Adoção das Tecnologias e dos Sistemas de Informação em Entidades Hospitalares Estudo de caso em Portugal Região do Grande Porto

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1 Adoção das Tecnologias e dos Sistemas de Informação em Entidades Hospitalares Estudo de caso em Portugal Região do Grande Porto Rui Bertuzi da Silva 1, Paulino Leite da Silva 1, José Luzia, António José Balloni 2 1 Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto Instituto Politécnico do Porto -ISCAP/IPP-, Portugal 2 Centro de Tecnologia da Informação CTI Brasil Resumo Este relatório de pesquisa retrata os resultados do estudo conduzido em cinco hospitais da região do grande Porto Portugal, integrado no Projeto GESITI Hospitalar, coordenado pelo Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer CTI. O estudo incidiu sobre as tecnologias e sistemas de informação e teve por base um questionário, elaborado pelo CTI/GESITI, com cerca de 200 questões, distibuídas por cinco grandes áreas, gestão estratégica do hospital, pesquisa e desenvolvimento, inovação tecnológica, equipamento e tecnologia da informação e comércio eletrónico. Assim, com este estudo efetuou-se um levantamento do nível de implementação das tecnologias e sistemas de informação nos hospitais alvo do estudo e com as conclusões esperamos contrbuir para o enriquecimento do Projeto CTI/GESITI. Palavras-chave: Tecnologias da Informação, Sistemas de Informação, Hospitais. 1

2 I. Introdução As necessidades de informação em resultado da alteração das condições de mercado, da crescente concorrência e das alterações na estrutura da organização e na estratégia de negócio provocaram o desenvolvimento de novas práticas de Controlo de Gestão (Scapens, Burns, Baldvinsdottir, & Ezzamel, 2003). Segundo Vicente et al. (2011) a introdução de novos meios informáticos é uma das formas que as empresas encontraram para disponibilizar atempadamente informação e para responder rápida e de forma eficiente às pressões do seu meio envolvente. Foi notória a perceção de que as empresas estão atentas aos progressos tecnológicos como forma de introduzir técnicas de Controlo de Gestão mais avançadas que lhes permitam obter informação de apoio à gestão, quer de natureza financeira, quer não financeira, para apoiar / suportar as suas decisões. Balloni (2006) refere que no mundo globalizado a importância dos Sistemas de Informação (SI) e das Tecnologias de Informação (TI) torna-se cada vez mais relevante face às necessidades impostas pela concorrência. Tanto o conhecimento do negócio da empresa como o rápido fluxo de informação são fundamentais para a tomada de decisão, tornando implícito que o conhecimento dos SI é essencial para criar empresas competitivas, gerir corporações globais e fornecer os clientes com produtos e serviços de valor. Referem, também, Laudon & Laudon (2006) que a Gestão dos SI e TI pode ser considerada como uma importante área funcional para as operações das empresas, um campo de estudo essencial para a administração e gestão das empresas, tornando os SI e TI componentes vitais para o sucesso das organizações e empresas. 2

3 Desta forma, torna-se premente enunciar as definições básicas de Tecnologias de Informação e de Sistemas de Informação. Assim: TI = hardware + software, isto é, ferramentas que se utilizam para criar, armazenar e difundir dados e informação na criação do conhecimento SI = TI + pessoas + procedimentos que registam, transformam e distribuem a informação para apoiar a tomada de decisão, coordenação, controlo, análise e visualização na organização. Os SI desempenham três papéis vitais em qualquer organização (Balloni, 2006): 1. Suporte dos seus processos de negócios e operações; 2. Suporte na tomada de decisões dos seus funcionários e gestores; 3. Suporte nas suas estratégias em busca de uma vantagem competitiva. Também no setor da saúde estas questões se levantam, dada a crescente exigência, quer nos serviços públicos quer privados, que obriga a que os hospitais se organizem de modo a responder às necessidades das pessoas e ofereçam um cuidado efetivo e humanizado, fornecendo todas as informações que os utentes necessitam. Cruz-Cunha et al. (2009) referem a existência de vários estudos que examinam os benefícios da utilização das TI no setor da saúde. O setor da saúde, com o desenvolvimento da internet, foi levado a explorar as TI/SI tendo como escopo a melhoria do atendimento aos utentes dos hospitais, a melhoria da eficácia das próprias instituições em termos de negócio e, também, uma melhoria na comunicação entre os vários agentes do setor (Cruz-Cunha et al., 2009). 3

