CUSTOS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

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1 CUSTOS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA Os dados e análises deste relatório são de autoria de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, e fazem parte do projeto Ativos do Campo Grãos, desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). BONS RESULTADOS DO MILHO SEGUNDA SAFRA COBREM PREJUÍZOS DA SOJA NO PARANÁ Agosto de 2012 O cenário se mostrava preocupante ao produtor paranaense no final da colheita da soja na safra 2011/12. Os longos períodos de estiagem durante o desenvolvimento das lavouras resultantes dos efeitos do fenômeno climático La Niña geraram reduções de 29% na produção e de 26,9% na produtividade do grão no estado do Paraná em relação à temporada 2010/11, de acordo com dados da Conab. Dessa forma, em muitas regiões, foram observados resultados econômicos insatisfatórios na época da colheita, com a cultura gerando receita abaixo até mesmo do custo operacional de produção (desembolso). A situação, porém, deve ser amenizada pela cultura do milho segunda safra. A produtividade foi favorecida pelo clima chuvas distribuídas ao longo de toda a fase produtiva da lavoura e também os preços foram bons tanto no período de tomada de decisão quanto no encerramento da colheita. O impulso para as cotações veio das adversidades climáticas durante as safras de verão no hemisfério Sul e nos Estados Unidos. O resultado positivo da segunda safra ameniza, então, as perdas do ano-safra 2011/12 geradas pela redução da produtividade da soja, principalmente nos estados do Sul do Brasil. O sistema de produção soja sucedida por milho na temporada 2011/12 nas regiões de Londrina (PR) e Cascavel (PR) ilustra bem a importância que a segunda safra teve para a recuperação das perdas econômicas da primeira. Com o objetivo de estimar esses resultados, a equipe Cepea simulou cálculos baseados na estrutura das propriedades típicas dessas regiões e em seus respectivos coeficientes técnicos coletados em painéis realizado em julho/12 com produtores, técnicos e consultores locais. Os preços de comercialização e de insumos agrícolas (retroativos) foram ajustados de acordo com a série do Cepea e ponderados de acordo com o período de realização dos negócios. Os dados de produtividade também foram considerados a partir de informações coletadas pela equipe junto a agentes de mercado das regiões analisadas. Em Cascavel, a soja apresentou custo operacional (CO) de R$ 1.137,44/ha e custo total (CT) de R$ 1.974,70/ha. Considerando-se a produtividade de 25 sc/ha ao preço médio de venda de R$ 44,95/sc, a receita bruta foi calculada em R$ 1.123,75/ha. Observa-se, nesse caso, um cenário crítico ao produtor. O desembolso não foi pago e sinaliza endividamento com essa cultura. No caso do milho segunda safra, o cenário foi totalmente oposto. A produtividade de 91,8 sc/ha e o preço de venda de R$ 23,22 sc/ha geraram receita de R$ 2.131,60/ha, suficiente para pagar o CO de R$ 1.489,63/ha, o CT de R$ 1.977,82/ha e ainda gerar margem positiva para a cultura. Ao se analisar o balanço do ano-safra em que a soja foi sucedida pelo milho obtêm-se, para a região de Cascavel, custo operacional de R$ 2.627,07/ha (para as duas culturas) e custo total de R$ 3.952,52/ha. Por sua vez, a receita total gerada com a venda das duas colheitas foi de R$ 3.255,35/ha. O bom resultado do milho, portanto, não teria compensado integralmente as perdas da soja. Caso o produtor de Cascavel tivesse optado apenas pela safra de verão com a soja, ele teria se endividado. Mas, nos casos em que o milho foi plantado na sequência, embora o CT do ano-safra não tenha sido totalmente saldado, o desembolso e os custos fixos de depreciação de máquinas, de implementos e de benfeitorias, além dos juros sobre capital investido foram pagos. O único item que não foi integralmente remunerado foi o custo de oportunidade de uso da terra (arrendamento).

