Resumo Aula-tema 01: A literatura infantil: abertura para a formação de uma nova mentalidade

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1 Resumo Aula-tema 01: A literatura infantil: abertura para a formação de uma nova mentalidade Pensar na realidade é pensar em transformações sociais. Atualmente, temos observado os avanços com relação à Tecnologia da Informação e Comunicação, e o quanto a era da informática se faz presente em nosso dia a dia. Em meio a tais transformações, emerge uma reflexão sobre o papel da educação e do ensino, pois é nessa área que se baseiam ou surgem novos princípios ordenadores da sociedade, em decorrência da possibilidade que ambos têm de formar uma nova mentalidade ou a consciência de mundo. É nesse mesmo sentido que a literatura infantil se destaca, pois, de acordo com Coelho (2000, p. 15), a verdadeira evolução de um povo se faz ao nível da mente, ao nível da consciência de mundo que cada um vai assimilando desde a infância. Ou ainda não descobriram que o caminho essencial para se chegar a esse nível é a palavra. Ou melhor, é a literatura verdadeiro microcosmo da vida real, transfigurada em arte. Diante dessa perspectiva, cabe a seguinte indagação: qual é a finalidade da literatura infantil? Entre suas muitas contribuições, algumas merecem destaque, como a de servir como agente de formação, tanto de forma espontânea como direcionada pela escola, bem como a importância da literatura para a formação da consciência de mundo por crianças e jovens. Sabe-se que a escola é considerada um espaço privilegiado para impulsionar mudanças significativas na sociedade, pela responsabilidade que lhe é atribuída para a formação do indivíduo. Da mesma forma, os estudos literários impulsionam e estimulam o exercício da mente, a possibilidade da reflexão e percepção entre o mundo real e o imaginado, a elaboração da consciência de si e do outro, a criticidade em relação à leitura do mundo, a língua como forma de expressão verbal significativa e consciente, evidenciada por Coelho (2000, p.16) como condição sine qua non para a plena realidade do ser.

2 Partindo desses princípios, considera-se que a literatura infantil é um agente ideal para a formação de uma nova mentalidade. Assim sendo, a escola deve proporcionar ao ser em formação o autoconhecimento e o acesso ao mundo da cultura. Considerando a articulação entre a escola e os estudos literários, faz-se também necessária a reflexão sobre alguns pressupostos ou princípios educacionais para se garantir ao educando a assimilação de informações e conhecimentos, bem como estimular ou liberar potencialidades de cada ser, por meio de um projeto de ensino e estudo da literatura infantil que aborde concepções, valores e definições importantes para o trabalho do professor (como, por exemplo, as concepções em que se consideram a criança como um ser educável, ou seja, um aprendiz de cultura, e a literatura como um fenômeno de linguagem decorrente da experiência existencial, social e cultural do meio em que vivemos). A questão colocada aqui se refere à responsabilidade do professor, considerado como um agente formador, assim como em qualquer campo do conhecimento, de promover sua autoformação em relação à literatura infantil, assimilando e conhecendo as transformações atuais, reorganizando seu próprio conhecimento de mundo para direcionar seu trabalho de forma a contemplar a possibilidade para a formação da consciência de mundo pelas crianças e jovens. Nessa discussão, é importante evidenciar a necessidade de uma postura crítica dos professores ao trabalhar e selecionar textos literários consagrados ou os que emergem da literatura atual, haja vista a presença de valores que dizem respeito a nossa organização social em tais produções. Esses valores são classificados entre o Tradicional, ou seja, passado, e o Novo, isto é, o presente. Como exemplo da dualidade existente nas produções literárias para as crianças, podemos destacar o confronto entre o racismo (contemplado nos Valores Tradicionais), em que há a separação entre brancos e negros, o que reflete uma situação social concreta, e o antirracismo (ressaltado pelos Valores Novos) em relação às justiças humanas, sociais e à igualdade das raças. A análise dos diferentes valores nas produções literárias possibilita a colocação de outra questão: qual seria a natureza da literatura infantil? Coelho (2000, p. 27) afirma que:

