Capítulo 1 ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO E OPERAÇÕES (pag.2)

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Transcrição:

Capítulo 1 ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO E OPERAÇÕES (pag.2) 1.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO: A função produção é entendida como o conjunto de atividades que levam à transformação de um bem tangível em outro com maior utilidade e acompanha o homem desde sua origem. Quando polia a pedra a fim de transformá-la em utensílio mais eficaz, o homem pré-histórico estava executando uma atividade de produção. Nesse primeiro estágio, as ferramentas e os utensílios eram utilizados exclusivamente por quem os produzia, ou seja, inexistia o comércio, mesmo que de troca ou escambo (MARTINS/LAUGENI). Com o passar do tempo, muitas pessoas se revelaram extremamente habilidosas na produção de certos bens, e passaram a produzi-los conforme solicitação e especificações apresentada por terceiros. Surgiram então, os primeiros artesãos e a primeira forma de produção organizada, já que os artesãos estabeleciam prazos de entrega, consequentemente classificando prioridades, atendiam especificações prefixadas e determinavam preços para suas encomendas. A produção artesanal também evoluiu. Os artesãos, em face do grande número de encomendas, começaram a contratar ajudantes, que inicialmente faziam apenas os trabalhos mais grosseiros e de menor responsabilidade. À medida que aprendiam o ofício, esses ajudantes se tornavam novos artesãos (MARTINS/LAUGENI). A produção artesanal começou a entrar em decadência com o advento da Revolução Industrial. Com a descoberta da máquina a vapor em 1764 por James Watt, tem início a processo de substituição da força humana pela força da máquina. Os artesãos, que até então trabalhavam em suas próprias oficinas, começaram a ser agrupados nas primeiras fábricas. Essa verdadeira revolução na maneira como os produtos eram fabricados trouxe consigo algumas exigências, como (MARTINS/LAUGENI): A padronização dos produtos e seus processos de fabricação; O treinamento e a habilitação da mão-de-obra direta; A criação e o desenvolvimento dos quadros gerenciais e de supervisão; O desenvolvimento de técnicas de planejamento e controles financeiros e da produção; E desenvolvimento de técnicas de vendas. Muitos destes conceitos que hoje nos parecem óbvios não o eram na época, como o conceito de padronização de componentes introduzido por Eli Whitney em 1790, quando conduziu a produção de mosquetões com peças intercambiáveis, fornecendo uma grande vantagem operacional aos exércitos. Teve inicio o registro, por desenhos e croquis, dos produtos e processos fabris, surgindo a função de projeto de produto, de processos, de instalações, de equipamentos, etc. (MARTINS/LAUGENI). No final do século XX, surgiram nos Estados Unidos os trabalhos de Frederick W. Taylor, considerado o pai da Administração Científica. Com os trabalhos dele, surge a sistematização do conceito de produtividade, isto é, a procura incessante por melhores métodos de trabalho e processos de produção, com o objetivo de se obter melhoria da produtividade com o menor custo possível. Essa procura ainda hoje é o tema central em todas as empresas, mudando-se apenas as técnicas utilizadas. A análise da relação entre o output ou, em outros termos, uma medida quantitativa do que foi produzido, como quantidade ou valor das receitas provenientes da venda dos produtos e/ou serviços finais e o input, ou seja, uma medida quantitativa dos insumos, como quantidade ou valor das matérias-primas, mão-de-obra, energia elétrica, capital, instalações prediais e outras. Isso nos permite quantificar a produtividade, que sempre foi o grande indicador do sucesso ou fracasso das empresas (MARTINS/LAUGENI). Produtividade = medida de output medida de input Na década de 1910, Henry Ford cria a linha de montagem seriada, revolucionando os métodos e processos produtivos até então existentes. Surge o conceito de produção em massa, caracterizada por grandes volumes de produtos extremamente padronizados, isto é, baixíssima variação nos tipos de produtos finais. Essa busca da melhoria da produtividade por meio de novas técnicas definiu o que se denominou Engenharia Industrial. Novos conceitos foram introduzidos, tais como: linhas de montagem, postos de trabalho, estoques intermediários, monotonia no trabalho, arranjo físico, balanceamento de linha, produtos em processo, motivação, sindicatos, manutenção preventiva, controle estatístico da qualidade e os fluxogramas dos processos (MARTINS/LAUGENI). Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 1