2 Em Londrina, o resultado da soja foi melhor que em Cascavel, mas ainda abaixo do CT. A receita gerada pela produtividade de 37 sc/ha e venda a R$ 48,82/ha foi suficiente para pagar o CO de R$ 1.126,97/ha, porém não o CT de R$ 1.865,18/ha. Já no milho segunda safra, o resultado foi excelente, com receita bruta de R$ 2.223,00/ha (97,5 sc/ha ao preço de R$ 22,80/sc), pagando tanto o CO de R$ 1.474,19/ha desta cultura, quanto o seu CT de R$ 1.624,47/ha. Dessa forma, o sistema de dupla safra (soja+milho) apresentou resultado positivo em Londrina, com as culturas gerando receita de R$ 4.029,84/ha, frente ao custo total de R$ 3.489,65/ha, gerando margemm líquida de R$ 539,69/ha no ano-safra 2011/12. Na elaboração do planejamento agrícola e na análise de risco de cada atividade, o estudo da dupla safra se evidencia como essencial. Como se viu, nas regiões paranaenses, os resultados negativos da safra verão foram amenizados ou até mesmo revertidos devido ao ótimo resultado da segunda safra. Cabe a ressalva, porém, que, em uma situação ótima, os ganhos de uma cultura não devem ser utilizados para saldar os prejuízos de outra. R$ 4500,000 R$ 4000,000 R$ 3500,000 R$ 3000,000 R$ 2500,000 R$ 2000,000 R$ 1500,000 R$ 1000,000 R$ 500,000 R$ - Soja Milho 2ª safra Sistema (soja+milho) Soja Milho 2ª Sistema safra (soja+milho) Cascavel Londrina CO COT CT RB Figura 1. Custo operacional (CO), custo operacional total (COT), custo total de produção (CT) e receita bruta (RB) da soja, milho e do sistema soja seguido de milho segunda safra em Cascavel (PR) e Londrina safra 2011/12, em R$/ha. Fonte: Cepea/CNA. PRODUÇÃO RECORDE PARA SEGUNDA SAFRA DE MILHO VAI SE CONFIRMANDO Sul e Cerrado caminham para fase final da colheita do milho 2ª safra e, segundo dados coletados pelo Cepea, os números da tão esperada supersafra vão se confirmando. No relatório de agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que a produção do cereal de segunda safra atingirá 38,6 milhões toneladas, aumento de 71,,7% em relação à segunda safra anterior, superando pela primeira vez a safra verão de milho, que não passou de 34,2 milhões de toneladas. Os estados de Mato Grosso e Paraná são os grandes responsáveis pelo aumento de produção, com 65,6% do montante final. Quanto à área plantada, a Conab estimou crescimento de 6,2 milhões para 7,6 milhões de hectares.

3 O avanço da produção do Cerrado foi motivado por um conjunto de fatores, como venda antecipada do milho na base da troca por adubo e sementes, maior agilidade no plantio com máquinas modernas, condição climática favorável e aumento da área. O regime pluviométrico, na safra 2011/12, foi atípico. As chuvas se estenderam até junho em algumas regiões, motivando maior investimento durante o desenvolvimento da cultura. Com base em informações dos agentes consultados pelo Cepea, no Paraná, a média de produtividade deve ser de 95 sc/ha nas regiões de Cascavel e Londrina. No estado, o excesso de umidade atrasou a colheita no início de julho, porém, o recente clima seco favoreceu o prolongamento dos trabalhos. Em julho, metade da área de produção da safra 2011/12 no Paraná havia sido colhida. Segundo os agentes consultados, as chuvas ocorridas no final do ciclo estão longe de prejudicar a produção final do cereal, embora tenha havido focos isolados de doenças, como a giberela e a mancha foliar de Phaoeosphaeria. 45,00 40,00 Produão (milhões ton) 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 GO PR MT BR Figura 2. Produção de milho 2ª safra nos estados de Goiás, Paraná e Mato Grosso e do total no Brasil safra 2011/12. Fonte: Conab (2012). Já no Cerrado, no final de julho, a colheita superava os 60% da área. Dados do Cepea apontam a média de 110 sc/ha nas regiões mato-grossenses e 117,5 sc/ha em Rio Verde (GO). Mato Grosso, que é o líder em termos de produção, já se aproxima do fim da colheita e, segundo o balanço de agosto da Conab, devem ser colhido no estado aproximadamente 15 milhões de toneladas, variação de 104% em relação à segunda safra 2010/11. Agentes de mercado acreditam que o total será ainda maior. Se, por um lado, os dados produtivos tomam proporções acima da média, por outro, verificam-se os problemas de armazenamento e de escoamento do produto. Em algumas localidades do Cerrado, em especial em Mato Grosso, há casos o cereal armazenado a céu aberto. A confiança do produtor e dos agentes fica por conta das exportações, que prometem se aquecer com a confirmação da quebra de safra dos Estados Unidos. Contudo, escoamento de emergência tem se repetido há alguns anos, havendo necessidade de fortes investimentos para os próximos anos.

