CONSELHO NACIONAL DA ÁGUA

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1 ACTA DA 55ª REUNIÃO 25 de Fevereiro de 2015 (minuta) No dia vinte cinco de Fevereiro de 2015, às 10h00, teve lugar a quinquagésima quinta reunião do Conselho Nacional da Água (CNA), no Salão Nobre do Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, na rua de O Século, que contou com a presença de Sua Excelência o Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Eng.º Jorge Moreira da Silva, na qualidade de Presidente, do Secretário de Estado do Ambiente, Dr. Paulo Lemos, para além dos seguintes elementos que integram o Conselho: Secretário-Geral: Joaquim Poças Martins Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente: Nuno Lacasta Vice-Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente: Manuela Matos Representante da Agência para o Desenvolvimento e Coesão: Rui Inácio Director-Geral do Território: Rui Alves Director-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos: José Manuel Marques (em substituição) Director-Geral de Energia e Geologia: Maria José Espírito Santo (em substituição) SubDirectora-Geral das Actividades Económicas: Lurdes Capelas Director-Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural: Pedro Teixeira Director-Geral da Saúde: Paulo Diegues (em substituição) Representante do Instituto de Turismo de Portugal: Fernanda Praça Presidente do Conselho Directivo do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas: Paula Sarmento Presidente da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos: Jaime Melo Baptista Representante do Ministério da Defesa Nacional: Nataniel Cartaxo (em substituição) Representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros: Rui Lopes Aleixo Presidente do Conselho de Administração das Águas de Coimbra: Pedro Coimbra Representante da organização não governamental QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza: Carla Graça 1/11

2 Representante da organização não governamental GEOTA, Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e Ambiente: João Joanaz de Melo Representante da Liga para a Protecção da Natureza: Paula Chainho Representante da organização não governamental APDA; Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas: Rui Godinho Representante da organização não governamental APESB, Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental: João Feijó Delgado Vogal do Conselho Directivo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera: Rui Dias Fernandes Presidente do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária: Paulo Brito Luz (em substituição) Representante do Laboratório Nacional da Engenharia Civil: Rafaela Saldanha Matos Fac. Ciências e Tecnologia da Univ. de Coimbra: João Pedroso Lima Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro: Rui Manuel Vítor Cortes Representante das Redes Energéticas Nacionais (REN): Helena Azevedo Presidente do Conselho de Administração do Grupo Águas de Portugal: Afonso Lobato Faria Secretário-Geral da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP): Luís Mira Representante da Assoc. das Empresas Portuguesas para o Sector do Ambiente (AEPSA): João Gomes da Costa Presidente da Comissão Executiva da Confederação do Turismo Português: Nuno Bernardo Membros convidados: António Betâmio de Almeida (IST/UL) Francisco Nunes Correia (IST/UL) Maria da Conceição Cunha (FCTUC) Luís Veiga da Cunha (UNL) João Paulo Lobo Ferreira (LNEC) Maria Teresa Ferreira (ISA/UL) Fernando Veloso Gomes (FEUP) António Eira Leitão (Hidroerg) José Barahona Núncio (FENAREG) António Carmona Rodrigues (UNL) Carlos Sousa Reis (FCUL) 2/11

