Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Seção Judiciária do Paraná 2ª TURMA RECURSAL JUÍZO A

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1 JUIZADO ESPECIAL (PROCESSO ELETRÔNICO) Nº /PR RELATORA : Juíza Federal Ana Carine Busato Daros RECORRENTE : Autora e réu RECORRIDO : Autora e réu VOTO Trata-se de recurso de ambas as partes contra sentença de parcial procedência que condenou o INSS a reconhecer a especialidade do trabalho exercido pela autora nos períodos de 02/09/1977 a 23/01/1980, 12/07/1982 a 10/04/1985, 18/10/1990 a 05/03/1997 e 19/11/2003 a 31/12/2003. O processo foi extinto sem exame de mérito em relação ao período de 01/01/2004 a 03/12/2007, uma vez que o PPP apresentado na via administrativa teria como data final 31/12/2003. A autora sustenta que possui interesse de agir em relação ao período de 01/01/2004 a 03/12/2007, tendo a autarquia indeferido expressamente o reconhecimento da especialidade deste intervalo. O INSS, por sua vez, alega que a autora não possui interesse de agir em relação a nenhum dos períodos de trabalho considerados especiais, uma vez que teria apresentado novos documentos na via judicial. - Fundamentação O recurso da autora merece provimento, enquanto o do INSS deve ser negado. A TRU vem flexibilizando a questão referente ao interesse de agir nas ações previdenciárias, conforme recente julgado que utilizo como fundamento: PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO REGIONAL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. EFEITOS FINANCEIROS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS QUANDO DO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÃO ORIGINAL EM JUÍZO. DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 33 DA TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO. PROVIMENTO. 1. Na dicção da [GRM /GRM] 1/6

2 Súmula 33 da TNU, "Quando o segurado houver preenchido os requisitos legais para a concessão de aposentadoria por tempo de serviço nada data do requerimento administrativo, esta data será o termo inicial da concessão do benefício". 2. Em Incidentes de Uniformização Nacional recentemente julgados, a TNU reafirmou a noção de que a tarefa de fixação da data de início do benefício - DIB (no caso de concessão de benefício) ou a majoração da renda mensal inicial - RMI (no caso de revisão de benefício) deve ser orientada pela identificação da data em que foram aperfeiçoados todos os pressupostos legais para a outorga da prestação previdenciária nos termos em que judicialmente reconhecida. Neste sentido, a título ilustrativo, as decisões colhidas nos Incidentes de Uniformização n (DJ ) e n (DJ ), ambos de minha relatoria. 3. A assunção de tal linha de entendimento em todas as suas consequências impõe reconhecer que, para efeito da fixação dos efeitos temporais da determinação judicial de concessão ou de revisão de benefício previdenciário, é também irrelevante que o requerimento administrativo contenha, de modo formal, a específica pretensão que, posteriormente, foi reconhecida em Juízo. 4. É desimportante que o processo administrativo contenha indícios de que uma específica pretensão do beneficiário (por exemplo, cômputo de tempo rural, reconhecimento da natureza especial da atividade, reconhecimento de tempo de serviço urbano informal) tenha sido deduzida perante a Administração Previdenciária. 5. Interpretação distinta que condicionasse a eficácia de proteção social à formalização de requerimento administrativo com todas as variantes fáticas significaria, a um só tempo, exigir da pessoa que se presume hipossuficiente em termos de informações o conhecimento dos efeitos jurídicos de circunstâncias fáticas que lhe dizem respeito, e a criação, pela via judicial, de norma jurídica restritiva de direitos sociais, na contramão da regra hermenêutica fundamental segundo a qual as normas previdenciárias devem ser interpretadas favoravelmente às pessoas para as quais o sistema previdenciário foi instituído. 6. É altamente conveniente à Administração Previdenciária socorrer-se, em Juízo, da prova cabal de sua ineficiência e de inaceitável inadimplência na prestação do devido serviço social a seus filiados (Lei 8.213/91, art. 88), buscando convolar ilegal omissão de ativa participação no processo administrativo em locupletamento sem causa, à custa justamente do desconhecimento de seus filiados. Neste sentido, acrescente-se, tanto mais enriqueceria a Administração quanto mais simples e desconhecedor de seus direitos fosse o indivíduo. 7. Os efeitos da proteção social determinada judicialmente (fixação da DIB ou da nova RMI do benefício) vinculam-se à data do requerimento administrativo, ainda que o processo administrativo não indique que uma específica circunstância fática foi alegada pelo leigo pretendente ao benefício. 8. Pedido de Uniformização conhecido e provido. TRU, autos nº , relatoria do Juiz Federal José Antonio Savaris, decisão de 20/05/ [GRM /GRM] 2/6