4 PR MT GO Produtividade (sc/ha) Área colhida (%) 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Figura 3. Produtividade (sc/ha) e área colhida (%) de milho 2ª safra nos estados do Paraná, Mato Grosso e Goiás referente as regiões analisadas pelo Cepea safra 2011/12. Fonte: Cepea (2012). COTONICULTURA: TRIMESTRE COM CHUVAS NA COLHEITA, CAROÇO EM ALTA E PREÇO MISTO PARA PLUMA O clima do trimestre maio, junho e julho foi prejudicial para a cotonicultura brasileira. As chuvas em excesso no final do ciclo do algodão safra atrasaram a colheita e causaram prejuízos às lavouras das principais regiões produtoras de Mato Grosso. Em contrapartida, o algodão segunda safra se beneficiou das precipitações. Segundo dados levantados pelo Cepea, até final de julho, 55% da área havia sido colhida em Rondonópolis e 65% em Campo Novo do Parecis. As cotações da pluma apresentaram comportamento misto no trimestre, com média de R$ 1,44/lp de pluma nas regiões mato-grossenses analisadas pelo Cepea. A expectativa de compradores era de que com a intensificação da colheita os preços cedessem, levando-os a postergarem as aquisições. Para vendedores, com o avanço da colheita objetivaram o cumprimento de contratos antecipados, ficando retraídos para negócios no spot. Nos períodos recentes, viram futuras oportunidades com a seca nos EUA e demanda da Índia e China, o que poderia elevar as cotações. No geral, a liquidez no físico permaneceu baixa. A forte alta do farelo de soja no mercado interno e o ritmo lento da colheita e do beneficiamento da pluma criaram um cenário altista para o caroço de algodão, que impulsionou as suas cotações. A média das regiões de Lucas do Rio Verde, Campo Novo do Parecis, Primavera do Leste e Rondonópolis levantadas pelo Cepea foi de R$ 401,97/t em julho/12, valorização de 45% em relação a janeiro/12. Por outro lado, o confinador de boi gordo perdeu significativamente poder de compra. Além da forte valorização do caroço, o preço do boi caiu. Em Cuiabá (MT), a arroba passou de R$ 87,89 em janeiro de 2012 para R$ 83,05 em julho de 2012, redução de 5,2%. Considerando-se esses preços do boi gordo e do caroço, sem o frete, um quilo de boi gordo equivalia a 21,06 quilos de caroço de algodão em janeiro; já em julho, a apenas 13,8 quilos.

