Neste contexto, o Fluxo de Caixa torna-se ferramenta indispensável para planejamento e controle dos recursos financeiros de uma organização.

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1 UNIDADE II FLUXOS DE CAIXA Em um mercado competitivo, a gestão eficiente dos recursos financeiros, torna-se imprescindível para o sucesso da organização. Um bom planejamento do uso dos recursos aliado ao controle reduzem substancialmente a necessidade de capital de giro, reduzindo as despesas financeiras provenientes da remuneração do capital de terceiros, impactando de forma positiva o resultado. Neste contexto, o Fluxo de Caixa torna-se ferramenta indispensável para planejamento e controle dos recursos financeiros de uma organização. O Fluxo de Caixa é um instrumento que confronta as entradas e saídas de recursos financeiros em determinado intervalo de tempo no âmbito de uma organização. Através do Fluxo de Caixa é possível prever eventuais excedentes ou escassez de caixa, determinando-se medidas saneadoras a serem tomadas. A Administração Financeira têm por objetivo prover a empresa de recursos de caixa suficientes de modo a respeitar os vários compromissos assumidos e promover a maximização da riqueza. Na busca da satisfação deste objetivo a Administração Financeira enfrenta o conflito que consiste no dilema risco versus retorno, ou seja, a manutenção de saldos de caixa propicia segurança financeira, porém, afeta a rentabilidade, pois carrega em si um custo de oportunidade. 2.1 ABRANGÊNCIA DO FLUXO DE CAIXA - RESTRITO E AMPLO ASSAF NETO e SILVA (2007, p. 41) destacam que: o Fluxo de Caixa não deve ser enfocado como uma preocupação exclusiva da área financeira. Mais efetivamente, deve haver comprometimento de todos os setores empresariais com os resultados líquidos de caixa Entre as áreas envolvidas os autores citam: a) a área de produção, ao promover alterações nos prazos de fabricação dos produtos, determina novas alterações nas necessidades de caixa. De forma idêntica, os custos de produção, têm importantes reflexos sobre o caixa; b) as decisões de compras devem ser tomadas de maneira ajustada com a existência de saldos disponíveis de caixa. Em outras palavras, deve haver preocupação com relação à Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 1 de 17

2 sincronização dos fluxos de caixa, avaliando-se os prazos concedidos para pagamento das compras com aqueles estabelecidos para recebimento das vendas; c) políticas de cobrança mais ágeis e eficientes, ao permitirem colocar recursos financeiros mais rapidamente à disposição da empresa, constituem-se em importante reforço de caixa; d) a área de vendas, junto com a meta de crescimento da atividade comercial deve manter um controle mais próximo sobre os prazos concedidos e hábitos de pagamentos dos clientes, de maneira a não pressionar negativamente o fluxo de caixa. Em outras palavras, é recomendado que toda decisão envolvendo vendas deva ser tomada somente após uma prévia avaliação de suas implicações sobre os resultados de caixa (exemplos: prazo de cobrança, despesas com publicidade e propaganda etc); e) a área financeira deve avaliar criteriosamente o perfil de seu endividamento, de forma que os desembolsos necessários ocorram concomitantemente à geração de caixa da empresa. De maneira ampla, o Fluxo de Caixa é um processo pelo qual a empresa gera e aplica seus recursos financeiros, esse movimento é determinado pelas várias atividades envolvidas na consecução de seus objetivos (da empresa) A figura a seguir ilustra o comportamento genérico do fluxo de caixa: Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 2 de 17

3 Por outro lado, o entendimento do fluxo de caixa pode dar-se também dentro de um sentido mais restrito, definido por fluxo de caixa proveniente das operações. Este fluxo é formado de maneira progressiva, determinado como um resultado monetário, no sentido de realização de caixa, proveniente das operações realizadas pela empresa. Em outras palavras, são os recursos gerados por suas próprias operações em determinado período, também denominados por geração interna de caixa. 2.2 METODOLOGIAS DE APURAÇÃO E ANÁLISE DO FLUXO DE CAIXA Ilustrativamente, suponha os seguintes balanços patrimoniais elaborados pela Cia. FLOW, referentes aos exercícios de X6 e X7: Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 3 de 17

