biblioteca CONSULTORAS Patrícia Corsino e Hélen A. Queiroz

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1 biblioteca CONSULTORAS Patrícia Corsino e Hélen A. Queiroz

2 SINOPSE geral da série Chico, 6 anos, adora passar as tardes na estamparia de fundo de quintal do seu avô. Nela, Vô Manu construiu um Portal por onde o menino viaja pelo mundo da fantasia. Ocride, o papagaio tagarela do avô, é o grande companheiro de Chico na Ilha dos Jurubebas, uma civilização formada por seres que são uma mistura de dois bichos. Na ilha eles se transformam em personagens animados e encontram a menina Anabela. O lugar é fascinante, tem um vulcão que expele letras, frutas como a mangalarancia e seres que adoram cantar. Ozo, o monstro, quer expulsar os Jurubebas desse paraíso. Mas, Chico, Ocride e Anabela adoram aventuras e são bem mais espertos do que Ozo imaginava... 1

3 sinopse do episódio no último episódio da série, Chico já lê com autonomia e fica fascinado quando a escrita reaparece na Ilha dos Jurubebas, surgindo em placas e grandes letreiros. O garoto se encanta, sobretudo, com a biblioteca organizada pelo Sábio Bido, onde há inúmeros exemplares que agora poderão ser compartilhados com a população da Ilha. Nesse episódio, há uma grande celebração da leitura e da escrita, já que o personagem principal comemora sua possibilidade de ler e escrever sozinho, além de compartilhar com os amigos essa conquista. A grande festa de despedida acontece, não por acaso, na biblioteca. Anabela ganha um livro de Chico e também um convite para aprender a ler. PALAVRAS-CHAVE Biblioteca da escola; livro; acervo; catalogação; organização; empréstimo; promoção da leitura. 2

4 PRINCIPAIS CONCEITOS A SEREM TRABALHADOS A Lei nª / 2010 dispõe sobre a universalização das bibliotecas escolares no país até o ano de Isto significa que todas as escolas brasileiras deverão ter uma biblioteca pensada e adequada para cada etapa educacional, onde acervos sejam organizados e o trabalho de promoção da leitura seja desenvolvido junto à comunidade escolar. A Lei foi criada na perspectiva de melhoria da qualidade da educação no Brasil, pois pesquisas evidenciam a importância da biblioteca escolar no processo de escolarização, pelo incentivo à leitura, pela ampliação de referências e de conhecimentos das crianças, entre outros. 3

5 A Biblioteca da escola ou Sala de Leitura é um espaço que precisa de uma atenção especial das equipes de gestão das secretarias e da própria escola para que ganhe importância do contexto escolar. A biblioteca de uma escola não é um depósito de livros, mas um importante lugar de relação das crianças com o mundo da cultura escrita em todas as suas dimensões: da ficção aos conhecimentos científicos. Lugar de reunir, organizar e catalogar os acervos para que todos tenham acesso a eles. Numa biblioteca escolar podem ser reunidos livros literários, informativo científicos, jornais, revistas, acervo cartográfico, CD, DVD e outros recursos como televisão, computadores, fantoches, fantasias. Mas a finalidade de uma biblioteca é a promoção da leitura e do pensamento pensante, como alerta Castrillon (2011). A leitura é sua finalidade primeira. O ideal seria se a escola tivesse espaços distintos para projeção de filmes, trabalho de expressão corporal, dramatização e música, laboratório de informática, atelier de artes visuais, entre outros para que se pudesse ter clareza das funções de cada um destes espaços e das especificidades da biblioteca. Ocorre que, em muitas escolas, bibliotecas são cantos improvisados ou lugar onde se junta tudo, muitas vezes de forma desordenada. Este Episódio dá ênfase à biblioteca e tem como objetivo motivar também você, professor(a), a buscar junto com os diretores, coordenadores e outros professores uma forma de melhor organizar a biblioteca de sua escola. Mas, por que uma biblioteca escolar? 1 - Para reunir os acervos - à medida que programas governamentais como Programa Nacional de Biblioteca na Escola- PNBE- e outros mais locais vão tendo continuidade na distribuição de livros para as escolas, faz-se necessário ter um espaço para reunir os acervos. Os livros juntos permitem uma organização por gênero e autores, que facilita a busca e o desenvolvimento de projetos. A dispersão do acervo não favorece o trabalho de consulta e de empréstimo, não dá um panorama dos livros existentes na escola. 4