3 Justificaram a sua ausência, indicando substituto nos termos estabelecidos no n.º 3 do artigo 2º do Decreto-Lei n.º 166/97, de 2 de Julho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 84/2004, de 14 de Abril, o Director-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos. Comunicaram e justificaram a sua ausência, o representante do Governo da Região Autónoma dos Açores, o Presidente da Câmara Municipal de Tavira, a representante da APRH e o vogal convidado, Prof. Doutor Francisco Andrade. Face à agenda da reunião, estiveram ainda presentes o Eng.º Pedro Serra, coordenador dos trabalhos de elaboração do PNA, e a Eng.ª Felisbina Quadrado, da APA. Anteriormente à reunião, foram distribuídos os seguintes documentos 1 : Plano Nacional da Água. Diagnóstico e enquadramento estratégico (ponto 1. da OT). Planos de Gestão de Região Hidrográfica 2.º Ciclo (ponto 2. da OT). Acta da 54.ª reunião plenária (minuta); Relatório e Programa de Actividades e Orçamento 2014/2015 (ponto 3. da OT). A reunião teve a seguinte: Ordem de Trabalhos 1. Elaboração do Plano Nacional da Água. Últimos desenvolvimentos. 2. Planos de Gestão de Região Hidrográfica. Questões significativas do segundo ciclo de planeamento. 3. Acta da 54.ª reunião do CNA, realizada a 05 de Dezembro de 2014, e Relatório e Programa de Actividades e Orçamento /2015. Sua Exa. o Secretário de Estado do Ambiente deu início à reunião, informando que o Senhor Ministro integraria a sessão um pouco mais tarde. Começou por felicitar o Eng.º Pedro Serra pelo trabalho entretanto desenvolvido na elaboração do PNA, um documento fundamental e de natureza estratégica. A esse propósito, deu conta de um conjunto de outros importantes documentos estratégicos, nomeadamente o PENSAAR 2020, e realçou a importância do PNA no âmbito da elaboração dos PGRH, referindo ainda o papel do POSEUR, enquanto instrumento de financiamento das políticas de ambiente até Referiu estar em curso a solução de um conjunto de questões problemáticas, quer ainda no âmbito do último quadro de financiamento, quer já no âmbito do 1 Disponíveis em 3/11

4 POSEUR, de que salientou o cumprimento da Directiva das águas residuais urbanas, dando conta do lançamento recente do concurso para o tratamento secundário na ETAR de Matosinhos. Mencionou ainda os protocolos assinados com a EDP e a EDIA sobre a utilização de dados de monitorização, bem como a recuperação das rede de dados de recursos hídricos, já intervencionada em mais de 60%. Considerou a existência de informação fiável como relevante no âmbito do planeamento e das relações com Espanha. Relembrou ainda a primeira reunião do CNA a que assistiu e em que foi criticado a atraso na elaboração do PNA, informando que o plano estaria em discussão pública em Junho, para que pudesse ser aprovado antes da conclusão dos PGRH de segunda geração. Elogiou por fim a APA pelo trabalho desenvolvido na elaboração da segunda geração de PGRH, nomeadamente na preparação das QSIGAs que estavam a ser objecto de um amplo debate público. Dando início ao 1.º ponto da Ordem de Trabalhos, o Eng.º Pedro Serra fez uma exposição sobre o diagnóstico e enquadramento estratégico do Plano Nacional da Água, em elaboração, cujo conteúdo pode ser consultado na seguinte ligação: Sua Exa. o Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia integrou a sessão do Conselho, pedindo desculpa pelo atraso, sendo de imediato apresentado pelo Dr. Nuno Lacasta e pela Eng.ª Felisbina Quadrado, já no âmbito do 2.º ponto da OT, o ponto de situação relativamente à elaboração do segundo ciclo de PGRH e sua articulação com o PNA (conteúdo consultável na mesma ligação). O Prof. Poças Martins solicitou que as intervenções dos conselheiros fossem concisas e focadas nos aspectos essenciais. O Prof. Nunes Correia começou por salientar a importância dos temas em discussão, apesar do carácter inicial dos documentos apresentadas, focando a sua intervenção no conteúdo da apresentação sobre o PNA. Considerou que o Ministério estava de parabéns pela escolha do responsável pela elaboração do Plano face à sua experiência do domínio dos recursos hídricos. Não obstante, os elementos disponíveis sobre o plano revelavam uma visão muito centralista da gestão de recursos hídricos, em contraste com a sua visão, mais descentralizada e ligada aos stakeholders. Considerou pertinente referir que, por exemplo, alguns diplomas relevantes para a gestão de recursos hídricos não tinham surgido na apresentação, como o Decreto-Lei n.º 311/2007, de 17 de Setembro, sobre os empreendimentos de fins múltiplos, e o Decreto-Lei n.º 348/2007, de 19 de Outubro, sobre as associações de utilizadores do domínio público hídrico. Realçou, pela sua relevância, alguns dos diplomas referidos na exposição, nomeadamente a Lei da titularidade dos recursos hídricos de 2005, que permitiu concentrar e actualizar o acervo legislativo muito antigo sobre o tema, e chamou a 4/11