3 Literatura é uma linguagem específica que, como toda linguagem, expressa uma determinada experiência humana, e dificilmente poderá ser definida com exatidão. Cada época compreendeu e produziu literatura a seu modo. Conhecer esse modo é, sem dúvida, conhecer a singularidade de cada momento da longa marcha da humanidade em sua constante evolução. Compreende-se que a literatura representa conhecimentos que são passados e registrados de geração para geração e evidenciam a forma de pensar ou conceber o mundo de cada época, ou seja, a realidade social. Por essa razão, é considerada como sendo uma forma de arte literária. Assim, qual seria o papel da literatura infantil neste contexto? Da mesma forma que a produção literária destinada a adultos deseja atuar sobre as mentes, no caso particular da literatura infantil a criança é considerada como leitora e receptora das produções literárias. As histórias para crianças foram, a princípio, baseadas na concepção da criança como um adulto em miniatura e tinham por finalidade aproximá-la de um mundo repleto de atitudes e valores considerados importantes para a vida adulta. Dessa forma, a literatura, por meio da adaptação dos clássicos e contos populares, com conteúdos voltados para o universo adulto, revelou uma tentativa de preparar a criança para enfrentar a realidade e adentrar na vida adulta (ou ainda atrair o pequeno leitor e ouvinte para participar de experiências com relação à realidade e ao mundo imaginado). Os estudos da Psicologia Experimental contribuíram para superar tal concepção, afirmando que a criança é um ser diferente do adulto, com características que lhe são próprias e, portanto, se desenvolve em diferentes estágios, da infância à adolescência. Essas afirmações confirmaram também a necessidade de se considerar a relação entre a criança, o livro, o ato de ler e a adequação das produções literárias, devido às diferentes fases também do leitor, definindo-se assim categorias de leitor. As inclusões em determinada categoria de leitor são sempre aproximadas, pois não dependem exclusivamente da idade do leitor, mas pressupõem a interrelação entre a idade cronológica, o nível de amadurecimento biológico, cognitivo e afetivo e

4 o domínio do mecanismo da leitura. Portanto, servem como princípios norteadores para a seleção de livros considerados adequados aos respectivos leitores, como segue: Pré-leitor se divide em duas fases: Primeira infância (dos 15/17 meses aos 3 anos) e Segunda infância (a partir dos 2/3 anos); Leitor iniciante (a partir dos 6/7 anos); Leitor em processo (a partir dos 8/9 anos); Leitor fluente (a partir dos 10/11 anos) e Leitor crítico (a partir dos 12/13 anos). Certamente compreender as diferentes categorias de leitor auxiliará o professor na seleção adequada das produções literárias. Do mesmo modo, compreender as relações entre a história e natureza da literatura infantil também é necessário. Como visto anteriormente, a literatura infantil foi adaptada a partir do universo adulto e, posteriormente, destinada à criança. Nesse percurso histórico das histórias infantis, é possível observar que algumas obras continuaram a interessar às crianças, como, por exemplo, as que contemplavam fatores como a popularidade e a exemplaridade. Essas produções derivaram-se da literatura popular, da tradição oral, baseadas no mito, na lenda e em outros gêneros que, por sua vez, constituem também a literatura infantil. Nessa relação, o que é necessário ser evidenciado é que em ambas as literaturas há a presença da linguagem simbólica, da sensibilidade, dos sentidos e das emoções, o que particularmente atrai o interesse da criança. Portanto, a literatura infantil é considerada como um meio ideal para auxiliar a criança a desenvolver suas potencialidades, assim como auxiliá-la em seu amadurecimento, desde a infância até a idade adulta. Conceitos Fundamentais Tecnologia da informação e comunicação Refere-se a novas tecnologias e métodos para comunicar informações tecnológicas; chamada também de NTICs. Era da informática Refere-se ao período após a era industrial de 1980; também conhecida como era digital. Literatura infantil Refere-se à área da literatura destinada às crianças. Sine qua non Expressão latina que significa sem o qual não pode ser ; imprescindível.

5 Psicologia Experimental Refere-se à área da Psicologia que estuda o comportamento observável e se utiliza de experimentos como meio de investigação. Literatura popular Refere-se à literatura que se originou da tradição oral. Consciência de mundo e cultura Refere-se à relação que se estabelece entre o eu e o outro, e à possibilidade de representação e conhecimento de determinada realidade (mundo/meio ambiente em que vivemos) ou valores (cultura, artes, ciências, costumes, sistemas, leis, religião, crenças, esportes, mitos, valores morais, entre outros) que se constituem ao nível da mente do indivíduo. Referências COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, COELHO, Nelly Novaes. Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil. Das origens indo-europeias ao Brasil contemporâneo. 5ed. Barueri, SP: Manole, 2010.

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