4 Como refere Sun (2010), um hospital é considerado um modelo de organização dos mais complexos que existem, pois necessita de uma multiplicidade de informações para o seu funcionamento interno além dos relacionados à sociedade de saúde onde está inserido. São vários os motivos desta complexidade, passando pelo arsenal técnico necessário para o diagnóstico, cura e prevenção de doenças com múltiplos atores participantes deste ambiente, incluindo pacientes, profissionais de saúde, fornecedores, empresas de saúde suplementar, órgãos governamentais, órgãos não-governamentais, organizações internacionais entre tantos outros que interagem neste contexto. Entretanto, um hospital não deixa de possuir pontos comuns de qualquer organização como a gestão de pessoas, de finanças, da segurança, da manutenção e gestão predial, de faturação, do relacionamento com fornecedores e o envolvimento com a comunidade onde está inserido. Diante deste contexto complexo a TIC Tecnologia da Informação é uma importante ferramenta para auxiliar a recolha, armazenamento, processamento e gestão de informações, enfim, para apoio aos processos envolvendo a área da saúde. E para isto é necessário, além dos recursos tecnológicos, pessoas com competências para desenvolver e gerir estratégias adequadas que atendam esta área do conhecimento. A utilização das TIC é defendida também no Relatório da OECD (2010), Improving Health Sector Efficiency: The Role of Information and Communication Technologies segundo o qual a utilização generalizada das TIC em saúde pode contribuir para a redução de custos operacionais dos serviços clínicos através do melhoramento das tarefas e da forma como são realizadas, poupando tempo com o processamento de dados e reduzindo a necessidade de lidar com papel e outros documentos. O que também pode aumentar a produtividade. Esta evidência na área da saúde depende, contudo, do contexto e da tecnologia utilizada (OECD, 2010). 4

5 No contexto atual, intensifica-se a utilização de indicadores e informações para comparar as organizações de saúde, visando levá-las a níveis de superioridade e vantagem competitiva, por meio de referências (benchmarks) de processos, práticas ou medidas de desempenho (Escrivão Junior, 2007). MacGregor, Hyland, & Harvie (2009) referem a existência de vários estudos que examinam os benefícios da utilização das TI no setor da saúde. O setor da saúde, com o desenvolvimento da internet, foi levado a explorar as TI/SI tendo como escopo a melhoria do atendimento aos utentes dos hospitais, a melhoria da eficácia das próprias instituições em termos de negócio e, também, uma melhoria na comunicação entre os vários agentes do setor. Como exemplos desses estudos antes referidos (Åkesson, Saveman, & Nilsson, 2007) referem a melhoria da qualidade de atendimento e da disponibilidade da informação. De acordo com Mechling & Sweeney (1997), as TI/SI acrescentam valor às organizações. Em primeira instância, porque adicionam valor por meio das possibilidades de pesquisa de informações e interatividade e pela possibilidade de partilha destas informações. Estas capacidades de pesquisa, interatividade e partilha, se usadas convenientemente, podem ajudar a redesenhar e melhorar processos de trabalho. Com as TI/SI, as organizações podem reestruturar o seu trabalho, alcançar maiores economias e melhorar os seus processos de controlo e feedback. No entanto, ainda segundo estes autores, no setor público, e ao contrário do setor privado, quando se questiona porque deixa o Governo de ganhar maior valor pela utilização das TI/SI, as duas principais respostas são a falta de liderança a longo prazo e falta de fundos. A tendência atual dificulta o financiamento de projetos de maior valor, inevitavelmente arriscados. Quando um gasto nestes projetos de TI depende de significativo estudo organizacional, 5