5 atenção para dois documentos produzidos por Grupos de Trabalho do Conselho (sobre as relações entre a gestão de recursos hídricos e o ordenamento do território e a conservação da natureza), muito úteis para contextualizar estas questões. A propósito da questão das secas e escassez, referida pelo Eng.º Pedro Serra, salientou a verdadeira objecção de princípio que existia na Comissão Europeia quanto à construção de novas infraestruturas de retenção, que considerou serem nas condições portuguesas imprescindíveis. Relembrou o esforço desenvolvido por Portugal, nomeadamente em 2007 quando a seca foi a prioridade da presidência portuguesa da EU, que contribui para que estas infra-estruturas pudessem ser aceitáveis, desde que não existissem outras alternativas mais amigas do ambiente e desde que mitigados e compensados os seus impactes negativos. Manifestou alguma intranquilidade pelo caminho que a aplicação da Convenção de Albufeira estava a tomar (a última reunião das Conferência das Partes teria tido lugar em 2008), referindo ser necessário na relação com Espanha formalismo e prudência por parte da atitude portuguesa, até porque as perspectivas da gestão da água não eram coincidentes entre os dois países. O Eng.º Luís Mira salientou a complexidade do PNA, considerando complexo emitir uma opinião fundamentada com o tempo disponibilizado para a análise dos documentos disponíveis. Assim, propôs a criação de um Grupo de Trabalho do Conselho para avaliar os documentos, tornando mais eficiente a análise das diferentes entidades representadas no Conselho. Fez alguns comentários sobre os efluentes de suiniculturas e sobre a poluição por nitratos, que era matéria obrigatória no âmbito da PAC e requisito para os financiamentos comunitários. Referiu que os objectivos da legislação não se cumpriam com a sua publicação mas sim com a sua implementação, e que não se deveria desonerar o Estado sem acautelar a competitividade das empresas. Quanto ao Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, referiu ser o aumento da eficiência com que a água estava a ser utilizada na rega e a utilização de culturas menos exigentes que iriam permitir o regadio de mais ha. Esclareceu, por fim, que todo o investimento em novos regadios estaria condicionado à avaliação das pressões quantitativas sobre as massas de água, o que podia trazer novos problemas ao desenvolvimento do regadio em Portugal. Por fim, concordou com as observações sobre as relações com Espanha feitas pelo Prof. Nunes Correia. O Prof. Joanaz de Melo começou por referir estar concluído o diagnóstico sobre o primeiro ciclo de planeamento e os desafios colocadas à segunda geração de PGRH. Todavia, manifestou preocupação pelos excelentes diagnósticos feitos em Portugal que depois não tinham qualquer resultado prático na melhoria das situações existentes. Seria necessário cumprir os objectivos da 5/11

6 DQA e da Lei da Água, pelo que reconhecendo os avanços metodológicos registados em vários domínios, não tinham sido identificadas nas apresentações as constrições essenciais que teriam condicionado o grau de melhoria no estado dos recursos hídricos. A esse respeito, referiu que as apresentações não tinham identificado as áreas de conflito existentes no uso e gestão dos recursos hídricos portugueses, referindo ainda que o planeamento feito ainda era muito definido pelo Estado. A propósito dos conflitos existentes, mencionou o PNBEPH, que deu como exemplo paradigmático de tudo o que não se devia fazer na gestão de recursos hídricos, nomeadamente porque em relação às QSIGA identificadas o plano infringia quase todas, bem como outros aspectos a ter em devida conta, como a expansão do regadio e a descarga de efluentes. Posteriormente à reunião foi enviado um contributo escrito, disponível no sítio do CNA na internet. O Eng.