PROPOSTA DE OFICINAS DE LEITURA E ESCRITA COMO APOIO PARA CRIANÇAS COM ATRASO DE LINGUAGEM ESCRITA

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1 PROPOSTA DE OFICINAS DE LEITURA E ESCRITA COMO APOIO PARA CRIANÇAS COM ATRASO DE LINGUAGEM ESCRITA Ana Paula ZABOROSKI Ana Cândida SCHIER Jáima Pinheiro de OLIVEIRA Sabrina Antunes dos SANTOS Discente do Curso de Fonoaudiologia da Universidade Estadual do Centro UNICENTRO Participante do projeto Rosyane Mayre Pimenta NATAL Discente do Curso de Fonoaudiologia da Universidade Estadual do Centro UNICENTRO Participante do projeto O processo de construção da linguagem escrita O presente projeto fundamenta-se nos pressupostos teóricos sócio-

2 culturais (VYGOTSKY, 1987; 1984), qual concebe a linguagem enquanto constituinte do sujeito, priorizando o ambiente social e a presença do outro em relações fundamentais que mediam todo o processo de desenvolvimento. No trabalho com a linguagem escrita, dentro desses pressupostos teóricos, considera-se, portanto, os aspectos de letramento, isto é, as práticas sociais que podem ser realizadas por meio da leitura e da escrita, sem necessariamente ser alfabetizado. Nessa perspectiva, o trabalho com a linguagem escrita deve despertar na criança o interesse pelas práticas de leitura e escrita, deixando clara a sua importância. Atividades que envolvam leitura de textos que circulam na sociedade tais como rótulos, jornais, revistas, folhetos e gibis, podem ajudar a exemplificar quão necessária a leitura e a escrita serão na vida da criança. É preciso que ela aprenda a dar sentido ao que escreve e lê ensinando não somente a se alfabetizar, mas também a se comunicar através dessas práticas (TFOUNI, 2004; SOARES, 2002; 2003; TFOUNI, 1988). Por meio desse incentivo, a criança se encontrará em uma situação de necessidade tomando assim consciência do real sentido da linguagem escrita. O incentivo especial também inclui dar valor a qualquer produção espontânea da criança enfatizando o conteúdo da mesma e não somente aspectos formais. Desse modo, cabe aos profissionais especializados oferecer apoio no que se refere a esse processo de construção da linguagem. Nesse sentido, o trabalho terapêutico visa transformar a relação de sofrimento que o paciente estabelece com a linguagem escrita, propondo atividades voltadas para um olhar de aspectos de letramento, configurando uma opção mais produtiva (BERBERIAN, 2003). De modo geral, o objetivo do projeto de extensão é fornecer atendimento em grupo para crianças com atraso no processo de construção da linguagem escrita. De modo específico, o projeto visa despertar nos alunos o interesse pelas práticas de leitura e escrita e propiciar situações que possibilitem a concepção da linguagem escrita, enquanto instrumento da cultura. Aspectos metodológicos Os atendimentos são de 1 hora semanal e acontecem em grupos de no

3 máximo 6 escolares, mediados por discentes e docentes (coordenadores e participantes do projeto). Os atendimentos ocorrem atualmente na Clínica-Escola de Fonoaudiologia e Psicologia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), o que não impede porém que sejam realizadas atividades também nas escolas dos alunos. Os alunos são selecionados por meio de avaliação fonoaudiológica prévia, na qual deverá constar diagnóstico de atraso no processo de construção da linguagem escrita. Para dar início aos atendimentos os pais ou responsáveis pelos alunos devem assinar um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), para fins de participação voluntária no projeto, responsabilidade da presença do aluno nos dias de atendimento, bem como, do uso dos dados das oficinas para pesquisa. Os materiais a serem utilizados nas oficinas são definidos ao longo dos atendimentos, a partir da elaboração de cada atividade, basicamente se compondo de materiais escritos de circulação cotidiana, tais como: jornais, revistas, rótulos, dentre outros. Também são realizadas atividades com o uso de jogos, internet, dentre outros. Na análise ora apresentada, participou um grupo de 3 crianças do sexo masculino, sendo dois com 7 anos de idade e um com 8 anos. A coleta de dados foi realizada através da observação de 2 sessões de terapia fonoaudiológica. Essas sessões foram filmadas e posteriormente transcritas para análise. Resultados e discussões preliminares A seguir, serão apresentados trechos de duas sessões, a fim de indicar possíveis aspectos abordados em terapia. Na Sessão 1, o objetivo era o de favorecer aspectos de forma da linguagem escrita, por meio da produção de palavras. Além disso, objetivou-se também trabalhar aspectos de interação dentro do grupo, a fim de aperfeiçoar aspectos pragmáticos da linguagem oral, já que se trata também de uma queixa freqüente nestes casos. Esses elementos foram trabalhados por meio do jogo STOP, no qual os pacientes tinham que lembrar e escrever palavras com as letras sorteadas. Na Sessão 2, o objetivo era o de trabalhar aspectos de produção escrita. Foi realizada uma atividade na qual os pacientes deveriam adivinhar palavras e escrevê-

4 las em tempo adequado a cada dica fornecida pelas terapeutas, podendo inclusive modificar a escolha da palavra escrita. Nessa atividade também as terapeutas convidavam as crianças, ao final, a realizarem correções necessárias na escrita, por meio de um processo de indagação com a criança para que estas refletissem sobre sua produção escrita. Ao longo do trabalho foi possível observar que os pacientes apresentaramse interessados nas brincadeiras, embora tivessem algumas dificuldades para lembrar algumas palavras relacionadas aos temas trabalhados. Observou-se também que houve participação de todos durante a brincadeira e, embora envolvesse aspectos de escrita, a atividade foi vista como prazerosa pelas crianças. As brincadeiras e jogos podem atuar como potencializadores das mais diversas habilidades da criança e, sem dúvida, é por meio dessas atividades, que muitas vezes podem ser desenvolvidas diferentes atividades, contribuindo para inúmeras aprendizagens dos alunos, inclusive no desenvolvimento da linguagem escrita (VINHOTI; DOS SANTOS, 2007). Referências SOARES, M. Linguagem e escola Uma perspectiva social. 17 ed. 9. reimpr. São Paulo: Ática, 2002, 95 p.. Letramento e escolarização. In: RIBEIRO, V. M. (org.). Letramento no Brasil: reflexões a partir do INAF São Paulo: Global, p., p TFOUNI, L. Letramento e alfabetização. São Paulo: Cortez, p. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, VINHOTI, C. R; DOS SANTOS. S G. C. O brincar e a educação. I Encontro de Pesquisa

5 em Educação, IV Jornada de Prática de Ensino, XIII Semana de Pedagogia da UEM: Infância e Práticas Educativas. Arq Mudi. 2007; 11(Supl.2), 2007, Disponível em : Acesso em: 16 de julho de 2008.

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