6 e o seu valor não pode ser comprovado pela experiência, tornam os riscos incertos. O Governo por tendência evita o risco e opta por baixos gastos em projetos cujo risco é elevado, preferindo a manutenção de sistemas já existentes apesar de já não atenderam às necessidades ou não estarem atualizados com os seus objetivos, excetuando-se aqui os projetos da órbita da cobrança tributária. Haux (2010) refere que os cuidados de saúde estão em constante mudança devido, também, às contínuas transformações nas práticas de saúde motivadas pelos avanços tecnológicos. As TI na saúde têm a responsabilidade de contribuir para as melhorias nos cuidados prestados às populações, através das suas contribuições para cuidados de saúde de alta qualidade e eficiência e para a investigação inovadora em biomedicina e ciências da saúde relacionadas. Este autor aponta, ainda, algumas possíveis transformações nesta área, entre outras, a crescente interatividade entre a recolha automática e armazenamento de informação via diagnóstico e terapêuticas informáticas. Não obstante toda a evolução na utilização das TI/SI no setor da saúde, Ammenwerth, Gräber, Herrmann, Bürkle, & König (2003) referem que é de extrema importância para os decisores e utilizadores proceder-se a uma rigorosa avaliação da tecnologia implementada. Nesta avaliação, não só a TI, mas também a interação entre a TI e os utilizadores no processamento da informação deve ser tomada em consideração. A avaliação deve levar em conta o ambiente em que a TI é utilizada (Ammenwerth et al., 2003). 6

7 II. Metodologia No presente capítulo descrevemos a metodologia utilizada. O alvo da investigação foram cinco hospitais, nos quais foram realizadas entrevistas e respondido o questionário constituído por cerca de 200 questões. As entrevistas podem ser classificadas em estruturadas, semi-estruturadas e não estruturadas (Marginson, 2008). Na presente investigação as perguntas constantes no questionário foram maioritariamente fechadas, combinadas com algumas questões abertas. Assim, temos como base de trabalho cinco estudos de caso. Os estudos de caso mais comuns são classificados por Yin (2009) em exploratórios, descritivos e explicativos. A presente investigação enquadra-se no estudo de caso descritivo. Na interpretação dos dados foi utilizada a técnica denominada de investigação interpretativa. A investigação interpretativa, ao contrário da abordagem positivista, tem em consideração a relação entre as ações do dia e as dimensões da estrutura social. Esta situação implica encontrar as estruturas sociais e compreender como estas evoluem ao longo do tempo (Ryan, Scapens, & Theobald, 1998). De acordo com Silva & Silva (2013) este tipo de investigação recorre a um processo interativo, que inclui um estudo de campo, que o interpreta no seu contexto sob a perspetiva de vários intervenientes. Não é objetivo deste tipo de interpretação obter verdades últimas, apenas relatos que espelham as diversas interpretações, uma vez que se considera que a realidade é uma construção dos seus vários intervenientes. 7

8 III. Resultados Obtidos e Análise Este estudo tem como base cinco hospitais portugueses de grande dimensão, pertencentes à região do grande Porto e ao setor público. O questionário que serviu de base para a investigação aborda cinco grandes áreas: a gestao estratégica, pesquisa e desenvolvimento, inovação tecnológica, equipamentos e tecnologia da informação e comércio eletrónico. A Tabela 1 apresenta um resumo geral dos hospitais pesquisados: Caraterização dos Hospitais A B C D E Fundação Setor Público Público Público Público Público Composição do Capital 100% Nacional 100% Nacional 100% Nacional 100% Nacional 100% Nacional Quantidade de Funcionários Quantidade de Leitos USM IPO Sto.Ant. Póvoa S.João Tabela 1 Caracterização dos Hospitais alvo do estudo Todos os hospitais alvo desta investigação pertencem à segunda região mais densamente povoada de Portugal, o Grande Porto. Sendo assim, podemos onsiderar que esta investigação representa a realidade dos hospitais portugueses. No respeitante a uma das primeiras questões colocadas aos entrevistados, acerca do atendimento das manifestações e preocupações dos clientes, por parte dos hospitais, a resposta foi semelhante em todos eles. Essa resposta foi que essas mesmas manifestações e preocupações dos clientes estão intimamente ligadas à missão de cada hospital. Essas missões são: 8

9 Hospital A: Satisfazer todas as necessidades em saúde à população do Concelho, assumindo a integração dos diferentes níveis, desde a educação para a saúde e dos auto-cuidados, aos tratamentos continuados e paliativos e à referenciação para outros níveis da rede hospitalar. Hospital B: O Hospital tem como missão a prestação de cuidados de saúde, em tempo útil, centrados no doente, não descurando a prevenção, a investigação, a formação e o ensino no domínio da oncologia com o objetivo de garantir elevados níveis de qualidade, humanismo e eficiência. Hospital C: O Hospital é um Hospital Central e Escolar que visa a excelência em todas as suas actividades, numa perspectiva global e integrada da saúde. Centra-se na prestação de cuidados que melhorem a saúde dos doentes e da população, em actividades de elevada diferenciação e no apoio e articulação com as restantes instituições de saúde. Privilegia e valoriza o ensino pré e pós graduado e incentiva a investigação com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento da ciência e tecnologia da saúde. Hospital D: O Hospital assume como missão prestar cuidados de saúde de qualidade à população da sua área de influência, assegurando, em simultâneo, o desenvolvimento profissional dos seus colaboradores, num quadro de eficiência e eficácia. Hospital E: O Hospital tem como missão prestar os melhores cuidados de saúde, com elevados níveis de competência, execelência e rigor, fomentando a formação pré e pós graduada e a investigação, respeitando sempre o princípio da humanização e promovendo o orgulho e sentido de pertença de todos os profissionais. 9

