Recursos Hídricos. Produtos e Equipamentos. Anexo III-d. Prospecção Tecnológica. Síntese de Painel de Especialistas

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1 Centro de Gestão e Estudos Estratégicos Ciência, Tecnologia e Inovação Recursos Hídricos Anexo III-d Produtos e Equipamentos Síntese de Painel de Especialistas 1

2 Contexto A necessidade de equipamentos e produtos relacionados com o uso, conservação e controle da água é muito grande, representando diferentes universos tecnológicos. Desta forma, foi necessário priorizar e delimitar o universo deste tema aos equipamentos utilizados para monitoramento quantitativo das variáveis hidrológicas como precipitação, níveis e vazões em rios. Em um país de dimensões gigantescas, contendo alguns dos maiores rios do mundo e a maior das bacias hidrográficas, juntamente com regiões semi-áridas, produzem as mais variadas situações quanto ao monitoramento. Por exemplo, rios muito encaixados em regiões escarpadas, nas bordas do Planalto Brasileiro até rios que mudam de curso entre uma temporada e outra devido à baixíssima declividade, como acontece no Pantanal, impondo dificuldades diferentes para a instalação de linígrafos; rios receptores de grandes cargas de esgotos, devido à vazão muito baixa em épocas mais secas, têm uma água extremamente agressiva aos sensores; áreas urbanas que demandam a instalação de aparelhos registradores com precisão temporal muito superior a maioria dos rios; regiões que acesso muito difícil onde o registro pode ser realizado com intervalos maiores, mas com transmissão de informação por satélite como Pantanal e Amazônia. Esta variabilidade de cenários de um lado abre espaço para desafios importantes no âmbito tecnológico e de outro cria um universo de resultados que pode ser exportado para outros países. Com a abertura do mercado brasileiro nos anos 90, os equipamentos existentes no país devem ser capazes de competir no mercado internacional com tecnologia atualizada, o que implica que o produtor local, ou pertença a uma multinacional, ou seja, tecnologicamente autônomo. Atualmente os produtos existentes no mercado são essencialmente importados e de custo alto em função dos impostos de importação. A política industrial continua indefinida, o que implica em instabilidade no investimento público e hesitação no privado. Na ausência de garantia de compra interna, é preciso ter competitividade internacional, sem o que uma indústria local não terá nem a escala nem a estabilidade de faturamento. Como a rede básica de monitoramento é pública, bem como boa parte das redes dos utilizadores, a instabilidade do investimento governamental significa impossibilidade de previsão de receita para a empresa, para a qual concorrem: (i) a legislação para licitação de compras públicas que promove a fragmentação do mercado; (ii) a falta de planejamento de 2

3 Recursos Hídricos implantação da rede a médio e longo prazo; (iii) a instabilidade do fluxo de recursos, mesmo depois de incluídos em orçamento, provocada por freqüentes contingenciamentos. Essa impossibilidade de projeção de receita é o principal gargalo de um processo de nacionalização na área. Algumas das questões presentes neste tema são: É necessária uma indústria de equipamentos de hidrometria no Brasil? Quais são os principais focos de C& T de interesse do país que poderão financiados visando aumentar o conhecimento e criar base para uma produção no país e para exportação? Quais são os mecanismos necessários para viabilizar a produção? Os objetivos deste tema são os de identificar as oportunidades de desenvolvimento científico e tecnológico relacionadas com a produção de equipamentos de hidrometria de interesse aos usuários nacionais e sua relação com as necessidades do desenvolvimento dos objetivos da legislação de recursos hídricos do país. Principais questões identificadas Quanto à viabilidade da produção nacional Tendo em vista os condicionantes econômico, financeiro e institucional, a orientação da indústria de equipamentos de monitoramento hidrológico poderá se dar no sentido da autonomia tecnológica, o que deixa três opções principais: (i) empresa nacional autônoma com capacidade de desenvolvimento; (ii) empresa nacional em parceria com instituição de pesquisa, (iii) subsidiária de multinacional, com acesso à tecnologia gerada na matriz. A terceira opção envolve atrair uma multinacional que produza equipamentos com características interessantes para uso no país. Nessa opção, o desenvolvimento tecnológico local ou desenvolvimentos específicos para atender peculiaridades só ocorrerão se houver uma convergência acidental entre a estratégia da multinacional e o interesse local, o que é pouco provável. A segunda opção pode ser um estágio intermediário para viabilizar a primeira, estágio esse que pode se repetir ao longo do tempo sempre que a empresa necessitar de um esforço concentrado de desenvolvimento acima de suas capacidades. Portanto, é melhor considerar essa forma de trabalho como uma das opções à disposição da empresa para assegurar sua autonomia. Na perspectiva das duas primeiras opções, é necessário o lançamento de projetos que fomentem uma dinâmica sadia de desenvolvimento tecnológico e coloquem ao alcance das empresas o lançamento de produtos competitivos. 3

