Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Seção Judiciária do Paraná 2ª TURMA RECURSAL JUÍZO A

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1 JUIZADO ESPECIAL (PROCESSO ELETRÔNICO) Nº /PR RELATORA : Juíza Federal Ana Carine Busato Daros RECORRENTE : Doris Cordeiro Antonietto RECORRIDO : INSS [GRM /SDF] 1/6 VOTO Trata-se de recurso da autora contra sentença que julgou improcedente o pedido de reconhecimento da especialidade da atividade exercida de 08/1980 a 01/2008. A recorrente sustenta que todo o período deve ser considerado especial, fazendo jus à aposentadoria especial. Subsidiariamente, defende que o período de 08/1980 a 04/1995 deve ser considerado especial e convertido em tempo de serviço comum para concessão de aposentadoria por tempo de contribuição. Fundamentação Assiste razão à autora no que tange a seu pedido subsidiário. A especialidade pode ser reconhecida no período que vai de 08/1980 a (período anterior à vigência da Lei nº 9.032/95), com base na categoria profissional da autora, havendo enquadramento no código do Decreto nº /64, que trata dos médicos, dentistas e enfermeiros. Com efeito, existem nos autos provas acerca do exercício da atividade de cirurgiã-dentista pela autora, como: a) diploma de cirurgião dentista, expedido pela UFPR com informação de conclusão do curso em 24/07/1980 (evento 12, PROCADM1, fl. 8); b) carteira funcional expedida pelo Conselho Regional de Odontologia, constando registro em 13/08/1980 (evento 12, PROCADM1, fl. 03); c) carnê de ISS referente ao ano de 1982 no ramo de atividade consultório de dentista autônoma (evento 1, OUT12); d) certidão expedida pela UFPR, informando que a autora estagiou na disciplina de Dentística Restauradora do Setor de Ciências da Saúde da Universidade, no segundo semestre de 1991 e primeiro semestre de 1992 (evento 21, OUT2); e) declaração emitida pela Universidade Camilo Castelo Branco,

2 informando que a autora fez Pós-Graduação em Implantodontia Bucal e estava frequentando o curso de Prótese sobre Implante em 1993 (evento 21, OUT3); f) ficha de atendimento de cliente datada de 10/09/92 (evento 21, OUT5); g) verso de ficha com atendimentos a cliente com datas entre 08/08/86 a 19/11/89 (evento 21, OUT7); h) CNIS informando vínculo com Assoc Prot Mat Infância Saza Lattes entre 01/03/81 a 21/01/82, com a ocupação de cirurgiã-dentista (CBO 6300); i) diversos outros documentos provando a atividade de dentista para períodos posteriores a Ressalto que, em consulta aos documentos anexados aos autos, pode-se verificar a existência de contribuições para os períodos de 08/1980 a 6/1984, 01/1985 a 6/1989, 8/1989 a 1/1991, 3/1991 a 2/1993 e 6/1993 a 12/2007. Assim, devem ser excluídos os seguintes meses, para os quais não houve efetiva contribuição: 07/1984 a 12/1984; 7/1989; 2/1991; e 03/1993 a 05/1993. Como o objeto desta lide é o reconhecimento da atividade desenvolvida na qualidade de contribuinte individual, a responsabilidade pelo recolhimento das prestações era da própria segurada, não o tendo realizado, impossível a averbação do período. Note-se, ainda, que há concomitância de atividades ao menos para o período de a no qual a parte trabalhou junto à Sociedade Beneficente dos Subtenentes e Sargentos do Exército da Polícia Militar do Paraná. Neste caso as atividades não podem ser contadas em duplicidade, cabendo definir uma atividade principal e uma atividade secundária. Para a atividade desenvolvida junto à Associação de Proteção à Maternidade e Infância Saza Lattes, não há registro de contribuições e, como não faz parte do pedido deste processo, deixo de verificar, neste momento, eventual concomitância de atividades que, em havendo, deverá respeitar as disposições da legislação previdenciária [GRM /SDF] 2/6

3 O art. 32 da Lei de benefícios define que o salário-de-benefício do segurado que contribuir em razão de atividades concomitantes será calculado com base na soma dos salários-de-contribuição das atividades exercidas na data do requerimento ou do óbito, ou no período básico de cálculo. No caso da parte autora, será um percentual da média do salário-decontribuição de cada uma das demais atividades, equivalente à relação entre o número de meses completo de contribuição e os do período de carência do benefício requerido; e ainda, por se tratar de benefício por tempo de serviço, o percentual (..)será o resultante da relação entre os anos completos de atividade e o número de anos de serviço considerado para a concessão do benefício. (Art. 32) Neste caso, quando exercer atividades como empregado e contribuinte individual, parece mais adequado considerar como principal a atividade que possuir maior tempo de vinculação. (BALTAZAR, José Paulo Junior e ROCHA, Daniel Machado da. Comentários à Lei de Benefícios da Previdência Social. 9 a Ed, Editora Livraria do Advogado. Porto Alegre:2009, p. 171) Ressalto, por fim, que a atividade exercida após não pode ser considerada especial, uma vez que não há provas nos autos acerca da efetiva exposição a agentes nocivos de forma habitual e permanente e o simples enquadramento em categoria profissional não é mais suficiente para que a especialidade seja reconhecida. Por este motivo, entendo que não há necessidade de analisar se a autora continuou exercendo a profissão de dentista após Desta forma, o recurso merece provimento para que os períodos de (data do registro no Conselho Regional de Odontologia) a , de a , de a , de a e de a sejam considerados especiais e convertidos em tempo comum mediante a aplicação do fator de conversão 1, [GRM /SDF] 3/6