10 A seguir apresentamos várias tabelas gerais: A tabela 2 apresenta os recursos humanos efetivos de todos os hospitais pesquisados. A tabela 3 apresenta o perfil administrativo dos hospitais pesquisados. A tabela 4 apresenta o nível de formação dos efetivos. A tabela 5 apresenta a formação profissional. Recursos Humanos Total de Efetivos A B* C** D E*** Dirigente Médico Téc. Sup. Saúde Téc. Superior Informática Docente 1 Enfermagem Téc. Diag. Terapêutica Religioso 1 1 Assistente técnico Assistente operacional Outro Pessoal * Tabela 2 Distribuição dos Recursos Humanos por função desempenhada em cada Hospital * Hospital B - inclui Pessoal Dirigente, Conselho de Administração, Pessoal Docente, Investigadores, Pessoal Informática ** Hospital C - inclui Pessoal Docente e Religioso *** Hospital E - não especificado 10

11 Perfil da Administração A B C D E Presidente Diretor Clínico Enfermeiro-Diretor Vogal * Vogal * Tabela 3 Número de membros do Conselho de Administração de cada Hospital * Vogal - Embora não especificada em todos os casos, normalmente as funções destes Administradores são relativas à Direção Financeira e Direção de Recursos Humanos Nível Formação dos Efetivos A B C D E Ensino básico (1º grau) ND 420 ND Ensino secundário (2.º grau) ND 259 ND Ensino Superior ND ND Tabela 4 Distribuição da formação académica dos Recursos Humanos de cada Hospital Formação Profissional A B C D E N.º total de ações de formação 128 ND ND N.º total de participantes ND ND N.º total de participações ND ND N.º total de horas de formação ND ND Tabela 5 Dados relativos à Formação Profissional de cada Hospital 11

12 III.1 Descrição completa de todos os resultados obtidos Gestão Estratégica Relativamente a esta componente da avaliação efetuada dos cinco hospitais investigados, não foi possível obter qualquer dado no que respeita ao Hospital B. À exceção do Hospital B os restantes quatro hospitais possuem Plano Estratégico. Assim, nos hospitais que têm Plano Estratégico a administração tem conhecimento do mesmo. Já no que respeita às chefias intermédias dos Hospitais C, D e E têm conhecimento mas no que respeita ao Hospital A, essa situação não foi validada. No que respeita à comunicação do Plano Estratégico aos operacionais, obtivemos respostas positivas nos hospitais D e E. No capítulo da periodicidade da revisão do Plano Estratégico, esta situa-se entre 6 e 12 meses para os hospitais C, D e E. No hospital A não foi possível obter dados sobre a revisão do mesmo. Passando para a análise do grau de envolvimento por parte dos recursos humanos, nos hospitais A, D e E, o envolvimento é apenas da liderança executiva e dos líderes de processos. No hospital C existe a participação de todos. De salientar que no hospital E existe também a abertura para a discussão e participação de outros funcionarios. As estratégias são criadas recorrendo a diferentes elementos. O Hospital A recorre à análise da concorrência, ao grau de satisfação dos clientes, à procura atual e pontencial e o recurso à missão e competências reconhecidas. O Hospital B recorre à análise de cenários, análise da concorrência, ao grau de satisfação dos clientes, à procura atual e potencial e recorrem à missão e competências reconhecidas. O Hospital C recorre à análise de cenários e ao benchmarking. Por último o Hospital E recorre à análise de cenários, à análise da concorrência, ao grau de satisfação de clientes, ao benchmarking e recorrem à missão e competências reconhecidas. Tanto o cliente como os recursos humanos têm um grau de importância alto para os hospitais A e E, 12