º Pedro Teixeira felicitou a qualidade das apresentações, referindo a colaboração estreita existente entre a APA e a DGADR no âmbito da elaboração dos PGRH. Salientou a complexidade de muitos dos temas abordados, até porque os PGRH seriam documentos condicionadores da actividade económica, incluindo o regadio. Referiu a necessidade de acautelar o regadio mais antigo, concebido numa lógica distinta, muitas vezes social e sem critérios de sustentabilidade. Informou que a DGADR, enquanto Autoridade Nacional do regadio, tinha participado, a par da APA, em todos os exercício de condicionalidade Ex-ante no âmbito do PDR 2020 e dos programas operacionais, interligando as posições muitas vezes antagónicas existentes entre a DG de Ambiente e a DG de Agricultura em Bruxelas. Concordou com a importância de equacionar a sustentabilidade da utilização da água, reconhecendo que os conflitos que ocorressem deveriam ser dirimidos com monitorização rigorosa e representativa. Referiu que a actividade agrícola já apresentava muitas condicionalidades ambientais que enquadravam a sua sustentabilidade, que deveria ainda ser ponderada em termos sociais. Relativamente à referência na exposição do Eng.º Pedro Serra sobre a inexistência de um Plano Nacional de Regadio, esclareceu que não deixava de existir um documento estratégico para investimento em regadio coincidente com os períodos de programação dos financiamentos comunitários. A concluir, saudou ainda a inclusão, num projecto de diploma, da DGADR como membro de pleno direito na CADC e considerou pertinente realçar que os PGRH iriam conter aspectos fundamentais no financiamento dos projectos do PDR 2020 relacionados com o estado quantitativo das massas de água, aspecto que poderia ser solucionado por via da emissão dos títulos de utilização de recursos hídricos. A Dra. Paula Chainho começou por relembrar que o PNA deveria conter as linhas gerais da gestão de recursos hídricos a verter para os PGRH, parecendo estar a acontecer uma boa articulação na elaboração desses instrumentos de planeamento. Não obstante, seria expectável que tivesse sido 6/11

7 feita uma avaliação cuidada da execução das medidas contidas, não só nos primeiros PGRH, mas também nos planos de bacia hidrográfica de 2001, embora com base nas informações disponíveis essa avaliação não tivesse sido feita. Sobre a participação pública no processo de planeamento, questionou ainda o que teria acontecido aos Conselhos de Região Hidrográfica. O Eng.º Eira Leitão fez uma intervenção sobre o conjunto de documentos em avaliação, relativos ao PNA e aos PGRH, Considerou boa a apresentação de enquadramento do PNA, apesar do conteúdo do plano continuar a não ser conhecido. Sobre este tema, relembrou que o PNA, como consta da Lei da Água, deve definir opções estratégicas que devem ser adoptadas e adaptadas às várias regiões hidrográficas através dos PGRH. Considerou positivo que o trabalho preliminar de elaboração do PNA, desenvolvido ao longo de 2010/2011, não fosse perdido, e recomendou a consulta das apreciações do GT XV do CNA sobre a elaboração do PNA que, nessa altura, acabou por não ser concluído. Como referido na apresentação sobre o PNA, os primeiros PGRH tinham sido frágeis e demasiado conservativos nas suas propostas, empurrando muitos dos objectivos ambientais para 2021 (ou 2027), algo que, considerou, não deveria acontecer no segundo ciclo de planos. Salientou também que, de acordo com a Lei da Água, o processo de planeamento não se limitava à qualidade das massas de água, incluindo nomeadamente o balanço entre as disponibilidades e necessidades de água para as diferentes finalidades. Fez votos para que o PNA em elaboração trouxesse orientações estratégicas para os PGRH e relembrou as competências do Conselho relativamente ao acompanhamento do PNA e dos planos de recursos hídricos das bacias hidrográficas partilhadas com Espanha, considerando muito importante a existência de uma estrutura administrativa que acompanhasse a execução dos planos de recursos hídricos portugueses. A concluir referiu a recente publicação da Portaria n.º 37/2015, de 17 de Fevereiro, que recriava os Conselhos de Região Hidrográfica, órgãos que poderiam utilizar a experiência obtidas nas anteriores gerações de planos. O Eng.