A produção em massa aumentou de maneira fantástica a produtividade e a qualidade, e foram obtidos produtos bem mais uniformes, em razão da padronização e da aplicação de técnicas de controle estatístico da qualidade. Isso possibilitou que em fins de 1996, tivéssemos no Brasil fábricas que montavam 1.800 automóveis em um dia, ou seja, uma média de 1,25 automóveis por minuto (MARTINS/LAUGENI). O conceito de produção em massa e as técnicas produtivas dele decorrentes predominaram nas fábricas até meados da década de 1960, quando surgiram novas técnicas produtivas, caracterizando a denominada Produção Enxuta. A produção enxuta introduziu, entre outros, os seguintes conceitos (MARTINS/LAUGENI): JIT Just in Time: processo que gerencia a produção, objetivando o maior volume possível da produção, usando o mínimo de matéria-prima, embalagens, estoques intermediários, recursos humanos, no exato momento em que requerido tanto pela linha de produção quanto pelo cliente. É necessário um controle rígido para que o abastecimento aconteça exatamente quando solicitado, com qualidade, evitando-se gerar estoque em excesso, escassez ou desperdício do produto. Engenharia Simultânea: conceito que se refere à participação de todas as áreas funcionais da empresa no desenvolvimento do projeto do produto. Tanto os clientes como os fornecedores são também envolvidos, com o objetivo de reduzir prazos, custos e problemas na produção e na comercialização. Tecnologia de Grupo: uma filosofia de engenharia e manufatura que identifica as similaridades físicas dos componentes, com processos de fabricação semelhantes, agrupando-os em processos produtivos comuns, facilitando a definição das células de produção. Consórcio modular: a primeira fábrica do mundo a utilizar esse conceito foi a Volkswagem, divisão de caminhões e ônibus de Resende no Rio de Janeiro. Diversos parceiros trabalham juntos dentro da planta da empresa, nos seus respectivos módulos, para a montagem dos veículos, e são responsáveis pelas operações na linha de montagem. Trabalhando juntos, é necessário que haja uma padronização e especificação dos processos, uma vez que existem várias empresas, com culturas organizacionais distintas. Cada parceiro deve também, especificar os processos, prover recursos materiais, peças necessárias para a montagem, ferramentas e controle utilizados. Como principais vantagens, o consórcio modular permite a redução nos custos de produção e investimentos. Diminui ainda os estoques e o tempo de produção dos veículos, aumentando a eficiência e produtividade, além de tornar mais flexível a montagem de veículos Células de Produção: unidade de manufatura e/ou serviços que consiste em uma ou mais estações de trabalho, com mecanismos de transporte e de estoques intermediários entre elas. As estações de trabalho são geralmente dispostas em U com o objetivo de obter uma maior velocidade de produção. Isso exige que o funcionário seja polivalente, ou seja, participe de todo o processo com todos os funcionários, estabelecendo integração da equipe de trabalho. Visa a melhoria de controle da qualidade: o defeito, muitas vezes, pode ser detectado e corrigido na própria estação. Desdobramento da Função Qualidade: metodologia que visa levar em conta, no projeto do produto, todas as principais exigências do consumidor a fim de não somente atendê-las como também suplantá-las. Como o próprio nome sugere, a qualidade é desdobrada em funções que primam pelos seus procedimentos objetivos em cada um dos estágios do ciclo de desenvolvimento de um produto, desde a pesquisa e desenvolvimento até sua venda e distribuição. Sistemas Flexíveis de Manufatura: conjunto de máquinas de controle numérico interligadas por um sistema central de controle e por um sistema automático