13 médio para o hospital C e baixo para o hospital D. No que concerne ao acompanhamento os hospitais C, D e E fazem-no, por outro lado o hospital A não efetua esse acompanhamento. Os quatro hospitais que responderam a esta temática da estratégia usam ferramentas tipo o Balanced Scorecard, no entanto não obtivemos informações concretas quanto aos indicadores usados, à exceção do grau de satisfação dos clientes. Analisando de seguida as respostas sobre o conhecimento das novas tecnologias, todos os hospitais têm esse conhecimento mas por diferentes vias. O Hospital A tem conhecimento através de feiras e congressos. O hospital C obtém esse conhecimento por diversas formas entre elas, revistas, feiras e congressos, consultorias e pela internet. O hospital D o conhecimento surge através dos seus consultores e pela internet. Por úlimo o hospital E tem conhecimento através dos seus fornecedores. Passando à análise do último ponto sobre a influência da inovação tecnológica nos hospitais, existiu uma opinião que foi unânime que foi a do aumento da produtividade do hospital. De seguida foram destacados dois aspetos, a melhoria da qualidade e a melhoria da imagem, que foi partilhada pelos hospitais A, C e E. No que respeita à previsão de investimento nesta área o hospital A não sabe se o plano de negócio prevê investimentos para a inovação tecnológica. Os hospitais C e D não têm previsto qualquer montante para investimentos e finalmente o hospital E prevê no seu plano de negócios montantes para investimento em inovação tecnológica. Investigação e desenvolvimento No que respeita à inovação e desenvolvimento não obtivemos qualquer informação para os hospitais B e C. Dos restantes três hospitais a informação recolhida sobre a atividade de investigação e desenvolvimento realizada no período em análise ( ), a atividade é contínua no Hospital E e 13

14 ocasional nos Hospitais A e D. No que toca à importância dada à investigação e desenvolvimento o Hospital A dá uma importância média, os Hospital D e E dão uma importância baixa. Ao nível da importância da aquisição de outros conhecimentos externos os Hospitais A e E dão uma importância alta e por sua vez o Hospital D dá uma importância média. Inovação tecnológica No que respeita à inovação tecnológica, todos os hospitais alvo deste estudo têm opiniões muito semelhantes. Sendo assim, obtivemos evidência de que a inovação tecnológica é vista como uma forma da melhoria do desempenho dos hospitais. Salientamos que todos os hospitais se deparam com dificuldades financeiras e as razões apontadas são as restrições orçamentais e executivas. Outro aspeto relevante é o relativo ao acompanhamento do ambiente externo, que é efetuado por todos os hospitais, no sentido de se informarem das novas tecnologias e da tecnologia que é adquirida pelos hospitais concorrentes. Esse acompanhamento é efetuado de formas distintas em cada hospital. Assim, o Hospital A faz esse acompanhamento via participação em Feiras/Congressos, participação em redes de inovação, reuniões com representantes do setor. No Hospital B esse acompanhamento é feito a título individual pela Direção de Sistemas de Informação. O Hospital C faz esse acompanhamento via participação em Feiras/Congressos, participação em redes de inovação, reuniões com representantes do setor e participação em Comitês Setoriais. O Hospital D faz esse acompanhamento via participação em Feiras/Congressos, o acompanhamento pelo pessoal de TI e reuniões com representantes do setor. Por último o HospitalE faz esse acompanhamento via acompanhamento pelo pessoal de TI, reuniões com representantes do setor e participação em Comitês Setoriais. Os elementos do ambiente externo acompanhados usando as TI são: para todos os hospitais o interesse prende-se com o nível de 14