4 Os balanços da Cia. FLOW revelam uma redução de $ ($ $ ) em seu saldo de caixa ao final do exercício de X7. Comparando-se os dois balanços elaborados, pode-se explicar o desempenho das disponibilidades através das seguintes mutações financeiras: Apesar de apurar exatamente a variação líquida no caixa, a metodologia mais simples de comparação de dois balanços consecutivos não fornece elementos para uma boa análise. Ela é pouco analítica; não evidencia as transações realizadas pela empresa no período e trabalha somente com os resultados finais das contas patrimoniais. Para o aprimoramento da qualidade analítica do fluxo de caixa, considere as seguintes demonstrações de resultados da Cia. FLOW, apurada para o exercício de X7. Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 4 de 17

5 Suponha ainda que o demonstrativo de mutações do patrimônio líquido, de forma resumida, apresente os seguintes resultados para o exercício de X7, conforme é retratado no quadro abaixo: Admita também as seguintes informações adicionais da Cia. FLOW: A partir dos demonstrativos contábeis e informações adicionais, apura-se a seguir seu fluxo de caixa no sentido restrito e amplo para X7. O que se procura, em verdade, é evidenciar as razões de as disponibilidades de caixa da empresa terem diminuído em $ ,00 num período em que o lucro líquido alcançou o montante de $ ,00. Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 5 de 17

6 Deve ser observado que o resultado de $ oriundo das próprias operações da empresa não indica necessariamente um acréscimo nas disponibilidades de caixa. Nos cálculos dos fluxos de caixa, devem ser conhecidos, entre outros, o saldo líquido entre os valores recebidos, por conta de vendas realizadas, e os pagamentos executados, determinados por compras e despesas. Em verdade, de suas receitas de vendas, a empresa pode não ter realizado, em termos estritamente de caixa, uma parte maior que os desembolsos efetuados, ocorrendo, por conseguinte, um resultado negativo de caixa decorrente das operações do período. De outra maneira, a empresa pode ter consumido disponibilidades no exercício para financiar suas atividades. É importante ter em consideração que o lucro líquido é um conceito contábil, apurado tradicionalmente pelo regime de competência, enquanto o fluxo de caixa é um conceito elaborado a partir de transações que afetam efetivamente o disponível da empresa. Desta maneira para um cálculo mais rigoroso do fluxo de caixa que leva em conta estes aspectos, devem ser levantadas informações adicionais àquelas geralmente descritas nos demonstrativos e processados os seguintes cálculos: Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 6 de 17

7 Admite-se, ilustrativamente por inexistência de qualquer variação mais específica nos demonstrativos contábeis, que as despesas operacionais e financeiras foram efetivamente pagas no exercício e o IR conforme prática adotada, considera-se que o IR de X7 será pago apenas em X8. Desta forma, em X7 foi pago o IR provisionado no exercício anterior, no valor de $ A partir destas informações, pode-se agora elaborar o efetivo fluxo de caixa para o exercício de X7, conforme apresentado no quadro abaixo: Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 7 de 17