6 2 - Para o acervo ficar acessível a todos - catalogar e organizar - é preciso saber quais os livros que existem na escola, organizá-los de forma a serem encontrados e para ter controle sobre deles. Não se pode esquecer de que os livros distribuídos por programas governamentais são bens públicos, são para uso da comunidade escolar e não apenas para uso individual e guarda pessoal em armários trancados e inacessíveis. As bibliotecas que não são informatizadas precisam ter um livro tombo (um caderno de atas com a listagem manual dos livros por ordem de aquisição). Mas atualmente é mais ágil ter a biblioteca informatizada. Há disponível para download gratuito, um programa para catalogação de bibliotecas escolares de fácil manuseio denominado Minibiblio (disponível em: com/). 3 - Para ter o acervo organizado e classificado - Aos poucos, com planejamento e envolvimento da comunidade escolar, os livros podem ser registrados nesse ou em outro banco de dados. Uma vez catalogados é necessário organizar os livros em estantes com algum critério que facilite a busca. Sugerimos organizá-los por gênero (poesia, narrativas curtas, narrativas longas, contos tradicionais, teatro, livro de imagem, livro brinquedo, história em quadrinhos, livros informativos, livros didáticos, livro de estudos de professores, revistas científicas, outras revistas) e, no interior do gênero, por autor em ordem alfabética. As narrativas podem ser sub categorizadas em livros policiais, de terror, de humor, etc. É importante que haja estantes baixas e com livros organizados com as capas para frente. Assim chamam mais a atenção das crianças, o que facilita sua escolha. Pode haver estantes e cestas com livros em destaque separados pelo responsável pela Biblioteca por alguma razão pedagógica (projetos como, por exemplo, contos de fadas, poesia ou de autores como Ana Maria Machado, Lygia Bojunga Nunes). Além de estantes, o espaço precisa comportar ambientes de leitura diversos, com lugar para leitura coletiva e também individual ou em pequenos grupos. Ter lugar para uma roda, tapetes, almofadas e também mesas coletivas e cadeiras. 5

7 4 - Para empréstimo - o acesso ao acervo inclui empréstimo de livros para adultos e crianças da escola e isso deve ser feito com regularidade e controle. A biblioteca deve ter suas regras para emprestar os livros de forma a poder melhor socializá-los. É preciso estipular: i) um tempo para cada um ficar com o livro - passado esse tempo, entrar em contato com o usuário; ii) regras de reposição do livro, em caso de perda ou de danos; iii) momentos de troca e socialização das leituras feitas pelos usuários da biblioteca. O programa sugerido, Mini Biblio, tem espaço para registrar na ficha do livro o nome de quem solicitou o empréstimo. Como os livros atuais apresentam um código de barras, leitores destes códigos podem facilitar o registro dos empréstimos. atividade literária E. T. I. Aprígio Thomaz de Matos - Palmas/TO 6

8 5 - Para promoção da leitura literária - é preciso também ter momentos de promoção da leitura literária, com narração de histórias, dramatizações, recitais, saraus, entre outros. A leitura literária é fundamental para a ampliação de experiências e formação das crianças. 6 - Para pesquisa e consulta - a biblioteca é também lugar de encontrar obras informativas para consulta e pesquisa dos mais diversos temas. Além de estantes específicas para os livros informativos, cabe ter computadores para esta finalidade (aqui distinguimos este uso dos outros usos do computador que, a nosso ver, deveria ser em espaços distintos como um laboratório de informática). Entender como funciona a biblioteca (empréstimos e visitas), como se organiza os livros nas estantes, como se identifica os diversos gêneros deve fazer parte do cotidiano das crianças dos anos iniciais. Escolher livros para ler sozinho ou em grupos, para levar para casa e ler com os familiares, são práticas de leitura importantes. Também deve ser um lugar em que as crianças possam ouvir histórias e poemas lidos por professores que emprestam sua voz ao texto. crianças em atividade de leitura E. T. I. Aprígio Thomaz de Matos - Palmas/TO 7