15 satisfação dos clientes. Para os Hospitais B, D e E acompanham ainda as tecnologias de interesse que surgem no ambiente externo. O Hospital D é o único que mencionou que também acompanham a concorrência. Investimento em Inovação Tecnológica Ao nível do investimento todos os hospitais investiram menos de 1% da sua faturação em inovação tecnológica (exceto o Hospital D que não obtivemos uma resposta para este ponto) e no futuro têm intenções de investir menos de 1% da sua faturação. Os investimentos previstos variam nos diferentes hospitais. Para o Hospital A o investimento previsto será na área da telemedicina. O Hospital B prevê investimentos na administração, ERP, CRM e telemedicina. O Hospital C o investimento previsto é para a área das operações. Já o Hospital D prevê investimentos para a administração. Por fim o Hospital E prevê investimentos na área da administração, operações, CRM e telemedicina. Os principais fornecedores são as grandes empresas nacionais privadas e estrangeiras e pequenas/médias empresas nacionais. Os Hospitais B e E fazem algum desenvolvimento próprio. O Hospital C tem recebido alguns produtos desenvolvidos por professores universitários. Os principais entraves indicados foram dois. Para os Hospitais A, C e D foi apontada a falta de verbas. Os Hospitais B e E apontaram outros motivos sem especificarem concretamente nenhum. Ao nível das linhas de crédito apenas o Hospital A menciou desconhecimento da exitência de fontes de financiamento. Os restantes hospitais tinham conhecimento da existência de fontes de financiamento e indicaram algumas das existentes tais como: QREN, SAMA (FEDER) e Saúde 21. No que respeita ao sistema de qualidade apenas o Hospital D não possui qualquer sistema de qualidade, todos os outros estão certificados. O Hospital A está certificado desde 2005, o B desde 2006, o C desde 2004 e o E desde Ao nível da metodologia de estão, todos 15

16 afirmaram que usam tendo o Hospital C mencionado a metodologia Kanban. Os restantes não especificaram nenhuma metodologia em particular. Cooperação para Inovação No tocante à cooperação para a inovação no período em análise, a importância da introdução das inovações tecnológicas para os hospitais obtivemos uma resposta unânime de alta importância. Ao nível da envolvênvia dos hospitais em arrnajos cooperativos apenas os Hospitais A, C e E responderam afirmativamente. Competitividade Hospitalar & Colaboração para Vantagem Estratégica Neste ponto do questionário foram efetuadas quatro perguntas, que por sua vez tinham várias possibilidades de escolha. A primeira nota de relevo é que do Hospital C não foi possível obter qualquer resposta. A questão número um questionava sobre a importância de determinados itens para a existência de colaboração nos hospitais. O Hospital A não escolheu nenhuma opção preferindo indicar como item mais importante convencer os utilizadores para a colaboração nos hospitais. Tal como aconteceu no Hospital anterior, também o Hospital B indicou um item diferente dos propostos e esse item foi, a partilha de informação e a inter-operabilidade. O Hospital D considera como item mais importante a necessidade de se reduzir custos. O Hospital E considerou como itens mais importantes as TIC s, a necessidade de reduzir custos, o aumento da competividade e a existência para uma tendência para a colaboração. A segunda questão abordava o principal desafio que hospitais vão enfrentar no século XXI. O Hospital A indicou a governação como principal desafio. Os restantes três Hospitais, B, D e E indicaram a eficiência dos processos e procedimentos hospitalares. O Hospital E indicou ainda a concorrência. Na 16

17 terceira questão que abordava a questão do alinhamento dos projetos com a estratégia, obtvemos três respostas diferentes. No Hospital A a resposta obtida foi que os projetos nem sempre estão alinhados com a estratégia. Nos Hospitais B e E a resposta obtida foi a de que os projetos estão sempre alinhados com a estratégia. Finalmente o Hospital D escolheu a opção não sei. A última questão sobre a competitividade que questionava sobre o que seria necessário para aumentar a competividade do hospital as respostas foram as seguintes: no Hospital A reduzir os prazos de lançamento de novos produtos e serviços, aumentar a agilidade e flexibilidade para gerir mudanças, utilizar o benchmarking e aumentar a disponibilidade de recursos financeiros para o core business; no Hospital B reduzir os custos com os servidores; no Hospital D reduzir os custos com os aplicativos, os custos com contratos de TI, utilizar o benchmarking e administrar os recursos de TI de forma centralizada; no Hospital E reduzir os custos com servidores, reduzir os custos com aplicativos, os custos com contratos de TI, reduzir os custos com armazenamento de dados, reduzir as perdas por ociosidade, aumentar a agilidade e flexibilidade para gerir mudanças, utilizar benchmarking, aumentar a disponibilidade de recursos financeiros, administrar os recursos de TI de forma centralizada, reduzir o risco de investimentos em novos negócios e aumentar a rapidez de retorno dos investimentos. Equipamentos de Tecnologia da Informação nos Hospitais No capitulo dos investimentos no período em análise os Hospitais C, D e E deram uma importância alta à aquisição de novas máquinas. Já o Hospital A deu uma importância média a aquisição de novas máquinas. Por último o Hospital B deu uma importância baixa a aquisição de novas máquinas. Todos os computadores são PC s e têm ligação à rede LAN e acesso à internet, excepto o Hospital C que tem parte dos PC s limitados no que respeita 17