8 2.3 ANÁLISE DO FLUXO DE CAIXA A Demonstração de Fluxo de Caixa DFC, para o usuário externo segrega os itens em três grandes grupos: a) Fluxo das Atividades de Investimentos originadas de decisões de investimentos de longo prazo em estrutura como máquinas, veículos, terrenos, prédios, normalmente gera fluxo negativo, pois demonstra investimentos para o crescimento, ressalvadas situações pré-falimentares, em que os imobilizados são alienados para saldar dívidas não suportadas pela geração operacional de caixa. b) Fluxo de Atividades de Financiamento Está relacionado à decisão sobre fontes de financiamento, determinado, portanto, a estrutura de capital da empresa. Exemplos: pagamento de empréstimos, integralização de capital, pagamento de dividendos, captação de empréstimos. Na fase de crescimento o fluxo é positivo, na fase de consolidação este fluxo torna-se normalmente negativo. c) Fluxo de Atividades Operacionais É um dos indicadores mais importantes de solvência de uma empresa, pois demonstra a capacidade de geração de caixa a partir das atividades operacionais da empresa. ASSAF NETO (2002, p. 56), destaca que o comportamento do fluxo de caixa é influenciado por diversas variáveis, dentre as quais destaca: a) o setor de atuação da empresa; b) o ambiente econômico; c) a fase do ciclo de vida da empresa, e d) a existência de novos projetos de investimentos. O autor afirma ainda que o fluxo de caixa das atividades operacionais pode assumir posições negativas, sem que isso represente um sinal de insolvência, quando a empresa encontra-se na fase inicial do ciclo de vida ou quando fez vultosas inversões em novos projetos que demandam recursos para capital de giro. São apresentados os seguintes indicadores que consubstanciarão as análises do fluxo de caixa. Fluxo de Caixa das Operações a) Cobertura de Dívidas = Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 8 de 17

9 Passivo Total Valores superiores à unidade permitem inferir que a empresa consegue gerar sem suas operações num exercício, recursos financeiros suficientes para cumprir as dívidas existentes (tanto de curto como de longo prazo), pode-se variar este indicador, substituindo-se o denominador pelo Passivo Circulante ou mesmo os juros apropriados. Fluxo de Caixa das Operações b) Retorno do Patrimônio Líquido = Patrimônio Líquido Mostra o quanto a empresa consegue obter de caixa por unidade monetária investida pelo capital próprio. Este indicador e o anterior estão relacionados à estrutura de financiamentos da empresa. Portanto, em situações de maior endividamento, o retorno aos acionistas é menor que a cobertura de dívidas. Uma variação da fórmula é a substituição no denominador pelos Dividendos pagos. Fluxo de Caixa das Operações c) Cobertura de Investimentos = Fluxo de Caixa de Investimentos Determina se a empresa consegue financiar seus projetos de investimentos com recursos próprios. Isso ocorre quando o indicador é superior à unidade. Quando a cobertura de investimentos é menor que a unidade, a empresa utiliza recursos financeiros, do capital próprio ou de terceiros, para as inversões de longo prazo. O que está errado? Empresa ALFA Empresa BETA FC Operações ( ) FC Investimentos ( ) Cobertura Invest. (1.6) (1.6) Fluxo de Caixa das Operações d) Retorno Total = Fluxo de Caixa de Financiamentos Relaciona a entrada líquida de recursos provenientes do desempenho operacional com o fluxo de financiamento. A análise desse indicador deve ser feita com certo cuidado, uma vez que tanto o Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 9 de 17

10 denominador quanto o numerador podem assumir valores positivos e negativos. O quadro abaixo demonstra o índice de diversas empresas: FC Operacional FC Financiamento Retorno Total Empresa ,00 Empresa ,50 Empresa (10.000) -0,50 Empresa (5.000) -2,00 Empresa 5 (5.000) (10.000) 0,50 Empresa 6 (10.000) (5.000) 2,00 Empresa 7 (5.000) ,50 Empresa 8 (10.000) ,00 Há diferença entre as empresas 1 e 6? e nas demais que têm o mesmo índice de retorno total? Comente. Fluxo de Caixa das Operações e) Retorno sobre Vendas= Vendas Este índice relaciona a geração de caixa pelo volume de vendas. Em outras palavras, quanto a empresa consegue gerar de fluxo de caixa líquido com suas operações para cada unidade de venda. Fluxo de Caixa das Operações f) Retorno sobre o Ativo= Ativo Este índice demonstra quanto é gerado de fluxo de caixa das operações para cada unidade monetária investida no ativo. Uma alternativa mais adequada a esse índice é o retorno do investimento, onde são relacionados o fluxo das operações com o investimento total realizada pela empresa. Fluxo de Caixa das Operações g) Fluxo sobre Lucro = Lucro Líquido Este índice pode demonstrar a parcela do lucro que foi realizado financeiramente. A evolução desse indicador pode ajudar a posicionar a empresa em seu ciclo de vida. Conforme pode ser visualizado na figura a seguir, a diferença entre o denominador e o numerador desse indicador se altera ao longo da vida da empresa. Na fase inicial, de entrada no mercado, o valor do fluxo de caixa tende a ser menor que o prejuízo líquido. O resultado contábil tende a reagir mais rapidamente na fase de crescimento, quando se torna positivo. Na fase Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 10 de 17