º Brito Luz referiu a crescente dificuldade em aceder gratuitamente a dados de monitorização, nomeadamente meteorológicos, relevantes para incorporação em projectos de investigação que estavam a ser desenvolvidos sobre solo e água e que seriam relevantes no âmbito dos processos de certificação. Conclui com um alerta sobre o envelhecimento dos investigadores e para os problemas associados à manutenção de bolseiros nos laboratórios do Estado. A Prof.ª Conceição Cunha começou por referir que o documento apresentado já demonstrava a importância de ter existido um PNA no primeiro ciclo de PGRH. Considerou fundamental que se apresentasse desde já o grande desígnio do PNA, até porque não existiam diagnósticos inocentes ou inócuos. Este desígnio também deveria influenciar as próprias QSIGA. Deu conta da análise de PGRH 7/11

8 de outros países em que se viam questões significativos do tipo como partilhar o recurso disponível e regular os usos num contexto de alterações climáticas ou como adaptar as actividades humanas e os territórios, o que podia ter naturalmente implicações nas medidas contidas nos planos. Salientou o atraso no desenvolvimento de métricas capazes de avaliar o desempenho dos planos de recursos hídricos. Acentuou também a importância da recriação dos CRH, apesar do atraso face ao início do período de discussão pública das QSIGA, e partilhou a preocupação sobre a relação bilateral com Espanha, sobretudo depois de consultar os PGRH espanhóis já disponíveis na internet. A concluir, referiu que se falava em determinados círculos sobre algumas perspectivas da Comissão Juncker relacionadas com a diminuição das exigentes restrições ambientais europeias com o objectivo de aumentar a competitividade da economia, o que poderia ter reflexos na forma como os planos de recursos hídricos seriam realizados. O Prof. Veiga da Cunha questionou a possibilidade de se completar o PNA em Junho face à complexidade de algumas das questões envolvidas, que requeriam a sua abordagem empenhada. Considerou necessária a existência de uma equipa permanentemente adstrita ao processo de planeamento face à natureza contínua do processo e considerou que o PNA deveria ser algo diferente dos PGRH, nomeadamente em relação à integração com as utilizações da água, não tendo ouvido menções nas exposições ao nexus água-energia-alimentação-ambiente. Ainda sobre as relações luso-espanholas, concordou com a tendência dos espanhóis em não ligar às questões bilaterais da água, sendo necessário Portugal chamar-lhes a atenção, algo que seria facilitado com a existência de equipas de trabalho conjuntas. Para o Prof. Rui Cortes seria importante definir objectivo ambientais mais exigentes que os constantes da primeira geração de PGRH, sendo ainda necessário melhorar a coordenação com outros planos, nomeadamente com o PENSAAR Considerou os problemas na monitorização como uma lacuna terrível, salientando a necessidade de definir e implementar rapidamente as redes de monitorização. Expressou fortes reservas sobre a capacidade para avaliar tendências de evolução do estado das massas de água, quando os dados disponíveis eram maioritariamente anteriores a Por fim, saudou a portaria que recriava os CRH, apesar da demora na sua publicação, fazendo votos para que a discussão pública dos PGRH fosse dinâmica e contribuísse para a dinamização das Regiões Hidrográficas. O Eng.º Lobo Ferreira referiu ter estado envolvido, através do LNEC, na elaboração das anteriores gerações de planos, demonstrando a capacidade portuguesa existente para reflectir sobre estes temas e questionou o que poderia ser feito para tornar viáveis as medidas propostas nos planos. 8/11