9 ~ SUGESTAÃO DE ATIVIDADES Explorar o espaço da Biblioteca, com todo o seu potencial de formação do leitor, é um dos grandes objetivos da escola. A biblioteca como lugar de referência para a entrada no mundo ficcional, lugar de acionar o imaginário, de fazer pensar sobre si mesmo, sobre o outro, sobre a vida a partir das histórias e poemas; lugar também para aprender, para se informar e pesquisar. Lugar onde os livros estão próximos das crianças e a informação, acessível. Promover encontros na biblioteca da escola ou do bairro mais próximo para rodas de leitura de contos e poemas é sempre estimulante para um grupo que está se apropriando do universo da escrita. As leituras devem ser preparadas previamente por você, professor(a), 8 e também mediadas com perguntas que provoquem as crianças a pensar sobre o texto lido. Preparar saraus de poesia e momentos de leitura e narração de histórias entre as turmas da escola também contribui para a formação de leitores na infância. Levar as crianças a perceberem a biblioteca como lugar de pesquisa, conhecimento e diversão, explorando diferentes gêneros e autores, é função primordial da escola. Para isso, é fundamental que os professores sejam leitores e conheçam bem o acervo da biblioteca ou Sala de Leitura de sua escola! Roda de Leitura E. M. Profª. Consuelo Amora - Fortaleza/CE

10 DURAÇÃCAO, ~ DAS ATIVIDADES SUGERIDAS Toda escola deveria ter, pelo menos uma vez por semana, garantida a ida das turmas à biblioteca. Ir à biblioteca para ouvir histórias e recitais de poemas, para ler e para escolher livros para levar para casa. Toda biblioteca da escola deveria ficar aberta no horário do recreio e também uns minutos antes da entrada e outros depois da saída para que as crianças possam buscar este espaço por livre iniciativa. Também é importante que os professores levem a turma à biblioteca para fazer consultas e pesquisas. Além das atividades permanentes, cabem projetos específicos, como feira literária, envolvendo a escola toda, visita de autores e ilustradores, lançamento de livros feitos por crianças e adultos e tudo o mais que a imaginação e a leitura podem provocar. Feira Cultural E. M. Profª. Consuelo Amora - Fortaleza/CE 9

11 AVALIAÇÃCAO, ~ A melhor avaliação sobre o funcionamento de uma biblioteca é o fluxo espontâneo de crianças e adultos. O envolvimento da escola toda com o espaço, os eventos promovidos, os murais com fotografias e trabalhos realizados com e a partir das leituras é facilmente observável quando a biblioteca torna-se o coração pulsante da escola. A avaliação do projeto de biblioteca da escola se articula à avaliação do ciclo de alfabetização como um todo. A leitura com sentido para crianças e adultos pode fazer a diferença no cotidiano da escola. exposição de trabalhos de leitura Feira Cultural - E. M. Profª. Consuelo Amora - Fortaleza/CE 10

12 ~ SUGESTÃAO DE ~ AMPLIACOÇÔES, Uma biblioteca escolar que funcione como sugerimos precisa ter uma equipe responsável capaz de fazer ampliações do seu trabalho com parcerias que estabelece com a comunidade escolar, especialmente com professores. Uma equipe envolvida com a promoção da leitura, que investe em projetos permanentes e busca também projetos específicos, pontuais, que cria e acolhe movimentos de crianças e adultos da escola em prol da leitura. grupo docente em reunião E. M. Profª. Consuelo Amora - Fortaleza/CE 11

13 ~ SUGESTÃOES DE LEITURA Chico, Anabela e Ocride na choupana do Sábio Bido. CORSINO, Patrícia (org). Travessias da literatura na escola. Rio de Janeiro: Editora 7 Letras e FAPERJ, 2014, no prelo. FERNANDES, Claudia. Avaliação no ciclo de alfabetização: mitos e fatos. Salto para o Futuro, Ano XXII - Boletim 9 - Novembro In: MEC. Ensino Fundamental de Nove anos: orientações para inclusão das crianças de 6 anos de idade. Brasília, 2ª edição Disponível em: SPAIVA, Aparecida, MACIEL, Francisca, COSSON, Rildo (org.). AColeção explorando o ensino. Literatura: ensino fundamental. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de educação básica, Disponível em: 12

14 facebook.com/tvescola twitter.com/tvescola youtube.com/tvescola tvescola.mec.com.br PRODUÇÃO REALIZAÇÃO Ministério da Educação

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