11 seguinte, de maturidade, geralmente o fluxo de caixa as operações é superior ao lucro líquido. Dessa forma, o índice fluxo sobre o lucro pode apresentar um indício de que a empresa atingiu a maturidade em seu negócio. Fluxo de Caixa das Operações h) Taxa de Queima = Capital Circulante Líquido Onde Fluxo de Caixa das Operações < 0 Apesar de esse indicador ser utilizado somente para situações onde o fluxo de caixa gerado pelas operações é negativo, mensura em quanto tempo o CCL será consumido pelo fluxo negativo de caixa operacional. Se a taxa de queima for de 1, isso significa que em um exercício social o CCL será queimado pelo desempenho operacional negativo da empresa. Disponível t-1 + FC Operações i) Índice de Liquidez e Caixa= Passivo Circulante Oneroso t-1 Esse índice relaciona o disponível existente no período anterior mais o fluxo de caixa as operações com as dívidas onerosas da empresa que serão pagas no exercício. Quando esse índice é crescente, demonstra um aumento na liquidez da empresa. Situações em que o valor é negativo denotam que a empresa não possui liquidez suficiente para pagar suas dívidas de curto prazo. Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 11 de 17

12 Tema para Discussão 1. Despesas Financeiras fazem parte das Atividades de Financiamento ou Atividades Operacionais? Leitura Complementar Capítulo 2 da obra: ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do capital de giro. 3. ed. São Paulo: Atlas, Capítulo 13 da obra: MATARAZZO, Dante C. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 6. ed. São Paulo: Atlas, Capítulo 10 da obra: NEVES, Silvério das, VICECONTI, Paulo E. Contabilidade Avançada e Análise das Demonstrações Financeiras. 10. ed. São Paulo: Frase, Capítulo 2 da obra: PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informações contábeis. 4 ed. São Paulo: Atlas, Exercício de Fixação 1) De possa dos Balanços Patrimoniais dos exercícios X7 e X8, a Demonstração de Resultados de X8, as Mutações do PL e outras informações adicionais da Cia. FLOW pede-se: a) Elaborar o Fluxo de Caixa no sentido restrito e amplo e b) Elaborar o Fluxo de Caixa Efetivo. c) Calcular os indicadores de análise do Fluxo de Caixa (apresentados nesta apostila) Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 12 de 17

13 Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 13 de 17

14 Considere que todas as despesas do exercício foram pagas até 31/12 do mesmo. 2) De possa dos Balanços Patrimoniais dos exercícios X8 e X9, a Demonstração de Resultados de X9, as Mutações do PL e outras informações adicionais da Cia. FLOW pede-se: a) Elaborar o Fluxo de Caixa Efetivo. b) Calcular os indicadores de análise do Fluxo de Caixa (apresentados nesta apostila) c) Tecer breve comentário sobre a situação da empresa, com base na Demonstração do Fluxo de Caixa e seus indicadores (exercícios X8 e X9). Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 14 de 17

15 Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 15 de 17

16 Anexo: Modelo de Fluxo de Caixa Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 16 de 17

17 Prof. Leonardo Pereira / Análise da Liquidez 17 de 17

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