de transporte. Manufatura Integrada por Computador: integração total da organização manufatureira por meio de sistemas de computadores e filosofias gerenciais que melhoram a eficácia da empresa. COMPUTER INTEGRATED MANUFACTURING CIM. Benchmarking: comparações das operações de um setor ou de uma organização em relação aos outros setores ou concorrentes diretos ou indiretos. Este acompanhamento das empresas líderes em seus segmentos envolve os mais diversos aspectos, como práticas (modelos, processos, técnicas) e desempenho, podendo ocorrer interna ou externamente à organização, a fim de melhorar sua criatividade para atingir seus objetivos. Ao longo desse processo de modernização da produção, cresce em importância a figura do consumidor, em nome do qual tudo se tem feito. Pode-se dizer que a procura da satisfação do consumidor é que tem levado as empresas a se atualizarem com novas técnicas de produção, cada vez mais eficazes, eficientes e de alta produtividade. É tão grande a atenção dispensada ao consumidor que este, em muitos casos, já especifica em detalhes o seu produto, sem que isso atrapalhe os processos de produção do fornecedor, tal a sua flexibilidade. Assim, estamos caminhando para a produção customizada, que é aquela direcionada para o consumidor, conforme suas exigências, resultando num produto de seu gosto. De certo modo isso é retorno ao artesanato sem a figura do artesão, que passa a ser substituído por moderníssimas fábricas (MARTINS/LAUGENI). Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 2

1.2 VISÃO GERAL DE MANUFATURA E SERVIÇOS: Ao longo de todo o desenvolvimento dos processos de fabricação de bens tangíveis, estiveram presentes, sempre de forma crescente os serviços. Podemos afirmar que até meados da década de 1950, a indústria de transformação era a que mais de destacava no cenário político e econômico mundial (MARTINS/LAUGENI). Hoje isso não é mais verdadeiro. O setor de serviços emprega mais pessoas e gera maior parcela do Produto Interno Bruto na maioria das nações do mundo. Dessa forma, passou-se a dar ao fornecimento de serviços uma abordagem semelhante à dada à fabricação de bens tangíveis. Foram incorporadas praticamente todas as técnicas até então usadas pela engenharia industrial. Houve uma ampliação do conceito de produção, que passou a incorporar os serviços. Fechou-se o universo de possibilidades de produção e a ele deu-se o nome de Operações. Assim, operações compõem o conjunto de todas as atividades das empresas relacionadas com a produção de bens e/ou serviços (MARTINS/LAUGENI). 1.3 FLUXOS DE MERCADORIAS, SERVIÇOS E CAPITAIS: O consumidor constitui a base de referência de todos os esforções feitos nas empresas modernas. Atendê-lo da melhor forma possível deve ser o objetivo de toda a empresa. Torna-se necessário que os produtos e/pu serviços estejam à disposição para serem consumidos, devendo estar próximos ao consumidor. As empresas necessitam cada vez mais de esquemas de distribuição rápidos e eficazes, pois o prazo de entrega é fator essencial na decisão de comprar. A logística empresarial, parte integrante da administração das operações, constitui um conjunto de técnicas de gestão da distribuição e transporte dos produtos finais, do transporte e manuseio interno à instalações e do transporte da matérias-primas necessárias ao processo produtivo (MARTINS/LAUGENI). Com relação aos serviços, o volume tende a ser ainda maior. Com a melhoria dos meios de comunicação, é normal encontrarmos empresas com seus departamentos de cobrança, de atendimento ao cliente, jurídico e outros, em cidades diferentes (MARTINS/LAUGENI). Na área de mercados de capitais, temos os fluxos de dinheiro que com uma nuvem, vagam sobre o mundo à procura de locais onde possam descer e obter o máximo rendimento possível (MARTINS/LAUGENI). 1.4 OBJETIVOS DA ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO E OPERAÇÕES: As atividades desenvolvidas por uma empresa visando atender seus objetivos de curto, médio e longo prazos se inter-relacionam de forma extremamente complexa. Como tais atividades, na tentativa de transformar matérias primas em produtos acabados e/ou serviços, consomem recursos e nem sempre agregam valor ao produto final. O grande objetivo da Administração da Produção a gestão eficaz dessas atividades. Dentro deste conceito nos deparamos com o termo: Fábrica do Futuro (MARTINS/LAUGENI). 