9 Considerou necessário incrementar o envolvimento dos stakeholders e dos trabalhos técnicos e científicos desenvolvidos em Portugal na elaboração dos planos, que deveriam assentar num novo paradigma, mais virado para os utilizadores. A esse respeito deu conta do envolvimento dos stakeholders nos trabalhos desenvolvido e na campina de Faro com o objectivo de reduzir o teor de nitratos nas águas subterrâneas. A Eng.ª Carla Graça começou por questionar o calendário de elaboração do PNA face à necessidade de o articular com os PGRH e com outros instrumentos que se encontravam mais ou menos parados, como o PNUEA e o PNAC. Considerou pertinente reactivar o Grupo de Trabalho do Conselho que tinha acompanhado a elaboração do PNA, bem como proceder à avaliação da eficácia do anterior plano nacional da água. Por fim, referiu que faltaria nas QSIGA em discussão pública uma visão ecossistémica ao nível da bacia hidrográfica, nomeadamente incluindo os recursos solo e floresta. O Eng.º José Barahona Núncio considerou necessário suprir a lacuna referente à inexistência de um plano nacional de regadio e melhor articular a Autoridade Nacional do regadio e o sector. Referiu também a preocupação dos agricultores com a questão do estado quantitativo das massas de água superficiais, que podia limitar o desenvolvimento do regadio português. Questionou os níveis de eficiência propostos para a actividade agrícola, nomeadamente em locais onde a escassez não era grave, até porque os aumentos de eficiência no uso de água estavam muitas vezes associados a aumentos nos consumos de energia. Esta última questão deveria, aliás, ser abordada no PNA. Posteriormente à reunião foi enviado um contributo escrito, disponível no sítio do CNA na internet. Sua Exa. o Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia salientou o interesse da discussão do plenário sobre os planos de recursos hídricos, sendo agora pertinente que os conselheiros pudessem entregar pareceres mais detalhados. Estes pareceres deveriam aliás ser tornados públicos, antecedendo a discussão pública dos planos e replicando a boa experiência obtida na discussão pública da fiscalidade verde. Agradeceu ao Eng.º Pedro Serra e à sua equipa o trabalho desenvolvido na elaboração do PNA e a oportunidade de este coincidir com o arranque da elaboração do segundo ciclo de PGRH. Embora reconhecendo que teria sido mais favorável que o PNA já estivesse concluído antes da elaboração dos PGRH, considerou que o atraso existente seria uma razão, não para adiar a elaboração do PNA, mas sim para a acelerar. Considerou que o trabalho desenvolvido como honesto do ponto de vista intelectual, criticando aliás várias opções formuladas no passado. Referiu a existência nas próximas semanas/meses de uma grande oportunidade para aperfeiçoar o documento e realçou a necessidade da água sair da esfera dos especialistas e de aumentar a abrangência de figuras como as associações de utilizadores e os Conselhos de Região 9/11

10 Hidrográfica. Seria seu objectivo massificar esta questão em termos públicos, comprometendo-se com o facto de a discussão pública não ser uma mera formalidade. Prosseguindo a sua intervenção, informou ser objectivo do Governo fechar em Março uma versão do PNA para discussão pública, de dois meses, até à sua aprovação em Junho. Salientou a relevância deste calendário também por causa da questão espanhola, já que tinha sido acordado com Espanha um período coincidente de discussão pública dos PGRH portugueses e espanhóis das mesmas bacias partilhadas, que iria decorrer no início do segundo semestre. Referiu ainda que nenhum dos dois Governos, português e espanhol, admitia ir para eleições sem ter os PGRH completados. Ainda sobre as relações com Espanha, considerou que os problemas referidos pelos conselheiros seriam sobretudo uma questão de percepção, afirmando não existir nenhum enfraquecimento ou ingenuidade da posição portuguesa nessas relações. Referiu os contactos cada vez mais frequentes e de impacto diplomático cada vez maior com Espanha, nomeadamente ao nível da CADC e no contacto entre Ministros e Secretários de Estado, realçando ainda o foco claro nas temáticas do planeamento e da monitorização. Salientou a obtenção de alguns resultados positivos, na medida em que tínhamos conseguido influenciar o lado espanhol, e referiu a participação portuguesa no escrutínio dos planos espanhóis, dando conta da intenção de fazer chegar ao Conselho informação escrita sobre a evolução da relação com Espanha. Por outro lado, solicitou aos membros do Conselho contributos sobre a forma de aprofundar e