18 ao acesso à internet. Ao nível das impressoras são maioritariamente a laser e matriciais. A suite office existe em todos os hospitais. No entanto apenas um hospital possui a totalidade dos aplicativos, que é o Hospital B. Os restantes hospitais possuem o Word, Excel e PowerPoint. Destacamos ainda o Hospital E que possui ainda o Open Office nas suas máquinas. No que respeita a outros aplicativos apenas o Hospital C possui Corel Draw e Adobe Photoshop em algumas máquinas especificas. Apresentamos na tabela 6 um quadro resumo: Equipamentos A B C D E Computadores PC X X X X X Quantidade Quantos computadores tem acesso à Internet Quantos computadores tem acesso à rede LAN Impressoras Laser X X X X X Quantidade Jato de Tinta X X Quantidade Matricial X X X X X Quantidade Impacto(linha) X X Quantidade Quantos computadores estão equipados com multimédia 80% N/A N/A 200 N/A Tabela 6 Número e tipo de equipamentos informáticos disponíveis em cada Hospital Ao nível dos aplicativos usados nos diferentes setores, uma vez que se tratam de hospitais públicos usam muito programas propostos pelo Ministério da Saúde, e outros criados em específico para cada hospital. 18

19 A última questão sobre o uso de programas para a composição de custos e determinação de preços, os Hospitais A e B não forneceram qualquer informação sobre a sua existência. Já os Hospitais D e E utilizam e o Hospital C não utiliza. Base de Dados No que concerne às Base de Dados, em todos os hospitais existe uma Data Warehouse, centralizada para os Hospitais A, B, C e E e departamental para o Hospital D. Ao nível do software de gestão de base de dados utilizado todos os hospitais usam soluções fornecidas pela Oracle. Ao nível dos departamentos que utilizam a Base de Dados iremos apresentálos na tabela 7: Departamentos que utilizam a Base de Dados A B C D E Administrativo X X X X X Comunicação/Marketing X X X Financeiro X X X X X Comercial X X Fiscal X X X X X Controlo de Stocks X X X X X Recursos Humanos X X X X X Registo Médico (software integrado) X X X X X Hotelaria Leitos/admissão/alta X X X X X Ambulatórios X X X X X Urgência / pronto socorro X X X X X Apoio ancilar (lavandaria, esterilização) X X X X X Centro cirúrgico X X X X Centro diagnóstico X X X X X Laboratório clínico X X X X Outros X X X Formação X Tabela 7 Departamentos que utilizam a Base de Dados em cada Hospital 19

20 Os sistemas operativos mais usados nos cinco hospitais são o Windows, HP/UX e Linux. O uso de Sun OS/Solaris é muito residual em algumas máquinas. O uso do windows está massificado nestes cinco hospitiais. Nenhum hospital usa o MAC OS. Ao nível dos serviços e outsourcing as respostas foram variadas, não existindo nenhum padrão nas respostas. Sendo assim ao nível do serviço de consultoria é usado nos Hospitais D e E. O serviço de telecomunicações é usado nos Hospitais A, C, D e E. O serviço de impressão é usado nos Hospitais A, C e E. Integração de sistemas é usado nos Hospitais A, C e D. Serviços de segurança são usados nos Hospitais A, C, D e E. O data center é usado no Hospital E. O serviço de aplicações é usado nos Hospitais A, B, D e E. Os serviços de redes e dados são usados pelos Hospitais A e E. Por último, o serviço de Helpdesk é usado pelo Hospital E. A previsão de investimento nesta área para os Hospitais A, C, D e E situa-se no período até 3 meses e o Hospital B não sabe qual o período do próximo investimento. No que respeita aos dispositivos de armazenamento, o hospital B usa todos os listados (RAID, Sistemas Jukebox, Disaster recovery, SAN, DWH). Os hospitais C e D usam todos, exceto os Sistemas Jukebox. O Hospital A usa o sistema RAID, SAN e DWH. Por último, o hospital E usa o sistema RAID, Disaster Jukebox e SAN. Ao nível do investimento nesta área os Hospitais A e E prevém investir num período até 3 meses, o hospital B num período de 6 a 12 meses, o Hospital D num período superior a 12 meses e o Hospital C não sabe qual o período até o próximo investimento. 20

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