1.4.1 A FÁBRICA DO FUTURO: Quando ouvimos a expressão fábrica do futuro pensamos logo em uma instalação repleta de robôs, computadores comandando todas as operações e no máximo algumas poucas pessoas para ligar e desligar as máquinas. Essa é a visão que não corresponde à realidade, nem do presente e nem do futuro. A fábrica do futuro se caracteriza por outros aspectos, além de um elevado grau de automação, e está devidamente organizada em torno da tecnologia, do computador que integra através de softwares praticamente todas as atividades, com a utilização de ferramentas como CAD, CAM, CIM, MRP II, ERP, EDI e acima de tudo se destaca a presença do trabalhador do conhecimento, o colaborador que usa a cabeça, o saber, mais do que as mãos (MARTINS/LAUGENI). CAD Desenho Auxiliado por Computador; CAM Manufatura Auxiliada por Computador / CIM Manufatura Integrada por Computador; MRP II - Planejamento dos Recursos de Produção; ERP Planejamento dos Recursos da Empresa; EDI Troca Estruturada de Dados (através de uma rede de dados). Outra característica da fábrica do futuro é a alta produtividade. O número de atividades que não agregam valor ao produto é reduzido a praticamente zero. Assim, podemos dizer que a fábrica do futuro apresenta as seguintes características (MARTINS/LAUGENI): Organização da Produção: Focada na produtividade. As atividades que não agregam valor são eliminadas. A filosofia de fazer certo desde a primeira vez é levada a extremos. Os refugos e retrabalhos não são admitidos, os níveis de estoques devem ser baixíssimos, as fábricas devem ser extremamente limpas através da aplicação da sistemática do housekeeping entre outras ações. Projetos dos Produtos e dos Processos: os projetos dos produtos são desenvolvidos juntamente com os processos onde serão fabricados. A atenção aos objetivos dos clientes deve ser base para estes projetos e com isso a aplicação da ferramenta FMEA - Análise dos Efeitos e Modos de Falhas deve ser largamente utilizada. Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 3

Lay-out: É o elemento determinante da fábrica do futuro. As grandes fábricas até então tidas como padrão são divididas em várias pequenas unidades dentro da fábrica original, devidamente focalizada, organizada em células de produção, com elevado grau de automação. Comunicação Visual: A comunicação visual está cada vez mais presente em nossas fábricas e escritórios. As informações sobre produção, produtividade, objetivos atingidos e a atingir, porcentagem de refugos, etc. estão dispostas em quadros espalhados por todas as instalações, para serem lidos, analisados e criticados por todos os colaboradores. Posto de Trabalho: É projetado tendo em vista os conceitos da Ergonomia, procurando o conforto, bem estar e segurança dos colaboradores. Compromisso com o Meio Ambiente: A fábrica do futuro deve ser ecologicamente correta, ou seja, não poluidora. Devem ser certificadas nos termos da ISO.14000 ou normas correspondentes. A preocupação em trabalhar com materiais recicláveis deve estar presente em todas elas. Gestão do Conhecimento: A fábrica do futuro também é marcada por uma administração em que o conhecimento não está centralizado na figura de um chefe, mas compartilhado com todos os colaboradores. A prioridade não é a simples produção em massa, mas a produção em que os conhecimentos são aplicados para melhorar o desempenho. 1.5 AVALIAÇÃO DA PRODUTIVIDADE: A conceituação de produtividade tem abrangência ampla. Uma delas, talvez a mais tradicional seja a que considera a produtividade com a relação entre o valor do produto e/ou serviço produzido e o custo dos insumos para produzi-lo (MARTINS/LAUGENI). Vários são os fatores que determinam a produtividade de uma empresa (MARTINS/LAUGENI): Relação capital-trabalho: indica o nível de investimentos em máquinas, equipamentos e instalações em relação à mão de obra empregada. É sabido que a medida que um parque industrial envelhece, perde produtividade. As substituições dos equipamentos são feitas sempre no sentido