,9 sc/ha para quitar aquele desembolso. Com a cotação do cereal caindo para R$ 38,22/sc em julho/14, essa produtividade de nivelamento subiu para 50,1 sc/ha. Observa-se que, em Guarapuava, apesar da queda no preço do trigo em julho, a produtividade de nivelamento para pagar o CO ainda está dentro do potencial produtivo para região. Segundo estimativas da Seab/Deral, a produtividade na região paranaense deve ser de 60 sc/ha nesta safra. Por outro lado, em Passo Fundo, o cenário é mais preocupante. Embora ainda não haja uma projeção para a região, dados da Emater/RS mostram que, nos últimos anos, a maior produtividade no município, de 60 sc/ha, foi verificada em 2010, o que, em 2014, ainda insuficiente para pagar o CO aos preços de julho/14. Figura 03. Evolução do preço do trigo (R$/sc 60 kg) em Passo Fundo (RS) e Guarapuava (PR) em 2014.

6 Figura 04. Produtividade de nivelamento (sc 60 kg de trigo/ha) do custo operacional (compra de todos os insumos no primeiro trimestre de 2014), considerando os preços médios de venda de janeiro/14 a março/14 e julho/14. Milho safrinha aponta boa produtividade, mas com rentabilidade prejudicada A colheita do milho segunda safra caminha para o fim nas principais regiões produtoras do Brasil e a produtividade está dentro das médias regionais obtidas nas últimas safras. No Paraná, dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab/Deral) indicaram que, até o final de julho, 46% da área semeada havia sido colhida. Para os agentes consultados pelo Cepea, de modo geral, a lavoura se desenvolveu bem. Foram verificadas chuvas na fase final do ciclo e também no início de colheita, mas estas que não devem resultar em perdas significativas. Em Cascavel, agentes consultados pelo Cepea apontam que a produtividade média deve ficar próxima a 110 sc/ha, um pouco maior que a estimada pela Seab, de 100 sc/ha. Para Londrina, a produtividade esperada por agentes de mercado é de 105 sc/ha, também levemente superior à indicada pela Seab, de 90 sc/ha. No Cerrado, a produtividade esperada também está dentro da observada nas últimas safras. Quanto ao clima, chuvas foram verificadas em julho em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Triângulo Mineiro e no sudoeste goiano, prejudicando levemente o andamento da colheita, mas sem grandes impactos na produtividade. A produtividade média apontada por produtores é de 90 sc/ha em Dourados, de 95 sc/ha em Campo Novo do Parecis, de 110 sc/ha em Primavera do Leste e de 90 sc/ha em Sorriso.

7 Em Rio Verde, agentes de mercado consultados pelo Cepea apontam para produtividades entre 110 sc/ha e 120 sc/ha. No Triângulo Mineiro, onde o cultivo do milho segunda safra é uma prática mais recente dentre os estados do Centro-Oeste, os resultados da colheita até o momento apontam para médias entre 100 sc/ha e 110 sc/ha. Apesar de, em termos de produtividade, a segunda safra de milho não ter apresentado problemas significativos, o resultado econômico tem se mostrado preocupante. Os fortes recuos nas cotações do cereal nos últimos meses com as médias ficando abaixo do mínimo governamental em todo Centro-Oeste devem prejudicar a rentabilidade da cultura. Os painéis do projeto Campo Futuro realizados em julho e início de agosto em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apontaram que, em Sinop, Sorriso, Campo Novo do Parecis, Querência e Naviraí, a receita obtida com a venda do milho será insuficiente para quitar sequer o custo operacional. Figura 05. Custo Operacional e Receita Bruta (R$/ha) do milho 2ª safra em municípios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul na safra 2013/14. Fonte: CNA/Cepea (2014).

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