melhorar a relação com Espanha, nomeadamente com exemplos concretos que materializassem os problemas existentes e os impactos dos planos espanhóis. Sobre o PNBEPH, referiu que embora o Governo não tivesse sido o autor do plano, o Estado continuava a ser o mesmo, pelo que o tinha sido aprovado seria salvaguardado, incluindo as exigências ambientais estabelecidas nas Declarações de Impacte Ambiental e as contrapartidas dos Municípios, o que aliás estava a ser cumprido. Sobre esta questão, esclareceu ainda que o apoio público era diminuto no investimento privado que seria concretizado no PNBEPH (5000 milhões de investimento privado para 300 milhões de investimento público em garantias de potência). Aliás por esta razão, alguns dos promotores prefeririam adiar os investimentos, o que todavia não seria possível sem incumprimento do estipulado nos contratos celebrados. Este enquadramento tinha mesmo feito com que a EDP tivesse perdido o apoio à produção de electricidade no aproveitamento de Fridão, por não ter entregue a sua proposta para a contratualização do contrato de concessão para a utilização de recursos hídricos. Referiu ainda não aceitar que fossem atribuídas ao Estado português preferências por uma qualquer empresa, como a EDP, que tinha tido um corte de 1800 milhões de euros em rendas excessivas nos últimos três anos. 10/11

11 Concluindo a sua intervenção, referiu que o PNA deveria ter em conta o já referido nexus águaenergia-alimentação-ambiente e que iria surgir após a aprovação da reforma do ordenamento do território (que erradicaria o solo urbanizável com benefício para a gestão de recursos hídricos), do trabalho sobre o litoral, do PENSAAR 2020 e do PNAC 2020/30 (em fase final de elaboração), existindo um conjunto de opções estratégicas que estavam a ser tomadas e que seriam úteis para a elaboração do PNA. O Eng.º Pedro Serra agradeceu todos os contributos sobre o PNA, que a equipa iria considerar no desenvolvimento do plano. Começou por esclarecer que o PNA seria elaborado para corresponder ao que a Lei da água refere sobre o plano. Quanto à oportunidade da sua elaboração, referiu que sempre haveria um problema, já que o PNA teria que ir beber informação dos PGRH anteriores, projectandoos para o futuro no enquadramento do próximo ciclo de planos, sendo necessário viver com esta dificuldade. Sobre a hierarquia dos planos, considerou importante não perder de vista o PNPOT e os documentos de estratégia desenvolvidos nas áreas do desenvolvimento sustentável, da conservação da natureza e das alterações climáticas, bem como um conjunto de documentos sectoriais que, embora colocados a um nível inferior, seriam igualmente relevantes (PENSAAR 2020, documento sobre energia, agricultura, mar, turismo, etc.). Referiu também ter bem presente o nexus águaenergia-alimentação-ambiente ao procurar integrar todos aqueles documentos sectoriais. Outro nível será representado pelos PGRH e pelos planos de gestão dos riscos de inundações, em relação aos quais o PNA deverá promover a integração e traçar orientações estratégicas. Quanto ao calendário, confirmou a intenção de concluir uma proposta de PNA no final de Março, permitindo um processo de discussão pública durante os meses seguintes, precedendo a sua aprovação nos termos que da lei. Esclareceu que as questões quantitativas não serão ignoradas, sendo mesmo referidas como um objectivo que não foi devidamente cumprido no primeiro ciclo de PGRH. Reafirmando a importância da monitorização e da implementação dos planos, considerou que a questão nuclear do PNA e dos PGRH estará relacionada com a ambição desejada para os PGRH de segunda geração. O Prof. Poças Martins agradeceu ao Eng.º Pedro Serra e equipa, bem como o Dr. Nuno Lacasta e à Eng.ª Felisbina Quadrado pelas exposições feitas, saudando a efectiva articulação entre o PNA e o segundo ciclo de PGRH. No âmbito do 3.º ponto da Ordem de Trabalhos, colocou à votação do plenário a acta da 54.ª reunião e o Relatório e Contas/Programa de Actividades do Conselho para 2015, tendo ambos sido aprovados por unanimidade. Não havendo mais intervenções, a sessão foi encerrada, cerca das 13h00. 11/11