5 TOMADA DE DECISÃO AMPLAMENTE FAVORÁVEL PARA A SOJA A forte alta nos preços internos e externos da soja no correr deste ano deve levar o produtor a semear o máximo da sua área com a leguminosa na safra 2012/13, principalmente se forem analisados os cenários de rentabilidade da soja e do milho verão. Esse é o quadro verificado em quatro importantes regiões que tradicionalmente semeiam soja e milho na safra de verão, com a oleaginosa destacando-se com retorno superior a 70% sobre o Custo Total (CT), enquanto o milho aponta, em média, 30% de retorno sobre o CT. Para se determinar o retorno por Real investido na soja e no milho, o Cepea calculou o custo médio total de produção com base nos preços dos insumos entre janeiro e julho de 2012 proporcional aos períodos de maior negociação. Na outra ponta, para a variável preço de venda, a equipe considerou hipoteticamente a venda de toda a produção a preços de julho/12. Com as estimativas possíveis no período de tomada de decisão, a expectativa de que a área semeada com soja deve aumentar de forma significativa na safra 2012/13 é reforçada, com produtores devendo utilizar áreas de pastagens e também as que seriam destinadas ao milho de primeira safra. Segundo dados divulgados em agosto pelo USDA, a área de milho da primeira safra no Brasil deve, pela primeira vez na história, ser inferior à da segunda safra, tanto devido à perda de área da primeira safra quanto pelo avanço da segunda. Já para a soja, o Departamento norte-americano estima aumento de área de 2,5 milhões de hectares para a temporada 2012/13. A análise da rentabilidade das duas culturas nas regiões de Cascavel (PR), Carazinho (RS), Rio Verde (GO) e Uberaba (MG) aponta ampla vantagem para a soja frente ao milho. Neste contexto, segundo cálculos do Cepea, a soja na região de Cascavel mostra o melhor resultado, com 93% de retorno por real investido sobre o custo total (RRCT). Já o milho registra RRCT de 42%, ou seja, para cada real do custo total, retorno é de R$ 1,42, o que deve influenciar o produtor paranaense a preencher a maior parte possível de sua área com soja na primeira safra. Porém, deve ser destacado o fato de que o retorno do milho ainda é muito bom, já que paga os custos totais (desembolso, depreciações e remuneração sobre capital investido) e proporciona margem positiva de 42%. Rio Verde registra o segundo melhor cenário, quando analisada pontualmente a cultura da soja, com 89% de RRCT. O milho, porém, apresenta RRTC 68 pontos percentuais menor, apresentando retorno de apenas 21% no cálculo feito pelo Cepea. Carazinho é a região onde se obteve a maior proximidade entre a rentabilidade do milho e a da soja, mas ainda com vantagem significativa para a soja. A leguminosa da região gaúcha mostrou retorno de 57% por real investido sobre o custo total e no milho, de 34%. Em Uberaba, o RRCT da soja foi de 70% e o do milho primeira safra, de 24%. Os resultados, conforme exposto, apontam vantagem muito significativa para a soja na tomada de decisão do produtor. Com isso, a área semeada com a leguminosa pode aumentar de forma consistente, reduzindo ainda mais a participação do milho primeira safra na matriz agrícola nacional e confirmando a ascensão do cereal semeado na segunda safra.

6 QUEM DEIXOU PARA ÚLTIMA HORA PODE TER UMA DAS MELHORES RELAÇÕES DE TROCA A relação de troca de soja por cloreto de potássio (KCL) atingiu, em julho, o melhor resultado, considerando-se toda a série de preços de fertilizantes do Cepea, iniciada em Para os produtos intermediários, a relação de troca se aproxima do melhor resultado. Vale destacar, no entanto, que apenas os produtores que ainda tinham o grão para negociar e que deixaram para adquirir os fertilizantes em julho/12 se favoreceram de tal relação. Por outro lado, para quem deixou para a última hora, ainda existe o risco da não entrega dos produtos, devido aos atrasos no descarregamento de fertilizantes nos portos, por conta da greve de agentes federais nos terminais portuários. Na média de todas as regiões acompanhadas pela equipe de custos do Cepea, em julho, o produtor precisou de 20,71 sacas de soja para adquirir uma tonelada de fertilizante, sendo que, em julho de 2011, foram necessárias 29,81 sacas para a mesma compra. A compra de uma tonelada de super simples equivaleu a 12,54 sacas de soja, 1,67 saca a mais que em junho/09, quando foi registrada a relação de troca mais favorável ao sojicultor da série do Cepea, e 5 sacas a menos que julho de ,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 - KCL SS Figura 4. Relação de Troca de soja por cloreto de potássio e super simples média das regiões pesquisadas de janeiro de 2008 até julho de Fonte: Cepea/CNA

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