4 - Requisitos para a concessão do benefício A verificação do direito do segurado ao recebimento de aposentadoria por tempo de serviço ou de contribuição deve partir das seguintes balizas: 1) A aposentadoria por tempo de serviço (integral ou proporcional) somente é devida se o segurado não necessitar de período de atividade posterior a , sendo aplicável o art. 52 da Lei 8.213/91. 2) Em havendo contagem de tempo posterior a , somente será possível a concessão de aposentadoria por tempo de contribuição. 3) Cumprida o requisito específico de 35 anos de contribuição, se homem, e 30 anos, se mulher, o segurado faz jus à aposentadoria por tempo de serviço (se não contar tempo posterior a ) ou à aposentadoria por tempo de contribuição (caso necessite de tempo posterior a ). Se poderia se aposentar por tempo de serviço em , deve-se conceder a aposentadoria mais vantajosa, nos termos do art. 122 da Lei 8.213/91. 4) Cumprido o tempo de contribuição de 35 anos, se homem, e 30 anos, se mulher, não se exige do segurado a idade mínima ou período adicional de contribuição (EC 20/98, art. 9º, caput, e CF/88, art. 201, 7º, I). 5) O segurado filiado ao RGPS antes da publicação da Emenda 20/98 faz jus à aposentadoria por tempo de contribuição proporcional. Seus requisitos cumulativos: I) idade mínima de 53 (homem) e 48 (mulher); II) Soma de 30 anos (homem) e 25 (mulher) com o período adicional de contribuição de 40% do tempo que faltava, na data de publicação da Emenda, para alcançar o tempo mínimo acima referido (EC 20/98, art. 9º, 1º, I). - Data de início do benefício. Acaso preenchidos os requisitos, a aposentadoria é devida desde a data do requerimento administrativo (DER), nos termos do art. 49, II, c/c art. 54 da Lei 8.213/ [GRM /SDF] 4/6

5 - Conclusão Poder Judiciário Ante o exposto, condeno o INSS a: a) reconhecer o período de 13/08/1980 a 28/04/1995 como laborado em condições especiais e averbá-lo; b) conceder a aposentadoria por tempo de contribuição à autora, desde que alcançados os requisitos retro mencionados, com estrita observância à norma contida no art. 122 da Lei 8.213/91, no prazo de 30 dias a contar da intimação do trânsito em julgado; c) pagar, acaso concedido o benefício, as verbas vencidas desde a DIB até a efetiva implantação. As parcelas deverão ser atualizadas monetariamente, desde os respectivos vencimentos, com juros de mora de 1% ao mês, a contar da citação (Súmulas 03 e 75 do TRF da 4ª Região). Em conformidade com o atual entendimento da TRU, que segue a orientação já firmada pelo STF (RE nº , Min. Gilmar Mendes e RE nº , Min. Lewandowski), deverá ser aplicada, a contar da vigência da Lei /2009, a nova redação do art. 1 o -F da Lei n /1997. Nestes termos, para fins de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora, haverá a incidência uma única vez, até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança. Ressalto, no entanto, que a nova redação deve ser interpretada no sentido de que os valores sejam corrigidos como se estivessem depositados em caderneta de poupança (portanto capitalizados). Assim, o uso do termo uma única vez, na única interpretação que reputo adequada, significa que a forma de correção pelos índices oficiais de caderneta de poupança atualmente TR (taxa referencial) acrescida de 0,5% (meio por cento) deve ser aplicada para os fins de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora, ou seja, no lugar de correção monetária e juros moratórios Saliento que deverá ser observado o limite de competência do Juizado Especial Federal, de sessenta salários mínimos vigentes à época do ajuizamento da ação (art. 3º da Lei nº /01 e art. 39, da Lei 9.099/95), parâmetro no qual se [GRM /SDF] 5/6

6 incluem 12 parcelas vincendas posteriores ao ajuizamento (CPC, artigo 260). Eventuais parcelas vencidas no curso do processo, e após o referido limite, devem ser pagas integralmente, observada a norma do artigo 17, 3º e 4º, da Lei nº /01. Sem honorários. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente, nos termos do art. 9º do Provimento nº 1/2004, do Exmo. Juiz Coordenador dos Juizados Especiais Federais da 4ª Região. Ana Carine Busato Daros Juíza Federal [GRM /SDF] 6/6

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