de obtenção de melhorias de produtividade. A escassez de alguns recursos: tem gerado problemas de produtividade, como a enrgia elétrica, em que aumentos de custos geram grande impacto nos processos industriais que utilizam a eletrólise (Processo de produzir alterações químicas pela passagem de uma corrente elétrica através de um eletrólito). Os custos elevados da energia elétrica, a crise energética pela qual passou o Brasil no início do século, que afetou diretamente as produções das fábricas que não geravam sua própria energia, prejudicando não só a linha de produção, mas a distribuição, principalmente para aqueles que trabalham com o sistema JIT Just in Time. Mudanças na mão-de-obra: decorrentes de alterações de processos produtivos, em que o pessoal com maior grau de instrução faz-se necessário, pois não adianta muito ter mão-de-obra barata se não for produtiva. Inovação e tecnologia: são grandes responsáveis pelo aumento da produtividade nos últimos anos. Assim, investimentos em pesquisa e desenvolvimento dão indicativos das perspectivas de aumento de produtividade a médio e longo prazo. Restrições legais: têm imposto limitações a certas empresas, forçando-as a implantar equipamentos de proteção ambiental, com impactos a produtividade. Fatores gerenciais: relacionados com a capacidade dos administradores de se empenharem em programas de melhoria de produtividade em suas empresas. Qualidade de vida: que reflete a cultura do ambiente em que a empresa se situa. Muitas organizações se preocupam em melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores, na certeza de que o retorno em termos de produtividade é imediato. A produtividade é assunto importante para qualquer nível da organização. Podemos mesmo dizer que o objetivo final de todo gerente é aumentar a produtividade da unidade organizacional sob sua responsabilidade, sem descuidar da qualidade. Quase sempre aumentos de produtividade requerem mudanças na tecnologia, na qualidade ou na forma de organização do trabalho, ou ainda em todas em conjunto (MARTINS/LAUGENI). Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 4

Ambiente Inputs Outputs Ambiente Melhoria na qualidade do produto AÇÃO GERENCIAL Melhoria nos processos produtivos Aumneto no output por unidade de input Redução no input por unidade de output Aumneto no output e redução no input Maior valor percebido Preços mais altos Produtividade melhorada Maior participação no mercado Aumento na receita Baixos custos de manufatura e serviços MAIORES LUCROS Figura 1: impacto Econômico da Melhoria da Produtividade e Qualidade 1.5.1 SISTEMAS DE PRODUÇÃO: A fim de melhor conceituar produtividade, vamos explicar alguns outros conceitos subjacentes, que são muitas vezes erroneamente confundidos: (MARTINS/LAUGENI). Sistema: é um conjunto de elementos inter-relacionados com um objetivo comum, conforme apresenta a figura abaixo. Empresa Mão-de-obra Funções de Capital Produtos tranformação Energia Serviços Outros insumos Todo sistema compõe-se de 3 elementos básicos: as entradas (inputs), as saídas (outputs) e as funções de transformação. As entradas são os insumos, ou seja, o conjunto de todos os recursos necessários, tais como instalações, capital, mão-de-obra, tecnologia, energia elétrica, informações e outros. Eles são transformados em saídas pelas funções de transformação, como decisões, processos, regras, julgamento humano, dentre outros fatores. Sistemas de produção: são aqueles que têm por objetivo a fabricação de bens manufaturados, a prestação de serviços ou o fornecimento de informações. Eficácia: é a medida de quão próximo se chegou dos objetivos previamente estabelecidos. Eficiência: é a relação entre o que se obteve (outputs) e o que se consumiu em sua produção (inputs), medidos na mesma unidade. 1.5.2 PRODUTIVIDADE: É a capacidade de produção de um sistema, ou seja, a relação entre o produzido (outputs) e os recursos empregados para produzi-lo (inputs), e pode ser medida de forma parcial ou total (MARTINS/LAUGENI). BIBLIOGRAFIA: MARTINS, Petrônio G e LAUGENI, Fernando P. Administração da produção e operações. Ed. Especial Anhanguera. São Paulo: Saraiva, 2011 Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 5