3 Deste modo, passo a análise da especialidade da atividade exercida no período de 01/01/2004 a 03/12/2007. Para comprovar a especialidade do trabalho no período acima mencionado, a autora apresentou laudo técnico (evento 41) e PPP (evento 14, PROCADM1, e evento 62, FORM1) demonstrando que esteve exposta a ruídos de 86,3 db (laudo), o que lhe garante o reconhecimento da especialidade, considerando que este nível de ruído ultrapassa os limites elencados na súmula nº 32 da TNU: O tempo de trabalho laborado com exposição a ruído é considerado especial, para fins de conversão em comum, nos seguintes níveis: superior a 80 decibéis, na vigência do Decreto n /64 (1.1.6); superior a 90 decibéis, a partir de 5 de março de 1997, na vigência do Decreto n /97; superior a 85 decibéis, a partir da edição do Decreto n , de 18 de novembro de Assim, reconheço a especialidade do trabalho exercido no período de 01/01/2004 a 03/12/2007, devendo o tempo de serviço especial ser convertido para comum mediante fator de conversão de 1,2. - Requisitos para a concessão do benefício A verificação do direito do segurado ao recebimento de aposentadoria por tempo de serviço ou de contribuição deve partir das seguintes balizas: 1) A aposentadoria por tempo de serviço (integral ou proporcional) somente é devida se o segurado não necessitar de período de atividade posterior a , sendo aplicável o art. 52 da Lei 8.213/91. 2) Em havendo contagem de tempo posterior a , somente será possível a concessão de aposentadoria por tempo de contribuição. 3) Cumprida o requisito específico de 35 anos de contribuição, se homem, e 30 anos, se mulher, o segurado faz jus à aposentadoria por tempo de serviço (se não contar tempo posterior a ) ou à aposentadoria por tempo de contribuição (caso necessite de tempo posterior a ). Se poderia se aposentar [GRM /GRM] 3/6

4 por tempo de serviço em , deve-se conceder a aposentadoria mais vantajosa, nos termos do art. 122 da Lei 8.213/91. 4) Cumprido o tempo de contribuição de 35 anos, se homem, e 30 anos, se mulher, não se exige do segurado a idade mínima ou período adicional de contribuição (EC 20/98, art. 9º, caput, e CF/88, art. 201, 7º, I). 5) O segurado filiado ao RGPS antes da publicação da Emenda 20/98 faz jus à aposentadoria por tempo de contribuição proporcional. Seus requisitos cumulativos: I) idade mínima de 53 (homem) e 48 (mulher); II) Soma de 30 anos (homem) e 25 (mulher) com o período adicional de contribuição de 40% do tempo que faltava, na data de publicação da Emenda, para alcançar o tempo mínimo acima referido (EC 20/98, art. 9º, 1º, I). - Data de início do benefício. Acaso preenchidos os requisitos, a aposentadoria é devida desde a data do requerimento administrativo (DER), nos termos do art. 49, II, c/c art. 54 da Lei 8.213/91. - Conclusão Ante o exposto, condeno o INSS a: a) reconhecer a especialidade das atividades exercidas pela autora no período de 01/01/2004 a 03/12/2007; b) conceder a aposentadoria à autora, desde que alcançados os requisitos retro mencionados, com estrita observância à norma contida no art. 122 da Lei 8.213/91, no prazo de 30 dias a contar da intimação do trânsito em julgado; c) pagar, acaso concedido o benefício, as verbas vencidas desde a DIB até a efetiva implantação. As parcelas deverão ser atualizadas monetariamente, desde os respectivos vencimentos, com juros de mora de 1% ao mês, a contar da citação (Súmulas 03 e 75 do TRF da 4ª Região). Em conformidade com o atual entendimento da TRU, que segue a orientação já firmada pelo STF (RE nº , Min. Gilmar Mendes e RE nº , Min. Lewandowski), deverá ser aplicada, a contar da vigência da Lei /2009, a [GRM /GRM] 4/6

5 nova redação do art. 1 o -F da Lei n /1997. Nestes termos, para fins de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora, haverá a incidência uma única vez, até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança. Ressalto, no entanto, que a nova redação deve ser interpretada no sentido de que os valores sejam corrigidos como se estivessem depositados em caderneta de poupança (portanto capitalizados). Assim, o uso do termo uma única vez, na única interpretação que reputo adequada, significa que a forma de correção pelos índices oficiais de caderneta de poupança atualmente TR (taxa referencial) acrescida de 0,5% (meio por cento) deve ser aplicada para os fins de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora, ou seja, no lugar de correção monetária e juros moratórios Saliento que deverá ser observado o limite de competência do Juizado Especial Federal, de sessenta salários mínimos vigentes à época do ajuizamento da ação (art. 3º da Lei nº /01 e art. 39, da Lei 9.099/95), parâmetro no qual se incluem 12 parcelas vincendas posteriores ao ajuizamento (CPC, artigo 260). Eventuais parcelas vencidas no curso do processo, e após o referido limite, devem ser pagas integralmente, observada a norma do artigo 17, 3º e 4º, da Lei nº /01. Condeno o recorrente vencido (RÉU) ao pagamento de honorários advocatícios que fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, observada a Súmula 111 do Superior Tribunal de Justiça ("Os honorários advocatícios, nas ações previdenciárias, não incidem sobre as prestações vencidas após a sentença.") e, em não havendo condenação pecuniária, os honorários devidos deverão ser calculados em 10% sobre o valor atualizado da causa. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA AUTORA E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DO INSS [GRM /GRM] 5/6

6 Assinado digitalmente, nos termos do art. 9º do Provimento nº 1/2004, do Exmo. Juiz Coordenador dos Juizados Especiais Federais da 4ª Região. Ana Carine Busato Daros Juíza Federal [GRM /GRM] 6/6

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