4 É recomendável que os projetos a serem financiados satisfaçam à maioria dos seguintes quesitos: (i) ter efeito importante sobre a viabilidade e/ou a qualidade do monitoramento de uma ou mais variáveis de interesse; (ii) ter perspectivas de escala de produção suficiente; (iii) desenvolvimento ao alcance de uma equipe de engenharia nacional ou de uma parceria; (iv) custo de desenvolvimento razoável face aos benefícios realizáveis em termos comerciais ou em termos de monitoramento; (v) ter chances razoáveis de colocar o produtor no mercado internacional. Projetos de equipamentos identificados Os projetos identificados são de desenvolvimento dos seguintes equipamentos: linígrafo de pressão por borbulhamento com bomba de ar que dispense a garrafa de gás, para uso geral; linígrafo de pressão auto-suficiente com logger e baterias integrados, para uso submerso em áreas sujeitas a vandalismo; tanque evaporimétrico automático que necessite de pouca manutenção; pluviógrafo de balança eletrônica para uso geral; uma família de data loggers para atender a gama de necessidades de PCD s e instrumentos avulsos usados na área; projeto padrão (norma?) de bóia de instrumentação para uso em açudes; método de medição de vazão por radar visando a disponibilização de sistemas desse tipo para uso no Brasil; uma série de projetos (norma?) de torres para instalação de instrumentos dentro do corpo d água; sistema nacional de telemetria via satélite: estudo visando quantificar a utilidade de se ter monitoramento via satélite em tempo real como contribuição para a viabilização de um sistema nacional de satélites multi-uso; sensores básicos para qualidade da água (temperatura, ph, condutividade e oxigênio dissolvido); pesquisa e desenvolvimento de sistemas de medida da evapotranspiração por covariância em vórtices (eddy covariance 1 ) integrando sensores importados; 1 Ver Informações sobre o projeto Ameriflux disponíveis em anton0.html, acesso em 16/11/03 4

5 Recursos Hídricos Recomendações e mecanismos Existem algumas linhas estratégicas para o desenvolvimento da produção de equipamento e criação de uma industria nacional no setor que permita reduzir os custos e produzir equipamentos voltada para o ambiente brasileiro. Duas linhas principais foram identificadas: (i) apoiar as empresas existentes, que já foram produtoras de equipamentos, com fundos para desenvolvimento de produtos em parceria de entidade de pesquisa; (ii) desenvolver projetos pilotos de modernização da rede hidrométrica que contemple toda a linha de produtos para modernização de uma rede de diferentes condicionantes brasileiros. Pesquisa de mercado e dos grupos de pesquisa O desenvolvimento e produção de equipamento no país são, condicionados pelas quantidades anuais prováveis de cada tipo de equipamento. Portanto, é necessário o desenvolvimento de uma pesquisa de mercado para o setor em função dos dispositivos planejados. Portanto, como produto desta prospecção recomenda-se que seja desenvolvida uma pesquisa: (i) de mercado dos equipamentos identificados no item anterior e de outros produtos identificados na pesquisa; (ii) grupos de pesquisa qualificados nas universidades e centros de pesquisa. Financiamento de empresas Desenvolver edital específico para financiamento da produção de equipamentos dentro das linhas citadas acima e viabilizadas pelo estudo de mercado. No edital poderão ser propostos outros equipamentos desde que justificada sua viabilidade e inovação para o cenário brasileiro de recursos hídricos quanto a uso, controle de impactos e conservação. Os condicionantes recomendados para o edital são os seguintes: (a) empresas nacionais; (b) empresas associadas a centro de pesquisa que tenha perfil de certificação e desenvolvimento tecnológico; (c) contrapartida da empresa a ser definida de acordo com a estratégia. Dentro desta classe de financiamento, para equipamentos de grande valor agregado, como o desenvolvimento de radar para medição de rios é recomendável que as entidades de fomento façam uma encomenda a empresas e grupos de pesquisas com alta qualificação no setor. Os produtos gerados podem permitir a formação de empresa para sua produção com patentes específicas. 5

6 Projetos piloto para a rede de monitoramento Nas alternativas anteriores o objetivo é o de financiar produtos específicos após a identificação do mercado potencial e dos grupos potenciais. No entanto, este tipo de financiamento não permite identificar as necessidades potenciais existentes quando se deseja modernizar uma rede, aumento da produtividade e reduzir custos e eficiência da obtenção dos dados. Desta forma, esta alternativa tem como finalidade gerar o desenvolvimento de produtos que tornem eficiente a coleta, processamento e avaliação dos dados hidrológicos dentro de um conjunto de atividades. Portanto, poderão ser identificados vários produtos ao longo deste processo, que envolvem hardware e softwares que funcionem de forma integrada dentro de um cenário de monitoramento da realidade brasileira. O mecanismo de financiamento proposto é de identificar amostras da rede atual de monitoramento da ANA Agência Nacional de Água. Estas amostras devem caracterizar os cenários de coleta de dados de todos os ambientes brasileiros, com suas idiossincrasias. Para cada amostra poderão ser contratados grupos que desenvolvam a modernização da rede com base na modernização de equipamentos de coleta, transmissão e processamento de informações. A prioridade será de inovação tecnológica em todo o processo de aumento da produtividade. A avaliação dos projetos deverá ser realizada com base na redução do custo e da qualidade da informação coletada. Essa proposta permite integrar num mesmo esforço, uma entidade de pesquisa ou uma universidade e uma empresa, ambos colaborando em termos de serviços e a última produzindo os equipamentos já como licenciada. 6

7 Recursos Hídricos Participantes do Painel de Especialistas Autores dos documentos de referência: Dr. Paulo Kroeff IPH UFRGS De acordo com a metodologia de prospecção adotada pelo CGEE, participaram do painel sobre Produtos e Equipamentos, no dia 5 de novembro de 2003, os seguintes especialistas: Participantes Vínculo Institucional Gre de Araújo Lobo Universidade de São Paulo USP - DAEE Marcos Dias da Silva Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE Paulo Garcia Agência Nacional de Águas - ANA Paulo Kroeff Souza Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS 7

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